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Doce sonoDespertai! — 1974 | 8 de dezembro
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Doce sono
● Para se conseguir boa noite de sono, a condição mental da pessoa é muito mais importante do que a condição do seu corpo. Certo ditado expressa isso do seguinte modo: “A consciência do homem e não o seu colchão tem muito que ver com seu sono.” O escritor inspirado de Eclesiastes expressou isso: “Doce é o sono do trabalhador, quer tenha comido pouco ou muito; mas a fartura do rico não o deixa dormir.” — Ecl. 5:2. Pontifício Instituto Bíblico.
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A Itália vota a favor do divórcioDespertai! — 1974 | 8 de dezembro
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A Itália vota a favor do divórcio
Do correspondente de “Despertai!” na Itália
‘EU SABIA que estava chovendo, mas não imaginava que fosse tamanho dilúvio!’ Assim comentou o Cardeal Poletti, italiano, depois que milhões de italianos impuseram fragorosa derrota à Igreja Católica Romana. Votaram contra a Igreja em relação à lei de divórcio da Itália.
O divórcio se tornara permitido por lei desde 1.º de dezembro de 1970. Nessa época, a Igreja não conseguira suficiente apoio nos círculos do governo para impedir a aprovação da lei. Por isso, a Igreja movia então uma campanha para que o povo italiano desse um voto especial para a revogação da lei.
Por apelar direto ao povo italiano, a Igreja achava que a ‘maioria silenciosa’ dos italianos seria leal à Igreja e votaria contra o divórcio. Assim, a Igreja se empenhou, e obteve, o total exigido de assinaturas (500.000) para que o governo autorizasse o plebiscito.
Esta votação especial (um plebiscito) foi realizada em 12 e 13 de maio. Mais de 32.000.000 de italianos foram às urnas. Apoiou a maioria deles à Igreja? Não! Pelo contrário, cerca de 60% deles — mais de 19.000.000 — votaram pela vigência da lei de divórcio! Foram cerca de 6.000.000 mais do que os votantes pela revogação da lei.
O resultado abalou e deixou perplexas as autoridades eclesiásticas. Também resultou consternador para as autoridades governamentais que apoiaram a posição da Igreja.
Todavia, o resultado do plebiscito vai além da simples escolha ou rejeição do divórcio. O fato de que tão ampla maioria dos italianos votou contra a Igreja é muitíssimo significativo. Muitos acham que é um antegosto das coisas vindouras. Por que isto se dá? Breve exame da relação entre o governo italiano e a Igreja Católica Romana nos ajuda-a entender por quê.
A Concordata e Suas Concessões
Antes da lei do divórcio de 1970, os assuntos pertinentes ao casamento eram cuidados em harmonia com os termos do acordo assinado entre a Igreja e o Estado em 1929. Este pacto (ou concordata) foi feito entre o governo de Mussolini e o Estado do Vaticano. Dava à Igreja muitas vantagens especiais, em troca de seu apoio àquele governo.
Sob os termos da Concordata, o clero católico recebia ajuda financeira do Estado. A religião católica, e nenhuma outra, era ensinada nas escolas públicas. E a Igreja ficava isenta de impostos. Tais privilégios especiais davam à Igreja um lugar de destaque, habilitando-a a exercer grande influência sobre o povo.
Quanto ao casamento, a Concordata apoiava os conceitos da Igreja. Ao passo que o acordo permitia o reconhecimento dos casamentos civis, dava à Igreja Católica a prerrogativa ímpar de desfazer os casamentos. E a posição da Igreja era que apenas a morte dissolvia o casamento. Isto ignorava a posição que Jesus Cristo mesmo tomou nesse assunto. Permitiu o divórcio sob certas circunstâncias. — Mat. 19:9.
