-
Como fazer a escolha certaA Escolha do Melhor Modo de Vida
-
-
Capítulo 1
Como fazer a escolha certa
1. Que modo de vida seria realmente satisfatório?
A VIDA que realmente tem sentido — quão satisfatória ela pode ser! E isso se dá especialmente quando oferece a promessa dum futuro seguro e feliz. Podemos nós mesmos escolher tal modo de vida? Há motivos válidos para crermos que sim.
2. Com respeito à vida, por que há urgência de se fazer a escolha certa?
2 É essencial, porém, fazermos esta escolha sem demora. Em primeiro lugar, nossa vida humana estende-se no máximo apenas a algumas décadas e apresenta muitas incertezas. Quem pode contar com ser capaz de gastar muitos anos em experimentar primeiro um tipo de vida e depois outro, esperando finalmente descobrir qual é o melhor? No momento, as escolhas feitas podem parecer boas. Mas, quantas vezes ouvimos dizer: ‘Se eu apenas pudesse fazer tudo de novo’? Não só isso, mas há razões para crer que o tempo é limitado para a raça humana, como um todo, descobrir um meio para fazer a escolha certa.
AJUDA PARA ENCONTRAR O MEIO
3. Quem nos pode dizer o que torna a vida realmente significativa, e por quê?
3 Portanto, a questão é quem nos pode dizer o que é que fará nossa vida ter verdadeiro significado? Quem nos pode indicar um meio que não resulte em remorsos, que decididamente garanta um futuro feliz e seguro? Não devia ser logicamente Aquele que fez a humanidade? Nosso Criador, certamente, sabe qual é o melhor modo de vida para nós. E ele o revela a nós na sua Palavra inspirada. Mas não nos obriga a adotá-lo. Antes, convida cordialmente as pessoas de todas as raças a fazer a escolha sábia.
4. Como tem o Criador incentivado os homens a fazer a escolha sábia com respeito à sua vida?
4 Há séculos, ele começou a usar homens e mulheres devotos, altruístas, para fazer este convite. Seu próprio exemplo, em prover generosamente todo o necessário para a vida, dá força aos seus encarecimentos. Deus está realmente interessado em nós — em todos nós — e está pronto para ajudar-nos. Isto foi esclarecido nas seguintes palavras inspiradas do apóstolo Paulo, dirigidas ao povo da antiga Atenas:
“O Deus que fez o mundo e todas as coisas nele sendo, como Este é, Senhor do céu e da terra, não mora em templos feitos por mãos, nem é assistido por mãos humanas, como se necessitasse de alguma coisa, porque ele mesmo dá a todos vida, e fôlego e todas as coisas. E ele fez de um só homem toda nação dos homens, . . . para buscarem a Deus, se tateassem por ele e realmente o achassem, embora de fato, não esteja longe de cada um de nós. Pois por meio dele temos vida, e nos movemos, e existimos, assim como disseram certos dos poetas entre vós: ‘Pois nós também somos progênie dele.’” — Atos 17:24-28.
5, 6. Que escolhas se apresentam diante da humanidade?
5 Nós, como ‘descendentes’ de nosso Criador, temos diante de nós que escolha? As palavras seguintes do discurso inspirado, a indicam, dizendo:
“Visto, pois, que somos progênie de Deus, não devemos imaginar que o Ser Divino seja semelhante a ouro, ou prata, ou pedra, semelhante a algo esculpido pela arte e inventividade do homem. É verdade que Deus não tem tomado em conta os tempos de tal ignorância, no entanto, agora ele está dizendo à humanidade que todos, em toda a parte, se arrependam. Porque ele fixou um dia em que se propôs julgar em justiça a terra habitada, por meio dum homem a quem designou, e ele tem fornecido garantia a todos os homens, visto que o ressuscitou dentre os mortos.” (Atos 17:29-31)
De acordo com isso, basicamente há apenas duas escolhas: As pessoas podem escolher voltar-se para o Altíssimo e sujeitar-se à sua vontade; ou podem escolher continuar a levar uma vida que não faz caso dele, nem de sua orientação para uma vida feliz. O que estaria incluído em nos voltarmos para Deus?
6 O mais importante é que inclui aceitar aquele por meio de quem “se propôs julgar em justiça a terra habitada”. Este é seu próprio Filho, que, na terra, levou o nome de Jesus. (João 5:22, 27) Por que a ele? Porque a humanidade, inegavelmente, está em servidão, em escravidão à imperfeição, ao pecado e à morte, e ele mostrou ser o há muito aguardado Messias ou Cristo, por meio de quem o Altíssimo pretende dar livramento de tal escravização. — Isaías 53:7-12.
7. De que modo está Jesus Cristo envolvido em alguém escolher o melhor modo de vida?
7 O relato bíblico mostra o seguinte: Na primavera (setentrional) de 33 E.C., Jesus morreu numa estaca de execução. Sua morte proveu o sacrifício necessário para expiar nossos pecados. (1 Pedro 2:24; 1 João 2:2) Quarenta dias depois de ter sido ressuscitado dentre os mortos, ele ascendeu ao céu, a fim de apresentar ali ao Pai o valor de seu sacrifício. A partir de então, a humanidade, em toda a parte, precisava saber que o livramento do pecado e da morte só podia ser conseguido pela aceitação de Jesus como o Salvador designado por Deus. “Não há salvação em nenhum outro, pois não há outro nome debaixo do céu, que tenha sido dado entre os homens, pelo qual tenhamos de ser salvos.” (Atos 4:12) Portanto, o modo desejável de vida é aquele que nos granjeia uma condição aprovada perante Deus, como seguidores de seu Filho, sim, como genuínos cristãos.
OS BENEFÍCIOS RESULTANTES DE TAL VIDA
8. Por que não significa necessariamente que alguém, por professar ser cristão, tenha encontrado o melhor modo de vida?
8 Centenas de milhões de pessoas afirmam hoje ser cristãos. Significa isso que encontraram o melhor modo de vida? Não, porque a mera profissão de ser cristão não garante tal vida. De fato, Jesus disse que muitos afirmariam que ele é seu Senhor, mas que lhes diria: “Nunca vos conheci! Afastai-vos de mim, vós obreiros do que é contra a lei.” (Mateus 7:23) Se professamos ser cristãos, temos um bom motivo para examinar se realmente nos harmonizamos com o exemplo e o ensino do Filho de Deus. Isto suscita a pergunta: O que devemos esperar ver no modo em que os genuínos cristãos vivem, que o torna o melhor modo de vida, mesmo já agora? A resposta a esta pergunta é básica para se saber que grupo, dentre os muitos professos crentes em Jesus Cristo, representa sua verdadeira congregação.
9. Que qualidade identifica a verdadeira congregação cristã, e como se expressa esta qualidade?
9 O Filho de Deus disse: “Por meio disso saberão todos que sois meus discípulos, se tiverdes amor entre vós.” (João 13:35) A verdadeira congregação cristã, portanto, deve ser uma fraternidade internacional, livre de barreiras raciais, nacionais, tribais, sociais e econômicas. Nesta fraternidade, onde quer que estejamos na terra, devemos poder encontrar amigos leais, pessoas em que podemos ter confiança e a quem podemos confiar os nossos bens. Mesmo sem nos conhecerem pessoalmente, mostrariam maior preocupação e afeição por nós do que muitos de nossos próprios parentes. (Marcos 10:29, 30) Para milhões de professos cristãos, pode parecer incrível que tal fraternidade internacional exista. Mas, muitos milhares de Testemunhas de Jeová podem atestar que usufruem verdadeira afeição fraternal.
10. De que maneira contribui a imitação do exemplo de Jesus Cristo para termos boas relações com outros?
10 Quem não concordaria que usufruir boas relações também com membros da família, vizinhos e colegas de trabalho contribui enormemente para nossa felicidade pessoal? Jesus Cristo viveu e ensinou o modo amoroso de proceder. Este modo estabelece boas relações com os outros, porque “o amor não obra o mal para com o próximo”. (Romanos 13:8-10) Outrossim, também, quando tratamos os outros com bondade, compaixão e amor, facilitamos-lhes demonstrar essas qualidades desejáveis para conosco.
11. Como nos protege a orientação bíblica contra prejudicarmos a nós mesmos?
11 A orientação bíblica pode proteger-nos contra prejudicarmos a nós mesmos. Certamente, deveríamos esperar isso a respeito do melhor modo de vida. Seguirmos as normas de moral da Bíblia protege-nos contra o dano emocional e o medo que inevitavelmente acompanham as relações ilícitas. (Provérbios 5:3-11, 18; Mateus 5:27, 28; Hebreus 13:4) Vivermos como discípulos devotados de Jesus Cristo dá-nos a força necessária para nos mantermos longe da bebedice, do excesso no comer, do vício das drogas, da jogatina e de outros vícios. (Provérbios 23:29, 30; Isaías 65:11; 1 Coríntios 6:9-11; 2 Coríntios 7:1) Os recursos antes desperdiçados com estes hábitos podem ser usados em proveito de outros, o que resulta em sentirmos a felicidade superior que vem de se dar algo de todo o coração. (Atos 20:35) Seguirmos o conselho bíblico de evitar o amargo ressentimento e a inveja realmente promove melhor saúde. — Salmo 37:1-5; Provérbios 14:30.
12. Apesar de nossas imperfeições, como podemos continuar a ter uma consciência limpa?
12 Todos nós, naturalmente, numa ou noutra ocasião, deixamos de ser a espécie de pessoa que gostaríamos de ser. Podemos ferir outros, quer em palavras, quer em atos. Acontece que ficamos assim dolorosamente apercebidos de que somos humanos imperfeitos. No entanto, quando humildemente pedimos o perdão de Deus, ele o concede à base de nossa tristeza de coração e de nossa fé nos benefícios expiatórios do sacrifício de Jesus. (1 João 2:1, 2) Por isso podemos continuar a ter uma boa consciência. Não tememos dirigir-nos a Deus em busca de ajuda em qualquer assunto, confiantes em que ele, por meio de seu espírito, nos ajudará a lidar com bom êxito com nossos problemas e provações. — 1 João 3:19-22.
13. Qual é a situação dos que têm pouca consideração para com a Palavra do Criador?
13 Que dizer dos que escolhem levar uma vida em que mostram pouca preocupação com a Palavra do Criador? Eles carregam sozinhos os seus problemas e as suas aflições. Além da possibilidade de usufruírem agora uns poucos anos, não têm nenhuma esperança real quanto ao futuro. Quando a morte se aproxima, muitas vezes sentem uma expectativa temível duma possível punição da parte dum poder superior.
14. Que acontecimento aguardam os genuínos discípulos de Jesus Cristo com viva expectativa?
14 Quão diferente é com os genuínos discípulos de Jesus Cristo! Eles não temem um futuro dia de ajuste de contas. Antes, com viva expectativa, aguardam a vinda de Jesus Cristo em glória, como rei vitorioso, que os libertará de todas as injustiças e opressões, e depois estenderá seu domínio sobre todas as partes da terra. (2 Tessalonicenses 1:6-10; Revelação 19:11-16; veja o Salmo 72:8.) Sim, aguarda-nos um grandioso futuro. O que usufruiremos então?
ESPERANÇA SUPERIOR QUANTO AO FUTURO
15, 16. Que glorioso futuro está reservado para os servos fiéis de Deus?
15 A Bíblia responde: “Há novos céus e uma nova terra que aguardamos segundo a sua promessa, e nestes há de morar a justiça.” (2 Pedro 3:13) “[Deus] enxugará dos seus olhos toda lágrima, e não haverá mais morte, nem haverá mais pranto, nem clamor, nem dor. As coisas anteriores já passaram.” (Revelação [Apocalipse] 21:4) Nem mesmo a morte pode impedir que se alcance tal futuro, porque o Criador da vida também pode ressuscitar os mortos. E ele fará isso por meio de seu Filho. — João 5:28, 29.
16 O que pode significar para você o cumprimento das promessas divinas? Imagine viver sob o governo, sem falhas, de Jesus Cristo, entre pessoas que se importam genuinamente com você, de bom grado pondo os seus interesses à frente dos delas. Todos obedecendo à lei suprema do amor, não haverá crime, nem injustiça, nem opressão. Você não desapontará nem a si mesmo, nem os outros. A angústia mental por causa de incertezas ou de graves perigos será desconhecida. A depressão, a futilidade e a solidão, que amarguraram a vida de milhões de pessoas, não existirão mais. Os gemidos por causa de grandes dores físicas nunca mais serão ouvidos. Ninguém terá os olhos cheios de lágrimas de tristeza. Nem mesmo a morte o prejudicará, abreviando suas atividades ou arrancando-lhe os seus entes queridos. — Isaías 25:6-8; 65:17.
17. Por que não é realmente significativa a vida daqueles que não dão lugar ao Criador?
17 Contraste isso com o que têm aqueles que, embora não sejam moralmente corrutos, não dão lugar ao Criador na sua vida. Talvez tenham a honra e os bens materiais que desejam, possivelmente tirando certa medida de satisfação de ajudar os necessitados, e usufruindo atividades culturais e prazeres sadios. Mas, eles têm de admitir o fato inescapável de que nada neste mundo tem qualquer permanência real. Ninguém é imune a acidentes, doenças ou morte. Os bens nem protegem contra essas coisas, nem podem ser levados junto quando a vida acaba. (Salmo 49:6-20; Eclesiastes 5:13-15; 8:8) Os esforços bem-intencionados de ajudar o próximo podem ficar frustrados por causa de circunstâncias desfavoráveis. Portanto, convém perguntar: Quão significativa pode ser a vida, quando o derradeiro futuro que oferece é apenas a sepultura? Como pode ela ser classificada como boa, quando realmente age contra o futuro eterno da pessoa? — Veja Eclesiastes 1:11, 15, 18; 2:10, 11; 9:11, 12.
É TEMPO PARA ESCOLHER
18. (a) Por que não devemos demorar em fazer a escolha certa com respeito à nossa vida? (b) Em que sentido é nossa situação similar à do patriarca Noé?
18 Especialmente em vista da existência dum dia de ajuste de contas, é imperioso que as pessoas, em toda a parte, escolham um modo de vida que traga satisfações, não condenação. É muito urgente fazer tal escolha. Não sabemos o que o amanhã possa trazer. Além disso, a vinda de Jesus Cristo, para estender seu domínio régio sobre a terra inteira, aproxima-se cada vez mais. A situação da humanidade é similar à do patriarca Noé, nos dias antes do dilúvio global. Ele tinha duas escolhas: (1) adotar os modos licenciosos dos seus contemporâneos ou (2) sujeitar-se à vontade de Deus. Felizmente, Noé fez a escolha certa. Construiu uma arca, e, com sete membros de sua família, entrou nela sob a direção de Deus. Estes oito membros da família humana sobreviveram ao dilúvio, e por isso é que nós estamos hoje vivos. — 1 Pedro 3:20.
19. O que revela 1 Pedro 3:21, 22, a respeito da salvação?
19 De maneira similar, um dos requisitos para obtermos a vida eterna é assumirmos o compromisso de servir a Jeová Deus como discípulos de Jesus Cristo. Assim como não havia salvação fora da arca, não há salvação para nós fora da provisão de Deus, por meio de seu Filho, Jesus Cristo. Após mencionar a libertação dos oito humanos na arca, o apóstolo cristão Pedro escreveu:
“O que corresponde a isso salva-vos também agora, a saber, o batismo, (não a eliminação da sujeira da carne, mas a solicitação de uma boa consciência feita a Deus,) pela ressurreição de Jesus Cristo. Ele está à direita de Deus, pois foi para o céu; e foram-lhe sujeitos anjos, e autoridades, e poderes.” — 1 Pedro 3:21, 22.
20. O que mostra que não basta apenas o batismo em água para se obter a vida eterna?
20 Não é o mero batismo em água que resulta na salvação. Embora a água possa eliminar a sujeira ou imundície, não é “a eliminação da sujeira da carne”, por uma solene lavagem externa, que salva. Note que Pedro disse que a salvação vem “pela ressurreição de Jesus Cristo”. Portanto, quem é batizado precisa reconhecer que a vida eterna só é possível porque o Filho de Deus teve uma morte sacrificial, foi ressuscitado no terceiro dia e finalmente foi enaltecido à mão direita de Deus. — Romanos 10:9, 10.
21. Como se obtém uma “boa consciência”?
21 Além disso, o apóstolo Pedro colocou a ênfase em fazer uma “solicitação de uma boa consciência, feita a Deus”. Para obterem tal boa consciência, todos os que querem ser batizados precisam primeiro arrepender-se de seu anterior proceder errado, precisam ter fé na provisão de vida eterna feita por Deus, precisam desviar-se do proceder mau e dedicar-se, ou comprometer-se plenamente, a fazer a vontade divina. O batismo é o símbolo público desta resolução íntima. Depois de cumprir o que Jeová Deus agora exige, o discípulo batizado passa a ter uma boa consciência. Enquanto mantiver tal boa consciência, estará numa condição salva. Não se expressará contra ele o julgamento adverso de Deus. — Veja Atos 2:38-40; 3:19; 10:34-48.
