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Nunca está sozinhoA Sentinela — 1973 | 1.° de março
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Nunca está sozinho
“Deus é para nós refúgio e força, uma ajuda encontrada prontamente durante aflições. Por isso é que não temeremos.” — Sal. 46:1, 2.
1, 2. Como reagiu certo jornalista diante do isolamento de sete anos de um missionário, e como explicou o missionário a sua perseverança bem sucedida?
EM 1965, um missionário foi liberto duma prisão da China Vermelha, onde havia passado sete anos em isolamento. Chegando a Hong Kong, foi entrevistado por jornalistas. Um deles disse ao missionário: “Ora, eu jamais poderia suportar ficar sozinho. Se tivesse de ficar sozinho durante sete anos, subiria nos paredes.”
2 A quem gostaria de assemelhar-se — ao jornalista ou ao missionário? Qual era a fonte da força deste missionário? Ele explicou, mais tarde, como pôde suportar um isolamento tão longo. Falando como uma das testemunhas cristãs de Jeová, ele disse: “Temos algo em que pensar. Temos algum alimento espiritual dentro de nós que nos alimenta, e podemos perseverar na fé. Naturalmente, temos de estudar primeiro. Não temos nenhuma força íntima se não estudarmos. Assim, a melhor coisa a fazer é continuarem estudando a sua Bíblia e edificando a si mesmos. E, então, quando vier a dificuldade, se vier sobre os irmãos, poderão ‘perseverar’.”
3. O que ilustra a experiência do missionário, e por que é assim?
3 Esta experiência ilustra que os verdadeiros cristãos nunca estão sozinhos! Os que não têm fé simplesmente não podem compreender isso, mas é verdade: Os cristãos dedicados nunca estão sozinhos, porque seu conhecimento de assuntos espirituais é como um companheiro forte e sempre-presente, a quem podem consultar. Além disso, têm a Jeová Deus, o Todo-poderoso, como seu Ajudador, onde quer que estejam e não importa qual a sua situação. As palavras do Salmo 121:1-3 mostram que os que têm fé semelhante à do salmista nunca estão sozinhos: “Levantarei meus olhos para os montes. Donde virá a minha ajuda? Minha ajuda procede de Jeová, aquele que fez o céu e a terra. Não é possível que ele permita que teu pé cambaleie. Não é possível que Aquele que te guarda esteja sonolento.”
QUANDO DESANIMADO OU DEPRIMIDO
4. Quando alguém se sente solitário, por causa de desespero ou desânimo, o que pode fazer, mas que atitude deve evitar?
4 Há ocasiões, também fora da prisão, quando a pessoa pode sentir-se solitária. Isto se dá especialmente quando se está abatido, desanimado ou desesperado. Não importa qual o motivo do desânimo, a pessoa deve lembrar-se de que pode lançar seu fardo de ansiedade ou frustração sobre Jeová, assim como disse o salmista: “Lança teu fardo sobre o próprio Jeová, e ele mesmo te susterá. Nunca permitirá que o justo seja abalado.” (Sal. 55:22) Podemos ter a certeza de que Jeová Deus não permitirá que seus servos sejam abalados ou caiam para a sua ruína. Mas há também uma advertência: Não adote uma atitude independente. Antes, estribe-se em Jeová Deus; dependa dele inteiramente. Ele o sustentará então e impedirá que caia. — Pro. 3:5-7.
5. (a) Como podemos mostrar nossa confiança em Jeová? (b) Quando Jesus falou sobre achar “fé” na terra ao chegar o Filho do homem, a que se referia especialmente?
5 A oração é um modo pelo qual podemos mostrar nossa confiança em Deus e pelo qual podemos lançar nossos fardos sobre ele. Nunca negligencie o meio da oração. (Efé. 6:18) Exige fé persistir em oração. De fato, o Senhor Jesus suscitou certa vez esta pergunta com respeito à oração: “Quando chegar o Filho do homem, achará realmente fé na terra?” (Luc. 18:8) Naquele tempo, Jesus ensinava aos seus discípulos a necessidade de se orar, a necessidade de ‘clamar a ele dia e noite’ em oração, conforme mostram os versículos um e sete. Portanto, sua pergunta sobre a “fé” relaciona-se especialmente com a fé na eficácia da oração a Deus. Quem tem hoje esta espécie de fé? Tem tal fé? Felizes os que a têm! Eles nunca estão sozinhos.
6, 7. Quando é a oração especialmente importante, e por que podemos ter confiança em que Deus pode sustentar o cristão fiel que se dirige a ele em oração?
6 A oração é especialmente importante quando alguém se sente desanimado, abatido e quase que oprimido. (1 Sam. 1:5-18) Lance sobre ele seus motivos de ansiedade. Ele certamente o poderá sustentar. (Fil. 4:6) Ora, Jeová Deus sustentou uma grande multidão de israelitas no ermo, durante quarenta anos. Desceu qual águia com asas estendidas, para sustentá-los! (Deu. 32:11, 12) Deus fez milagrosamente provisões para eles, de modo que suas sandálias e sua roupa nunca se gastaram. — Deu. 29:5.
7 Visto que Jeová Deus pode sustentar não só uma grande multidão de pessoas, mas, de fato, todo o universo, não poderá sustentar um de seus servos, que talvez ache que está sozinho? Claro que pode! Mas precisamos orar em fé a Jeová, pedindo este poder sustentador, que nem mesmo nossos irmãos cristãos podem prover. — Fil. 4:13.
QUANDO TEMPORARIAMENTE AFASTADO DOS OUTROS
8, 9. (a) Que exemplos bíblicos mostram o valor da solidão? (b) Portanto, como podem ser proveitosos os períodos temporários em que se está separado dos outros?
