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Um “lugar santo” destruído — seu significado hojeA Sentinela — 1983 | 15 de junho
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Um “lugar santo” destruído — seu significado hoje
“EDIFÍCIOS DE IGREJAS E TEMPLOS EM TODO O PAÍS DESTRUÍDOS NUMA EXPLOSÃO DE VIOLÊNCIA ANTI-RELIGIOSA!”
QUÃO chocada ficaria a maioria das pessoas se algum dia aparecessem cabeçalhos como esse nas notícias! Contudo, não se trata apenas duma possibilidade; é inevitável!
Como é isso possível? É que a profecia bíblica indica claramente que é isso o que ocorrerá muito em breve num país após outro. Por exemplo, a profecia de Mateus, capítulo 24, menciona a desolação dum “lugar santo”. Ao passo que esta teve um cumprimento no primeiro século de nossa Era Comum, tem um cumprimento muito maior em nossos dias.
A profecia foi proferida primeiramente com respeito a Jerusalém e seu magnífico templo, usado pelos judeus em sua adoração. Certa ocasião, quando conversava com seus discípulos, Jesus Cristo disse a respeito dos prédios do templo: “Não observais todas estas coisas? Deveras, eu vos digo: De modo algum ficará aqui pedra sobre pedra sem ser derrubada.” — Mateus 24:2.
Por que traria Deus tal julgamento adverso sobre aquele templo “sagrado” do primeiro século e o sistema religioso que este representava? Porque os judeus haviam apostatado. Haviam abandonado as leis de Deus que lhes foram dadas por meio de Moisés. Ademais, haviam rejeitado os representantes de Deus, enviados para adverti-los, chegando a derramar seu sangue. Portanto, Jesus disse: “Jerusalém, Jerusalém, matadora dos profetas e apedrejadora dos que lhe são enviados . . . Eis que a vossa casa vos fica abandonada.” — Mateus 23:37, 38.
‘FUGI PARA OS MONTES’
Jesus dirigiu as seguintes palavras àqueles que sinceramente adoravam a Deus: “Portanto, quando avistardes a coisa repugnante que causa desolação, conforme falado por intermédio de Daniel, o profeta, estar em pé num lugar santo, (que o leitor use de discernimento,) então, os que estiverem na Judéia comecem a fugir para os montes. O homem que estiver no alto da casa não desça para tirar de sua casa os bens; e o homem que estiver no campo não volte para casa para apanhar a sua roupa exterior. Ai das mulheres grávidas e das que amamentarem naqueles dias!” — Mateus 24:15-19.
Por que exortou Jesus seus seguidores a ter tanta pressa em “fugir para os montes”? Ele disse: “Pois então haverá grande tribulação, tal como nunca ocorreu desde o princípio do mundo até agora, não, nem tampouco ocorrerá de novo. De fato, se não se abreviassem aqueles dias, nenhuma carne seria salva; mas, por causa dos escolhidos, aqueles dias serão abreviados.” — Mateus 24:21, 22.
Mas, o que queria dizer Jesus realmente quando falou da “coisa repugnante que causa desolação . . . estar em pé num lugar santo”? O que queria dizer com a “grande tribulação” e com a “carne” que havia de ser salva? Como é que “por causa dos escolhidos” a tribulação seria ‘abreviada’?
CUMPRIMENTO NO PRIMEIRO SÉCULO
Qual mostrou ser o próprio cumprimento dessa profecia no primeiro século? Antes de mais nada, note a admoestação urgente de fugir para os montes, “quando avistardes a coisa repugnante que causa desolação . . . estar em pé num lugar santo”.
O que era esse desolador repugnante? A História nos conta o que causou realmente a destruição de Jerusalém: Foram os exércitos do Império Romano. O primeiro aparecimento em peso desses exércitos ao redor de Jerusalém foi o sinal para as pessoas de discernimento abandonarem a região. E isso ocorreu no ano 66 EC. Daí, os exércitos comandados pelo general Céstio Galo sitiaram Jerusalém e até atacaram a muralha do templo, minando-a. Poderiam ter capturado facilmente a cidade inteira.