22. Que proveito podemos tirar das duas cartas inspiradas do apóstolo Pedro?
22 Quanto mais cedo a pessoa escolher este modo superior de vida, tanto mais cedo passará a colher seus benefícios. Uma vez feita a escolha para nos harmonizarmos com a vontade de Deus e nos sujeitarmos ao batismo em água, em símbolo de nosso compromisso ou dedicação, certamente queremos apegar-nos fielmente a esta decisão. Mas o que nos ajudará a continuar escolhendo seguir este modo de vida? Como podemos resistir às influências que poderiam resultar em perdermos as bênçãos presentes e futuras, associadas com sermos genuínos discípulos do Filho de Deus? Há muito tempo, o inspirado apóstolo Pedro proveu respostas excelentes a estas perguntas. Suas duas cartas constituem a base para o que se apresenta nesta publicação. Esperamos que, por meio de nosso exame destas cartas, sejamos animados a adotar o melhor modo de vida como servos de Deus, continuando a usufruir tal rumo na vida na medida mais plena.
-
-
Ajuda animadora para mantermos nossa decisãoA Escolha do Melhor Modo de Vida
-
-
Capítulo 2
Ajuda animadora para mantermos nossa decisão
1, 2. (a) Como ilustrou Jesus Cristo a importância de nos apegarmos à decisão de servir a Deus? (b) Por que não é sábio desconsiderar o conselho de Jesus?
“NINGUÉM que tiver posto a mão num arado e olhar para as coisas atrás é bem apto para o reino de Deus.” (Lucas 9:62) Para poder arar com eficiência e fazer os sulcos paralelos, o lavrador precisa manter os olhos num ponto fixo na outra extremidade do campo. Quanto mais importante é mantermos os olhos fixos no alvo da vida! Neste caso, os preciosos dias e anos de nossa vida mostrarão ter um esquema coerente com o objetivo que pretendemos alcançar.
2 As palavras do Filho de Deus, citadas acima, mostram que, depois de termos assumido o compromisso de servir ao nosso Criador, devemos estar decididos a manter a nossa decisão, venha o que vier. O mundo talvez ofereça o que parece ser mais atraente — a busca de prazeres, de popularidade ou de bens materiais. Mas, olharmos com anseio para trás, para quaisquer dessas coisas — ou pior ainda, deixá-las tornar-se o ponto focal da nossa vida — poderá significar a perda do prêmio que procuramos alcançar. Poderá resultar numa vida desperdiçada.
3. Qual é o objetivo básico de nossa fé?
3 “Melhor é o fim posterior dum assunto do que o seu princípio”, diz Eclesiastes 7:8. Portanto, embora seja essencial que demos início ao nosso proceder escolhido, o que realmente vale é o fim. Este é o motivo pelo qual, na Palavra de Deus, se dá tanta ênfase a ser fiel até o fim. (Mateus 24:13) Nossa fé tem por objetivo básico, propósito ou alvo obtermos a salvação ou vida eterna. — 1 Pedro 1:9.
4. (a) Para permanecermos fiéis, que conceito sobre a salvação é importante? (b) O que nos diz 1 Pedro 1:10-12 sobre o interesse dos profetas no arranjo divino para a salvação?
4 O que nos pode ajudar a perseverar como discípulos leais do Filho de Deus? Em primeiro lugar, precisamos entender claramente e sentir profundamente o precioso valor da salvação que procuramos. As palavras inspiradas do apóstolo Pedro, íntimo associado de Jesus Cristo, podem ajudar-nos grandemente neste sentido. Sua admoestação pode ajudar-nos a ver que a nossa salvação final é algo pelo qual de bom grado devemos suportar todas as pressões de oposição, não importa quão severas. É algo pelo qual devemos estar dispostos a trabalhar, a fazer sacrifícios, sim, a morrer, se necessário. (Lucas 14:26-33) Em 1 Pedro 1:10-12, o apóstolo escreve:
“Acerca desta mesma salvação fizeram diligente indagação e cuidadosa pesquisa os profetas que profetizaram a respeito da benignidade imerecida que vos era destinada. Eles investigaram que época específica ou que sorte de época o espírito neles indicava a respeito de Cristo, quando de antemão dava testemunho dos sofrimentos por Cristo e das glórias que os seguiriam. Foi-lhes revelado que não era para eles, mas para vós, que ministravam as coisas que agora vos foram anunciadas por intermédio dos que vos declararam as boas novas com espírito santo enviado desde o céu.”
ASSUNTO DE INTENSO INTERESSE PARA OS PROFETAS
5. O que predisseram os profetas sobre os sofrimentos do Messias?
5 Séculos antes dos dias de Jesus na terra, os profetas hebreus foram inspirados a predizer o sofrimento que sobreviria ao prometido Messias ou Cristo. A profecia de Daniel especificava o tempo da chegada de Cristo e indicava que seria decepado na morte após um ministério de três anos e meio. (Daniel 9:24-27) Da profecia de Isaías aprendemos que o Messias seria rejeitado e se tornaria pedra de tropeço. (Isaías 8:14, 15; 28:16; 53:3) Esta profecia mostrou também que ele levaria as doenças do povo, seria julgado e condenado, mas permaneceria calado diante dos seus acusadores, que cuspiriam nele, que seria contado com os pecadores, traspassado, tendo uma morte sacrificial e levando embora os pecados, a fim de preparar o caminho para muitos obterem uma posição justa perante Deus. (Isaías 50:6; 53:4-12) A profecia de Zacarias indicava que o Messias seria traído por 30 moedas de prata. (Zacarias 11:12) E o profeta Miquéias predisse que o Cristo, o “juiz de Israel”, seria golpeado na face. — Miquéias 5:1.
6. Que pormenores sobre os sofrimentos do Messias são apresentados nos Salmos?
6 Entre as declarações dos Salmos, que se aplicam a Jesus Cristo, estão as seguintes: Ele seria traído por um companheiro íntimo. (Salmo 41:9) Os governantes, apoiados pelos seus súditos, se aglomerariam contra ele. (Salmo 2:1, 2) Os construtores religiosos, judaicos, o rejeitariam. (Salmo 118:22) Testemunhas falsas atestariam contra o Messias. (Salmo 27:12) Chegando ao lugar da execução, oferecer-lhe-iam uma bebida entorpecente. (Salmo 69:21a) Os que o prenderiam a uma estaca atacariam ‘suas mãos e seus pés’ como feras. (Salmo 22:16) Lançar-se-iam sortes sobre a sua vestimenta. (Salmo 22:18) Seus inimigos caçoariam dele com as palavras: “Fiou-se em Jeová. Que Ele o ponha a salvo! Livre-o ele, visto que se agradou dele!” (Salmo 22:8) Tendo muita sede, pediria algo para beber e se lhe ofereceria vinho azedo. (Salmos 22:15; 69:21b) Pouco antes de sua morte, exclamaria: “Deus meu, Deus meu, por que me abandonaste?” — Salmo 22:1.
7. O que revelam as profecias sobre as ‘glórias que se seguiram’ aos sofrimentos de Cristo?
7 Conforme Pedro salienta, os profetas também foram inspirados a falar sobre as ‘glórias que se seguiriam’ ao sofrimento do Messias. Pelo poder majestoso de Deus, este Filho fiel seria ressuscitado dentre os mortos. (Salmo 16:8-10) Ascendendo ao céu, tomaria assento à mão direita de Deus, esperando até que seus inimigos fossem postos por escabelo de seus pés. (Salmo 110:1) Ele ocuparia a posição dum sacerdote eterno, segundo a ordem de Melquisedeque. (Salmo 110:4) Seu Pai, o “Antigo de Dias”, lhe concederia autoridade régia. (Daniel 7:13, 14) Finalmente, viria o tempo em que o ungido de Deus espatifaria todas as nações opostas ao seu governo. (Salmo 2:9) Exerceria, então, domínio sobre toda a terra. — Salmo 72:7, 8; Zacarias 9:9, 10.
8. Como mostraram os profetas intenso interesse no que escreveram, e por que fizeram isso?
8 Sim, as profecias forneciam esplêndidos vislumbres do papel do Messias no arranjo divino de salvação ou livramento do pecado e da morte. Sua fidelidade debaixo de sofrimento, sua morte, ressurreição e ascensão ao céu, como gloriosa pessoa espiritual — tudo isso era necessário para que as pessoas pudessem receber a predita “benignidade imerecida”, inclusive o perdão dos pecados e a total reconciliação com Jeová Deus, como seus filhos. Os próprios profetas não podiam entender plenamente como a salvação viria por meio do Messias. Não obstante, conforme mostra o apóstolo Pedro, estavam intensamente interessados nas coisas que haviam registrado. Examinavam diligentemente as palavras proféticas, estudando repetidas vezes suas próprias profecias, para descobrir o significado do que foram inspirados a escrever. Reconhecendo que havia maravilhosas verdades incluídas nas revelações que receberam, os profetas usavam plenamente suas faculdades mentais no esforço de obter o máximo benefício das predições dadas por Deus. Faziam isso apesar de só ser com a vinda do Messias que as pessoas poderiam receber a predita benignidade imerecida. Não obstante, o que os profetas entendiam bastou para sustentá-los e também os estimulou a querer saber ainda mais. Estavam especialmente interessados em saber quais as condições que existiriam no tempo do aparecimento do Messias, sim, em que “sorte de época” ele passaria pelo predito sofrimento e depois teria o enaltecimento.
9. Quem se beneficiou especialmente com as profecias a respeito do Messias?
9 Conforme Pedro esclareceu, os profetas hebreus passaram a entender que as profecias messiânicas não foram primariamente registradas em benefício deles, mas em benefício dos que realmente viveriam no tempo do aparecimento do Messias. (1 Pedro 1:12) O profeta Daniel admitiu a respeito das revelações recebidas: “Ouvi, mas não pude entender.” (Daniel 12:8) Todavia, os que aceitaram as “boas novas” proclamadas no primeiro século E. C. foram os que tiraram pleno proveito das palavras inspiradas sobre a primeira vinda do Messias. Era para eles que os profetas ministravam na realidade. — Mateus 13:16, 17.
10. Como nos deve afetar o interesse que os profetas hebreus mostraram na salvação, e por quê?
10 Como nos deve afetar, então, saber do intenso interesse dos profetas? Deve induzir-nos a nos examinarmos para ver se temos o mesmo interesse na salvação. É nosso objetivo principal na vida continuarmos como servos aprovados de Jeová Deus e de Jesus Cristo? Estamos mesmo intensamente absortos neste assunto? Temos certamente um bom motivo para estar totalmente absortos em mostrar que somos discípulos leais do Filho de Deus. O Messias veio há séculos. Sua morte sacrificial proveu a própria base para a salvação e tornou certo o cumprimento de cada uma das promessas de Deus. (2 Coríntios 1:20) A passagem do tempo de modo algum enfraquece a certeza do cumprimento das promessas divinas. Antes, confirma que Deus deseja que o máximo número possível obtenha a salvação. (1 Timóteo 2:3, 4; 2 Pedro 3:9) Portanto, podemos aguardar com confiança herdar as bênçãos que o Altíssimo tem em reserva para os fiéis.
POR QUE OS ANJOS ESTÃO INTERESSADOS
11. Segundo 1 Pedro 1:12, quão intenso é o interesse dos anjos no arranjo divino da salvação?
11 O exemplo dos anjos também devia servir para nos animar a fazer o máximo para continuarmos a ter o favor de Deus. Embora não tenham nenhuma necessidade pessoal do arranjo divino de salvação, os anjos fiéis tomam verdadeiro interesse no cumprimento dos grandiosos propósitos de Deus para com a humanidade. O apóstolo Pedro escreveu: “Nestas coisas [que ocupavam a atenção dos profetas hebreus] é que os anjos estão desejosos de olhar de perto.” (1 Pedro 1:12) Sim, antes da vinda de Jesus Cristo à terra, os anjos queriam saber mais sobre os sofrimentos de Cristo, as “glórias que os seguiriam” e o impacto que as “boas novas” causariam na humanidade. O apóstolo Pedro podia dizer que estavam “desejosos de olhar de perto” estes assuntos. No grego original, a expressão “olhar de perto” sugere alguém inclinar-se para examinar um objeto mais de perto. Mas, por que estavam os anjos tão vivamente interessados em fazer um exame cuidadoso da revelação de Jeová Deus a respeito da salvação? Como pessoas espirituais perfeitas, por que deviam estar especialmente interessados nas provisões para homens pecaminosos, terrenos?
12, 13. Como podemos explicar o grande interesse dos anjos na salvação da humanidade?
12 Visto que os anjos não sabem tudo, sem dúvida, aumentam em conhecimento por considerarem detidamente os tratos e as revelações de Deus. O arranjo para a redenção da raça humana certamente lhes proveu um exemplo maravilhoso do amor, da justiça, da misericórdia e da sabedoria de Jeová. Portanto, por se ocuparem com a obtenção de mais entendimento do arranjo de Jeová para salvar a humanidade pecadora, os anjos chegariam a apreciar ainda mais o seu Pai celestial. Aprenderiam algo sobre a sua personalidade e seus modos, que não poderia ser discernido num estudo ou num exame de qualquer outro desenvolvimento no universo. — Veja Efésios 3:8-10.
13 Além disso, os anjos ‘gostam’ da raça humana. (Veja Provérbios 8:22-31.) Querem ver a humanidade reconciliada com o Pai celestial, Jeová. Foi por isso que Jesus Cristo podia dizer: “Surge alegria entre os anjos de Deus por causa de um pecador que se arrepende.” — Lucas 15:10.
14. (a) O que nos deve ajudar a fazer a atitude dos anjos para com a nossa salvação? (b) De que conselho do apóstolo Pedro devemos lembrar-nos para permanecer servos fiéis de Deus?
14 Sim, milhões de anjos alegraram-se quando nós mesmos passamos a arrepender-nos. Estão muitíssimo interessados em ver que mantenhamos a fidelidade até o fim. De fato, eles nos ‘incentivam’. Não permitamos que se obscureça nossa visão da grande hoste celestial que tem profundo interesse e afeição por nós. Certamente, queremos que continue sua alegria a nosso respeito. Isto requer que acatemos a admoestação de Pedro: “Por isso, avigorai as vossas mentes para atividade, mantendo inteiramente os vossos sentidos; fixai vossa esperança na benignidade imerecida que vos há de ser trazida na revelação de Jesus Cristo.” — 1 Pedro 1:13.
AVIGOREMOS A MENTE PARA ATIVIDADE
15. Como devemos entender a admoestação de Pedro de ‘avigorar a mente para atividade’?
15 Que significa para nós ‘avigorarmos a mente para atividade’? A tradução literal das palavras do apóstolo Pedro seria: “Cingi os lombos de vossa mente.” Nos dias dos apóstolos, os homens usavam vestes compridas. Quando alguém trabalhava ou se empenhava em atividade vigorosa, tal como correr, ele puxava a veste para cima, por entre as pernas, e a prendia por meio duma faixa à cintura. “Cingir os lombos” significava preparar-se para atividade. Para nós, ‘cingirmos os lombos da mente’, portanto, significa ter nossas faculdades mentais num estado de preparação para nos desincumbir das nossas obrigações cristãs e para suportar quaisquer provações que nos possam sobrevir.
16. Como podemos mostrar que ‘mantemos inteiramente os nossos sentidos’?
16 Se tivermos nossas faculdades mentais em estado de alerta para continuar no serviço fiel a Deus, certamente ‘manteremos inteiramente os nossos sentidos’. Seremos equilibrados no nosso modo de pensar, habilitados para avaliar corretamente os assuntos. Nossa vida mostrará que controlamos nossas faculdades e não cedemos aos engodos do mundo alheado de Jeová Deus. (1 João 2:16) O que ocupará o primeiro lugar na nossa vida será fazer o que agrada aos olhos de nosso Pai celestial e de seu Filho.
17. (a) Qual é a “benignidade imerecida” que há de ser trazida aos crentes? (b) Como ‘fixamos nossa esperança na benignidade imerecida que nos há de ser trazida na revelação de Jesus Cristo’?
17 Para ‘avigorarmos a mente para atividade e manter inteiramente os nossos sentidos’ temos de ‘fixar nossa esperança na benignidade imerecida que nos há de ser trazida na revelação de Jesus Cristo’. No tempo em que o Senhor Jesus Cristo vier em glória, todos os que têm esperança celestial, que permanecerem seus discípulos devotados, tornar-se-ão participantes da divina benignidade imerecida. (1 Coríntios 1:4-9) Esses discípulos gerados pelo espírito não somente terão alívio revigorante do sofrimento que tiveram às mãos de homens iníquos; mas também os cristãos com esperança dum paraíso terrestre serão preservados vivos através da “grande tribulação” que segue à vinda de Cristo e terão diante de si a perspectiva duma infindável vida terrena. De fato, temos bons motivos para mantermos sempre diante de nós o cumprimento de nossas esperanças cristãs, aguardando com ansiedade sermos beneficiados pelo favor divino. Nossa confiança no cumprimento certo destas esperanças pode estimular-nos a permanecer leais ao nosso Pai celestial e seu Filho. Fixemos bem a vista nas bênçãos que a vinda de Cristo em glória trará aos seus seguidores fiéis. — Mateus 25:31-46.
MOSTREMO-NOS FILHOS OBEDIENTES DE DEUS
18. Como mostramos que somos “filhos obedientes”?
18 Em harmonia com tais esperanças, nossa atitude deve ser a de “filhos obedientes”. O apóstolo Pedro prossegue: “Como filhos obedientes, deixai de ser modelados segundo os desejos que tínheis anteriormente na vossa ignorância.” (1 Pedro 1:14) Nós, como filhos que respeitamos e amamos nosso Pai celestial, devemos querer sujeitar-nos alegremente aos seus requisitos, reconhecendo que é a coisa certa a fazer. Não queremos mais tratar dos nossos assuntos na vida do modo como costumávamos fazer antes de nos tornar discípulos de Jesus Cristo. Na nossa ignorância a respeito das ordens de Deus, talvez nos tenhamos entregue a nossas paixões pecaminosas, egoistamente colocando nossos próprios interesses em primeiro lugar, em prejuízo de outros, ou fazendo nossa vida girar em torno de obter bens materiais, popularidade ou autoridade. Em grande parte, costumávamos harmonizar nossas atitudes, palavras e ações com as dos que nos cercavam. Sabemos agora que tal modo de vida, que não faz caso de Deus, é fútil e sem significado.
