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Perguntas que requerem respostaDespertai! — 1990 | 8 de outubro
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Perguntas que requerem resposta
EM ALGUM momento de sua vida talvez se tenha perguntado: ‘Se Deus existe, por que permite tanto sofrimento? E por que o permitiu por tanto tempo assim, no decorrer de toda a história humana? Acabará algum dia o sofrimento?’
Por não terem respostas satisfatórias a tais perguntas, muitos ficam amargurados. Alguns até mesmo deixam de crer em Deus, ou culpam-no por seus infortúnios.
Por exemplo, um homem que sobreviveu ao Holocausto, o assassinato de milhões de pessoas pelos nazistas na Segunda Guerra Mundial, estava tão amargurado que disse: “Se alguém lambesse meu coração, ficaria envenenado.” Outro homem que sofreu em resultado duma perseguição étnica que causou a morte de amigos e familiares na Primeira Guerra Mundial, perguntou amarguradamente: “Onde estava Deus quando precisávamos dele?”
Assim, muitos estão perplexos. Do ponto de vista deles, parece incoerente um Deus de bondade e amor permitir que coisas ruins ocorram por tanto tempo.
O Que as Pessoas Têm Feito
É certamente verdade que as pessoas têm cometido enormes males contra outras no decorrer dos séculos — de fato, por milhares de anos. A magnitude e o horror de tudo isso choca a imaginação.
À medida que a civilização supostamente progredia, os humanos inventaram cada vez mais instrumentos horrendos para destruir ou mutilar outros: artilharia, metralhadoras, aviões de guerra, tanques, mísseis, lança-chamas, armas químicas e nucleares. Em resultado disso, só neste século, as guerras das nações mataram cerca de cem milhões de pessoas! Outras centenas de milhares foram feridas ou sofreram de diferentes maneiras. E seria impossível avaliar a quantidade de bens destruídos, tais como casas e propriedades.
Pense na imensa tristeza, na agonia e nas lágrimas que a guerra tem causado! Com muita freqüência, são os inocentes que sofrem: homens e mulheres de idade, crianças e bebês. E com muita freqüência, muitos dos que cometeram as perversidades não tiveram de prestar contas dos seus atos.
No mundo inteiro, o sofrimento prossegue até o momento. Todos os dias, pessoas estão sendo assassinadas ou são vítimas do crime. São feridas ou morrem em acidentes, que incluem calamidades naturais tais como tempestades, enchentes e terremotos. Sofrem injustiça, preconceito, pobreza, fome ou doenças, ou de numerosas outras formas.
Como poderia um Deus bom ter criado algo — a humanidade — que tem sofrido tão terrivelmente, com tanta freqüência, século após século?
Um Dilema no Corpo Humano
Este dilema se reflete até mesmo no corpo humano. Cientistas e outros que o estudaram concordam que o corpo humano foi maravilhosa e magnificamente feito.
Considere só alguns de seus aspectos magníficos: o incrível olho humano, que câmera alguma consegue copiar; o assombroso cérebro, que faz o mais avançado computador parecer primitivo; a maneira em que as partes intricadas do corpo cooperam sem nenhum esforço consciente; o milagre do nascimento, que produz um lindo bebê — uma réplica dos seus pais — em apenas nove meses. Muitos concluem que essa obra-prima de design, o corpo humano, teve de ser criada por um magistral projetista — o Criador, o Deus Todo-Poderoso.
Mas, infelizmente, esse mesmo corpo maravilhoso se deteriora. Com o tempo, é acometido por doença, velhice e morte. Por fim, transforma-se em pó. Que lástima! Justamente quando a pessoa poderia tirar proveito das décadas de experiência e tornar-se mais sábia, o corpo entra em colapso. Que patético contraste, no seu fim, com o potencial de saúde, vitalidade e beleza que o corpo tinha no início!
Por que o Criador amoroso faria algo tão magnífico como o corpo humano, só para terminar de modo tão triste? Por que criaria ele um mecanismo que começa tão bem, com tanto potencial, mas que termina tão mal?
