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  • O que acontece com os preços?
    Despertai! — 1980 | 8 de julho
    • O que acontece com os preços?

      UM SENHOR e sua esposa passaram por uma mercearia para comprar apenas alguns itens pequenos. A balconista recebeu a nota de Cr$ 500,00 que o casal lhe deu em pagamento, mas devolveu apenas Cr$ 20,00. A esposa, esperando um troco bem maior, exclamou: “Moça, você nos deu o troco errado! Nós lhe demos uma nota de Cr$ 500,00!” A balconista respondeu: “Mas esse é o troco certo! Aqueles itens custam agora Cr$ 480,00.”

      O marido segurou o saquinho com os itens na palma de uma das mãos, balançou a cabeça em descrença e murmurou: “O que foi que aconteceu com os preços?”

      Se faz compras com regularidade, sabe bem o que acontece com os preços: estão subindo implacavelmente. Na verdade, os preços já estão subindo por muitos anos, especialmente desde a Segunda Guerra Mundial. Mas nunca os aumentos foram tão persistentes e tão grandes como recentemente.

      Nem esta situação se limita a apenas algumas nações. O mundo todo, praticamente sem exceção, vê-se afligido por este fenômeno, inclusive até mesmo as economias rigidamente controladas dos países comunistas. E isto é incomum, visto que nunca antes todas as nações sofreram tamanha inflação ao mesmo tempo.

      Naturalmente, as pessoas mais abastadas não se incomodam tanto com os aumentos dos preços. Podem dar-se ao luxo de pagar mais. A absoluta maioria das pessoas do mundo, porém, não são abastadas, e muitas sofrem com o que acontece.

      Num país após outro, as enquêtes mostram que as pessoas consideram a inflação como seu maior problema. Sentem como que estivessem numa armadilha que se fecha, sem haver saída. Muitos maridos trabalham horas extras, ou têm um segundo emprego. Muitas esposas também trabalham fora agora; em alguns países, mais da metade delas fazem isso. A vida familiar é atingida, visto que um dos motivos principais dos rompimentos de famílias é a briga por causa de dinheiro.

      Lamentava-se uma dona-de-casa norte-americana: “Fico imaginando se conseguirei progredir na vida.” Mas, ao passo que ela imaginava se ‘progrediria na vida’, outros se preocupam em sobreviver. Um caminhoneiro no Brasil comentou: “Estou entrando em pânico, nesses dias, com o absurdo custo de vida. Parece que não há saída.” Neste país, não é incomum a situação de certo marido que tem dois empregos, trabalha 12 horas por dia, seis dias por semana. Sua esposa ensina corte e costura e também trabalha como costureira doméstica. Declararam: “Está cada vez mais difícil cuidar duma família.” Deveras, certo zelador no Brasil disse: “Não estamos certos se estamos vivendo ou apenas vegetando.”

      Não se deve pensar que tal situação só existe nos países mais pobres. Nos Estados Unidos, uma senhora de Atlanta trabalha 40 horas semanais como cabeleireira e então como garçonete nos fins-de-semana. Afirma ela: “Eu morreria de fome se não tivesse dois empregos; não haveria outro jeito de pagar meu aluguel.” A situação dela, também, não é totalmente incomum.

      Em certo país africano, uma notícia declara que acontece o seguinte, devido mormente à inflação galopante: “Cada vez mais pessoas recorrem ao roubo, à apropriação indébita, ao suborno e a qualquer outro meio em que possam conseguir dinheiro para suas necessidades diárias.”

      No Japão altamente industrializado, houve certo período de cerca de sete meses em que cerca de 100 pessoas se mataram por terem dificuldades com os sarakin (agiotas). Tais pessoas incorreram em grandes dívidas, fizeram empréstimos com juros altos, e não conseguiram pagar suas dívidas. Incapazes de enfrentar a vida, cometeram suicídio.

      O historiador Arthur M. Schlesinger Jr. asseverou com respeito à situação econômica: “Acabou-se a festa.” Disse que os dias de prosperidade sem igual, em alguns lugares, precisavam ser mudados agora em favor da disciplina, do sacrifício e dum padrão mais baixo de vida.

      Na França, um comentarista declarou: “O sonho de uma ‘nova sociedade’ de abundância, prometida perto do fim dos anos 60 e exaltada no início dos anos 70, já morreu, à medida que a inflação lançou um ataque mortal contra o poder aquisitivo na França.” Similarmente, nos EUA, o Encyclopedia Americana Annual (Livro do Ano da E. A.), de 1979, comentou: “O sonho americano, disseram as pessoas, tornou-se um pesadelo.”

