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  • Pode a sua vida surgir por acaso?
    A Sentinela — 1979 | 15 de maio
    • Pode a sua vida surgir por acaso?

      Se não existe Criador, a vida deve ter começado espontaneamente. Muitos acham que foi assim. Mas, é tal conceito apoiado pelo crescente conhecimento?

      OS ANTIGOS egípcios viam escaravelhos surgir do solo e acreditavam que eles eram produzidos por si mesmos. A Enciclopédia Americana (em inglês) diz: “Enormes números de escaravelhos eram vistos surgir dos lamaçais à beira do rio Nilo, e isto sustentava a crença na geração espontânea.” (Vol. 24, p. 336, edição de 1977) Mas, o que acontecia realmente? As fêmeas do escaravelho formavam uma bola de esterco, depositavam nela os ovos e a enterravam. Os ovos chocavam, as larvas alimentavam-se do esterco e mais tarde surgiam como escaravelhos. Não havia nenhuma geração espontânea.

      Os filósofos gregos ensinavam a geração espontânea da vida. No quinto século A. E. C., tanto Anaxágoras como Empédocles criam nela. Um século mais tarde, Aristóteles pensava que os vermes e as lesmas fossem produtos da putrefação. Tão recentemente quanto no século 17, cientistas tais como Francis Bacon e William Harvey ensinavam a geração espontânea.

      Todavia, naquele mesmo século, Redi demonstrou que os gusanos apareciam na carne apenas depois de as moscas terem depositado ovos nela. Descobriram-se as bactérias, e elas foram aclamadas como prova da geração espontânea, até que, no século 18, Spallanzani demonstrou que elas provinham de esporos. Um século mais tarde, Pasteur solucionou a questão. Ele provou que a vida procede apenas de outra vida. Homens da ciência adotam agora este conceito, muitos, porém, insistem em que a vida surgiu espontaneamente há uns dois ou três milhões de anos.

      EVOLUÇÃO QUÍMICA, A ESPECULAÇÃO MAIS RECENTE

      Muitos cientistas acreditam que uma atmosfera primitiva de metano, amoníaco, vapor de água, bióxido de carbono e mais uns poucos outros gases foi bombardeada por raios ultravioleta, desfazendo assim as moléculas em átomos, os quais se reajuntaram para formar aminoácidos, que são os constituintes das proteínas. Estes e outros compostos orgânicos, somos informados, aglomeraram-se na água, adquiriram uma membrana e tornaram-se célula viva; esta derivou sua energia, no começo, talvez do metano, e posteriormente da fermentação. Diz-se que, ainda mais tarde, a célula teve de “inventar” o processo da fotossíntese. Mas, pode uma simples célula realmente produzir-se e sustentar-se assim? Ora, até mesmo os melhores cientistas admitirão humildemente que não conseguem entender completamente a fotossíntese, muito menos duplicá-la!

      ALGUNS EMPECILHOS

      Muitos cientistas aventam a teoria de que a célula evoluiu assim espontaneamente. No entanto, há muitos empecilhos para a sua teoria, e eles são muito, muito grandes!

      Primeiro empecilho: Presume-se audazmente que a atmosfera primitiva da terra tenha contido os gases necessários, nas proporções certas, para iniciar a cadeia de reações. Não há nenhuma evidência para apoiar isso.

      Segundo empecilho: Se existisse tal atmosfera, e se os aminoácidos fossem produzidos seriam destruídos pela mesma fonte de energia que separou o metano, o amoníaco e o vapor de água. Os aminoácidos são moléculas muito complexas; por isso, são menos estáveis e mais facilmente destrutíveis — assim como é mais fácil derrubar uma pilha de 10 tijolos do que uma de três. Formados a grande altitude na atmosfera, tais aminoácidos dificilmente poderiam sobreviver para atingir a água na terra, e, se fizessem isso, não durariam ali o bastante para ficar concentrados na “sopa” da teoria evolucionária. Os seguintes extratos dum artigo do Dr. D. E. Hull, na revista científica Nature, de 28 de maio de 1960, confirmam isso:

      “Esta vida curta para a decomposição na atmosfera ou no oceano claramente impede a possibilidade do acúmulo de concentrados úteis de compostos orgânicos durante eões de tempo . . . o mais alto valor admissível parece desesperadamente baixo para iniciar matéria para a geração espontânea da vida. . . . A conclusão tirada destes argumentos apresenta o obstáculo mais sério, senão deveras fatal, à teoria da geração espontânea. Primeiro, os cálculos termodinâmicos predizem concentrações infinitamente pequenas até mesmo dos mais simples compostos orgânicos. Segundo, as reações invocadas para sintetizar tais compostos são encaradas como sendo muito mais eficientes em decompô-los.”

      Numa experiência, quando os cientistas sujeitaram uma cuidadosamente preparada mistura de gases a uma descarga elétrica uns poucos dos mais simples aminoácidos de fato se acumularam mas apenas porque foram rapidamente retirados daquela área. Se esses aminoácidos tivessem sido deixados expostos à descarga, a situação poderia ser comparada ao que aconteceria se um homem fabricasse tijolos e outro batesse neles com um malho, assim que ficassem prontos. Requer várias centenas de aminoácidos ligados na seqüência correta numa cadeia para produzir uma proteína comum, e requer várias centenas de proteínas diferentes para constituir o mais simples dos organismos. Assim, na nossa analogia do homem que fabrica tijolos: ele precisa ligar centenas de tijolos numa seqüência, e acumular centenas destas seqüências de centenas — e tudo isso enquanto o outro homem está brandindo desenfreadamente seu malho! Isto ainda assim é exageradamente supersimplificado, porque requer muito mais do que apenas uma cadeia de aminoácidos para constituir um organismo vivo.