A Explicação Que Alguns Dão
Alguns têm dito que a iniqüidade e o sofrimento são instrumentos que Deus usa para aprimorar o nosso caráter através de adversidades. Certo clérigo metodista asseverou: “Faz parte do plano de Deus para a salvação os bons pagarem pelos maus.” Ele queria dizer que, para desenvolverem o caráter e serem salvos, os bons precisam sofrer com os atos dos maus, como parte do plano de Deus.
Mas, será que um pai humano amoroso procuraria aprimorar o caráter de seus filhos por planejar torná-los vítimas dum criminoso depravado? Tome em consideração também que muitos jovens são mortos em acidentes, ou são assassinados, ou morrem na guerra. Tais vítimas jovens não teriam mais nenhuma oportunidade de aprimorar seu caráter, pois estariam mortas. Assim, a idéia de que o sofrimento é permitido para aprimorar o caráter simplesmente não tem sentido.
Nenhum pai humano razoável e amoroso desejaria que o sofrimento ou a tragédia sobreviessem àqueles a quem ama. De fato, um pai que planejasse o sofrimento daqueles a quem ama, para ‘desenvolver o caráter’ deles, seria considerado inapto, até mesmo mentalmente desequilibrado.
Então, poder-se-ia dizer razoavelmente que Deus, o supremo Pai amoroso, o Criador todo-sábio do universo, planejou deliberadamente o sofrimento como parte de seu ‘plano para a salvação’? Isso equivaleria a atribuir a ele uma qualidade extremamente cruel e horrenda, uma qualidade que todos nós consideramos inaceitável até mesmo para os humanos, que são criaturas inferiores.
Descobrindo as Respostas
A que podemos recorrer em busca de respostas às perguntas acerca do motivo de Deus permitir o sofrimento e a iniqüidade? Uma vez que as perguntas envolvem a Deus, faz sentido ver o que ele próprio fornece em matéria de respostas.
Como encontramos as respostas dele? Por recorrermos à fonte que Deus afirma ter escrito qual guia para os humanos — a Bíblia Sagrada, as Escrituras Sagradas. Independente do conceito que se tenha sobre tal fonte, vale a pena examiná-la, pois, como disse o apóstolo Paulo: “Toda a Escritura é inspirada por Deus e proveitosa. . . para endireitar as coisas.” (2 Timóteo 3:16) Ele também escreveu: “Quando recebestes a palavra de Deus, que ouvistes de nós, vós a aceitastes, não como a palavra de homens, mas, pelo que verazmente é, como a palavra de Deus.” a — 1 Tessalonicenses 2:13.
Descobrir as respostas às perguntas sobre o motivo de se permitir o sofrimento é mais do que um simples exercício intelectual. As respostas são cruciais para entendermos o que está ocorrendo neste exato momento no cenário mundial, o que ocorrerá no futuro próximo, e como cada um de nós é afetado.
Temos a obrigação moral de deixar que a Bíblia, o canal de comunicação de Deus para a família humana, fale por si mesma. Então, o que diz ela sobre como começou o sofrimento e por que Deus o permite?
Uma chave para entendermos a resposta tem que ver com a maneira que somos feitos, mental e emocionalmente. A Bíblia mostra que o Criador implantou em nossa constituição quais humanos a seguinte qualidade crucial: o desejo de liberdade. Consideremos brevemente o que exatamente está envolvido no livre-arbítrio para os humanos e como isso tem que ver com o motivo de Deus permitir o sofrimento.
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A maravilhosa dádiva do livre-arbítrioDespertai! — 1990 | 8 de outubro
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A maravilhosa dádiva do livre-arbítrio
APRECIA ter a liberdade de escolher como organizar sua vida, o que fazer e o que dizer? Ou desejaria que alguém lhe ditasse qual deve ser cada palavra e ação sua, cada minuto de cada dia, enquanto vivesse?
Nenhuma pessoa normal deseja ser privada do controle de sua vida e ser controlada inteiramente por outra pessoa. Viver assim seria muito opressivo e frustrador. Nós desejamos liberdade.
Mas, por que temos tal desejo de liberdade? Entendermos os motivos de prezarmos nossa liberdade de escolha é uma chave para compreendermos como se originaram a iniqüidade e o sofrimento. Também nos ajudará a entender por que Deus esperou até agora para pôr fim à iniqüidade e ao sofrimento.
