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A piñata e seu usoDespertai! — 1971 | 22 de dezembro
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A piñata e seu uso
Do correspondente de “Despertai!” no México
“ACERTE nela, acerte nela, acerte nela! Para a direita! Mais para baixo! Agora mais para cima!”
O que está acontecendo? Por que tanta gritaria de crianças e adultos? Por que tanta excitação?
Ao nos aproximarmos do grupo, vemos dois homens em dois telhados adjacentes segurando um cordão onde se acha pendurado um objeto parecido a uma estrela de três pontas. “O que é isso?” — perguntamos.
“É uma piñata”, gritam as crianças.
Diversas crianças de olhos vendados fazem rodízio ao tentarem quebrar a piñata com um pau. Mas, os homens impedem isso por puxar o cordão para afastar a piñata. Por fim, um menino de olhos vendados desfere um tremendo golpe na piñata. Ela se quebra, e seu conteúdo se esparrama pelo chão. Há toda espécie de frutas, pedaços de cana-de-açúcar, laranjas, amendoins, tejocotes (uma fruta parecida ao abrunho) e assim por diante.
As crianças disputam entre si para ver quanto cada um consegue pegar. Depois de alguns minutos nada sobra no chão exceto cacos de cerâmica e pedaços de papel crepom. Os cones, que deram à piñata a aparência de uma estrela de três pontas, são levados pelas crianças como troféus.
Desperta-se nossa curiosidade. Queremos saber mais sobre a piñata. Qual é a sua origem? Por que é usada no México e em outros países latino-americanos? Há qualquer significado em quebrá-la?
Ligações Religiosas
Não se sabe em definitivo a origem das piñatas. Mas, crê-se que o famoso viajante veneziana, Marco Polo, as trouxe do Oriente para sua cidade natal na Itália. Mais tarde, na Espanha, seu uso tornou-se parte de celebrações religiosas. Após a conquista espanhola no hemisfério ocidental foram introduzidas no México. Os materiais usados na confecção das piñatas são um pote de barro, papel crepom, um pouco de cola e papelão para dar forma à figura.
Catequistas católicos empregavam piñatas ao darem instrução religiosa aos nativos índios. Eram usadas, por exemplo, em relação com a Quaresma, que é observada desde a Quarta-feira de Cinzas até o Domingo de Páscoa. Mesmo hoje em dia são usadas em alguns lugares. Na véspera da Páscoa, quebra-se uma piñata na forma de Judas Iscariotes, espalhando doces que as crianças disputam entre si.
As piñatas passaram também a ser usadas em relação com o Natal. Um escritor moderno comenta: “Os índios apreciavam muito as representações teatrais no decorrer dos rituais. Os frades começaram a incluir representações teatrais em relação com a celebração do nascimento de Jesus Cristo.” Quebrar a piñata veio a ser a parte final de tal representação teatral.
Foi por volta do ano 1587 E. C. que um frade agostiniano chamado Diego de Doria recebeu autorização do Papa para celebrar Missas durante os nove dias antes do Natal. Ensinou-se aos nativos a tradição de que antes do nascimento de Jesus, José e Maria procuraram nove dias até achar hospedagem. A Bíblia, porém, não diz isso. É apenas uma tradição feita pelo homem.
A Posada foi a celebração introduzida para ensinar esta tradição. Encenava a suposta busca de nove dias de Maria e José. Escolhia-se um rapaz e uma moça para representar a José e Maria. Tornou-se costume formar um grupo que cantava e orava à medida que iam para cá e para lá fingindo procurar hospedagem. As pessoas se juntavam na igreja para esta representação teatral.
Mais tarde, a celebração foi também levada aos lares das pessoas, que organizavam sua própria Posada. Com o passar do tempo, imagens de barro, gesso e madeira de José e Maria foram usadas em substituição às representações humanas delas. Tornou-se o costume duas crianças conduzirem a procissão que carregava as imagens de José e Maria.
As famílias no México aguardam ansiosas a Posada em cada uma das nove noites antes do dia de Natal. As crianças que conduzem a procissão vão de quarto em quarto, sendo impedidas de entrar até que cheguem a um quarto em que se construiu um nacimiento ou presépio com um estábulo em miniatura bem adornado. Ali são recebidos e colocam as imagens de José e Maria no estábulo. É somente na última noite da Posada que se coloca ali a imagem que representa o menino Jesus.
A celebração chega ao fim com a quebra da piñata. Essas piñatas podem ter muitas formas diferentes — barcos, palhaços, Diabos, estrelas de três pontas, coelhos, rabanetes, melancias, e assim por diante. Atualmente, o anfitrião talvez convide todo mundo ao seu quintal. Ali pessoas de olhos vendados fazem rodízio ao tentarem golpear a piñata, que talvez seja suspensa por um cordão do telhado da varanda ou de um galho de árvore.
Os catequistas católicos deram grande significado ao uso da piñata em sua celebração religiosa. Ensinaram que a piñata representa o Diabo ou um espírito mau. Estar a pessoa que tenta quebrar a piñata com os olhos vendados indica que deve ter fé cega de que vencerá o Diabo. Os artigos colocados na piñata representam as tentações que o homem tem durante a sua vida. E quebrar a piñata significa que obteve a vida eterna.
Tendência Moderna
Hoje em dia, a Posada no México dá destaque à desordem, à bebedeira e atividade criminosa. Usam-se as celebrações como desculpa para o modo de vida desenfreado e imoral. Com freqüência, pessoas são mortas, e outras são roubadas e feridas. A polícia se mantém mais ocupada durante estas celebrações.
A posada lembra a primitiva festa pagã romana de meados de dezembro, as Saturnais. O fato é que as enciclopédias dizem que esta festa pagã proveu o modelo para muitos costumes festivos do Natal, dentre os quais a Posada e o uso da piñata estão intimamente relacionados.
Atualmente, porém, muitos dão pouca consideração aos aspectos religiosos da Posada e da quebra da piñata. Tudo o que certos comerciantes sabem sobre isto é que vender piñatas dá lucro. Talvez vendam até por uns noventa e seis cruzeiros cada uma, e durante as celebrações da Posada seu custo sobe. Hoje em dia, usam-se também extensivamente as piñatas como divertimento em ocasiões sociais, tais como em festas infantis e celebrações de aniversários.
Mas, muito embora o uso da piñata seja bastante popular em certos lugares, há os que têm sérias dúvidas quanto a ele devido às práticas da religião falsa ligadas a ele.
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O cabeloDespertai! — 1971 | 22 de dezembro
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O cabelo
● O número médio de cabelos na cabeça humana é 120.000.
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