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A edificação de discípulos que tenham a qualidade da perseverançaA Sentinela — 1970 | 1.° de outubro
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é proveitoso para o aprendiz que sigamos este modelo. É assim que podemos determinar se o estudante aprende, se ele discerne a verdade da Palavra de Deus, se compreende o argumento feito e se ele pensa de modo espiritual. Quando ensinamos desta maneira, o estudante com quem estudamos verá que o discernimento espiritual, a compreensão e a faculdade de raciocínio ultrapassam todos os tesouros materiais em valor, porque sua recompensa é a agradabilidade e a vida. — Pro. 2:4, 5, 9-11; 3:16-18.
A QUALIDADE PROVADA DA FÉ
11. (a) Por que é essencial a fé? (b) Que mais precisa o estudante reconhecer a respeito da fé? (c) Que qualidade da fé é mais preciosa do que o ouro e a prata?
11 Ao dirigir seus estudos bíblicos, tenha sempre em mente a qualidade da fé, pois “sem fé é impossível agradar-lhe [a Deus] bem”. (Heb. 11:6) E, também, o cristão ‘vive em razão da fé’. (Rom. 1:17) Mas é preciso mais do que apenas fé. O estudante precisa reconhecer a qualidade provada da fé, que a sua fé precisa ser provada, isto é, refinada, assim como se refinam a prata e o ouro. A fé precisa ficar livre de todas as impurezas, e isto se faz por submetê-la a provas. Tal processo de refinação é bem descrito para nós pelo apóstolo Pedro, que disse: “Atualmente, por um pouco, . . . [fostes] contristados por várias provações, a fim de que a qualidade provada da vossa fé, de muito mais valor do que o ouro perecível, apesar de ter sido provado por fogo, seja achada causa para louvor, e glória, e honra, na revelação de Jesus Cristo.” (1 Ped. 1:6, 7) Portanto, a fé que importa é a fé que é submetida a provações e sobrevive. Esta qualidade provada da fé é mais preciosa do que ouro e prata, e não é simplesmente só fé.
12. Por que é bom advertir os estudantes de antemão a respeito das provas da fé, e o exemplo de quem temos para seguir neste respeito?
12 Se o estudante souber de antemão que ele sofrerá provações no proceder que escolheu, então as provas e as provações que lhe sobrevêm por causa de sua fé não serão mais surpresas, mas serão algo esperado e aguardado. Jesus advertiu seus discípulos de antemão; por que não devemos fazer o mesmo? Em Mateus 10:22, 36-38, Jesus mostrou que os cristãos sofreriam provações de muitos lados, que eles seriam ”pessoas odiadas por todos, por causa do [seu] nome”; que sofreriam oposição dos membros de sua família, pois, “deveras, os inimigos do homem serão pessoas de sua própria família”, disse ele. Prepare o estudante para esta realidade inevitável. — João 15:20; 16:33; Mar. 13:9; Rev. 2:10; Luc. 6:22, 23; 2 Cor. 11:21-28.
MOTIVOS PARA A INTEGRIDADE
13. (a) O que mais se precisa ensinar além da integridade, e por que é isto importante? (b) A que convicção e determinação precisa ser levado o estudante?
13 No entanto, não basta dizer ao estudante que o mundo o odiará e que ele sofrerá muito, por ser cristão. Ele precisa saber, compreender e reconhecer o que ele terá de sofrer e por que terá de permanecer firme. Por isso, não se deve ensinar simplesmente a integridade quanto à justiça, mas o motivo da integridade. Não devemos ensinar apenas o que é integridade, mas devemos também edificar o apreço dela. Precisamos ajudar os com quem estudamos a Bíblia a compreender que manter a integridade não é apenas para se dar bom exemplo a outros ou para se gozar de boa reputação perante os outros. O motivo primário da integridade é que o nome de Deus está envolvido no que fazemos e em como agimos. Portanto, é bem apropriado que ajudemos outros a reconhecer o grandioso privilégio de se participar na vindicação do nome de Jeová pela firmeza a favor da justiça, a favor dos princípios piedosos, nunca se entregando ao temor dos homens. (Mat. 10:28; Atos 2:31, 32) Igual ao antigo patriarca Jó, precisa preferir sofrer a morte do que transigir quanto à sua integridade para com Deus. Jó disse: “Até eu expirar não removerei de mim a minha integridade’” (Jó 27:5) É a este ponto de resolução que se precisa levar o estudante. — Tia. 5:11.
DEVOÇÃO AOS PRINCÍPIOS BÍBLICOS
14. Dê um exemplo do motivo por que se precisa ensinar a devoção aos princípios bíblicos.
14 Embora seja importante que os estudantes da Bíblia conheçam os princípios contidos nela, não basta isso em si mesmo. Precisamos, além disso, ensinar devoção aos princípios bíblicos. É a devoção aos princípios bíblicos que impede que se siga o proceder da conveniência. Isto é bem ilustrado no caso de José, filho de Jacó. Quando foi tentado pela esposa de Potifar, a ter relações imorais com ela, José não cedeu à tentação, nem abandonou os princípios corretos. Antes, respondeu: “És sua esposa. Portanto, como poderia eu cometer esta grande maldade e realmente pecar contra Deus?” (Gên. 39:9) Ele sabia que ter relações com a esposa de outro homem era errado. Era ‘pecar contra Deus’! É tal apreço moral que se precisa inculcar nos estudantes das Escrituras. A aderência fiel de José aos princípios piedosos no início resultou em sofrimento injusto, mas as bênçãos recebidas de Jeová foram muito mais grandiosas, por causa de sua profunda devoção ao que era direito.