Como Somos Feitos
Quando Deus criou os humanos, entre as muitas dádivas maravilhosas que ele lhes deu estava o livre-arbítrio. A Bíblia nos conta que Deus criou o homem à sua ‘imagem e semelhança’, e uma das qualidades que Deus possui é a liberdade de escolha. (Gênesis 1:26; Deuteronômio 7:6) Assim, quando criou os humanos, deu-lhes essa mesma qualidade maravilhosa — a dádiva do livre-arbítrio.
É por isso que preferimos a liberdade em vez da escravização por governantes opressivos. É por isso que as pessoas criam ressentimento contra governos severos e repressores, e muitas vezes se revoltam para obter liberdade.
O desejo de liberdade não é acidental. A Bíblia fornece o motivo fundamental. Declara: “Onde estiver o espírito de Jeová, ali há liberdade.” (2 Coríntios 3:17) Portanto, o desejo de liberdade faz parte da nossa natureza, porque Deus nos criou assim. É algo que ele deseja que tenhamos, pois ele próprio é o Deus de liberdade.
Deus nos deu também faculdades mentais, tais como as capacidades de percepção, raciocínio e discernimento, que operam em harmonia com o livre-arbítrio. Estas nos habilitam a pensar, avaliar os assuntos, tomar decisões e distinguir o certo do errado. (Hebreus 5:14) Não fomos criados para ser como robôs irracionais que não têm vontade própria; tampouco fomos criados para agir primariamente por instinto, como os animais.
Junto com o livre-arbítrio, nossos primeiros pais receberam tudo o que alguém podia razoavelmente desejar: haviam sido colocados num paraíso semelhante a um parque; tinham fartura em sentido material; tinham mente e corpo perfeitos que não envelheceriam, nem ficariam doentes, para depois morrer; teriam filhos que também teriam um futuro feliz; e a crescente população teria o trabalho satisfatório de transformar a terra inteira num paraíso. — Gênesis 1:26-30; 2:15.
Quanto ao que Deus havia posto em operação, a Bíblia diz: “Deus viu tudo o que tinha feito, e eis que era muito bom.” (Gênesis 1:31) A Bíblia também diz sobre o Criador: “Perfeita é a sua atuação.” (Deuteronômio 32:4) Sim, ele deu à família humana um início perfeito. Não poderia ter sido melhor.
Liberdade com Limites
Contudo, será que a maravilhosa dádiva do livre-arbítrio não teria limites? Bem, gostaria de dirigir um automóvel num trânsito muito movimentado caso não existissem regulamentos de trânsito, onde houvesse liberdade para dirigir em qualquer pista, direção, e a qualquer velocidade? Naturalmente, os resultados de tal liberdade ilimitada no trânsito seriam catastróficos.
O mesmo se dá nas relações humanas. A liberdade ilimitada para alguns resultaria na privação da liberdade para outros. A liberdade irrestrita pode resultar em anarquia, o que prejudica a liberdade de todos. Precisa haver limites. Portanto, a dádiva divina da liberdade não significa que o objetivo de Deus era que os humanos se comportassem como bem entendessem, sem levar em conta o bem-estar dos outros.
A Palavra de Deus diz o seguinte sobre isso: “Comportai-vos como homens livres, e nunca useis vossa liberdade como desculpa para a iniqüidade.” (1 Pedro 2:16, A Bíblia de Jerusalém, edição em inglês) Portanto, Deus deseja que o nosso livre-arbítrio seja dosado para o bem comum. Seu propósito não era que os humanos tivessem liberdade total, mas liberdade relativa, sujeita aos preceitos da lei.
Leis de Quem?
Às leis de quem fomos projetados para obedecer? As leis de quem resultam no melhor para nós? Outra parte do texto acima citado de 1 Pedro 2:16 declara: “Não sois escravos de ninguém, exceto de Deus.” Isto não denota uma escravidão opressiva, mas, antes, que fomos criados para estar sujeitos às leis de Deus. Seremos mais felizes se permanecermos sujeitos a elas.