19. Conforme ilustrado pela lei mosaica, o que está incluído em sermos “santos”?
19 Para podermos usufruir a riqueza da vida, precisamos imitar a Jeová Deus, que é santo, limpo e puro. Limita-se imitarmos nosso Pai celestial a uma adoração formal? Note o que o apóstolo Pedro diz: “De acordo com o santo que vos chamou, vós, também, tornai-vos santos em toda a vossa conduta.” (1 Pedro 1:15) Daí, ele cita Levítico 19:2, que reza: “Deveis mostrar-vos santos, porque eu, Jeová, vosso Deus, sou santo.” (1 Pedro 1:16) Estas palavras de Levítico aparecem num contexto que delineia o que Jeová Deus requeria dos israelitas tanto na sua adoração formal como nos assuntos cotidianos de sua vida. Estes requisitos de conduta santa incluíam: O devido respeito pelos pais, honestidade, consideração para com o surdo, o cego e outros padecentes, não nutrir ressentimento, mas amar o próximo, refrear-se da calúnia e do falso testemunho, e fazer a justiça. (Levítico 19:3, 9-18) De modo que, realmente, nenhum aspecto da vida fica isento do requisito de ser santo ou puro do ponto de vista de Jeová.
“COMPORTAI-VOS COM TEMOR”
20. De que nos devemos lembrar a respeito do julgamento, e como deve isso afetar a nossa conduta?
20 Outro motivo forte para vivermos à altura de nossa dedicação a Deus é encontrado nas próximas palavras do apóstolo Pedro: “Ademais, se invocais o Pai que julga imparcialmente segundo a obra de cada um, comportai-vos com temor durante o tempo da vossa residência como forasteiros.” (1 Pedro 1:17) Nunca devemos perder de vista que nosso Pai celestial, por meio de seu Filho, nos julgará. Este julgamento não será influenciado pela aparência externa, mas será imparcial, em harmonia com o que realmente somos como pessoas. (Isaías 11:2-4) Portanto, se reconhecermos o Altíssimo como nosso Pai, desejaremos comportar-nos dum modo que ele possa encarar-nos com aprovação, fazendo um julgamento favorável a nosso respeito. Prosseguiremos corretamente em seguir um modo de vida que mostre temor salutar e reverente de Jeová Deus.
21. Como mostramos que encaramos nossa estada neste mundo como um tempo de “residência como forasteiros”?
21 Por outro lado, também, precisamos reconhecer que o mundo e aquilo que tem para oferecer são apenas temporários. Devemos considerar-nos como tendo “residência como forasteiros”. É essencial que nos protejamos contra o apego a qualquer coisa deste mundo como se continuasse para sempre. Até mesmo os palácios, antigamente luxuosos, dos reis da antiga Assíria, Babilônia e Pérsia não mais constituem um lar confortável para alguém; estão em ruínas. Nenhuma obra arquitetônica, nenhum produto da moderna engenharia e tecnologia, nenhuma pintura, nem escultura, nem um único objeto fabricado pelo homem pode continuar inalterado por toda a eternidade. É verdade que temos de viver neste mundo alheado de Deus, não podendo “sair” dele. (1 Coríntios 5:9, 10) Mas, realmente não queremos sentir-nos ‘à vontade’ no atual arranjo das coisas. Não, porque aguardamos algo muito melhor, os vindouros “novos céus e uma nova terra” criados por Deus. (2 Pedro 3:13) Nossa peregrinação pela vida no mundo é um ‘tempo de residência como forasteiros’, e nossas atitudes, palavras e ações devem demonstrar que é assim. — Veja Hebreus 11:13-16.
PAGOU-SE UM PREÇO PRECIOSO
22, 23. Por que devemos sempre sentir-nos endividados para com Jeová Deus e Jesus Cristo?
22 Enfatizando ainda mais a importância de continuarmos a ser servos santos e devotos de Jeová Deus, o apóstolo Pedro escreve: “Pois sabeis que não foi com coisas corrutíveis, com prata ou ouro, que fostes livrados da vossa forma infrutífera de conduta, recebida por tradição de vossos antepassados. Mas foi com sangue precioso, como o de um cordeiro sem mácula nem mancha, sim, o de Cristo.” (1 Pedro 1:18, 19) Remidos da condenação ao pecado e à morte, temos uma obrigação para com Jeová Deus, que fez o arranjo para sermos resgatados. Suponhamos que se tivesse pago uma grande soma de prata ou ouro para nos resgatar da morte. Não nos sentiríamos profundamente endividados com aquele que fez um tão grande sacrifício material a nosso favor?
23 Quanto maior, então, é nossa dívida para com Jeová Deus e Jesus Cristo! O preço resgatador pago foi muito mais valioso do que qualquer tesouro material que pode ser perdido, roubado ou destruído. Seu valor é maior do que toda a prata e ouro encontrados hoje na terra. O sangue precioso do Filho de Deus, sem pecado, foi o valioso preço de resgate pago. Era o sangue vital de alguém que tinha o direito de viver para sempre, e, portanto, de alguém que fez muito mais do que renunciar prematuramente à sua vida, assim como outros homens fizeram por aquilo que acharam ser uma causa nobre. O pagamento deste preço de resgate, conforme diz Pedro, proveu também a base para sermos ‘livrados da nossa forma infrutífera de conduta, recebida por tradição de nossos antepassados’. De que modo?
24. Antes de nos tornarmos discípulos de Jesus Cristo, em que sentido talvez fosse “infrutífera” a nossa conduta?
24 Quando aceitamos o fato de termos sido resgatados ou comprados com o sangue precioso de Jesus Cristo, abandonamos nosso anterior modo de vida. Nossa vida, sem o conhecimento de Jeová Deus ou de seus propósitos, fora “infrutífera”, vã, vazia, por ter girado exclusivamente em torno de conseguir aquilo que não tinha permanência. A maneira em que nos comportávamos talvez até mesmo nos tenha prejudicado mental, física e emocionalmente. Além disso, nossos pais e avós talvez não tenham conhecido as Escrituras Sagradas. Portanto, as normas e os princípios pelos quais geriram seus assuntos na vida talvez não estivessem em harmonia com a vontade divina. Até mesmo podem ter-se empenhado em práticas religiosas que desonravam a Deus. Portanto, até mesmo a “tradição” que talvez tenhamos recebido de nossos antepassados, relativa à conduta, não nos levou a usufruirmos uma vida objetiva. — Veja Mateus 15:3-9.
25. Como podem as palavras de 1 Pedro 1:10-19 ser de forte encorajamento para que permaneçamos fiéis a Jeová Deus e ao nosso Senhor Jesus Cristo?
25 As palavras do apóstolo Pedro, certamente, são de grande encorajamento para que nos apeguemos ao nosso compromisso de servir a Jeová Deus, como discípulos devotos de Jesus Cristo. Nunca devemos esquecer-nos do vivo interesse que os profetas hebreus e os anjos mostraram nas revelações divinas a respeito da salvação. Mantenhamos sempre diante de nós a certeza do julgamento de Deus, o cumprimento de nossa esperança na revelação de Jesus Cristo, a importância de sermos limpos em toda a nossa conduta, porque a santidade de Jeová o requer, e que o período de nossa vida neste mundo é apenas um tempo de residência como forasteiros. Acima de tudo, nunca, nunca mesmo, podemos perder de vista que fomos resgatados com o sangue precioso de Jesus Cristo!
26. Como se comparam as coisas que o mundo pode oferecer com as que podemos obter por servir a Jeová?
26 Quando comparadas com as bênçãos advindas de se servir ao Altíssimo, as coisas ostentosas deste mundo são realmente refugo. (1 Coríntios 7:29-31; Filipenses 3:7, 8) Nenhum montante de dinheiro pode comprar uma consciência limpa, uma vida significativa agora e um futuro permanente de vida feliz. Mas o serviço fiel a Deus traz tais bênçãos. Quão fortes são os motivos que temos para fazer disso a nossa principal preocupação na vida!
-
-
Uma esperança com garantia certaA Escolha do Melhor Modo de Vida
-
-
Capítulo 3
Uma esperança com garantia certa
1-3. (a) Por que não basta a mera crença na existência de Deus para termos a aprovação divina? (b) Segundo Hebreus 11:6, em que temos de crer, e por que é isso importante?
MUITOS afirmam crer na existência de Deus. Mas, viver dum modo que obtenha a aprovação divina requer muito mais do que isso. Precisamos estar firmemente convencidos de que os sofrimentos que porventura possamos ter não são nada em comparação com as grandiosas bênçãos que o Deus Todo-poderoso concederá aos seus servos.
2 Por este motivo, tampouco basta servir ao nosso Criador apenas por um senso de dever, por Ele nos ter dado a vida. O mero senso do dever não é suficientemente forte para nos manter fiéis em face de todas as provações com que possamos confrontar-nos — ultrajes físicos e verbais, doenças, desapontamentos e dificuldades econômicas. Apenas um intenso e inquebrantável amor ao nosso Pai celestial pode fazer isso.
3 Para termos esta espécie de amor a Deus, temos de crer que ele mesmo é amoroso, bom e generoso. A Bíblia mostra que tal fé é absolutamente essencial para os cristãos. Ela diz: “Aquele que se aproxima de Deus tem de crer que ele existe e que se torna o recompensador dos que seriamente o buscam.” (Hebreus 11:6) Minimizarmos de algum modo a promessa de Deus, de abençoar seus servos, na realidade deturpa nosso conhecimento dele. Pode impedir que reconheçamos a Jeová como Deus que aprecia profundamente as obras excelentes de seu povo. (Hebreus 6:10) Por outro lado, nossa firme convicção de que o Altíssimo é recompensador cria em nós uma reação apreciativa, estimulando-nos a querer agradar a ele.
‘RESGUARDADOS PARA A SALVAÇÃO’
4. Como nos ajuda Jeová Deus a alcançar a salvação, e, por isso, o que devíamos estar fazendo?
4 Naturalmente, não merecemos a salvação por causa de nosso serviço a Deus, tal como manter uma boa conduta e ajudar outros em sentido espiritual e material. Nosso Pai celestial foi quem fez todas as provisões para obtermos a vida eterna, e ele nos ajuda a fazer a sua vontade e a receber essa bênção. Nossa esperança dada por Deus, portanto, exorta-nos a nos sujeitarmos plenamente à direção divina. A total confiança em Jeová como recompensador habilita-nos a continuar a cooperar com ele em tornar-nos cristãos genuínos e plenamente desenvolvidos. (Efésios 4:13-15) É verdade que tal cooperação ativa com nosso Criador exige esforço da nossa parte para controlarmos nossas tendências pecaminosas. Mas, é Ele quem, por meio de seu espírito, realmente torna possível nosso desenvolvimento espiritual. As seguintes palavras do apóstolo Pedro enfatizam belamente a parte desempenhada por Deus em garantir o cumprimento de nossa esperança cristã:
“Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, pois, segundo a sua grande misericórdia, ele nos deu um novo nascimento para uma esperança viva por intermédio da ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos, para uma herança incorruptível, e imaculada, e imarcescível. Ela está reservada nos céus para vós, os que estais sendo resguardados pelo poder de Deus, por intermédio da fé, para uma salvação pronta para ser revelada no último período de tempo.” — 1 Pedro 1:3-5.
5. Por que tinham os cristãos do primeiro século bom motivo para bendizer a Jeová?
5 Os cristãos a quem se dirigiram estas palavras tinham um bom motivo para bendizer a Jeová Deus e também falar dele bem ou louvá-lo. Haviam sido produzidos como filhos do Altíssimo como que por meio dum segundo nascimento. (João 1:12, 13; 3:5-8) Este “novo nascimento” veio por meio da operação do espírito santo para com eles. Não resultou de qualquer mérito especial de sua parte, serem assim constituídos filhos de Deus. Mas foi por causa da misericórdia ou compaixão divina expressa para se lhes perdoarem os pecados. Quando se tornaram filhos do Todo-poderoso, estes discípulos de Jesus Cristo também se tornaram herdeiros.
6. Quais são alguns aspectos que fazem com que a esperança cristã seja uma esperança “viva”?
6 Como herdeiros, tinham a esperança de receber uma herança. Esta esperança, conforme mostra Pedro, é uma “esperança viva”. É “viva” em mais de um sentido. Igual à mensagem ou palavra de Deus, que “é viva e exerce poder”, a esperança é viva e poderosa. (Hebreus 4:12) Isto se dá principalmente porque é uma esperança divinamente dada pelo Deus vivente e eterno e gira em torno de seu Filho, que “não morre mais”. O Filho possui o poder duma vida indestrutível e é capaz de salvar inteiramente os que confiam nele. (Jeremias 10:10; Habacuque 1:12; Hebreus 7:16, 25; 1 Pedro 1:23) O próprio Jesus Cristo é o “pão vivo” enviado por Deus, e “se alguém comer deste pão, viverá para sempre”. (João 6:50, 51, 57) O Filho dá “água viva”, que se torna nos que a recebem “uma fonte de água que borbulha para dar vida eterna”. (João 4:10, 14) Do mesmo modo, também, a “esperança viva” dada em resultado do “novo nascimento” é capaz de levar os que a têm à obtenção de sua recompensa e à vida eterna.
7. Como afeta a “esperança viva” os que a possuem?
7 Há vitalidade nesta esperança. É uma força revigoradora, fortalecedora, na vida dos que a prezam. Esta esperança afeta toda a sua vida, tornando-se evidente na maneira em que usam sua vida. Igual à verdadeira fé, esta esperança não pode estar morta, sem frutos, sem atividade para demonstrar sua existência. (Tiago 2:14-26) É uma esperança animada que nos estimula, e ficamos encorajados, sustentados e fortalecidos pelo seu consolo e pela inabalável certeza de seu cumprimento.
8. Por ser uma “esperança viva”, o que se pode dizer sobre o seu cumprimento?
8 Portanto, esta esperança, bem diferente da esperança dos que confiam em homens imperfeitos e moribundos, não é uma esperança morta, que leve ao desapontamento por falta duma base sólida. Não pode deixar de se cumprir. A imutável promessa de Jeová, conjugada com o seu inigualável poder para cumpri-la, serve de alicerce seguro para a esperança cristã. — Veja Isaías 55:10, 11; Hebreus 6:13-20.
9. O que tornou possível haver tal “esperança viva”?
9 O apóstolo Pedro relaciona esta “esperança viva” com a “ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos”. Quando o Filho de Deus foi pendurado na estaca e seus discípulos o viram morrer, a esperança deles virtualmente morreu com ele. Mas, quando obtiveram a evidência de sua ressurreição, sua esperança ficou reanimada, revivificada, ‘pegou fogo’ e impeliu-os a dar testemunho. (Lucas 24:13-34; Atos 4:20) Visto que o Filho de Deus foi ressuscitado para a vida espiritual, ele pôde apresentar o valor de seu sacrifício, o preço redentor, ao Pai. Se Jesus Cristo não tivesse sido ressuscitado, ninguém poderia ter sido resgatado do pecado e da morte. (1 Coríntios 15:14-19) À parte de sua ressurreição, não poderia haver nenhuma “esperança viva”.
10. Por que podia Pedro chamar a herança de ‘incorruptível, imaculada e imarcescível’?
10 A grandiosa herança que o apóstolo Pedro e seus concrentes aguardavam é ‘incorruptível, imaculada e imarcescível’. Sendo incorruptível, não pode ser destruída ou de modo algum prejudicada. Nenhum aviltamento ou poluição pode ligar-se a ela, porque não pode ser obtida por qualquer trama, fraude ou outros meios ilícitos. Esta maravilhosa herança nunca cairá nas mãos de homens sem princípios. Ademais, dessemelhante das lindas flores, que logo perdem a sua beleza e seu brilho, a herança, durante toda a eternidade, nunca perderá sua magnificência e seu atrativo.
11. Por que é garantida esta “herança”?
11 Segundo as palavras de Pedro, a herança prometida está “reservada nos céus”. É garantida para os co-herdeiros de Cristo. Lá nos céus, está mais cabalmente protegida e preservada do que em qualquer caixa-forte de banco, porque os céus invisíveis são o lugar de permanência do Deus eterno, Jeová. (Salmos 103:19; 115:3, 16; Mateus 5:11, 12) Além disso, o apóstolo Pedro salientou que o Todo-poderoso os ajudaria a receberem sua herança. O Altíssimo, por meio de seu espírito, exerceria seu “poder” para com eles, ajudando-os a permanecerem aceitáveis perante ele e protegendo os interesses vitais deles. Em resultado, “no último período de tempo”, não sofreriam o julgamento condenatório expresso sobre os que não têm fé, mas seriam salvos para a vida eterna.
12. Como nos ‘resguardará’ Jeová Deus para a salvação?
12 Todos os crentes hoje em dia, iguais aos cristãos do primeiro século, podem confiar em que Jeová Deus os resguardará para a salvação. Ele, por meio de seu espírito santo, tornou inicialmente possível que tivéssemos fé, e, pelo mesmo espírito, continuará a fortalecer-nos a fé. Esta fé pode levar-nos com bom êxito através de toda espécie de provações. (1 João 5:4) Não temos assim motivos válidos para ser gratos por aquilo que Jeová Deus continua a fazer para nos auxiliar a alcançar a vida eterna? De fato, temos, especialmente quando consideramos que isto não se deve a nenhum mérito da nossa parte, mas à grande misericórdia de Jeová.