No entanto, havia uma “brecha” na afirmação da Igreja de que não podia haver divórcio. Ela concedia “anulações” de casamentos. Em outras palavras, ao passo que não podia haver divórcio, a Igreja asseverava que, por várias razões, o casamento fora feito sob circunstâncias não aprovadas pela Igreja. Por isso, o casamento poderia ser declarado inexistente. Isto habilitava a pessoa cujo casamento era “anulado” a se casar de novo.
O custo deste processo era alto. Por causa disso, só era possível que pequeno número de pessoas anulasse seus casamentos. Usualmente eram atores de teatro e cinema, líderes políticos, industriais e outras pessoas ricas. Os pobres não podiam dar-se a tal luxo, assim’ não se incomodavam com isso. Aqueles que deixavam seu cônjuge sem conseguir anulações amiúde passavam a viver com outra pessoa, em adultério. Alguns cálculos afirmam que cerca de 5 milhões de pessoas viviam nesse estado de concubinato. Mas, ao assim fazerem, era impossível a um pai reconhecer legalmente como seus os filhos nascidos de tal união. Isto resultava na perda de certos benefícios.
Compreendendo que havia muitas irregularidades relacionadas ao casamento e o divórcio, com o passar dos anos, vários membros do Parlamento da Itália tentaram aprovar projetos-de-lei que permitissem o divórcio. Mas, nenhum deles foi jamais aceito, até 1.º de dezembro de 1970. Nessa data, um projeto-de-lei apresentado pelos deputados Fortuna e Baslini se transformou em lei. Finalmente, o divórcio era permitido na Itália, se os cônjuges estivessem separados pelo menos por cinco anos. Se uma das partes se opusesse ao divórcio, então, depois de seis ou sete anos de separação, a outra parte poderia solicitar o divórcio. Provisões especiais contidas na lei favoreciam os filhos e a esposa.
O Plebiscito
A lei de 1970 não foi sancionada sem oposição. E esta oposição persistiu. Vinha tanto do governo como de fora dele — em especial da Igreja Católica Romana. Tal oposição culminou quando as forças antidivorcistas obtiveram o direito de ver realizado um plebiscito.
O plebiscito sofreu a oposição de muitos líderes políticos. Temiam que resultasse numa crise política, através do rompimento do delicado equilíbrio de alianças de partidos que só foi obtido depois de estrênuos esforços. Mas, apesar deste temor, as forças antidivorcistas prosseguiram avante.
Um resultado foi que nítida divisão deveras resultou entre os partidos políticos. O partido majoritário (Democratas Cristãos) era a favor da abolição da lei do divórcio. Os outros principais partidos (o Comunista e o Socialista) eram a favor da manutenção da lei de divórcio.
Enquanto ocorria esta polarização no campo político, o que acontecia no seio da Igreja Católica Romana!
Atitude da Igreja
A posição oficial da Igreja foi expressa em fevereiro pela conferência dos bispos italianos. Declararam meridionalmente seu apoio às forças antidivorcistas.
O aviso deste conceito oficial foi enviado pelos bispos a todos os sacerdotes, para ser lido nas igrejas locais. Uma interpretação de seu conceito veio do Monsenhor Gaetano Bonicelli, que declarou que os “católicos, ou melhor, aqueles que ainda se professam tais, que votarem pela vigência da lei do divórcio, não poderão mais considerar-se ‘católicos’”.
Todavia, dentro da própria Igreja, logo surgiu a oposição. Em algumas cidades, tais como Milão, houve párocos que preferiram não ler sequer a notificação em suas igrejas. Outros sacerdotes falaram rispidamente contra o conceito da Igreja. Quarenta e quatro sacerdotes de Veneza, num documento aos bispos e sacerdotes de sua região, expressaram suas intenções de votar pela vigência da lei do divórcio. Ainda outros sacerdotes tentaram amainar o conceito oficial por declararem que a votação era uma questão de consciência pessoal.
Muitos leigos católicos reagiram de forma adversa às táticas da Igreja. Em
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