As leis de Deus, mais do que qualquer código de leis que poderia ser elaborado pelos humanos, fornecem o melhor guia para todos. Conforme Isaías 48:17 declara: “Eu, Jeová, sou teu Deus, Aquele que te ensina a tirar proveito, Aquele que te faz pisar no caminho em que deves andar.” No entanto, ao mesmo tempo, as leis de Deus proporcionam uma grande amplitude de liberdade dentro dos seus limites. Isso dá margem a muita escolha e variedade pessoais, tornando a família humana mais interessante, de fato, fascinante.
Os humanos também estão sujeitos às leis físicas de Deus. Por exemplo, se desconsiderarmos a lei da gravidade e pularmos dum lugar alto, nos feriremos ou morreremos. Se ficarmos submersos na água sem um equipamento especial de respiração, morreremos em questão de minutos. E, se desconsiderarmos nossas leis internas do corpo e pararmos de nos alimentar ou de beber água, também morreremos.
Assim, nossos primeiros pais, e todos os que descenderam deles, foram criados com a necessidade de obedecer às leis morais ou sociais de Deus, bem como às suas leis físicas. E não seria opressivo obedecer às leis de Deus. Antes, contribuiria para o bem-estar deles e da inteira família humana por vir. Tudo teria corrido bem se nossos primeiros pais tivessem permanecido dentro dos limites das leis de Deus.
O que aconteceu para estragar esse excelente início? Por que, em vez disso, grassam a iniqüidade e o sofrimento? Por que permitiu Deus tais coisas por tanto tempo?
[Foto na página 7]
A maravilhosa dádiva do livre-arbítrio nos difere dos robôs irracionais e dos animais que agem principalmente por instinto.
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Por que Deus permitiu o sofrimentoDespertai! — 1990 | 8 de outubro
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Por que Deus permitiu o sofrimento
“Não é do homem que anda o dirigir o seu passo. Corrige-me, ó Jeová.” — Jeremias 10:23, 24.
TAIS palavras foram escritas milhares de anos após a criação dos humanos. Jeremias compreendia que, até seus dias, a história humana era uma tragédia em comparação com o bom início que Deus dera aos nossos primeiros pais.
A observação de Jeremias tem sido reforçada pelo registro de mais de 2.500 anos adicionais de história desde o tempo dele. A tragédia humana até mesmo piorou. O que saiu errado?
O Mau Uso do Livre-arbítrio
Nossos primeiros pais perderam de vista o fato de que não foram criados para prosperar à parte de Deus e de suas leis. Eles decidiram tornar-se independentes de Deus, achando que isso melhoraria sua vida. Mas isto constituiu um abuso de sua liberdade. Ultrapassaram os limites determinados por Deus para o livre-arbítrio. — Gênesis, capítulo 3.
Por que Deus simplesmente não destruiu a Adão e Eva e começou tudo de novo com outro casal humano? Porque sua soberania universal e seu modo de governar haviam sido postos em dúvida. Ser Ele o Deus Todo-poderoso e o Criador de todas as criaturas dá-lhe o direito de governar sobre elas. Visto que ele é Todo-sábio, seu governo é o melhor para todas as criaturas. Mas o governo de Deus fora então desafiado.
Poderiam humanos sair-se melhor do que sendo governados por Deus? O Criador certamente sabia a resposta a essa pergunta. Uma maneira segura de os humanos descobrirem isso era por se lhes conceder a liberdade irrestrita que desejavam. Portanto, um motivo, entre outros, por que Deus permitiu a iniqüidade e o sofrimento era mostrar, além de qualquer dúvida, se o governo humano independente Dele pode ser ou não bem-sucedido.a
Adão e Eva causaram sofrimento para si mesmos e para sua descendência. ‘Ceifaram o que semearam.’ (Gálatas 6:7) “Agiram ruinosamente da sua parte; não são [filhos de Deus], o defeito é deles.” — Deuteronômio 32:5.
Nossos primeiros pais haviam sido advertidos de que a independência do governo de Deus resultaria na sua morte. (Gênesis 2:17) Isso se mostrou veraz. Por abandonarem a Deus, afastaram-se da fonte de saúde e de vida. Degeneraram-se até que lhes sobreveio a morte. — Gênesis 3:19.