A MORTE NÃO PODE IMPEDIR A REALIZAÇÃO DE NOSSA ESPERANÇA
13. Que garantia temos de que nossa esperança cristã se baseia num alicerce sólido?
13 Nem mesmo a morte pode impedir vermos o cumprimento de nossa esperança cristã. Aquilo que nosso Pai celestial fez em conexão com o seu Filho fornece uma garantia segura e infalível de que nossa esperança tem uma base firme. O apóstolo Pedro escreveu:
“Deveras, ele [o Filho de Deus] era conhecido de antemão, antes da fundação do mundo, mas foi manifestado no fim dos tempos por causa de vós, os que por intermédio dele sois crentes em Deus, que o levantou dentre os mortos e lhe deu glória, para que a vossa fé e esperança estejam em Deus.” — 1 Pedro 1:20, 21.
14. Como se dá que Jesus Cristo era “conhecido de antemão, antes da fundação do mundo”, sendo “manifestado no fim dos tempos”?
14 Antes de Adão e Eva fundarem o mundo da humanidade por ter filhos, Jeová Deus determinou que fosse seu Filho unigênito quem remiria a raça humana da escravização ao pecado e à morte (Veja Gênesis 3:15; 4:1, 2; Lucas 11:49-51.) Com a vinda do Messias, o sistema judaico de coisas, inclusive seu sacerdócio, seus sacrifícios e seus serviços no templo, entraram nos seus últimos dias. A chegada do Messias assinalou o início duma nova época na história humana. Portanto, o apóstolo Pedro falou sobre Cristo ser “manifestado no fim dos tempos”.
15. Por que podia Pedro dizer que Jesus Cristo foi manifestado “por causa de vos, os que por intermédio dele sois crentes em Deus”?
15 Mas, por que diz o apóstolo que o Filho de Deus foi manifestado “por causa de vós, os que por intermédio dele sois crentes em Deus”? Antes de Jesus vir à terra, ninguém podia aproveitar-se da obra redentora que ele iria realizar. Apenas os crentes do primeiro século podiam começar a fazer isso. Estes crentes, por terem fé no Cristo, também tinham fé no Pai, Aquele que enviara o Filho para a terra. (João 17:21) Além disso, conforme disse Pedro, o que Jeová Deus fez para seu Filho — ressuscitando-o e dando-lhe “glória” por enaltecê-lo à sua própria mão direita — fornece um motivo sólido para termos fé e esperança no Altíssimo. Como?
16. De que é garantia a ressurreição de Jesus Cristo?
16 Assim como o Altíssimo ressuscitou seu Filho, também pode ressuscitar outros servos seus. Visto que Jesus Cristo foi ressuscitado para a vida imortal no céu, seus discípulos, no primeiro século, podiam ter a certeza de que eles também compartilhariam com ele na glória celestial. A ressurreição do Filho de Deus existe como garantia imutável de que os humanos que dormem na morte serão ressuscitados para a vida. — 1 Coríntios 15:12-22.
17. Quão bem confirmada é a ressurreição de Jesus Cristo?
17 Este é o motivo pelo qual se precisava confirmar bem a ressurreição de Jesus, e ela foi confirmada. Houve mais de 500 discípulos que viram o ressuscitado Filho de Deus. (1 Coríntios 15:6) Essas testemunhas oculares sabiam que os inimigos de Deus podiam tirar-lhes a liberdade e até matá-las, se apresentassem testemunho a respeito deste grande milagre. Contudo, os fiéis discípulos de Jesus Cristo deram intrepidamente testemunho deste fato. (Veja Atos 4:1-3; 7:52-60.) Essa corajosa fé só foi possível porque eles tinham evidência sólida da ressurreição dele.
É CERTA A VINDA DE CRISTO EM GLÓRIA
18. O que indica o apóstolo Pedro a respeito ‘do poder e da presença de nosso Senhor Jesus Cristo’?
18 Como no caso da ressurreição de seu Filho, Jeová Deus cuidou também de que se provesse um testemunho claro a respeito da certeza da vinda de Cristo “com poder e grande glória”. (Mateus 24:30; Revelação 1:7) O apóstolo Pedro disse:
“Não, não foi por seguirmos histórias falsas, engenhosamente inventadas, que vos familiarizamos com o poder e a presença de nosso Senhor Jesus Cristo mas foi por nos termos tornado testemunhas oculares da sua magnificência. Pois ele recebeu de Deus o Pai, honra e glória, quando pela glória magnificente lhe foram dirigidas palavras tais como estas: ‘Este é meu Filho, meu amado, a quem eu mesmo tenho aprovado.’ Sim, estas palavras nós ouvimos dirigidas desde o céu, enquanto estávamos com ele no monte santo.” (2 Pedro 1:16-18)
A que evento referiu-se Pedro ali?
19. Quando e como se tornaram Pedro, Tiago e João testemunhas oculares da magnificência de Cristo?
19 Referiu-se à transfiguração do Senhor Jesus Cristo. Algum tempo depois da Páscoa de 32 E.C., o Filho de Deus disse aos seus discípulos: “Deveras, eu vos digo que há alguns dos parados aqui que não provarão absolutamente a morte, até que primeiro vejam o Filho do homem vir no seu reino.” (Mateus 16:28) Em questão de dias, cumpriram-se essas palavras de Jesus. Levando consigo os apóstolos Pedro, Tiago e João, o Filho de Deus subiu a um alto monte, presumivelmente o Hermom. Num contraforte desta montanha, aconteceu o seguinte: “ [Jesus] foi transfigurado diante deles, e o seu rosto brilhava como o sol, e a sua roupagem exterior tornou-se brilhante como a luz.” Os três apóstolos tiveram assim confirmado que a vinda de Jesus no poder do Reino seria deveras gloriosa. Daí, formou-se uma “nuvem luminosa” e dela saiu uma voz que disse: “Este e meu Filho, o amado, a quem tenho aprovado; escutai-o.” — Mateus 17:1-5.
20. Por que tem base sólida a fé na volta de Jesus no poder do Reino?
20 Portanto, a fé na chegada de Jesus no poder do Reino não se baseava em histórias falsas, inventadas por homens. Não envolvia nenhum truque ou engano, na tentativa de persuadir outros a aceitar a crença de que o Filho de Deus voltaria “com poder e grande glória”. Pedro, Tiago e João viram Jesus Cristo glorificado perante seus próprios olhos, e ouviram a própria voz de Deus ressoar de dentro da nuvem luminosa ou “glória magnificente”. Esta voz reconheceu Jesus como sendo o Filho amado. O reconhecimento e a aparência brilhante que lhe foi concedida então foram realmente uma outorga de honra e glória a Jesus. Por causa desta grandiosa revelação divina da parte de Jeová, Pedro referiu-se corretamente ao monte onde ocorreu a transfiguração como “monte santo”.
21. De que importância é para nos a visão da transfiguração?
21 De que importância devia ser esta transfiguração para os crentes? Pedro respondeu: “Por conseguinte, temos a palavra profética tanto mais assegurada; e fazeis bem em prestar atenção a ela como a uma lâmpada que brilha em lugar escuro, até que amanheça o dia e se levante a estrela da alva, em vossos corações.” (2 Pedro 1:19) Sim, a visão da transfiguração confirma a palavra profética sobre a vinda do Senhor Jesus Cristo no poder do Reino. Esta visão forneceu um vislumbre de sua glória régia. Naturalmente, não pode haver nenhuma glória, magnificência ou dignidade régias à parte de poder ou autoridade. Por isso, a transfiguração serve também para corroborar a certeza da vinda de Jesus em poder.
22, 23. (a) Como mostramos que ‘fazemos bem’ em prestar atenção a palavra profética? (b) De que modo é esta palavra como uma lâmpada?
22 ‘Faremos bem’ em hoje darmos atenção a palavra profética, porque nada poderia ser mais vital para os interesses de nossa vida, ou poderia resultar em benefícios maiores ou mais duradouros. As pessoas talvez leiam avidamente as notícias mundiais, examinem os prognósticos feitos por peritos políticos, econômicos e científicos, e, no fim, descobrem que não chegaram a lugar nenhum. Mas a luz que brilha procedente da palavra profética nunca nos levará a um beco sem saída, nem nos deixará num labirinto confuso de sinalizações e placas indicadoras contraditórias. Por isso, esta palavra profética merece um lugar importante no nosso estudo e meditação. Seremos sábios se nos aproveitarmos de todas as oportunidades para nos reunir com concrentes, quando se considera a “palavra”. Mas, ‘prestarmos atenção’ envolve mais do que apenas ler cuidadosamente ou escutar com respeito. Significa agir segundo a palavra profética, deixando-a influenciar nossa conduta, nosso modo de usarmos o tempo, nossas energias e nossos recursos. (Veja Tiago 1:22-27.) Sim, reconhecemos corretamente que a palavra profética é genuinamente prática na nossa vida diária e não a encaramos apenas como algo a que damos consideração em períodos de adoração formal.
23 Em harmonia com a exortação de Pedro, devemos deixar que a palavra profética nos sirva de lâmpada brilhando num lugar escuro, iluminando nosso coração. Se ‘prestarmos atenção’ a ela, por deixá-la guiar-nos em todos os assuntos da vida, ela nos conduzirá a salvo até aquele grandioso dia em que a “estrela da alva”, o Senhor Jesus Cristo, se revelará em toda a sua magnificente glória. (Veja Revelação 22:16) A revelação do Filho de Deus significará destruição para os que não têm fé, e a concessão de grandes bênçãos aos seus discípulos devotos. (2 Tessalonicenses 1:6-10) A esperança que está relacionada com o cumprimento da palavra profética certamente deve animar-nos a fazer o máximo para sermos achados aprovados perante nosso Senhor, na sua revelação. — Lucas 21:34-36
24. Por que podemos confiar em toda a palavra profética contida na Bíblia?
24 Toda a palavra profética, contida nas Escrituras Sagradas, de fato, precisa receber consideração sóbria e guiar nossa vida. A própria natureza da palavra profética, a maneira em que veio a ser escrita, deve encher-nos de confiança quanto ao futuro. Os profetas de Jeová não fizeram a avaliação de certas tendências nos assuntos humanos, apresentando então predições baseadas na sua interpretação pessoal desses acontecimentos. As profecias não eram as conclusões tiradas pelos próprios profetas, depois de fazerem uma cuidadosa análise das condições então existentes. Não; a mente dos profetas foi estimulada pelo espírito santo e eles foram induzidos a expressar a mensagem de Deus. O apóstolo Pedro prosseguiu: “Sabeis primeiramente isto, que nenhuma profecia da Escritura procede de qualquer interpretação particular. Porque a profecia nunca foi produzida pela vontade do homem, mas os homens falaram da parte de Deus conforme eram movidos por espírito santo.” (2 Pedro 1:20, 21) Visto que a verdadeira profecia não se origina de homens inclinados a erros, mas do Criador todo sábio, sabemos que todas as profecias apresentadas na Palavra de Deus serão cumpridas.
25. O que podemos dizer sobre a certeza de nossa esperança cristã?
25 A esperança cristã baseia-se mesmo em evidência sólida. Testemunhas oculares fidedignas confirmam que os humanos adormecidos na morte serão ressuscitados à vida e que Jesus Cristo manifestara a sua glória e o seu poder. Será um dia grandioso, quando nosso Senhor passar a agir contra todos os que se negam a servir o Criador e a livrar os seus seguidores fiéis de todos os sofrimentos, introduzindo uma nova ordem justa, livre de doenças, dores e morte. — Revelação 21:4, 5.
-
-
Alimento essencial para a vida eternaA Escolha do Melhor Modo de Vida
-
-
Capítulo 4
Alimento essencial para a vida eterna
1. Por que são como mel as coisas apresentadas na Palavra de Deus?
A ALGUÉM faminto, esfomeado, até mesmo o sabor do mel pode dar forças renovadas e fazer seus olhos brilhar. Diz-se corretamente a respeito das coisas apresentadas na Palavra de Deus que elas são “mais doces do que o mel e o mel escorrendo dos favos”. Isto se dá por causa dos enormes benefícios que as orientações divinas trazem à vida dos que as aceitam com apreço. (1 Samuel 14:27; Salmos 19:9-11; 119:103) Para os que adquirem a sabedoria apresentada na Palavra inspirada “há futuro, e [sua] própria esperança não será decepada”. — Provérbios 24:13, 14.
2. O que temos de fazer, para que o espírito de Deus opere para o bem em nós?
2 Temos a promessa de Deus de que ele ‘resguardará seus servos para a vida eterna’, fazendo-o por meio de seu espírito. (1 Pedro 1:5) Isto certamente é animador. Mas, enganamo-nos se pensamos que isto vem sem esforço da parte dos que são assim ajudados. O espírito de Deus pode operar para o bem de qualquer de nós apenas ao ponto em que nós cooperamos com ele, e tal cooperação inclui nutrir-nos das Escrituras inspiradas. O Filho de Deus mostrou por que é assim.
3. O que disse Jesus Cristo que o espírito faria a favor de seus discípulos?
3 Explicando aos seus discípulos como o espírito de Deus os ajudaria, Jesus disse: “O ajudador, o espírito santo, que o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas e vos fará lembrar todas as coisas que eu vos disse.” (João 14:26) Depois de Jesus ter voltado aos céus, o espírito, na qualidade de recordador, traria de volta à mente dos discípulos as suas declarações, e, como instrutor, os habilitaria a entender a aplicação das coisas relembradas.
4. Como nos pode ajudar o espírito de Deus, e como enfatiza isso a importância de aumentarmos em conhecimento da Bíblia?
4 Visto que nunca fomos ensinados pessoalmente por Jesus Cristo, nossa situação difere daquela dos apóstolos. Todavia, todos os ensinos vitais do Filho de Deus foram preservados para nós na Bíblia. Assim, sempre que necessário, o espírito santo pode fazer-nos relembrar pontos das Escrituras inspiradas e ajudar-nos a discernir sua aplicação correta. Visto que o espírito de Deus funciona como recordador e instrutor, temos de cooperar com ele por meio da cuidadosa consideração da Bíblia. Se nosso reservatório de conhecimento bíblico for muito limitado, não será possível tirarmos pleno proveito da operação do espírito a nosso favor, como recordador e instrutor.
5. (a) Para que se tire pleno proveito da operação do espírito de Deus, por que é importante acabar com as tendências más? (b) Que conselho deu o apóstolo Pedro a respeito da alimentação espiritual?
5 Por outro lado, também, o espírito é santo, e, portanto, ajuda apenas aqueles que são santos ou puros do ponto de vista de Jeová. Por isso, não basta apenas ler a Bíblia ou fazer com que alguém a leia para nós. Precisa haver também o desejo de coração de eliminar todas as tendências conflitantes com as normas de limpeza ou pureza de Deus. Note como isso é salientado nas seguintes palavras do apóstolo Pedro:
“Concordemente, ponde de lado toda a maldade, e toda a fraudulência, e hipocrisia, e invejas, e toda sorte de maledicências, e, como crianças recém-nascidas, ansiai o leite não adulterado pertencente à palavra, para que, por intermédio dela, cresçais para a salvação, desde que provastes que o Senhor é benigno.” — 1 Pedro 2:1-3.
6. Quem é exortado a ansiar o “leite”?
6 Quando nos esforçamos com diligência a fazer a vontade de Deus, nossa mente e nosso coração estão preparados para se nutrir das Escrituras. Mas, ainda mais está envolvido no desenvolvimento dum bom apetite espiritual. O apóstolo exorta: “Como crianças recém-nascidas, ansiai o leite não adulterado pertencente à palavra.” (1 Pedro 2:2) O leite satisfaz plenamente os bebês recém-nascidos. Não querem outro alimento. Os novos crentes, iguais a esses bebês, precisam do ‘leite da palavra’ e devem cultivar verdadeiro desejo por ele. Daí, quando atingem a madureza cristã, certamente devem querer ter um anseio igual pelo sólido alimento espiritual. — Hebreus 5:12-14.
7. Por que não podemos esperar já ter em poucos anos um pleno entendimento da Palavra de Deus?
7 Sim, não importa quanto tempo estejamos andando no caminho da verdade, ainda há muito mais para aprender sobre nosso Criador e sua vontade para nós. (Veja 1 Coríntios 13:12.) Visto que as Escrituras contêm os pensamentos do Deus todo-sábio, Jeová, até mesmo os anjos tiram proveito das revelações apresentadas nelas. (1 Pedro 1:12) Então, como poderia algum homem pensar que pode obter pleno entendimento da Palavra sagrada de Deus numa questão de poucos anos? Por isso, seria bem impróprio contentar-se com o conhecimento duma pequena parte de sua Palavra, e, na realidade, dizer ao nosso Pai celestial que gostaríamos de que tivesse sido menos generoso com suas provisões espirituais contidas nas Escrituras Sagradas.
