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Índios do Panamá — relance do passadoDespertai! — 1972 | 22 de março
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admirar que seja considerado a árvore da vida!
Os homens cuna se vestem com simplicidade, em geral usando calças de pano escuro e camisas brancas ou amarelas curtas. As mulheres se trajam de forma mais colorida e elaborada. Suas saias são de tecido alegremente colorido, enrolado nelas e prêso na cintura. Mas suas blusas, chamadas molas, são especialmente atraentes. Usa-se todo estilo e cor concebíeis. As mulheres também usam grandes brincos de disco e anéis de ouro para o nariz.
As crianças, por outro lado, nada usam. Isto é conveniente, visto que passam grande parte do seu tempo familiarizando-se com o mar. Diz-se que não há nenhum garoto de quatro anos que não saiba nadar. As jovens atravessam o que deve ser um ordálio doloroso. Colares de contas são fortemente amarrados em suas pernas, embaixo da barriga da perna, e são periodicamente apertados. Isto restringe o desenvolvimento da parte inferior da perna, o que é aparentemente considerado uma característica de beleza.
Ao chegar a uma destas ilhas, fomos surpreendidos em encontrar festas em progresso. Tratava-se duma ocasião barulhenta e garrida. Soubemos que era parte dos ritos de puberdade de uma jovem. Pessoas de outras ilhas foram convidadas, havendo alimento em abundância. Fizera-se uma viagem especial à cidade de Colón, no continente, a uns cento e vinte quilômetros de distância, para obter um suprimento de rum.
A jovem, segundo o chefe do povoado me disse, estava confinada a um compartimento especial construído na casa de seus pais. Por vários dias, ela era cerimonialmente banhada, por se derramar água sobre ela. No fim deste ritual, seus cabelos compridos seriam cortados. Ela seria então apresentada como uma jovem casadoura.
Soube que se permite que a jovem indique a seu pai o rapaz com quem ela prefere casar. O pai então deixa que tal pessoa fique a par do desejo de sua filha. Embora ele talvez aceite a proposta, tal rapaz é posto em prova.
O sogro o leva ao continente, onde escolhe uma grande árvore. Exige então que o rapaz a reduza a lenha e a transporte de canoa até a morada da família na ilha. Enquanto ele se mantém ocupado, a noiva vai até a casa dele e traz todas as possessões dele para a casa dela. Uma vez realizada a tarefa de buscar lenha, o rapaz é bem acolhido na casa, onde permanecerá até à morte de seu sogro, após o que poderá estabelecer seu próprio lar.
Os Índios Guaymi
Quando Colombo chegou, perto do início do século dezesseis, já encontrou e transacionou com os índios guaymi. De início eram amigáveis, mas resistiram quando os brancos não foram embora. Assim, Colombo e seus homens levaram El Quibián, um chefe local guaymi, como refém. Mas, ele fugiu e liderou seus guerreiros num ataque, matando alguns daquele grupo e obrigando-os, em abril de 1503, a partir. Nos anos que se seguiram, os guaymis continuaram a resistir às invasões de seu território.
Assim, os guaymis têm permanecido relativamente intocados pela civilização moderna, embora alguns tenham obtido empregos regulares e se tornaram mais ou menos integrados na sociedade panamenha. Seu território, no Panamá setentrional, ocupa extensa parte dos altiplanos remotos, bem como algumas das regiões costeiras da província de Bocas del Toro. São o mais populoso dos grupos indígenas, atingindo uns 35.000, e são mais altos do que os cunas.
As mulheres guaymi usam vestidos com saias longas e rodadas, e os homens geralmente se vestem similares aos outros panamenhos não indígenas. Muitos dos homens, contudo, têm o costume peculiar de serrar os dentes da frente, superiores e inferiores, para assemelhar-se aos dentes de uma serra manual
Entre os grupos indígenas os guaymis têm demonstrado ser, sem comparação, o que acata mais favoravelmente a pregação das testemunhas de Jeová. Apenas no ano passado, tive o prazer de visitar, por uma semana, um povoado guaymi remoto, cuja maioria das famílias são testemunhas de Jeová. Eu e meu colega voamos da Cidade do Panamá até Changuinola, e tomamos um trem dali para Almirante. Fizemos o restante da viagem de canoa até o nosso destino, o povoado de Cayo de Paloma.
Ali, na praia, um grupo de índios nos aguardavam e nos fizeram sentir como se estivéssemos em casa. Uma família inteira saiu de sua casa de dois cômodos e disse: “Nossa casa agora é sua.” Outra senhora preparou hospitaleiramente comida e a trouxe a nós. Incluída nas atividades de nossa visita se encontrava a dedicação de um local de reuniões cristãs recentemente construído, um casamento e um serviço de batismo.
Na manhã de sábado, cinco homens índios, cada um com sua companheira e seus filhos, vieram para legalizar sua união em’ harmonia com os requisitos bíblicos. Ouviram o discurso bíblico que explicou os propósitos, os deveres e as obrigações do casamento cristão. Mas, antes da troca de votos, as cinco mulheres saíram todas, abruptamente, depois de uma consulta rápida e sussurrante. Minha consternação foi subitamente aliviada. Simplesmente saíram para vestir-se para o casamento! Dentro de dez minutos, todas elas entraram de nôvo, resplandecentes em longas vestes brancas, embora descalça. Ocuparam seus lugares e se uniram em casamento legal.
Um pouco depois, nas águas do oceano que lhes fornece grande parte de seu sustento, três deste grupo, junto com duas outras pessoas, foram batizados como discípulos de Jesus Cristo. Assim se juntaram a muitos outros índias panamenhos no serviço dedicado a Deus.
Após o batismo, almoçamos. Os caçadores índios nos forneceram um porco selvagem, outros mergulharam com lanças e trouxeram peixes. Algumas famílias trouxeram galinhas e outras um porco domesticado. Ainda outras trouxeram arroz, tanchagem, bananas e mandioca. A maioria dos presentes se sentaram no chão ou no recém-construído local de reuniões, e comeram com as mãos.
Daí, reunimo-nos para o programa de dedicação. De toda a direção vieram pessoas, até que havia 189 presentes, todos sendo guaymis, exceto eu e meu companheiro de viagem! Juntamo-nos em dar graças a Jeová, o Criador do homem, pelo fato de que “Deus não é parcial, mas, em cada nação, o homem que o teme e que faz a justiça lhe é aceitável”. — Atos 10:34, 35.
Visitar os índios do Panamá é deveras como fazer um relance à vida em priscas eras. Mas, ao reiniciarmos a viagem de volta para casa, depois de visitarmos os guaymis, não pude deixar de refletir na unidade e fraternidade que o entendimento da Palavra de Deus, a Bíblia, pode produzir entre os povos, apesar das diferentes formações e costumes.
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Respeito pela bandeiraDespertai! — 1972 | 22 de março
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Respeito pela bandeira
◆ Uma testemunha de Jeová de doze anos de idade em Renton, Washington, teve a seguinte experiência na escola, certo dia: Durante a cerimônia de saudação à bandeira, seus colegas se comportaram tão mal que a professora disse que sentia vergonha da maneira de eles mostrarem desrespeito à bandeira pela sua conduta ruim. Daí, disse ela: “B——— B——— é uma das testemunhas de Jeová e não saúda a bandeira [por motivos religiosos]. Mas, ele mostra certamente respeito a ela pela sua conduta excelente enquanto ela está sendo saudada.” Daí então falou aos alunos mal comportados que seria melhor que eles se portassem duma forma digna e não saudassem a bandeira do que saudá-la e empenhar-se numa conduta tão desrespeitosa.
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