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Reconsiderações sobre a imortalidade da almaA Sentinela — 1977 | 15 de junho
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o contexto, o rico representa os líderes religiosos dos judeus, lá naquele tempo, ao passo que Lázaro representa o povo comum, que aceitou Jesus Cristo. Após a morte de Jesus, ambas estas classes passaram por algo que corresponde à linguagem figurativa de Jesus.a
“O FOGO INEXTINGÜÍVEL”
O que, porém, quis Jesus dizer quando mencionou a “Geena ardente”? (Mat. 5:22, traduzido “fogo do inferno” na versão Almeida, I. B. B.) Um exemplo do ensino de Jesus sobre a Geena é encontrado em Marcos 9:43-48.
“Se a tua mão te fizer alguma vez tropeçar, corta-a; melhor te é entrares na vida aleijado, do que ires com as duas mãos para a Geena, para o fogo inextinguível. E, se o teu pé te fizer tropeçar, corta-o; melhor te é entrares na vida coxo, do que seres com os dois pés lançado na Geena. E, se o teu olho te fizer tropeçar, lança-o fora; melhor te é entrares com um olho no reino de Deus, do que seres com os dois olhos lançado na Geena, onde o seu gusano não morre e o fogo não se extingue.”
Será que Jesus sancionava ali o conceito judaico, popular, duma condenação a um tormento ardente após a morte? Na realidade, não havia entre os judeus daquele período nenhum conceito estabelecido a respeito da condição dos mortos. Antologia Rabínica, compilada pelos eruditos judaicos Claude Montefiore e Herbert Loewe e publicada em inglês, observa:
“E, novamente, há ainda outra confusão: pois, segundo uma doutrina, quando você morre, você dorme até se ‘levantar’ de novo na ressurreição geral e para o último Juízo. Segundo outra doutrina, quando você morre, se for justo e penitente (e, mais especificamente, se for israelita), talvez você possa imediatamente usufruir em bem-aventurança a vida no bendito mundo vindouro, e se você for iníquo, idólatra e inimigo de Israel, talvez você, ao morrer, fosse diretamente para o inferno. . . . Ou, por outro lado, no fim dum período no inferno, talvez fosse aniquilado. Ou, ainda, você talvez fosse aniquilado na sua morte terrena. Abundam as passagens que dão a entender ou expressam todos estes diversos conceitos bizarros e confusões, e não existe nenhuma única teoria ou noção aceita.”
Notou que os conceitos judaicos sobre a condição dos mortos incluem ‘dormir’ até a ressurreição, bem como um possível ‘aniquilamento’? É evidente que Jesus teve em mente o aniquilamento pela Geena, porque, numa ocasião posterior, ele exortou seus discípulos: “Não fiqueis temerosos dos que matam o corpo, mas não podem matar a alma; antes, temei aquele que pode destruir na Geena tanto a alma como o corpo.” — Mat. 10:28.
Mas, se isso for verdade, por que associou Jesus o “fogo” com a Geena? Alguma informação histórica é provida no Novo Comentário Bíblico (1965, em inglês): “Geena era a forma helenizada do nome do vale de Hinom em Jerusalém, no qual se mantinham constantemente fogos acesos para consumir o lixo da cidade. Este é um poderoso quadro da destruição final.” As referências bíblicas à Geena, portanto, não fornecem base para a doutrina dum eterno tormento consciente num inferno de fogo.
“PONTO DE VISTA INTEIRAMENTE PLATÔNICO”
Se a Bíblia nunca menciona almas imortais como abandonando os corpos por ocasião da morte, então onde se originou tal idéia? Os teólogos adotaram-na do modo de pensar do filósofo grego Platão, o qual, por sua vez, a adotou de antigas religiões misteriosas, pagãs, que tiveram sua origem na antiga Babilônia. Platão escreveu: “Cremos que há tal coisa como a morte? . . . Não é ela a separação entre a alma e o corpo? E estar morto é o término disso; quando a alma existe em si mesma é liberta do corpo, e quando o corpo é liberto da alma, o que é senão a morte?” (Phaedo, Sec. 64) A Enciclopédia de Filosofia (1967, em inglês) observa:
“Todo aquele que afirma que a mente ou a alma é uma substância, no sentido de que se poderia dizer significativamente que existe sozinha e desencarnada, promove com isso o platonismo, e todo aquele que identifica esta mente putativa ou alma substancial como sendo uma pessoa real ou verdadeira está adotando um ponto de vista inteiramente platônico.”
Até que ponto esta filosofia grega tem influenciado a cristandade é declarado pelo Professor Douglas T. Holden, no seu livro (inglês) A Morte não Terá Domínio:
“A teologia cristã ficou tão fundida com a filosofia grega, que criou pessoas que são uma mistura de nove partes de pensamento grego para uma parte de pensamento cristão.”
Segundo a Bíblia, a alma humana é a própria pessoa. Quando a pessoa morre, portanto, a alma morre. (Eze. 18:4, 20) Os mortos não estão cônscios, não estão apercebidos nem de prazer, nem de dor, enquanto esperam o restabelecimento à vida, por meio duma ressurreição. (Ecl. 9:5, 10; Sal. 146:4; Atos 24:15) O popular ensino religioso da imortalidade da alma não procede da Palavra de Deus, mas sim da filosofia grega. Em vista disso, não deveria também você, leitor, reconsiderar a idéia da imortalidade da alma?
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Elias “orou para que não chovesse”A Sentinela — 1977 | 15 de junho
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Elias “orou para que não chovesse”
A ORAÇÃO dum justo, daquele que tem uma condição aprovada perante Jeová Deus, tem força. Produz resultados. (Tia. 5:16) Este é o ponto ilustrado pelo discípulo Tiago, quando escreveu: “Elias era homem com sentimentos iguais aos nossos, contudo, em oração, ele orou para que não chovesse; e não choveu no país por três anos e seis meses. E ele orou novamente, e o céu deu chuva e a terra produziu os seus frutos.” — Tia. 5:17, 18.
Embora fosse profeta, Elias, como homem, não era diferente de qualquer outro homem justo. Tinha os mesmos sentimentos, padecimentos e imperfeições. Contudo, Jeová Deus respondeu às suas orações. Ele certamente não fará menos para seus servos quando fazem súplica em harmonia com a Sua vontade.
Pode-se notar que as Escrituras Hebraicas não declaram especificamente que Elias “orou” a respeito dos assuntos mencionados por Tiago. No entanto, há evidência no sentido de que deve ter feito isso. Lemos a respeito do que Elias fez pouco antes de findar a longa seca: “Subiu ao cume do Carmelo e começou a agachar-se no chão e a manter a face entre os joelhos.” (1 Reis 18:42) Sim, Elias adotou uma postura que parece indicar que se estava dirigindo a Deus em oração. Logicamente, portanto, ele orou e também deve ter feito súplica em conexão com a declaração que antes fizera a Acabe: “Assim como vive Jeová, o Deus de Israel, perante quem deveras estou de pé, não ocorrerá durante estes anos nem orvalho nem chuva, a não ser à ordem da minha palavra!” — 1 Reis 17:1.
Naturalmente, o discípulo Tiago escreveu sob inspiração e por isso pôde apresentar fatos não especificamente mencionados nas Escrituras Hebraicas, mas, não obstante, em plena harmonia com estas Escrituras. E a oração de Elias é exemplo disso.
O que Tiago escreveu sobre Elias deve animarmos a perseverar em oração. Podemos ter a certeza de que receberemos aquilo que pedimos, desde que esteja em harmonia com a vontade de Deus. — João 14:13, 14.
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