CULTIVE O GOSTO PELO ALIMENTO ESPIRITUAL
8. O que deve induzir-nos a querer obter melhor entendimento das Escrituras?
8 Nosso amor a Jeová Deus e a Jesus Cristo deve induzir-nos a querer entender o mais possível da Bíblia. É pelas páginas das Escrituras que somos ajudados a chegar a conhecer melhor nosso Pai celestial e seu Filho, o que nos atrai mais a eles. Conforme observou o apóstolo Pedro, já ‘provamos que o Senhor é benigno’ (1 Pedro 2:3) Na expressão de seu amor, Jesus Cristo morreu por nós e tornou possível que tenhamos uma condição limpa perante nosso Pai celestial. (João 15:13; 1 João 2:2) Em resultado disso, podemos chegar-nos francamente a Jeová Deus, entregando-lhe todos os nossos cuidados e ansiedades. (Hebreus 10:19-22; 1 João 3:19-22) As bênçãos, a orientação e a ajuda que recebemos como discípulos de Jesus Cristo demonstram amplamente que nosso Amo é benigno e tem grande afeto a nós. (Mateus 11:28-30) Se aquilo que já provamos ou experimentamos é tão bom, não devíamos querer harmonizar-nos ainda mais com o exemplo de Jeová Deus e de seu Filho? (Salmo 34:8) Considerarmos a Bíblia com cuidado e oração nos ajudará a fazer exatamente isso.
9. (a) O que pode estragar um bom apetite espiritual, e por quê? (b) O que podemos fazer para melhorar nosso apetite espiritual?
9 O que acontece quando descobre que seu anseio da “palavra” não é muito grande? Tome então tempo para pensar com apreço no que Jeová Deus e Jesus Cristo fizeram a seu favor. Também, examine se não estragou seu apetite espiritual por dar indevida atenção a filosofias, especulações e propaganda do mundo alheado de Deus. Outro inimigo do apetite espiritual é restringir alguém a maior parte de sua leitura a revistas ilustradas ou a matéria que não requer muita reflexão e meditação. Simplesmente, é preciso reconhecer que a Bíblia foi escrita para instruir, não para divertir. Embora as próprias palavras talvez não sejam difíceis, os pensamentos expressos amiúde transmitem um significado profundo, que só pode ser compreendido por se tomar tempo para refletir com oração sobre o que ela diz.
10. Que fatos a respeito das ilustrações de Jesus Cristo provam que a leitura casual das Escrituras não basta para se obter conhecimento exato?
10 Por exemplo, as ilustrações usadas por Jesus Cristo são simples. Mas as verdades vitais que revelam não podem ser descobertas apenas numa leitura casual de alguma tradução da Bíblia. Lembre-se de que os judeus que ouviram o Filho de Deus falar na sua própria língua não entenderam o pleno impacto do que ensinou. Embora pessoas comuns entendessem as palavras que ele usou, o significado do que Jesus disse ficou oculto até mesmo aos instruídos. Por quê? Porque faltou humildade e um anseio por alimento espiritual à maioria dos ouvintes de Jesus. Por isso, não fizeram nenhuma indagação adicional para obter verdadeira perspicácia. — Mateus 13:13-15.
11. Por que não devemos satisfazer-nos com um conhecimento superficial da Bíblia?
11 Certamente, não queremos satisfazer-nos com um conhecimento superficial da Bíblia, talvez conhecendo bem as narrativas ou “histórias” da Bíblia, e as doutrinas elementares. Se afirmamos amar a Deus e a Cristo, precisamos estar dispostos a gastar tempo com a Bíblia, esforçando-nos a entender a implicação, o sentido e o espírito do que ela diz, e a aplicá-los então. Nenhuma habilidade que valha a pena é adquirida sem esforço. Portanto, não devemos esperar fazer grande esforço para aumentar nosso conhecimento de Jeová, a fonte de toda a sabedoria? — Veja Provérbios 2:1-6; 1 Timóteo 4:13-16.
12. Que influência tem a nossa atitude para com a obtenção de conhecimento exato sobre as bênçãos que podemos receber?
12 Nossa atitude para com obtermos melhor entendimento da Palavra de Deus tem uma influência direta sobre as bênçãos que se nos concederão. Deixarmos de aproveitar plenamente nossas oportunidades de conhecer melhor a Jeová Deus não necessariamente resulta em perdermos a vida. Mas pode levar a sermos culpados de não cumprir a vontade divina em certos sentidos e assim perder as bênçãos. Em uma de suas ilustrações, Jesus mostrou que a ignorância não protegerá a pessoa de certa medida de perda. O servo que faz algo pelo qual merece ser espancado, por não ter entendido a vontade de seu amo, ainda assim é punido, embora não tão severamente como o escravo que, com pleno conhecimento, desobedece deliberadamente. (Lucas 12:47, 48) Portanto, é assunto sério quando alguém deixa de tomar tempo, na sua vida, para estudar regularmente a Palavra de Deus, e, em resultado disso, não faz o necessário progresso em conduta e atividade cristãs.
13. O que a Palavra de Deus nos pode ajudar a garantir, e como deve isso afetar nossa alimentação espiritual?
13 Toda a Palavra de Deus destina-se a ajudar-nos a ‘crescer para a salvação’, quer dizer, a garantir a nossa derradeira salvação como discípulos aprovados do Senhor Jesus Cristo. Portanto, se realmente estamos interessados no nosso bem-estar eterno, isto deve manifestar-se no nosso desejo fervoroso de obter conhecimento melhor de Jeová Deus e de seu Filho, por meio das Escrituras inspiradas.
14. Que efeito pode ter o genuíno interesse no bem-estar espiritual dos outros sobre o nosso apetite espiritual?
14 Naturalmente, há mais envolvido do que a nossa própria vida. (Veja 1 Timóteo 4:16.) Como seguidores de Jesus Cristo, temos a comissão de ajudar outros a se tornarem seus discípulos. (Mateus 28:19, 20) Como podemos fazer isso, quando nos falta seriamente entendimento da Bíblia? Podemos mesmo dizer que estamos realmente interessados no bem-estar espiritual dos outros, quando fazemos apenas um esforço limitado para aumentar no próprio conhecimento que poderá ajudá-los? O necessário estímulo para melhorar o apetite espiritual vem às vezes quando alguém começa a instruir outra pessoa. Não é incomum que os que aumentam o tempo gasto em divulgar a verdade bíblica a outros verifiquem que se intensifica seu próprio desejo de alimento espiritual. Por exemplo, as perguntas feitas pelos interessados podem prover o incentivo necessário para alguém pesquisar mais a fundo a Palavra de Deus, com o objetivo de prover respostas satisfatórias.
15. Como podem os que não sabem ler ou que têm dificuldade na leitura tirar proveito do conteúdo das Escrituras?
15 Mas, que dizer daqueles que têm sérias dificuldades em ler ou que não podem ler sozinhos as Escrituras? Podem obter o benefício do conteúdo da Bíblia por alguém a ler e explicar para eles. Daí, podem meditar na informação ouvida e aplicá-la na sua vida. (Revelação 1:3; Neemias 8:8) Naturalmente, se o problema envolver a pouca instrução que têm, será conveniente que tais pessoas se aproveitem dos arranjos disponíveis para aprender a ler ou para melhorar sua leitura. Quando apenas algumas partes das Escrituras estão disponíveis em determinado idioma, recai uma grande responsabilidade sobre os que instruem outros e que conhecem as línguas nas quais a Bíblia inteira está disponível. Iguais ao apóstolo Paulo, devem esforçar-se a tornar conhecido “todo o conselho de Deus”. — Atos 20:27.
O EFEITO DA PALAVRA NA NOSSA VIDA
16, 17. (a) De acordo com o apóstolo Pedro, que impacto teve a Palavra de Deus sobre os cristãos do primeiro século? (b) O que mostra que requer esforço pessoal para que a “palavra” realmente opere nos crentes?
16 Considerarmos a Palavra de Deus com oração, com toda a humildade, pode ter desde já um efeito salutar na nossa vida. Isto se evidencia no que o apóstolo Pedro escreveu aos seus concrentes:
“Agora que purificastes as vossas almas pela vossa obediência à verdade, tendo por resultado o amor fraternal sem hipocrisia, amai-vos uns aos outros intensamente de coração. Pois recebestes um novo nascimento, não por semente reprodutiva corrutível [que é responsável pela existência humana, carnal, sujeita à morte], mas por incorrutível, por intermédio da palavra do Deus vivente e permanecente. Pois ‘toda a carne é como a erva, e toda a sua glória é como flor da erva; a erva se resseca e a flor cai, mas a declaração de Jeová permanece para sempre’. Ora, esta é a ‘declaração’, esta que vos foi anunciada como boas novas.” — 1 Pedro 1:22-25.
17 Considere como as palavras de Pedro se aplicavam aos cristãos do primeiro século E. C. Quando aqueles discípulos de Jesus Cristo assimilaram a verdade das “boas novas”, foram induzidos a fazer empenho para se purificar, para eliminar as práticas erradas. Com a ajuda do espírito de Deus, harmonizaram-se obedientemente com o que a verdade exigia deles. Em resultado, começaram a demonstrar verdadeiro amor para com os aparentados com eles na fé. (João 13:34, 35) Todavia, esta maravilhosa transformação na sua vida não veio sem esforço pessoal. Apenas por se entregarem obedientemente à influência da verdade e do espírito de Deus puderam demonstrar amor fraternal sem hipocrisia. Por este motivo, Pedro pode exortá-los: “Amai-vos uns aos outros intensamente de coração.” (1 Pedro 1:22) A palavra grega para “intensamente” significa, em sentido literal, “esticadamente”. De modo que esta demonstração de amor não deve ser restrita ou confinada por causa de suspeita, inveja ou ciúme, mas deve ser expressa de coração puro. Não é amor formalístico, a que falta genuína cordialidade, mas é um amor que se distingue por sentimentos e afeição intensos. Visto que o Deus de amor, Jeová, fez de tais discípulos cristãos os seus filhos, dando-lhes um novo nascimento, é apenas correto que se empenhem diligentemente em fornecer prova de sua filiação por terem intenso amor aos seus concrentes. — 1 João 3:10, 11.
18. (a) Por que não são superficiais ou de curta duração as mudanças que podem resultar da harmonização com a Palavra de Deus? (b) Como difere aquilo que é realizado por meio da “palavra” e do espírito de Deus da experiência de homens pecaminosos?
18 No caso de todos os discípulos de Jesus Cristo, hoje em dia, as mudanças que podem resultar de se alimentarem da “palavra do Deus vivente e permanecente” e de a acatarem não são superficiais, nem de curta duração. Esta “palavra” é incorrutível. Por isso, todos os que continuam sob a influência da verdade das “boas novas” são continuamente afetados para o bem. Embora os homens pecaminosos, iguais à erva, percam sua bela aparência e morram, as mudanças efetuadas pela “palavra” permanecente e pelo espírito de Deus permanecem.
19. O que devemos achar de nossas necessidades espirituais?
19 Portanto, nunca devemos negligenciar nossas necessidades espirituais, mas devemos diligentemente encher a mente e o coração com a verdade. Tendo bom apetite espiritual, podemos ter saúde e força espirituais. Daí, ao passo que nos sujeitamos humildemente à influência das “boas novas” e do espírito santo de Deus, devemos mostrar que somos discípulos fiéis de Jesus Cristo, ajudando outros a obter conhecimento exato das Escrituras. Alimentarmo-nos assim da “palavra” permanecente nos ajudará a crescer para a salvação, garantindo-nos um futuro eterno.
-
-
O exemplo perfeito: CristoA Escolha do Melhor Modo de Vida
-
-
Capítulo 5
O exemplo perfeito: Cristo
1. O que é necessário para que sejamos induzidos a querer imitar a Jesus Cristo?
PARA sermos induzidos a seguir alguém de todo o coração, temos de crer que seu exemplo merece ser imitado. Quanto mais alta a nossa estima e maior a nossa afeição por aquela pessoa, tanto mais intenso será nosso desejo de ser igual a ela. Portanto, até que ponto imitamos a Jesus Cristo como nosso modelo depende na maior parte de termos profundo amor e apreço por ele. O que nos ajudará a aumentar em afeto pelo Filho de Deus?
2, 3. (a) O que mostra que chegarmos a conhecer a Jesus Cristo não depende de o vermos literalmente? (b) Por que foi que muitos judeus que realmente viram o Filho de Deus não chegaram a aprecia-lo?
2 Assim como muitos dos que se tornaram cristãos após a morte de Jesus, no primeiro século, nós não vimos pessoalmente o Filho de Deus. (1 Pedro 1:8) Mas, não o vermos com os olhos literais não é impedimento para chegarmos a amá-lo cada vez mais. Muitos dos que realmente chegaram a ver Jesus Cristo na carne não chegaram a conhecê-lo. Julgaram-no pela idéia que tinham sobre como devia ser o Messias, e tropeçaram. Por exemplo, o povo da própria região dele disse: “Onde obteve este homem tal sabedoria e tais obras poderosas? Não é este o filho do carpinteiro? Não se chama a sua mãe Maria e seus irmãos Tiago, e José, e Simão, e Judas? E suas irmãs, não estão todas elas aqui conosco? Onde obteve, então, este homem todas essas coisas?” — Mateus 13:54-57.
3 Deveras, os olhos e os ouvidos dos que se expressaram desta maneira, sem fé, não transmitiram a informação exata à sua mente e ao seu coração. Visto que o julgavam pela aparência externa, como sendo da família dum humilde carpinteiro, deixaram de reconhecer em Jesus o prometido Messias, o Filho de Deus. O significado dos milagres de Jesus ficou obscurecido na sua mente. Viram suas excelentes qualidades, mas julgaram-nas mal.
4. Como podemos chegar a conhecer melhor o Filho de Deus e quais são algumas das coisas que podemos aprender desta fonte?
4 Nós, por outro lado, podemos chegar a conhecer e a amar Jesus Cristo em grau maior por examinarmos com cuidado e oração o que as Escrituras nos dizem sobre ele. (Veja 1 João 1:1-4.) A Bíblia apresenta o quadro mais animador sobre o Filho de Deus. Embora perfeito, Jesus Cristo nunca foi supercrítico, nem altivo nos seus tratos com os homens sofredores. (Mateus 9:10-13) Sua sabedoria superior não fez com que os outros se sentissem ignorantes ou inconformáveis na sua presença, porque era de “temperamento brando e humilde de coração”. (Mateus 11:29) Até mesmo as crianças sentiam-se à vontade com ele. (Mateus 19:13-15) Jesus Cristo tomava em consideração as limitações de seus discípulos e pacientemente repetia lições vitais. (João 16:12) Vendo os doentes e os espiritualmente necessitados, sentia compaixão e auxiliava-os de bom grado. (Mateus 9:36; Marcos 6:34) Seu interesse nos pobres é demonstrado pelo fato de que ele e seus apóstolos tinham um fundo comum, ao qual podiam recorrer para ajudar os necessitados. (João 12:4-6; 13:29) O Filho de Deus gastava-se plenamente a favor dos outros, e expunha corajosamente a hipocrisia e o erro. (Mateus 23:2-35) Por fim, em prova de seu grande amor pela humanidade, entregou a sua vida. (João 15:13) Que exemplo sublime de coragem, humildade e amor, que o Filho de Deus nos deu!
A ESTIMA QUE JEOVÁ TEM PELO SEU FILHO
5. Que conhecimento Importante a respeito de Jesus Cristo não se pode obter pelos sentidos físicos da visão, da audição e do tato?
5 Além disso, apenas as Escrituras nos ensinam como Jeová Deus considera seu Filho. Tal conhecimento a respeito de Jesus Cristo não pode ser obtido apenas pelos sentidos físicos da visão, da audição e do tato. Por exemplo, tome as palavras do apóstolo Pedro a seus concrentes sobre a posição honrosa do Filho de Deus e os benefícios que provêm de alguém se chegar a ele. O apóstolo escreveu:
“Chegando-vos a ele, como a uma pedra vivente, rejeitada, é verdade, pelos homens, mas escolhida e preciosa para Deus, vós mesmos também, como pedras viventes, estais sendo edificados como casa espiritual, tendo por objetivo um sacerdócio santo para oferecerdes sacrifícios espirituais, aceitáveis a Deus, por intermédio de Jesus Cristo. Pois isso está contido na Escritura: ‘Eis que ponho em Sião uma pedra, escolhida, uma pedra angular de alicerce, preciosa, e ninguém que nela exercer fé de modo algum ficará desapontado.’” (1 Pedro 2:4-6)
O que significava isso para os cristãos do primeiro século?
6. (a) No primeiro século, como se chegaram os crentes ao Filho de Deus “como a uma pedra vivente”? (b) Por que e Jesus chamado corretamente de “pedra vivente”?
6 Por reconhecerem a Jesus Cristo como seu Senhor e aquele por meio de quem obteriam a salvação, chegaram-se a ele “como a uma pedra vivente”. A expressão “pedra vivente” é bem apropriada. Jesus Cristo não é igual a uma pedra comum, fria e inanimada, da qual não se pode obter nenhuma substancia sustentadora da vida. O Filho de Deus é igual à rocha de que os israelitas receberam um suprimento milagroso de água, lá no ermo. Segundo o inspirado apóstolo Paulo, “essa rocha significava o Cristo”. Era símbolo ou tipo representativo do Filho de Deus. (1 Coríntios 10:4) O próprio Jesus disse:
“Se alguém tiver sede, venha a mim e beba.” (João 7:37) “Quem beber da água que eu lhe der, nunca mais ficará com sede, mas a água que eu lhe der se tornará nele uma fonte de água que borbulha para dar vida eterna.” (João 4:14)
O Filho de Deus indicou assim que seu ensino, quando assimilado qual água refrescante, leva à salvação — à vida sem fim. Além disso, Jesus Cristo obteve também poder para dar vida. Igual ao seu Pai, portanto, pode conceder vida a outros, à base de seu sacrifício propiciatório, ressuscitando-os dentre os mortos. — João 5:28, 29.