8 Sente-se todo sozinho quando está temporariamente longe dos outros? Alguns se sentem assim, e sua primeira inclinação talvez seja a de ligar o rádio ou a televisão. Na realidade, porém, períodos de isolamento temporário são proveitosos; de fato, certa quantidade de solidão é uma das necessidades básicas dos homens. Até mesmo Jesus procurou a solidão como alívio das multidões. Orava nos montes e nos jardins. (Luc. 4:1, 42; 6:12; 22:39-41) Há outros exemplos, na Bíblia, a respeito de homens piedosos que também procuravam às vezes a solidão. Jeová falou a Moisés nos recantos solitários do monte Horebe e depois o usou para guiar Israel. O salmista Davi produziu alguns dos seus salmos mais lindos quando em solidão. João Batista recorria ao ermo desértico perto do rio Jordão. Estes homens sabiam da necessidade de solidão e usavam-na com bom proveito e para a glória de Deus.
9 A vida, hoje, é muito agitada. Tem um ritmo rápido, e o homem precisa de tempo para avaliar os acontecimentos velozes. Estar sozinho por um tempo permite que a pessoa como que se ponha em dia. Oferece à mente momentos de necessária reflexão e meditação sobre as verdades da Bíblia, o que, em si mesmo, já é um puro prazer. Oferece também a oportunidade de se agradecer a Jeová as bênçãos e de se procurar sua orientação e seu espírito santo.
10. O que disse Deus sobre o motivo de ele deixar os israelitas vaguear por quarenta anos no ermo e que lição é isto para nós?
10 Lembra-se do motivo pelo qual Deus deixou os israelitas vaguear pelo ermo por quarenta anos? Para “te pôr à prova, a fim de saber o que havia no teu coração”, disse Deus. (Deu. 8:2, 3; veja 2 Crônicas 32:31.) Portanto, o que fazemos com o nosso tempo quando estamos sozinhos também pode ser uma prova quanto ao que realmente temos no coração. Precisamos colocar os interesses físicos atrás das necessidades espirituais, alimentando-nos com as palavras de Deus, sempre que haja uma oportunidade para isso.
11, 12. Explique a meditação com objetivo, e que exemplo deu Jesus neste sentido?
11 Portanto, quando temos períodos em que estamos sozinhos, devemos procurar usar este tempo do modo mais sábio. Podemos usar o tempo para meditar. Mas, meditação não quer dizer sonhar acordado, de modo preguiçoso, deixando a mente vaguear, senão, antes, é reflexão orientada. A meditação deve ter objetivo, habilitando a pessoa a pensar nas coisas e a chegar a uma conclusão definitiva. Para isso, precisamos de orientação quando meditamos, e a melhor orientação de todas é a Bíblia Sagrada. Quando a lê, pare e amplie mentalmente o que lê. Assim evitará pensamentos desordenados, sem objetivo definido.
12 Os cristãos podem imitar a Jesus Cristo, o qual, no ermo, meditou sobre a Palavra de Deus. E pensou nela profundamente, sem perturbação. Esta meditação o preparou bem, de modo que, mais tarde, pôde repelir os ataques do Diabo. — Mat. 4:1-11.
EM TEMPOS DE TRIBULAÇÃO
13. Por que podem os verdadeiros cristãos às vezes achar-se isolados?
13 Às vezes acontece que os verdadeiros cristãos se encontram isolados, por causa de perseguição. Neste caso, precisam novamente lembrar-se de que, em tais ocasiões de tribulação, o espírito de Jeová consola os que confiam inteiramente Nele. Saber o que fazer em tempos dificultosos é vital, porque o Senhor Jesus ao dar a Revelação ao seu apóstolo João, disse: “Eis que o Diabo estará lançando alguns de vós na prisão, para que sejais plenamente provados.” E o apóstolo Paulo declarou: “Todos os que desejarem viver com devoção piedosa em associação com Cristo Jesus também serão perseguidos.” — Rev. 2:10; 2 Tim. 3:12; 2 Cor. 1:3, 8-10.
14. Como pode o cristão fortalecer-se para poder suportar o isolamento?
14 Quão forte é a sua fé? Poderia suportar interrogatórios e anos de isolamento numa prisão, por causa de seu desejo de manter a integridade a Deus e não vacilar? O tempo de se fortalecer é antes de vir tal perseguição. Como? Pelo uso sábio de seu tempo agora, pelo estudo da Palavra de Deus e a meditação sobre ela, para que fique profundamente arraigada em seu coração, pela associação regular com o povo de Jeová e por pôr em prática, na ministério de Seu reino, aquilo que aprende. Se confiar em Jeová agora, aproveitando-se das provisões espirituais disponíveis, estará em condições de obter forças dele em tempo de crise, forças que o sustentarão durante ela.
15, 16. (a) Quando o cristão é posto em isolamento, o que pode fazer? (b) Como lidou o salmista Asafe com a aflição?
15 Mas, quando alguém é forçado ao isolamento, o que poderá fazer? Ora, poderá recapitular na mente as Escrituras Sagradas, pensar nos tratos de Deus e na sua obra. Poderá pensar nos exemplos bíblicos de perseverança e fidelidade. Há o caso de José, que passou anos na prisão e ainda assim nunca esteve realmente sozinho, porque Deus estava como ele. (Gên. 39:20-23) Há o caso de Sansão, o qual parecia estar sozinho, na prisão, mas Jeová não o havia abandonado. (Juí. 16:21-30) Há o caso dos apóstolos, que estiveram muitas vezes em prisão e ainda assim mantiveram sua integridade. (Atos 5:17-21; 12:3-17; 16:19-34; 2 Cor. 6:3-5) O cristão, quando isolado por causa de perseguição, pode fazer o que o salmista Asafe fez quando em grande aflição. Este “visionário”, que ‘profetizava com a harpa’, escreveu no Salmo 77:2, 12: “No dia da minha aflição busquei o próprio Jeová. . . . Meditarei certamente em toda a tua atividade e vou ocupar-me com as tuas ações.” (1 Crô. 25:1; 2 Crô. 29:30) Isto é o que um dos superintendentes de zona da Sociedade Torre de Vigia fez quando foi detido e passou vexames tanto verbais como físicos, por manter a sua integridade. Falando depois sobre a sua experiência, ele disse: “Oramos muito; em tal situação, passa-se a pensar muito.”
