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  • Lutero — nova força a favor da unidade?
  • Despertai! — 1985
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g85 8/2 pp. 13-16

Lutero — nova força a favor da unidade?

Seria normalmente de esperar que o 1.950° aniversário de um acontecimento de grande importância obtivesse mais atenção do que o 500° aniversário de outro evento de menor significação. Todavia, em 1983, o 1.950° aniversário da morte; de Jesus Cristo, o Fundador do cristianismo, passou grandemente despercebido na cristandade. Isso não se deu, contudo, com o 500° aniversário do nascimento de um de seus proclamados seguidores, Martinho Lutero. Este último aniversário ganhou, em especial, as manchetes naqueles países em que vivem 70 milhões de luteranos do mundo. Durante o Ano de Lutero, muitas celebrações, conferências e exibições foram realizadas, uma das quais apresentou mais de 600 gravuras, esculturas, desenhos e documentos.

O IMPACTO de Lutero sobre a cultura alemã é inegavelmente grande, embora provavelmente seja menos conhecido — pelo menos fora da Alemanha — do que aquele que causou sobre a história religiosa. Excetuando-se Jesus Cristo, este impacto é provavelmente bem maior, sobre o mundo de língua alemã, do que o causado por qualquer outro homem. A publicação de Berlim Oriental, Neue Berliner Illustrierte, para exemplificar, afirma que “a tradução da Bíblia, feita por Lutero, revolucionou a vida intelectual da Europa, moldou gerações e fixou suas determinações e decisões”.

Da profusão de dialetos existentes em seus dias, Lutero virtualmente criou o alemão padrão hoje falado. Também contribuiu de forma significativa para o alicerce do que, mais tarde, tornou-se as escolas públicas primárias. Fez tremendas contribuições à causa do estado alemão unificado que veio mais tarde a existir. Mas suas atividades religiosas basicamente ofuscaram estas contribuições culturais, causando uma divisão religiosa que ainda persiste.

Mais Uma Vez, Uma Força a Favor da Unidade

No entanto, recentes tentativas de indicar as contribuições culturais de Lutero o transformaram, mais uma vez, num símbolo de unidade. As celebrações do Ano de Lutero foram realizadas tanto na República Federal da Alemanha como na República Democrática Alemã (RDA).a A brochura da RDA, Martin Luther und seine Zeit (Martinho Lutero e Seus Tempos) menciona-o como “uma das grandes personalidades de reputação global”, que causou impressão duradoura na Alemanha e na Europa. Afirma: “Em virtude do notável significado para a história alemã e da civilização, e devido a que a maioria dos locais em que Martinho Lutero trabalhou estão localizados no território da República Democrática Alemã, a RDA sente a obrigação especial de cultivar a herança de Lutero e de honrar Martinho Lutero por ocasião de seu 500° aniversário.”

Embora a República Federal da Alemanha e a República Democrática Alemã estejam desunidas politicamente, as celebrações do Ano de Lutero serviram para lembrar-lhes a sua herança comum e as contribuições de Lutero para ela. Isto não passou despercebido do presidente da República Federal, Karl Carstens. Discursando na abertura da exibição supracitada em Nurembergue, ele disse que Lutero tinha cessado de ser um “símbolo de divisão”. Com efeito, “Lutero tornou-se um símbolo da unidade de toda a Alemanha”, disse. “Todos somos herdeiros de Lutero.”

Mas, se Lutero estava sendo considerado um símbolo de unidade política, que dizer da desunião religiosa que ele ajudou a causar? Estava esta simplesmente sendo despercebida? Evidentemente que não, como o indicam as seguintes notícias:

“O ano de aniversário não acirrou um novo abismo entre os luteranos e os católicos. Pelo contrário: os eventos culturais, as palestras, e a literatura, no que podemos determinar, produziram frutos ecumênicos.” — Nürnberger Nachrichten.

“Deveras, como o reformador que dividiu o Cristianismo, Lutero se tem tornado ultimamente uma chave para reunificá-lo.” — Revista Time.

Para se entender este acontecimento inesperado, temos de recapitular brevemente como foi que Lutero, inicialmente causou tal divisão.

