-
Festas de louvor a JeováA Sentinela — 1968 | 15 de janeiro
-
-
Festas de louvor a Jeová
“As festas das estações de Jeová, que deveis proclamar, são santos congressos.” — Lev. 23:2.
1. Quando é que as festas são ocasiões de alegria? Citem algumas das festas judaicas.
AS FESTAS são ocasiões de alegria, conforme lemos em Deuteronômio 16:14: “Tens de te regozijar durante a tua festa.” Isto se dá em especial se a festa for celebrada em louvor a Jeová, o Deus Onipotente. Quando Jeová organizou seu povo em uma nação, lá no ano 1513 A. E. C., deu-lhe muitas festas. Elas se acham alistadas em Levítico, capítulo 23. Todo sétimo dia era um sábado, dia de descanso completo, “um santo congresso”. A Páscoa era celebrada em 14 de nisã, seguida pela festa dos pães ázimos, que durava sete dias. Cinqüenta dias a contar de 16 de nisã, quando eram oferecidas as primícias da colheita de cevada, havia a festa das semanas, também conhecida como Pentecostes. No primeiro dia do sétimo mês havia a festa das trombetas, e, no décimo dia, o povo celebrava o grande dia da expiação. Este ciclo de festas era concluído pela mais alegre de todas elas, a festa dos tabernáculos, que era realizada desde o dia quinze até o dia vinte e um do mesmo mês, havendo um final e santo congresso no vigésimo segundo dia. Com o passar do tempo foram acrescentadas festas adicionais, tais como a lua nova mensal, a festa de Purim e a festa da Dedicação, havendo assim mais dias para a guarda especial da adoração de Jeová. — Núm. 10:10.
2. (a) O que foi que Jeová ensinou a seu povo por meio das festas? (b) Por que os cristãos, hoje em dia, estudam estas festas?
2 Tais festas não eram apenas ocasiões de alegria e de descanso físico, mas eram primariamente ocasiões de edificação religiosa e espiritual. Eram festas para Jeová, para seu louvor e honra. Por meio destas festas Jeová, o grande Rei e Legislador, o Organizador da nação, ensinava a seu povo sua vontade e seu propósito divinos, junto com muitos princípios básicos, e lhe dava a oportunidade de demonstrar sua apreciação e gratidão a Jeová por sua bondade e misericórdia, e por todas as bênçãos que Ele lhes provera durante o ano. Além disso, e isto é importantíssimo para nós, Jeová não só ensina aos cristãos os mesmos princípios hoje, mas também, por meio de tais festas judaicas, tem feito muitas profecias que se cumprem em nossos dias. Em outras palavras, Jeová, fazendo que o povo de uma inteira nação agisse como atores, produziu no vasto palco do país da Palestina, e especialmente da cidade de Jerusalém, cenas que são “sombra das boas coisas vindouras”. (Heb. 10:1) Assim, por observarmos os israelitas celebrarem suas festas, nós, hoje em dia, recebemos instruções sobre coisas importantes que se cumprem em nosso tempo, e, ao mesmo tempo, aprendemos muitas lições com respeito à vontade, aos propósitos e aos princípios de Jeová. Por conseguinte, sentemo-nos à vontade agora e observemos os atores, ao representarem as cenas de cada uma destas festas judaicas.
SÁBADO
3, 4. (a) Descrevam o dia de sábado. (b) Por que os judeus se sentiam física e espiritualmente revigorados por guardarem o sábado?
3 “Durante seis dias poderá ser feito o trabalho, mas o sétimo dia é um sábado de completo descanso, um santo congresso. Não fareis trabalho de nenhum tipo. É um sábado para Jeová em todos os lugares em que habitardes.” (Lev. 23:3) Os israelitas receberam um regulamento sabático pouco depois de seu livramento da escravidão no Egito, em caminho para o Monte Sinai. Tornou-se plenamente expresso no quarto dos Dez Mandamentos. (Êxo. 20:8-11) O dia sabático começava ao pôr do sol do sexto dia e durava até o pôr do sol do sétimo dia. No tempo de Jesus, seis altos toques de trombeta no sexto dia, três por volta da nona hora (15 horas) e três ao pôr do sol, anunciavam seu começo. O sábado era um dia de completo repouso, até mesmo para os escravos e os animais. Era o dia de Jeová, um dia que abençoara e colocara à parte para observância. Reconhecer e executar obedientemente o propósito do sábado trazia verdadeiro prazer. (Isa. 58:13, 14) Mas, violá-lo conscientemente traria a aplicação da pena de morte.
4 Os israelitas podiam avaliar o valor de tal lei humanitária depois de terem sido escravos sob o cruel domínio egípcio. Por pararem o serviço secular, os judeus podiam concentrar na oração, na adoração e na meditação da Palavra de Deus. Com efeito, o sábado era um dia de grande atividade religiosa. Os sacerdotes ficavam mais ocupados do que nos outros dias da semana. Havia dois cordeiros a serem oferecidos junto com os dois oferecidos cada dia como um constante holocausto (Núm. 28:9, 10), e os doze pães da proposição eram mudados no lugar santo. (Lev. 24:5-8) Era realizado um santo congresso, uma assembléia de adoração e instrução públicas. O povo recebia instrução na lei de Deus. No tempo dos apóstolos de Jesus, conforme lemos em Atos 15:21, Moisés era “lido em voz alta nas sinagogas, cada sábado”. Que grandiosa provisão era esta, de uma nação inteira ter um dia livre, toda semana, para adorar a seu Deus, para se reunirem uns com os outros e para serem instruídos nas leis de Deus, livres da labuta diária e de todas as suas preocupações! Fez com que apreciassem a bondade de seu Deus, Jeová, e recordou-lhes o milagroso livramento que tiveram da escravidão no Egito. Cada sábado era revigorador para o corpo e todos, sem exceção, se sentiam espiritualmente edificados.
5. (a) Quando é que o sábado semanal tem cumprimento? (b) Que propósito cumpre o Sábado maior?
5 É bom saber que este sábado semanal dos judeus é somente “sombra das boas coisas vindouras”. A Bíblia indica que Jeová criou os céus e a terra em seis dias, cada um tendo 7.000 anos de duração. No sétimo dia, Jeová descansou de sua obra criativa e entrou em seu sábado. A humanidade, contudo, não manteve o descanso ou sábado pacífico com Jeová, mas, por meio da desobediência, veio a ficar escrava ao pecado, à imperfeição e à morte. Quase seis mil anos do sétimo já se passaram e há apenas um pouco mais de mil anos que restam. Jesus, falando do dia sabático semanal, disse: “O sábado veio à existência por causa do homem, e não o homem por causa do sábado.” Assim, estes mil anos finais foram reservados por Jeová para um propósito especial prefigurado pelo sábado semanal dos judeus, a saber, para o reinado de Cristo Jesus, seu Filho, pois Jesus passou a dizer: “Portanto, o Filho do homem é Senhor até mesmo do sábado.” (Mar. 2:27, 28) É um sábado de mil anos incluso no grande sábado de descanso de 7.000 anos de Jeová. Como o sábado semanal, o sábado maior de mil anos será devotado à adoração de Jeová, e à educação de todos os viventes, inclusive os ressuscitados dos túmulos memoriais, quanto aos requisitos justos de Jeová. — Heb. 10:1; Gên. 2:1-3; João 5:28, 29.
6. Por que foi que Jesus fez muitas obras de cura no sábado?
6 Lá nos anos de 29 a 33 E. C., Jesus realizou muitas obras poderosas, especialmente no sábado. Fez que os cegos vissem, os surdos ouvissem, os aleijados andassem e os doentes ficassem curados, e até mesmo ressuscitou alguns mortos. Assim, prefigurou as obras maravilhosas de livramento e alívio que fará durante o sábado milenar do seu reinado. Não se permitirá que ninguém perturbe a paz e o descanso deste dia, como foi prefigurado por se sentenciar à morte todos os violadores do sábado. (Núm. 15:32-36) Durante este sábado milenar, a humanidade receberá verdadeiro revigoramento para o corpo e o espírito, progredindo gradualmente à perfeição, podendo usufruir plenamente toda a bondade que Jeová fornece por meio do seu Rei, Cristo Jesus, e rendendo adoração e obediência de toda a alma a Ele. É uma experiência deleitosa divisar que, depois de seis mil anos de labuta e escravidão ao pecado, à imperfeição e à morte sob o domínio cruel de Satanás, a humanidade crente se acha agora no limiar de sua maior libertação, a fim de usufruir um sábado bem maior, do qual o Filho de Deus é Senhor. Que dia jubiloso!