16 De modo similar, o salmista Asafe pensava muito, quando se encontrava numa situação difícil. Parecia ter sido abandonado por Deus, e a situação parecia péssima. Mas o que fez para se sustentar e se apegar a Jeová Deus? Conforme já citado, ele disse: “Meditarei certamente em toda a tua atividade e vou ocupar-me com as tuas ações.” Ocupava-se com as ações e tratos passados de Deus, com a maneira de Jeová libertar seu povo, em tempos passados. Asafe sabia que Deus não muda, assim como está escrito: “Pois eu sou Jeová, não mudei. E vós sois filhos de Jacó; não chegastes ao vosso fim.” (Mal. 3:6) Então, Jeová certamente não permitirá que seu povo, quando fiel, seja consumado ou eliminado.
17, 18. O que pode o cristão fazer, a fim de se preparar para enfrentar uma situação difícil?
17 Portanto, há bons motivos de nos familiarizarmos com as atividades passadas e presentes de Deus a favor de seu povo, bem como com o que fez a favor de sua organização. O tempo de armazenarmos toda esta informação na mente e no coração é agora. Para este fim, temos a Palavra de Deus e as diversas publicações da Sociedade Torre de Vigia para nos ajudar. Daí, se estivermos alguma vez numa situação difícil, tal como a de Asafe, poderemos ter a maneira de pensar certa, para nos mantermos firmes. Teremos coisas boas, nobres, louváveis e amáveis na mente, em que possamos meditar. — Fil. 4:8.
18 Portanto, o salmista nos dá aqui um bom modelo — meditar nas atividades e nos tratos de Deus. Isto nos valerá então em tempos de necessidade.
EXEMPLOS MODERNOS
19, 20. Como lidou um servo hodierno de Jeová com cinco anos de isolamento?
19 Assim como o visionário Asafe nunca estava sozinho, por causa de sua meditação e de sua confiança em Deus, assim se dá também com os servos hodiernos de Deus. Por exemplo, considere o missionário que passou cinco anos em isolamento numa prisão da China Vermelha. Esta testemunha cristã de Jeová relatou como se manteve espiritualmente viva:
20 “Desde o início eu compreendi que tinha de dar passos para permanecer firme na fé. Logo que fui trancado na cela, no dia em que fui preso, caí sobre os meus joelhos e comecei a orar. . . . Para manter viva a minha apreciação pelas coisas espirituais, eu arranjei um programa de atividade de ‘pregação’. Mas a quem se pode pregar numa prisão solitária? Resolvi preparar sermões bíblicos apropriados com o que eu podia recordar, e pregar a pessoas imaginárias. Então comecei a trabalhar, por assim dizer, batendo em portas imaginárias e dando testemunho a moradores imaginários, indo a diversas casas durante a manhã. . . . Fazia tudo isto em voz alta, para que o som destas palavras as gravasse ainda mais na minha mente. Estou certo de que os carcereiros pensavam que eu estava ficando doido, mas eu estava realmente era conservando-me firme na fé e mentalmente são.”
21, 22. (a) Como explicou este missionário que ele nunca estava sozinho? (b) E como usou outro missionário encarcerado com proveito seu tempo em isolamento?
21 Este missionário não estava sozinho embora estivesse isolado, e o mesmo se dá não importa onde esteja qualquer um dos servos de Jeová. Conforme este missionário disse adicionalmente: “Eu podia ficar isolado de meus companheiros, mas ninguém poderia separar-me de Deus. . . . Que força espiritual e conforto me proporcionava a oração! . . . Não há armas, nem paredes, nem cadeias que possam impedir que o espírito de Jeová chegue até ao seu povo. Tendo-nos dedicado ao estudo de sua Palavra e permitido que ela se aprofunde em nosso coração, não há nada a temer. Não permanecemos em nossas próprias forças. Mas com sua todo-poderosa força, Deus pode fazer até o mais frágil de nós sair vitorioso em face de perseguição!”
22 Outro missionário encarcerado, em circunstâncias similares, explicou: “Eu dispunha de tanto tempo. . . . Muitos textos bíblicos começaram a me chegar à mente e eu os escrevia. . . . Quando já tinha escrito bastantes textos, escolhia um para o texto diário, copiava-o e o mantinha de alguma forma em proeminência, de modo que pudesse considerá-lo no decorrer do dia.”
23, 24. Como explicou um servo hodierno de Deus na Alemanha, sua base para perseverar num campo de concentração nazista?
23 De todas as partes do mundo vêm exemplos modernos, provando que os verdadeiros cristãos nunca estão sozinhos. Na Alemanha, durante a Segunda Guerra Mundial, milhares de Testemunhas foram postas nos campos de concentração de Hitler, usualmente privadas de suas Bíblias. Um ministro destas Testemunhas, depois de seu livramento, escreveu: “Quando fui preso, fiquei grato de que não havia negligenciado o estudo pessoal da Bíblia, visto que me ajudou a ter fé para perseverar. Freqüentemente eu pensava na perseverança mencionada pelo escritor bíblico Tiago, que disse: ‘Eis que proclamamos felizes os que perseveraram.’ — Tia. 5:11.
24 “Embora as autoridades da prisão me tirassem a Bíblia, permitiram que outros presos [que não eram Testemunhas] as tivessem. Pensavam que minha fé enfraqueceria se eu não tivesse a Bíblia, e que eu renunciaria à minha fé por assinar uma declaração neste sentido, preparada pelos nazistas. Deixaram de se dar conta de que eu havia gravado a verdade da Palavra de Deus bem fundo na minha mente pelo estudo bíblico pessoal e em grupo, muito antes de ser encarcerado. Não podiam tirar-me da mente estas verdades fortalecedoras da fé.”
25-27. Explique como se sentiram os do povo de Jeová num campo de concentração na República Árabe Unida, e como, nesta situação, conseguiram alimentar-se espiritualmente?
