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A mosca doméstica — vilã sem virtude?Despertai! — 1976 | 8 de janeiro
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A mosca doméstica — vilã sem virtude?
PARA muitos da raça humana, os membros da minha família são vilãos sem um pingo de virtude. O contato entre nós amiúde faz com que pegue um mata-moscas ou uma lata de inseticida. Mas, há coisas que devia considerar antes de decidir que não temos nenhuma virtude.
É verdade que muitos autores gostam de pintar-nos como verdadeiras ameaças. Efetivamente, um deles chamou minha família, formalmente conhecida como Musca domestica, de o “mais perigoso animal dentro das fronteiras dos Estados Unidos”. Este conceito foi expresso por causa da crença comum de que amamos a sujeira e a poluição, e fornecemos transporte para inteiro exército de germes. Moscas carregadas de germes foram culpadas pela epidemia de tifo que matou dez vezes mais soldados durante a Guerra Hispano-Americana em 1898 do que as balas.
Guardiãs da Terra
Não posso negar que tais incidentes ocorreram. Mas, como mosca doméstica, gostaria de apresentar o outro lado da história e explicar como poderíamos ficar envolvidas em negócios sórdidos como esse da epidemia de tifo.
É devido à espécie de vida que levamos. Nossa habitação é ao ar livre, onde agimos como guardiãs da terra. Cumprimos nossa tarefa diária de consumir toneladas de matéria em decomposição, aglomerando-nos em torno dum acúmulo de restos. O grande apetite que temos, nós, as moscas domésticas, adequa-se perfeitamente com o papel de guardiãs que nos foi designado.
Na verdade, os problemas assomaram com o passar dos anos, mas a razão principal disso é a forma em que os humanos vivem ou como mudaram o meio-ambiente. As pessoas poluíram a terra e criaram condições insalubres nas grandes cidades. As pessoas jogam lixo pelas estradas ou nos locais de piqueniques, e as cidades utilizam grandes locais abertos para lançar ali toneladas de lixo. Ao irmos de um lugar para o outro no cumprimento de nossos deveres de guardiãs, apanhamos germes que pululam nessa matéria em decomposição. Sob tais condições poluídas criadas pelos humanos, é um fato que nós, moscas domésticas, podemos tornar-nos inimigas de sua saúde.
Visto que os germes que transportamos podem prejudicá-lo, seria sábio se estocasse o lixo onde não podemos contatá-lo. Latas com tampas são excelentes receptáculos para o lixo. Também, use telas sobre as janelas, se possível. Se não as possuir, feche suas janelas antes de o sol nascer e nós começarmos a nos mover. Igualmente importante é não deixar comida exposta, que pode ser vista por nós como convite para o almoço.
Como Espalhamos os Germes
Não temos mandíbulas para mastigar, de modo que ingerimos toda nossa comida em forma líquida. Simplesmente dissolvemos nossa comida num fluido que expelimos e então sugamos de novo. Este fluido é a nossa própria saliva ou líquido previamente engolido que regurgitamos. No entanto, talvez haja germes no resíduo de fluidos que deixamos atrás.
Também podemos deixar germes onde quer que andemos. Por baixo de nossas seis patas há coxins pegajosos, ótimos para se subir pelas paredes, ou andar de cabeça para baixo nos tetos. Mas, quando baixamos uma pata, os germes em nossos pés talvez sejam depositados. Todavia, pormos nossos pés no chão é vital para nós, visto que é por meio dos órgãos gustativos, na ponta de nossos pés, que dizemos qual o alimento que nos agrada.
Improvável Começo de Vida
Alguns de sua raça talvez pensem que temos poucas virtudes simplesmente por causa do modo em que passamos nossa infância — num monte de estrume de gado ou de cavalo. D. Mosca escolhe este improvável local de nascimento para nós por lançar seus ovos diminutos no estrume quente. Visto que os ovos são pequenos, poderá encontrar centenas de larvas da mosca doméstica, chamadas também de máscaras, ou tapurus, partilhando o mesmo alojamento.
As larvas não têm patas, nem pés, e quase não têm cabeça. São famintas desde o início da vida. Depois de incubadas, imediatamente começam a devorar sua casa. Depois de apenas seis dias de vida, quando seu desenvolvimento é completo, tornaram-se 800 vezes mais pesadas do que ao nascer! Os hábitos carnívoros das larvas atraíram a atenção de seus médicos, que deliberadamente as colocaram em feridas de modo que as criaturinhas pudessem limpar as feridas por ingerirem o tecido morto ou moribundo.
O período da larva, ou máscara, de uma mosca doméstica talvez dure apenas cerca de uma semana. Neste período, solta sua pele em diversas mudas, atingindo pouco mais de um centímetro de cumprimento. Então emigra para a superfície do monte de estrume, onde se transforma em pupa. Depois de outros três dias, a pupa se fende e dela emerge nova mosca doméstica, completa com todo o equipamento para voar e comer.