Portanto, ali estavam os exércitos romanos em pé na “cidade santa”. (Veja Mateus 4:5; 27:53.) Até mesmo os judeus apóstatas consideravam como ‘santos’ Jerusalém e seus arredores. A presença desses exércitos no “lugar santo” era repugnante para os judeus.
Mas, daí, por algum motivo obscuro aos historiadores, o general Galo fez recuar seus exércitos e retirou-se. Esse foi o sinal predito por Jesus. Chegara o tempo para seus seguidores, os “escolhidos”, começarem a fugir. Reconhecendo a urgência dos tempos, retiraram-se rapidamente de Jerusalém e de toda a Judéia, assim como Jesus os instruíra. O historiador Eusébio declara que fugiram para o outro lado do rio Jordão, para as vizinhanças de Pela, na região montanhosa de Gileade.
JERUSALÉM É DEVASTADA
Poucos anos depois, em 70 EC, os exércitos romanos, sob o general Tito, retornaram à Judéia e cercaram Jerusalém. Mas, até essa ocasião, todos os “escolhidos”, os cristãos, já estavam fora da “cidade santa”. Portanto, quando os romanos sitiaram Jerusalém naquela ocasião, não havia mais oportunidade para alguém fugir para a segurança. — Lucas 19:43, 44.
Depois de um curto período de sítio, de quatro meses e vinte e cinco dias, os exércitos de Roma demoliram a cidade e o templo. O historiador Josefo, testemunha ocular, estimou o número de mortos em 1.100.000, e o de cativos em 97.000. Os números eram grandes porque os judeus infiéis não acataram a admoestação de Jesus para fugir. Fizeram o contrário. Na ocasião duma festividade religiosa, afluíram a Jerusalém e foram todos apanhados na cilada, quando os romanos repentinamente cercaram a cidade.
Visto que os cristãos “escolhidos” não se encontravam mais em Jerusalém, Deus não teve de se preocupar com sua segurança. Eles já haviam escapado. Deus podia então permitir que os romanos invadissem Jerusalém e executassem velozmente Seu julgamento contra a cidade. Portanto, visto que os cristãos escolhidos já estavam fora de Jerusalém, aqueles dias de tribulação terminaram mais rapidamente, tendo sido “abreviados”. Isso permitiu que alguma “carne”, os 97.000, sobrevivesse.
Aquela “grande tribulação” de 70 EC foi a mais terrível calamidade que já sobreveio a Jerusalém. Pôs um fim permanente à cidade construída pelos judeus, ao seu templo e ao sistema religioso que girava em torno deste.
Mas, que tem essa história antiga a ver conosco, que vivemos neste século vinte? Muita coisa.
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Fuja enquanto ainda há tempo!A Sentinela — 1983 | 15 de junho
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Fuja enquanto ainda há tempo!
QUANDO Jesus predisse o fim daquele sistema religioso judaico no primeiro século, também tinha em mente algo muito maior. Ele sabia que seria um modelo do que se podia esperar em escala muito maior durante os “últimos dias” do atual sistema de coisas. — 2 Timóteo 3:1-5; Mateus 24:3.
Como podemos ter certeza de que há essa aplicação adicional? Um exemplo é que Jesus, na sua profecia, falou sobre sua vinda “com poder e grande glória”. Uma das conseqüências disso é que “todas as tribos da terra se baterão então em lamento” devido à catástrofe que lhes sobrevirá. (Mateus 24:30) Tais coisas não ocorreram com a derrubada de Jerusalém e da Judéia no primeiro século. Deveras, a versão de Lucas dessa mesma profecia cita Jesus como dizendo: “Jerusalém será pisada pelas nações, até se cumprirem os tempos designados das nações.” — Lucas 21:24.