25 Na República Árabe Unida, as testemunhas postas num campo de concentração também sentiram o poder fortalecedor da fé na Palavra de Deus e eles também nunca se sentiram solitários. Certa Testemunha, que havia sido representante viajante da Sociedade Torre de Vigia, antes de seu encarceramento, observou: “Sem considerar a quantidade de insultos e espancamentos que recebemos, passavam-se poucos segundo e não sentíamos mais nada, muito embora continuassem os espancamentos. Sentíamos que Jeová Deus estava sempre conosco.”
26 E como fizeram estas Testemunhas para assimilar alimento espiritual fortalecedor? Uma delas respondeu: “Toda manhã considerávamos um texto bíblico apropriado, escolhendo um que seria encorajador para os nossos irmãos cristãos. Também selecionávamos dois capítulos da Bíblia para comentar sobre eles. Daí, cada um de nós tirava da memória as informações que conseguíamos lembrar sobre estes capítulos. Toda noite, também, nos reuníamos para um discurso bíblico. Estas palestras e discursos bíblicos diários deveras resultaram em ser fortalecedores para nós.”
27 São muitos os exemplos modernos que provam que os verdadeiros cristãos nunca estão sozinhos; Jeová está com eles, quando confiam e se estribam inteiramente nele.
MANTENHA A VISÃO MENTAL DE DEUS
28-30. (a) Conforme indica o Salmo 16:8, o que nos ajudará a confiar em Jeová? (b) Como podemos neste respeito imitar a Davi e a Jesus?
28 O que nos ajudará a confiar em Jeová é fazer o que o salmista fez, isto é, mantermos constantemente a Jeová à nossa direita. Encontramos as seguintes palavras animadoras no Salmo 16:8: “Pus constantemente a Jeová diante de mim. Porque ele está à minha direita, nunca serei abalado.”
29 Convém lembrar que o apóstolo Pedro aplicou o Salmo 16 a Jesus Cristo: “Deus o ressuscitou por afrouxar as ânsias da morte, porque não era possível que ele continuasse a ser segurado por ela. Pois, Davi diz com respeito a ele: ‘Eu tinha constantemente a Jeová diante dos meus olhos; porque ele está à minha direita, para que eu nunca seja abalado.’” — Atos 2:24, 25.
30 Podemos proceder assim como Davi e o Senhor Jesus Cristo! Podemos manter mentalmente Jeová diante de nós. Assim como Jesus, nós também podemos manter Jeová diante de nós constantemente, por sempre procurar agradá-lo. Seja positivo; conheça seu Deus. Por manter a Jeová à sua direita, ele o poderá sustentar com a sua esquerda, ao passo que luta com a direita a favor de seu povo. Sim, conhecemos a promessa profética dada ao Senhor Jesus Cristo o rei-sacerdote melquisedequiano, conforme predito no Salmo 110:4-6: “O próprio Jeová, à tua direita, há de despedaçar reis no dia da sua ira. Executará julgamento entre as nações; causará uma plenitude de corpos mortos.” Portanto, se seguirmos o exemplo de Jesus Cristo, nosso Modelo, e se pusermos constantemente Jeová Deus diante de nós, mantendo-o à nossa direita, nunca estaremos sozinhos; nunca ficaremos abalados.
31. O que fará para nós a nossa esperança dada por Deus, se nos apegarmos firmemente a ela?
31 Nossa esperança ajuda a manter Jeová perto de nós. De fato, o apóstolo Paulo compara a esperança cristã a uma “âncora para a alma”. “Temos esta esperança como âncora para a alma, tanto segura como firme, e ela penetra até o interior da cortina, onde um precursor entrou a nosso favor, Jesus.” (Heb. 6:19, 20) Visto que esta esperança semelhante a uma arca se origina de Deus, ela está como que entrando no céu, onde estão Jesus Cristo e Jeová. Se nos apegarmos a esta esperança, nunca desistindo dela, ela nos prenderá a Jeová Deus e nós nunca nos desviaremos. Portanto, nunca permita que alguém corte sua relação íntima com Jeová ou a organização dele.
32, 33. (a) Em vista do Salmo 46:1, 2, por que se pode dizer que Deus está mais próximo do que qualquer inimigo? (b) Em vista do aparente fundo histórico deste salmo, como se evidencia que os servos de Deus nunca estão sozinhos durante uma aflição? (c) Como tornamos Deus nosso Refúgio?
32 Como cristão fiel, lembre-se sempre de que nunca está sozinho. Além disso, Jeová Deus está mais perto do que qualquer inimigo. E, conforme o expressa o salmista no Salmo 46:1, 2: “Deus é para nós refúgio e força, uma ajuda encontrada prontamente durante aflições. Por isso é que não temeremos, ainda que a terra passe por uma mudança e ainda que os montes cambaleiem para dentro do coração do vasto mar.”
33 A fraseologia deste salmo parece concordar com o tempo crítico dos dias do Rei Ezequias, quando Jerusalém foi ameaçada pelo rei da Assíria. Ezequias poderia ter achado que estava todo sozinho, mas ele se dava conta de que Deus é “uma ajuda encontrada prontamente durante aflições”. Por isso orou a Jeová, e a cidade foi liberta de sua aflição. (Isa. 37:14-37) Portanto, quando os verdadeiros cristãos estão em aflição, eles também podem lembrar-se deste salmo. Para tornarmos Deus nosso Refúgio, temos de fugir para ele, e para fazer isso, precisamos sempre apegar-nos aos seus princípios justos. Por confiarmos nele, apegando-nos fielmente à sua organização, podemos tornar Jeová nossa Torre forte e nosso Refúgio. — Pro. 18:10.
34. O que devemos decidir quanto ao futuro, e com que resultado grandioso?
34 Ainda nos aguarda um tempo de grande aflição, quando Gogue de Magogue, Satanás, o Diabo, lançar seu predito ataque contra nós, o povo de Jeová. (Eze. 38:1, 2, 8-12) Mas nunca estamos sozinhos, e Jeová nos ajudará a perseverar, quer estejamos em prisão solitária, quer não. Estamos decididos a nos manter firmes, não importa o que venha a haver no futuro. No tempo devido, Jeová Deus entrará em ação vigorosa contra todos os seus inimigos, e nós estaremos triunfantes ao lado do seu reino. Depois de tudo acabado e a “grande tribulação” ter passado, verificaremos que Jeová foi nossa pronta Ajuda, nosso Alto de segurança, nosso Refúgio seguro e nossa Força.
