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Rachaduras no edifícioDespertai! — 1987 | 22 de dezembro
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Conferência Nacional (Americana) de Bispos Católicos, avisou contra “crescente e perigosa falta de afeto entre elementos da Igreja nos Estados Unidos e a Santa Sé”. Ele mencionou os termos “dissensão”, “divisão” e “crescente alheamento”.
Por outro lado, os católicos tradicionalistas acham-se em rebelião aberta contra o Papa por julgarem que ele não é bastante estrito. A principal figura desta revolta é um arcebispo católico francês. Ele criou um movimento que dividiu ainda mais a Igreja Católica Romana, como explicará o artigo que segue.
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O arcebispo rebeldeDespertai! — 1987 | 22 de dezembro
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O arcebispo rebelde
O JORNALISTA francês enfiou-se num táxi em Roma e pediu ao motorista que o levasse ao Palácio Rospiglioso-Pallavicini. O taxista olhou para ele de modo concordante e disse: “Si”, ele o levaria a “il vescovo ribelle!” (ao bispo rebelde).
Já por vários dias, todas as pessoas importantes em Roma estavam excitadas. Para grande indignação das autoridades do Vaticano, a Princesa Elvina Pallavicini, que pertence a uma das principais famílias aristocratas de Roma, tinha concordado em ajudar Marcel Lefèbvre, o dissidente arcebispo católico francês, a expressar seus conceitos em Roma, até mesmo mandando centenas de convites para uma semiprivada entrevista coletiva de imprensa. Ela havia colocado à disposição de Lefèbvre o palácio da família, que tinha sido o lar dum Papa e de vários cardeais entre seus ancestrais. Para agravar ainda mais as coisas, ela permitiria que ele realizasse sua entrevista na sala do trono, sob o enorme dossel do Papa Clemente IX.
Apesar da grande pressão que os dignitários do Vaticano exerceram sobre ela, a princesa manteve sua decisão. A imprensa romana noticiou amplamente esta entrevista, considerada uma “provocação” feita bem “nos umbrais do Vaticano”. O taxista estava obviamente em dia com as notícias locais!
A Igreja “Não É Mais Católica”
A Princesa Pallavicini justificou sua decisão, declarando que a Igreja Católica acha-se dividida e que tais “graves problemas não podem ser solucionados pelo ambíguo silêncio, mas apenas por corajosa lucidez”. Ao oferecer ao Arcebispo Lefèbvre a oportunidade de expressar seus conceitos, ela esperava “promover a paz e a serenidade no mundo católico”. O prelado agradeceu à sua anfitriã e abençoou a ela e à família dela, congratulando-as por terem “conservado a fé tradicional”.
Cerca de mil pessoas compareceram à entrevista, notadamente católicos tradicionalistas que representavam vários países, inclusive muitos representantes da imprensa escrita e da TV. O arcebispo expressou profunda discordância com as diretrizes da Igreja oficial desde o Concílio Vaticano II (1962-65). O diário francês Le Monde comentou: “Por quase duas horas [o Arcebispo Lefèbvre] externou suas queixas contra a nova Igreja ‘que não é mais católica’. Ele não poupou nada: o catecismo, os seminários, a Missa, o ecumenismo, para não se mencionar a ‘coletivização dos sacramentos’ e os ‘cardeais de orientação comunista’.”
O Arcebispo Lefèbvre concluiu: “A situação é trágica. A Igreja está-se movimentando numa direção que não é católica e que está destruindo a nossa religião. Devo obedecer ou permanecer católico, um católico-romano, um católico por toda a vida? Fiz a minha escolha perante Deus. Não quero morrer protestante.”
O Cardeal Poletti, o vigário de Paulo VI na diocese de Roma, declarou que, por organizar tal entrevista em Roma, “O Monsenhor Lefèbvre ofendeu a fé, a Igreja Católica, e o Senhor divino dela, Jesus, [e] ofendeu pessoalmente o Papa, abusando da paciência dele e tentando causar dificuldades dentro da sua sé apostólica.”
Como Começou a Rebelião
Essa entrevista foi realizada em 6 de junho de 1977. Mas, já em 1965, antes de terminar o Concílio Vaticano II, falava-se em “cisma” na Igreja Católica. Muitos católicos conservadores achavam que o Vaticano II estava fazendo reformas que traíam o catolicismo tradicional.
O arcebispo Lefèbvre, ex-arcebispo de Dacar, no Senegal, e bispo de Tulle, na região centro-sul da França, tinha tomado parte no Concílio Vaticano II. Em 1962, foi eleito superior-geral dos “Padres do Espírito Santo” na França. Mas, crescente discordância com as diretrizes do Vaticano II, aplicadas no âmbito da Igreja Católica, causaram seu pedido de demissão desse posto, em 1968.
Em 1969, um bispo católico suíço autorizou o arcebispo dissidente a abrir um seminário tradicionalista na diocese de Friburgo, Suíça. No ano seguinte, o Arcebispo Lefèbvre fundou o que ele chamou de “Fraternidade Sacerdotal São Pio X”, e abriu um seminário em Ecône, no cantão suíço de Valais. Ele fez isto com a aprovação do bispo católico de Sion.
Para começar, este seminário era apenas marginalmente dissidente. Os seminaristas, naturalmente, usavam batinas pretas e recebiam uma formação solidamente tradicionalista. Celebrava-se a Missa em latim, ao passo que o Papa Paulo VI tinha decretado que a Missa revisada deveria ser
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