LUA NOVA E A FESTA DAS TROMBETAS
7. Quais eram algumas das características da festa da lua nova?
7 Em dois trechos, a lei de Moisés fornece instruções a respeito da observação da lua nova, que assinalava o começo de cada mês. As trombetas soariam e seriam oferecidos sacrifícios especiais, da mesma forma que nos outros dias de regozijo e nas épocas festivas. (Núm. 10:10; 28:11-15) Com o decorrer do tempo, a observância da lua nova se transformou numa festa importante, sendo mencionada junto com os sábados e as “épocas festivas”. (Isa. 1:13; Eze. 46:1; Osé. 2:11) A Lei não especificou que todos os tipos de trabalho deveriam cessar no dia da lua nova do mês comum. Mas, notamos que o profeta Amós, no nono século A. E. C., reprovava os mercadores que esperavam ansiosamente o fim da lua nova, de modo que pudessem reiniciar seus negócios fraudulentos, fato este que indicava que era costumeiro o povo não transacionar nem se empenhar em serviço secular nos dias de lua nova, mas usar o dia para reuniões e associação. — Amós 8:5; 1 Sam. 20:5, 24.
8. (a) Por que era ocasião favorável para instrução religiosa? (b) O que podem os cristãos aprender disso?
8 Como o sábado, a lua nova era um dia para adoração especial e uma ocasião favorável para instrução pública no templo. Era um dia bem ocupado para os profetas e os demais ministros de Deus, visto que era costumeiro as pessoas que tinham problemas se dirigirem a estes servos de Deus e receberem instrução e ajuda em particular. (Eze. 46:1; 2 Reis 4:22, 23) Provisões especiais foram feitas na lei para a lua nova do sétimo mês, chamado etanim ou tisri, e era considerada um santo congresso. Fora declarado especificamente que nenhum trabalho árduo de qualquer tipo fosse feito neste dia. Assim, em adição aos vinte e dois sábados semanais, os judeus gozavam de mais doze dias especiais cada ano em que louvar e adorar a Jeová e receber instrução em sua Palavra. O fato que Jeová provera tanta instrução e atividade religiosas deveria ensinar aos cristãos hodiernos a importância de reservarem tempo para adorar a Jeová e estudar sua Palavra em particular e junto com a congregação cristã.
O DIA DA EXPIAÇÃO
9. (a) Quando era o dia da expiação, e, que requisito era exigido de todo o povo? (b) Resumam os pontos destacados do que acontecia no dia da expiação.
9 No mês de etanim, nove dias depois da festa jubilosa das trombetas, estava programada outra celebração. Era o dia mais importante de Israel, o dia da expiação, a ser observado no décimo dia do sétimo mês. Um santo congresso era realizado e não se fazia nenhum tipo de trabalho. Os israelitas receberam a ordem de afligir suas almas, mui provavelmente por jejuarem. Em Levítico, capítulo 16, o proceder a ser seguido no dia inteiro é delineado nos mínimos pormenores. A fim de tirar o máximo de proveito deste estudo, gostaríamos de incentivar o leitor a ler o inteiro capítulo. Conforme notará, o sumo sacerdote apresentava um novilho pelos pecados de Aarão e sua família, e a tribo de Levi, e dois cabritos, um, o cabrito “para Jeová”, a ser morto como oferta pelo pecado para o resto da nação, e o outro a ser mantido vivo como o cabrito “para Azazel”. Depois de primeiro dirigir-se com incenso para o Santíssimo do tabernáculo, o sumo sacerdote levava parte do sangue das duas ofertas pelo pecado, primeiro do touro, daí, do cabrito, ao Santíssimo, para ser aspergido sobre a tampa da Arca. Mais tarde, as carcaças dos animais eram levadas para fora do acampamento e queimadas. Depois de o sumo sacerdote confessar todos os pecados do povo por sobre o cabrito vivo, era conduzido ao deserto, para jamais dali retornar. Depois disso, o sumo sacerdote se banhava e mudava de roupa. Daí, dois cordeiros eram oferecidos como ofertas queimadas, um para Aarão e sua casa e outro para o restante daquela nação.
10. Que propósito maior é cumprido pelo dia da expiação?
10 Ao passo que o dia da expiação em Israel era espiritualmente edificante e encorajador, era sombra de algo muito maior, apontando aos judeus o Messias, o Libertador que havia de vir, pois seus sacrifícios animais em realidade jamais poderiam remover pecados. Os sinceros hebreus que guardavam a Lei da melhor forma possível podiam ver que “os homens nunca podem, com os mesmos sacrifícios que oferecem continuamente, de ano em ano, aperfeiçoar os que se aproximam. De outro modo, não se teria parado de oferecer os sacrifícios . . . ? Ao contrário, por meio destes sacrifícios há de ano em ano uma lembrança dos pecados.” (Heb. 10:1-3) Os fiéis judeus, por seguirem os sacrifícios do dia da expiação, estavam assim sendo orientados a aguardar o Sumo Sacerdote maior, com o melhor sacrifício, o verdadeiro, que podia remover pecados. Nos Salmos se mostra que o preço de resgate era tão precioso que estava inteiramente além do alcance de qualquer um deles. (Sal. 49:7, 8) O apóstolo Paulo, um hebreu fiel, disse: “A Lei, por conseguinte, tornou-se o nosso tutor, conduzindo a Cristo, para que fôssemos declarados justos devido à fé.” — Gál. 3:24.
11. O que os sacrifícios não podiam fazer pelos judeus, mas, que satisfação lhes davam?
11 O apóstolo, por conseguinte, devota considerável espaço em sua carta aos Hebreus para mostrar o significado destas coisas. Descreve o tabernáculo e suas características, entrando o sumo sacerdote no Santíssimo apenas um dia no ano com o sangue de animais, para oferecer sacrifícios não só pelos pecados do povo, mas também por si mesmo, e diz: “O espírito santo esclarece assim que o caminho para o lugar santo ainda não fora manifestado enquanto a primeira tenda estava de pé. Esta mesma tenda é uma ilustração para o tempo designado que agora chegou.” Daí, indica que os sacrifícios oferecidos “não são capazes de aperfeiçoar o homem que presta serviço sagrado, no que se refere à sua consciência”. Não obstante, quando o sumo sacerdote de Israel realizava seus serviços, os israelitas usufruíam certa medida de satisfação. Faziam a vontade de Deus para o seu tempo, porque “eram exigências legais referentes à carne e foram impostas até o tempo designado para se endireitar as coisas”. — Heb. 9:1-10.
12. O que era realizado pela tenda no deserto?
12 Então o apóstolo prossegue explicando que as coisas da Lei, inclusive o dia da expiação, eram representativos de maiores coisas. Diz: “No entanto, quando Cristo veio como sumo sacerdote das boas coisas que se realizaram por intermédio da tenda maior e mais perfeita, não feita por mãos, isto é, não desta criação, ele entrou no lugar santo, não, não com o sangue de bodes e de novilhos, mas com o seu próprio sangue, de uma vez para sempre, e obteve para nós um livramento eterno.” (Heb. 9:11, 12) A tenda no deserto era um arranjo de Deus pelo qual os israelitas poderiam aproximar-se dele mediante seu sumo sacerdote e receber um típico perdão de pecados, que poderia mantê-los no favor de Deus e em linha até o Seu tempo de prover o verdadeiro sacrifício. Durante tal tempo, eram limpos num sentido carnal, pois Paulo diz que eram santificados ao ponto de limpeza da carne. — Heb. 9:13.
A TENDA MAIOR
13. (a) O que é a “tenda maior e mais perfeita, não feita por mãos”? (b) O que conseguem os adoradores que se chegam a esta tenda?