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Ajuda vinda de cimaA Sentinela — 1973 | 1.° de março
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Ajuda vinda de cima
“Mantende-vos vigilantes o orai continuamente, para que não entreis em tentação.” — Mat. 26:41.
1, 2. (a) Quando o apóstolo Pedro escreveu as palavras: “Sede vigilantes, visando as orações”, em que acontecimento talvez pensasse? (b) Que conselho deu Jesus aos três apóstolos que deixaram de ‘manter-se vigilantes’?
“MAS tem-se aproximado o fim de todas as coisas. Sede ajuizados, portanto, e sede vigilantes, visando as orações.” Quando o apóstolo Pedro escreveu estas palavras de conselho aos cristãos, talvez pensasse na noite em que ele, Tiago e João foram aconselhados por Jesus a orar. Estavam no Jardim de Getsêmane. Chegara o tempo de Jesus ser traído. Jesus disse aos três: “Minha alma está profundamente contristada, até à morte. Ficai aqui e mantende-vos vigilantes comigo.” — 1 Ped. 4:7; Mat. 26:38.
2 Jesus afastou-se então um pouco, prostrou-se com o rosto por terra e orou ao seu Pai celestial: “Pai meu, seu for possível, deixa que este copo se afaste de mim. Contudo, não como eu quero, mas como tu queres.” Voltando aos três discípulos, Jesus achou-os dormindo. Ele disse a Pedro: “Não pudestes vigiar comigo nem mesmo por uma hora? Mantende-vos vigilantes e orai continuamente, para que não entreis em tentação.” — Mat. 26:39-41.
3. Apesar do conselho de Jesus, qual foi a reação dos apóstolos, induzindo a que comentário de Jesus?
3 Novamente, pela segunda vez, Jesus afastou-se e orou, pedindo a Deus que se fizesse a Sua vontade. Daí voltou, e encontrou de novo os três discípulos dormindo, “pois estavam com os olhos pesados”. Pela terceira vez, Jesus os deixou e foi orar. Ao voltar aos apóstolos, ele disse: “Numa ocasião destas, vós estais dormindo e descansando! Eis que se tem aproximado a hora para o Filho do homem ser traído às mãos de pecadores. Levantai-vos, vamos embora. Eis que se tem aproximado aquele que me trai.” Enquanto ainda falava estas palavras, aproximou-se Judas Iscariotes com uma multidão armada, para que Jesus fosse detido. — Mat. 26:42-47.
A ORAÇÃO É NECESSÁRIA PARA SE EVITAR A TENTAÇÃO
4. (a) Que advertência clara tinham recebido os apóstolos antes de entrarem na situação da tentação? (b) Como reagiu Pedro em face desta advertência?
4 Os discípulos de Jesus entraram em tentação — apesar das advertências de seu Mestre! Os três apóstolos estavam a postos e deviam ficar despertos, mas eles se recostaram e adormeceram, enquanto Jesus se concentrava três vezes em oração. É verdade que provavelmente já passava da meia-noite e que os discípulos estavam naturalmente com sono, mas Jesus, sabendo muito bem que o espírito está disposto, mas a carne é fraca, dissera-lhes que vigiassem e orassem! (Mat. 26:41) Haviam sido advertidos antes de entrar na situação da tentação, dizendo-lhes Jesus: “Esta noite, todos vós tropeçareis em conexão comigo pois está escrito: ‘Golpearei o pastor, e as ovelhas do rebanho ficarão espalhadas.’” (Mat. 26:31) Haviam sido advertidos assim de que estava para se cumprir a profecia de Zacarias 13:7. No entanto, Pedro respondeu à advertência de Jesus por dizer: “Ainda que todos os outros tropecem em conexão contigo, eu nunca tropeçarei!” Disse-se, porém, a Pedro que ele faria ainda pior — que ele repudiaria o Senhor Jesus três vezes! — Mat. 26:31-35.
5. Quando os apóstolos se confrontaram com a tentação, o que fizeram, mas o que deviam ter feito?
5 Jesus havia dado um bom exemplo aos seus discípulos, na questão de se manter desperto e de se ser vigilante, visando as orações. Mas os apóstolos deixaram de compreender como se cumpririam as palavras de Jesus. Portanto, o que fizeram? Dormiram sobre o caso, em vez de orarem a respeito dele! Deviam ter orado a respeito dele, procurando ajuda de cima. Mas, lá estavam eles, dormindo sobre ele. Não estavam vigiando; não estavam orando continuamente, e por isso forçosamente entraram em tentação.
6. (a) Qual é a “prova” que há de ‘vir sobre toda a terra habitada’, conforme Jesus predisse em Revelação 3:10? (b) Visto que a prova ainda não acabou, que advertência há nisso para os cristãos?
6 Esta experiência dos três discípulos nos faz lembrar as palavras de Jesus dirigidas ao “anjo” da congregação de Filadélfia, registradas em Revelação 3:10: “Porque guardaste a palavra a respeito da minha perseverança, eu também te guardarei da hora da prova, que há de vir sobre toda a terra habitada, para pôr à prova os que moram na terra.” Desde a chegada do predito “tempo do fim”, as pressões de fontes humanas e de fontes demoníacas invisíveis tornaram-se deveras terríveis, em sentido materialista, descrente e nacionalista. A prova tem sido no sentido de se saber se a pessoa faz parte deste sistema iníquo de coisas ou se ela está a favor do reino de Deus. A grande tentação para a pessoa hoje é ceder a estas pressões e atrações mundanas e tornar-se parte deste sistema de coisas. Esta prova mundial dura um tempo comparativamente curto, semelhante a uma “hora”, mas ainda não acabou. Os cristãos hodiernos são assim advertidos de que se encontram num dia de tentação. Eles são também iguais aos cristãos do primeiro século, tendo necessidade de vigiar e de orar para evitar as tentações.
