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Como se explica a Trindade?Deve-se Crer na Trindade?
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uma revelação, e, mesmo após a revelação, não é possível que se torne plenamente compreensível.”
Contudo, afirmar que, sendo a Trindade um mistério tão confuso, ela deve ter-se originado de revelação divina, cria um outro grande problema. Por quê? Porque a própria revelação divina não permite tal conceito sobre Deus: “Deus não é Deus de confusão.” — 1 Coríntios 14:33, Centro Bíblico Católico (CBC).
Em vista dessa declaração, seria Deus responsável por uma doutrina tão confusa a respeito de si mesmo que nem mesmo peritos em hebraico, grego e latim podem realmente explicá-la?
Ademais, precisa a pessoa ser teóloga para ‘conhecer o único Deus verdadeiro e a Jesus Cristo, a quem ele enviou’? (João 17:3, BJ) Se assim fosse, por que tão poucos dos bem instruídos líderes religiosos judaicos reconheceram a Jesus como o Messias? Os Seus fiéis discípulos eram, em vez disso, humildes lavradores, pescadores, cobradores de impostos, donas-de-casa. Tais pessoas comuns tinham tanta certeza do que Jesus lhes ensinava a respeito de Deus que podiam ensinar isso a outros, e estavam até mesmo dispostas a morrer por suas crenças. — Mateus 15:1-9; 21:23-32, 43; 23:13-36; João 7:45-49; Atos 4:13.
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É claramente um ensino bíblico?Deve-se Crer na Trindade?
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É claramente um ensino bíblico?
SE A Trindade fosse verdade, devia ser clara e coerentemente apresentada na Bíblia. Por quê? Porque, como afirmaram os apóstolos, a Bíblia é a revelação que Deus fez de si mesmo à humanidade. E, visto que temos de conhecer a Deus para poder adorá-lo aceitavelmente, a Bíblia deve ser clara em nos dizer quem exatamente ele é.
Os crentes do primeiro século aceitavam as Escrituras como a autêntica revelação de Deus. Era a base para as suas crenças, a autoridade final. Por exemplo, quando o apóstolo Paulo pregou a pessoas da cidade de Beréia, elas ‘receberam a palavra com o maior anelo mental, examinando cuidadosamente as Escrituras, cada dia, quanto a se estas coisas eram assim’. — Atos 17:10, 11.
O que é que destacados homens de Deus daquele tempo usavam como autoridade? Atos 17:2, 3 diz: “Segundo o costume de Paulo, ele . . . raciocinou com eles à base das Escrituras, explicando e provando com referências [das Escrituras].”
O próprio Jesus deu o exemplo em usar as Escrituras como base para seu ensino, dizendo freqüentemente: “Está escrito.” “Interpretou-lhes em todas as Escrituras as coisas referentes a si mesmo.” — Mateus 4:4, 7; Lucas 24:27.
Portanto, Jesus, Paulo e os crentes do primeiro século usavam as Escrituras como base de seu ensino. Sabiam que “toda a Escritura é inspirada por Deus e proveitosa para ensinar, para repreender, para endireitar as coisas, para disciplinar em justiça, a fim de que o homem de Deus seja plenamente competente, completamente equipado para toda boa obra”. — 2 Timóteo 3:16, 17; veja também 1 Coríntios 4:6; 1 Tessalonicenses 2:13; 2 Pedro 1:20, 21.
Visto que a Bíblia pode “endireitar as coisas”, ela deve claramente revelar informações a respeito de um assunto tão fundamental como se diz que a Trindade é. Mas, dizem os próprios teólogos e historiadores que a Trindade é claramente um ensino bíblico?
A “Trindade” na Bíblia?
DIZ certa publicação protestante: “A palavra ‘trindade’ não pode ser encontrada na Bíblia . . . não encontrou lugar formal na teologia da Igreja senão já no quarto século.” (O Novo Dicionário da Bíblia) E certa autorizada fonte católica diz que a Trindade “não é . . . direta e linearmente [a] palavra de Deus”. — Nova Enciclopédia Católica.
A Enciclopédia Católica diz também: “Na Escritura ainda não existe um termo único através do qual as Três Pessoas Divinas sejam classificadas juntas. A palavra τρίας [trí·as] (da qual se traduz a palavra latina trinitas) é pela primeira vez encontrada em Teófilo, de Antioquia, por volta de 180 A.D. . . . Pouco depois aparece na sua forma latina trinitas, em Tertuliano.”
Contudo, isso em si não prova que o próprio Tertuliano ensinasse a Trindade. A obra católica Trinitas — A Theological Encyclopedia of the Holy Trinity (Trinitas — Enciclopédia Teológica da Santíssima Trindade), por exemplo, diz que algumas das palavras de Tertuliano foram mais tarde usadas por outros para descrever a Trindade. Daí, faz o alerta: “Mas, não se podem tirar conclusões apressadas a respeito do uso, pois ele não aplica essas suas palavras à teologia trinitarista.”