13 Mas, então, o que é a “tenda maior e mais perfeita não feita por mãos”? Não se trata duma estrutura literal, mas é o arranjo de Deus para a expiação da humanidade. Deus também proveu o grande Sumo Sacerdote, o Perfeito, que não precisava oferecer nenhum sacrifício por si mesmo; seu sacrifício podia cobrir os pecados dos outros. Mediante a provisão de Jeová, foi ressuscitado em espírito e compareceu perante o verdadeiro Santíssimo, o próprio céu, onde Deus tem estabelecido o arranjo legal para ele oferecer o valor de seu sacrifício. (Heb. 9:24) Referindo-se a isto, Paulo afirma: “Quanto mais o sangue do Cristo, o qual, por intermédio dum espírito eterno, se ofereceu a Deus sem mácula, purificará as nossas consciências de obras mortas, para que prestemos serviço sagrado ao Deus vivente?” (Heb. 9:14) Aqueles que se chegam a ele, portanto, provam mais do que uma limpeza da carne. Realmente têm descanso da atormentadora consciência do pecado e usufruem a boa consciência que solicitaram a Deus mediante Cristo. — 1 Ped. 3:21.
O DIA DA EXPIAÇÃO ANTITÍPICO
14. (a) Quando e com que começou o antitípico dia da expiação? (b) Como foi que Jesus serviu como o cabrito “para Azazel”? (c) Como foi que cumpriu o quadro de levar o sangue do touro e do cabrito ao Santíssimo?
14 O dia da expiação de Israel abrangia as horas de luz solar do décimo dia do sétimo mês. Que período de tempo é ocupado pelo grande dia antitípico da expiação? Bem, começou no tempo do batismo de Jesus, quando apresentou-se para fazer a vontade de Deus, seguindo um proceder sacrificial, no outono setentrional de 29 E. C., assim como o touro e os dois cabritos eram apresentados no altar no átrio do tabernáculo. O dia continuou no ano de 33 E. C., tempo durante o qual ele serviu como o cabrito “para Azazel”, mantendo perfeita integridade sob prova e cruel perseguição até à morte por parte de Satanás, levando os pecados do povo para o “deserto”, para o esquecimento para sempre. (Isa. 53:3-7) Suas orações, sua devoção e seu proceder de integridade, semelhante ao incenso levado ao Santíssimo, agradaram a Jeová e cumpriram o propósito primário de Jesus em vir à terra qual vindicador de Deus. O antitípico dia da expiação incluiu sua ascenção ao céu, que corresponde à entrada do sumo sacerdote ao Santíssimo com o sangue do touro e, então, do cabrito. Desta obra sacrificial, Jesus saiu imaculado, puro, agora revestido das “roupas” trocadas de glória e imortalidade como Sumo Sacerdote para sempre segundo à maneira de Melquisedeque. (Heb. 6:20) Mas, ao levar o valor de seu sangue vitalício ao Santíssimo, chegou ao fim o dia antitípico da expiação.a
15. (a) Como é que Paulo indica que a oferta do mérito do sacrifício de Cristo no céu era algo adicional à aplicação dos benefícios do antitípico dia da expiação? (b) Como é que os que desejam tirar proveito do resgate não podem fazer nenhum “trabalho árduo” mas têm de afligir-se?
15 O apóstolo Paulo indica que a aplicação dos benefícios do grande dia da expiação é outra coisa, ao prosseguir dizendo: “E assim como está reservado aos homens morrer uma vez para sempre [devido ao pecado de Adão], mas depois disso um julgamento, assim também foi oferecido o Cristo uma vez para sempre, para levar os pecados de muitos [que herdaram de Adão o pecado]; e, na segunda vez que ele aparecer, será à parte do pecado e para os que seriamente o procuram para a sua salvação.” (Heb. 9:27, 28) Todos os homens têm caído sob a condenação do pecado devido descenderem de seu antepassado Adão. Mas, mediante Cristo, provê-se o “julgamento” à parte do pecado adâmico, de modo que todos possam ter a oportunidade de serem aliviados da inaptidão que veio sobre eles sem ser por sua culpa, e possam ser provados em seus méritos individuais. (Rom. 8:20) Todos que hão de tirar proveito do resgate tem de receber a sua aplicação, para obterem seus benefícios curadores. Não podem salvar-se pelo simples conhecimento de que o resgate já foi oferecido no céu. Têm de arrepender-se e descansar, mediante a fé e a obediência na provisão do sacrifício de Cristo e em seus serviços como Sumo Sacerdote. Não podem fazer qualquer “trabalho árduo” de sua própria iniciativa mediante tentativas de autojustificação por suas próprias obras. Assim, o Sumo Sacerdote ainda tem muito serviço a fazer em aplicar os benefícios do seu sacrifício expiatório. — Heb. 4:3, 10.
16. Mostrem onde os 144.000 obtêm a plena aplicação do resgate e que isto não é o fim do uso do resgate por parte de Cristo.
16 A aplicação do resgate de Cristo tem dois aspectos, assim como havia dois sacrifícios pelo pecado no dia da expiação em Israel. Tendo pago o valor de sua vida humana a seu Pai, Jeová, e tendo comprado a raça humana, Cristo tem agora de aplicar os benefícios do resgate à humanidade. Lembramo-nos de que Aarão aspergia o sangue do touro diante da arca do pacto em benefício da tribo sacerdotal de Levi. Desde 33 E. C. até o tempo atual, Cristo, desde os céus, tem abençoado seus 144.000 irmãos espirituais ungidos por lhes aplicar diretamente os benefícios do seu sacrifício. São introduzidos no novo pacto, a fim de serem reis e sacerdotes junto com Cristo, durante seu reinado sabático milenar. (Luc. 22:20; Rev. 20:6) Mas, não são os únicos beneficiários do sacrifício de Cristo. O sangue do cabrito para Jeová era aspergido depois do sangue do touro, em favor do povo. O sacrifício de Cristo foi para toda a humanidade e tem de ser aplicado imparcialmente a todos que exercem fé. Quando?
17. Quando é que os benefícios do resgate são aplicados às pessoas na terra, e quando é que a aplicação dos benefícios do grande dia da expiação chega ao fim?
17 Serão necessários os mil anos do reinado de Cristo para serem aplicados os benefícios de seu sacrifício de resgate a todos os que, pela fé, se apoderam dele, inclusive os ressuscitados do Seol ou Hades. (Rev. 20:13) Por volta do fim dos mil anos, a descendência de Abraão terá trazido bênçãos a todas as famílias da terra. (Gên. 12:3; 22:18) Todos que se utilizarem da bênção terão sido aperfeiçoados. Daí, a obra de aplicar os benefícios do grande dia de expiação terá sido completada. Os benefícios do sacrifício de resgate de Cristo terão sido aplicados até o fim, imparcialmente, e será demonstrado que o grande dia de expiação de Jeová não foi coisa vã.
MORADIA PARA OS HUMANOS APERFEIÇOADOS
18. O que garante que uma terra paradísica está em reserva para a humanidade?
18 Bem, o resgate de Jesus abrangeu a compra da raça humana e opera no sentido de levá-la à perfeição. Mas, o que dizer da terra, o lar em que vai viver? Quando olhamos o propósito original de Deus no jardim do Éden, vemos que o jardim era um santuário, um lugar para Deus habitar por espírito. Era um lugar de perfeição e beleza, um ambiente apropriado para os que gostariam de servir a seu Deus em perfeita santidade. Visto que Jeová de novo habitará com os homens e eles retornarão de novo à relação de filhos dele, segue-se que uma terra paradísica é concomitante com a perfeição da humanidade. Isto significa que a terra inteira se tornará um paraíso segundo o padrão de Jeová, o grande Arquiteto que originalmente propôs que assim fosse. Quão edificante e encorajador é entender o significado profético do dia típico da expiação e os benefícios que emanam dele! — Rom. 8:20, 21.
FESTA DE PURIM
19. Quais são os fatos históricos que levam à festa de Purim?
19 Por volta do ano 474 A. E. C., outra festa foi acrescentada à lista das festas judaicas. Os eventos históricos que obrigaram Mordecai a inaugurar esta festa de dois dias, chamada Purim, são de tamanha importância profética e de encorajamento para os cristãos, atualmente, que gostaríamos de considerá-los com os leitores. Os judeus viviam sob o domínio persa e estavam espalhados pelas 127 províncias. Certo Hamã, amelequita e odiador dos judeus, era o principal dos príncipes do Império Persa. Tal homem determinara em seu coração exterminar todos os judeus no inteiro domínio persa. Sendo homem religioso e supersticioso, perguntou a seus deuses em que dia deveria ordenar que os judeus fossem exterminados, por lançar o Pur, ou Sorte. A Sorte caiu no dia treze do décimo segundo mês, ou adar. Isto lhe deu cerca de um ano para preparar a matança, visto que a Sorte foi lançada no primeiro mês. Mas, também deu aos judeus tempo para se voltar para o seu Deus e orar a ele, pedindo libertação e para se prepararem para ela. — Ester 9:20-22; 3:1-7.