Lutero — Uma Força a Favor da Desunião

Martinho Lutero era monge agostiniano e sacerdote católico. Mesmo quando jovem, começou a questionar vários ensinos católicos. Também criticava o que julgava serem os males e as distorções eclesiásticos. A venda escandalosa de indulgências pelo arcebispo de Mogúncia (Mainz), para exemplificar, suscitou de forma especial a ira dele. Caso a Igreja Católica tivesse imediatamente considerado tais críticas, e talvez feito certos ajustes, a Reforma talvez jamais tivesse acontecido.

No entanto, Lutero foi levado pelos acontecimentos a uma posição opositora cada vez mais forte. Em 31 de outubro de 1517 (segundo a tradição), pregou na porta da igreja de Wittenberg 95 teses que expunham os ensinos errados da Igreja. Daí, em 1520, publicou os panfletos “A Nobreza Cristã da Nação Alemã”, “Da Servidão Babilônica da Igreja”, e “Da Liberdade de um Cristão”. Cada um tornou-se mais forte em sua crítica. Uma bula papal ameaçou Lutero de excomunhão. Em 10 de dezembro de 1520, ele desafiadoramente queimou esta bula papal. Em 1521, na Dieta de Worms, ele recusou retratar-se, no que foi declarado proscrito no Santo Império Romano, e foi obrigado a esconder-se. Enquanto era protegido por amigos, achou tempo para terminar sua tradução do “Novo Testamento”. Isto aconteceu no outono setentrional de 1522. Por volta de 1534, já havia terminado de traduzir o “Antigo Testamento”, agora tornando disponível em alemão, pela primeira vez, sua inteira Bíblia. A hierarquia católica, com seu histórico de oposição às traduções da Bíblia para o vernáculo, não saudou com prazer tal acontecimento. Já então era total a ruptura entre os católicos e os luteranos.

Antes de uma pessoa, como Lutero, poder ser encarada como força unificadora, teria de haver consideráveis mudanças de atitudes. Tais mudanças ocorrem atualmente.

Mudança de Atitude

Segundo o Rheinische Post, “o conceito católico sobre Lutero . . . sofreu assombrosa mudança. Para os católicos-romanos, o Reformador foi elevado da posição dum herege amaldiçoado à de um pai da crença”. A que o cardeal Höffner, de Colônia, durante um discurso feito numa cerimônia de aniversário em Worms, acrescentou que os conceitos protestantes e católicos sobre Lutero não mais poderiam ser usados para abrir uma brecha entre eles.

Lá atrás, em 1967, o teólogo protestante Walther von Loewenich observou: “Existe uma afeição tão crescente por Lutero entre os teólogos católicos alemães, que deixaria envergonhado um luterano.” E agora, numa carta ao cardeal Jan Willebrands, dos Países-Baixos, até o papa católico acrescentou sua voz, falando da “profunda religiosidade” de Lutero. Este e outros comentários conciliatórios sobre Lutero, feitos na carta do papa, moveram os jornais de Roma a saudá-la como “histórico momento de mudança no relacionamento dos católicos e protestantes”.

Domingo, 11 de dezembro de 1983, foi outro dia de novidades. Nunca antes na história um papa proferiu uma homilia diante duma congregação luterana na igreja luterana em Roma. “Ansiamos a unidade, e estamos trabalhando a favor da unidade”, disse ele à assistência, falando em alemão. “No ano em que se comemora o nascimento de Martinho Lutero, há quinhentos anos, cremos poder ver, à distância, a estrela matutina do advento da reunificação.”

Alcançar-se-á a Unidade Religiosa?

“Quem de nós pode julgar agora se o comparecimento do papa na [igreja luterana] de Roma pode ser considerado um marco no movimento ecumênico, ou se este gesto histórico continuará não sendo nada mais do que isso — um gesto?” Esta foi a interrogação suscitada pelo Süddeutsche Zeitung, de Munique.

Sem se considerar se isto resultará ou não num marco no caminho da reunificação, outra pergunta importante é: por que esta disposição súbita e inesperada de reunificação?

Há, sem dúvida, vários fatores envolvidos — a redução generalizada do interesse religioso e a perda da autoridade e da influência religiosas, por exemplo. Tanto o catolicismo como o protestantismo enfrentam uma crise. Crescem os sentimentos antieclesiásticos e anti-religiosos. A religião organizada parece estar caindo aos pedaços. A secularização está em marcha. Parece que a reunião é vista como meio de frear tal onda.

