Anuário das Testemunhas de Jeová
Jamaica e as ilhas Caimã (continuação)
Seriado com base no Yearbook de 1985.
Novo Superintendente da Filial
Em 1939, a Sociedade enviou Thomas E. Banks de volta a Jamaica para assumir a supervisão da filial. Disse o irmão Banks: “Naqueles anos não havia tanto serviço no escritório da filial da Sociedade quanto há hoje. Assim, meu trabalho consistia principalmente em viajar por toda a ilha com um carro-sonante que transmitia discursos bíblicos gravados, e também proferir discursos bíblicos às noitinhas.”
O irmão Banks fez muito para incentivar os irmãos e para promover os interesses do Reino na Jamaica. Ele desempenhou suas funções como superintendente de filial até 1946, quando, aos 75 anos, sua saúde e força debilitadas tornavam imperativo que alguém mais jovem e mais forte assumisse as responsabilidades de supervisão da filial. Declarou o irmão Banks: “Foi-me concedida a escolha de regressar aos Estados Unidos para morar com meus filhos ou de continuar a morar na sede da Sociedade na Jamaica, onde poderia fazer qualquer trabalho que minha saúde permitisse. Visto que Jamaica era a minha designação, escolhi permanecer ali.”
Ao atingir os 93 anos, o irmão Banks comentou: “Aproveito toda oportunidade para falar sobre os propósitos de Jeová e as verdades de sua Palavra com os que me visitam e por meio de cartas. Sinto-me muito feliz de poder completar meus dias na terra em minha designação no estrangeiro e ainda no serviço de tempo integral. Devotar meu tempo integral ao serviço de Jeová tem sido a alegria de minha vida, e contemplo prosseguir nisso eternamente em associação com Jesus Cristo e seus ‘santos na luz’.” (Colossenses 1:12) Apegou-se fielmente à sua designação até 1967, quando findou sua carreira terrestre com 96 anos.
Organiza-se o Serviço de Zona (Regional)
O serviço de zona foi organizado em 1939. A ilha foi dividida em quatro zonas. Irmãos foram designados quais servos de zona (regionais) e receberam instruções para passar uma semana com cada congregação para fortalecê-la e ajudá-la em sua atividade de testemunho no campo. O irmão Charles Laurent foi enviado para a zona leste, o irmão Conrad Anderson para a oeste, o irmão Headley Graham para a norte e o irmão Edgar Carter para a sul.
O irmão Carter costumava lembrar-se dos dias em que era jovem e zeloso pioneiro, tendo uma energia quase inesgotável. Fez excelente trabalho de organizar congregações nos distritos de Clarendon, Saint Catherine e Manchester. Seu meio de transporte para o serviço de zona era uma bicicleta com uma cesta para seus pertences. A distância e os morros não lhe eram obstáculos. Mais tarde, quando cessou o serviço de zona, ele percorreu de ponta a ponta a ilha na sua bicicleta, servindo as congregações como servo aos irmãos (superintendente de circuito). Em 1945, tornou-se o primeiro jamaicano a receber instrução na Escola Bíblica de Gileade da Torre de Vigia. Continuou a servir as congregações jamaicanas após sua formatura em janeiro de 1946, mas logo ficou muito doente e teve de deixar o serviço de tempo integral. Embora debilitado, permaneceu ativo no serviço de Jeová até seu falecimento em agosto de 1983.
Dificuldades ao Eclodir a Segunda Guerra Mundial
Com a eclosão da Segunda Guerra Mundial em 1939, a questão na mente das Testemunhas era: ‘Que significará isso para a obra de pregação na Jamaica? Haverá conscrição dessa vez?’ As respostas logo chegariam, à medida que cada vez mais nações se enredavam na guerra total.
Os irmãos jamais pararam com o testemunho, mas prosseguiram sem cessar, declarando o Reino como a esperança da humanidade. Não havia serviço militar obrigatório. Jamaica era ainda colônia britânica e não se exigiu que se mobilizasse, de modo que não houve prova alguma na questão da neutralidade cristã. Mas sobrevieram outras provas aos leais. Logo depois do irrompimento da guerra, o governador colonial proscreveu quatro publicações da Watch Tower sob a Lei de Publicações Indesejáveis. Os livros Inimigos, Luz (volumes 1 e 2), e o folheto Estudo Modelo N.º 2, todos em inglês, foram proscritos.
Alguns irmãos acharam que seria uma boa idéia fazer os livros proscritos chegar imediatamente às mãos das pessoas, cuja curiosidade quanto ao seu conteúdo fora agora grandemente aguçada. Por exemplo, o irmão Conrad Anderson encaixotou seus livros e subscreveu na caixa: “Para a Delegacia de Polícia de Montego Bay.” A cada um que indagava sobre o motivo da proscrição dos livros era oferecido um exemplar. Por fim a caixa toda foi colocada, de modo que não sobrou nada para a polícia confiscar.