Qual é a “Jerusalém” mencionada aqui? Quando terminam esses ‘tempos das nações’?
O “LUGAR SANTO” E A “COISA REPUGNANTE”
Um reino típico de Deus governou em Jerusalém de 1070 a 607 AEC. Representava a soberania de Deus na terra. Mas, então, essa dinastia davídica foi derrubada pelos babilônios. Nenhum reino governou novamente na Jerusalém terrestre até o dia de hoje. Entretanto, nesse respeito Jerusalém cessou de ser pisada: a soberania de Deus voltou a ser exercida por meio duma “Jerusalém celestial” — o prometido reino do Messias, Cristo Jesus. O cronograma da Bíblia, o cumprimento das profecias e o testemunho de historiadores apontam todos para o ano de 1914 como marco do fim dos “tempos designados das nações” e do início dum período de “angústia de nações”. — Hebreus 12:22; Lucas 21:24-26; Revelação 11:15.
A “Jerusalém celestial”, representada pelos fiéis cristãos ungidos na terra, ocupa agora um “lugar santo”. Mas, será que as nações da terra reconheceram isso? Longe disso! No ano de 1919, propuseram a Liga das Nações, que destacados clérigos proclamaram ser “a expressão política do Reino de Deus na terra”. De modo similar, líderes religiosos têm descrito a sucessora da Liga das Nações, as Nações Unidas, produzidas em 1945, como ‘a única esperança de paz duradoura’. Portanto, o clero colocou esse substituto criado pelo homem no “lugar santo”, onde apenas o reino de Deus por seu Cristo tem agora o direito de operar. Deveras, uma “coisa repugnante” à vista de Deus e de todos os amantes da justiça!
Entretanto, ao passo que avançamos em direção ao tempo de Deus para destruir o atual sistema mundial iníquo, a “coisa repugnante”, a organização de nações conhecida por ONU, torna-se uma ameaça para a própria religião do mundo. Como? No sentido de que nações-membros poderosas da ONU, notavelmente as pertencentes ao bloco comunista, tem invadido o domínio da religião. Especialmente tais forças ateístas tornaram-se uma ameaça para o prosseguimento das operações das religiões da cristandade, como, por exemplo, na China, na União Soviética e em outros países da Europa Oriental. Assim, membros da ONU, ávidos de poder, representam agora uma ameaça para o “lugar santo” reivindicado pela cristandade. Este abrange tudo o que suas religiões encaram como sagrado — seu campo de operação, suas organizações, seus edifícios de igreja e outros bens, e seu direito reivindicado de governar a vida de seus membros. Como terminará esse confronto?
Profetizou-se que o desolador da atualidade, a ‘fera de sete cabeças e dez chifres’, a ONU, fará a religião falsa “devastada e nua” e ‘a queimará completamente no fogo’. (Revelação 17:3, 16) Ao fazê-lo, não o estará fazendo por qualquer amor a Deus, assim como tampouco a antiga Roma o fez por isso. A “coisa repugnante” da atualidade abrange agora muitas nações que odeiam a Deus, o governo do Seu reino e o povo que leva o nome de Deus, Jeová. E, certamente, esse desolador faz parte do atual sistema de coisas controlado por Satanás, o Diabo. — Lucas 4:5-8; 2 Coríntios 4:4; Mateus 6:9, 10.
‘FUGI PARA OS MONTES’
Quando em 1945 a ONU apareceu como sucessora da Liga das Nações, já incluía então em seu meio nações que se opunham a Deus. Assim se renovou o sinal, e ainda mais vigorosamente, para que pessoas de coração justo acatassem o aviso de Jesus para começarem a “fugir para os montes”. — Mateus 24:16; Revelação 7:9, 10; 18:4.