Depois disso, Deus concedeu tempo suficiente para a família humana demonstrar plenamente se algum sistema político, social ou econômico que idealizassem, à parte de Seu governo, se revelaria completamente satisfatório. Será que algum desses sistemas introduziria um mundo feliz e pacífico, livre do crime ou da guerra? Será que algum deles produziria prosperidade material para todos? Será que algum deles subjugaria a doença, a velhice e a morte? O governo de Deus fora projetado para realizar todas essas coisas. — Gênesis 1:26-31.
O Que o Tempo Ensinou
A história logo comprovou a veracidade de Romanos 5:12: “A morte se espalhou a todos os homens.” Este versículo explica que “por intermédio de um só homem entrou o pecado no mundo”. Quando nossos primeiros pais se rebelaram contra o governo de Deus, eles se tornaram defeituosos, imperfeitos. Este defeito era tudo o que eles podiam transmitir à sua descendência. Em resultado disso, todos nós nascemos defeituosos, propensos à doença e à morte.
O passar do tempo também revelou quão horrivelmente as pessoas cheias de pecado se comportam umas com as outras. Tem havido guerras violentas, numerosas demais para se contar, ódios étnicos e religiosos, inquisições, crimes horríveis, de todos os tipos, e atos de egoísmo e ganância. Além disso, a pobreza e a fome têm feito incontáveis milhões de vítimas.
Nos últimos milênios, a humanidade experimentou todo tipo concebível de governo. Todavia, um após outro fracassou em satisfazer as necessidades humanas. Recentemente, governos comunistas foram rejeitados em muitos países. Em nações democráticas grassam o crime, a pobreza, a instabilidade econômica e a corrupção. Realmente, todas as formas de governo humano mostraram-se deficientes.
Além disso, Deus concedeu tempo para os humanos atingirem o auge de suas consecuções científicas e materiais. Mas, diria que houve genuíno progresso quando o arco e a flecha foram substituídos por mísseis nucleares? Quando pessoas podem viajar no espaço, mas não conseguem viver juntas em paz na terra? Quando milhões têm medo de sair à noite por causa do crime?
O teste do tempo mostra que os humanos não são capazes de ‘dirigir seus próprios passos’ com êxito assim como não são capazes de viver sem alimento, água e ar. Nós fomos feitos para depender da orientação do nosso Criador tão certamente quanto fomos criados para depender do alimento, da água e do ar. — Mateus 4:4.
Por permitir a iniqüidade e o sofrimento, Deus mostrou, de uma vez para sempre, os tristes resultados do mau uso do livre-arbítrio. Trata-se duma dádiva tão preciosa que, em vez de tirar o livre-arbítrio dos humanos, Deus permitiu que vissem o que significa usá-lo mal.
Sobre o livre-arbítrio, a publicação “Statement of Principles of Conservative Judaism” (Declaração de Princípios do Judaísmo Conservador) diz: “Sem a real possibilidade de as pessoas fazerem a escolha errada quando confrontadas com o bem e o mal, o inteiro conceito da escolha perde o sentido. . . . Grande parte do sofrimento do mundo resulta diretamente do mau uso que fazemos do livre-arbítrio que nos foi concedido.”
Jeremias certamente estava correto quando disse: “Não é do homem que anda o dirigir o seu passo.” E Salomão também estava correto ao dizer: “Homem tem dominado homem para seu prejuízo.” — Eclesiastes 8:9.
Isso ilustra de modo convincente a incapacidade do homem de erradicar o sofrimento. Até mesmo Salomão, com toda a sua sabedoria, riqueza e poder, não conseguiu endireitar a miséria que se originou do governo humano.
Como, então, acabará Deus com o sofrimento? Compensará ele algum dia os humanos por seus sofrimentos passados?
[Nota(s) de rodapé]
a Para uma consideração mais cabal de todas as questões envolvidas, veja o livro Poderá Viver Para Sempre no Paraíso na Terra, capítulos 11 e 12, publicado pela Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados.
[Foto na página 9]
Deus deu à humanidade um início perfeito, mas a história mostra que, sem Deus, os humanos são incapazes de ‘dirigir seus passos’ com êxito.
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Um novo mundo livre do sofrimentoDespertai! — 1990 | 8 de outubro
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Um novo mundo livre do sofrimento
“Não haverá recordação das coisas anteriores, nem subirão ao coração. Mas exultai e jubilai para todo o sempre naquilo que estou criando.” — Isaías 65:17, 18.
