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‘Seja Feita a Tua Vontade na Terra’ — Parte 27 da sérieA Sentinela — 1960 | 15 de maio
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selêucida na Síria. Mas em 65 A. C., o general romano Pompeio, o Grande, destronou o último, Antíoco XIII Asiático; e em 64 A. C., a Síria tornou-se província romana. Roma assumiu ali definitivamente o papel do rei do norte. Foi diante deste rei do norte que a Jerusalém caiu em 63 A. C. O rei egípcio do sul foi impotente para impedi-lo.
55. Por quanto tempo durou a dinastia ptolemaica, e o que se tornou o Egito?
55 A dinastia ptolemaica no Egito ocupou por mais algum tempo a posição do rei do sul. Em 31 A. C. travou-se a batalha decisiva de Accio, em que a Rainha Cleópatra, do Egito, desertou a frota de seu amante romano, Antônio, para a derrota dele. O vencedor, Otávio, sobrinho-neto de Júlio César, passou então à conquista do Egito. Cleópatra suicidou-se em 30 A. C. e o, Egito tornou-se província romana, sujeita ao novo rei do norte.
QUEBRANTADO O “PRÍNCIPE DA ALIANÇA”
56. Quem se tornou o primeiro imperador romano, e que diz Daniel 11:20 quanto a ele?
56 Na luta pelo poder, Otávio tornou-se finalmente o único governante de Roma e tornou-se o primeiro imperador romano. Ele rejeitou o título de rex (“rei”) e de dictator (“ditador”). Finalmente, em 27 A. C., por decreto do Senado romano, ele recebeu o título de Augusto. Os gregos traduziram este título como Sebastós, que significa “Reverendo”. (Atos 25:21, 25, So; NM) Foi à sua atuação como rei do norte, em lugar da dinastia selêucida dos reis sírios, que o anjo de Jeová se referiu na continuação da profecia de longo alcance sobre a competição entre o norte e o sul: “Depois em lugar dele se levantará um que fará a um exactor passar pela glória do reino; porém dentro de poucos dias será ele destruído, não em ira nem em batalha.” (Dan. 11:20) A “glória do reino” de Augusto César incluiu a “terra gloriosa” do povo de Daniel. — Dan. 11:16.
57. Quando se fez este “exactor” “passar pela glória do reino”, e que registro sobre isso foi feito por Lucas?
57 O envio do “exactor” deu-se no ano 2 A. C. Lucas, o historiador cristão, registrou este evento específico nas seguintes palavras: “Naqueles dias foi publicado um decreto de César Augusto, convocando toda a população do império para recensear-se. Este, o primeiro recenseamento, foi feito quando Quirino era governador da Síria. Todos iam alistar-se, cada um à sua própria cidade. José também subiu da Galiléia, da cidade de Nazaré, para a Judéia, à cidade de Davi, chamada Belém; por ser ele da casa e família de Davi, a fim de alistar-se com Maria, sua esposa, que estava grávida. Aconteceu que estando eles ali, completaram-se-lhe os dias, e ela deu à luz o seu filho primogênito, enfaixou-o e o deitou na manjedoura porque não havia lugar para eles na hospedaria.” — Luc. 2:1-7, ARA.
58. Quando foi que Quirino era governador da Síria, e por que foi este recenseamento um dos mais importantes eventos do reinado de Augusto, merecendo a menção na profecia de Daniel?
58 Sulpício Quirino, senador romano, foi duas vezes governador romano da Síria, a primeira vez por volta da morte do Rei Herodes, o Grande, que tinha reconstruído o templo em Jerusalém. Este período de governança durou de 750 a 753 anos depois da fundação de Roma, ou seja, de 4 a 1 A. C.b O censo ou registro não foi feito apenas para se saber o número da população, mas com vistas ao imposto e ao recrutamento dos homens para a serviço militar. Este recenseamento específico foi um dos eventos mais importantes durante o governo de César Augusto como rei do norte. Serviu para induzir o carpinteiro de Nazaré e sua esposa Maria a ir a Belém, para que Jesus nascesse ali em cumprimento de Miquéias 5:2. (Mat. 2:1-11) Foi com boa razão, portanto, que o anjo de Jeová incluiu a menção importante disso na visão dada a Daniel, a fim de nos ajudar também a saber quando o profético “rei do norte” passou dos reis sírios da quinta potência mundial para os governantes romanos da sexta potência mundial.