      OUTROS EMPECILHOS

      Terceiro empecilho: Quando aminoácidos são formados ao acaso, eles vêm em duas formas, que são quimicamente iguais, mas uma delas é uma molécula “destra” e a outra é uma molécula “esquerda”. Todas estão misturadas juntas, em número aproximadamente igual de cada tipo. Mas, nos organismos vivos usam-se apenas aminoácidos “esquerdos”. Portanto, voltando à nossa ilustração, o homem que fabrica tijolos os faz de duas espécies, vermelhos e azuis, acumulando uma pilha de milhões de tijolos, os vermelhos e os azuis misturados juntos. (Naturalmente, temos de presumir que o malhador foi eliminado, assim como os evolucionistas presumem que os raios ultravioleta, destrutivos, foram eliminados da ação.) Então, uma gigantesca pá penetra na pilha de milhões de tijolos vermelhos e azuis apanhando várias centenas de milhares de tijolos, e, por mero acaso, cada tijolo deles é vermelho! Da mesma maneira, por mero acaso, cada um dentre as centenas de milhares de aminoácidos, e às vezes milhões deles que constituem um organismo unicelular vivo, tem de ser “esquerdo”, embora tirado duma mistura de milhões de outros que são “destros”.

      Quarto empecilho: Não basta conseguir a espécie certa na quantidade suficiente. Cada um dos 20 diferentes aminoácidos precisa ligar-se à cadeia proteínica na seqüência certa. Caso um aminoácido fique fora de lugar, o organismo pode ficar aleijado ou ser morto. De modo que a gigantesca pá não só precisaria apanhar todos os tijolos vermelhos, mas também lançar cada um no seu devido lugar!

      Quinto empecilho: A membrana celular é formada de tecido membranoso. Os evolucionistas teorizam que uma película de água em torno duma gotinha de proteínas tornou-se a membrana, ou que glóbulos gordurosos envolveram as proteínas e se tornaram a membrana celular. A membrana é extremamente complexa, composta de açúcar, proteína, moléculas de gordura, e determina quais as substâncias que podem ou não podem penetrar na célula ou sair dela. Nem todas as complexidades são entendidas. Bernal diz, em A Origem da Vida [em inglês]: “O que nos falta ainda, conforme já mencionado, é um modelo plausível da origem das gorduras.” (Página 145) Sem as gorduras, não pode haver membrana; sem a membrana, nenhum organismo vivo.

      IMPOSSIBILIDADES NÃO SÃO IMPEDIMENTO

      Há literalmente milhares de empecilhos para a teoria evolucionária, no caminho desde a primitiva atmosfera, bombardeada por raios ou radiação, até o organismo unicelular, vivo, poder reproduzir-se. Cada cientista competente sabe disso. Sabe que as muitas especulações apresentadas para evitar os empecilhos são inadequadas. As leis que governam a energia e a matéria declaram ser impossível a geração espontânea da vida. As leis matemáticas da probabilidade condenam suas possibilidades.

      O organismo auto-reprodutor mais simples conhecido (a variedade H39 de micoplasma) tem 625 proteínas com a média de 400 aminoácidos em cada uma. Todavia, alguns afirmam que, teoricamente, poderiam bastar 124 de tais proteínas. Quais são as probabilidades de uma de tais proteínas de 400 aminoácidos “esquerdos” formar uma mistura de ambos, os “destros” e os “esquerdos”? Uma probabilidade de 10120 (1 seguido por 120 zeros).

      No entanto, esta célula não-existente precisa de 124 proteínas. Quais são as chances de se formarem espontaneamente tantas delas, todas de moléculas “esquerdas”? Uma probabilidade em 1014.880. Mas, estes aminoácidos não se podem ligar indiscriminadamente; precisam entrar na seqüência certa. Conseguir 124 proteínas, com a média de 400 aminoácidos “esquerdos” em cada uma, as probabilidades são de uma em 1079.360. Se escrevêssemos este último algarismo por extenso (1 seguido por 79.360 zeros), teríamos de usar umas 20 páginas desta revista! O Dr. Emil Borel, autoridade em probabilidades, diz que se a probabilidade for inferior a 1 em 1050 para algo acontecer, então nunca acontece, não importa quanto tempo se conceda. E este número poderia ser escrito em menos de duas das linhas que temos aqui.

      Evolucionistas de destaque conhecem os problemas. Alguns procuram relegá-los ao espaço sideral. O astrônomo britânico Sir Fred Hoyle disse que ‘as teorias terrestres, existentes, sobre a origem da vida, são altamente insatisfatórias por motivos químicos, válidos’, e que ‘a vida não se originou na própria terra, mas, antes, nos cometas’. Outros rangem os dentes e crêem, apesar da falta de evidência. O biólogo Dr. George Wald, vencedor do Prêmio Nobel, declarou: “Precisa-se apenas contemplar a magnitude desta tarefa para se admitir que a geração espontânea dum organismo vivo é impossível. Contudo, aqui estamos nós — como resultado, segundo creio, da geração espontânea.” Pela sua própria admissão, ele crê no impossível. Esta espécie de raciocínio é comparável à dum biólogo anterior, D. H. Watson, que disse que a evolução é “universalmente aceita, não porque possa ser provada como certa por meio de evidência coerente, lógica, mas porque a única alternativa, a criação, é claramente incrível”.

      É VOCÊ CRÉDULO OU LÓGICO?

      Sem outra base, os que escrevem sobre a evolução recorrem à tirania da autoridade. ‘Todos os cientistas de importância crêem nela; nenhum biólogo de reputação duvida dela; as pessoas informadas não a questionam; todas as pessoas inteligentes a aceitam; apenas os que têm preconceito religioso a rejeitam; ela tem sido provada muitas vezes, não se precisa mais de nenhuma prova adicional.’ E assim prossegue continuamente a pressão e a lavagem cerebral.

      Você, porém, devia investigá-la por si mesmo. Daí, decida por si mesmo. Sua vida pode depender da decisão que tomar. E considere o seguinte: Você poderia pular do alto dum edifício de 20 andares. Então, pouco antes de bater na rua, uma repentina e terrível rajada de vento apanha você e o lança de volta ao alto do prédio. É isso provável? É bem improvável. Não conte com isso. Mas, é muito mais provável do que um organismo vivo formar-se espontaneamente! Tampouco conte com isso!

      A Bíblia diz no Salmo 36:9: “Contigo [Deus] está a fonte da vida.” É credulidade acreditar que a vida surgiu por acaso. É lógico crer que foi criada por um Deus inteligente, conforme mostra o artigo que segue.