TAIS palavras proféticas foram inspiradas por Deus há mais de 2.700 anos. Elas descrevem, em parte, como será a vida na terra no futuro. Quando? Depois que Deus trouxer o fim do atual sistema de coisas. Muitas profecias bíblicas tornam claro que é do propósito de Deus remover em breve o atual sistema de coisas e substituí-lo por um novo mundo livre de qualquer sofrimento.
Quão diferente será a vida nesse novo mundo em comparação com a vida durante a história humana precedente! A Palavra profética de Deus diz-nos que será completamente isenta de guerra, crime, pobreza e injustiça. A doença e a morte terão desaparecido para sempre. Não haverá mais os sistemas divisórios governamentais, religiosos ou econômicos, que se revelaram tão inadequados. Lágrimas de alegria tomarão o lugar das lágrimas de tristeza, porque a iniqüidade e o sofrimento terão desaparecido para sempre.
Preditas em Profecias Bíblicas
Note como tais condições foram preditas na seguinte seleção de profecias bíblicas:
Fim das Guerras: “Ele faz cessar as guerras até a extremidade da terra.” (Salmo 46:9) “Não levantará espada nação contra nação, nem aprenderão mais a guerra.” — Isaías 2:4.
Justiça Para Todos: “Vou fazer do juízo o cordel de medir e da justiça o nível.” — Isaías 28:17.
Liberdade do Medo: “Realmente sentar-se-ão, cada um debaixo da sua videira e debaixo da sua figueira, e não haverá quem os faça tremer.” (Miquéias 4:4) “Mostrarão estar realmente em segurança no seu solo.” — Ezequiel 34:27.
Eliminação da Fome: “Virá a haver bastante cereal na terra; no cume dos montes haverá superabundância.” (Salmo 72:16) “A árvore do campo terá de dar seu fruto e a própria terra dará a sua produção.” — Ezequiel 34:27.
A Velhice e a Doença Deixarão de Existir: “Torne-se a sua carne mais fresca do que na infância. Volte ele aos dias do seu vigor juvenil.” (Jó 33:25) “Nenhum residente dirá: ‘Estou doente.’” — Isaías 33:24.
A Morte, o Pranto e a Dor Terão Desaparecido Para Sempre: “[Deus] enxugará dos seus olhos toda lágrima, e não haverá mais morte, nem haverá mais pranto, nem clamor, nem dor. As coisas anteriores já passaram.” — Revelação 21:4.
Não Afetados Pelo Passado
O iminente novo mundo de Deus será tão satisfatório que o usufruto da vida pelos habitantes da terra não será estorvado, nem mesmo por quaisquer lembranças desagradáveis de sofrimento no passado. Os muitos pensamentos e as muitas atividades edificantes que farão parte da vida cotidiana das pessoas nessa nova era apagarão aos poucos as más lembranças do passado. A promessa de Deus é: “Não haverá recordação das coisas anteriores, nem subirão ao coração.” As pessoas ‘jubilarão para todo o sempre’ naquilo que Deus introduzirá na terra toda. “A terra inteira chegou a descansar, ficou sossegada. As pessoas ficaram animadas, com clamores jubilantes.” — Isaías 65:17, 18; 14:7.
Hoje em dia, como a Bíblia declara, “a expectativa adiada faz adoecer o coração”. Mas a situação se reverterá no novo mundo. Naquele tempo, ‘a coisa desejada, quando vier, será árvore de vida’. (Provérbios 13:12) Os corações não mais ficarão pesarosos com o sofrimento ou com esperanças não realizadas. Em vez disso, se encherão de contentamento e alegria, por causa das muitas coisas maravilhosas que Deus proporcionará à família humana.
Um Governo Diferente
Em lugar de um governo humano insatisfatório e independente de Deus, o novo mundo terá um governo inteiramente diferente. A autoridade governamental será tomada dos humanos. Nunca mais se lhes permitirá governar de modo independente de Deus.
A profecia bíblica declara: “Nos dias daqueles reis [os atuais governantes no poder] o Deus do céu estabelecerá um reino [no céu] que jamais será arruinado. E o próprio reino não passará a qualquer outro povo [pois não haverá mais nenhum governo humano]. Esmiuçará e porá termo a todos estes reinos [que agora existem], e ele mesmo ficará estabelecido por tempos indefinidos.” — Daniel 2:44.