20. Qual foi a acusação falsa lançada sobre os judeus? Com que resultado?
20 Então Hamã, depois de conhecer a data supersticiosamente escolhida, apresentou seu pedido ao rei, apresentando os judeus como sendo povo sedicioso e perigoso, que não obedecia às leis do rei, mas que tinha seus próprios costumes, diferentes de todos os demais povos. Hamã disse que o dinheiro necessário para cobrir as despesas da matança seria provido — não custaria nada à coroa — e que dez mil telentos de prata (cerca de NCr$ 22.832.280) seriam ajuntados ao tesouro do rei. O rei concedeu tal pedido. Foi sancionada a lei para matar os judeus no inteiro domínio persa no décimo terceiro dia de adar. Parecia que Hamã atingira o zênite de sua glória. Mas, as coisas mudaram depressa. — Ester 3:9-15.
21. (a) Como foi que os judeus contra-atacaram, e qual foi o resultado? (b) Que dias foram reservados para esta festa, e por quê?
21 Mediante a destemida ação da Rainha Ester, que era ela própria judia, sancionou-se outra lei que concedia aos judeus o direito de “defender a sua vida, para destruir, matar e aniquilar de vez toda e qualquer força armada que viesse contra eles, . . . no dia treze do duodécimo mês, que é o mês de adar”. Sob a excelente liderança do fiel Mordecai, os judeus preparavam sua defesa. E, quando chegou o dia, foram ajudados, não só pelo povo persa, mas, segundo o registro histórico, por “todos os príncipes das províncias, e os sátrapas, e os governadores e os oficiais do rei . . . porque tinha caído sobre eles o temor de Mordecai. . . . e tiveram sossego dos seus inimigos; e mataram a setenta e cinco mil dos que os odiavam”. Em Susã, o Castelo, a luta se estendeu até o dia seguinte, sendo mortos 810 inimigos, inclusive os dez filhos de Hamã. Os judeus nas províncias e em Susã se banquetearam no dia quatorze e quinze, respectivamente. Por conseguinte, Mordecai impôs-lhes a obrigação de guardar os dias quatorze e quinze do mês de adar, cada ano sem falhar, como “dias de banquetes e de alegria, e de mandarem porções dos banquetes uns aos outros, e dádivas aos pobres”. Os judeus se lembrariam assim todo ano de sua libertação, e, ano após ano, davam louvor e honra a Jeová, o Deus libertador. — Ester 8:9 a 9:22, ALA.
CUMPRIMENTO MODERNO
22. (a) Quem foi representado pelos judeus? por Hamã? (b) Que acusações falsas têm sido lançadas?
22 Como os judeus dos dias de Mordecai, o pequeno número dos irmãos espirituais de Cristo na terra, o “restante” do Israel espiritual, têm sido acusados de serem sediciosos e de serem um risco para a segurança. Sua exterminação como testemunhas do Altíssimo, Jeová, tem sido decretada pela hodierna classe de Hamã, os líderes religiosos da cristandade. Jesus Cristo, exercendo poder régio sobre a terra inteira desde 1914, assim como Assuero exercia sobre o Império Persa, tem permitido tal ataque maligno contra a vida do restante, sob todos os tipos de acusações falsas, como severa prova. Mas, assim como o rei persa permitiu que os judeus lutassem por suas vidas, assim, também, Cristo Jesus tem permitido que o restante defenda sua vida como testemunhas de Jeová contra seus inimigos.
23. Como é que o restante tem lutado por sua vida?
23 Será que o clero religioso da cristandade, com a ajuda do estado político, poderia matar o restante quanto a serem testemunhas de Jeová, matar sua obra de pregação do reino de Jeová? Jamais! Assim como os judeus no tempo de Assuero, o povo do Senhor tem lutado zelosamente por suas vidas e seus direitos como pregadores e testemunhas, não com armas materiais de destruição, mas usando todos os meios legais à sua disposição, junto com a “espada do espírito, isto é, a Palavra de Deus”. (Efé. 6:13-17) Têm continuado a pregar firmemente as boas novas do Reino estabelecido. Com suas armas espirituais e o uso de todos os meios legais disponíveis, não só têm preservado suas vidas espirituais quais testemunhas de Jeová, e o direito de pregar seu nome mundialmente, mas, simbolicamente, “mataram” muitos atacantes por acabarem com o poder e a influência de seus inimigos, que não puderam eliminar sua obra de pregação.
24. (a) O que foi representado pela matança dos inimigos dos judeus? (b) Como no tipo, quem se une ao restante, ajudando-o?
24 A obra do restante tem acabado com a influência da falsa religião a tal ponto que milhares de pessoas de coração honesto abandonaram as suas fileiras e tomaram o lado do restante, assim como aconteceu nos dias de Mordecai: “Muitos, dos povos da terra, se fizeram judeus.” (Ester 8:17, ALA) Observaram que o favor do rei se havia transferido de Hamã para os judeus, até mesmo fazendo o rei a provisão para a preservação deles. Assim, desde 1931, e com maior ímpeto desde 1935, muitas pessoas ficaram impressionadas ao ver a evidência do favor de Deus sobre o pequeno restante dos judeus espirituais. Observaram a luta do restante a fim de salvar suas vidas quais testemunhas cristãs de Jeová, contra o mundo inteiro. Têm-se despertado de modo a ter vívido interesse na luta que o restante trava com firmeza a favor da verdadeira adoração e dos princípios morais limpos. Até mesmo alguns homens de alta posição no mundo, como os príncipes e os governantes dos dias de Mordecai, têm ajudado o restante em sua luta, prestando-lhe qualquer ajuda oficial ou judicial que lhes seja possível oferecer. Aos olhos do restante e da “grande multidão” de pessoas que se ajuntou ao restante em pregar as boas novas do Reino, os antitípicos líderes religiosos já não têm poder e nem influência, estão mortos, e é apenas uma questão de um curto tempo até que Jesus Cristo, que tem o poder régio, cause o extermínio total de todos os seus inimigos na terra, na batalha do Armagedom. Até então, muito mais pessoas tomarão sua posição junto com o restante, conforme representado no drama. Assim, a festa de Purim, tradicionalmente celebrada, tem significado antitípico que dá aos hodiernos cristãos a infalível esperança da vitória de Deus contra todos os seus inimigos.
FESTA DA DEDICAÇÃO
25. O que provocou a necessidade de se rededicar o templo?
25 É muito interessante o fundo histórico que leva à inauguração da festa da Dedicação. No ano 198 A. E. C., a Palestina ficou sob o domínio do rei sírio, Antíoco III. Seu filho, Antíoco IV, Epifânio, era fanático religioso. Empreendeu grandes esforços de converter os judeus à religião grega. Pilhou o templo de Jerusalém e colocou no cargo de sumo sacerdote alguém que favorecia o processo de helenização. Em desafio a Jeová, rededicou o templo e o designou ao olímpico Zeus ou Júpiter. Erigiu um novo altar pagão por cima do grande altar de Jeová, no átrio do templo, onde as ofertas queimadas diárias a Jeová eram anteriormente oferecidas. Por fim, em 25 de quisleu de 168 A. E. C., o primeiro sacrifício foi oferecido sobre este altar pagão em honra de Zeus do Monte Olimpo na Grécia. Foram queimadas cópias da Lei, e punia-se com a morte quem tivesse uma cópia da mesma em seu poder. A circuncisão era um crime capital e os judeus foram até obrigados a comer carne de porco.
26. Por que foi adicionada a festa de Dedicação? Em que data era celebrada?
26 Esta profanação do santuário de Jeová e a helenização dos judeus pela força bruta levou à insurreição sob a liderança dos Macabeus, no ano 167 A. E. C. Durante três anos, os sírios travaram cruenta guerra contra os judeus, mas foram finalmente derrotados, apesar da força militar sobrepujante dos sírios. Jerusalém foi recapturada pelos judeus em 165 A. E. C., e, em 25 de quisleu, ou exatamente três anos depois de os sírios terem profanado o o templo, o santuário foi purificado e rededicado a Jeová. Tratava-se dum dia memorável, e é lembrado pelos judeus até mesmo nos dias de hoje. Ano após ano, em 25 de quisleu (novembro-dezembro), os judeus celebraram a dedicação do templo. A festa durava oito dias. Reuniam-se no templo ou nas sinagogas em suas localidades. Segundo a tradição judaica, era uma ocasião de muita alegria e festividade. Assim, por acessão, a festa da Dedicação foi acrescentada às mencionadas na lei de Moisés.