  • “Percebidas por meio das coisas feitas”
    A Sentinela — 1979 | 15 de maio
    • “Percebidas por meio das coisas feitas”

      Se artefatos rudimentares de pedra provam a existência dum inventor, então, com muito mais força, não proclamam as criaturas vivas, de muito maior complexidade, que existe um Criador sábio e todo-poderoso?

      QUANDO ocorre uma avalancha de pedras nas montanhas, esperamos ver um amontoado de pedras lá onde ela vai parar no vale. Não acreditaríamos nos nossos olhos, se todas as pedras acabassem pousando na forma duma bela casa de pedras — porque uma casa requer alguém que a invente e desenhe, e trabalho objetivo. E não há invento sem inventor, nem trabalho objetivo sem trabalhador inteligente. Isto concorda com a declaração bíblica de Hebreus 3:4: “Cada casa . . . é construída por alguém.”

      Algum cientista escava no cascalho da terra e encontra uma pedra redonda e oblonga, que é lisa e tem uma canelura em volta do centro. Ele não tem nenhuma dúvida de que foi trabalhada por um homem primitivo. Está convencido de que estava presa a um pau, por meio duma tira de couro, sendo usada como martelo ou arma. De modo similar, ele encontra uma pedra chata com canto afiado, e tem certeza de que foi trabalhada por um homem da “Idade da Pedra” para ser usada como faca ou raspadeira. Ou, uma pequena lasca de pederneira em forma de ponta de flecha o convence de que foi projetada pelo homem para ser usada como ponta de flecha ou lança. Tais coisas inventadas com um objetivo, conclui o cientista, não são obra do acaso.

      O trabalho reflete o trabalhador. Tais artefatos e armas são rudimentares. Por isso, quem os produziu é considerado primitivo, visto que os macacos não fabricam armas, e os do homem moderno são de desenho engenhoso. De modo que o cientista coloca o homem que fez os objetos de pedra na idade da pedra, e especula que sua aparência e sua faculdade cerebral devem ter sido entre as do macaco e do homem moderno. Por isso, visualiza um homem-macaco pelado, de ombros encurvados, testa baixa e andar arrastado. As criações de tal homem refletem mais objetivo e invento do que o pau que o macaco talvez apanhe, porém, muito menos do que as coisas criadas pelo homem moderno. O cientista encara o trabalhador através dos seus trabalhos, e julga suas qualidades à base de seus trabalhos.

      ELES ABANDONAM A SUA PRÓPRIA LÓGICA

      No entanto, quando se trata da abundância de vida vegetal e animal encontrada na terra, a maioria dos cientistas renegam seu conceito, de que o invento requer um inventor. Os organismos mais simples são de complexidade muito maior do que artefatos rudimentares de pedra. Sim, até mesmo o protozoário unicelular não pode ser considerado simples. Pois, dentro daquela única célula existe a capacidade de realizar todas as funções físicas desempenhadas pelos muitos órgãos dos vertebrados. É: em si mesmo um organismo complexo. Os cientistas evolucionistas insistem em que tais organismos complexos não tiveram nenhum inventor, mas vieram à existência por mero acaso. Em comparação com o protozoário produzir a si mesmo espontaneamente, seria mais fácil que artefatos rudimentares de pedra se formassem numa avalancha ou por uma torrente de água, ou seria até mesmo a coisa mais simples que uma casa de rocha fosse construída por uma avalancha de pedras!

      No que se refere às criações mais complexas no universo, será que foi o preconceito emocional que induziu muitos a abandonarem sua regra lógica, de que um trabalho objetivo reflete as qualidades dum trabalhador inteligente? A Bíblia concorda com a regra deles, mas são eles que recuam diante da sua aplicação bíblica: “As suas qualidades invisíveis são claramente vistas desde a criação do mundo em diante, porque são percebidas por meio das coisas feitas, mesmo seu sempiterno poder e Divindade.” (Rom. 1:20) Eles nunca aceitariam que o acaso tivesse produzido um artefato rudimentar de pedra, mas o aceitam prontamente como tendo sido o criador, não só do protozoário, mas de toda a vida na terra, inclusive do homem! Deixam de perceber nestas maravilhas inventadas o grande Inventor e Criador do universo. Considere apenas umas poucas de tais maravilhas. Reflita sobre se o acaso cego possui as qualidades que elas demonstram.

      O SOLO POR BAIXO DOS SEUS PÉS

      No terceiro dia criativo, Jeová disse: “Apareça a terra seca.” (Gên. 1:9) Isto abriu o caminho para as plantas terrestres. Mas, para estas plantas poderem viver, tinha de haver a maravilha do solo. O solo? É ele uma maravilha? Não é uma das coisas mais comuns na superfície da terra? De fato, é, Todavia, o solo é um recurso vital, e hoje há preocupação com a sua erosão, que causa regiões secas e aumenta os desertos. Amiúde levou milhares de anos para as rochas se transformarem em solo fértil. Elas sofrem decomposição; fungos estabelecem-se e germinam, lançando raízes que enredam algas, e os fungos e as algas se unem assim para se tornar líquenes. Os líquenes crescem na superfície das rochas, desintegrando-as e constituindo um solo fino que pode sustentar musgos, e os musgos, por sua vez, vivem e morrem, produzindo mais solo, que finalmente sustentará plantas de sementes. Forças erosivas levam este solo a lugares onde se acumula até uma espessura que pode sustentar formas mais altas de plantas, e, por fim, árvores.

      As plantas perdem as folhas e morrem, as bactérias causam a decomposição, e assim se cria rico solo orgânico. Os micróbios decompõem estes compostos orgânicos em simples nutrientes, necessitados pelas plantas. Embora chamemos o solo de sólido, muitos solos estão longe de serem sólidos, porque estão cheios de ar, água e uma multidão de coisas vivas. Uns 30 gramas de partículas de solo podem ter uma superfície que abrangeria 2,4 hectares. Nas zonas temperadas, uma colher de chá de solo pode conter mais de 5.000.000.000 de organismos vivos! Cada um deles é uma maravilha de projeção e finalidade, e todos juntos são necessários antes ‘de a própria terra dar a sua produção’. (Eze. 34:27) É o solo apenas algo em que se pisa? Sem ele, não haveria vida na terra!

