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6A Jesus — semelhante a Deus; divinoTradução do Novo Mundo das Escrituras Sagradas com Referências
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6A Jesus — semelhante a Deus; divino
Jo 1:1 — “e a Palavra era [um] deus (semelhante a Deus; divino)”
Gr.: καὶ θεὸς ἦν ‛ο λόγος (kai the·ós en ho ló·gos)
1808
“e a palavra era um deus”
The New Testament, in An Improved Version, Upon the Basis of Archbishop Newcome’s New Translation: With a Corrected Text, Londres.
1864
“e um deus era a Palavra”
The Emphatic Diaglott (J21, versão interlinear), de Benjamin Wilson, Nova Iorque e Londres.
1879
“e a Palavra era um deus”
aLa Sainte Bible, Segond-Oltramare, Genebra e Paris.
1928
“e a Palavra era um ser divino”
bLa Bible du Centenaire, Société Biblique de Paris.
1935
“e a Palavra era divina”
The Bible—An American Translation, de J. M. P. Smith e E. J. Goodspeed, Chicago.
1950
“e a Palavra era um deus”
Tradução do Novo Mundo das Escrituras Gregas Cristãs, Brooklyn, Nova Iorque, em inglês.
1975
“e um deus (ou: da espécie divina) era a Palavra”
cDas Evangelium nach Johannes, de Siegfried Schulz, Göttingen, Alemanha.
1978
“e da sorte semelhante a Deus era o Logos”
dDas Evangelium nach Johannes, de Johannes Schneider, Berlim.
1979
“e um deus era o Logos”
eDas Evangelium nach Johannes, de Jürgen Becker, Würzburg, Alemanha.
Essas traduções usam palavras tais como “um deus”, “divino” ou “semelhante a Deus” porque a palavra grega θεός (the·ós) é um substantivo predicativo no singular, ocorrendo antes do verbo e sem ser precedido pelo artigo definido. Trata-se dum the·ós anartro (substantivo sem artigo). O Deus com quem a Palavra ou o Logos estava originalmente é designado aqui pela expressão grega ‛ο θεός, isto é, the·ós precedido pelo artigo definido ho. Trata-se dum the·ós articular. A construção articular do substantivo indica uma identidade, uma personalidade, ao passo que um substantivo predicativo anartro no singular, precedendo ao verbo, indica o atributo ou o predicado de alguém. Portanto, a declaração de João, de que a Palavra ou o Logos era “[um] deus”, “divino” ou “semelhante a Deus” não significa que era o Deus com quem estava. Apenas expressa certo atributo da Palavra ou do Logos, mas não o identifica como o próprio Deus.
No texto grego há muitos casos de um substantivo predicativo anartro no singular precedendo ao verbo, tais como em Mr 6:49; 11:32; Jo 4:19; 6:70; 8:44; 9:17; 10:1, 13, 33; 12:6. Nestes lugares, há tradutores que costumam inserir o artigo indefinido “um” ou “uma” antes do substantivo predicativo, para salientar o atributo ou a característica do sujeito. Visto que se insere o artigo indefinido antes do substantivo predicativo em tais textos, insere-se com igual justificativa o artigo indefinido “um” perante o θεός anartro no predicativo de João 1:1 para fazer o texto rezar “[um] deus”. As Escrituras Sagradas confirmam a exatidão de tal tradução.
Philip B. Harner, no seu artigo “Substantivos Predicativos Anartros Qualificativos: Marcos 15:39 e João 1:1”, publicado no Journal of Biblical Literature, Vol. 92, Filadélfia, EUA, 1973, na p. 85, disse que cláusulas tais como a de Jo 1:1, “com um predicativo anartro precedendo ao verbo, têm primariamente sentido qualificativo. Indicam que o logos tem a natureza de theos. Não há nenhuma base para se considerar o predicativo theos como determinativo.” Harner concluiu na p. 87 de seu artigo: “Em João 1:1, acho que a força qualificativa do predicativo se destaca tanto, que o substantivo não pode ser considerado como determinativo.”