59. Como foi ele, como rei do norte, “destruído, não em ira nem em batalha”? E dentro de “poucos dias”?
59 O César Augusto organizou a guarda pessoal do imperador, conhecida como guarda pretoriana, mais tarde aumentada pelo seu sucessor. Ele morreu no quadragésimo quinto ano do seu reinado, em 19 de agosto de 14 E. C. Isto foi comparativamente “poucos dias” depois de ele mandar realizar o importante recenseamanto durante o qual nasceu Jesus, o Filho de Deus, na cidade do Rei Davi, como Seu herdeiro real. Como ator num teatro, Augusto tinha governado bem; e ele foi incluído entre os deuses romanos, erguendo-se templos e altares em sua honra.
60, 61. (a) Quem era o “homem vil” que se levantou então, e como ficou ele relacionado com César Augusto? (b) De que maneira não lhe foi dada “a dignidade real”?
60 A profecia angélica mostrou que também o sucessor de Augusto estaria intimamente ligado à vida terrestre do Filho unigênito de Deus: “Depois se levantará em seu lugar um homem vil, ao qual não tinham dado a dignidade real; mas ele virá caladamente [em tempo de segurança, VB], e tomará o reino com intrigas [lisonja, VB]. As forças inundantes serão arrasadas de diante dele; serão quebrantadas, como também o príncipe da aliança.” (Dan. 11:21, 22, Al, nova revisão) O misterioso “homem vil” foi ali Tibério César, filho de Lívia. Ela se tornara a terceira esposa do Imperador Augusto; Tibério tornou-se assim naturalmente enteado do imperador. César Augusto não queria que Tibério fosse seu sucessor, pois odiava este enteado por causa das suas péssimas qualidades. Não foi voluntariamente que por fim se concedeu “a dignidade real” a Tibério. Augusto viu-se obrigado a aceitar Tibério como sucessor no império; depois que todas as outras esperanças falharam. De que modo?
61 O Imperador Augusto não tinha filhos. Sua irmã tinha um filho, Marcelo, mas este sobrinho falecera. Sua filha tinha dois filhos, Gaio e Lúcio, e Augusto nomeou-os seus sucessores. Augusto também os perdeu pela morte. Ele amava muito seu enteado Druso, irmão mais jovem de Tibério, mas este amado morreu cedo, em 14 de setembro de 9 A. C. Isto deixou Tibério, que era um general bem capacitado, como soldado da mais alta patente no Império Romano. Foi no ano 12 A. C. que morreu Agripa, grande general do Imperador Augusto, à idade de cinqüenta e um anos. Em vista disso, Lívia, mãe de Tibério, induziu o imperador, porém com grande dificuldade, a substituir o falecido Agripa pelo seu filho Tibério. Para substituir Agripa, porém, era necessário que Tibério se tornasse genro do imperador. Portanto, para o seu grande pesar, Tibério ficou compelido a trocar Agripina, filha do General Agripa, por Júlia, filha do imperador. No ano 4 (E. C.), o Imperador Augusto adotou Tibério e Agripa, este de modo póstumo. Nove anos depois, por uma lei especial, Tibério foi elevado à co-regência com o Imperador Augusto. No ano seguinte, em 19 de agosto de 14 E. C., Augusto morreu, e Tibério foi feito imperador. Foi assim que este “homem vil” veio a ‘levantar-se’ ou assumiu o poder em lugar do relutante César Augusto.