RESPEITO POR LEIS E REQUISITOS
15. Como mostra o salmista a atitude correta que precisa ser cultivada
15 Não podemos esperar estar em harmonia com a vontade e o propósito de Jeová se não estivermos em harmonia com as suas leis e os seus requisitos para a vida. Contudo, não se devem ensinar apenas leis e requisitos, mas um profundo respeito por eles. Este apreço precisa motivar o cristão no caminho da justiça. O respeito devido é refletido pelo salmista que disse: “Ensina-me a própria bondade, a sensatez e o conhecimento, pois tive fé nos teus mandamentos. Quanto eu amo a tua lei! O dia inteiro ela é a minha preocupação.” (Sal. 119:66, 97) Se havemos de andar em retidão, temos de fazer das leis de Deus a nossa preocupação. Precisamos respeitar o que elas significam para nós. Esta qualidade de apreço precisa ser inculcada, se o estudante há de perseverar.
CONVENCIDO DE QUE A BÍBLIA É A PALAVRA DE DEUS
16. A que profundidade de apreço da Bíblia precisa ser levado o estudante, e como foi isto expresso pelos tessalonicenses?
16 Precisa-se ensinar fé e confiança na Palavra escrita de Deus. O estudante precisa aprender a usar a Palavra de Deus como guia seguro na sua vida. Precisa ser levado à conclusão a que o salmista chegou, dizendo: “Lâmpada para o meu pé é a tua palavra e luz para a minha senda.” “A substância da tua palavra é a verdade.” (Sal. 119:105, 160) É possível chegar a ter tal convicção? Sim. O apóstolo Paulo, escrevendo a respeito dos tessalonicenses, disse que eles eram fonte de louvor a Deus, porque, quando ouviram a palavra de Deus pregada por Paulo, eles a ‘aceitaram, não como a palavra de homens, mas, pelo que verazmente é, como a palavra de Deus’. (1 Tes. 2:13) O estudante precisa ser levado a tal convicção nos seus estudos da Bíblia, se há de perseverar.
LEALDADE À ORGANIZAÇÃO VISÍVEL DE DEUS
17. Que lugar deve a lealdade à organização de Jeová ocupar na vida do estudante, e como é isto manifestado pelo apóstolo Pedro?
17 O estudante precisa também chegar a reconhecer a organização teocrática do povo de Jeová. A lealdade à organização teocrática impedirá que o estudante tropece sobre uma explicação da Palavra de Deus, que talvez seja difícil de compreender. No primeiro século, muitos perderam o grandioso privilégio de fazer parte da congregação de Deus, porque desistiram quando Jesus trouxe à sua atenção uma verdade doutrinal difícil. Mas como responderam os apóstolos bem treinados quando Jesus lhes perguntou: “Será que vós também quereis ir?” O apóstolo Pedro respondeu: “Senhor, para quem havemos de ir? Tu tens declarações de vida eterna.” (João 6:67, 68) Verdadeira lealdade, tal como a que Pedro teve, é o que desejamos edificar nos com quem estudamos a Palavra de Deus, para que se mantenham achegados à organização de Deus em todas as ocasiões, com bênçãos para si mesmos.
AME TERNAMENTE OS IRMÃOS
18. Que amor precisa o discípulo cultivar no coração para com os irmãos, e como foi isto exemplificado na vida de Jesus?
18 Em 1 Coríntios, capítulo 13, o apóstolo Paulo salienta que o cristão, sem amor, não é nada, apesar do registro de obras que talvez tenha. “O amor”, diz ele, “nunca falha”. (1 Cor. 13:8) No entanto, o estudante precisa aprender mais do que a amar os irmãos. Precisa aprender a amá-los cordial e ternamente. Paulo escreveu: “Em amor fraternal, tende terna afeição uns para com os outros.” (Rom. 12:10) O apóstolo Pedro escreveu: “Amai-vos uns aos outros intensamente de coração.” (1 Ped. 1:22) Esta qualidade do intenso amor uns para com os outros será fonte de verdadeira alegria para o estudante, habilitando-o a suportar muitas provações. Fará que se achegue bem à organização de Jeová, porque o amor “é o perfeito vínculo de união”. (Col. 3:12-14) Jesus nos deu o perfeito exemplo de amar terna e intensamente do coração. Sigamo-lo. (João 10:11-15; 1 João 3:18) O estudante precisa cultivar tal amor, se há de perseverar para a salvação.