O Testemunho das Escrituras Hebraicas
AO PASSO que a palavra “Trindade” não aparece na Bíblia, será que esta pelo menos ensina claramente a idéia da Trindade? Por exemplo, o que revelam as Escrituras Hebraicas (o “Velho Testamento”)?
The Encyclopedia of Religion (Enciclopédia de Religião) admite: “Os teólogos hoje concordam que a Bíblia Hebraica não contém uma doutrina da Trindade.” E a Nova Enciclopédia Católica também diz: “A doutrina da Santíssima Trindade não é ensinada no V[elho] T[estamento].”
Similarmente, em seu livro The Triune God (O Deus Trino), o jesuíta Edmund Fortman admite: “O Velho Testamento . . . nada nos fala explicitamente, ou através de necessária dedução, a respeito de um Deus Trino que seja Pai, Filho e Espírito Santo. . . . Não há evidência de que qualquer escritor sacro sequer suspeitasse da existência de uma [Trindade] na Divindade. . . . Até mesmo enxergar no [“Velho Testamento”] sugestões ou prefigurações, ou ‘sinais velados’ da trindade de pessoas, significa ir além das palavras e da intenção dos escritores sacros.” — O grifo é nosso.
Um exame das próprias Escrituras Hebraicas confirmará esses comentários. Assim, não existe ensinamento claro da Trindade nos primeiros 39 livros da Bíblia, que compõem o cânon legítimo das inspiradas Escrituras Hebraicas.
O Testemunho das Escrituras Gregas
SERÁ, então, que as Escrituras Gregas Cristãs (o “Novo Testamento”) falam claramente de uma Trindade?
A Enciclopédia de Religião diz: “Os teólogos concordam que o Novo Testamento também não contém uma explícita doutrina da Trindade.”
O jesuíta Fortman declara: “Os escritores do Novo Testamento . . . não nos deram nenhuma doutrina formal ou formulada da Trindade, nenhum ensino explícito de que em um só Deus há três pessoas divinas coiguais. . . . Em parte alguma encontramos alguma doutrina trinitária de três diferentes personagens de vida e atividade divinas na mesma Divindade.”
The New Encyclopædia Britannica (Nova Enciclopédia Britânica) observa: “Nem a palavra Trindade, nem a doutrina explícita constam no Novo Testamento.”
Bernhard Lohse diz em A Short History of Christian Doctrine (Breve História da Doutrina Cristã): “No que tange ao Novo Testamento, não se encontra nele uma real doutrina da Trindade.”
O The New International Dictionary of New Testament Theology (Novo Dicionário Internacional da Teologia do Novo Testamento) diz similarmente: “O N[ovo] T[estamento] não contém a produzida doutrina da Trindade. ‘Não existe na Bíblia uma declaração expressa de que o Pai, o Filho e o Espírito Santo sejam de igual essência’, [disse o teólogo protestante Karl Barth].”
O professor da Universidade de Yale (EUA), E. Washburn Hopkins, afirmou: “Jesus e Paulo aparentemente desconheciam a doutrina da trindade; . . . nada dizem a seu respeito.” — Origin and Evolution of Religion (Origem e Evolução da Religião).
O historiador Arthur Weigall diz: “Jesus Cristo nunca mencionou tal fenômeno, e, em parte alguma do Novo Testamento aparece a palavra ‘Trindade’. A idéia foi adotada pela Igreja somente trezentos anos depois da morte de nosso Senhor.” — O Paganismo no Nosso Cristianismo.
Assim, nem os 39 livros das Escrituras Hebraicas, tampouco o cânon de 27 livros inspirados das Escrituras Gregas Cristãs, provêem um claro ensino da Trindade.
Os Cristãos Primitivos a Ensinavam?
ENSINARAM os cristãos primitivos a Trindade? Note os seguintes comentários, de historiadores e teólogos:
“O cristianismo primitivo não tinha uma doutrina explícita da Trindade, da forma como foi depois elaborada nos credos.” — Novo Dicionário Internacional da Teologia do Novo Testamento.
“Os cristãos primitivos, porém, não pensaram de início aplicar a idéia da [Trindade] à sua própria fé. Prestavam as suas devoções a Deus, o Pai, e a Jesus Cristo, o Filho de Deus, e reconheciam o . . . Espírito Santo; mas não se imaginava que esses três fossem uma autêntica Trindade, coigual e unida em Um.” — O Paganismo no Nosso Cristianismo.
“De início, a fé cristã não era trinitarista . . . Não era assim nas eras apostólica e pós-apostólica, como se reflete no N[ovo T[estamento] e em
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