Jesus ensinou seus seguidores a orar pelo novo governo da terra quando disse: “Venha o teu reino. Realize-se a tua vontade, como no céu, assim também na terra.” — Mateus 6:10.
Esse será o novo governo da humanidade — o governo celestial de Deus mediante seu Reino às mãos de Cristo. E na terra, leais servos humanos de Deus administrarão os assuntos segundo a orientação de Deus. (Isaías 32:1) O apóstolo Pedro se referia a esse novo arranjo como “novos céus e uma nova terra que aguardamos segundo a sua promessa, e nestes há de morar a justiça”. (2 Pedro 3:13) Esse governo do Reino é o ensino central da Bíblia.
‘A Libertação da Criação’
Este novo governo também exercerá completo controle sobre as forças naturais da terra. Calamidades naturais, tais como terremotos, furacões, enchentes ou secas, não mais causarão aflição. O próprio Jesus demonstrou seu poder de comandar essas forças. Certa ocasião, por exemplo, quando o barco em que Jesus e seus discípulos estavam quase virava durante uma tempestade, ele acalmou o vento e o mar. Surpresos, os discípulos disseram: “Que sorte de pessoa é este, que até mesmo os ventos e o mar lhe obedecem?” — Mateus 8:23-27.
Assim, a terra, bem como a criação humana sobre ela, gozarão duma liberdade sem paralelo. “A própria criação também será liberta da escravização à corrupção e terá a liberdade gloriosa dos filhos de Deus. Pois sabemos que toda a criação junta persiste em gemer e junta está em dores até agora.” — Romanos 8:21, 22.
Será que podemos estar seguros de que o governo humano findará em breve e que o novo governo de Deus assumirá a direção de todos os assuntos referentes à terra? Certamente que sim, pois o Soberano Universal deu sua palavra: “‘Meu próprio conselho ficará de pé e farei tudo o que for do meu agrado’;. . . Eu até mesmo o falei; também o introduzirei. Eu o formei, também o farei.” — Isaías 46:10, 11.
“Um Tempo Determinado”
Como acontecerá isso? Quando ocorrerá? A Palavra de Deus declara: “Para tudo há um tempo determinado.” (Eclesiastes 3:1) Isto inclui um tempo determinado por Deus para dizer ‘basta!’ e para pôr fim à iniqüidade e ao sofrimento. Daniel se referiu ao “tempo designado do fim”. (Daniel 8:19) Jesus também falou dum “tempo designado”. — Marcos 13:32, 33.
Sim, Deus marcou um tempo definido para intervir nos assuntos humanos e eliminar a infeliz experiência do governo humano independente dele. “O verdadeiro Deus julgará tanto o justo como o iníquo, pois há um tempo para todo assunto.” (Eclesiastes 3:17) E a evidência em cumprimento da profecia bíblica indica que o tempo concedido por Deus para o sofrimento terminará em breve. Quando esse limite tiver expirado, ele destruirá o insatisfatório sistema de governo humano que durante milhares de anos trouxe grande sofrimento à família humana. — Mateus 24:3-14; 2 Timóteo 3:1-5, 13; Revelação 19:11-21.
Quando Deus executar seus julgamentos, note o que acontecerá com aqueles que se sujeitam ao seu governo, em contraste com os que não o fazem: “Apenas mais um pouco, e o iníquo não mais existirá;. . . mas os próprios mansos possuirão a terra e deveras se deleitarão na abundância de paz.” “Quanto à descendência dos iníquos, será deveras decepada. Os próprios justos possuirão a terra e residirão sobre ela para todo o sempre.” “Vigia o inculpe e mantém a vista no homem reto, porque o futuro deste homem será pacífico. Mas os próprios transgressores serão aniquilados juntos.” — Salmo 37:10, 11, 28, 29, 37, 38; veja também Provérbios 2:21, 22; Mateus 5:5.