Notavelmente Bem Equipada
Da cabeça à ponta de nosso corpo, medimos uns seis milímetros. Poderá reconhecer o Sr. Mosca por um tom marrom-amarelado do corpo. Dona Mosca, em contraste, tem um tom avermelhado. Os órgãos mais notáveis de nossos corpos são nossos olhos, que abrangem a maior parte de nossa cabeça. Maravilhosamente construídos, são como pequenos telescópios colocados juntos. Permitem-nos olhar em toda direção ao mesmo tempo e isto, aliás, explica porque os humanos têm tanta dificuldade de nos pegar.
Dentro de nossos corpos há músculos motores que impulsionam nossas asas para nos dar a maneabilidade aérea que se coloca entre as melhores dentre os voadores do mundo dos insetos. Meus co-insetos podem voar para trás e para a frente, pairar no ar sobre certo local, ou sair zunindo de cabeça para baixo. Nossas fortes asas, que batem a uma taxa de mais de 800 vezes por segundo, habilitam-nos a voar longas distâncias num único vôo.
Grandes Progenitores
Além de bons voadores, o Sr. e Sra. Mosca Doméstica podem pretender situar-se entre os maiores progenitores do reino dos insetos. Dona Mosca tem menos de sessenta horas de vida quando deposita seus primeiros ovos. Segundo cálculos científicos, sob condições ideais, um casal de moscas que começasse a reproduzir-se em abril poderia, já em agosto, se todas as moscas vivessem, cobrir a terra com uma camada de seus descendentes que alcançaria mais de três pavimentos de altura!
Mas, isto, por certo, jamais poderia acontecer. Por um lado, no verão as moscas domésticas só vivem cerca de trinta dias. Ademais, os inimigos matam grandes números de nós.
Todavia, muitas de nós sobrevivem até o outono ou mais tarde, nas zonas temperadas. Talvez continuemos a reproduzir-nos até mesmo durante o inverno, embora menos rapidamente. Conseguirmos enfrentar severos climas nos assegura que, de ano em ano, haverá novas gerações nossas. Isto significa que precisam constantemente acautelar-se de proteger seu lar e seus alimentos para impedir que lhe espalhemos doenças.
Naturalmente, se não houvesse poluição ambiental e cidades cheias de favelas, é provável que não teriam de preocupar-se com nossa presença. Daí, poderíamos trabalhar mais plenamente em seu benefício como, guardiãs da terra.
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Deveria “arriscar a sorte” na loteria?Despertai! — 1976 | 8 de janeiro
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Qual É o Conceito da Bíblia?
Deveria “arriscar a sorte” na loteria?
AS LOTERIAS se tornaram bem comuns em muitos países. Esta forma de jogatina em geral consiste na venda de bilhetes por pequena soma. No sorteio, o possuidor do bilhete de loteria premiado recebe algum prêmio, não raro dinheiro em quantidade muito maior do que a gasta na compra do bilhete.
Talvez tenha pensado em “arriscar a sorte” na loteria. Mas, há vários fatores a considerar.
Visto que a loteria apela para a esperança de se ganhar muito, com pouco esforço, pode ser um grande atrativo, em especial para os pobres. Todavia, na realidade ela tornou muitos deles ainda mais pobres. Para a compra de bilhetes de loteria, alguns gastam o dinheiro necessário realmente para alimentos, roupas e outras necessidades. Na Índia, por exemplo, alguns gastaram o salário de um mês inteiro, e outros tiveram que pedir dinheiro emprestado a altos juros para poderem participar nas loterias.
Mas, suponhamos que a pessoa ganhe na loteria. Não seria ótimo? Não necessariamente. Alguém que ganhou US$ 1.000.000 recebeu cartas de todo o mundo pedindo que ele doasse algum dinheiro para ajudar aqueles que lhe escreviam. “Não conseguia diferençar as solicitações legítimas das falcatruas”, disse ele.
Ao notar tais fatores, contudo, a pessoa desejosa de agradar a Deus se preocupa mormente com o que a Sua Palavra, a Bíblia, indica. É provável que essa também seja a sua principal preocupação. E, felizmente, as Escrituras fornecem as informações necessárias para se decidir de forma inteligente se se deve ou não “arriscar a sorte” na loteria.
É provável que reconheça prontamente que a legalidade das loterias em uma comunidade não e o principal fator a considerar. Um estado poderia legalizar várias coisas que a pessoa piedosa não faria. Se a prostituição fosse legalizada, para exemplificar, por certo um cristão nada teria que ver com ela, pois a moral dissoluta não condiz com as pessoas que reverenciam a Deus, e as pessoas incorrigivelmente imorais não herdarão Seu reino. (Lev. 19:29; 1 Cor. 6:9, 10) Assim, precisamos considerar outros aspectos deste assunto de se arriscar a sorte na loteria.
Como provavelmente discerne, a pessoa poderia ser engodada pela loteria a começar a confiar na sorte Diz a Palavra de Deus algo sobre isso? Sim, diz. Em Isaías 65:11, 12, está escrito: “Mas, quanto a vós que deixais a Jeová, que vos esqueceis do meu santo monte, que preparais uma mesa para a Fortuna [ou, “o deus da Boa Sorte”, Tradução do Novo Mundo], e que misturais bebidas para o Destino; destinar-vos-ei
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