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Artífices em miniaturaDespertai! — 1972 | 8 de abril
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contato com todas as células vizinhas. Naturalmente, as abelhas nada conhecem de geometria, e, assim, este exemplo de artesanato tem sido chamado de “o mais maravilhoso de todos os instintos conhecidos”.
Sim, devido ao instinto com que fomos criados, nós, diminutos artífices realizamos alguns feitos surpreendentes. Tome-se, por exemplo, a arte de fazer teias. Embora as aranhas não sejam tecnicamente classificadas entre nós, os insetos, são artífices em miniatura. Na fabricação de teias acha-se envolvida a medição de distâncias, o cálculo de ângulos, puxar fios paralelos uns aos outros e a intricada geometria da construção. Considere uma teia de uns cinqüenta e cinco centímetros que uma aranha confeccionou. Quanto trabalho foi necessário? Levou apenas trinta e seis minutos. Havia mais de 37 metros de fio, que se achava ligado em 699 lugares. A aranha percorrera mais de 54 metros sem ficar uma vez sequer confusa ou presa!
É interessante que as aranhas lubrificam-se apenas nos lugares que entram em contato com sua teia. Uma aranha da selva indiana, de quinze centímetros começa a lubrificar-se ao pôr do sol por cerca de uma hora, mostrando um instinto que envolve previsão, não permitindo que nada seja desperdiçado.
Nós, insetos, temos entre nós certos cupins na África que constroem cupinzeiros que até mesmo os senhores, humanos, consideram como sendo maravilhas de engenharia. Algumas destas estruturas se assemelham a gigantescos cogumelos. E os estilos arquitetônicos variam segundo as condições enfrentadas. Em certa área, os cupins constroem talvez uma espécie de castelo com torres; em outra área, em solo diferente, o cupinzeiro talvez se pareça a um campanário de seis metros de altura.
Um dos mais surpreendentes montes de terra construído por um inseto se encontra na Austrália. Ali, certos cupins constroem o que chamam de “cupinzeiro-bússola”. Talvez chegue a ter 3,65 metros de altura e 3 metros de comprimento, e é quase sempre construído de modo a encarar o norte-sul; os lados achatados encaram o leste e o oeste. Entendo que seus entomologistas ainda não compreendem realmente por que tais artífices em miniatura constroem seus cupinzeiros à moda de bússola. E, quanto a nós, não iremos contar a razão.
Perfuradores e Mineiros
Daí, há a mosca icnêumone fêmea que possui um tubo capiliforme de cinco a doze centímetros de comprimento. Com o mesmo, ela pode perfurar vários centímetros de um tronco de árvore e atingir o túnel escondido dum inseto que coma madeira. Daí, através do tubo, deposita seus ovos que, quando incubados, comerão os outros insetos. Como consegue perfurar madeira maciça com um tubo delgado? Na ponta do tubo há diminutos dentes que são usados para serrar as fibras. É também surpreendente a capacidade desta mosca de determinar onde perfurar. Simplesmente explora com cuidado a árvore, sondando aqui e acolá com suas antenas. Por fim, fica satisfeita e mete as garras de suas patas na casca da árvore e começa a perfurar o alvo oculto — acertando bem na mosca!
Surpreendentes mineiros são as larvas das vespas da madeira. Em certo caso, a vespa da madeira pôs seus ovos num pedaço de pinho que foi subseqüentemente encerrado em quase quatro centímetros de chumbo (quinze camadas). Quando chegou a hora para as larvas emergirem, escavaram através da madeira e deram com o invólucro de chumbo. Atacando-o vigorosamente com seus maxilares, foram roendo camada após camada, perdendo alguns mortos pelos estágios da jornada, mas outros conseguiram passar por uns quatro centímetros de chumbo maciço. E isso foi feito por filhotes, levados pelo instinto!
Outros mineiros surpreendentes no reino dos insetos são as formigas saúvas e certos cupins. Várias saúvas certa vez escavaram um túnel por baixo do leito do Rio Paraíba, um rio brasileiro tão amplo quanto o Tâmisa na Ponte de Londres. E certos cupins do deserto escavam túneis verticais que chegam a atingir uns 40 metros de profundidade em solo arenoso! Quando atingem a água, levam o que desejam para o ninho.
Há muito mais que eu lhes poderia contar. Afinal de contas, nós, os insetos, ultrapassamos numericamente em muito aos senhores, humanos, de modo que há muitos de nós com que familiarizar-se. Mas, aquilo que já leu basta por hoje. Apreciei muito esta oportunidade de ajudá-lo a familiarizar-se melhor conosco como artífices em miniatura. Espero que isto lhe forneça uma nova perspectiva que nos faça parecer mais maravilhosos do que incomodativos.
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Procura-se: um sistema econômico que funcioneDespertai! — 1972 | 8 de abril
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Procura-se: um sistema econômico que funcione
A ECONOMIA do mundo ocidental já não é a mesma desde o verão setentrional de 1971. Efetivamente, jamais será a mesma de novo.
Quando o sistema que estava usando sofreu seu golpe de morte por parte do Presidente Richard Nixon, dos EUA, em 15 de agosto, iniciou-se longo período de incerteza.
A ação presidencial criou um pesadelo econômico para o mundo não comunista. Desde então, as nações têm procurado novo sistema econômico, um sistema que funcione.
Mas, por que foi posto de lado o antigo? Que esperança há de que um novo sistema funcione melhor do que o antigo, que falhou?
O Antigo Sistema Econômico
O prévio sistema econômico foi estabelecido numa conferência das nações ocidentais em Bretton Woods, New Hampshire, EUA, em 1944. Formaram o que foi chamado de Fundo Monetário Internacional, arranjo a que, por fim, se juntaram mais de cem nações não comunistas.
Qual era a base desse sistema? Alicerçava-se no dólar dos EUA. Naquele tempo, os EUA eram o país mais poderoso do mundo e sua moeda era a mais forte. Assim, as nações concordaram em estabelecer valores para seu dinheiro em paridade com o dólar.
Concordaram que não permitiriam que sua moeda variasse mais de 1 por cento para cima ou para baixo dos valores estabelecidos. Esta estabilidade tornaria muito mais fácil o comércio mundial, visto que os governos e os comerciantes saberiam sempre quanto valia sua moeda em termos da moeda de outro país. Isto tornava relativamente fácil determinar os preços a serem cobrados pelos produtos dum país, visto não se precisar considerar uma grande flutuação nas taxas monetárias.
Também foi concordado que o dólar dos EUA constituiria a moeda básica de reserva do Fundo. E, se uma nação acumulasse dólares demais devido a ter um superavit em seu comércio com os EUA, poderia converter tais dólares de papel em ouro a US$ 35 a onça. Assim, o sistema econômico iniciado em 1944 tinha por base o dólar estadunidense que, por sua vez, era garantido pela vasta reserva de ouro dos EUA.
Por Que Aconteceu?
Por que foi posto de lado este sistema? Por que os EUA tomaram ação sozinhos,
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