O que são hoje esses montes simbólicos? São o lugar de refúgio provido por Deus, a provisão de Jeová para proteger seu povo na terra através da “grande tribulação” descrita em Revelação 7:1, 14. São identificados com a organização teocrática de Jeová, que é representada hoje na terra pela verdadeira congregação cristã. (1 Timóteo 3:15) Na “parte final dos dias”, essa congregação toma a dianteira na adoração verdadeira no “monte da casa de Jeová”. (Isaías 2:2, 3) De modo similar, Provérbios 18:10 declara: “O nome de Jeová é uma torre forte. O justo corre para dentro dela e recebe proteção.”
Fugir para a organização de Deus e sua enaltecida adoração pura envolve também fugir dos sistemas religiosos falsos deste mundo, cortando todas as relações com eles. Envolve identificar-se como verdadeiro servo de Jeová e discípulo de Jesus Cristo.
NÃO SE DEMORE
Ninguém deve adiar sua fuga, imaginando que haverá um exato paralelo da retirada dos exércitos romanos em 66 EC, que permita a fuga. Não se deve esperar nenhum acontecimento histórico desses, visto que não há necessidade alguma de a pessoa fugir para outro local geográfico. Em vez disso, o aparecimento da Liga das Nações após a Primeira Guerra Mundial e o reaparecimento da “fera”, em 1945, na forma da ONU, devem bastar como aviso.
É extremamente urgente fugir agora. Por quê? Porque a evidência indica que em breve a “coisa repugnante” desolará também o “lugar santo”, o domínio reivindicado das igrejas da cristandade, marcando o início da “grande tribulação”.
Visto que os que hão de sobreviver à “grande tribulação” deverão ser encontrados antes que esta se inicie, Jeová não precisa permitir um ‘sítio’ longo e demorado. Realmente, conforme Jesus predisse, será o mais intenso tempo de dificuldade em toda a história humana. Mas, será relativamente curto, tendo sido ‘abreviado’, assim como no caso do sítio de Jerusalém, visto que os “escolhidos” de Deus já terão fugido.
“O mundo está passando, e assim também o seu desejo, mas aquele que faz a vontade de Deus permanece para sempre”, declara 1 João 2:17. Portanto, os que ‘fazem a vontade de Deus’, por adorá-lo corretamente, constituem a “carne” que sobreviverá a essa vindoura “grande tribulação”. Conforme indica Revelação 7:9-17, tais pessoas incluem uma “grande multidão” procedente de todas as nações.
Que dizer daqueles que não acatam o aviso e não aproveitam a oportunidade de fugir agora para os “montes” de Jeová? A profecia de 2 Tessalonicenses, capítulo 1, versículos 7 a 9, responde claramente, falando sobre a “revelação do Senhor Jesus desde o céu, com os seus anjos poderosos, em fogo chamejante, ao trazer vingança sobre os que não conhecem a Deus e os que não obedecem às boas novas acerca de nosso Senhor Jesus. Estes mesmos serão submetidos à punição judicial da destruição eterna”.
Sim, é muito urgente que prestemos atenção à obra que Deus está fazendo realizar hoje na terra, em cumprimento das palavras de Jesus em Mateus 24:14: “Estas boas novas do reino serão pregadas em toda a terra habitada, em testemunho a todas as nações; e então virá o fim.” Os que dão ouvidos e fogem serão testemunho vivo para sempre da exatidão da promessa da Bíblia, que diz: “Jeová não abandonará seu povo.” (Salmo 94:14) E Jesus disse: “Quem tiver perseverado até o fim é o que será salvo.” — Mateus 24:13.
O tempo para Deus executar julgamento contra a cristandade e o seu “lugar santo” é iminente. O desolador em breve dará seu golpe, pondo fim a qualquer oportunidade adicional de se fugir para a proteção de Jeová. Já fugiu para os simbólicos “montes”? Caso ainda não o tenha feito, então não se demore. Significa sua própria vida. — Sofonias 1:14-18; 2:3.
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