27. Que lição importante podem os verdadeiros cristãos aprender a respeito das celebrações das festas?
27 A purificação do templo de Jeová, eliminando-se a idolatria pagã, era certamente um bom motivo para uma festa alegre a ser comemorada anualmente. Jeová preservou o templo até que o Messias chegasse. O próprio Jesus Cristo estava presente no templo durante os dias da festa da dedicação. (João 10:22, 23) Mas, os judeus há muito haviam deixado de agir em harmonia com tal festa e eles mesmos tinham poluído o templo de tal modo que Jesus lhes disse que estavam tornando tal “casa de oração” num “covil de salteadores”. Sua apostasia até mesmo levou-os a rejeitar seu Messias; o que, por sua vez, fez com que Jesus lhes dissesse: “Eis que a vossa casa vos fica abandonada.” Assim, vemos que as festas só dão louvor e honra de Jeová se aqueles que as celebram também agirem em harmonia com o significado da festa. (Mat. 21:13; 23:38) No próximo artigo iremos considerar uma outra provisão estimulante com relação às “festas de estações” de Jeová, e veremos como Jeová as faz cumprir dum modo que traz honra ao seu nome.
-
-
Os três congressos nacionais cada anoA Sentinela — 1968 | 15 de janeiro
-
-
Os três congressos nacionais cada ano
“Três vezes ao ano todo varão entre vós deve comparecer diante de Jeová, vosso Deus, no lugar que ele escolher.” — Deu. 16:16.
1. Que congressos nacionais eram realizados anualmente no antigo Israel?
ALÉM das festas que os judeus celebravam localmente, em suas cidades natais e povoados, havia a provisão para três grandes congressos nacionais. Tratava-se de santos congressos a Jeová, e ele ordenava: “Três vezes ao ano todo varão entre vós deve comparecer diante de Jeová, vosso Deus, no lugar que ele escolher.” Assim, era desejo de Jeová que toda a nação se reunisse em um só lugar três vezes por ano, num local que ele próprio escolhia. Desde os dias do Rei Salomão, este local era o templo em Jerusalém. Jeová também estabeleceu o tempo e esboçou o programa para tais reuniões anuais. O primeiro congresso se deveria realizar no começo da primavera (hemisfério norte), e durava oito dias de 14 a 21 de nisã, para comemorar a Páscoa e a festa dos pães ázimos. Em fins da primavera, em 6 de sivã, realizava-se um congresso de um só dia, para guardar a festa das semanas, ou Pentecostes. O terceiro e último congresso estava programado para o outono (hemisfério norte), de 15 a 21 de etanim, e era dedicado à festa dos tabernáculos, com um dia solene de congresso em 22 de etanim. — Deu. 16:16; Lev. 23:4-22, 33-36; Êxo. 23:14-17.
2. Como é que o povo tirava proveito destes congressos?
2 Tais congressos eram “festas de épocas de Jeová” e “ninguém deveria comparecer diante Jeová de mãos vazias. A dádiva da mão de cada um deve ser feita em proporção à bênção que Jeová, vosso Deus, vos tenha dado”. Mas, isto não significava que as pessoas que compareciam a tais congressos não tiravam, elas próprias, grandes benefícios da reunião. A associação as fazia avaliar que eram um só povo, uma nação santa, que servia unidamente a Jeová, o único Deus verdadeiro. A adoração diária no templo, o louvor e a ação de graças oferecida publicamente a Jeová por toda a sua bondade e suas bênçãos, o conselho ministrado pelos sacerdotes, tudo isto fortelecia os congressistas a continuarem a servir fielmente a Jeová. As festas serviam de encorajamento para todos, especialmente para os que provinham de lugares distantes ou isolados. Eram ocasiões de grande regozijo diante de Jeová, e de associação feliz, de reuniões alegres e edificantes da nação inteira. — Lev. 23:4; Deu. 16:16, 17; Lev. 23:40; Deu. 14:24-27.
3. (a) Como foi que Jeová mostrou que considerava importantes as três “festas de estações”? (b) Como é que muitos chefes de família consideravam os congressos?
3 Jeová sabia muito bem quão vital eram tais assembléias nacionais cada ano para a unidade daquela nação e a pureza de Sua adoração por todo o país. É por isso que ordenou a presença de todos os varões e, quanto à Páscoa, decretou a pena de morte para todo varão israelita que pudesse comparecer, por estar cerimonialmente limpo, e que “não estivesse viajando”, se deliberadamente deixasse de guardá-la. (Núm. 9:13) Muitos dos chefes de família israelitas prezavam tanto o valor educativo, edificante e social destes congressos que não iam sozinhos para Jerusalém, mas levavam suas esposas e filhos junto com eles. Que viagem estimulante e interessante deve ter sido para a família e que impressão duradoura deixaria nas mentes dos jovens! E, muitas famílias davam ouvidos ao conselho contido na lei de reservar algum dinheiro cada mês para comparecerem a tais congressos anuais, e, assim, estas viagens não eram uma carga financeira demasiado pesada. José, o pai adotivo de Jesus, era um de tais chefes de família considerados e amorosos. Sua família, de ano em ano, ‘costumava ir a Jerusalém para a festividade da páscoa’. — Luc. 2:41-50.
4. Por que se exigia fé de todos os varões que iam a Jerusalém três vezes por ano?
4 Esta ida a Jerusalém de todos os varões israelitas três vezes ao ano, para assistirem aos congressos, quer sozinhos quer acompanhados da família inteira, era prova de forte fé na proteção de Jeová. Por quê? O relato histórico nas Escrituras Hebraicas mostra que os judeus estavam cercados de inimigos e tinham de lutar constantemente para sua independência. Havia os filisteus, os sírios, os amalequitas, os amorreus, os amonitas e os moabitas, os egípcios, os assírios e os babilônios, todos cobiçando a terra da Palestina. Que oportunidade se apresentava, pelo menos aparentemente, para estes inimigos atacarem a terra, quando todos os homens estavam nas festas em Jerusalém! Apenas algumas mulheres e crianças ficavam em casa. Será que uma nação inteira teria fé que Jeová protegeria o país, as cidades e os lares vazios, segundo a sua promessa de que “ninguém desejará a vossa terra enquanto fordes ver a face de Jeová, vosso Deus, três vezes ao ano”? (Êxo. 34:24) Mas, voltemos nossa atenção de novo para o palco montado em Jerusalém, e observemos os judeus em suas reuniões anuais; isso servirá para nosso encorajamento e edificação.
FESTA DA PÁSCOA
5, 6. Descrevam a festa da Páscoa.
5 Na observância desta Páscoa, em 14 de nisã, quando o garotinho judeu perguntasse ao pai: “O que este ofício lhe significa?” (Êxo. 12:26), então o pai respondia: “Foi em 14 de nisã [de 1513 A. E. C.], quando nossos antepassados moravam já por 215 anos no Egito, a maior parte deste tempo sendo escravos maltratados sob o duro domínio egípcio, que Jeová libertou Seu povo e demonstrou ser mais poderoso do que os deuses dos egípcios. Quatro dias antes, no dia dez do mês, cada chefe de família teve de trazer para casa um sadio cordeiro ou cabrito, de um ano. Depois do pôr do sol de 14 de nisã, foi morto sem se quebrar um osso dele e então foi assado inteirinho. No ínterim, espargiu-se o seu sangue sobre a verga e as duas ombreiras da porta, onde todos os transeuntes podiam vê-lo. Depois disso, não se permitiu que ninguém saísse de casa.