7, 8. (a) Por que permite Deus que sobrevenham provas aos cristãos, e que meio provê Deus para obtermos ajuda de cima? (b) Entrar em tentação é na maior parte uma questão de quê? E, portanto, como ajuda a oração?
7 Visto que os cristãos se confrontam hoje com tantas tentações, precisam saber como sair delas. Como poderá sair duma tentação? Lembre-se de que Jeová Deus não tenta a ninguém com algo mau, mas ele permite que sobrevenham aos seus servos fiéis tentações para provar sua integridade a ele e sua lealdade ao reino dele. Mas, lembre-se também de que, quando em tentações, temos o canal sempre aberto e sempre presente da oração. Podemos obter ajuda de cima, a qualquer hora.
8 Conforme a Bíblia mostra, entrar em tentação é na maior parte uma questão de desejo. (Tia. 1:13-15) Por isso, cuide de que não cultive o desejo errado, pois, se fizer isso, então o engodo o arrastará diretamente ao pecado! Precisamos ser vigilantes, visando as orações, porque as orações nos ajudam a evitar desejos egoístas. Tais orações sinceras afugentam quaisquer desejos egoístas; livra-nos do laço do engodo, com todo o seu poder egoísta de atração. Precisamos orar para ser vigilantes, e a oração purificará também nosso coração. Sim, Deus nos ajudará, se tão-somente o pedirmos. Precisamos desta ajuda vinda de cima, porque forçosamente teremos tentações. Quando as tiver, lembre-se da advertência divina: Fique vigilante e ore!
AJUDA DURANTE TENTAÇÕES
9. O que escreveu o apóstolo Paulo sobre a tentação em 1 Coríntios 10:13, e como se relaciona isso com a fidelidade de Deus?
9 É vital que os cristãos se dêem conta de que seu Deus fiel não permite que sejam tentados além do que podem suportar. Conforme o apóstolo Paulo escreveu em 1 Coríntios 10:13: “Deus é fiel, e ele não deixará que sejais tentados além daquilo que podeis agüentar, mas, junto com a tentação, ele proverá também a saída, a fim de que a possais agüentar.” Isto significa que Jeová Deus é fiel durante toda a operação da tentação, até que aquele que a sofre saiba como lidar com ela, com a ajuda de Jeová, e ele escapar da tentação.
10, 11. (a) Conforme mostra a experiência dos israelitas, de que espécie de tentações falou o apóstolo especialmente? (b) Por que sobrevirão tais tentações também aos cristãos, e o que permite Deus que manifestemos?
10 Agora, devemos lembrar-nos de que o apóstolo Paulo, aqui em 1 Coríntios 10:13, falou especialmente sobre tentações, não sobre perseguições. Referiu-se às tentações ‘comuns aos homens’. Disse no início deste 1 Cor. 10 versículo treze: “Não vos tomou nenhuma tentação exceto a que é comum aos homens.” Comum a que homens? Especialmente comum aos homens do antigo Israel, que estavam em pacto com Jeová. Pois, nos versículos precedentes deste capítulo, o apóstolo falou sobre as tentações que sobrevieram aos judeus naturais e que milhares deles caíram nestas tentações. Levantou a questão da experiência e da queda deles como advertência, para que os cristãos fossem cautelosos, a fim de não cair em circunstâncias similares. Aqueles israelitas tiveram contato com os pagãos, e milhares de israelitas caíram na imoralidade, conforme disse o apóstolo Paulo: “Nem pratiquemos fornicação, assim como alguns deles cometeram fornicação, só para caírem, vinte e três mil deles, num só dia.” (1 Cor. 10:8) Recorreram também à adoração de ídolos, a queixas e a resmungos. Jeová deixou que lhes sobreviessem tais tentações para ver o que havia no coração deles, se amavam a Jeová, seu Deus, ou não. — Deu. 8:1-3.
11 De modo que todas estas tentações sobrevêm hoje aos cristãos que também estão numa relação pactuada com Jeová, visto que são os antítipos daqueles povos antigos, os israelitas naturais e a “vasta mistura de gente”. (Êxo. 12:37, 38; Núm. 11:4-6) Ao permitir que soframos tentações, Jeová pode saber que espécie de pessoas somos no coração. Deus provê, então, a saída da tentação, mas deixa que provemos o que realmente somos, o que somos no coração, que odiamos o mal e amamos o bem.
SAÍDA DAS TENTAÇÕES
12. Provê Deus a saída das tentações por simplesmente removê-las, e como é sua resposta ilustrada por aquilo que aconteceu com Moisés?
12 Jeová promete na sua Palavra que, “junto com a tentação, ele proverá também a saída”. Como? Por simplesmente remover a tentação? Não, Deus não remove a tentação, como no caso de alguém ser tentado com respeito à imoralidade ou a resmungos. Faremos bem em lembrar-nos de que, quando Arão e Miriã se queixaram de seu irmão Moisés, de que ocupava um cargo muito destacado e de que eles não tinham bastante influência, Deus não aliviou estes dois queixosos da provação por tirar Moisés do cargo, aliviou? Não, deixou Moisés permanecer, pois ele era a escolha de Jeová e era o homem certo para o trabalho. Eram Arão e Miriã que precisavam endireitar-se. Como? Tinham de obter o ponto de vista teocrático sobre o assunto. Tinham de dar-se conta de que Jeová Deus é Rei e de que tinham de sujeitar-se aos Seus arranjos. (Núm. 12:1-16) Por isso não podemos esperar que, quando vêm tentações, nos podemos esquivar da prova e escapar antes de acabar a tentação. Não, a tentação tem de ir até o limite; Deus saberá então se temos integridade e lealdade para como ele.
13, 14. (a) Se não pudermos evitar ficar sujeitos a uma tentação, então como nos provê Deus a saída? (b) Que experiência do antigo Israel mostra que Jeová não sujeita seu povo a provas que este não possa suportar? (c) Como ilustra a experiência de José a necessidade de preparação antecipada?
