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O verdadeiro arrependimento — como o podemos identificar?A Sentinela — 1973 | 15 de janeiro
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ele, provindo do conhecimento dele e de suas esplêndidas qualidades e propósitos justos. O apreço de sua bondade e grandiosidade faz com que os transgressores genuinamente arrependidos sintam vivo remorso por terem lançado vitupério sobre o seu nome. O amor ao próximo também os faz deplorar o prejuízo que causaram a outros, o mau exemplo que deram, o dano que causaram, talvez pelo modo em que sujaram a reputação do povo de Deus perante outros, impedindo assim que as pessoas reconhecessem a verdadeira congregação de Deus. Estas coisas, e não apenas a vergonha de terem sido ‘descobertos’ ou a perspectiva duma disciplina, fazem com que se sintam de “coração quebrantado” e de “espírito esmagado”. — Sal. 34:18.
Mas o arrependimento (em grego: metánoia) envolve também uma ‘mudança de idéia’ ou ‘mudança de vontade’. Para ser genuíno, precisa incluir a rejeição positiva do proceder errado, como sendo repugnante e algo a ser odiado. (Sal. 97:10; Rom. 12:9) Isto é paralelo ao amor à Justiça, que faz com que o cristão arrependido decida firmemente apegar-se doravante ao proceder justo. Sem este ódio ao mal, bem como amor à justiça, não haveria nenhuma força verdadeira no nosso arrependimento, não haveria a seqüência do que o apóstolo Paulo chama de “obras próprias de arrependimento”. (Atos 26:20) O caso do Rei Roboão ilustra isso. Depois de primeiro humilhar-se sob a ira de Deus, voltou a fazer o que era mau. Por quê? Porque “não fixara firmemente seu coração em buscar a Jeová”. — 2 Crô. 12:12-14.
A congregação coríntia revelou que estava ‘entristecida de modo piedoso’. Quando repreendidos por Paulo, por terem abrigado no seu meio um praticante da iniqüidade, eles acataram isso e corrigiram a situação. Manifestaram sua tristeza com a transgressão não só pelo temor, mas também por “grande seriedade . . . sim, . . . [pela sua] reabilitação, sim, indignação [com o vitupério causado pelo proceder do transgressor], . . . sim, saudade, sim, zelo, sim, o endireitamento do errado!” (2 Cor. 7:11) Portanto, os anciãos podem hoje procurar qualidades similares nos que lhes expressam seu arrependimento duma transgressão.
A IMPERFEIÇÃO NÃO PRECISA FRUSTAR A ALEGRIA
Os pecados, naturalmente, podem variar em gravidade. Talvez em vez de algum pecado grande, tal como fornicação, adultério ou furto, nós nos demos conta de ser culpados de ter “olhos altaneiros” ou de “mostrar favoritismo”, coisas que são muito desagradáveis a Deus. (Pro. 6:16, 17; Tia. 2:9) E quando se trata do uso da língua, “todos nós tropeçamos muitas vezes”, dizendo coisas que mais tarde reconhecemos como imprudentes, grosseiras, desamorosas e não cristãs. (Tia. 3:2, 8-13) Preocupamo-nos em que nossas relações com Deus não sejam prejudicadas? Neste caso teremos de ‘arrepender-nos e dar meia-volta’, buscando seu perdão.
Mas, visto que a nossa imperfeição se mostra cada dia de uma maneira ou outra, significa isso que devemos estar num estado constante de tristeza, sentindo continuamente remorsos? De modo algum.
Ao alistar os frutos do espírito santo de Deus, o apóstolo coloca a “alegria” logo após o “amor”. (Gál. 5:22) O salmista disse:
“Se vigiasses os erros, ó Já, ó Jeová, quem poderia ficar de pé?” (Sal. 130:3) Podemos estar alegres, lembrando-nos antes de que “Jeová é misericordioso e clemente, vagaroso em irar-se e abundante em benevolência. . . . Porque ele mesmo conhece bem a nossa formação, lembra-se de que somos pó.” (Sal. 103:8-14) Embora os nossos erros corretamente causem pesar, não precisamos torturar-nos com cada falta menor ou com cada palavra impensada.
Não obstante, reconhecermos estas faltas deve ter um efeito humilhador sobre nós, ajudando-nos tanto a ser modestos como compassivos para com outros. Daí, quando orarmos a Deus pedindo perdão de nossos erros diários, ele se agradará de nossa oração. Se andarmos conscienciosamente nos seus caminhos e procurarmos regularmente sua face em oração, poderemos deveras ser alegres, confiantes de termos uma boa relação com ele. — Fil. 4:4-7.
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As dez tribos — ficaram perdidas?A Sentinela — 1973 | 15 de janeiro
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As dez tribos — ficaram perdidas?
A REVISTA Courant Magazine de Hartford, E. U. A., de 12 de setembro de 1971, publicou um artigo intitulado: “‘Tribo Perdida’ Luta Pelos Judeus Russos.” Falava das afirmações de certos índios norte-americanos de serem a tribo perdida de Efraim; por causa disso, preocupavam-se com o tratamento dado aos Judeus na Rússia, e por isso protestavam ao governo russo neste respeito. E atualmente publica-se e distribui-se o livro brochurado (de mais de 200 páginas) intitulado The United States and British Commonwealth in Prophecy (Os Estados Unidos e a Comunidade Britânica na Profecia), que pretende mostrar que nestes se encontram duas das “tribos perdidas”.
Esta questão das “Dez Tribos Perdidas” não é nova. Já no ano de 1320, vinte nobres escoceses assinaram “A Declaração Escocesa de Independência”, protestando contra as reivindicações do papa e proclamando que o povo escocês era descendente das doze tribos de Israel. Mas não apresentaram nenhuma prova para as suas afirmações.
Em 1649, um inglês de nome John Sadler fazia afirmações similares para os britânicos, numa obra em que mostrou paralelos entre a lei inglesa e a dos judeus. Em 1794, Richard Brothers, outro inglês, publicou um tratado que pretendia mostrar que os anglo-saxões eram os descendentes das “dez tribos perdidas”.
Afirmações similares foram feitas pela Federação Mundial Britânico-Israelense, num Manifesto distribuído em 1931. Neste afirmava-se que as dez tribos foram ao cativeiro em 721 A. E. C. e que os “sete tempos” de punição mencionados em Levítico 26:28 significavam 2.520 anos, e que estes duraram até 1799. Entre outras coisas, declarava-se: “O milagre dos Estados Unidos é ultrapassado apenas pelo milagre da . . . Comunidade Britânica de Nações. . . . Multiplique a influência da raça, e então a civilização anglo-saxônica comandará a paz e assegurará a prosperidade do mundo.”
E apenas nos últimos poucos anos, estas afirmações foram adornadas com pormenores específicos nunca antes ouvidos. Assim, alguns não só afirmam dogmaticamente que os britânicos descendem da tribo de Efraim e que os Estados Unidos provêm da tribo ou meia-tribo de Manassés, mas eles afirmam que as tribos de Levi e de Simeão estão espalhadas entre o Israel junto com a tribo de Judá; que a tribo de Rubem é encontrada na França, a assim por diante. Assim explicariam todas as treze tribos, e eles afirmam que tanto a história secular como a Bíblia apóiam suas afirmações. Mas, apóiam mesmo?
SEM BASE SECULAR
Que se pode dizer destas afirmações? Pode-se encontrar alguém, que não seja protagonista destas teorias, que dê apoio a estas afirmações? Segundo a Encyclopedia Americana, esta “teoria é insustentável em qualquer base científica, porque as tribos . . . não ficaram perdidas
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