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  • Intolerância — do passado até o presente
    Despertai! — 1984 | 8 de maio
    • Intolerância — do passado até o presente

      TUD . . . tud . . . tud. A barra de ferro golpeava fortemente os membros e o peito de Jean Calas. Seu corpo alquebrado foi então exposto, numa roda de carroça colocada na horizontal, numa praça pública de Toulouse, no sul da França. Após o que foi reduzido a cinzas.

      Calas morreu, supliciado na roda, como assassino condenado. No dia anterior, 9 de março de 1762, este huguenote (protestante francês) foi declarado culpado do assassínio de seu filho, de modo a impedir que se convertesse ao catolicismo. Solene ofício fúnebre honrou o filho de Calas como mártir católico.

      Entretanto, Voltaire, filósofo francês, suspeitava que Calas fora vítima da intolerância católica. Depois de provar que o filho de Calas realmente se suicidara, Voltaire lançou uma campanha de três anos para mover a opinião pública em toda a Europa. A estratégia de Voltaire deu resultado. Conseguiu finalmente que as autoridades francesas revisassem tal processo, e, em 9 de março de 1765, Calas foi declarado inocente, de forma póstuma. Este clamoroso caso de preconceito contra os huguenotes se tornou um dos processos célebres do mundo. Moveu Voltaire a escrever seu famoso Tratado Sobre a Tolerância.

      Intolerância — Boa ou Má?

      Poucos tentariam justificar tal fanatismo, preconceito e intolerância assassina. Todavia, sob certas circunstâncias, a intolerância tem sua razão de ser. O assassínio, o roubo, o estupro e o seqüestro são — todas elas — coisas consideradas intoleráveis na maioria das sociedades, e com justiça. E o mesmo se dava no passado, quando se tratava de religião. Ao fornecer os Dez Mandamentos à nação de Israel, Jeová Deus declarou-se “um Deus que exige devoção exclusiva”. (Êxodo 20:5) Em resultado, o povo de Deus ‘não tolerava nenhuma rivalidade’ de deuses falsos. (Números 25:11-13; veja também 2 Reis 10:16.) Por conseguinte, a adoração falsa merecia a pena capital.

      Tenha presente, contudo, que Deus, como Soberano, tem certamente o direito de decidir o que Ele tolerará ou não em questões de religião. Os humanos não gozam desta prerrogativa. Assim, quando os israelitas executaram os cananeus depravados e demonólatras, eles o fizeram por mandato divino. (Gênesis 15:16; Êxodo 23:23, 24) Sem embargo, Deus não comissionou os israelitas a cruzar a terra e o mar para extirpar a adoração falsa de outras terras. Nem se concedeu à congregação cristã a autoridade de executar os não-crentes.

      Isto posto, a intolerância que motivou a morte de Jean Calas — e de incontáveis milhões de outros — não procede de Deus. ‘Mas certamente o mundo já se livrou de tal intolerância’, alguns talvez raciocinem. O que nos ensina a História? Como teve início a intolerância? Existe motivo para se crer que mostrará de novo a sua horrenda face?

      Os Perseguidos Se Tornam Perseguidores

      As noções de “liberdade religiosa” e de “separação entre Igreja e Estado” eram quase que inexistentes na antiguidade. Os governantes antigos eram amiúde tidos como sacerdotes da divindade principal, ou como sendo, eles próprios, deuses. Os povos conquistados adotavam os deuses do conquistador, ou se permitia que continuassem adorando os próprios deuses deles. Com efeito, as pessoas não raro adoravam as mesmas deidades, sob nomes diferentes.

      Isto não se dava, contudo, com a conquistada nação judaica. Depois da queda de sua nação em 607 AEC, os judeus dispersos causaram aos governos dominantes o problema de constituírem uma minoria religiosa que exigia a liberdade de adorar a Deus segundo os ditames de suas próprias leis religiosas. Com que resultado? Com freqüência, o de amarga perseguição. Todavia, com o advento do cristianismo, os judeus pareceram olvidar suas próprias experiências e se tornaram ávidos perseguidores dos seguidores de Cristo. — Atos 3:14, 15; 4:1-3; 8:1.

      Os cristãos, também, seguiram este triste padrão. De início, foram vítimas da intolerância judaica. Logo enfrentaram oposição de outras fontes. A recusa dos cristãos primitivos de adorar os deuses pagãos ou os governantes estatais deificados os puseram em conflito com as autoridades centrais e locais do Império Romano.