6 “Mais tarde, na noite, a família inteira se reuniu junto à mesa para comer o cordeiro ou cabrito pascoal junto com pães ázimos e ervas amargosas. Comeram depressa, não sentados à mesa, mas em pé, com os lombos cingidos, com sandálias nos pés e um cajado à mão. Estavam prontos para partir naquela mesma noite, conforme Jeová prometera mediante seu profeta Moisés. E Jeová demonstrou ser o verdadeiro Deus. À meia-noite, o anjo de Jeová abateu todo primogênito dos homens e dos animais egípcios, desde o do Faraó até ao do mais humilde deles. Mas, por causa do sangue nas portas de nossos antepassados, o anjo passou por sobre as suas casas. É por isso que a festa é chamada ‘páscoa’, porque o anjo passou por sobre os lares dos israelitas e assim seus primogênitos foram salvos. Esta décima praga obrigou o teimoso Faraó a deixar o povo de Jeová ir embora. Seiscentos mil homens, além das mulheres e crianças, e uma enorme companhia mista, marcharam na manhã seguinte de lá como um povo livre. Que maravilhosa libertação!
7. Que modalidades cerimoniais foram acrescentadas? Por quê?
7 “Este dia sempre deve ser lembrado por Israel. Mesmo antes da libertação, Jeová ordenou a Moisés: ‘E este dia tem de servir qual comemoração para vós, e tendes de celebrá-lo como festa a Jeová por todas as vossas gerações.’ Comer o cordeiro pascoal junto com pães ázimos e ervas amargosas lembra aos israelitas, não só as aflições que passaram quando estavam no Egito e a partida apressada, mas também a milagrosa libertação que tiveram da escravidão cruel sob o poderoso Faraó. Isto tornava a Páscoa uma festa alegre. Para exprimir tal alegria, adicionou-se o vinho, para ser usado durante a festa de libertação, e cantavam-se cânticos, tais como o ‘Hallel egípcio’ durante a primeira parte da celebração, isto é, os Salmos 113 e 114, e na conclusão da festa os Salmos 115 a 118. Assim, conforme vê, meu filho, o sacrifício do cordeiro pascoal, não só salvou o primogênito judeu, mas também trouxe grande libertação ao nosso povo. E a celebração desta festa deve tornar os judeus bem gratos e apreciativos a Jeová, seu grande Deus e Libertador. Deve ser uma festa alegre para o louvor e a honra de Jeová.” — Êxo. 12:14, 27-42.
MELHOR LIVRAMENTO
8. Quem é o verdadeiro Cordeiro Pascoal?
8 A Páscoa não era apenas uma festa alegre que comemorava eventos do passado, mas era também sombra de melhores coisas vindouras, apontando para o verdadeiro e maior Cordeiro Pascoal. O apóstolo Paulo identifica para nós o verdadeiro Cordeiro Pascoal: “Pois, deveras, Cristo, a nossa páscoa, já tem sido sacrificado.” (1 Cor. 5:7) Sim, Cristo Jesus foi oferecido como o perfeito Cordeiro de Deus exatamente em 14 de nisã do ano 33 E. C. Por este sacrifício se lançou a base para um livramento maior do que o livramento do cativeiro no Egito.
9. (a) O que foi representado por se poupar os primogênitos durante a Páscoa no Egito? (b) O que era celebrado depois da festa da Páscoa, e o que representava?
9 Tal livramento é para os “primogênitos” espirituais de Jeová e os irmãos espirituais de Cristo, os 144.000. Jeová os tem liberto do cativeiro ao pecado e à morte e os tornou seus filhos espirituais, com perspectivas de vida imortal no céu. Embora, na Páscoa, os israelitas celebrassem o livramento do primogênito, a festa dos pães ázimos que se seguia, durante sete dias, correspondia ao tempo do livramento de todo o Israel, junto com a multidão mista, no Mar Vermelho. O sacrifício de Cristo por conseguinte, lança a base para que a grande multidão das “outras ovelhas” de Jesus também seja liberta, no Armagedom, deste mundo sob o controle do Faraó maior, Satanás, o Diabo, tendo a oportunidade de vida interminável na terra. — Êxo. 12:37-39, 42; 1 Cor. 5:8; Rev. 7:9; João 10:16.
FESTA DOS PÃES ÁZIMOS
10. O que lembrava aos judeus a festa dos pães ázimos?
10 O dia em seguida à Páscoa marcava o início da festa dos pães ázimos, que durava sete dias, de 15 a 21 de nisã. Durante estes sete dias, os israelitas continuavam a comer pães ázimos; com efeito, nenhum fermento se encontrava em suas casas. Esta lei era estritíssima; qualquer pessoa que fosse apanhada comendo algo com fermento era exterminada do meio do povo, era morta. A remoção de todo fermento e do velho pão levedado indicava que os judeus deixaram atrás as más influências egípcias, quer religiosas, quer políticas, quer morais, e tinham começado a viver como povo purificado e livre, inteiramente devotado a Jeová, seu Deus e Protetor. Por conseguinte, a festa lhes faria lembrar, não só o livramento que tiveram das aflições do Egito e seu êxodo apressado, mas também que deveriam manter-se isentos de todas as práticas pagãs, livres do fermento do mundo de Satanás. Os pães ázimos deveriam inculcar-lhes na mente que deveriam servir a Jeová em sinceridade e em verdade. — Êxo. 12:39; Deu. 16:3.
11. Que oferta era feita em 16 de nisã? Por quê?
11 O dia seguinte do congresso, 16 de nisã, era outro dia destacado. Era o segundo dia da festa dos pães ázimos, o início oficial da colheita. Os judeus não podiam comer os produtos da nova colheita antes deste dia, quando as primícias eram oferecidas a Jeová. Neste dia, o sumo sacerdote tinha de agitar um feixe das primícias da cevada de um lado para o outro diante de Jeová, no santuário. (Lev. 23:10-14) Durante a festa de sete dias, além dos sacrifícios regulares, dois touros, um carneiro e sete cordeiros eram oferecidos de dia em dia quais holocaustos, e um cabrito como oferta pelo pecado, além das muitas ofertas voluntárias feitas por diversas pessoas. A festa atingia o clímax com uma assembléia geral no fim do sétimo dia, 21 de nisã. — Lev. 23:8; Núm. 28:19-24; Êxo. 23:15.
12. O que aprendemos em 2 Crônicas 30:21, 22?
12 Os que compareciam ao congresso pensavam da mesma forma que os judeus que foram a Jerusalém nos dias de Ezequias: “Assim, os filhos de Israel que se encontravam em Jerusalém celebraram a festa dos pães ázimos durante sete dias com grande regozijo; e os levitas e os sacerdotes ofereciam louvor a Jeová de dia em dia com altos instrumentos, sim, a Jeová . . . E passaram a comer [durante] a festa designada por sete dias, sacrificando os sacrifícios de comunhão e fazendo confissão a Jeová, o Deus de seus antepassados.” (2 Crô. 30:21, 22) Era um congresso alegre e edificante, lembrando a toda a nação de seu livramento do Egito, e sua obrigação de se manter limpa e leal no serviço e na adoração de Jeová. A inteira nação era fortalecida, e cada pessoa era espiritualmente edificada.
“GUARDEMOS A FESTIVIDADE”
13. Como é que os cristãos guardam tal festa hoje em dia?
13 Em 1 Coríntios 5:7, 8, o apóstolo Paulo instrui aos cristãos, até mesmo os de nosso século vinte, a que guardem a festa dos pães ázimos, com as seguintes palavras: “Retirai o velho fermento [como faziam os judeus], para que sejais massa nova, conforme estiverdes livres do levedo. Pois, deveras, Cristo, a nossa páscoa, já tem sido sacrificado. Conseqüentemente, guardemos a festividade, não com o velho fermento, nem com o fermento de maldade e iniqüidade, mas com os pães não fermentados da sinceridade e da verdade.” À base do sacrifício de Jesus, os 144.000 israelitas espirituais têm sido libertos do mundo sob Satanás e de sua condenação. Têm sido declarados como sendo “raça escolhida, sacerdócio real, nação santa, povo para propriedade especial” de Jeová. (1 Ped. 2:9) Enquanto estiverem na terra, têm de permanecer nesta santa condição, conforme prefigurado pelos pães ázimos. Têm de manter-se isentos do fermento do velho sistema de coisas, de sua falsa religião e da degeneração moral. Não se permite entre eles qualquer impureza espiritual ou moral. Têm de celebrar uma contínua festa de louvor e alegria, em sinceridade e em verdade, publicando com alegria os propósitos de Jeová em todo o mundo. Os da “grande multidão” das “outras ovelhas” associados atualmente com eles têm de manter esta mesma atitude mental.