Segue-se uma lista dos casos nos evangelhos de Marcos e João em que diversos tradutores verteram substantivos predicativos anartros no singular, que ocorrem antes dum verbo, com o artigo indefinido para indicar a condição indefinida ou genérica e qualificativa dos substantivos:
Texto bíblico
Tradução do Novo Mundo
Versão Rei Jaime (ingl.)
A Bíblia de Jerusalém
Nova Versão Internacional (ingl.)
Versão Normal Revisada (ingl.)
Versão no Inglês de Hoje
uma aparição
um espírito
um fantasma
um fantasma
um fantasma
um fantasma
um profeta
um profeta
um profeta
um profeta
um verdadeiro profeta
um profeta
um profeta
um profeta
um profeta
um profeta
um profeta
um profeta
um caluniador
um diabo
um demônio
um diabo
um diabo
um diabo
um homicida
um assassino
um assassino
um assassino
um assassino
um assassino
um mentiroso
um mentiroso
um mentiroso
um mentiroso
um mentiroso
um mentiroso
um profeta
um profeta
um profeta
um profeta
um profeta
um profeta
um ladrão
um ladrão
um ladrão
um ladrão
um ladrão
um ladrão
um empregado
um mercenário
um assalariado
um mercenário
um mercenário
um empregado
um homem
um homem
um mero homem
um mero homem
um homem
um homem
um ladrão
um ladrão
um ladrão
um ladrão
um ladrão
um ladrão
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6B ‘Três que dão testemunho’Tradução do Novo Mundo das Escrituras Sagradas com Referências
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6B ‘Três que dão testemunho’
“Porque são três os que dão testemunho: o espírito, e a água, e o sangue, e os três estão de acordo.”
— 1Jo 5:7, 8.Esta versão está de acordo com os textos gregos de C. Tischendorf (oitava ed., 1872); Westcott e Hort (1881); Augustinus Merk (nona ed., 1964); José Maria Bover (quinta ed., 1968); UBS; Nestle-Aland.
Depois de “os que dão testemunho”, os mss. cursivos N.º 61 (séc. 16) e N.º 629 (em latim e em grego, séc. 14 a 15), bem como Vgc acrescentam as palavras: “no céu, o Pai, a Palavra e o espírito santo; e estes três são um. (8) E são três os que dão testemunho na terra.” Mas estas palavras são omitidas por אABVgSyh,p.
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6C Com o sangue do filho do próprio DeusTradução do Novo Mundo das Escrituras Sagradas com Referências
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6C Com o sangue do filho do próprio Deus
At 20:28 — Gr.: διὰ τοῦ αἵματος τοῦ ἰδίου
(di·á tou haí·ma·tos tou i·dí·ou)
1963
“com o sangue do seu próprio [Filho]”
Tradução do Novo Mundo das Escrituras Gregas Cristãs, Brooklyn, Nova Iorque.
1973
“por meio do sangue do seu próprio Filho”
A Bíblia na Linguagem de Hoje, Sociedade Bíblica do Brasil, Rio de Janeiro, RJ.
1981
“pelo sangue de seu próprio Filho”
A Bíblia de Jerusalém, Edições Paulinas, São Paulo, SP.
Gramaticalmente, esta passagem poderia ser traduzida assim como nas versões de João Ferreira de Almeida e de Matos Soares, “com [o] seu próprio sangue”. Esta idéia tem sido difícil para muitos. Este, sem dúvida, é o motivo de ACDSyh (margem) (acompanhados pela tradução de Moffatt, em inglês) rezarem “a congregação do Senhor”, em vez de “a congregação de Deus”. Vertendo-se o texto assim, não há dificuldade na versão “com o seu próprio sangue”. Entretanto, אBVg rezam “Deus” (articular), e a costumeira tradução seria ‘sangue de Deus’.
As palavras gregas τοῦ ἰδίου (tou i·dí·ou) seguem à frase “com o sangue”. A expressão inteira poderia ser traduzida por “com o sangue de seu próprio”. Subentender-se-ia um substantivo no singular depois de “seu próprio”, mui provavelmente o parente mais chegado a Deus, seu Filho unigênito, Jesus Cristo. Sobre este ponto diz J. H. Moulton em A Grammar of New Testament Greek, Vol. 1 (Prolegomena), ed. de 1930, p. 90: “Antes de abandonarmos ἵδιος [í·di·os] deve-se dizer algo sobre o uso de ὁ ἵδιος [ho í·di·os] sem um substantivo expresso. Isto ocorre em Jo 1:11; 13:1, At 4:23; 24:23. Nos papiros encontramos o singular usado deste modo como termo de carinho para com parentes chegados . . . Em Expos. VI. iii. 277 atrevi-me a citar isso como possível encorajamento aos (inclusive B. Weiss) que traduziriam Atos 20:28 por ‘o sangue de alguém que era seu próprio’.”