      No decorrer do tempo, tornou-se crime capital levar o nome de Cristo, e um grande número de cristãos sofreu a morte. As ondas de perseguição prosseguiram até 313 EC, quando, por razões políticas, os co-imperadores Licínio e Constantino expediram o Edito de Milão, estabelecendo a tolerância religiosa no Império Romano. Constantino por fim fez do “cristianismo” a religião privilegiada do Império Romano — intrépida tentativa de consolidar um império que se desintegrava pela sincretização do paganismo com o cristianismo.

      O “cristianismo”, contudo, dividiu-se em seitas rivais. Duas cidades, Bizâncio (mais tarde chamada Constantinopla) e Roma, afirmaram ambas ser a sede da igreja verdadeira. Tanto uma como outra se mostraram intolerantes para com aqueles que discordavam em pontos doutrinais. Os perseguidos de novo se tornaram os perseguidores.

      Intolerância Católica

      A lei canônica católica declara: “Sustente mui firmemente, e de nenhum modo duvide, que todo herético ou cismático há de ter parte com o Diabo e seus anjos nas chamas do fogo eterno, a menos que, antes do fim da vida, se incorpore, e seja restaurado, à Igreja Católica.” E até o dia de hoje, o voto de lealdade dos bispos católicos romanos declara: “Com toda a minha força perseguirei e combaterei os hereges.” Assim, incutiu-se a intolerância no modo de pensar católico. Mas, justificando esta atitude, o Dictionnaire de Théologie Catholique (Dicionário de Teologia Católica), de grande peso, declara: “Sendo a guardiã da verdade revelada, da fé e da moral, a Igreja não pode tolerar a disseminação de qualquer ensino que seja prejudicial à fé dos fiéis.”

      Assim, a Igreja Católica amiúde tem caçado os “hereges”, os julgado e então os entregado às autoridades seculares para serem punidos. The New Encyclopædia Britannica (Nova Enciclopédia Britânica) escreve: “Na igreja imperial [depois de Constantino] — especialmente depois do imperador Teodósio, em fins do século IV — a heresia se tornou uma transgressão criminal punível pelo Estado. O inimigo da igreja era semelhantemente visto como inimigo do império. Assim, bispos no sínodo imperial dos séculos IV a VIII tentaram declarar hereges a minoria dos dissidentes, e eliminá-los como inimigos do Estado.”

      A igreja também empregou as autoridades seculares para mostrar sua intolerância para com os judeus, os muçulmanos, os cátaros e os albigenses (massacrados numa “guerra santa” travada no sul da França no início do século 13), os hereges e os protestantes europeus. Na verdade, a maior parte deste sangue foi derramada pela “espada secular”. Entretanto, em sua bula Unam Sanctam, expedida em 1302, o Papa Bonifácio VIII decretou que a “espada secular” tinha de submeter-se à “espada espiritual” da igreja e ser “utilizada para a Igreja . . . sob a direção do poder espiritual”. (The Catholic Encyclopedia, Volume 15, página 126) Assim, a Igreja Católica não pode fugir de sua responsabilidade pelo sangue derramado como resultado de sua diretriz de intolerância religiosa.

      Intolerância Protestante

      A Igreja Católica, contudo, não deteve o monopólio da intolerância religiosa. Liderados pelo teólogo João Calvino, os protestantes sustentaram seu próprio reinado de terror. O historiador protestante suíço, Philip Schaff, admitiu: “Para a grande humilhação das igrejas protestantes, a intolerância religiosa e até mesmo a perseguição até a morte continuaram por muito tempo após a Reforma. Em Genebra, o estado e a igreja puseram em prática tal teoria perniciosa, chegando até a utilizar a tortura e a admitir o testemunho dos filhos contra os pais, e isto com a sanção de Calvino.” E, quando sua teologia sobre a predestinação e a Trindade foi questionada por Jérôme Bolsec e Miguel Servet, respectivamente, Calvino mandou banir o primeiro de Genebra e fez com que o último fosse preso e julgado como herege. Servet foi queimado na estaca. Outros “hereges” também foram queimados vivos na Genebra calvinista, com a aprovação de teólogos protestantes como Teodoro Beza.

      Martinho Lutero também demonstrou grande intolerância. Não só se tornou “notoriamente anti-semita [oposto aos judeus]”, mas até chegou a mandar queimar vivas, em Wittenberg, quatro “bruxas”.