      NAVEGADORES ALÉM DA COMPREENSÃO HUMANA

      Muitas aves migram, para fugir da estação fria e achar alimento. Sua perícia de navegação é espantosa, e ainda não é totalmente compreendida. No hemisfério setentrional, quando começa o frio, como é que elas sabem que o tempo quente e o alimento estão no sul, não no leste ou no oeste? E, ao retornarem na primavera, como é que sabem que devem voar para o norte? Diferentes hormônios lançados no seu sangue lhes dizem isso. Algumas aves migram centenas de quilômetros, outras milhares deles, para o mesmo lugar que deixaram seis meses antes. As andorinhas-do-mar e as tarambolas fazem viagens que só numa direção abrangem uns 6.400 quilômetros. Os filhotes fazem a viagem sozinhos pela primeira vez. Até tão recentemente quanto a Idade Média, os naturalistas negavam-se a crer que as aves migravam, mas inventaram explicações fantásticas para o aparecimento e o desaparecimento delas na primavera e no outono. Mas, já no sétimo século antes de Cristo, a Bíblia falava em migrações: “Até mesmo a cegonha nos céus — ela conhece bem seus tempos designados; e a rola, e o andorinhão, e o bulbul — eles observam bem o tempo da entrada de cada um.” — Jer. 8:7.

      Mesmo depois de a migração ter sido aceita para as aves grandes, os naturalistas argumentavam que as menores pegavam carona ou boléia nas costas das grandes. Mas o pequeno pássaro canoro conhecido como dendróica estriada, assim como muitos outros pássaros pequeninos, migra por conta própria. Parte do Alasca no outono, voa em etapas até o litoral da Nova Inglaterra, espera o tempo certo, depois voa por cima do Atlântico e chega em de três a cinco dias até a costa nordeste da América do Sul. Faz isso sem parar, sobre uns 3.800 quilômetros de oceano, sendo um pássaro que pesa menos de 20 gramas! Que espantoso computador é este que, naquela pequeníssima cabeça, marca o tempo, computa o movimento do sol, usa as estrelas, relacionando tudo isso com o mapa de seu destino e até mesmo habilitando o pássaro a chegar a salvo, mesmo que o céu esteja encoberto? Pode alguém, bem no íntimo, realmente crer que o acaso criou este pequeno pássaro canoro do Alasca?

      Estudos feitos com pombos-correio revelaram outro sistema de orientação disponível às aves. Levados dentro duma caixa escura, por rotas tortuosas, e soltos a quase 1.000 quilômetros de seu pombal, voltaram a ele em um único dia. Caso o sol brilhe, então usam seu sistema de orientação. Mas, podem também voltar em dias de céu encoberto ou durante a noite. São sensíveis ao campo magnético da terra e o usam como sistema de orientação. Soltou-se um bando deles; metade das aves tinham ímãs presos às costas, e isso distorceu o campo magnético da terra e o tornou inútil. Num dia ensolarado, todo o bando retornou a salvo. Mas, num dia de céu encoberto, os que não tinham ímãs retornaram, mas os com os ímãs ficaram voando em roda a esmo. Durante anos, achou-se impossível que qualquer criatura pudesse sentir o campo magnético da terra; ele é muito fraco. Agora, os cientistas sabem que é sentido não só pelas aves, mas também pelas abelhas. Recentes experiências sugerem que até mesmo algumas lesmas são sensíveis a ele.

      Não somente as aves migram, mas também baleias, focas, tartarugas, enguias, caranguejos, peixes, borboletas e o caribu. Todavia, alguns dorminhocos preferem a hibernação para escapar dos rigores do inverno. O pequeno esquilo terrestre, raiado, ilustra algumas das notáveis mudanças fisiológicas que ocorrem nos hibernadores. A temperatura do corpo cai até perto dos poucos graus do frio fora da toca. O coração bate apenas uma ou duas vezes por minuto. Quando ativo, este esquilo pode respirar algumas centenas de vezes por minuto, mas, na hibernação, respira vagarosamente apenas uma vez em cada cinco minutos. Contudo, seu sangue permanece saturado de oxigênio, e os músculos pouco usados retêm a sua tonicidade. O que provoca esta decisão de dormir no outono e acordar na primavera? Não é apenas o clima. Uma substância química lançada no sangue inicia a hibernação, e outra faz com que desperte. Recorrendo ao uso de tais substâncias químicas, os cientistas conseguiram fazer os hibernadores entrar no seu longo sono no meio do verão.

      Considerando tais maravilhas, Jó admitiu: “Falei, mas não estava entendendo coisas maravilhosas demais para mim, as quais não conheço.” — Jó 42:3.

      MISCELÂNIA DE INVENÇÕES ENGENHOSAS

      Lembra-se do artefato rudimentar de pedra, que não pode ter surgido por acaso? Tenha-o em mente para uma comparação, ao decidir se as seguintes coisas simplesmente podem ter acontecido por acaso.

      A maioria das pessoas sabe que o camaleão pode esticar velozmente a língua para apanhar insetos à distância de alguns centímetros. Mas, sabe como esta criatura o faz? Alojado horizontalmente no fundo de sua boca há um osso em forma de cone, com a ponta para a frente. Na sua base está ancorada a língua comprida e oca. Músculos compridos seguram a língua, pregueada como o fole dum acordeão e comprimida em torno deste osso. Na ponta da língua há músculos esfincter, apoiados na ponta do osso. Os olhos revolventes do camaleão, atuando independentemente, avistam um inseto dentro do seu alcance. Os músculos compridos contraem-se fortemente e seguram a língua por cima do osso qual mola comprimida. Daí, os músculos esfincter, em torno da ponta do osso escorregadio, contraem-se de repente, e, ao fazerem isso, afrouxam os músculos compridos que comprimem a “mola”, e a língua salta para fora. O inseto fica grudado na ponta pegajosa, e a língua comprida e frouxa é vagarosamente recolhida. A ação é similar à dum garoto, que atira caroços ou sementes lisas de melancia com o polegar e o dedo indicador; só que no caso do osso escorregadio este fica no seu lugar, e a ponta da língua, fazendo pressão, salta para fora. Esta invenção engenhosa certamente precisou dum inventor.