Alternativamente, em The New Testament in the Original Greek, de Westcott e Hort, Vol. 2, Londres, 1881, pp. 99, 100 do Apêndice, Hort declarou: “de modo algum é impossível que ΥΙΟΥ [hui·oú, “do Filho”] fosse omitido depois de ΤΟΥΙΔΙΟΥ [tou i·dí·ou, “de seu próprio”] numa transcrição muito antiga, afetando todos os documentos existentes. Por se inserir isso deixa-se a passagem inteira isenta de qualquer tipo de dificuldade.”
A Tradução do Novo Mundo verte a passagem de modo literal, acrescentando “Filho” entre colchetes depois de ἰδίου, rezando: “com o sangue do seu próprio [Filho]”.
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6D “Deus, que é sobre todos”Tradução do Novo Mundo das Escrituras Sagradas com Referências
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6D “Deus, que é sobre todos”
Ro 9:5 — Gr.: καὶ ἐξ ὧν χριστὸς τὸ κατὰ σάρκα, ὁ ὢν ἐπὶ πάντων, θεὸς εὐλογητὸς εἰς τοὺς αἰῶνας· ἀμήν
(kai ex hon ho khri·stós to ka·tá sár·ka, ho on e·pí pán·ton, The·ós eu·lo·ge·tós eis tous ai·ó·nas; a·mén)
1934
“e dos quais, por descendência física, veio o Cristo. Deus, que é sobre todos, seja bendito por todas as eras! Amém.”
The Riverside New Testament, Boston e Nova Iorque.
1952
“e da sua raça, segundo a carne, é o Cristo. Deus, que é sobre todos, seja bendito para sempre. Amém.”
Revised Standard Version, Nova Iorque.
1961
“e deles, na descendência natural, procedeu o Messias. Que Deus, o supremo sobre todos, seja bendito para sempre! Amém.”
The New English Bible, Oxford e Cambridge, Inglaterra.
1963
“e de quem procedeu Cristo segundo a carne: Deus, que é sobre todos, seja bendito para sempre. Amém.”
Tradução do Novo Mundo das Escrituras Gregas Cristãs, Brooklyn, Nova Iorque.
1966
“e Cristo, como ser humano, pertence à sua raça. Que Deus, que governa sobre todos, seja louvado para sempre! Amém.”
Today’s English Version, American Bible Society, Nova Iorque.
1970
“e deles veio o Messias (falo de suas origens humanas). Bendito para sempre seja Deus, que é sobre todos! Amém.”
The New American Bible, Nova Iorque e Londres.
1982
“e deles é o Cristo segundo a carne. O Deus que está acima de tudo seja bendito pelos séculos! Amém.”
Bíblia Sagrada, Editora Vozes Ltda., Petrópolis, RJ.
Estas traduções tomam ὁ ὢν (ho on) como o começo duma sentença ou cláusula independente referindo-se a Deus e proferindo uma bênção sobre ele pelas provisões que fez. Aqui e no Sal 67:19 LXX ocorre o predicativo εὐλογητός (eu·lo·ge·tós, “bendito”) depois do sujeito θεός (The·ós, “Deus”). — Veja Sal 68:19 n.
G. B. Winer, na sua obra A Grammar of the Idiom of the New Testament, sétima edição, Andover, EUA, 1897, p. 551, diz que “quando o sujeito constitui a noção principal, especialmente quando é antitético para com outro sujeito, o predicado pode e deve ser colocado depois dele, cf. Sal lxvii. 20 Sept [Sal 67:19 LXX]. E assim, em Rom. ix. 5, se as palavras ὁ ὢν ἐπὶ πάντων θεὸς εὐλογητός etc. [ho on e·pí pán·ton The·ós eu·lo·ge·tós etc.] se referem a Deus, a posição das palavras é bem apropriada e até mesmo indispensável.”