14. O que é representado pela agitação do feixe das primícias da cevada por parte do sumo sacerdote?
14 Ao se agitar um feixe das primícias da cevada, prefigurava-se outro ponto importante. De novo é o apóstolo Paulo quem nos fornece o entendimento correto: “No entanto, agora Cristo tem sido levantado dentre os mortos, as primícias dos que adormeceram na morte . . . Cristo, as primícias.” Nenhum fermento ou levedo, representando o pecado, estava ligado à apresentação das primícias da cevada, pois Jesus Cristo era “leal, cândido, imaculado, separado dos pecadores”. Assim como o feixe era agitado em 16 de nisã, Jesus foi ressuscitado como as “primícias” ou o primogênito dentre os mortos, em 16 de nisã de 33 E. C. Visto que Jesus é chamado de “primícias” ou “primogênito dentre os mortos”, tem de haver mais “frutos” que o seguem. Isto foi prefigurado pela festa seguinte. — 1 Cor. 15:20-23; Heb. 7:26; Atos 26:23; Col. 1:18; Rev. 1:5.
FESTA DAS SEMANAS
15. (a) Quando era realizada a festa das semanas? (b) Que oferta especial era feita?
15 Cinqüenta dias depois de 16 de nisã, em 6 de sivã, era realizado o segundo congresso nacional, a festa das semanas, também chamada de Pentecostes, significando o qüinquagésimo dia. Era um congresso de um só dia. Muitos congressistas permaneciam em Jerusalém desde a Páscoa até Pentecostes. O Pentecostes era uma reunião muito alegre; era “a festa da colheita dos primeiros frutos maduros de vossos labores, do que semeais no campo”. (Êxo. 23:16) Na maioria dos distritos a colheita do trigo já havia findado e, agora, no santuário, as primícias eram oferecidas a Jeová. “Das vossas moradas deveis trazer dois pães como oferta agitada. . . . Devem ser cozidos com fermento, como os primeiros frutos maduros a Jeová.” É interessante notar que se usa fermento durante esta festa. Muitos sacrifícios adicionais eram oferecidos e as pessoas faziam ofertas pessoais voluntárias conforme Jeová, seu Deus, as abençoasse. Todas as pessoas deveriam regozijar-se, inclusive os escravos, os estrangeiros, os órfãos e as viúvas. — Lev. 23:17-21; Deu. 16:10-12.
16. O que representam os dois pães? Por que são dois?
16 A mais notável festa das semanas que já foi realizada foi a comemorada depois da ressurreição de Jesus, no ano 33 E. C. O historiador, Dr. Lucas, registrou em pormenor os eventos deste memorável Pentecostes. (Veja-se Atos, capítulo 2.) Foi neste dia que a agitação dos dois pães fermentados começou a se cumprir. Os dois pães representavam simbolicamente o inteiro corpo dos 144.000 membros, gerados pelo espírito, do corpo de Cristo sendo agitados ou apresentados por Cristo Jesus, o grande Sumo Sacerdote, perante Jeová, como sendo santos a ele. Os 120 discípulos que se reuniam num sobrado foram os primeiros membros apresentados e o ajuntamento dos demais tem continuado desde Pentecostes de 33 E. C. até os nossos dias, havendo um restante deles que ainda vive na terra. Os primeiros foram tirados dentre os judeus naturais, conforme prefigurado por um dos pães, e, então, outros começaram a ser tirados de entre as nações gentias, a partir de 36 E. C., quando Pedro pregou a Cornélio, conforme representado pelo segundo “pão”. — Atos 10:1-48.
17. (a) O que foi representado por serem os pães cozidos com fermento? (b) Em que sentido são “primícias” os representados pelos pães de trigo?
17 O fato de que os dois pães eram fermentados representava que todos eles eram, por herança, criaturas pecadoras, precisando do sacrifício de Jesus para se tornarem santas aos olhos de Jeová. Assim como os dois pães eram as primícias da colheita do trigo, assim também estes 144.000 eram os primeiros a serem tirados do meio da humanidade pecadora e declarados justificados e santos diante de Jeová, conforme lemos: “Porque ele o quis, ele nos produziu pela palavra da verdade, para que fôssemos certas primícias das suas criaturas.” “Estes são os . . . comprados dentre a humanidade como primícias para Deus e para o Cordeiro.” São “primícias”, “certas primícias”. Assim como a cevada e não o trigo, era A primícia, assim Jesus Cristo é a primícia dos frutos para Deus. Por sua vez, desde que estes 144.000 são chamados de primícias dentre a humanidade, tem de haver um número maior da humanidade que serão salvos para a vida eterna, não no céu, mas na terra. De forma interessante, isto é prefigurado pelo terceiro e último congresso. — Tia. 1:18; Rev. 14:4.
FESTA DOS TABERNÁCULOS
18. Como é que os judeus celebravam a festa dos tabernáculos?
18 No outono (hemisfério norte), no fim do ano, realizava-se o terceiro e último congresso nacional. Estava marcado para 15 a 21 de etanim ou tisri, havendo uma assembléia final no dia 22. De novo, todos os varões israelitas tinham de comparecer perante Jeová no santuário em Jerusalém, desta vez para celebrarem a festa dos tabernáculos. Durante tal festa, os congressistas tinham de habitar durante sete dias em tabernáculos ou tendas, feitas de “fronde de palmeiras e dos ramos das árvores galhudas”. Os tabernáculos eram erigidos nos telhados e nos quintais das casas, nas ruas e no átrio do templo, e até mesmo no campo aberto, até a uma distância da jornada de um dia de sábado fora do muro da cidade. A festa lembrava aos israelitas de sua vida nômade, quando Jeová os fizera habitar em tabernáculos durante sua peregrinação de quarenta anos pelo deserto, e, em especial, o cuidado que Deus tivera por eles depois de libertá-los do Egito. Poderiam rememorar com alegria e gratidão a benevolência paternal de Jeová para com eles, quando lhes proveu abrigo e nutrição, “que [os] conduziu por aquele grande e terrível deserto de serpentes abrasadoras, de escorpiões, e de secura, em que não havia água; e te fez sair água da pederneira; que no deserto te sustentou com maná, que teus pais não conheceram”. — Lev. 23:40-43; Deu. 8:15, 16, ALA; 16:16; Nee. 8:16.
19. Por que a festa era também chamada de “festa da colheita”?
19 A festa era também chamada de “festa da colheita” porque era comemorada no fim da colheita dos produtos da terra, os campos de cereais, os olivais e as vinhas. Era uma festa da colheita, todo o povo se reunindo para dar graças a Jeová por sua bondade e para mostrar sua apreciação a Ele mediante oferecer muitos sacrifícios. O holocausto especial atingia setenta touros, durante sete dias, além de muitas outras ofertas. — Núm. 29:12-34.
20. Por que era a festa mais alegre do ano?
20 A festa da colheita era realizada apenas cinco dias depois de sua purificação cerimonial do pecado, no dia da expiação. Assim, o povo tinha a sensação de pureza, de comparecer diante de Jeová como o seu povo, e podia, por conseguinte, celebrar esta última festa com grande regozijo e alegria. Era o congresso mais alegre do ano. Cada sete anos, quando não havia nenhuma colheita por causa do ano sabático e, de novo, no qüinquagésimo ano ou Jubileu, o povo se reunia durante esta festa dos tabernáculos para ouvir a leitura da lei. — Deu. 16:16; 31:10-13.
21. Descrevam os acréscimos posteriormente feitos à festa dos tabernáculos.
21 Com o passar do tempo, acrescentaram-se outras modalidades. Os judeus começaram a levar ramos de palmeira como sinal de alegria e vitória. Cada manhã, um sacerdote enchia um vaso de ouro com água do tanque de Siloam e o levava ao templo, onde trombetas eram soadas e eram ditas as palavras de Isaías 12:3: “Com exultação vós certamente tirareis água das fontes da salvação.” Às noites, era costumeiro iluminar o Átrio das Mulheres no templo com grandes lâmpadas de ouro. O inteiro ciclo dos três congressos nacionais era concluído com uma apropriada assembléia geral de toda aquela nação no oitavo dia, com diversas modalidades dos sete dias precedentes. Este era o clímax da alegre celebração, e era uma expressão de louvor e honra a Jeová, seu Deus. Todos então retornavam à sua casa com o coração grato, ficando espiritualmente fortalecidos e encorajados.