DEFENDA E PREGUE O REINO DE DEUS
19. Que fatores importantes sobre o reino de Deus precisa o estudante aprender, e como lhe será isso de ajuda?
19 É necessário ajudar o estudante a reconhecer que já somos súditos do reino estabelecido de Deus, e que por isso precisamos ter um apego inquebrantável a ele e uma disposição destemida de dar testemunho dele. (Mat. 24:14) Somos embaixadores e enviados do reino de Deus e assim não fazemos parte dos governos políticos deste sistema de coisas. (2 Cor. 5:20) Promovemos exclusivamente os interesses do governo estabelecido do Reino nos céus. Precisamos continuar a ser proclamadores destemidos do estabelecimento do Reino. Nisto imitamos o exemplo corajoso de Jesus e de seus apóstolos. (João 18:36; Atos 4:20) Por isso não há margem para lealdade dividida. Este apreço pelo Reino que se incute no estudante fará que se mantenha firme como publicador do Reino. Não se acovardará nem se esquivará de sua responsabilidade de proclamar estas boas novas do Reino, que ele representa.
20. (a) Em resumo, segundo Paulo, que fatores é bom ter em mente? (b) Como podemos edificar sabiamente, e, assim, para que fim?
20 Portanto, na nossa obra de fazermos discípulos é bom termos em mente as palavras do apóstolo Paulo, que disse: “Somos colaboradores de Deus. Vós sois campo de Deus em lavoura, edifício de Deus. Segundo a benignidade imerecida de Deus, que me foi dada, eu, como diretor sábio de obras, lancei um alicerce, mas outro construiu sobre ele. Cada um, porém, persista em vigiar quanto a como constrói sobre ele. Pois nenhum homem pode lançar outro alicerce senão aquele que foi lançado, que é Jesus Cristo. Ora, se alguém construir sobre o alicerce ouro, prata, pedras preciosas [estas qualidades boas que resistem ao fogo], materiais de madeira, feno, restolho, a obra de cada um se tornará manifesta, pois o dia a porá à mostra, porque será revelada por meio de fogo; e o próprio fogo mostrará que sorte de obra é a de cada um.” (1 Cor. 3:9-13) Portanto, edifique sabiamente. Faça que os estudantes da Bíblia compreendam e reconheçam as qualidades piedosas da sabedoria celestial. Ajude-os a ter apreço duradouro do discernimento espiritual, da compreensão e da faculdade de raciocínio. Ajude-os a prezar a qualidade provada da sua fé, o motivo da integridade, devoção aos princípios bíblicos e profundo respeito pelas leis e pelos mandamentos de Deus. Cuide de que reconheçam a Bíblia como sendo a Palavra de Deus, a necessidade de se manter achegados organização de Jeová e a necessidade de cultivarem um amor intenso pelos irmãos. Leve-os ao reconhecimento do Reino como única esperança da humanidade e desenvolva neles um apego inquebrantável a ele e uma disposição de dar testemunho dele. Se fizer isso, há todo motivo para se crer que sua obra persista, para o louvor e a glória de Deus, pois esta é a Sua promessa.
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Na edificação de discípulos, motive o coraçãoA Sentinela — 1970 | 1.° de outubro
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Na edificação de discípulos, motive o coração
“É da abundância do coração que a boca fala.” — Mat. 12:34.
1. O que está incluído na comissão do cristão, e o que se precisa tocar para se cumprir com a comissão?
A COMISSÃO do cristão não é apenas a de ensinar doutrinas, mas também cultivar amor, apreço, humildade, fé, de fato, todos os frutos do espírito de Deus, mencionados em Gálatas 5:22, 23. A obra do cristão é ajudar outros a ‘por de lado a velha personalidade que se conforma ao seu proceder anterior e que está sendo corrompida segundo os seus desejos enganosos; mas que devem ser feitos novos na força que ativa a sua mente, e que se devem revestir da nova personalidade, que foi criada segundo a vontade de Deus, em verdadeira justiça e lealdade’. (Efé. 4:20-24) Para conseguir isso, é preciso mais do que conhecimento intelectual. É preciso tocar no coração do estudante da Bíblia e motivá-lo nos caminhos da justiça.
2. O que, de fato, é o coração, e por que é necessário que o examinemos?
2 O coração, de fato, é depósito de muitas coisas. O homem pode por no depósito de seu coração coisas boas e coisas más. Durante o estudo da Palavra de Deus, a Bíblia, ele pode retirar coisas do depósito inesgotável de Jeová e transferi-las para o seu próprio. Trata-se de coisas boas, pois ‘Deus é bom’. (Mar. 10:18) Em outras ocasiões, tais como quando se observam o crime e a corrução do mundo por intermédio da televisão, do cinema, do teatro, dos jornais, das revistas, e assim por diante, a mente pode com muita facilidade armazenar pensamentos e idéias más. Alguns talvez objetem que isto não se dá, mas a Bíblia acautela que “todo caminho do homem é reto aos seus próprios olhos, mas Jeová faz a avaliação dos corações”. (Pro. 21:2) Jeová não se deixará enganar quando
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