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Um rei que esqueceu a gratidãoA Sentinela — 1980 | 15 de junho
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Um rei que esqueceu a gratidão
JEOÁS era menino indefeso quando sua avó Atalia, se apoderou do trono do reino de Judá. Ela não tinha nenhuma afeição por ele. Essa mulher ambiciosa queria matar todos os seus netos, visto que se lhe interpunham no caminho para ela dominar como rainha. Se não fosse a ação rápida de Jeosabeate, esposa do sumo sacerdote Jeoiada, Jeoás teria sido assassinado junto com os demais varões reais.
Jeosabeate furtou o menino dentre os rapazes que haviam de ser executados. Durante seis anos, ela e seu marido mantiveram Jeoás escondido nos recintos do templo. Durante todo este tempo, Atalia governava qual rainha. Daí, no sétimo ano, Jeoiada ungiu este herdeiro legítimo do trono como Rei e provocou a execução da usurpadora Atalia. Jeoás certamente tinha motivo para ser profundamente grato à sua tia e ao seu tio. Eles haviam participado em mantê-lo vivo e em preparar o caminho para ele assumir a realeza. — 2 Crô. 22:10-12; 23:11-15.
GOVERNOU BEM SOB A ORIENTAÇÃO DE JEOIADA
Sob a orientação de Jeoiada, o jovem Rei prosperou. Um dos projetos notáveis empreendidos no seu reinado foi a restauração do templo de Jeová. Até então, a construção já tinha mais de 150 anos e havia sofrido sério descaso durante o governo do marido de Atalia, Jeorão, e do filho dela, Acazias, bem como durante o próprio reinado dela. Sua iniqüidade, pelo visto, havia influenciado seus filhos a tal ponto, que haviam invadido o templo, sem dúvida para saqueá-lo. — 2 Crô. 24:7.
Em vista do estado em que o templo ficara, precisava-se de muito dinheiro para cuidar dos consertos. No começo, os esforços para angariar fundos não tiveram êxito. Os levitas incumbidos da responsabilidade não agiram de todo o coração. Todavia, quando se fez uma mudança no arranjo para angariar e administrar os fundos, o povo cooperou e a obra prosperou. — 2 Reis 12:4-6; 2 Crô. 24:5, 6, 8-14.
PASSOU A SER INGRATO
Após a morte de Jeoiada, Jeoás não continuou como servo fiel de Jeová Deus. Deixou-se cair sob a influência de príncipes idólatras. Em resultado disso, a adoração de Baal, que havia sido exterminada sob a orientação de Jeoiada, foi reavivada. Jeová continuou a enviar profetas para fazer o povo cair em si, exortando-o a se arrepender. Mas, nem o rei, nem os príncipes prestavam atenção a isso. — 2 Crô. 24:17-19.
Zacarias, filho de Jeoiada, foi divinamente inspirado a proclamar: “Assim disse o verdadeiro Deus: ‘Por que infringis os mandamentos de Jeová, de modo que não vos podeis mostrar bem sucedidos? Visto que abandonastes a Jeová, ele, por sua vez, também vos abandonará.’” — 2 Crô. 24:20.
Reagiu Jeoás com apreço diante da palavra de Jeová por intermédio de seu primo? Ao contrário, ele nem mesmo tomou em consideração a bondade que tivera com ele o pai de seu primo, Jeoiada. Jeoás deu a ordem para que Zacarias fosse apedrejado no pátio do templo até morrer. Prestes a morrer, Zacarias clamou: “Que Jeová o veja e o exija de volta.” — 2 Crô. 24:21, 22.
Séculos mais tarde, Jesus Cristo, evidentemente, referiu-se a este incidente, dizendo: “A sabedoria de Deus também disse: ‘Eu lhes enviarei profetas e apóstolos, e eles matarão e perseguirão a alguns deles, para que o sangue de todos os profetas, derramado desde a fundação do mundo, seja exigido desta geração, desde o sangue de Abel até o sangue de Zacarias, que foi morto entre o altar e a casa.’” — Luc. 11:49-51.
A retribuição sobreveio a Jeoás assim como sobreveio mais tarde à geração infiel dos judeus do primeiro século E. C. Jeová Deus retirou a sua bênção e proteção deste desapreciativo rei. Uma pequena força militar síria, sob o comando de Hazael, invadiu Judá com bom êxito, obrigando Jeoás a entregar-lhe os tesouros do santuário. Quando o exército sírio se retirou, o Rei era um homem doente e alquebrado. Por fim, dois de seus servos o assassinaram. — 2 Reis 12:17-21; 2 Crô. 24:23-27.
Quão diferente teria sido a vida para Jeoás, se ele tivesse continuado como servo apreciativo de Jeová e sentido o favor e a proteção de Deus! A vida também pode ser diferente para nós, desde que mantenhamos o apreço pelos justos requisitos de Deus. O espírito de ingratidão só pode trazer ruína, como aconteceu no caso de Jeoás. Portanto, esforcemo-nos a manter vivo apreço pela orientação divina.
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Será que Moisés faltou à palavra?A Sentinela — 1980 | 15 de junho
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Será que Moisés faltou à palavra?
AO FINAL da nona praga — três dias de total escuridão — Faraó ameaçou Moisés: “Guarda-te! Não tentes ver novamente a minha face, porque no dia em que vires a minha face morrerás.” (Êxo. 10:28) Segundo Êxodo 10:29 Moisés respondeu: “É assim que falaste. Não tentarei mais ver a tua face.”
Porém, no capítulo seguinte de Êxodo 11, versículos 4 a 8, lemos que Moisés anunciou a 10.ª praga a Faraó. Faltou Moisés à palavra? Não, este não parece ser o caso. Evidentemente, Êxodo 11:1-3 deve ser entendido como sendo parentético. Portanto, depois de Moisés dizer: “Não tentarei mais ver a tua face”, ele não parou de falar, mas secundou esta declaração com o anúncio da 10.ª praga. Então, o relato diz que Moisés “saiu de diante de Faraó em ira acesa”. — Êxo. 11:8.
Apenas com o conhecimento de que a 10.ª praga era a última é que Moisés poderia ter falado com Faraó que não tentaria mais ver a face dele. De outra maneira, teria sido presunção dele concordar com algo que talvez não estivesse em harmonia com a vontade de Jeová. As palavras de Êxodo 11:1-3 revelam que Moisés estava cônscio de que a 10.ª praga seria a derradeira, e estas palavras também supriram informação quanto a que os israelitas deviam fazer depois de esta praga sobrevir aos egípcios. — Compare Êxodo 11:2, 3 com Êxodo 12:35, 36.
À medida que as coisas se desenrolaram, Faraó foi forçado a mandar chamar Moisés e Arão. Humilhado pela 10.ª praga, Faraó disse-lhes: “Levantai-vos, saí do meio do meu povo, tanto vós como os demais filhos de Israel, e ide, servi a Jeová, assim como declarastes. Tomai tanto os vossos rebanhos como as vossas manadas, assim como declarastes, e ide. Também, além disso, tereis de abençoar-me.” (Êxo. 12:31, 32) Que diferença! O Faraó que ameaçou Moisés de morte agora implorava uma bênção. Não queria que Moisés e os outros israelitas deixassem o Egito amaldiçoando-o e desejando que posteriores calamidades ainda lhe sobreviessem.
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