7. Como foi Jesus Cristo rejeitado qual “pedra vivente”?
7 Conforme Pedro salientou, Jesus foi ‘rejeitado, é verdade, pelos homens’. Foram especialmente os orgulhosos líderes religiosos que não viram nada no Filho de Deus, que considerassem como digno de ser imitado. Não tiveram apreço de sua exemplar compaixão e amor pela humanidade. Quando Jesus proveu ajuda espiritual a pecadores conhecidos, os líderes religiosos objetaram: “Este homem acolhe pecadores e come com eles.” (Lucas 15:2) Presenciaram como o Filho, em compaixão, usou o sábado para abrir os olhos de cegos, curar doentes e livrar aleijados de seu padecimento. Mas, em vez de se alegrarem e louvarem a Deus, os líderes religiosos ficaram cheios de ira e tramaram matá-lo. (Mateus 12:9-14; Marcos 3:1-6; Lucas 6:7-11; 14:1-6) Disseram a um cego que recebera visão: “Este não é homem de Deus, porque não observa o sábado.” (João 9:16) Finalmente, o supremo tribunal judaico, o Sinédrio, sentenciou Jesus à morte, sob a acusação falsa de blasfêmia. (Mateus 26:63-66) Os governantes judeus, com o objetivo de executar a pena, mudaram a acusação contra Jesus de blasfêmia para sedição. Às instigações deles, o governador romano, Pilatos, ordenou a execução dele numa estaca, como a pior espécie de criminoso político. — Lucas 23:1-24.
8. Como estima Jeová a seu Filho?
8 A ação de homens em rejeitar Jesus Cristo como alicerce não alterou em nada a estima em que o próprio Jeová tem seu Filho Visto que o Altíssimo o predeterminou como aquele por meio de quem a raça humana seria remida e como a “pedra vivente”, sobre a qual se edificaria a congregação cristã, Jesus, conforme declarou Pedro, era o ‘escolhido’ e continuou a ser tal. Nunca havia dúvida na mente de seu Pai sobre o Filho cumprir sem uma única falha o propósito divino. Jeová‵ sabia que seu Filho era perfeito em devoção e afeto. Jesus Cristo, na terra, provou seu profundo amor ao Pai por fazer a vontade Dele de modo perfeito enquanto padecia grandes sofrimentos. A fidelidade do Filho sob severa prova tornou-o muito precioso aos olhos do Altíssimo. De modo que a congregação cristã é abençoada por ter como alicerce aquele a quem Jeová Deus considera como seu Filho mais valioso. (Efésios 2:20-22) E os membros devotos desta congregação esforçam-se arduamente a imitar o proceder fiel de Jesus Cristo
9. Por que podiam os crentes do primeiro século ter certeza de que sua fé não ficaria desapontada?
9 Aqueles a quem o apóstolo Pedro escreveu compartilhavam o conceito de Deus sobre o seu Filho Conforme declarou o apóstolo: “É para vós, portanto, que ele é precioso, porque vós sois crentes.” (1 Pedro 2:7a) Reconheciam que Jesus Cristo era a extremamente valiosa pedra angular de alicerce que o Pai havia lançado na Sião celestial, em cumprimento das palavras de Salmo 118:22 e Isaías 8:14; 28:16. Por estarem em harmonia com a avaliação que Jeová fazia de seu Filho e depositarem sua fé nele como pedra angular de alicerce, os crentes do primeiro século podiam ter certeza de que não ficariam desapontados, com as esperanças desfeitas. Ninguém pode danificar o caro e precioso alicerce, que foi firmemente estabelecido nos céus, e causar assim uma perda para aqueles cuja esperança se liga intimamente com ele. Enquanto os crentes permaneciam em união com Cristo, o alicerce inabalável da congregação, tinham certeza de alcançar o objetivo de sua fé, a saber, a vida sem fim. Os incrédulos, porém, sofreriam uma grande perda. O apóstolo Pedro prosseguiu:
“Mas, para os que não crêem, ‘a mesma pedra que os construtores rejeitaram tem-se tornado a principal do ângulo’, e ‘uma pedra para tropeço e uma rocha de ofensa’. Estes tropeçam porque são desobedientes à palavra. Foram também designados para este mesmo fim.” — 1 Pedro 2:7b, 8.
10. Como se tornou Jesus Cristo “uma pedra para tropeço e uma rocha de ofensa”?
10 Os destacados líderes religiosos dos judeus, por recusarem aceitar o Filho de Deus como seu ideal e edificar suas esperanças de vida eterna nele, saíram perdendo quanto ao grandioso privilégio de serem herdeiros do Reino. Jesus Cristo havia-os advertido: “Os [arrependidos] cobradores de impostos e as [arrependidas] meretrizes entrarão na frente de vós no reino de Deus.” (Mateus 21:31) O proceder adotado por aqueles líderes religiosos não impediu que Jesus se tornasse a pedra “principal do ângulo”, a culminante, duma “casa espiritual”. Além disso, tratando a Jesus Cristo como pedra imprópria para a sua construção, esses homens, ao mesmo tempo, ainda assim se viam obrigados a contar com ele qual pedra que se interpunha no seu caminho. Não podiam desconsiderar o Filho de Deus, nem mesmo após a sua morte e ressurreição, porque seus discípulos fiéis continuavam a testemunhar intrepidamente a seu respeito. (Atos 5:28) Jesus Cristo tornou-se assim uma rocha sobre a qual todos os que persistem na descrença tropeçam e sofrem uma queda calamitosa. Assim como aqueles que mostram ser crentes genuínos são designados para a salvação, assim os que mostram ser incrédulos são designados para sofrer perda. O Filho de Deus até mesmo disse com respeito a si mesmo: “Todo aquele que cair sobre esta pedra, será despedaçado. Quanto àquele sobre quem ela cair, será pulverizado por ela.” — Lucas 20:18.
O RESULTADO DE SE ‘CHEGAR A PEDRA VIVENTE’
11. De que modo se tornaram os crentes do primeiro século quais ‘pedras viventes’?
11 Os crentes do primeiro século, aceitando Jesus Cristo como a “pedra vivente”, divinamente escolhida e preciosa, passaram a ser iguais a “pedras viventes”. De que maneira? Deixaram de estar ‘mortos em falhas e pecados’, usufruindo, em vez disso, “novidade de vida” como filhos de Deus. (Romanos 6:4; Colossenses 2:13) Por meio de Cristo, a “pedra vivente”, receberam benefícios vitais. No entanto, não deviam jazer deitados como pedras de construção sem vida, sem utilidade. Não; deviam constituir um edifício harmonioso. Para serem uma estrutura unida, precisavam mostrar ter a mesma espécie de amor abnegado, mútuo, que seu Exemplo tivera para com eles. (João 13:34) Também deviam ser trabalhadores, assim como Jesus Cristo foi na terra. O Filho de Deus absorveu-se plenamente em fazer a vontade de seu Pai, atendendo as necessidades de outros e ajudando-os a iniciar-se no caminho da vida eterna. — João 4:34.
12. Como que são edificadas as “pedras viventes”, e, por isso, que responsabilidade tem?
12 As palavras do apóstolo Pedro enfatizam vigorosamente que os cristãos que são edificados por Deus para constituir uma casa espiritual, um santuário ou templo, têm um trabalho importante a fazer (Veja 1 Coríntios 3:5-17; 6:19.) Note que Pedro disse: “Vós mesmos também, como pedras viventes, estais sendo edificados como casa espiritual, tendo por objetivo um sacerdócio santo.” Sim, este templo de “pedras viventes” é também um “sacerdócio santo” Cada cristão gerado pelo espírito, portanto, é sacerdote, servindo lealmente sob o grande Sumo Sacerdote, Jesus Cristo. Tal cristão não precisa que algum homem ou corpo de homens oficie por ele na qualidade de sacerdote. Como sacerdote, seu trabalho é ‘oferecer sacrifícios espirituais, aceitáveis a Deus, por intermédio de Jesus Cristo’. (1 Pedro 2:5) Mas, quais são estes sacrifícios?
13-15. Quais são os “sacrifícios espirituais”, e como se pode provar isso biblicamente?
13 Pedro disse que são “espirituais”, e, por isso, não são ofertas de animais ou cereais apresentadas em algum altar material O tempo de se oferecerem sacrifícios materiais desta natureza acabou quando o Filho de Deus se ofereceu como sacrifício expiatório, aceitável. — Hebreus 10:11, 12.
14 Até mesmo nas Escrituras Hebraicas encontramos indicações sobre a natureza dos “sacrifícios espirituais” aceitáveis, em passagens tais como estas: “Oferece agradecimento como teu sacrifício a Deus.” (Salmo 50:14) “Ofereçam-se os sacrifícios de agradecimento e declarem-se os seus trabalhos com clamor jubilante.” (Salmo 107:22) “Seja minha oração preparada como incenso diante de ti, a elevação das palmas das minhas mãos como a oferta de cereais da noitinha.” (Salmo 141:2) “Nós ofereceremos em troca os novilhos de nossos lábios.” (Oséias 14:2) De modo que os “sacrifícios espirituais” incluem coisas tais como oração, louvor e agradecimento.
15 As Escrituras Gregas Cristãs fornecem-nos ainda mais pormenores. Somos informados: “Por intermédio dele [Cristo], ofereçamos sempre a Deus um sacrifício de louvor, isto é, o fruto de lábios que fazem declaração pública do seu nome. Além disso, não vos esqueçais de fazer o bem e de partilhar as coisas com outros, porque Deus se agrada bem de tais sacrifícios.” (Hebreus 13:15, 16) Em Filipenses 2:17, o apóstolo Paulo fala sobre “o sacrifício e serviço público a que vos conduziu a fé”, sobre o qual ele mesmo estava “sendo derramado como oferta de bebida”. Estas passagens enfatizam a importância de se estar ativamente preocupado com o bem-estar espiritual e físico dos outros, disposto a gastar tempo, energia e recursos a seu favor. Tal preocupação manifesta-se na transmissão da mensagem de Deus a outros e em auxiliar os que sofrem necessidades físicas, assim como fez seu Exemplo, Jesus Cristo. Imagine só, o Altíssimo encara aquilo que seus servos fazem para promover o bem-estar de seu próximo como agradável sacrifício de louvor.
16, 17. Que motivos sólidos há para o oferecimento de tais “sacrifícios espirituais” e a proclamação das “excelências” de Deus?
16 Por causa das coisas grandiosas que Jeová Deus fizera por eles mediante o Filho, os crentes do primeiro século tiveram bons motivos para se sentirem compelidos a ‘oferecer sacrifícios espirituais’. Anteriormente, estiveram em grande “escuridão” e sem esperança. Enquanto fizeram parte do mundo, estiveram sob o domínio do “governante” dele, Satanás, a “autoridade da escuridão”. (João 14:30; Colossenses 1:13) Os povos não judaicos estavam virtualmente em ignorância total do verdadeiro Deus e de seus propósitos. Não tinham nenhuma posição perante ele. O apóstolo Pedro trouxe este fato à atenção quando disse: “Vós, outrora, não éreis povo, mas agora sois povo de Deus; vós éreis aqueles a quem não se mostrara misericórdia, mas agora sois os a quem se mostrou misericórdia.” (1 Pedro 2:10) Sim, por aceitarem a Jesus Cristo, tanto judeus como não-judeus tornaram-se “raça escolhida, sacerdócio real, nação santa, povo para propriedade especial”. (1 Pedro 2:9) Foram “escolhidos” por Deus como seu povo, chamados para serem reis-sacerdotes em associação com Jesus Cristo, constituindo uma nação posta à parte para um fim santo ou sagrado, e foram adquiridos como propriedade do próprio Altíssimo com o sangue inestimável de seu Filho. (Veja Êxodo 19:5, 6; Revelação 5:9, 10.) Que demonstração notável de misericórdia para com os israelitas espirituais! Os membros desta “nação santa” usufruíam esclarecimento divino e a luz do favor divino. Isto se contrastava nitidamente com o tempo em que estavam em “escuridão”, alienados do Altíssimo e ignorantes quanto à vontade e ao propósito dele.
17 Visto que se lhes concedeu o reconhecimento e o favor imerecido de Jeová, estes discípulos de Jesus Cristo sentiram-se induzidos a proclamar a todos o que o Altíssimo fizera por eles mediante seu Filho. Simplesmente não podiam deixar de falar a outros sobre as “excelências”, os atos maravilhosos, de seu Pai celestial.
18. Que aplicação pessoal devemos fazer daquilo que consideramos neste capítulo, e por quê?
18 Atualmente, todos os verdadeiros discípulos de Jesus Cristo, inclusive os da “grande multidão” que passaram a associar-se com esta “nação santa”, devem igualmente sentir-se impelidos a levar uma vida reta e a ser ativos em ajudar outros a obter a aprovação divina. (Revelação 7:9-15) Deve ser o desejo de nosso coração gastar-nos no empenho de ajudar outros em necessidade espiritual. Imitarmos assim o Filho de Deus contribuirá muito para enriquecer nossa vida. Quanta alegria podemos ter de contribuir para a felicidade, o consolo e o fortalecimento de nosso próximo! (Atos 20:35) Nós, por outro lado, granjeamos o afeto e o apreço daqueles em prol dos quais contribuímos altruisticamente com nosso tempo, nossa energia e nossos recursos. Embora alguns talvez deixem de mostrar gratidão, ainda assim temos a profunda satisfação íntima de ter agradado ao nosso Pai celestial. E por fazermos a sua vontade, podemos ter a certeza de ter sua ajuda e orientação. (1 João 3:22) Que continuemos a colher abundantes bênçãos por imitarmos o exemplo Daquele que é mui precioso aos olhos de Jeová Deus.
-
-
Recompensadora sujeição à autoridadeA Escolha do Melhor Modo de Vida
-
-
Capítulo 6
Recompensadora sujeição à autoridade
1. Por que podemos dizer que a sujeição aos arranjos existentes é sábia e proveitosa?
PODE ser sábio mostrar sujeição e submissão a arranjos existentes. Não importa que atrativo aparente a independência total possa ter, ela é indesejável e não realística. Ninguém, na terra, pode fazer tudo ou pode saber tudo. Assim como dependemos do ar, do sol, do alimento e da água para a vida, também necessitamos de outros e do que podem fazer por nós, se havemos de tirar proveito da vida e usufruí-la.
2. Como deve afetar nossa vida o fato de Jeová ser o Soberano Supremo?
2 Os arranjos governamentais, as relações entre patrão e empregado, os vínculos familiares, a associação com a congregação cristã e nossa própria vida no meio das pessoas, tudo isso nos impõe certos deveres. Devemos algo em troca do que recebemos dos outros. Nosso reconhecimento da posição de Jeová Deus é de importância primária no cumprimento destas obrigações para com as pessoas. Ele, como Criador, é legitimamente o Soberano Supremo, a quem devemos tudo. O apóstolo João ouviu numa visão 24 anciãos proclamar: “Digno és, Jeová, sim, nosso Deus, de receber a glória, e a honra, e o poder, porque criaste todas as coisas e porque elas existiram e foram criadas por tua vontade.” (Revelação 4:11) Reconhecermos similarmente a Jeová como o Altíssimo não é apenas uma questão de palavras. Podemos demonstrar, em todas as nossas relações, que somos submissos à vontade de Deus para nós e que reconhecemos a Jesus Cristo como nosso Senhor designado.
“PELA CAUSA DO SENHOR”
3, 4. Quais são as ‘criações humanas’ a que devemos estar sujeitos, e por que podem ser identificadas assim?
3 O apóstolo Pedro apresentou vigorosamente este conceito elevado sobre o principal motivo da sujeição à autoridade humana. Escreveu: “Pela causa do Senhor, sujeitai-vos a toda criação humana: quer a um rei, como sendo superior, quer a governadores, como enviados por ele para infligir punição a malfeitores, mas para louvar os que fazem o bem.” — 1 Pedro 2:13, 14.
4 As ‘criações humanas’ a que devemos estar sujeitos são as autoridades governantes constituídas pelos homens. São ‘criações humanas’ porque foram os homens, não Deus, quem criou as posições de reis, e de governantes e regentes menores. O Altíssimo apenas permitiu que viessem à existência e as tolera, visto que servem a um fim útil, nas condições atuais. Visto que as autoridades governamentais existem por Sua permissão, os que se rebelam contra elas revoltam-se contra “o arranjo de Deus”, uma provisão que ele ainda não achou conveniente eliminar e substituir por um reino celestial mediante seu Filho. (Romanos 13:1, 2) Nos dias do apóstolo Pedro, o imperador romano, ou César, nomeava governadores para administrarem os assuntos nas províncias imperiais, inclusive na Judéia. Estes governadores eram diretamente responsáveis perante o imperador para manter a lei e a ordem no território sob a sua jurisdição. No cumprimento de seus deveres, os governadores ‘infligiam punição a malfeitores’ — assaltantes, raptores, ladrões e sediciosos. Mas eles também ‘louvavam os que faziam o bem’, quer dizer, honravam pessoas retas por dar-lhes reconhecimento público como homens de mérito e por proteger sua pessoa, sua propriedade e seus direitos.