      O besouro-bombardeiro usa explosivos para deter predadores. Três substâncias químicas, segregadas por glândulas, são armazenadas num depósito. Quando se aproxima um inimigo, abre-se uma válvula para admitir as substâncias químicas num compartimento de parede forte. Ali, uma enzima faz com que se deflagrem, e duma torrinha que pode ser assestada em qualquer direção é atirada uma névoa nociva. O besouro pode fazer a explosão repetidas vezes, dezenas de vezes em questão de minutos, havendo cada vez um audível “pop”. O inimigo recua, às vezes tomado de ataques. Este besouro possui um laboratório, produz explosivos e usa-os com um objetivo. É uma espantosa pequena fábrica de bombas!

      O besouro-d’água tem olhos bifocais, para ver por cima e por baixo da água duma lagoazinha, mas esta é a mínima das suas maravilhas. Pode voar, rastejar, andar sobre a água ou mergulhar. Neste último caso, leva consigo uma grande bolha de ar, que atua como pulmão. Esta recebe do besouro os resíduos de bióxido de carbono e os lança na água, e transfere oxigênio da água para o besouro. A criatura pode ficar submersa durante horas. As partes inferiores do besouro gostam da água, mas as partes superiores dele, inclusive as metades superiores dos olhos compostos, são mantidas lubrificadas pelas glândulas para que repilam a água. Ele pode locomover-se velozmente em todas as direções sobre a película superficial da água, criando ondinhas ao fazer isso. Quando estas ondinhas atingem a margem, ou objetos na superfície da água — talvez outro besouro-d’água ou um inseto comestível — trazem reflexos de retorno. Com duas antenas mantidas à superfície da água, o besouro controla as mensagens delas sobre seus arredores. Capta alimentos e evita colisões, quando centenas de seus pares participam em dardejar erraticamente em volta, todos criando ondinhas, mas cada um controlando as suas próprias. Este sistema funciona dia e noite. O besouro-d’água faz com as ondas da água o que os morcegos fazem com as ondas sonoras — com um computador encaixado naquela minúscula cabeça!

      “NÃO HÁ NADA DE NOVO DEBAIXO DO SOL”

      As pessoas olham para as consecuções tecnológicas e admiram os inventores humanos. Olham para os mesmos princípios empregados com uma finalidade, por criaturas vivas, e dizem que simplesmente vieram a existir por acaso. Na maior parte, os inventores humanos são realmente adaptadores. Já fora feito antes, como disse Salomão: “Não há nada de novo debaixo do sol.” (Ecl. 1:9) No livro Bionics, de Daniel Halacy, Jr., lemos na página 19:

      “Foi colocado no mercado um avião comercial com uma curvatura de asa modelada segundo a duma ave. Uma firma de produtos de borracha estava experimentando com uma ‘pele’ artificial, aerodinâmica, para barcos, copiada daquela dos mamíferos marinhos. Um novo indicador de velocidade do solo, para aviões, foi modelado segundo o olho dum besouro, e uma câmara melhor de TV simula o mecanismo do olho do límulo.”

      Os homens pesquisam detidamente as criações de Jeová Deus para descobrir seu funcionamento engenhoso e adaptá-lo às invenções humanas. Isto nos faz lembrar as palavras de Jó 12:7-9: “Pergunta, por favor, aos animais domésticos, e eles te instruirão; também às criaturas aladas dos céus, e elas te informarão. Ou mostra à terra a tua preocupação, e ela te instruirá; e os peixes do mar to declararão. Qual entre todos estes não sabe muito bem que a própria mão de Jeová fez isso?” Os inventores gostam de receber o crédito pelas suas espertas adaptações, mas, amiúde negam o reconhecimento. Aquele que, “em sabedoria”, originou tudo. — Sal. 104:24.

      A Bíblia fala sobre a formiga ceifeira, em Provérbios 6:8: “Prepara seu alimento no próprio verão; tem recolhido seus alimentos na própria colheita.” Durante séculos, duvidou-se da existência de formigas que ceifassem e armazenassem cereais, mas, em 1871, um naturalista britânico descobriu seus celeiros As formigas também cultivam safras, têm escravos e mantêm criações. As térmitas condicionam o ar dos seus ninhos, assim como as abelhas fazem com suas colméias. Por meio duma dança no escuro, as abelhas mostram também a outras onde está o néctar, em que direção e quão longe. Os insetos têm espantosas capacidades que os homens não podem imitar. ‘São instintivamente sábios’, conforme diz a Bíblia, criados assim por Jeová Deus. — Pro. 30:24.

      “Água, água em toda a parte, mas nenhuma gota para beber”, diz um ditado a respeito do oceano. Mas, algumas aves aquáticas têm glândulas que dessalinizam a água do mar. Alguns peixes e enguias geram eletricidade, até uns 400 volts. Muitos peixes, vermes e insetos produzem luz fria, para a inveja dos cientistas, cujas próprias luzes perdem energia pelo calor. Morcegos e golfinhos usam o sonar, as vespas fabricam papel, as formigas constroem pontes, os castores erguem represas, certas cobras possuem termômetros sensíveis à mudança de temperatura de um milésimo de grau centígrado. Insetos de charcos usam tubos snorkel e sinos de mergulhador, os polvos usam a propulsão a jato, as aranhas tecem sete espécies de teias, fabricam alçapões, redes, laços, e têm crias que são aeróstatas, viajando milhares de quilômetros a grandes altitudes. A fêmea da traça lança perfume que o macho pode sentir a uma distância de 10 quilômetros, mesmo que só uma molécula toque na sua antena. O salmão volta ao riacho em que nasceu, depois de passar anos no mar aberto, porque cada um deles se lembra do cheiro caraterístico do riacho donde veio e pode detectá-lo ao nadar nas águas costeiras.

      Jeová trouxe à atenção de Jó Suas muitas maravilhas criativas. Qual foi a reação de Jó? A seguinte: “Fiquei sabendo que és capaz de fazer todas as coisas, e não há idéia que te seja inalcançável.” — Jó 42:2.