Impõe-se a Proscrição Total
No ano de 1941, a proscrição parcial tornou-se total. Todas as publicações da Watch Tower Society ou da International Bible Students Association foram proibidas de entrar no país. Isto foi anunciado no jornal oficial do governo, a Jamaica Gazette, de 19 de outubro de 1941. No entanto, a organização não foi declarada ilegal, e ainda havia liberdade de reunião.
Será que os irmãos pararam de pregar porque não havia publicações para oferecer às pessoas? De modo algum! Munidos apenas da Bíblia, continuaram sua pregação de casa em casa.
Sem Escassez de Alimento Espiritual
Sofreram as Testemunhas escassez de alimento espiritual por causa da proscrição? Longe disso! As publicações, incluindo cada número de A Sentinela, em inglês, chegavam à ilha de formas miraculosas. Elas eram reproduzidas pela filial e enviadas às congregações de modo que não se perdeu sequer um Estudo da Sentinela. As revistas Sentinela, contendo na capa apenas os temas, eram recebidas pelo correio sem qualquer problema. Também se recebiam outras publicações, tais como Curso do Ministério Teocrático, em inglês, e a Escola do Ministério Teocrático foi instituída nas congregações em plena proscrição.
A seguinte experiência ilustra como às vezes as publicações eram introduzidas no país: Os funcionários aduaneiros confiscavam as publicações trazidas por trabalhadores contratados que regressavam dos Estados Unidos. Eles atiravam as publicações no chão do cais do porto onde os trabalhadores desembarcavam. Certo irmão que trabalhava no porto juntava às escondidas algumas publicações depois que os funcionários aduaneiros partiam e antes de as publicações confiscadas serem apanhadas do chão para destruição. Sim, Jeová usou de muitos recursos para manter seu povo espiritualmente nutrido!
Esforços Para Remover a Proscrição
Fizeram-se esforços para remover a proscrição, mas sem êxito. Um requerimento, datado de 23 de outubro de 1941, foi indeferido, bem como um pedido para que o então governador recebesse uma delegação de irmãos locais para considerar o assunto. Não obstante, os irmãos não ficaram desanimados mas prosseguiram vigorosamente com a pregação do Reino, de modo que, no fim da guerra, os publicadores haviam aumentado de 543, em 1939, para 884, em 1945. Organizaram-se também assembléias, tais como as “Assembléias Chamada à Ação”, em 1943. A campanha de reuniões públicas teve início aqui simultaneamente com a dos Estados Unidos, apesar do número limitado de oradores públicos.
Removida a Proscrição
Em 23 de junho de 1943, uma carta da filial trouxe à atenção do governo o fato de que as restrições à obra das Testemunhas de Jeová foram removidas na Inglaterra e em muitos países da Comunidade Britânica. Contudo, foi só no começo de 1946 que o governo finalmente notificou a filial que a proscrição jamaicana às publicações tinha sido anulada e que de novo era permitida a importação. A reação das Testemunhas foi de entusiasmo. Conforme relatou o Anuário das Testemunhas de Jeová de 1947 (em inglês): “Os poucos livros que o governo confiscara foram liberados para distribuição, e, em apenas um mês, mais ou menos, praticamente todos eles foram colocados com as pessoas famintas da verdade.” Muitos estavam especialmente ansiosos de obter o livro Inimigos, que se tornara famoso como o primeiro dos livros da Sociedade a ser proscrito na Jamaica.
Começa a Expansão do Após-guerra
Em novembro de 1945, William Johnson foi designado para Jamaica como o primeiro missionário formado em Gileade. Ele sugeriu algumas pequenas mudanças na única congregação em Kingston. Por exemplo, os irmãos e irmãs ficavam de pé sempre que comentavam nas reuniões, e, na Reunião de Serviço, o servo de congregação sempre agia como presidente e sentava-se no palco durante toda a reunião. O irmão Johnson indicou que tais coisas não eram necessárias, e os irmãos acolheram de bom grado as sugestões.
O ano de 1946 poderia ser classificado de divisor de águas da obra de pregação do Reino na Jamaica. Aquele ano assinalou o começo dos planos que resultaram na expansão mais segura e rápida no número de proclamadores do Reino que já houve na história da obra nesta ilha. Lançou-se a base para isso na visita dos irmãos N. H. Knorr e F. W. Franz.
Pouco antes da visita dos irmãos Knorr e Franz, chegaram mais dois missionários de Gileade — Lee Dillon e Aleck Bangle. Eles começaram imediatamente seu trabalho missionário na capital, Kingston, encontrando boa acolhida das pessoas.
Expansão em Kingston
Pouco depois de sua chegada, o irmão Knorr reuniu-se com a congregação de Kingston, que na ocasião tinha mais de cem publicadores, e esboçou planos para a expansão da obra em Kingston. Propôs que a congregação de Kingston fosse dividida em três e que o segundo pavimento do prédio da filial, usado como Salão do Reino, fosse transformado em lar missionário. Os irmãos aquiesceram prazerosamente. Logo foram organizadas três e foram chamadas de Leste, Oeste e Central, segundo sua localização na cidade.