      Um grande banco dos EUA, o “Citicorp”, concluiu: “O fato desagradável é que a inflação persistente que aflige a maioria dos países, se se permitir que continue, terá por fim conseqüências que irão muito além das que são estritamente definidas como econômicas.”

      Sim, a inflação desenfreada pode significar muito mais do que apenas a questão de alguns terem menos. Pode ameaçar o inteiro modo de vida de uma nação. Efetivamente, no passado, destruiu as economias das nações. Desta vez, a inflação ameaça o mundo todo, e não apenas em sentido econômico, mas também com assombrosas conseqüências políticas e sociais.

      Exatamente quanta inflação temos agora? Por que isto se dá? O que poderá fazer a respeito? E onde tudo isso terminará?

  • A inflação aperta o cerco
    Despertai! — 1980 | 8 de julho
    • A inflação aperta o cerco

      “PRECISAMOS reconhecer que estamos em guerra . . . contra a inflação”, declarou a revista Business Week, dos EUA. Acrescentava: “Estamos, ademais, perdendo essa guerra.”

      A “guerra” contra a inflação estava sendo perdida no sentido de que, não importam as medidas tomadas até agora, a inflação apertava seu cerco contra a economia mundial.

      Como resultado disso, existe falta de confiança no dinheiro — isto é, no papel-moeda. Pode-se deduzir isto pelo preço do ouro. Historicamente, o ouro tem sido a “moeda” de último recurso, de máximo valor em tempos difíceis. Assim, é uma espécie de “barômetro” das condições econômicas. Há menos de 10 anos atrás, o preço do ouro era de US$ 35 a onça. Mas, em 1980, ultrapassou os US$ 870 a onça! Isto representa grande medida de confiança perdida no papel-moeda, e é indício de quão selvagem tem sido a inflação.

      Durante todo o século 19, os preços eram relativamente estáveis. Mas, depois da Primeira Guerra Mundial, tornaram-se mais instáveis. Daí, após a Segunda Guerra Mundial, a inflação tornou-se parte da vida diária. Nos anos recentes, ficou mais pronunciada do que nunca, de modo que até mesmo nas recessões persiste a inflação.

      Em certo mês de 1979, a inflação nos EUA registrou uma alta de 12 por cento sobre o ano anterior, 15 por cento no Japão, 18 por cento na Grã-Bretanha, e mais de 10 por cento na França. A República Federal da Alemanha, que possui uma das economias mais estáveis, apresentou um salto de 10 por cento naquele mês.

      As Filipinas relatam que, desde 1966, o preço dos alimentos, das roupas e dos combustíveis mais do que quadruplicou. O preço do alimento básico do Japão, o arroz, aumentou mais de 500 por cento em duas décadas. O Brasil admitiu que sua inflação em 1979 foi de 77%, quase o dobro da de 1978, de 40%. Neste país, a revista Administração e Serviços comentou, “68 milhões de brasileiros não conseguem nem mesmo pensar em comprar um simples ferro elétrico”, por terem de gastar seu dinheiro nas necessidades básicas.

      Alguns países africanos tiveram taxas de inflação de mais de 100 por cento em apenas um ano. A taxa de Israel estava próxima a esta, no ano passado, e desde a sua fundação, a mais de 30 anos, o índice de preços do consumidor subiu ali mais de 5.000 por cento!

      Os trabalhadores cujos salários apenas mantêm o mesmo passo que a inflação estão sendo prejudicados de dois modos.

      A situação nos EUA demonstra o que pode acontecer com o passar dos anos por causa da inflação. O dólar que valia 100 centavos, em 1898, agora só vale 12 centavos.

      No entanto, não aumentaram também os salários? Sim, aumentaram. E, para muitos trabalhadores, os aumentos salariais têm sido maiores do que a taxa de inflação, de modo que seu padrão de vida melhorou.

      Isto não aconteceu com muitos outros trabalhadores, porém. Nos EUA, à guisa de exemplo, cerca de metade de todos os trabalhadores verificam que a inflação cresce mais rápido que seus salários, o que significa um declínio em seus padrões de vida

      Ademais, muita gente pobre e pessoas com rendas fixas ficaram muito para trás. Observe apenas um exemplo disto, de um professor aposentado da cidade de Nova Iorque, que disse:

      “Minha atual aposentadoria municipal anual, é de US$ 4.439 [uns Cr$ 222.000,00; abaixo do nível considerado de pobreza, nos EUA]. Termos dificuldade em ir vivendo, malgrado nossos esforços heróicos de economizar, estamos certos, não os surpreende.