      É impossível que tal espantoso invento exista sem inventor. Os evolucionistas afirmam que ‘a seleção natural e a sobrevivência do mais apto’ constituem o inventor. Mas, o problema é o surgimento do mais apto, não a sobrevivência dele. Não se pode selecionar até haver uma escolha disponível. Não se pode construir uma casa antes da chegada do material de construção. Conforme diz a Bíblia: “Cada casa, naturalmente, é construída por alguém, mas quem construiu todas as coisas é Deus.” A evidência está em toda a parte. Muitos dos que acham que um artefato rudimentar de pedra indica um homem-macaco não conseguem perceber as qualidades de Deus refletidas em todas as suas espantosas obras. “Eles são inescusáveis.” (Rom. 1:20) Mas, tenhamos nós os ‘olhos que vêem’ a existência de Jeová, conforme refletida nas suas obras criativas. — Mat. 13:14-16.

      [Foto na página 11]

      CAMALEÃO

      osso hióide

      músculos esfíncter

      músculos hióides

      osso central

      a língua pegajosa segura os insetos

      [Foto na página 12]

      besouro-bombardeiro

      [Foto na página 13]

      Navegação, sonar, propulsão a jato, jardinagem, comunicação — quem os teve primeiro?

  • O cérebro humano — massa cheia de mistério
    A Sentinela — 1979 | 15 de maio
    • O cérebro humano — massa cheia de mistério

      Quem afirmaria que um prédio pode construir a si mesmo, ou um aparelho de televisão fabricar a si mesmo, ou um computador projetar e programar a si mesmo? Requer cérebros para fazer essas coisas. Contudo, alguns afirmam que o cérebro simplesmente surgiu por acaso. É o cérebro humano mais simples do que prédios, televisores e computadores?

      DAVI olhou para a abóbada estrelada, lá em cima, e viu esta mensagem refletida ali: “Os céus declaram a glória de Deus; e a expansão está contando o trabalho das suas mãos.” Ficou espantado com a imensidão deles e se perguntou por que Deus se lembraria do insignificante homem: “Quando vejo os teus céus, trabalhos dos teus dedos, a lua e as estrelas que preparaste, que é o homem mortal para que te lembres dele, e o filho do homem terreno para que tomes conta dele?” Contudo, quando Davi contemplou seu próprio corpo, novamente se admirou: “Elogiar-te-ei porque fui feito maravilhosamente, dum modo atemorizante. Teus trabalhos são maravilhosos, de que minha alma está bem apercebida.” — Sal. 19:1; 8:3, 4; 139:14.

      Que contraste com os homens atuais! Davi sentiu-se vencido diante do poder majestoso de Deus, quando viu umas 2.000 estrelas. Hoje, os homens discernem uns cem bilhões de estrelas na nossa galáxia chamada Via-láctea, calculando mais cem bilhões de galáxias no universo (cada uma com bilhões de estrelas), mas negam a existência dum Criador. Davi maravilhou-se da complexidade de seu próprio corpo e elogiou a Jeová. Atualmente, os homens sabem muito mais sobre as maravilhas do corpo, mas atribuem tudo à evolução cega. Estão sempre aprendendo, mas nunca parecem ser capazes de chegar ao conhecimento da verdade declarada pelas suas próprias descobertas, a saber, que requer um Criador sábio e poderoso para trazer à existência tais maravilhas de desígnio.

      A revista Scientific American observou este desígnio e disse: “Quase que parece que o universo deve ter de algum modo sabido que estávamos chegando.” A revista atribui esta preparação para nós aos “muitos acasos da física e da astronomia que cooperaram em nosso benefício”. Todavia, não foi o universo, mas Jeová Deus, quem sabia que estávamos chegando, e não foi por acaso que ele preparou a terra e os seus céus imediatos para nós. Sem dúvida, sentimo-nos assim como Davi, quando vemos a grandiosidade da terra e a vasta expansão dos céus — pequenos e insignificantes. Mas, quando Jeová nos diz que a terra foi feita para o homem, que ele espera que o homem tome conta dela e que equipou o homem com a capacidade de assumir esta responsabilidade, então não devemos achar que a nossa pequenez nos desqualifique de ser dignos de sua atenção. — Gên. 1:14-18, 26-28; 2:15; Isa. 45:18.

      MASSA CHEIA DE MISTÉRIO

      A maior das dádivas de Deus, a fim de nos equipar para cuidar da terra, é uma massa cinzenta, mole, um pouco maior do que uma toranja. Sua preciosidade é enfatizada pela sua localização protegida. Está envolvida por três membranas, e praticamente flutua num líquido acolchoador, estando tudo isso envolvido por osso sólido — o crânio. Ela é o que nos distingue dos animais irracionais e nos dá a possibilidade de sermos à imagem e semelhança de Deus. Pensamos, aprendemos, sentimos, sonhamos e nos lembramos por meio dela — mas não podemos entendê-la. Apesar de todas as intensivas pesquisas científicas para descobrir seu funcionamento, permanece um mistério. O fisiólogo britânico Sir Charles Sherrington escreveu: “O cérebro é um mistério; tem sido assim e continuará assim. Como produz o cérebro os pensamentos? Esta é a questão central, e ainda não temos nenhuma resposta para ela.” O famoso antropólogo Dr. Henry Fairfield Osborn escreveu: “Para mim, o cérebro humano é o objeto mais maravilhoso e misterioso em todo o universo.”

      O sistema nervoso é duma espantosa complexidade. Suas células são chamadas neurônios e estendem-se por todo o corpo. Algumas delas têm apenas uma fração de centímetro de comprimento; outras têm dezenas de centímetros de extensão. A mais comprida liga o cérebro com o dedo grande do pé. Os impulsos eletroquímicos levam mensagens ao cérebro, procedentes dele, a uma velocidade de uns 3 a 300 quilômetros por hora. Os nervos mais compridos são compostos de milhares de fibras, tendo o nervo ótico cerca de um milhão de fibras, cada uma delas levando uma mensagem separada. O sistema nervoso autônomo dirige, sem pensamento consciente da pessoa, o funcionamento dos órgãos, do sistema circulatório, das membranas e dos muitos músculos, tais como os que se relacionam com a respiração, a deglutição e os movimentos peristálticos nos intestinos.