Durante sua visita, o irmão Knorr frisou a necessidade de fortalecer imediatamente a obra do Reino, e externou seu desejo de introduzir o serviço de pioneiro especial na ilha.
Crescimento Rápido
A congregação Leste, tendo como servo de congregação o missionário Aleck Bangle, aumentou de 26 publicadores, em abril de 1946, para 67, em agosto do mesmo ano. Presenciou-se aumento similar nas outras duas congregações. Em resultado, o número de publicadores em Kingston aumentou para 265, em seis meses, e o número de publicadores em toda a ilha atingiu mil pela primeira vez, 35 deles servindo quais pioneiros.
Logo, todas as três congregações adquiriram terrenos e construíram seus Salões do Reino próprios. A expansão prosseguiu no decorrer dos anos — rápida a princípio e constante nas décadas de 60 e 70. Atualmente, Kingston e seus arredores têm 12 Salões do Reino, 22 congregações, e um total de 2.156 publicadores.
O Papel dos Missionários de Gileade
Não é demais acentuar o papel desempenhado pelos missionários de Gileade na expansão da obra do Reino. De 1946 a 1962 foram designados à Jamaica 29 missionários. Durante esse período, o número de publicadores do Reino aumentou de 899 para 4.465. E o número de congregações em Kingston, onde estava designada a maioria dos missionários, aumentou de uma para 14 naquele período de 16 anos. Hoje há só um do grupo original ainda no serviço missionário aqui — Aleck Bangle, que completou 38 anos de serviço fiel na Jamaica e serve agora como coordenador da Comissão de Filial. A necessidade do serviço missionário diminuiu grandemente porque o país está bem servido pelos 153 pioneiros regulares e especiais. Mas, a base foi lançada pelos missionários, alguns dos quais foram redesignados a outros países, onde há mais necessidade.
Os missionários puderam penetrar nos territórios onde morava a classe mais rica e onde os publicadores locais raramente eram ouvidos. Desse modo foi dado um bom testemunho a esta classe anteriormente inalcançável.
Ex-Primeiro-Ministro Britânico Ouve a Mensagem do Reino
Um bom número de pessoas ilustres ouviu a mensagem do Reino da parte do falecido Theodore Nunes, um alfaiate dono de seu próprio negócio e que fornecia os tecidos, e que tinha em sua clientela muitos dos da classe alta. Ele era bastante zeloso e cuidava de que todos os seus fregueses recebessem a mensagem do Reino ao provarem suas roupas. Foram colocadas muitas publicações desse modo.
No diário local, The Gleaner, (O Compilador), de 5 de junho de 1980, apareceu um item sobre o zelo do irmão Nunes em pregar. Falava de ele ser chamado pelo então governador colonial da Jamaica, sir Edward Denham, para ajustar uma roupa para David Lloyd George, ex-primeiro-ministro da Inglaterra (1916-22), que visitava a ilha. O irmão Nunes aproveitou a oportunidade para dizer-lhe que o Reino de Deus era a única esperança para a humanidade aflita. Lloyd George concordou com o irmão Nunes e acrescentou que o mundo “jamais recuperará a estabilidade outra vez”. Nisso o ex-primeiro-ministro foi indagado quanto a por que ele não dizia então ao povo da Inglaterra que o Reino de Deus é a única esperança do homem. Lloyd George respondeu que o povo “não quer ouvir isso”! Sem dúvida, dá-se exatamente conforme predito — que as pessoas ‘desviariam seus ouvidos’ de ouvir a verdade de Deus, preferindo em vez disso “histórias falsas”. — 2 Timóteo 4:4.
O Clero Reage à Atividade Aumentada
Conforme esperado, o clero reagiu à esta maior penetração do seu pasto seleto. Achou-se um pretexto para oposição em 1952, quando foram submetidas à Câmara de Vereadores local, em Kingston, as plantas para a construção dum Salão do Reino num terreno próximo da bicentenária Igreja Paroquial Saint Andrew — respeitável prédio da Igreja Anglicana que tinha no seu rol de membros muitos da elite do país.
O clero argumentou que as reuniões das Testemunhas de Jeová eram barulhentas e interromperiam seus ofícios religiosos, e que haveria congestionamentos de trânsito na área. Quando o assunto chegou ao Comitê de Edificações da Câmara, esses “motivos” foram refutados com bom êxito pelo advogado da Sociedade, Enos Finlason, que também era Testemunha de Jeová. Assim, o Comitê de Edificações deferiu a petição e rejeitou as objeções levantadas pelo procurador do corpo de leigos da Igreja Anglicana. A questão atraiu ampla e contínua publicidade na imprensa local, desde a ocasião em que a objeção foi apresentada até o deferimento da petição.
Determinados a não serem derrotados, o clero e o comitê da igreja procuraram frustar a decisão. Interpuseram um recurso perante o plenário da Câmara de Vereadores — após as plantas terem sido assinadas pelos signatários costumeiros e entregues aos requerentes, e a construção do prédio já estar em andamento.
[Continua no próximo número.]