Segundo as notícias, George Lindbeck, co-presidente duma comissão mista luterano-católica internacional crê que, sem Lutero e sua Reforma, “a religião teria sido muito menos importante nos seguintes 400 a 500 anos. E, uma vez que a religião medieval estava caindo aos pedaços, a secularização teria prosseguido, desimpedida”. Trata-se duma suposição fascinante, porque significa que o mesmo Lutero, que serviu para perpetuar a religião organizada lá naquele tempo, por ser uma força a favor da desunião, é hoje em dia encarado como uma força a favor da unidade.

Este conceito interessa especialmente aos cristãos familiarizados com as profecias bíblicas, que predizem a destruição da religião falsa organizada, sob o símbolo de Babilônia, a Grande. (Veja Revelação, capítulos 17 e 18.) Predisse-se que tal destruição se daria num período da história humana que não poderia ter-se iniciado antes de 1914, certamente não lá atrás, nos dias de Lutero. Assim, a Reforma de Lutero contribuiu para conservar “montada” a religião organizada, até o tempo predeterminado para Deus agir contra ela.

Verdadeira Unidade Cristã

A unidade cristã é desejável, e a Bíblia nos incentiva a mantê-la. “Exorto-vos agora, irmãos, por intermédio do nome do nosso Senhor Jesus Cristo, que todos faleis de acordo, e que não haja entre vós divisões, mas que estejais aptamente unidos na mesma mente e na mesma maneira de pensar.” — 1 Coríntios 1:10.

No entanto, a unidade só é genuína quando se baseia no sólido alicerce da verdade, e não em transigência oportunista. A verdadeira unidade cristã exige que se siga o conselho bíblico de Paulo aos cristãos filipenses: “Tornai-vos unicamente imitadores meus, irmãos, e ficai observando os que estão andando dum modo que está de acordo com o exemplo que tendes em nós.” — Filipenses 3:17.

Está a Igreja Católica, hoje em dia, “andando dum modo que está de acordo com o exemplo” encontrado em Paulo e em outros cristãos primitivos? Está tal igreja imitando-os na doutrina, na conduta e na fixação das prioridades da vida? E que dizer da Igreja Luterana? Certamente todo católico e todo luterano deve a si mesmo verificar como é exatamente que sua igreja se comporta neste sentido.

Não resta dúvida que surgirá a unidade global. As profecias bíblicas a prometem, em sentido de governo, bem como de religião. A unidade governamental será conseguida pela substituição do atual sistema político pelo governo celeste de Deus, em prol do qual Cristo ensinou seus seguidores a orar: “Venha o teu reino. Realize-se a tua vontade, como no céu, assim também na terra.” (Mateus 6:10) Este governo “jamais será arruinado”, promete Daniel 2:44. Antes, sob a regência de Cristo, “esmiuçará e porá termo a todos estes [outros] reinos [ou, governos], e ele mesmo ficará estabelecido por tempos indefinidos”. Sob tal Reino, toda a humanidade virá, mediante Cristo, a ser unida em adoração ao único Deus verdadeiro.

A base para tal unidade governamental e religiosa foi, assim, lançada na morte de Cristo, cujo 1.950° aniversário foi comemorado na terça-feira, 29 de março de 1983. A celebração do 500° aniversário do nascimento de Martinho Lutero, por outro lado, embora tivesse interesse momentâneo, não apresentou nenhuma promessa de unidade global, seja governamental, seja religiosa.

Aprenda mais a respeito da verdadeira força a favor da unidade hoje em dia — o Reino de Deus. Os editores desta revista terão muito prazer em fornecer-lhe informações adicionais, se solicitadas, ou poderá pedi-las a uma das Testemunhas de Jeová.

[Nota(s) de rodapé]

a Estes são os nomes oficiais e corretos para o que muitos se referem como Alemanha Ocidental e Alemanha Oriental.

[Foto/Mapa na página 14]

(Para o texto formatado, veja a publicação)

O Ano de Lutero ajudou a fazer de Lutero um símbolo de unidade política para toda a Alemanha.

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