      “Não temos carro. Não temos casa própria. Alugamos o mesmo apartamento pequeno em que já moramos por mais de 35 anos. Não tiramos férias. Não viajamos. Não comemos fora. Só fazemos compras regulares nas liquidações, e somente das necessidades mais importantes.

      “Não fumamos. Nunca tomamos muita bebida alcoólica — nem sequer uma cerveja ocasional. Não temos ido ao teatro, nem mesmo a um cinema da vizinhança, desde minha aposentadoria, há mais de 21 anos atrás.

      “Não recebemos convidados. Não gastamos dinheiro com presentes para amigos ou parentes. Contentamo-nos com um ocasional cartão postal desejando-lhes tudo de bom nas ocasiões importantes. Não compramos mais regularmente um jornal.

      “Eu e minha esposa já temos uns setenta e poucos anos. Nenhum dos dois goza de boa saúde nem é capaz de trabalhar fora.”

      Os trabalhadores cujos salários apenas mantêm o mesmo passo que a inflação também são prejudicados. Por quê? Porque a inflação assola de dois modos. Não só os preços avolumantes reduzem o valor do dinheiro arduamente ganho, mas também os aumentos correspondentes de salários colocam os trabalhadores nas faixas mais altas de contribuintes, expondo-os a maiores cargas tributárias. O resultado é a perda líquida do poder aquisitivo.

      Também, a inflação amiúde castiga as pessoas econômicas que depositam dinheiro em cadernetas de poupança. Em certo país, os juros pagos pelos bancos eram apenas a metade da taxa de inflação. Assim, no fim do ano, a conta bancária, inclusive os juros, valia menos do que no começo do ano. O que agravava as coisas era que os juros eram tributáveis.

      As pessoas contraem dívidas cada vez maiores.

      Os apertos financeiros resultaram em enorme aumento das dívidas pessoais de todos os tipos. Uma razão disso é que as pessoas não desejam poupar dinheiro antes de comprar as coisas desejadas. Assim, contraem dívidas para obtê-las.

      Mas, outra causa crescente desta dívida é que, devido ao implacável aumento inflacionário, há mais pessoas agora que pedem empréstimos apenas para manter o que possuem. E o Americana Annual (Livro do Ano da E. A.) de 1979 também observou: “Aqueles que, outrora, só raramente contraiam empréstimos, e apenas para itens de etiqueta cara, às vezes verificaram que seus empréstimos estavam custeando, ao invés, suas necessidades básicas.”

      Daí, há aqueles que não vêem nenhum futuro à frente e assim adotam a atitude de ‘comamos, bebamos e festejemos’, tentando gozar tudo que possam antes que seja tarde demais. Como disse uma de tais pessoas: “Tenho uma atitude da espécie que estamos às vésperas do dia do juízo final.” Outros até mesmo contraem grandes empréstimos, sem nenhuma intenção de pagá-los, a que eqüivale a roubo.

      A revista U. S. News & World Report chamou esta tendência de contrair dívidas de “onda sísmica” que “lança novo susto diante dos economistas”. Disse, também: “Nunca antes as pessoas dependeram tanto de dinheiro emprestado.” Qualquer grave retrocesso econômico levaria milhões destas pessoas à falência.

      Por que existe hoje tanta inflação?

      O que provoca o tipo de inflação que grassa tanto em todo o mundo hodierno? As autoridades não concordam em todo aspecto do problema. A maioria delas, porém, deveras concorda que um dos principais culpados é gastar mais do que se ganha, e contrair dívidas para financiar tais gastos. Como veiculou o Times de Londres: “O que é inflação, afinal de contas? . . . É o termo do economista para o consumo excessivo; para se viver além de suas rendas; para se tirar mais de suas reservas do que se põe nelas.”

      Quando os governos gastam mais do que recebem de impostos, precisam “criar” dinheiro para recompor tal déficit. A revista Harper’s expressou-se da seguinte forma: “As dívidas resultantes dos gastos governamentais não cobertos pelos impostos são pagas por se criarem dólares novinhos em folha.” The Wall Street Journal também comentou:

      “Sem comparação, a maior parte da crescente pressão sobre os preços, . . . tem sido a inflação no sentido literal. Isto é, é causada pela enorme expansão das reservas monetárias

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