5. Por causa de quem devemos estar em sujeição, e por que é ele chamado corretamente de “Senhor”?
5 Não é primariamente para escapar da punição e para obter ‘louvor’ para si que os cristãos são exortados a estarem em sujeição. Mas, é “pela causa do Senhor”. Este Senhor é Jesus Cristo, porque o apóstolo Pedro o identificara antes como sendo ele. (1 Pedro 1:3) As Escrituras falam do Filho de Deus como sendo “Senhor tanto sobre mortos como sobre viventes”. (Romanos 14:9) Portanto, ele ocupa uma posição que nenhum governante humano já ocupou. Como ‘Senhor sobre os mortos’, Jesus Cristo pode chamá-los a si por devolver-lhes a vida. O alcance do domínio de Jesus vai até mesmo além de sua autoridade sobre humanos vivos e mortos. Após a sua própria ressurreição, o Filho de Deus disse: “Foi-me dada toda autoridade no céu e na terra.” (Mateus 28:18) Certamente, seremos sábios se nos sujeitarmos aos governantes humanos por causa Daquele que possui autoridade muitíssimo superior à deles.
6, 7. Como nos sujeitamos aos governantes humanos “pela causa do Senhor”?
6 Que significa sujeitar-nos a homens em altos cargos governamentais “pela causa do Senhor”? Nosso reconhecimento de Jesus Cristo como nosso Senhor deve ser a força motivadora da devida sujeição aos governantes. O Filho de Deus proveu o exemplo perfeito neste sentido. Ele não se revoltou contra as exigências da autoridade governamental, nem ensinou outros a fazerem isso. Antes, exortou-os: “Se alguém sob autoridade te obrigar a prestar serviço por mil passos, vai com ele dois mil.” (Mateus 5:41) “Pagai de volta a César as coisas de César.” — Mateus 22:21.
7 Às vezes, os governos talvez ordenem aos cidadãos a se registrarem, por vários motivos, ou podem exigir deles apoiarem certos projetos comunitários de construção ou lavoura, possivelmente com relação à construção de estradas, açudes ou escolas. (Veja Lucas 2:1-3.) Em todos estes assuntos, naturalmente, deve-se considerar a consciência cristã. Entretanto, não havendo nenhuma questão que viole a consciência biblicamente treinada do cristão, poderá contribuir para a promoção das “boas novas”, se ele fizer o que puder para mostrar-se submisso e cooperativo. Seria muito impróprio incitar alguém contra determinado projeto ou tornar-se francamente rebelde contra a autoridade governamental em qualquer nível. A injunção bíblica é ‘estar sujeito e ser obediente a governos e autoridades como governantes, estar pronto para toda boa obra’. A atitude beligerante e arrogante não condiz com o ensino e o exemplo do Filho de Deus. — Tito 3:1, 2.
8. Que benefícios podem ser derivados da devida sujeição aos governantes?
8 Mostrando que a devida sujeição à autoridade pode promover ainda mais a causa da verdadeira adoração, o apóstolo Pedro escreve: “Pois a vontade de Deus é que, por fazerdes o bem, possais açaimar a conversa ignorante dos homens desarrazoados.” (1 Pedro 2:15) Os cristãos podem ser elogiados por fazerem o que os governantes consideram como bom, decente e legítimo, preservando ao mesmo tempo uma boa consciência perante Deus. Isto resulta em se silenciar os homens ignorantes que talvez acusem falsamente os servos do Altíssimo de serem obstinados, insubordinados, anti-sociais, sediciosos e subversivos. A conduta elogiável dos cristãos mostra-se assim a melhor defesa contra a difamação de seu bom nome.
9, 10. Por que não é a nossa sujeição à autoridade governamental semelhante a dum escravo servil diante do seu amo?
9 Mas, será que a sujeição do cristão aos governantes significa escravidão servil a eles, ser totalmente subserviente? A resposta inspirada é: Não. O apóstolo Pedro prossegue: “Sede como livres, contudo, mantende a vossa liberdade, não como disfarce para a maldade, mas como escravos de Deus.” — 1 Pedro 2:16.
10 Nós, como cristãos, fomos libertos da escravidão ao pecado e à morte. (João 8:31-36) o Filho de Deus até mesmo nos emancipou do medo duma morte violenta, medo pelo qual Satanás, o Diabo, tem conseguido manter os homens em escravidão, manobrando-os por meio de ordens ditatoriais de homens para agirem contra a sua própria consciência. (Hebreus 2:14, 15) Por sermos um povo livre, porém, nossa consciência não pode ser subserviente aos ditames e às ameaças de qualquer homem ou grupo de homens. Nossa sujeição aos governantes é voluntária e é limitada pelas ordens superiores do Soberano Supremo, Jeová Deus. Não podemos tornar-nos escravos servis de qualquer homem, prestando-lhe obediência incondicional sem consideração para com a lei divina. Conforme salientou o apóstolo Pedro, os cristãos são “escravos de Deus”. Por isso, sujeitamo-nos de bom grado aos desejos das autoridades governamentais até onde isso não entra em conflito direto com a nossa adoração prestada ao Altíssimo. Do contrário, temos de adotar a atitude expressa por Pedro e pelos outros apóstolos perante a suprema corte judaica: “Temos de obedecer a Deus como governante antes que aos homens.” — Atos 5:29.
LIBERDADE COM LIMITES
11. Que atitude para com a autoridade governamental constituiria um abuso da liberdade cristã?
11 Todavia, seria errado vivermos como se os governos políticos não tivessem nenhuma autoridade sobre nós, desafiando-os em assuntos que não estão em desacordo com a lei divina. Tal conduta desrespeitosa constituiria abuso da liberdade cristã. A liberdade que usufruímos está limitada pela nossa condição de escravos de Deus. Não nos dá licença para abandonarmos todos os freios, entregando-nos à maldade ou desprezando as leis que talvez nos sejam inconvenientes, mas que se destinam a proteger a vida e o ambiente. Antes, devemos mostrar pela nossa conduta que reconhecemos a finalidade boa das leis de trânsito, dos regulamentos contra a poluição, das restrições à caça e pesca, e outras semelhantes.
12. O que determina que espécie de obrigações temos para com os outros?
12 Sim, temos obrigações para com os outros. A natureza desses deveres é afetada pela relação específica que temos com Jeová Deus e com o nosso próximo. O apóstolo Pedro salienta essas obrigações e admoesta: “Honrai a homens de toda sorte, tende amor à associação inteira dos irmãos, tende temor de Deus, dai honra ao rei.” — 1 Pedro 2:17.
13. (a) Por que merecem todos os homens que se lhes dê honra? (b) O que devemos aos nossos irmãos espirituais? (c) O que deve determinar que espécie de honra damos a homens? (d) O que devemos somente a Deus?
13 Todos os homens são produto da criação de Deus e foram comprados com o sangue precioso de Jesus Cristo. Por isso os honramos de direito, tratando-os com respeito e imparcialidade. (Atos 10:34, 35; 1 Timóteo 2:5, 6) A “associação inteira dos irmãos”, porém, merece muito mais do que apenas o respeito formal que se deve aos homens em geral. Devemos aos nossos irmãos, adicionalmente, profundo amor e afeto. Além disso, embora se deva conceder a um soberano terreno e a autoridades inferiores a honra que seu cargo requer, somente o Deus Altíssimo merece temor reverente, venerador. Por conseguinte, a honra que se dá a qualquer homem sempre precisa ser limitada pelo respeito sadio por Jeová Deus e suas ordens. Por exemplo, não há objeção a alguém se dirigir aos governantes pelos seus títulos costumeiros, quando estes não lhes atribuem a espécie de honra que só pertence a Deus. Mas, homens mortais não são salvadores de cristãos, nem são aqueles por meio de quem vêm todas as bênçãos. (Salmo 146:3, 4; Isaías 33:22; Atos 4:12; Filipenses 2:9-11) Portanto, o cristão genuíno não se dirige aos homens dum modo que ponha em dúvida seu próprio temor a Deus e que enalteça os governantes muito acima do que sua posição requer.
SÃO TODAS AS AUTORIDADES MERECEDORAS DE HONRA?
14, 15. (a) Por que não é a honra que o cristão dá a um governante ou a uma autoridade afetada pela condição moral dele? (b) O que podemos aprender da maneira em que o apóstolo Paulo lidou com autoridades?
14 Em vista da injunção bíblica de honrar os governantes, alguns talvez perguntem com respeito a determinada autoridade: ‘Como posso respeitar ou honrar alguém que talvez seja moralmente corruto?’ O que deve ser lembrado é que a base de tal honra não é a condição moral da pessoa em autoridade. Antes, o que requer certa espécie de respeito é a autoridade que ela representa e exerce. Se não houvesse nenhum respeito pela autoridade devidamente constituída, prevaleceria a anarquia, com o conseqüente dano para a sociedade, inclusive para os cristãos.
15 Os tratos do apóstolo Paulo com autoridades ilustra que aquilo que os governantes são como pessoas não tem influência sobre o tipo de honra que se lhes deve dar. O antigo historiador Tácito descreveu o governador romano Félix como homem que “pensava que podia cometer qualquer ato mau com impunidade”, e que, “entregando-se a toda espécie de barbaridade e lascívia, exerceu o poder de rei no espírito de escravo”. Contudo, por consideração para com o cargo ocupado por Félix, Paulo iniciou respeitosamente sua defesa perante este homem com as palavras: “Bem sabendo que esta nação te tem tido como juiz por muitos anos, falo prontamente em minha defesa as coisas a meu respeito.” (Atos 24:10) Apesar de o Rei Herodes Agripa II viver em incesto, Paulo mostrou-lhe a devida honra, dizendo: “Considero-me feliz de que é diante de ti que hoje devo fazer a minha defesa, especialmente visto que tu és perito em todos os costumes bem como nas controvérsias entre os judeus.” (Atos 26:2, 3) Embora o Governador Festo fosse idólatra, ainda assim Paulo o chamou de “Excelência”. — Atos 26:25.
O PAGAMENTO DE IMPOSTOS
16. Que conselho se dá aos cristãos em Romanos 13:7?
16 Além de concederem aos homens a espécie de honra que se deve à sua autoridade, os cristãos receberam também a ordem divina de pagarem conscienciosamente os impostos. As Escrituras nos dizem: “Rendei a todos o que lhes é devido, a quem exigir imposto, o imposto; a quem exigir tributo, o tributo; a quem exigir temor, [por causa de sua autoridade, inclusive o poder sobre vida ou morte,] tal temor; a quem exigir honra, tal honra.” (Romanos 13:7) Por que é correto pagar impostos e ser honesto em declarar a renda?
17. (a) Por que devem os cristãos encarar o pagamento de impostos do mesmo modo que o pagamento de dívidas? (b) Por que devem os cristãos ser exemplares no pagamento de todos os impostos?
17 As autoridades governantes prestam serviços vitais para garantir a segurança, a estabilidade e o bem-estar de seus súditos. Isto inclui a manutenção de estradas, a provisão de agências para fazer vigorar a lei, tribunais, escolas, serviços de saúde, sistemas postais, e outros assim. O governo tem direito de receber compensação pelos serviços prestados. Portanto, os cristãos encaram corretamente o pagamento de impostos ou tributos como pagamento duma dívida. Como a autoridade governante usa depois os impostos recebidos não é da responsabilidade do cristão. O uso errôneo de impostos ou de tributos recebidos pelas autoridades não dá ao cristão o direito de se negar a pagar sua dívida. Sob o atual arranjo, ele precisa dos serviços governamentais, e, portanto, em boa consciência, paga o que se requer. No que se refere ao pagamento duma dívida a uma pessoa, o mau uso que esta faz do dinheiro não cancela a dívida que se tem para com ela. De maneira similar, não importa o que os governos possam fazer, o cristão não está isento do dever de pagar impostos e tributos. Ele deve ser exemplar em satisfazer as exigências legais na declaração de renda ou na compra de objetos sobre os quais incidem taxas. Ser ele consciencioso nestes assuntos impedirá que lance vitupério sobre si mesmo e sobre a congregação cristã. Lança também uma luz favorável sobre a verdadeira adoração, para a honra de Deus e de Cristo.
RELAÇÕES ENTRE PATRÃO E EMPREGADO
18. A que situação atual pode ser aplicado o princípio bíblico da relação entre amo e escravo?
18 A relação do cristão com a autoridade governamental não é a única que exige a devida sujeição. Por exemplo, no seu lugar de trabalho, ele pode ter de prestar contas a um supervisor ou a alguém superior. Lá no primeiro século E. C., quando a escravidão era comum no Império Romano, muitos cristãos estavam trabalhando como escravos ou servos. A Palavra de Deus considera apropriadamente a obrigação destes para com os seus amos. Podemos hoje aplicar estes princípios de conduta na relação entre amo e escravo à relação entre patrão e empregado.
19. Que conselho deu Pedro aos servos domésticos que eram cristãos?
19 Dirigindo seu conselho a servos domésticos ou criados, o apóstolo Pedro escreveu:
“Os servos domésticos estejam sujeitos aos seus donos com todo o temor devido, não somente aos bons e razoáveis, mas também aos difíceis de agradar. Porque, se alguém, por causa da consciência para com Deus, agüenta coisas penosas e sofre injustamente, isto é algo agradável. Pois, que mérito há nisso se, quando estais pecando e estais sendo esbofeteados, perseverais? Mas, se perseverais quando estais fazendo o bem e sofreis, isto é algo agradável a Deus.” — 1 Pedro 2:18-20.
20. (a) Como estaria o servo doméstico em sujeição “com todo o temor devido”? (b) Que situações poderiam ter resultado em sofrimento para o escravo cristão?
20 O que exigia o acatamento deste conselho? O cristão, no cumprimento de suas obrigações qual escravo, devia mostrar o devido temor ou respeito para com seu amo, não querendo desagradá-lo. Devia mostrar tal temor mesmo que o amo não tivesse consideração, e fosse duro ou desarrazoado nas suas exigências. O amo talvez fosse alguém que achava defeito até mesmo num trabalho bem feito. Talvez exigisse que o escravo cristão fizesse algo contrário à lei de Deus. Em vista de sua obediência fiel aos ditames de sua consciência piedosa, o escravo cristão pode ter sofrido injustamente por negar-se a furtar ou a mentir por seu amo. Também em outras Ocasiões o escravo talvez fosse alvo de ultrajes físicos e verbais.
21. O que podia resultar de bom da perseverança paciente do escravo sob maus tratos?
21 Em harmonia com o conselho de Pedro, o escravo cristão não se levantaria contra seu amo duro. Continuaria a fazer seu trabalho de maneira conscienciosa, suportando pacientemente os maus tratos. Tal proceder era agradável aos olhos de Deus, porque não refletia desfavoravelmente sobre o cristianismo. Outros podiam ver que a verdadeira adoração havia influenciado o escravo para o bem. Isto podia induzi-los a investigar o cristianismo, para saber como um escravo maltratado podia exercer um autodomínio tão elogiável. Em contraste, se o escravo prejudicasse seu amo e fosse severamente disciplinado por isso, as pessoas não veriam nenhum mérito especial em ele quietamente suportar a punição.
22. Como desejará o empregado cristão comportar-se no trabalho?
22 Atualmente, o cristão que se confronta com uma situação especialmente provadora no trabalho talvez possa procurar outro emprego. Mas, isso talvez nem sempre seja possível. Pode estar trabalhando sob contrato ou ver-se obrigado a continuar a trabalhar sob condições indesejáveis, simplesmente porque não há outros empregos disponíveis. De modo que a sua situação talvez difira muito pouco daquela do servo doméstico, no primeiro século E. C., que não podia afastar-se de um amo desarrazoado. Portanto, enquanto o cristão continuar no emprego de alguém, fará o máximo para prestar serviço de qualidade, suportando com paciência e sem queixa qualquer abuso a que possa ficar sujeito, e que não possa ser impedido por meios bíblicos. Continuará também a tratar seu patrão com o devido respeito e consideração.
O EXEMPLO DE JESUS DÁ ÂNIMO
23, 24. (a) O exemplo de quem pode animar-nos quando sofremos maus tratos por fazer o que é direito? (b) Com que se confrontou ele, e como se comportou?
23 Naturalmente, nunca é fácil para alguém ter de suportar injustiça. Felizmente, porém, temos um modelo perfeito para seguir, a saber, nosso Senhor Jesus Cristo. Seu exemplo pode dar realmente ânimo. O apóstolo Pedro, consolando escravos cristãos, maltratados, indicou o exemplo de Jesus, dizendo:
“De fato, fostes chamados para este proceder, por que até mesmo Cristo sofreu por vós, deixando-vos uma norma para seguirdes de perto os seus passos. Ele não cometeu pecado, nem se achou engano na sua boca. Quando estava sendo injuriado, não injuriava em revide. Quando sofria, não ameaçava, mas encomendava-se àquele que julga justamente.” — 1 Pedro 2:21-23.
24 O apóstolo lembrou assim aos escravos cristãos que um dos motivos pelos quais foram chamados para ser discípulos do Filho de Deus era demonstrar um espírito igual ao dele, enquanto sujeitos a sofrimentos injustos. Jesus Cristo suportou muito, especialmente no último dia de sua vida como homem na terra. Foi esbofeteado, socado, cuspiram nele, açoitaram-no com um chicote (provavelmente tendo pedaços de chumbo, ossos ou farpas, para dilacerar a carne), e, finalmente, foi pregado numa estaca, igual ao criminoso da pior espécie. Contudo, sujeitou-se a todas essas indignidades, nunca injuriando, nem ameaçando os homens responsáveis por tal tratamento injustificado. Jesus Cristo sabia que seu proceder na vida havia sido puro, mas não passou a agir por conta própria para se vindicar. Entregou sua causa ao Pai, confiante em que seu Deus e Pai faria um julgamento justo a seu respeito. Nós também podemos estar certos de que o Todo-poderoso toma nota de quaisquer injustiças que possamos sofrer. Ele equilibrará a balança da justiça, desde que continuemos a agüentar pacientemente o sofrimento. Se o Filho impecável de Deus estava disposto a suportar os maus tratos, certamente nós, seguidores seus, temos um motivo ainda maior para fazer isso, reconhecendo que somos criaturas pecaminosas.