Um estudo detalhado da construção de Ro 9:5 é encontrado em The Authorship of the Fourth Gospel and Other Critical Essays, de Ezra Abbot, Boston, 1888, pp. 332-438. Nas pp. 345, 346 e 432 ele diz: “Mas aqui, ὁ ὢν [ho on] é separado de ὁ χριστός [ho khri·stós] por τὸ κατὰ σάρκα [to ka·tá sár·ka], que na leitura precisa ser seguido por uma pausa, — uma pausa que se prolonga pela ênfase especial dada a κατὰ σάρκα [ka·tá sár·ka] pelo τὸ [to]; e a sentença precedente é gramaticalmente completa em si mesma, e, pela lógica, não requer nada mais; porque era apenas quanto à carne que Jesus procedeu dos judeus. Por outro lado, como já vimos (p. 334), a enumeração de bênçãos que vem logo antes, coroada pela inestimável bênção do advento de Cristo, naturalmente sugere a atribuição de louvor e agradecimento a Deus, como o Ser que governa sobre todos; embora também o ᾿Αμήν [A·mén] no fim da sentença sugira uma doxologia. De todos os pontos de vista, portanto, a construção doxológica parece fácil e natural. . . . A naturalidade duma pausa após σάρκα [sár·ka] é adicionalmente indicada pelo fato de que encontramos um ponto após esta palavra em todos os nossos mais antigos MSS. que atestam neste caso, — a saber, A, B, C, L. . . . Posso agora mencionar, além dos unciais A, B, C, L, . . . pelo menos vinte e seis cursivos que têm um ponto após σάρκα, assim como têm em geral depois de αἰῶνας [ai·ó·nas] ou ᾿Αμήν [A·mén].”
Portanto, Ro 9:5 atribui louvor e agradecimento a Deus. Este texto não identifica Jeová Deus com Jesus Cristo.
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6E “Do grande Deus e [do] salvador de nós, Cristo Jesus”Tradução do Novo Mundo das Escrituras Sagradas com Referências
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6E “Do grande Deus e [do] salvador de nós, Cristo Jesus”
Tit 2:13 — Gr.: τοῦ μεγάλον θεοῦ καὶ σωτῆρος ἡμῶν Χριστοῦ Ἰησοῦ
(tou me·gá·lou The·oú kai so·té·ros he·món Khri·stoú I·e·soú)
1934
“do grande Deus e de nosso Salvador, Cristo Jesus”
The Riverside New Testament, Boston e Nova Iorque.
1935
“do grande Deus e de nosso Salvador, Cristo Jesus”
A New Translation of the Bible, de James Moffatt, Nova Iorque e Londres.
1957
“do grande Deus e de nosso Salvador, Jesus Cristo”
La Sainte Bible, de Louis Segond, Paris.
1963
“do grande Deus e de nosso Salvador, Cristo Jesus”
Tradução do Novo Mundo das Escrituras Gregas Cristãs, Brooklyn, Nova Iorque.
1970
“do grande Deus e de nosso Salvador, Cristo Jesus”
The New American Bible, Nova Iorque e Londres.
1978
“do grande Deus e do Salvador Nosso, Jesus Cristo”
Novo Testamento, de Mateus Hoepers, Editora Vozes Ltda., Petrópolis, RJ.
Neste lugar encontramos dois substantivos ligados por καί (kai, “e”), sendo o primeiro substantivo precedido pelo artigo definido τοῦ (tou, “do”) e o segundo substantivo sem o artigo definido. Uma construção similar é encontrada em 2Pe 1:1, 2, onde, no v. 2, se faz uma nítida distinção entre Deus e Jesus. Isto indica que, quando duas pessoas diferentes são ligadas por καί, se a primeira pessoa for precedida pelo artigo definido, não é necessário repetir o artigo definido antes da segunda pessoa. Exemplos desta construção no texto grego são encontrados em At 13:50; 15:22; Ef 5:5; 2Te 1:12; 1Ti 5:21; 6:13; 2Ti 4:1. Esta construção é também encontrada na LXX. (Veja Pr 24:21 n.) Segundo An Idiom Book of New Testament Greek, de C. F. D. Moule, Cambridge, Inglaterra, 1971, p. 109, o sentido de “do grande Deus e de nosso Salvador, Jesus Cristo . . . é possível no grego κοινή [koi·né] mesmo sem a repetição [do artigo definido]”.