      Logo a França e a Alemanha se tornariam despedaçadas por violentas guerras religiosas nos séculos 16 e 17 — sendo cometidas atrocidades tanto por católicos como por protestantes.

      Aumento da Intolerância Secular

      ‘Mas certamente o homem aprendeu dos erros passados’, talvez diga. E, deveras, ultimamente, as igrejas demonstram uma atitude mais tolerante do que no passado. Todavia, como afirma The New Encyclopædia Britannica: “O legado de intolerância cristã e os métodos por ela desenvolvidos (i.e., a inquisição, ou a lavagem cerebral) influem na intolerância da ideologia e das técnicas das modernas revoluções políticas.”

      Sim, ao passo que, em alguns sentidos, existe declínio da intolerância religiosa na cristandade, nossa geração testemunha um surto de intolerância política e racial. Esta intolerância secular é deveras um ‘legado de intolerância dos cristãos [apóstatas]’. O holocausto nazista, ou o extermínio de cerca de seis milhões de judeus, é exemplo disto. E cita-se Hitler como justificando sua intolerância para com os judeus por afirmar: “Estou apenas seguindo a mesma diretriz que a Igreja Católica tem adotado por 1.500 anos.” Outros ditadores, desde Hitler, têm empregado a lavagem cerebral, bem como a tortura mental e física, em sua luta contra os “hereges” ideológicos. As Testemunhas de Jeová, para exemplificar, amiúde têm sentido o impacto de tal intolerância por causa de sua neutralidade política. Em Cuba, uma Testemunha foi despida, envolta com arame farpado e colocada no topo dum telhado como isca humana para mosquitos famintos. Em outro país, cinco Testemunhas foram detidas e submetidas a graves ameaças e espancamentos por vários dias. Uma delas teve de ser hospitalizada em resultado dos ferimentos recebidos. Em três países no nordeste da África, as Testemunhas foram submetidas à detenção. (Até 5 por cento delas num único país!) Muitas foram torturadas, e três delas foram até mesmo mortas. Sim, governantes políticos fanáticos aprenderam muito das igrejas a respeito de silenciar os dissidentes.

      Mas, poderia vir a acontecer que as próprias igrejas se tornem vítimas da intolerância secular? Exatamente quão arraigada se acha a suposta tolerância em nossos dias? E que dizer do ecumenismo? Será um sinal de tolerância maior, ou simplesmente de maior indiferença para com a religião? Por fim, como é que tudo isto nos atinge individualmente? Será possível ter fortes convicções religiosas sem se ser intolerante? Tais indagações serão consideradas no artigo seguinte.

  • O mundo atual — tolerante ou indiferente?
    Despertai! — 1984 | 8 de maio
    • O mundo atual — tolerante ou indiferente?

      ALGUNS julgam que vivemos na Era da Tolerância — mundo em que, na maioria dos países, é algo inimaginável matar ou torturar pessoas por suas crenças religiosas. Todavia, qual é a profundeza real das raízes da tolerância? Poderia ser que a muito alardeada Era da Tolerância é meramente uma Era de Indiferença?

      A Luta em Prol da Tolerância

      Na realidade, a tolerância é uma conquista relativamente recente, mesmo na civilização ocidental. De acordo com o Webster’s Third New International Dictionary (Novo Dicionário Internacional de Webster, Terceira Edição; dicionário padrão para o inglês), a palavra inglesa correspondente a “tolerância” tem origem francesa. Afirma o Vocabulaire de la Philosophie (Vocabulário de Filosofia), de André Lalande: “A palavra [francesa] tolerância surgiu no século XVI em resultado das guerras religiosas entre católicos e protestantes. Os católicos acabaram tolerando os protestantes, e vice-versa.”

      Na França, as Guerras da Religião findaram em 1598, com o Edito de Nantes, lei segundo a qual o Rei Henrique IV concedeu liberdade limitada aos protestantes. A liberdade de religião, porém, não estava ainda garantida na França. Em 1685, o Rei Luís XIV revogou este edito e os huguenotes enfrentaram outro século de encarceramentos, de serem mandados para as galés ou serem sumariamente mortos. Foi somente depois de se iniciar a Revolução Francesa em 1789 que a liberdade de religião obteve garantias legais na França.

