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Quem dera que seus pulmões pudessem falar!Despertai! — 1972 | 22 de março
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em demasia. Evite os extremos, quer no comer, no trabalhar ou na busca de prazeres. Aprenda a ser moderado em todas as coisas e a contentar-se com possuir as coisas necessárias — alimento, roupa e abrigo. Sim, “é meio de grande ganho, esta devoção piedosa junto com a auto-suficiência. Pois não trouxemos nada ao mundo, nem podemos levar nada embora”. — 1 Tim. 6:6-8.
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Índios do Panamá — relance do passadoDespertai! — 1972 | 22 de março
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Índios do Panamá — relance do passado
Do correspondente de “Despertai!” no Panamá
JÁ DECORRERAM mais de 450 anos desde que Cristóvão Colombo, Vasco de Balboa e outros homens brancos puseram pela primeira vez os pés neste istmo estreito de terra junto ao continente sul-americano. Aqui entraram em contato com os nativos de pele bronzeada que vivem num pitoresco cenário tropical.
Desde o início, os índios do Panamá resistiram à regência do homem branco, prezando sua independência e estilo de vida simples. As regiões da selva remota e não raro quase impenetráveis do Panamá permitiram aos índios o isolamento que tanto desejam. Mas, agora, ao invés de serem os únicos habitantes da terra, são bem ultrapassados numericamente pelos recém-chegados. Dentre a população de quase um milhão e meio de pessoas do Panamá, os índios não compõem mais de 5 por cento, talvez por volta de sessenta mil.
A fim de realmente chegarmos a conhecer tais índios, é preciso visitá-los em seus habitats naturais. Já tive diversas oportunidades de fazê-lo ao servir como ministro das testemunhas de Jeová. Deixe que eu lhe conte algo sobre algumas destas visitas.
Os Índios Choco
Os índios choco há muito habitam a floresta tropical ínvia da província mais meridional do Panamá, Darién. Uma colônia foi estabelecida em Darién, na costa atlântica, por volta de 1510, e o explorador Balboa se tornou seu governador. Ouvindo os índios falar de um “mar” do outro lado do istmo estreito de terra, ele e cêrca de duzentos homens abriram caminho através da densa vegetação deste território, avistando o Oceano Pacífico em 25 de setembro de 1513.
A principal localidade dos chocos se acha agora no povoado de Garachiné, na costa do Pacífico. Eu e minha esposa fomos até lá’ há alguns anos, visitar um ministro das testemunhas de Jeová. Ficamos diversos dias, e participamos na pregação aos chocos ali e no território circunvizinho. Foi uma experiência inesquecível. Foi surpreendente que, embora estivéssemos apenas a cêrca de 240 quilômetros da moderna metrópole da Cidade do Panamá, pudéssemos encontrar pessoas que viviam como se fazia no tempo de Balboa.
Os chocos não são pessoas altas, mas os homens têm constituição forte e podem parecer um tanto ferozes. Embora se saiba que os que moram bem no interior tenham resistido aos intrusos, fazendo isso com zarabatanas e flechas envenenadas, os que encontramos não nos receberam desta forma. Até mesmo colocamos publicações bíblicas com alguns deles.
Os lares dos chocos são geralmente elevados cêrca de um metro e vinte a um metro e cinqüenta do solo, em postes. Com freqüência, são construídos perto da praia, os tetos sendo de folhas de palmeira entrecruzadas e o chão de bambu. Os lados são inteiramente abertos por toda a volta. Alguns bancos baixos constituem a única mobília. Cozinham em panelas pretas de ferro, sobre pedras, em cima de um fogo de lenha. Notamos que peixe, arroz e tanchagem pareciam ser a parte principal da dieta choco.
Seu estilo de vestir-se é a simplicidade em pessoa — algo um tanto desconcertante quando não se está acostumado a isso. As mulheres chocos não usam senão, alguns metros de pano enrolados na parte inferior do corpo, indo um pouco abaixo do umbigo até o joelho. Os homens vestem-se com ainda menos — apenas uma simples tanga.
Banham-se no oceano ou num rio, como sempre o fizeram. À medida que as mulheres entram na água, levantam gradualmente sua saia de pano, até que, por fim, com água pela cintura, é removida. É enrolada e colocada na cabeça até que o banho termine. Daí, ao sair da água, o processo é invertido, as mulheres por fim saindo, já de banho tomado e vestidas, na areia branca!
Os Índios Cuna
Também, no Panamá meridional, mas do lado do Atlântico, vivem os índios cuna. Embora alguns vivam no continente, a maioria habita o arquipélago de San Blas (das Mulatas). Estas ilhas se estendem por cerca de 160 quilômetros ao longo da costa, chegando quase até à Colômbia. O ditado é: “São mais numerosas do que os dias do ano.” E isto é verdade, porque há cêrca de quatrocentas delas.
Muitas das ilhas distam apenas um quilômetro e meio, mais ou menos, do continente. Têm elevação similar, mal se erguendo do oceano azul-esverdeado para fugir da inundação pelas ondas. Suas praias brancas, adornadas por graciosos coqueiros, são deveras convidativas! Algumas das ilhas são bem pequenas, não tendo mais de oitenta e três metros quadrados. Mas, até nas ilhas pequenas talvez vivam centenas de índios.
Os cunas aqui são quase uma nação firmemente à sua independência e pureza racial. As mulheres raramente viajam às cidades continentais e, mesmo assim, só quando acompanhadas pelos pais ou maridos. Tem sido costume restringir os estranhos de permanecer nas ilhas depois do pôr do sol. No entanto, uma Testemunha cuna tem pregado nas ilhas e alguns índios aceitaram a verdade bíblica.
Um cavalheiro que morava perto do continente e que conhecia alguns dos chefes de povoados, bondosamente concordou em me acompanhar a algumas das ilhas Foi deveras interessante ver, em primeira mão, como vivem tais pessoas.
Os cunas são baixos, os homens dificilmente ultrapassando um metro e sessenta e dois, e as mulheres são ainda mais baixas. Seu tamanho parece apropriado devido ao espaço limitado de seus lares ilhéus. Obtém do mar grande parte de seu alimento. A principal fonte de seu sustento, porém, é o coqueiro. Fornece-lhes não só a moeda de troca, mas também alimento, bebida, abrigo, combustível e outros essenciais. Não é de
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