Um estudo detalhado da construção de Tit 2:13 é encontrado em The Authorship of the Fourth Gospel and Other Critical Essays, de Ezra Abbot, Boston, 1888, pp. 439-457. Na p. 452 desta obra encontram-se os seguintes comentários: “Tome um exemplo do Novo Testamento. Em Mat xxi. 12 lemos que Jesus ‘expulsou todos os que vendiam e compravam no templo’, τοὺς πωλοῦντας καὶ ἀγοράζοντας [tous po·loún·tas kai a·go·rá·zon·tas]. Ninguém pode razoavelmente supor que as mesmas pessoas sejam aqui descritas como vendendo e comprando. Em Marcos, as duas classes são diferenciadas pela inserção de τούς antes de ἀγοράζοντας; aqui é deixado com segurança entregue à inteligência do leitor para diferenciá-las. No caso em pauta [Tit 2:13], a omissão do artigo antes de σωτῆρος [so·té·ros] não me parece apresentar dificuldade alguma, — não porque σωτῆρος seja tornado suficientemente definido pela adição de ἡμῶν [he·món] (Winer), pois, visto que tanto Deus como Cristo são muitas vezes chamados de “nosso Salvador”, ἡ δόξα τοῦ μεγάλον θεοῦ καὶ σωτῆρος ἡμῶν [he dó·xa tou me·gá·lou The·oú kai so·té·ros he·món], isolados, seria com muita naturalidade entendido como referindo-se a um sujeito, a saber, Deus, o Pai; mas, a adição de Ἰησοῦ Χριστοῦ a σωτῆρος ἡμῶν [I·e·soú Khri·stoú a so·té·ros he·món] muda completamente o caso, restringindo σωτῆρος ἡμῶν a uma pessoa ou a um ser que, segundo a habitual linguagem usada por Paulo, é diferenciada da pessoa ou do ser a quem chama de ὁ θεός [ho The·ós], de modo que não havia nenhuma necessidade da repetição do artigo para impedir a ambigüidade. Portanto, em 2 Tes. i. 12, a expressão κατὰ τὴν χάριν τοῦ θεοῦ ἡμῶν καὶ κυρίου [ka·tá ten khá·rin tou The·oú he·món kai ky·rí·ou] seria naturalmente entendida como referindo-se a um sujeito, e o artigo seria necessário antes de κυρίου se se referisse a dois; mas a simples adição de Ἰησοῦ Χριστοῦ a κυρίου [I·e·soú Khri·stoú a ky·rí·ou] torna clara a referência a dois sujeitos distintos, sem a inserção do artigo.”
Portanto, em Tit 2:13, mencionam-se duas pessoas diferentes, Jeová Deus e Jesus Cristo. Em todas as Escrituras Sagradas não há possibilidade de identificar Jeová e Jesus como a mesmíssima pessoa.
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6F Jesus — existiu antes de AbraãoTradução do Novo Mundo das Escrituras Sagradas com Referências
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6F Jesus — existiu antes de Abraão
Jo 8:58 — “antes de Abraão vir à existência, eu tenho sido”
Gr.: πρὶν ᾿Αβραὰμ γενέσθαι ἐγὼ εἰμί
(prin A·bra·ám ge·né·sthai e·gó ei·mí)
Quarto/Quinto Século
“antes de Abraão ser, eu tenho sido”
Siríaco — Edição: A Translation of the Four Gospels from the Syriac of the Sinaitic Palimpsest, de Agnes Smith Lewis, Londres, 1894.
Quinto Século
“Antes mesmo de Abraão vir a ser, eu era”
Siríaco curetoniano — Edição: The Curetonian Version of the Four Gospels, de F. Crawford Burkitt, Vol. 1, Cambridge, Inglaterra, 1904.
Quinto Século
“antes de Abraão existir, eu era”
Peshitta siríaca — Edição: The Syriac New Testament Translated into English from the Peshitto Version, de James Murdock, sétima ed., Boston e Londres, 1896.