62. De que modo tomou Tibério César o reino com lisonja?
62 Quanto ao papel desempenhado pelas intrigas ou lisonjas para com o novo rei do norte, Tibério, diz a Encyclopædia Britannica, Volume 26, página 916 (11.a edição): “Os historiadores de Roma, nos tempos antigos, lembram-se de Tibério principalmente como soberano sob cujo domínio tornaram-se pela primeira vez comuns as perseguições por traição, sob o mínimo pretexto, e a raça odiosa de informantes foi permitida pela primeira vez a enriquecer com os homicídios judiciais. . . . Mas a história dos julgamentos do estado durante o reinado de Tibério mostra conclusivamente que os excessos jurídicos procederam em primeiro lugar da ávida lisonja do senado, . . . e ele assentiu nisso no fim do seu reinado, com uma espécie de indiferença desdenhosa, até que ele desenvolveu, sob a influência dos seus temores, uma prontidão para o derramamento de sangue.”c
63. Como foram então as “forças inundantes” “arrasadas de diante dele”?
63 No tempo em que Tibério se tornou rei do norte, seu sobrinho, César Germânico, foi comandante das tropas romanas junto ao rio Reno. Pouco depois da entronização de Tibério, irrompeu um perigoso motim entre estas tropas, mas Germânico impediu que as legiões descontentes marchassem contra Roma. Em 15 (E. C.), Germânico lançou as suas tropas contra o herói alemão Armínio (Hermann) e o pôs em fuga, capturando até a sua esposa Tusnelda, derrotando-o no ano seguinte. Por fim, a política estrangeira, ou a política quanto à fronteira romana, tornou-se uma de paz, e esteve bastante bem sucedida. “Com poucas exceções, os deveres das forças romanas nas fronteiras restringiam-se ao observar os povos do outro lado destruir-se mutuamente.”d Deste modo foram restringidas as “forças inundantes” ou foram “arrasadas de diante dele”, sendo “quebrantadas”.
(Continua)
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“Exatidão perfeita”A Sentinela — 1960 | 15 de maio
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“Exatidão perfeita”
A. Rendle Short escreve na obra Descobertas Modernas e a Bíblia (em inglês) acerca do livro de Atos: “Era costume romano governar as províncias de seu extenso império por continuar, até onde podiam com segurança, tanto quanto possível o sistema local de administração, e, por conseguinte, as autoridades nos distritos diferentes tinham muitos nomes diferentes. Ninguém, a menos que fosse viajante observador ou estudante esforçado de registros, poderia dar a todos estes personagens seus títulos certos. Uma das provas mais penetrantes da descrição histórica de Lucas é que ele sempre consegue exatidão perfeita. Em vários casos é apenas a evidência de uma moeda, ou de uma inscrição, que nos tem dado a necessária informação para confirmá-lo; os reconhecidos historiadores romanos não se aventuram a terreno tão difícil. Assim, Lucas chama Herodes e Lisânias de tetrarcas; o mesmo faz Josefo. Herodes Agripa, que matou Tiago à espada e lançou Pedro na prisão, é chamado de rei; Josefo nos relata como ele se tornou amigo de Caio César (Calígula), em Roma, e recebeu um título real quando Calígula se tornou imperador.
“O governador de Chipre, Sérgio Paulo, é chamado de procônsul. . . . Não muito antes, Chipre havia sido uma província imperial, governada por um propretor ou legado; mas no tempo de Paulo, conforme revelam as moedas de Chipre, tanto em grego como em latim, o titulo correto era o de procônsul. Uma inscrição grega encontrada em Soloi, na costa setentrional de Chipre, foi datada no proconsulado de Paulo, provavelmente o mesmo que Sérgio Paulo. . . . Em Tessalônica, os magnatas da cidade tomaram o título bem incomum de politarcas, nome desconhecido na literatura clássica. Seria bem desconhecido por nós, exceto pelo uso que Lucas faz do mesmo, se não fosse o fato de que aparece em inscrições. . . . Acaia, sob o domínio de Augusto, era uma província senatorial, sob o domínio de Tibério estava diretamente debaixo do imperador, mas sob o domínio do Claúdio, conforme Tácito nos relata, reverteu ao senado, e, portanto, o titulo correto de Gálio [Atos 18:12] era o de procônsul. . . . Lucas é tanto bem sucedido como acurado na sua geografia e nas suas experiências de viagem.”
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