      Na Alemanha, as guerras entre os príncipes católicos e os príncipes luteranos findaram em 1555, com a Paz de Augsburgo. Esta, contudo, concedia-lhes o direito de impor sua religião a seus respectivos súditos. Não havia liberdade religiosa alguma para os dissidentes. A Guerra dos Trinta Anos, entre os católicos e os protestantes europeus, findou em 1648, e a Paz de Westfália concedeu a liberdade de religião aos calvinistas. Mas não foi senão em 1781 que o Edito de Tolerância alemão concedeu liberdade de adoração a todos os não-católicos, e assim mesmo tal liberdade era restrita.

      A Inglaterra, também, travou longa e amarga luta em prol da tolerância. Os católicos, os anglicanos e os puritanos assumiram, cada grupo, a sua vez de perseguirem uns aos outros, ao assumirem sucessivamente o poder. Em 1689, sob o Rei Guilherme III, protestante, editou-se o Ato de Tolerância inglês, mas este proibia qualquer pregação contrária à Trindade, e os dissidentes não podiam assumir cargos políticos. No século 18, promulgaram-se várias leis que concediam progressivamente a liberdade religiosa para aqueles que não eram membros da Igreja Anglicana. Contudo, os católicos, os judeus e os dissidentes foram privados de certos direitos civis. Não foi senão na década de 1820 que se eliminou a maioria destas restrições, e não foi senão em 1880 — há apenas um século — que se permitiu que os dissidentes religiosos na Inglaterra sepultassem seus mortos de acordo com suas crenças.

      Ecumenismo — Tolerância ou Indiferença?

      Pode-se dizer, por conseguinte, que a aparente tolerância atual tem raízes muito curtas na História. Assim, o que motiva as atitudes tolerantes que hoje predominam? Será o reconhecimento sincero dos direitos alheios, ou é a indiferença religiosa?

      A Igreja Católica Romana nutre esta última opinião. The Catholic Encyclopedia declara isto sem rodeios: “A tolerância só surgiu com o desaparecimento da fé.” Afirma esta mesma obra: ‘A Igreja, portanto, parece mostrar estranha incoerência, pois, ao passo que exige a tolerância e a liberdade para si, ela tem sido e ainda continua sendo, intolerante para com todas as outras religiões.”

      Para ilustrar, no Concílio Ecumênico Vaticano II, que findou em 1965, a Igreja Católica Romana reconheceu, pela primeira vez na história, a necessidade de liberdade religiosa. Mas, cuidadosa leitura da declaração oficial de Paulo VI sobre tal liberdade revela que ele estava mais preocupado com a liberdade para a Igreja Católica nos países em que esta se acha ameaçada do que com a liberdade para as religiões não-católicas. E, a insistência do atual papa no que tange à adoração de Maria e o celibato clerical indica que o seu conceito de ecumenismo é que os protestantes retornem ao seio da Igreja de Roma.

      Quanto ao ecumenismo hodierno, no qual o Conselho Mundial de Igrejas protestantes e ortodoxas se sobressai, The New Encyclopædia Britannica (Nova Enciclopédia Britânica) declara: “O movimento ecumênico do século 20 tem tentado contribuir para se vencer a divisão das igrejas, precisamente por meio do esclarecimento de fatores não-teológicos.” (O grifo é nosso.) Em outras palavras, o movimento ecumênico procura unir as igrejas em todos os assuntos, exceto os espirituais. Trata de questões sociais e políticas. O Conselho Mundial de Igrejas alegadamente fornece fundos para os “movimentos de libertação” em vários países. Recentemente, o Exército da Salvação se retirou do CMI, acusando-o de ser guiado “pela política, em vez de pelo evangelho”, e de prover sustentação financeira para guerrilhas. Por conseguinte, é bem evidente que a tolerância doutrinária do movimento ecumênico é, com efeito, sinal de indiferença doutrinal. Por outro lado, seu envolvimento político certamente não contribui para que seja apreciado por certos governos políticos.

      Fortes Convicções sem Intolerância

      Na Cyclopaedia of Biblical, Theological, and Ecclesiastical Literature (Enciclopédia de Literatura Bíblica, Teológica, e Eclesiástica), de M’Clintock e Strong, lemos: “A Igreja de Cristo, em sua pureza, desconhece a intolerância, e, por conseguinte, jamais pode ser culpada de perseguição.” (O grifo é deles.) A Cyclopaedia cita John Jortin, protestante inglês do século 18, filho de pais huguenotes franceses, que afirmou: “Onde começa a perseguição, finda o Cristianismo.” Declara mais: “Foi depois de o Cristianismo ter sido confirmado como a religião do império [romano], e depois de riquezas e honrarias terem sido conferidas a seus ministros, que o monstruoso mal da perseguição adquiriu força gigantesca, e exerceu sua nefasta influência sobre a religião do Evangelho.”