      O próprio cérebro tem 10 bilhões de neurônios e 100 bilhões de células glias, que constituem a estrutura de sustentação e provavelmente têm função nutricional Os neurônios do cérebro estão ativos dia e noite, mesmo durante o sono, e consomem muita energia. A energia, em cada célula, provém da oxidação da glicose. O cérebro é imóvel, não se contrai nem se expande, e constitui apenas 2 por cento do peso do corpo. Contudo, para continuar funcionando, precisa receber 20 por cento do sangue bombeado pelo coração; requer 25 por cento do suprimento de oxigênio do sangue. Se for privado do sangue por uns 15 segundos, perde-se a consciência; se isso for por uns quatro minutos, pode ocorrer dano cerebral irreparável. Sua atividade elétrica pode ser medida e registrada como linhas oscilantes, em papel, chamadas de ondas cerebrais, que são registradas no chamado eletroencefalograma, ou EEG.

      Os processos mais elevados de pensamento ocorrem no cérebro propriamente dito, com seus diversos lobos, estando dividido em hemisfério direito e esquerdo. O hemisfério esquerdo do cérebro controla o lado direito do corpo, sendo geralmente o dominante e o centro da lógica, das faculdades verbais e do processamento de dados de milhões de bits de informação que afluem ao cérebro cada segundo. O hemisfério direito controla a parte esquerda do corpo, e está devotado às atividades criativas e intuitivas da mente. Mas, quando um hemisfério do cérebro falha ainda em tenra idade, o outro hemisfério assume a maioria das funções. Acha-se que o cérebro não está sendo plenamente usado; tem o potencial de transformar pessoas simples, comuns, em gênios.

      MENSAGENS, PENSAMENTOS, EMOÇÕES

      “O ouvido atento e o olho que vê — o próprio Jeová é que fez a ambos.” (Pro. 20:12) O ouvido recebe ondas sonoras e as transforma em estímulos elétricos que produzem impulsos no nervo auditivo. Quando estes chegam à zona da audição no cérebro, são interpretados como sons, e criam-se pensamentos. A luz penetra no olho, e bastonetes e cones transformam esta luz em estímulos elétricos, que movimentam impulsos ao longo do nervo ótico até o cérebro, onde se tornam cenas que estimulam idéias. De maneira similar, Jeová proveu sensores nervosos no nariz, na boca e na pele, que transformam odores, sabores, toques e calor em estímulos elétricos. Estes enviam impulsos ao cérebro, o qual, por sua vez, analisa as mensagens assim recebidas e decide a reação apropriada.

      Os neurônios, ou células nervosas, têm em uma extremidade dendritos, que se estendem quais ramos duma árvore; na outra extremidade há um longo fio chamado axônio. Os dendritos captam os impulsos e os enviam através do axônio, que os passa para os dendritos do próximo neurônio. Mas o axônio e os dendritos nunca se tocam. Há um pequeno intervalo de 1/500 do diâmetro do cabelo humano, que precisa ser transposto, ao passo que os impulsos vão de neurônio em neurônio, até chegarem ao cérebro. Estes intervalos, ou sinapses, como são chamados, são usualmente transpostos por mensageiros químicos conhecidos como neurotransmissores. As mensagens levadas ao cérebro e procedentes dele não fluem como a eletricidade num fio. São de natureza eletroquímica, transmitem-se em impulsos que variam em freqüência, dependendo da intensidade do estímulo, e por isso não precisam ser empurradas por uma fonte externa de energia, como se dá com a eletricidade num fio. Cada neurônio é como uma pequena bateria, é sua própria fonte de energia, e a intensidade ou a força do impulso é constante em todo o percurso até o cérebro, ou procedente dele. Não há perdas ao longo do percurso.

      A capacidade do cérebro para processar dados é além de compreensão. Imagine o que deve estar acontecendo no cérebro do regente duma grande orquestra sinfônica! Há regentes que decoraram as partituras para 50 ou 100 instrumentos. Ao passo que a orquestra toca e centenas de notas por segundo, com suas diversas freqüências, afluem ao cérebro do regente, ele as compara com seu padrão de memória. Descobre logo quando um dos muitos instrumentos toca uma nota errada! Ou imagine um pianista virtuose tocando uma partitura difícil, com todos os seus dedos voando! Quão espantoso deve ser o senso cinemático de seu cérebro, para ordenar a exata relação espacial dos dedos, para tocarem nas teclas certas, a fim de se harmonizar com as notas na sua memória!

      As redes de interconexões entre os 10 bilhões de neurônios no cérebro atingem algarismos tão fantásticos, que se tornam incompreensíveis, sem sentido. As mais recentes pesquisas mostram não só as conexões entre axônios e dendritos, mas também entre axônios e axônios, e micro-circuitos entre os próprios dendritos.

      As seguintes citações fornecem informações adicionais:

      “Dentre os muitos bilhões de células nervosas no córtex cerebral, a grandíssima maioria é usada em memória associativa. Estas células estão interligadas em cadeias de bilhões de fibras de associação. Estas células e as fibras podem ser novamente usadas indefinidamente; cada vez que são usadas, os impulsos transpõem suas sinapses com mais facilidade. Lembranças acumuladas em algumas células podem assim ser associadas com as armazenadas em outras, e as novas impressões podem ser comparadas com memórias de impressões anteriores. Assim se pode chegar a conclusões lógicas, e estas podem resultar adicionalmente em pensamento criativo.” — Encyclopedia Americana, Vol. 4, p. 423, edição de 1977.

      “O cérebro pesa menos de três libras contudo, um computador capaz de manejar o rendimento de um único cérebro cobriria a terra inteira. O cérebro classifica cem milhões de bits de dados procedentes dos olhos, dos ouvidos, do nariz e de outros postos sensoriais avançados, em cada segundo, contudo, usa muito menos eletricidade do que uma lâmpada comum. . . . Visto que cada neurônio contém umas duzentas mil sinapses ao longo de suas numerosas ramificações, e há bilhões de neurônios, as sinapses dão ao cérebro uma flexibilidade quase ilimitada.” — Mainliner Magazine, março de 1978, pp 43, 44.