Quinto Século
“antes de Abraão vir a ser, eu era”
Georgiano — Edição: “The Old Georgian Version of the Gospel of John,” de Robert P. Blake e Maurice Brière, publicado em Patrologia Orientalis, Vol. XXVI, fascículo 4, Paris, 1950.
Sexto Século
“antes de Abraão nascer, eu era”
Etiópico — Edição: Novum Testamentum . . . Æthiopice (O Novo Testamento ... em Etiópico), de Thomas Pell Platt, revisado por F. Praetorius, Leipzig, Alemanha, 1899.
A ação expressa em Jo 8:58 começou “antes de Abraão vir à existência” e ainda está em progresso. Em tal situação εἰμί (ei·mí), que está no presente do indicativo da primeira pessoa singular, é corretamente traduzido pelo indicativo perfeito. Exemplos da mesma sintaxe são encontrados em Lu 2:48; 13:7; 15:29; Jo 5:6; 14:9; 15:27; At 15:21; 2Co 12:19; 1Jo 3:8.
A respeito desta construção diz A Grammar of the Idiom of the New Testament, de G. B. Winer, sétima edição, Andover, 1897, p. 267: “Às vezes, o Presente inclui também um pretérito (Mdv. 108), viz. quando o verbo expressa uma condição que começou num período anterior, mas que ainda continua, — uma condição na sua duração; como em Jo. xv. 27 ἀπ’ ἀρχῆς μετ’ ἐμοῦ ἐστέ [ap’ ar·khés met’ e·moú e·sté], viii. 58 πρὶν ᾿Αβραὰμ γενέσθαι ἐγὼ εὶμι [prin A·bra·ám ge·né·sthai e·gó ei·mi].”
Do mesmo modo, A Grammar of New Testament Greek, de J. H. Moulton, Vol. III, de Nigel Turner, Edimburgo, 1963, p. 62, diz: “O Presente, que indica a continuidade duma ação durante o passado e até o momento em que se fala é virtualmente o mesmo que o [aspecto verbal] Perfectivo, a única diferença sendo que se concebe a ação como ainda em andamento ... É freqüente no N[ovo] T[estamento]: Lu 248 137 ... 1529 ... Jo 56 858 ...”
Alguns, na tentativa de identificar Jesus com Jeová, dizem que ἐγὼ εἰμί (e·gó ei·mí) equivale à expressão hebraica ’aní hu’, “sou eu [eu o sou]”, usada por Deus. Todavia, deve-se notar que esta expressão hebraica é também usada pelo homem. — 1Cr 21:17 n.
Na tentativa adicional de identificar Jesus com Jeová, alguns procuram usar Êx 3:14 (LXX), que reza: ᾿Εγώ εἰηι ὁ ὤν (E·gó ei·mi ho on), que significa “Eu sou O Ser” ou “Eu sou O Existente”. Esta tentativa não pode ser sustentada, porque a expressão em Êx 3:14 é diferente da em Jo 8:58. (Veja Êx 3:14 n.) Em todas as Escrituras Gregas Cristãs não é possível identificar Jesus com Jeová, como a mesma pessoa. — Veja 1Pe 2:3 n.; Ap. 6A, 6E.
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7A Cobras reagem ao somTradução do Novo Mundo das Escrituras Sagradas com Referências
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7A Cobras reagem ao som
Sal 58:4b, 5a — “Estão surdos como a naja que tapa o ouvido, que não quer escutar a voz dos encantadores.”