13 Em que consiste então o escape, se não podemos evitar estar na presença de certas tentações? Ora, Deus nos fornece a saída por nos dar seus princípios teocráticos, os quais, quando forem seguidos por nós, nos ajudarão a evitar fazer o errado. Além disso, Deus sabe quanto podemos suportar. Por isso não deixa que nos sobrevenham provas que não possamos suportar. Por exemplo, quando os israelitas saíram do Egito, a narrativa bíblica diz: “Deus não os guiou pelo caminho da terra dos filisteus, só porque era perto, pois Deus disse: ‘Talvez o povo deplore isso ao virem a guerra e certamente retornem ao Egito.’” (Êxo. 13:17) Por isso, Deus não os deixou ir pelo caminho direto à Terra da Promessa, através da “Faixa de Gaza”. Israel não estava equipado para a guerra, nem preparado para enfrentar tropas bem treinadas dos filisteus. De modo que Jeová, bondosamente, escolheu para seu povo o caminho do Mar Vermelho. Desta maneira, Israel não ficou sujeito a uma guerra com os filisteus, naquele tempo, porque Deus sabia que não podiam suportar tal prova.
14 Podemos ser gratos de que Jeová não nos sujeita a provas que não possamos suportar; podemos também ser muito gratos de que ele nos prepara de antemão para podermos suportar as tentações e passar por elas com integridade. Para este fim, Deus nos edifica de antemão de modo espiritual. Mas, ai de nós se não nos aproveitarmos desta preparação antecipada provida por Deus! Considere a prova que sobreveio a José, quando foi tentado pela esposa de Potifar a cometer imoralidade. (Gên. 39:7-12) Podemos ser semelhantes a José? Ele se informara de antemão sobre quais eram as leis de Deus neste assunto.
15. (a) Que êxito teremos se nos prepararmos com antecedência para as tentações? (b) Como nos ajudará a vencer tentações ‘fugirmos da idolatria’?
15 Sim, Jeová Deus nos mostra a saída da tentação na maior parte por descrever de antemão que espécie de conduta espera de nós. (Gál. 5:19-23) Assim poderemos ser submetidos à escala das tentações, de A a Z, e ser vitoriosos, mantendo a integridade e provando-nos fiéis quando em prova. Mas precisamos acatar o conselho do apóstolo Paulo. Logo depois de falar sobre como Deus nos ajudará na questão da tentação, ele acrescentou: “Portanto, meus amados, fugi da idolatria.” (1 Cor. 10:14) A idolatria de modo algum se limita à adoração de ídolos, imagens e estátuas literais, e assim por diante. O apóstolo Paulo advertiu que a ‘cobiça é idolatria’. Isto se dá porque a cobiça faz com que a pessoa faça um ídolo de si mesmo, e os anseios egoístas tornam-se a coisa mais importante na sua vida. Mas se ‘fugirmos’ de todas as formas de idolatria, estaremos melhor preparados para enfrentar o futuro e as tentações que possam surgir. — Col. 3:5; 1 Cor. 6:18.
16, 17. (a) Quando se está confrontado com uma tentação, por que não é sábio estribar-se na própria força? (b) Que atitude precisa ser evitada, conforme mostra o exemplo do antigo Israel, quando estava na própria fronteira da Terra da Promessa? (c) Que proceder nos habilitará a nos expressarmos nas palavras do apóstolo em 2 Timóteo 4:17, 18?
16 Sempre que Jeová permitir que nos sobrevenha uma tentação, façamos alguma coisa para permanecer firmes! Em primeiro lugar, podemos perseverar em oração e pedir a ajuda de cima! Desta maneira, não nos estribaremos na nossa própria força. Conforme disse o apóstolo Paulo: “Quem pensa estar de pé, acautele-se para que não caia.” (1 Cor. 10:12) Não importa quanto tempo um cristão já serve a Deus, ainda tem de lidar com o elemento humano, a sua carne decaída. Se os homens no passado foram tentados por certas situações, em tempos críticos, e caíram, então também nós, humanos, podemos cair. Ainda estamos neste sistema iníquo de coisas, com todas as suas muitas tentações para seguir o rumo errado. O fim está próximo, mas devemos ter cuidado para não pensar que não possamos cair. Não, é sábio não pensar que sejamos tão fortes em nós mesmos que não possamos cair. Israel estava muito perto da Terra da Promessa, e ainda assim, apesar de sua proximidade, havia tentações sérias presentes, e 24.000 caíram na própria fronteira da terra. De modo que hoje, também, nunca devemos menosprezar o perigo de cair em tentação. Espere em Jeová Deus, e a tentação passará. Jeová Deus mostrará ser fiel à sua Palavra e nos tirará dela.
17 Portanto, confie em Deus, quando confrontado com tentações. Suplique em oração, dizendo: “Nosso Pai nos céus, . . . não nos leves à tentação, mas livra-nos do iníquo.” Daí, poderemos dizer junto com o apóstolo Paulo: “O Senhor estava perto de mim e me infundiu poder . . . O Senhor me livrará de toda obra iníqua e me salvará.” — Mat. 6:9-13; 2 Tim. 4:17, 18.
18, 19. (a) Que espécie de tentação sobreveio a milhares dos do povo de Jeová em tempos recentes, e como resistiram à tentação? (b) Confrontado com a tentação de aceitar uma ‘transfusão de sangue ou a morte’, como achou uma Testemunha de Suriname a saída da prova?
18 Em tempos recentes, houve milhares de Testemunhas que enfrentaram tentações quanto a tomar transfusões de sangue. Alguns caíram nesta tentação, sob pressão por parte de médicos e de outros, mas os do povo de Jeová, como um todo, resistiram a esta tentação, apegando-se firmemente à Sua Palavra, que diz claramente: ‘Abstenha-se do sangue.’ (Atos 15:20, 29) E fizeram isso por se apegarem de perto aos princípios bíblicos e também por meio da oração. Tome o caso da Testemunha de Suriname, que adoeceu de repente num navio. Foi retirado do navio em Haiti, para receber tratamento médico. Um médico explicou que, por causa da hemorragia duma úlcera estomacal, a escolha era entre “uma transfusão de sangue ou a morte”.
