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  • g76 22/2 pp. 13-16
  • A vida dum matador — quão satisfatória é?

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  • A vida dum matador — quão satisfatória é?
  • Despertai! — 1976
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  • Perseguindo Meu Alvo
  • Minha Primeira Luta Formal
  • Outros Passos em Direção ao Meu Alvo
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g76 22/2 pp. 13-16

A vida dum matador — quão satisfatória é?

A história de alguém que realizou seu sonho de tornar-se matador, e de como era realmente a sua vida.

POR quase vinte anos sonhei em me tornar um matador completo, e, finalmente chegara esse momento. Era o dia 2 de abril de 1967, em Alcalá de Henares, Madri.

Quando saí do hotel, havia grande multidão de amigos e admiradores que desejavam estar comigo nesse dia importante. Naquela tarde, na cerimônia chamada alternativa, iriam conferir-me o título de matador de toros, a mais alta categoria profissional na tauromaquia.

Quem me apresentaria seria o matador veterano, Curro Romero, o padrinho da cerimônia, e, como testemunha oficial, o famoso matador El Cordobés, Manuel Benítez. Depois de algumas palavras de encorajamento, acolhendo-me a este grupo exclusivo de profissionais, recebi o que se chama comumente de los trastos de matar, os instrumentos da profissão. Estes são a espada e a muleta, que é a pequena capa usada para enganar o touro.

Daí veio o abraço dos dois matadores veteranos. E, por fim, face a face com o touro. Passei a prova. Agora estava diante de mim uma carreira promissora. Por fim conseguira o que desejara por tanto tempo.

Desejo Inicial de Ser Matador

Quando era garoto, a tourada era meu único interesse. Costumava sentar-me à porta da barbearia local apenas para ouvir os homens conversarem sobre isso. Naquele tempo, ainda falavam da morte de um dos mais famosos toureiros de todos os tempos, Manolete (Manuel Rodríguez), morto por um touro em 1947.

Eu já praticava o toureio por algum tempo, mas sem um animal de verdade. Por fim surgiu minha oportunidade. Foi em dezembro de 1958, quando só tinha 15 anos.

Alguns amigos mais velhos planejavam ir a noite a um curral, para praticar. Consegui convencê-los a me levar também. Com dificuldade, separaram do rebanho uma vaca braba. Daí, nós quatro, cada um por sua vez, “lutamos” contra ela. Depois que terminamos, houve uma discussão sobre quem fora o melhor. Um rapaz disse que tinha sido eu. Isto me surpreendeu, visto não ter idéia do que era bom ou ruim na tauromaquia. Dali em diante, meus amigos mais velhos me levavam às suas touradas noturnas, e obtive bastante experiência.

Certa noite, um golpe dum chifre de vaca me pegou, rasgando-me o rosto desde a ponta da boca até o queixo. O único médico que me tratou foi meu colega, que derramou aguardente na ferida. Este foi meu primeiro derramamento de sangue, e o considerei uma honra. Mas, como reagiria da próxima vez? Ficaria com medo de enfrentar um touro numa arena, diante duma assistência?

Ao pesar tais perguntas, estava ainda mais determinado a me tornar um matador bem sucedido.

Perseguindo Meu Alvo

Meu pai tentou fazer tudo para me dissuadir disso. Surrou-me, e me negou refeições. Quando descobria que não estava em casa à noite, trancava a porta, de modo que tinha de passar o resto da noite na rua. Assim, quando tinha cerca de 16 anos, decidi fugir de casa junto com dois colegas que também queriam ser matadores.

Fomos para Salamanca, no norte do país, a uns 700 quilômetros de distância de minha casa em Palma del Río. Pegamos carona em trens de carga, e sofremos frio e fome, mas conseguimos manter-nos vivos por mendigar alimento nos sítios, e às vezes por roubar galinhas. Às vezes pensei em voltar para casa, mas a idéia da glória de ser matador me estimulava a prosseguir.

Certo dia, ouvimos dizer que haveria uma tourada em Ciudad Rodrigo, na Província de Salamanca. Ali os touros são tão grandes que só alguns se dispõem a arriscar-se na arena. Meu desejo de ser matador, porém, era tão grande que não me preocupava com o perigo. Eu simplesmente queria ser famoso.

Naquela ocasião, devido à minha ousadia, deram-me algum dinheiro, o suficiente para que chegasse a Madri. Ali, com a ajuda de parentes, entrei numa escola de toureiro. Cursei-a por três meses, a fim de praticar o que é chamado de tourada de salón, e para aprimorar meu estilo.