      Um pensamento, se for bastante forte, produzirá uma sensação. A sensação, se bastante forte, causará uma ação. Você pensa nas criações de Jeová, sente gratidão e o serve. Você pensa num ente querido em perigo, sente medo e toma ação para salvá-lo. Os pensamentos ruins funcionam do mesmo modo. Quando alguém olha para uma mulher com pensamentos adúlteros, aumenta o desejo; pode-se cometer adultério. Tanto Jesus como o discípulo Tiago confirmam isso: “Cada um é provado por ser provocado e engodado pelo seu próprio desejo. Então o desejo, tendo-se tornado fértil, dá à luz o pecado.” (Tia. 1:14, 15; Mat. 5:27, 28) Os nervos sensoriais junto ao cérebro produzem sentimentos. Por exemplo, há no cérebro zonas de prazer que, quando estimuladas com eletrodos, produzem prazer. Quando estimuladas por eletrodos, outras zonas emocionais produzem ira, medo ou paz. Gatos assim estimulados podem ser induzidos a acovardar-se diante dum camundongo. Os ratos com eletrodos num ponto sentem fúria; em outro ponto, sentem prazer. Fizeram-se ligações em pedais para que os ratos, ao comprimi-los, estimulassem suas zonas de prazer. Eles comprimiram esses pedais até 5.000 vezes por hora, não fazendo caso nem do alimento, nem do sexo ou do sono, até caírem de puro esgotamento!

      RESTAM AINDA MUITOS MISTÉRIOS

      Aprendeu-se muito sobre o cérebro, porém, muito mais permanece em mistério. Por meio do uso de eletrodos, mapearam-se zonas do córtex cerebral, mostrando quais as funções realizadas e onde. Eliminaram-se algumas crenças falsas, tais como a frenologia — o estudo das “tendências caraterísticas” pela apalpação das saliências na cabeça. A forma do crânio não é determinada pela forma do cérebro, nem é possível atribuir “tendências caraterísticas” a determinadas zonas do cérebro

      Entretanto, não se sabe como as pontas dos nervos nos receptores sensoriais transformam a sensação que recebem em estímulo elétrico. Não se sabe como funciona a memória. Não se sabe como os pensamentos surgem de impulsos eletroquímicos, nem como se chega a decisões, nem como se iniciam as reações enviadas pelos nervos motores. Nem mesmo as transmissões dos impulsos ao longo dos neurônios não são completamente entendidas. Está além de nosso entendimento como estes impulsos elétricos causam sonhos, a redação de poemas, a composição de música — ou, quanto a isso, até mesmo de se estar consciente!

      Já pensou na magnitude do trabalho cerebral necessário para os atos que consideramos normais—andar, falar, comer, nadar, andar de bicicleta ou apanhar uma bola no ar? O principiante usualmente corre para lá e para cá para apanhar uma bola atirada, e ela costuma cair a certa distância dele. Em contraste, um profissional de beisebol já corre quando ouve a batida. O som do rebate na bola lhe diz com quanta força foi a batida, seus olhos vêem a trajetória e a velocidade dela, e seu cérebro computa o ponto aproximado onde ela vai cair. Ele corre naquela direção, mas, ao correr, seu cérebro computador faz continuamente cálculos para fixar o ponto onde deve apanhá-la. Há vento? Quão forte é? Empurra ele a bola para a direita ou para a esquerda? Atrasa a bola ou a leva mais adiante? Precisa ele mudar de direção, correr mais veloz ou mais devagar? É o solo desigual, há um buraco a evitar, vem outro jogador para apanhá-la, e deve deixar que a pegue ou deve acenar para que a deixe?

      Precisa observar todas estas coisas sem tirar os olhos da bola! Se os tirasse dela, significaria “desligar seu computador” e perderia a bola. Não há conscientemente nenhum tempo para fazer estes muitos cálculos e decisões. A mente e os músculos do jogador, treinados pelas experiências gravadas na sua memória, funcionam automaticamente, porque seu cérebro foi programado pela prática para fazer tudo isso. Como ele passou a ter a capacidade de pegar uma bola no ar já é em si mesmo um mistério!

      Pode a inteligência do cérebro ser atribuída ao acaso, assim como muitos cientistas fazem agora? Eles são muito incoerentes ao cogitarem o acaso. Falam sobre dirigir sinais de rádio a estrelas para estabelecer comunicação com civilizações distantes, num planeta hipotético. Como poderiam esses distantes receptores reconhecer os sinais como provindo duma fonte inteligente, e não do mero acaso? Poderiam transmitir simples equações aritméticas, tais como duas vezes três são seis. Isto se pode fazer facilmente. Ou os sinais poderiam ser muito mais complexos, mas seguindo certa ordem, que transmitiria informações, talvez até mesmo a imagem dum homem. Certamente, se um de nossos grandes radiotelescópios, esquadrinhando as profundezas do espaço, captasse tal mensagem pictórica, os cientistas nunca duvidariam de que procedesse duma fonte inteligente. No entanto, isso é muito simples quando comparado com o cérebro, e muitíssimo mais simples do que a única célula no ventre, que não só pode produzir um cérebro, mas uma criatura humana, completa! É coerente dizer que o cérebro surgiu por mero acaso, que a célula no ventre simplesmente aconteceu, mas que sinais de rádio, padronizados, provam além de qualquer dúvida que se originam duma fonte inteligente? Essa pergunta nem precisa duma resposta.

      Ao conversar sobre a natureza de Deus, o universo e o homem, Albert Einstein olhou de repente para o céu e disse: “Não sabemos absolutamente nada sobre ele. Nosso conhecimento é apenas o de escolares.” Perguntou-se-lhe: “Acha que alguma vez penetraremos no segredo?” Ele replicou: “Possivelmente saberemos um pouco mais do que agora. Mas a natureza real das coisas — esta não saberemos nunca, nunca.”

      Tanto Einstein como Davi sentiram-se estupefatos diante dos mistérios do céu noturno e do homem. E continuamos estupefatos diante da massa de mistério encaixada no nosso crânio — o cérebro humano.

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