“OUTRAS OVELHAS”
22. Que relação há entre João 10:16 e a festa da colheita?
22 Jesus disse: “Tenho outras ovelhas, que não são deste aprisco; a estas também tenho de trazer.” (João 10:16) O ajuntamento destas “outras ovelhas” em nossos dias foi também maravilhosamente representado pela festa da colheita. O restante do Israel espiritual está ocupado, desde 1919, em pregar as boas novas do reino de Deus. Como resultado desta obra de pregação, “uma grande multidão, que nenhum homem podia contar”, tem vindo a juntar-se a ele, “de todas as nações, e tribos, e povos, e línguas”. (Rev. 7:9) Foram ceifados, ajuntados à classe do templo de Jeová, conforme representada pelo restante, a fim de serem protegidos durante a vindoura guerra do Armagedom. Assim como Jeová abençoou a colheita dos judeus nos tempos antigos, assim Ele abençoa atualmente o ajuntamento das “outras ovelhas”.
23. (a) O que prefigurou morarem em tabernáculos? (b) Os setenta touros oferecidos? (c) O levar ramos de palmeira?
23 Morarem os judeus em tabernáculos durante a festa representou que o restante e as “outras ovelhas” consideram esta peregrinação aqui, neste velho sistema de coisas, como sendo apenas uma habitação temporária, visto que aguardam uma habitação permanente, no céu para o restante, e num paraíso, aqui na terra, para as “outras ovelhas”. Os tabernáculos não eram mobiliados com requinte; semelhantemente, hoje em dia, o povo de Jeová, junto com a devoção piedosa, tem ‘auto-suficiência . . . tendo sustento e com que se cobrir’, com o que fica contente. (1 Tim. 6:6-8) Sente-se feliz e cheio de alegria em ter parte nesta obra de colheita maior e em ajudar as pessoas a aceitar agora a Jesus como o resgate. Sabe que apenas o sacrifício de Jesus pode trazer verdadeiro perdão de pecados. Os setenta touros sacrificados durante os sete dias da festa indicam que o sacrifício de Jesus é completo, do ponto de vista humano e celeste, e é para toda a humanidade representada pelas setenta gerações citadas em Gênesis, capítulo dez. Como sinal de alegria, os judeus lá naquele tempo levavam ramos de palmeira, e é interessante observar que em Revelação 7, versículo 9, a grande multidão de pessoas tem palmas nas mãos. Por certo, têm boa razão de expressar sua alegria, ao clamarem em alta voz: “Devemos a salvação ao nosso Deus, que está sentado no trono, e ao Cordeiro.” — V. 10.
24. O que fez Jesus na festa, e, com que significado para nós?
24 Durante a festa dos tabernáculos, o povo recebia instrução na Lei, e Jesus mesmo seguiu este costume, conforme lemos: “Estando a festividade então já pelo meio, Jesus subiu ao templo e começou a ensinar.” O mesmo se dá com o restante hoje; prega e ensina a lei de Deus em toda a terra, apoiada por cerca de um milhão das “outras ovelhas” já ajuntadas. Este ensino aponta para algo mais refrescante do que as águas da fonte de Siloam. É por isso que Jesus disse a seus ouvintes no templo, no último ou sétimo dia da festa: “Se alguém tiver sede, venha a mim e beba. Quem depositar fé em mim, assim como disse a Escritura: ‘Do seu mais íntimo manarão correntes de água viva.’”
25. Que referência talvez Jesus tenha feito à celebração realizada durante as noites desta festa?
25 Este ensino é também mais esclarecedor do que as quatro lâmpadas de ouro que iluminavam o Átrio das Mulheres no templo, nas noites da festa. É a isso que Jesus talvez se tenha referido quando disse, possivelmente no dia posterior a esta festa, em 32 E. C.: “Eu sou a luz do mundo. Quem me segue, de modo algum andará na escuridão, mas possuirá a luz da vida.” A grande festa da colheita está em progresso, milhares de “outras ovelhas” já foram trazidas à organização de Jeová e milhares ainda o serão, para a vindicação de Jeová e para Seu louvor e Sua honra. — João 7:14-16, 37, 38; 8:12.
ASSEMBLÉIAS DOS DIAS ATUAIS
26. Por que as assembléias e os congressos são necessários aos cristãos atualmente?
26 Com grande apreciação, temos observado os judeus celebrarem suas festas. Durante o estudo destas festas, talvez o leitor tenha sentido forte desejo de estar, junto com sua família, entre os congressistas em Jerusalém, a fim de participar com eles no companheirismo, na adoração, na oferta de sacrifícios e nos louvores a Jeová, e ter parte nesta alegria e júbilo. Seu desejo pode ser satisfeito de maneira ampliada atualmente. Assim como Jeová fez provisão para seu povo antigo celebrar festas e assembléias em santo congresso, da mesma forma provê as coisas para seu povo atualmente. Como se deu nos dias dos judeus, a mesma necessidade existe hoje de os cristãos se reunirem em alegres e edificantes congressos. E o registro histórico dos cristãos dos tempos modernos prova que tais congressos são de grande proveito.
27. Que provisões são feitas pela organização de Jeová quanto a assembléias, e como se deve considerá-las?
27 Além de se reunirem localmente em cinco reuniões congregacionais cada semana, as testemunhas de Jeová usualmente se reúnem três vezes por ano em assembléias de circuito e de distrito, e em congressos nacionais ou internacionais. Levam a sério tais reuniões, por comparecerem a elas. Como os antigos israelitas, sentem-se gratos por tal provisão e apreciam o valor educativo e encorajador de tais assembléias. Dão ouvidos ao conselho de Paulo por ‘não deixarem de se ajuntar, . . . mas encorajam uns aos outros e tanto mais quanto vêem chegar o dia’. — Heb. 10:25.
28. Como é que os servos atuais de Jeová não aparecem de “mãos vazias” em suas reuniões semanais?
28 Assim como os israelitas, quando compareciam às festas de estações de Jeová, não deveriam aparecer de mãos vazias, assim as testemunhas de Jeová hoje se regozijam de contribuir algo para as assembléias a que comparecem, quer sejam reuniões semanais ou grandes congressos. Sentem-se alegres e sua alegria tem sua maneira de se expressar. Manifestam-na por se prepararem bem para quaisquer partes que talvez tenham no programa. Preparam-se de antemão para comentar nas reuniões de estudos bíblicos. Não permitem que suas dificuldades pessoais façam que apareçam nas reuniões com aparência triste ou pesarosas, mas comparecem com semblantes felizes, alegres de verem seus irmãos e de se associarem com eles em amabilidade e bondade, acolhendo os estranhos nas reuniões. Desta forma, seguem o conselho de Paulo de encorajarem-se mutuamente de modo bem prático.
29. Como se aplica este mesmo princípio em grandes assembléias?
29 Nas grandes assembléias, sentem-se felizes de oferecer seus serviços nos vários departamentos do congresso, quer seja para servir como um “indicador”, quer na equipe de limpeza, quer seja no programa quer em qualquer outro lugar onde possam usar seus talentos e suas habilidades como contribuição para o serviço de Jeová. Alguns oferecem seus lares para os congressistas. Outros oferecem seu equipamento. Alguns contribuem de seus fundos particulares para cobrir as despesas do congresso. Assim movidos pelo espírito de Jeová, os congressos são alegre êxito e um louvor para o Seu nome, e as pessoas de fora olham para tais congressos como modelo e, destarte, sentem-se impelidas a ter maior respeito a Jeová, à sua Palavra e à Sua organização.
30. Como é que as testemunhas de Jeová consideram as assembléias, e que efeito têm tido?
30 E, assim como os israelitas da antiguidade reservavam de antemão os produtos de seus campos e rebanhos para suas festas de estações, assim, atualmente, as testemunhas de Jeová preparam-se de antemão por marcar suas férias e por economizar seu dinheiro de modo a que suas famílias inteiras possam ir às assembléias. Isto tem resultado num grande testemunho para o nome de Jeová e encorajamento mútuo, como aconteceu durante as recentes assembléias realizadas na América Latina, às quais centenas de co-Testemunhas dos Estados Unidos, do Canadá e de outros países puderam comparecer, formando um mais forte vínculo de união entre seus irmãos cristãos e aumentando seu entendimento e seu amor mútuo. — Deu. 14:22-27.
-