Minha Primeira Luta Formal

Agora eu era novato, chamado novillero. Para alcançar meu alvo de me tornar um matador completo, precisava de experiência e de reconhecimento público.

Por fim, chegou o tempo, em 1963, quando lutei pela primeira vez numa tourada formal, meu nome aparecendo nos anúncios. Foi em minha cidade natal, Palma del Río, Córdoba. A ocasião era a festa religiosa da cidade, e, como é o costume na maioria das cidades, incluía duas touradas.

Uma vez na arena, fiquei tão ansioso de ganhar que estou certo de que minha fúria era maior que a do touro. E deveras triunfei — foram-me concedidas ambas as orelhas e o rabo do touro, o prêmio máximo, e o direito de voltar no dia seguinte. Nessa ocasião, também, fui bem sucedido. Todo o mundo me aclamou e disse que me tornaria bom torero, ou matador.

Um comerciante queria tornar-se meu agente e representante. Papai mudou de modo de pensar e não mais resistia à idéia de eu me tornar um matador, visto poder notar os benefícios econômicos. Num tabelião, emancipou-me e me entregou ao meu agente, visto ainda ser menor de idade. Mamãe, por outro lado, estava contra a idéia por causa do perigo envolvido.

Outros Passos em Direção ao Meu Alvo

Meu agente era muito bom para mim de início, arranjando lutas de que eu precisava com touros jovens. Isto permitiu desenvolver-me e aprimorar-me. Daí, porém, parei de progredir, visto que meu agente era amador na profissão, e não estava habilitado a me ajudar a atingir a estatura dum pleno matador. Meu contrato com ele era de cinco anos, e a única maneira de rompê-lo era comprar minha liberdade, o que fiz. Tive de rompê-lo com grande soma de dinheiro, mas, pelo menos, fiquei livre para progredir em minha carreira.

Com novo agente, obtive um contrato de lutar em Bilbao, uma das mais importantes e espaçosas arenas da Espanha. Esta resultou ser importante luta em minha carreira profissional.

Nos passes com a capa, o chifre do touro pegou a capa e a fincou no chão. Assim, fiquei indefeso, sem meio de enganar o touro. Poderia ter corrido para um lugar seguro, sem perder a honra. Mas, na minha inexperiência e desejoso de obter êxito, fiquei firme, chutando a cara do touro. No entanto, seu chifre pegou minha coxa esquerda, quase a furando de lado a lado.

Meu sangue jorrava. A multidão certamente me desculparia por recuar. Por um instante, fiquei indeciso. Daí, porém, o desejo de triunfar e progredir em direção ao meu alvo de me tornar um matador completo resultou ser mais forte do que a dor da ferida. Pedi outra capa, e, apesar de as autoridades da arena tentarem impedir-me, de novo enfrentei o touro. Comecei a me sentir fraco.

Muito embora o público não queira ver uma tragédia, fica excitado e com grande expectativa em situações em que o perigo para o matador é grande. Apesar do ferimento, terminei os passes com a capa e consegui matar o touro. No meio da aclamação da multidão, dei a volta na arena, e fui então levado para a enfermaria. Depois de receber os primeiros socorros, fui transferido para o hospital especial para toureiros em Madri.

Notícias da luta foram publicadas nos jornais, trazendo-me à atenção do público das touradas. Também, publicavam uma foto minha, com a ferida da chifrada na coxa, lutando contra o touro. Fiquei famoso, e consegui contratos para as melhores arenas da Espanha e do sul da França. Assim, por fim alcancei meu alvo, recebendo a alternativa em 2 de abril de 1967.

Satisfação Como Matador?

Agora comecei a receber até US$ 2.500, mais ou menos, para cada corrida, ou tourada. No entanto, depois de pagar minha cuadrilla, ou grupo, as despesas de viagem, alimentação, contas de hotéis e 10 por cento para meu agente, amiúde restavam menos de 10 por cento para mim. Não estava acumulando as riquezas que desejava; com efeito, gastava mais do que ganhava, calculando que na próxima temporada ganharia mais.

Por algum tempo, considerei maravilhoso ser matador — oferecia-me fama e adulação. Mas, comecei a ver que tais pessoas eram mais amigas do matador do que de mim como pessoa. Queriam comprazer-se na glória refletida do matador vitorioso e ser vistas com ele. Assim, após lutas bem sucedidas, o hotel ficava cheio de “amigos”; organizavam-se festas em minha honra. Mas, no dia em que as coisas iam mal na arena, tais “amigos’’ primavam pela ausência.

