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A religião na Inglaterra do século dezesseteA Sentinela — 1962 | 15 de fevereiro
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diferenças religiosas. Cromwell achava que todas as suas ações eram governadas por Deus, uma atitude partilhada por grande número de pessoas naqueles dias. Isto o levou ocasionalmente a declarações infelizes. Na captura de Drogheda, na Irlanda, Cromwell ordenou o massacre mais horrendo, justificando-o por dizer: “Estou convencido de que este é um julgamento justo de Deus sobre estes canalhas bárbaros.”6 Winston Churchill, descrevendo a batalha de Dunbar, onde Cromwell enfrentou os escoceses religiosos, observa com compreensão: “Ambos os lados apelaram confiantemente para Jeová; e o Altíssimo, achando tão pouca escolha entre eles em matéria de fé e zelo, deve ter permitido que fatores puramente militares prevalecessem.”7
Com o restabelecimento da monarquia, a Igreja Anglicana ficou novamente dominante e a perseguição dos puritanos foi em muitas partes renovada com vigor. Mas, os não-conformistas eram agora mais fortes, mais seguros de suas próprias idéias e objetivos. Com a morte de Carlos II, o pêndulo voltou rapidamente para o outro lado, quando Jaime colocou católicos romanos nos diversos cargos, em toda a parte. Ao procurar ganhar os dissidentes para a sua própria causa, ele os impeliu para o campo anglicano. Suas maquinações foram demasiado aparentes, e ele fugiu para a França quando Guilherme de Orange foi convidado para desembarcar na Inglaterra.
Guilherme não concordou em governar sem liberdade de adoração. Em 1689, o Ato de Tolerância viu o fim de grande sofrimento por causa da consciência em assuntos religiosos, embora exemplos isolados, tais como o massacre de Glencoe, três anos depois, ainda revelassem muito ódio e amargura.
Nem uma única vez, no século dezessete, voltou-se o pêndulo para um proceder realmente cristão da parte do governo e do povo. Foi uma era que se caracterizou pelo medo, pelo preconceito, pela perseguição, pela corrupção e pelo favoritismo. O enlace entre igreja e estado levou a grande restrição da liberdade para muitos e a promulgação de uma lei após outra para impedir os dissidentes. Tal página da história pode ser um aviso para hoje; seguir tal proceder seria rejeitar o conselho sadio do apóstolo, dado há dezenove séculos: “Por outro lado, os frutos do espírito são amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, autocontrole. Contra estas coisas não há lei.” — Gál. 5:22, 23:
OBRAS DE REFERÊNCIA
1 England Under the Stuarts, de G. M. Trevelyan, página 28.
2 The Scottish Covenanters, de J. Barr, página 98.
3 A Collection of the Sufterings of the People Called Quakers, de J. Besse; 1753, Tomo I, página 460.
4 The Church and the Puritans, de H. O. Wakeman, página 133.
5 Puritanism and Richard Baxter, de H. Martin, página 111.
6 Cromwells’s Letters and Speeches, de T. Carlyle, Letter 98, 17 de setembro de 1649.
7 A History of the English-speaking Peoples, de W. S. Churchill, Tomo 2, página 235.
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“Ignorância sobre a religião”A Sentinela — 1962 | 15 de fevereiro
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“Ignorância sobre a religião”
“Nas Filipinas, certos católicos de boas intenções fazem amiúde a pergunta: Como é que vamos deter o aumento das Testemunhas de Jeová e de outras seitas similares? Pelo que parece, o único meio seguro seria os católicos chegarem a conhecer melhor a sua própria religião e a praticar esta. Na realidade, é a ignorância sobre a religião que é o mais forte incentivo da organização nos países em que é introduzida. Pois, só quando chegarmos a conhecer a nossa própria religião, não tendo meramente nascido nela, quando praticarmos a nossa religião conforme se espera que os bons católicos em toda a parte a pratiquem, jamais temeremos aquela batida à porta por parte dos que se esforcem em nos apresentar um substituto da Fé em que nascemos, fomos criados e na qual vivemos.” — Home Life, uma revista católica impressa nas Filipinas.
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