19 Como reagiu esta Testemunha diante da enorme tentação? Escreveu: “Lá estava eu, mais de mil milhas distante de minha família. Esta provavelmente nem sabia que eu estava nesta condição perigosa. Não havia nenhum dos meus irmãos cristãos com quem pudesse falar. As palavras ‘transfusão de sangue ou morte’ me percorriam a mente. Pelo que parecia, os do hospital pensavam que eu certamente morreria. Orei a Jeová. Embora às vezes me sentisse solitário, sempre podia falar com Ele. Quão maravilhoso é poder lançar todas as ansiedades sobre Jeová, em plena fé de que ele cuida dos seus servos. Se eu morresse, sabia que receberia uma ressurreição. A esperança da ressurreição me fortaleceu na minha decisão de não aceitar sangue.” Esta Testemunha foi finalmente liberta da tentação e restabeleceu-se sem transfusão de sangue. Por aderir aos princípios bíblicos e ser vigilante, visando as orações, triunfou sobre a tentação.
A ORAÇÃO NÃO É IMPEDIDA PELO ISOLAMENTO
20-22. Explique por que a oração é uma ajuda maravilhosa de cima.
20 Quando precisamos depressa da ajuda divina, a oração é o meio mais acessível para se obter ajuda imediata e direta. Visto que Jeová Deus não dorme, não há demora. “Não é possível que Aquele que te guarda esteja sonolento.” (Sal. 121:3) Há ajuda instantânea vinda de cima para aqueles que se dirigem a Deus em oração. Não é como ter de escrever uma carta e depois esperar alguns dias antes de receber uma resposta. E há tanta coisa pela qual se pode orar, não só por nós mesmos, mas também por nossos irmãos cristãos.
21 A comunicação por meio da oração não é somente instantânea, mas ela pode também ser transmitida através de toda espécie de barreira de isolamento. (Jon. 2:1-10) O missionário encarcerado na China Vermelha por cinco anos em isolamento lembrou-se do profeta Daniel quando disse: “À vista de quem passasse por minha cela, eu me ajoelhava três vezes por dia e orava.” Com que resultado? Ele disse: “Que força espiritual e conforto me proporcionava a oração! E assim todos vieram a me conhecer como ministro cristão.” Que ajuda maravilhosa vinda de cima em resposta a uma oração! — Dan. 6:10.
22 Além disso, o cristão pode orar pedindo o espírito santo consolador, que penetra toda espécie de barreira, muros e barras de prisão. Nada pode impedir o espírito de Deus, quando o pedimos e quando merecemos recebê-lo.
23-25. (a) Que ameaça não amedrontou um jovem cristão em Guadalupe, e por que não? (b) Por manter a sua integridade, qual foi o resultado?
23 Há pouco tempo atrás, uma das testemunhas de Jeová em Guadalupe, nas Antilhas, foi ameaçada com o isolamento. Este jovem tomara sua posição a favor da neutralidade cristã. (João 15:19) Ele foi encarcerado e mantido isolado numa cela. Daí se exerceu pressão sobre ele. Fizeram-se ameaças: “Se não mudar de idéia, será metido na prisão pelo menos por dois anos. Além disso, passará todo este tempo sozinho numa cela, de modo que deve pensar bem — estar sozinho por dois anos!” Ora, que resposta receberam deste jovem cristão?
24 Ele respondeu: “Bem, isto é o que os senhores pensam. Mas eu não estarei sozinho, assim como dizem; de modo algum! Jeová Deus estará comigo e me fortalecerá por meio de seu espírito.”
25 As autoridades ficaram surpresas com esta resposta. Além disso, a boa conduta dele as impressionou. Passaram-se meses, e veio a ocasião duma assembléia das Testemunhas. Que surpresa não foi ver este jovem presente na sessão de abertura! Havia sido liberto no dia anterior. E ele apresentou a sua experiência na assembléia. Um oficial estava presente, sem que o jovem o soubesse. Mais tarde, este oficial disse ao ministro presidente do jovem: “Sabe o que a minha esposa me disse, em vista de sua boa conduta cristã e de sua decisão inquebrantável! Ela disse: ‘Não pensem que vocês, homens, fizeram isso de sua própria vontade. Não, mas foi o Deus dele, Jeová, quem fez isso por ele, para que pudesse assistir ao seu congresso. Seu Deus, Jeová, é mais forte do que o nosso deus!’”
26. Por que devemos lembrar-nos do bom conselho de 1 Pedro 4:7, e, por isso, o que devemos fazer quando surge uma crise?
26 Testemunhas fiéis de Jeová, quando confrontadas com o isolamento, a perseguição, as tentações e as pressões, podem sair-se bem sucedidas, de modo glorioso, para o louvor Dele. Sua ajuda vem de cima. Mas, lembram-se do bom conselho do apóstolo Pedro: “Sede vigilantes, visando as orações.” (1 Ped. 4:7) Pedro aprendeu a importância disso de modo difícil, na noite em que o Senhor Jesus lhe disse que ficasse vigiando e ‘orasse continuamente, para que não entrasse em tentação’. (Mat. 26:41) Ao surgir uma crise, tenham cuidado de não apenas dormir sobre o caso, mas, antes, de orar a respeito do assunto. Assim obterão ajuda de cima e sairão triunfantes das provas e das tentações, graças a Jeová. Ele lhes proverá a saída, porque “Deus é fiel”.
“Há entre vós alguém que sofre o mal? Faça orações. . . . E a oração de fé fará que o indisposto fique bom, e Jeová o levantará. Também, se ele tiver cometido pecado, ser-lhe-á isso perdoado. Portanto, confessai abertamente os vossos pecados uns aos outros e orai uns pelos outros, para que sejais sarados.” — Tia. 5:13, 15, 16.
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