Ademais, comecei a compreender que a tourada era dominada por pequeno número de poderosos. Alguns empresários controlavam as arenas principais, e se alguém conseguia ou não contratos para tourear nelas dependia mais das conexões da pessoa do que de sua perícia. Também, os jornalistas comumente não noticiavam os triunfos dum matador a menos que recebessem sua “gorjeta” de antemão.

Daí, havia as quase que inevitáveis chifradas. Naturalmente, eram fisicamente dolorosas, mas também feriam a carteira, visto que a temporada só dura alguns meses e uma chifrada poderia colocar alguém fora de ação por duas a quatro semanas ou mais. Sofri várias chifradas, e chegaram ao ponto em que as cicatrizes em meu corpo pareciam um mapa de estradas.

A vida dum matador, comecei a ver, não era de jeito nenhum aquilo que eu imaginara. No entanto, foi outra coisa que me fez questionar o valor da vida que então levava.

O Matador e a Religião

A religião acha-se intimamente associada com a tauromaquia. Os matadores costumeiramente visitam um santuário cheio de imagens para prestar adoração antes de cada luta; muitos levam um santuário portátil. Lembro-me, em certa ocasião, de que orei perante meu santuário, antes de entrar na arena, conforme meu costume, mas, ao voltar depois, descobri que o santuário pegara fogo! Se tivesse chegado um pouco mais tarde, a sala inteira teria pegado fogo. Isso me fez pensar: Se tais imagens não puderam salvar-se, como poderiam proteger-me numa tourada? Esta dúvida me afligia.

Em outra ocasião, quando toureava em França, fui confessar, como era meu costume. Nós, que esperávamos, ficamos surpresos e desapontados quando o sacerdote não quis vir atender-nos. Daí, quando soube que eu estava ali, veio e me deu atenção, mas ignorou os humildes que esperavam já por tanto tempo. Incidentes assim começaram a debilitar minha fé na Igreja Católica. Todavia, eu cria em Deus, e tinha respeito pela Bíblia. Com efeito, costumava ter prazer em lê-la.

Assim, certa vez perguntei a um sacerdote sobre a Bíblia, explicando que queria entendê-la. No entanto, ele me desanimou, dizendo que a Bíblia era para os teólogos e que ficaria maluco se a lesse. Isso me entristeceu, enfraquecendo ainda mais minha fé na Igreja.

Melhor Propósito na Vida

Por volta dessa época, no outono setentrional de 1968, eu e minha esposa tomávamos café quando alguém bateu à porta. Ela a abriu e encontrou duas senhoras que nos falaram sobre a Bíblia. A cada pergunta que eu suscitei, forneceram uma resposta da Bíblia. Fiquei maravilhado, desejando manusear a Bíblia assim. Ao ler a publicação que aceitei delas, compreendi que me podia ajudar a obter o conhecimento bíblico que tanto desejava. Logo aceitamos um estudo bíblico regular em nossa casa.

Foi bem nessa época que fui convidado a participar numa tourada, como parte duma festa num rancho. O bispo de Sevilha estava lá, e notei quanto apreciava o que acontecia lá. Mas, de alguma forma, eu me senti deslocado.

Na minha carreira devo ter matado cerca de 240 touros. Mas, mesmo então, ao observar outros matadores combaterem um touro terrivelmente sangrando e sofrendo, sentia pena do animal. Ao ficar mais familiarizado com os ensinos da Bíblia, compreendi que a tourada não era carreira para os verdadeiros cristãos. Aquela tourada em conexão com a festa no rancho resultou ser a minha última.

Ao vir a apreciar o propósito de Deus de criar justo e novo sistema de coisas, meu desejo de servir a Ele tornou-se mais forte. (2 Ped. 3:13) Este se tornou meu principal propósito na vida. E, visto que a Bíblia explica que Deus deseja que todos fiquem sabendo sobre seu novo sistema, comecei a falar a outros sobre isso. — Mat. 24:14.

Muitos ficavam surpresos, bem como contentes, de me ver, quando chegava à sua porta. Mostravam-se muito dispostos a conversar comigo sobre touradas. Mas, daí, eu aproveitava a oportunidade para explicar que há algo muito melhor na vida do que tourear — é conhecer e servir o nosso grandioso Criador. Certamente comprovei que isto é verdade. — Contribuído.

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