      Sim, foi somente depois de a apostasia ter início que os “cristãos” tornaram-se perseguidores intolerantes. Predizendo tal apostasia, o apóstolo Paulo escreveu: “Porque vai chegar um tempo em que os homens não suportarão a sã doutrina . . . Deixando de ouvir a verdade, eles se voltarão para as fábulas.” (2 Timóteo 4:3, 4), Bíblia Mensagem de Deus) Os credos das igrejas da cristandade contêm muitas fábulas ou mitos humanos, e foi precisamente com relação a tais mitos que os cristãos apóstatas tornaram-se perseguidores. Para exemplificar: o mito das “três Pessoas divinas em um só Deus” deu origem à violenta dissensão e perseguição entre os chamados cristãos no século 4 EC. Através dos séculos, os antitrinitários continuaram a ser perseguidos.

      Os cristãos verdadeiros, porém, não são perseguidores. Isto não significa, contudo, que não nutram fortes convicções religiosas, nem que não combatam o erro. O apóstolo Paulo declarou a verdadeira posição cristã: “Porque as armas de nosso combate não são carnais, mas poderosas em Deus para demolir as coisas fortemente entrincheiradas. Pois estamos demolindo raciocínios e toda coisa altiva levantada contra o conhecimento de Deus; e trazemos todo pensamento ao cativeiro, para fazê-lo obediente ao Cristo.” — 2 Coríntios 10:4, 5.

      As Testemunhas de Jeová empregam igualmente as verdades bíblicas como suas únicas armas para derrubar mitos religiosos humanos fortemente entrincheirados. Jamais, porém, utilizam a coação, nem perseguem aqueles que discordam delas, embora elas mesmas tenham sido vítimas de perseguição cruel por parte de poderes religiosos e políticos. Seguem o conselho de Paulo: “Não retribuais a ninguém mal por mal. Provede coisas excelentes à vista de todos os homens. Se possível, no que depender de vós, sede pacíficos para com todos os homens. Não vos vingueis, amados, mas cedei lugar ao furor; pois está escrito: ‘A vingança é minha; eu pagarei de volta, diz Jeová.’” — Romanos 12:17-19.

      Alguns, contudo, argumentariam que as Testemunhas de Jeová são, efetivamente, intolerantes porque expulsam da congregação os malfeitores e as pessoas que não se coadunam com suas crenças religiosas. No entanto, tal praxe não é devida a alguma norma humana ou preconceito pessoal. É Deus quem ordena que os cristãos expulsem os malfeitores. (1 Coríntios 5:9-13) Não obstante, as Testemunhas de Jeová não denegrem, não caluniam e nem fustigam de qualquer forma os expulsos. Simplesmente seguem a ordem bíblica de deixar de associar-se com tais pessoas. Desta forma, preservam-se tanto a pureza como a identidade da congregação cristã. Quão diferente é esta medida daquela que é tomada pelas igrejas, que implacavelmente caçaram e perseguiram os dissidentes!

      A Religião ‘Colhe O Que Semeou’

      Certa vez, o apóstolo Paulo disse: “Não vos deixeis desencaminhar: De Deus não se mofa. Pois, o que o homem semear, isso também ceifará.” (Gálatas 6:7) Isto certamente se aplica às organizações religiosas que, com o passar dos séculos, praticaram a intolerância para com outros.

      No último livro da Bíblia, representa-se a religião falsa como uma meretriz que comete “fornicação” com “os reis da terra”. (Revelação 17:1, 2; 18:9) Isto se refere à venda que a religião faz de si mesma à política, em vez de continuar ‘não fazendo parte do mundo’, em obediência à ordem de Jesus. (João 17:16) A Bíblia prediz que elementos políticos anti-religiosos se cansarão da interferência da religião e se voltarão contra ela. Por meio destes elementos, Jeová Deus ‘executará o julgamento na grande meretriz que corrompeu a terra com a sua fornicação’ e ‘vingará o sangue dos seus escravos derramado pelas mãos dela’. — Revelação 19:2; 17:16, 17.

      Com este inesperado desenrolar dos eventos contra a religião, a intolerância aflorará como jamais aflorou na história. Até mesmo os cristãos verdadeiros não escaparão da ira da sociedade anti-Deus, que terá início com a destruição da religião falsa. Mas, o ataque subseqüente contra o povo fiel de Deus provocará a intervenção de Deus. Ele simplesmente não tolerará tais “reis”, “comandantes militares” e “homens fortes” que atacam o povo de Deus na terra! — Revelação 19:17-21; 17:14.