No jornal The New York Times, de 10 de janeiro de 1954, sec. 4, p. 9, sob o título “São as Serpentes ‘Encantadas’ Pela Música?”, publicou-se o seguinte relatório sobre Sal 58:4, 5: “O Dr. David I. Macht, farmacólogo pesquisador do Hospital Monte Sinai em Baltimore [EUA], é uma das principais autoridades no mundo em veneno de naja. (O veneno da naja é um remédio aceito, por exemplo, em casos de distúrbios sangüíneos.) O Dr. Macht informou que, ao trabalhar com najas e o veneno da naja, familiarizou-se com diversos médicos hindus, bem instruídos, e de diferentes partes da Índia. Todos concordavam que as najas reagem a certos tons musicais, de flautas ou pífaros musicais. Algumas formas de música excitam os animais mais do que outras formas, informaram os médicos. As crianças indianas, brincando na escuridão do interior, são até mesmo avisadas que não cantem, para que seus sons não atraiam najas, disse ele. O Dr. Macht comentou que Shakespeare, que repetidas vezes se referiu às serpentes como surdas . . . simplesmente repetiu um equívoco comum. Por outro lado, disse o Dr. Macht, o salmista estava certo ao dar a entender o contrário, no Salmo 58, Versículo 5, que as serpentes podem ouvir. . . . Contrário às afirmações de alguns naturalistas, o Dr. Macht disse que as cobras são ‘encantadas’ pelos sons e não pelos movimentos do encantador.”
De modo similar, num artigo publicado na revista zoológica alemã Grzimeks Tier, Sielmanns Tierwelt (O Animal de Grzimek, o Mundo Animal de Sielmann), de julho de 1981, pp. 34, 35, o autor fala sobre uma cobra que vivia no seu sítio em Sri-Lanka, num cupinzeiro (termiteira). Ele pediu a um encantador de serpentes que pegasse a cobra selvagem e a fizesse dançar. O autor relata: “Depois de ter assegurado ao meu convidado de que havia realmente uma naja que morava ali, ele se sentou em frente à termiteira e começou a tocar sua flauta. Após um longo tempo — eu não acreditava mais que algo ocorreria — a naja ergueu a cabeça vários centímetros para fora dum buraco. Antes que a serpente pudesse abrir a boca, o encantador avançou depressa e prendeu a cabeça dela com o polegar e dois dedos.” Daí, o indiano conseguiu realmente fazer a serpente dançar.
Portanto, há evidência de que a naja de fato ‘escuta a voz dos encantadores’.
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7B Perguntas de repulsa indicativas de objeçãoTradução do Novo Mundo das Escrituras Sagradas com Referências
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7B Perguntas de repulsa indicativas de objeção
Mt 8:29 — “Que temos nós contigo, Filho de Deus?”
Esta pergunta que os demônios fizeram a Jesus é uma antiga forma idiomática de pergunta, encontrada nas Escrituras Hebraicas em oito lugares, a saber, em Jos 22:24; Jz 11:12; 2Sa 16:10; 19:22; 1Rs 17:18; 2Rs 3:13; 2Cr 35:21; Os 14:8. Nas Escrituras Gregas Cristãs, bem como na versão siríaca, faz-se uma tradução literal da antiga expressão hebraica, e ela ocorre seis vezes, a saber, em Mt 8:29; Mr 1:24; 5:7; Lu 4:34; 8:28; Jo 2:4. Traduzida literalmente, a pergunta em Mt 8:29 reza: “Que há para nós e para ti?” que significa: “Que há de comum entre nós e ti?” “Que temos nós e tu em comum?” Ou, conforme vertido acima: “Que temos nós contigo?”
Em cada caso, nas Escrituras, hebraicas e gregas, trata-se duma repulsa em forma de pergunta, indicando objeção ao que foi sugerido, proposto ou suspeitado. Isto é apoiado pela forma positiva de se expressar a questão, em Esd 4:3 (2 Esdras 4:3, LXX): “Não tendes nada que ver conosco na construção de uma casa ao nosso Deus”; ou: “Não cabe a vós e a nós construir uma casa ao nosso Deus.” A mesma forma de expressão, no imperativo, é a solicitação que a esposa de Pilatos fez a ele a respeito de Jesus, que devia ser julgado perante seu marido, em Mt 27:19: “Não tenhas nada que ver com esse homem justo.” Literalmente: “Não haja nada entre ti e esse homem justo.”
Expressa nessa forma mui comum, a pergunta que Jesus fez à sua mãe, em Jo 2:4, não pode ser excluída da mesma categoria. Tem todos os aspectos duma repulsa ou resistência à sua mãe em dizer-lhe o que ele devia fazer. De modo que no seu caso vertemos isso do mesmo modo que em todos os outros casos de pergunta similar: “Que tenho eu que ver contigo, mulher? Minha hora não
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