Mas, que dizer dos bilhões de pessoas que já morreram? Como tirarão proveito dum novo mundo? Por meio da ressurreição, uma restauração à vida aqui mesmo na terra. Voltarão da sepultura e terão a oportunidade de usufruir a vida para sempre. A Palavra de Deus garante: “Há de haver uma ressurreição tanto de justos como de injustos.” (Atos 24:15) E Jesus demonstrou isso por ressuscitar pessoas mortas, tais como Lázaro e o filho da viúva de Naim. — João 11:38-44; Lucas 7:11-16.
“Compensação”
Quão acalentador é saber que o propósito de Deus é acabar com o sofrimento e introduzir um justo novo mundo! Imagine viver milhões de anos — de fato, para sempre — com saúde perfeita e felicidade num ambiente paradísico, onde a iniqüidade e o sofrimento serão para sempre coisas do passado!
Não concordaria que essa “compensação” da parte de Deus para a humanidade — por toda a eternidade — excederá em muito os relativamente poucos milênios que Deus concedeu ao sofrimento? E não excede isso também em muito os 70 ou 80 anos — ou menos — de sofrimento que talvez tenhamos suportado individualmente durante nossa vida?
Visão de Longo Alcance
Em sua visão de longo alcance das coisas, o Criador sabia que era vital resolver primeiro os assuntos cruciais ligados ao seu direito de governar qual Soberano Universal e à justiça do seu governo. E era vital resolver a questão do uso correto e incorreto da liberdade de escolha. Era também necessário demonstrar que sua criação é perfeita, no sentido de que os humanos que lealmente se sujeitam às suas leis justas são capazes de manter a integridade a ele sob perseguição e sob provas causadas por governantes do mundo, sendo Seu próprio filho, Jesus, um notável exemplo disso, quando esteve na terra.
Uma vez resolvidas todas as questões, Deus não mais permitirá o reaparecimento da iniqüidade e do sofrimento para prejudicar o pacífico universo. “A aflição não se levantará pela segunda vez.” — Naum 1:9.
Por toda a eternidade no futuro, Deus poderá usar o que ocorreu nesses últimos milhares de anos como uma espécie de jurisprudência firmada num supremo tribunal. Esta poderá ser aplicada em qualquer ocasião futura, em qualquer outra parte do universo, caso algum dia voltem a surgir dúvidas com referência à soberania de Deus ou ao uso correto do livre-arbítrio.
Qual Será a Sua Escolha?
Confrontamo-nos hoje com uma escolha. Podemos optar por uma das duas formas de usar nosso livre-arbítrio: podemos escolher desconsiderar os propósitos de Deus, satisfazendo-nos com o governo humano imperfeito e partilhando seu destino, ou podemos usar nossa liberdade de escolha para aprender quais são os propósitos de Deus e o que precisamos fazer para agradá-lo quais súditos devotos do Seu Reino.
Jesus disse a Deus em oração: “Isto significa vida eterna, que absorvam conhecimento de ti, o único Deus verdadeiro, e daquele que enviaste, Jesus Cristo.” (João 17:3) Assim, se desejarmos viver no novo mundo, precisaremos esforçar-nos a aprender a verdade sobre Deus, seus propósitos e seus requisitos. Note como a Bíblia expressa isso: “Jeová está convosco enquanto mostrardes estar com ele; e se o buscardes, deixar-se-á achar por vós, mas se o abandonardes, ele vos abandonará.” — 2 Crônicas 15:2.
Esgota-se o tempo para este velho mundo; um novo mundo está a caminho: “O mundo está passando, e assim também o seu desejo, mas aquele que faz a vontade de Deus permanece para sempre.” (1 João 2:17) Qual será a sua escolha: o velho mundo que está passando, ou o iminente novo mundo?
A Palavra de Deus declara: “Pus diante de ti a vida e a morte, a bênção e a invocação do mal; e tens de escolher a vida para ficar vivo, tu e tua descendência, amando a Jeová, teu Deus, escutando a sua voz e apegando-te a ele; pois ele é a tua vida e a longura dos teus dias.” — Deuteronômio 30:19, 20.
Deseja desfrutar as bênçãos que Deus tem em reserva para aqueles que sujeitam sua vontade à dele? Os editores desta revista, ou as Testemunhas de Jeová em qualquer parte do mundo, terão prazer em ajudá-lo, gratuitamente, a aprender mais sobre isso.
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