      Todos os perseguidores caprinos, intolerantes, “partirão para o decepamento eterno”. Mas aos seus discípulos de disposição similar às ovelhas, muitos dos quais têm sido vítimas de perseguição intolerante, Cristo dirá: “Vinde, vós os que tendes sido abençoados por meu Pai, herdai o reino preparado para vós desde a fundação do mundo.” (Mateus 25:31-46) Por fim será respondida a oração dos verdadeiros cristãos, a saber: “Venha o teu Reino, seja feita tua vontade assim na terra, como no céu.” — Mateus 6:9, 10, Bíblia Vozes.

      Qual será sua posição quando a intolerância para com a religião atingir seu ápice? Não se pode dar ao luxo de ser indiferente. Como explicou o apóstolo Paulo, em Romanos 9:22, 23: “Deus, . . . embora tendo vontade de demonstrar o seu furor e de dar a conhecer o seu poder, tolerou com muita longanimidade os vasos de furor, feitos próprios para a destruição, a fim de dar a conhecer as riquezas de sua glória nos vasos de misericórdia.” Sim, a intolerância de Deus para com a iniqüidade teve bom motivo: Tem dado tempo a pessoas inclinadas à justiça para que tomem sua posição a favor do que é correto. Todavia, Deus impôs um limite a esta tolerância. (Atos 17:30, 31) Toda a evidência indica que este período de tolerância está prestes a esgotar-se. Por conseguinte, a Bíblia o concita a abandonar a religião falsa antes que seja tarde demais! — Revelação 18:4, 5.

      As Testemunhas de Jeová ficarão contentes de ajudá-lo a libertar-se da religião falsa, que no decorrer dos séculos demonstrou tamanha intolerância. Estude a Bíblia com as Testemunhas. Podem ajudá-lo a descobrir nela uma maravilhosa esperança, a de viver para sempre numa terra paradísica em que a intolerância do homem para com o próximo será coisa do passado.

      [Foto na página 8]

      As Testemunhas de Jeová utilizam as verdades bíblicas, e não a violência, para combater o erro.

      [Foto na página 9]

      Os poderes seculares se tornarão intolerantes com a religião mundanal, que é simbolizada por uma meretriz no livro de Revelação (Apocalipse).

  • “Eu era curandeira”
    Despertai! — 1984 | 8 de maio
    • “Eu era curandeira”

      “Eu era curandeira”, escreveu uma mulher xosa do Transkei, África do Sul. A carta que ela enviou à “Watch Tower Society” [congênere da Sociedade Torre de Vigia] na África do Sul, continua: “Eu tinha meus próprios pacientes, ou estudantes, aos quais treinava para serem curandeiros. Eu me esforçava muito de ajudá-los, embora minha saúde deteriorasse. Minhas mãos, pés e joelhos estavam inchados e eram muito doloridos. Tive de consultar um médico europeu, mas precisei mandar vir um carro até a porta de casa, e daí fui levada até ele, como uma imagem esculpida que tem membros mas não pode usá-los. Enquanto estava doente, as Testemunhas de Jeová chegaram à minha casa. Consideraram Deuteronômio 18:9-12 e Eclesiastes 9:5, 6, 10 comigo.”

      Em resultado disso, esta senhora passou a aceitar as verdades da Bíblia no que tangia à feitiçaria e à situação dos mortos, e entendeu por que suas crenças anteriores de nada lhe valiam para aliviar-lhe o sofrimento. Aceitou um estudo bíblico e foi mais tarde batizada como uma das Testemunhas de Jeová. Isto, porém, exigiu algumas mudanças, como ela passa a explicar: “Discernindo que Jeová é contra a feitiçaria, queimei toda a roupa que usava como curandeira, todos os remédios e tudo que se relacionava com tal proceder. Havia Testemunhas de Jeová presentes naquele dia em que joguei querosene sobre tais itens e ateei fogo. (Atos 19:19, 20) Agora minha saúde está muito melhor e, com gratidão, ‘Vou cantar a Jeová durante a minha vida.’ — Salmo 104:33.”

      Desde que esta ex-curandeira enviou tal carta já se passaram cerca de dois anos. Hoje ela continua a demonstrar sua gratidão a Jeová Deus por participar zelosa e regularmente em ajudar outros a entender a Sua Palavra.

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