25. Que proveito tiramos do sofrimento de Cristo?
25 O sofrimento de Jesus Cristo foi realmente em nosso benefício, provendo-nos motivação adicional para imitá-lo. Este aspecto é salientado nas palavras adicionais do apóstolo Pedro:
“Ele mesmo levou os nossos pecados no seu próprio corpo, no madeiro, a fim de que acabássemos com os pecados e vivêssemos para a justiça. E ‘pelos seus vergões fostes sarados’. Porque vós éreis como ovelhas, perdendo-vos; mas agora voltastes para o pastor e superintendente das vossas almas.” — 1 Pedro 2:24, 25.
26, 27. Que efeito deve ter sobre nos o sofrimento de Cristo a nosso favor?
26 Visto que somos pecadores, não merecemos a dádiva da vida. A Bíblia nos diz: “O salário pago pelo pecado é a morte.” (Romanos 6:23) Jesus Cristo, porém, assumiu voluntariamente a penalidade pelos nossos pecados, morrendo como sacrifício, igual a um cordeiro imaculado, sem queixa, em nosso lugar. Por sofrer ele a penalidade extrema duma morte vergonhosa numa estaca, o Filho de Deus tornou possível que os humanos crentes fossem libertos do pecado e começassem a levar uma vida justa. Quando consideramos o sofrimento de Jesus Cristo a nosso favor, certamente devemos sentir-nos induzidos a mostrar profundo apreço pelo que fez por nós. Isso requer que imitemos a Jesus em todos os aspectos da vida, inclusive em estarmos dispostos a sofrer maus tratos pela causa da justiça, assim como ele. Sempre que sofrermos injustiças, faremos bem em pensar no sofrimento de nosso Senhor.
27 Tal contemplação pode fazer-nos compreender a importância de nos harmonizarmos com o exemplo de Cristo, para que não desacertemos o propósito de seu grande sofrimento por nós. No nosso estado pecaminoso, estávamos numa condição lastimável, comparável à de uma ovelha perdida, que não tem a orientação dum pastor amoroso. Isto se deu porque, como pecadores, estávamos apartados de nosso Grande Pastor, Jeová Deus. Mas, à base do sacrifício de Jesus e de nossa fé nele, realizou-se uma reconciliação. (Colossenses 1:21-23) Assim, passamos a estar sob o amoroso cuidado, a proteção e a orientação do superintendente de nossas almas, a saber, Jeová Deus, e de seu “pastor principal”, Jesus Cristo. (1 Pedro 5:2-4) Portanto, nenhuma aflição por causa da justiça, não importa quão grande, seria realmente grande demais para suportar, para demonstrarmos nosso apreço pelo que Jesus Cristo fez. Quanto maior foi o sofrimento de Cristo a nosso favor do que quaisquer maus tratos que possamos sofrer pela causa dele!
ARRANJOS DE TRABALHO COM CRENTES
28, 29. (a) Que conselho deu o apóstolo Paulo aos escravos cristãos que tinham donos crentes? (b) Por que se precisava de tal conselho?
28 No entanto, nem todos os escravos cristãos, no primeiro século E. C., tinham amos desarrazoados, em cujas mãos sofriam maus tratos. Em vista das condições sociais existentes naquele tempo, até mesmo alguns cristãos tinham escravos. Quando o escravo e seu amo eram discípulos do Filho de Deus, ambos os homens precisavam encarar sua relação espiritual na luz correta. Dirigindo sua admoestação aos escravos que tinham amos crentes, o apóstolo Paulo declarou: “Os que tiverem donos crentes não os menosprezem, porque são irmãos. Ao contrário, sejam escravos com tanto mais prontidão, porque os que recebem o proveito do seu bom serviço são crentes e amados.” — 1 Timóteo 6:2.
29 Por que se precisava deste conselho? O escravo crente era co-herdeiro de Cristo, e, portanto, gozava de igualdade espiritual com o seu amo crente. Por conseguinte, o escravo precisava precaver-se para não imaginar que esta igualdade espiritual anulava a relação secular existente entre eles e a autoridade do amo nesta relação. Tal atitude poderia levar facilmente a que o escravo se aproveitasse de seu amo, por não fazer o melhor no cumprimento de seus deveres. O conselho do apóstolo Paulo atacou as possíveis conclusões errôneas que os escravos pudessem ter tirado de sua relação fraternal com outros membros da congregação. Por estarem em tal relação com os seus amos, tinham motivos ainda mais fortes para se desincumbirem de seus deveres de maneira excelente. Era seu privilégio fazer algo a favor dum irmão cristão, e isto devia ter sido motivo de grande alegria para eles.
30. Por que deve o cristão fazer hoje o melhor que pode, se estiver trabalhando sob a supervisão dum crente?
30 Hoje, de maneira similar, se um cristão estiver trabalhando sob a direção dum supervisor crente ou estiver no emprego dum crente, deveria querer fazer o melhor que pode. É seu irmão quem tira proveito de seu trabalho. Se fizesse trabalho de qualidade inferior ou poupasse a si mesmo, causaria desapontamento e irritação a este irmão. (Provérbios 10:26) Quanta falta de afeição mostraria para com o irmão que ele tem a obrigação de amar! — 1 João 4:11.
31. De que conselho tinham de se lembrar os amos cristãos?
31 Por outro lado, os amos ou patrões cristãos não deviam desconsiderar que eles, também, têm um amo, Cristo. Reconhecerem que têm de prestar contas ao Filho de Deus devia influir na maneira em que tratam seus escravos ou trabalhadores. Comentando isso, o apóstolo Paulo escreveu: “Vós, amos, persisti em tratar vossos escravos de modo justo e eqüitativo, sabendo que vós também tendes um Amo no céu.” — Colossenses 4:1.
32. Que responsabilidade temos para com os crentes que talvez trabalhem para nós ou nos prestem serviços?
32 Além disso, se irmãos cristãos trabalham para nós ou nos prestam serviços como médicos, advogados, eletricistas, carpinteiros, encanadores, mecânicos e outros similares, certamente devemos querer dar-lhes a devida compensação. Não seria impróprio tirar vantagem de nossa relação espiritual por adiar o pagamento a um irmão cristão, usando ao mesmo tempo grande parte do que ganhamos para pródigas diversões, luxos ou férias dispendiosas? Em questões de negócios, não devemos querer que nossos concrentes recebam aquilo a que têm direito? Certamente, é bom quando podemos assim ajudar nossos irmãos a ganhar seu sustento. Caso se nos mostre consideração especial, encaramos isso corretamente com apreço, reconhecendo que nossos concrentes não têm nenhuma obrigação de nos dar preços especiais ou de favorecer a nós, em contraste com outros. Portanto, em todos estes assuntos podemos mostrar que queremos fazer tudo dum modo que agrade ao nosso Chefe celestial, o Filho de Deus.
SUJEIÇÃO DA ESPOSA
33. (a) Que admoestação é dada as esposas cristãs? (b) Em 1 Pedro 3:1, o que há de significativo na palavra que quer dizer “da mesma maneira”?
33 O matrimônio é mais outra relação que requer sujeição a um chefe. Por isso, Pedro relaciona sua consideração da sujeição da esposa com a sua admoestação anterior sobre a sujeição debaixo de condições adversas, começando com a palavra grega que significa “da mesma maneira”. Lemos:
“Da mesma maneira vós, esposas, estai sujeitas aos vossos próprios maridos, a fim de que, se alguns não forem obedientes à palavra, sejam ganhos sem palavra, por intermédio da conduta de suas esposas, por terem sido testemunhas oculares de sua conduta casta, junto com profundo respeito.” — 1 Pedro 3:1, 2.
34. Sob que circunstâncias deve a esposa estar em sujeição, segundo exorta Pedro, e por que isso talvez não seja fácil?
34 A situação mencionada aqui, em que as esposas cristãs são exortadas a estarem em sujeição, é desfavorável. Quando o marido não aceita os princípios da Palavra de Deus, pode tornar a vida muito difícil para a esposa cristã, sendo duro e desarrazoado nos tratos com ela. Mas isto não a desculpa de não agir em harmonia com o fato de que o marido é o chefe da família. Portanto, sempre que os pedidos dele não entrem em conflito com a lei divina, a esposa cristã deve querer fazer o máximo para agradar ao marido.
35. Como pode a esposa ganhar o marido “sem palavra”?
35 Conforme salientou o apóstolo Pedro, o exemplo excelente dela pode ajudar o marido a se tornar crente. Ganhar a esposa assim seu marido “sem palavra” não significa, porém, que ela nunca compartilharia com ele idéias bíblicas, mas ela deixaria que suas ações louváveis falassem ainda mais alto do que as palavras. O marido poderia assim ver que a conduta de sua esposa é casta ou pura em palavra e em atos, e que ela o respeita profundamente.
36, 37. Segundo Tito 2:3-5, a que deve atentar a mulher cristã para ser esposa exemplar?
36 Aquilo que o apóstolo Paulo escreveu sobre as mulheres fornece ainda mais pormenores quanto a que se pode esperar da esposa cristã. Ele diz na sua carta a Tito:
“As mulheres idosas sejam reverentes no comportamento, não caluniadoras, nem escravizadas a muito vinho, instrutoras do que é bom, a fim de fazerem as mulheres jovens recobrar o bom senso para amarem seus maridos, para amarem seus filhos, para serem ajuizadas, castas, operosas em casa, boas, sujeitando-se aos seus próprios maridos, para que não se fale da palavra de Deus de modo ultrajante.” — Tito 2:3-5.
37 De acordo com esta admoestação, a mulher deve procurar conscienciosamente comportar-se de maneira que mostre seu apreço pelo fato de todo o seu proceder na vida estar sob a vista de Jeová Deus e do Senhor Jesus Cristo. Ela se empenhará arduamente em usar sua língua para edificar e estimular outros, não para recorrer à calúnia ou à tagarelice prejudicial. Certamente é própria a moderação na comida e na bebida. Como esposa e mãe, a mulher cristã deve ser exemplar no seu amor, cuidando de que faça a sua parte em prover refeições nutritivas e em tornar o lar um lugar limpo e agradável. O amor ao marido e aos filhos inclui estar disposta a colocar os interesses da família à frente de seus próprios. O marido não deve poder encontrar evidência de que sua esposa negligencia seriamente os seus deveres. Mas deve poder ver que ela, quando comparada com as mulheres incrédulas, é deveras exemplar.
CONCEITO EQUILIBRADO SOBRE O ADORNO
38. Que conselho sobre o adorno encontramos em 1 Pedro 3:3, e como deve ser entendido?
38 É também importante que a esposa mantenha o adorno na perspectiva correta. O apóstolo Pedro salientou que a esposa cristã não deve colocar a ênfase principal em tornar-se atraente por meio de adorno ostentoso. Ele disse: “Não seja o vosso adorno o trançado externo dos cabelos e o uso de ornamentos de ouro ou o trajar de roupa exterior.” (1 Pedro 3:3) No primeiro século E. C., as mulheres gastavam muito tempo e esforço em trançar seu cabelo comprido em estilos complexos para atrair a atenção, inclusive em forma de harpas, trombetas, grinaldas e coroas. Além disso, adornavam-se com vestimenta muito suntuosa e uma abundância de correntinhas, anéis e braceletes de ouro. Para a mulher cristã, tal atenção extrema ao adorno físico era imprópria, visto que podia sugerir que seu principal objetivo na vida era sua própria pessoa, em vez de ser agradável a Jeová Deus e ao Senhor Jesus Cristo. Além disso, as mulheres que vivem principalmente para a ostentação ou a moda costumam cair vítimas do orgulho, da inveja e da procura de posição social, o que priva a mente e o coração do espírito de calma, produzindo frustração e irritação.
39. Por que não deve a esposa negligenciar sua aparência?
39 Todavia, isto não significa que a esposa cristã deve dar pouca atenção à sua aparência. Aconselhando de modo similar contra a vestimenta ostentosa, o apóstolo Paulo disse também: “Desejo que as mulheres se adornem em vestido bem arramado, com modéstia e bom juízo.” (1 Timóteo 2:9) Por isso, a esposa cristã fará bem em cuidar de não apresentar uma aparência desleixada ao seu marido, por ser negligente quanto à sua maneira de se vestir e pentear, e na sua aparência física. Outrossim, a Bíblia diz que “a mulher é a glória do homem”. (1 Coríntios 11:7) É evidente que uma mulher preguiçosa e desleixada não dá crédito ou glória ao marido. Ela rebaixa a aparência dele aos olhos dos outros. E se o marido se orgulhar razoavelmente de sua própria aparência, sua esposa, pelo relaxamento dela, pode ser causa de muita irritação. Portanto, é bem desejável que o vestido e o adorno da mulher cristã indiquem que ela tem bom senso na escolha daquilo que é modesto ou decente, e apropriado para a sua pessoa.
O “ESPÍRITO QUIETO E BRANDO”
40. (a) O que faz com que a mulher cristã seja realmente bela? (b) Com que não se deve contundir o “espírito quieto e brando”?
40 No entanto, a verdadeira beleza da esposa cristã está naquilo que ela é no coração. O apóstolo Pedro exorta sabiamente que o adorno dela “seja a pessoa secreta do coração, na vestimenta incorrutível dum espírito quieto e brando, que é de grande valor aos olhos de Deus”. (1 Pedro 3:4) Este “espírito quieto e brando” não deve ser confundido com uma aparência superficial de doçura. Por exemplo, a mulher talvez fale de modo suave e se sujeite meigamente, em palavras, aos desejos do chefe da família. Mas, no coração, ela talvez procure dominar seu marido por ser rebelde, ardilosa e manhosa.
41. Como pode a mulher saber se o “espírito quieto e brando” faz parte de seu adorno permanente?
41 No caso da mulher que realmente tem o “espírito quieto e brando”, este espírito humilde reflete o que ela realmente é no íntimo. Como pode a mulher saber se tal “espírito” faz parte de seu adorno permanente? Ela poderia perguntar a si mesma: ‘O que acontece quando meu marido, em certas ocasiões, não mostra consideração, é desarrazoado ou se esquiva de suas responsabilidades? Fico amiúde exaltada, enfurecendo-me e criticando-o duramente pelas suas falhas? Ou costumo manter-me calma por dentro, evitando um confronto aberto?’ A mulher que tem “espírito quieto e brando” não parece apenas por fora pacífica, quando, realmente, no íntimo, é como um vulcão ativo, prestes a explodir. Não, ela procura manter-se calma e serena nas circunstâncias provadoras, tanto por fora como no íntimo, causando nos observadores uma profunda impressão pela força íntima que mostra ter e pela maneira bondosa com que se comporta.
42. De acordo com 1 Pedro 3:5, 6, quem possuía tal “espírito quieto e brando”?
42 Tal “espírito quieto e brando” distinguia as mulheres tementes a Deus nos tempos pré-cristãos. Chamando atenção para isso, o apóstolo Pedro escreveu:
“Pois assim se costumavam adornar também antigamente as santas mulheres que esperavam em Deus, sujeitando-se aos seus próprios maridos, assim como Sara costumava obedecer a Abraão, chamando-o de ‘senhor’. E vós vos tornastes filhas dela, desde que persistais em fazer o bem e não temais qualquer causa para terror.” — 1 Pedro 3:5, 6.
43. O que indica que Sara era uma ‘santa mulher’, que esperava em Deus?
43 Sara, como uma das “santas mulheres” dos tempos pré-cristãos, depositava sua esperança e confiança em Jeová. Dessemelhante da esposa de Ló, que olhava almejantemente para trás, para Sodoma, e pereceu por isso, Sara abandonou voluntariamente os confortos de Ur e passou a viver em tendas com seu marido, Abraão, durante o resto de sua vida. Junto com Abraão, aguardava uma moradia permanente sob o governo divino. (Hebreus 11:8-12) Sara certamente não dava importância demais aos bens e confortos materiais. Vivia dum modo que revelava um conceito espiritual. Sara reconhecia que Deus a recompensaria ricamente por ocasião da ressurreição. De maneira similar, as mulheres cristãs de hoje tomam sabiamente por objetivo principal na vida agradar a Jeová Deus. — Veja Provérbios 31:30.
44. O que prova que Sara tinha profundo respeito pelo marido?
44 A bela Sara tinha profundo respeito pelo seu marido. Quando certa vez chegaram visitantes inesperados, Abraão não se sentia hesitante em dizer a sua fiel companheira: “Depressa! Apanha três seás [22 litros] de flor de farinha, amassa-a e faze bolos redondos.” (Gênesis 18:6) Naquele mesmo dia, Sara chamou Abraão de seu “senhor”. Visto que fez isso no íntimo e não aos ouvidos de outros, mostra claramente que ela, no coração, estava submissa a seu marido. — Gênesis 18:12.
45. O que mostra que Sara não tinha personalidade fraca?
45 Todavia, Sara não era mulher de personalidade fraca. Quando notou que Ismael, filho da escrava egípcia Agar, ‘caçoava’ de seu próprio filho Isaque, Sara falou resolutamente a Abraão, dizendo: “Expulsa esta escrava e o filho dela, pois o filho desta escrava não vai ser herdeiro com o meu filho, com Isaque!” Mas, que ela estava fazendo um apelo vigoroso a Abraão, não demandando ou ordenando de modo impróprio, é demonstrado por Jeová ter aprovado o pedido de Sara. O Todo-poderoso notou que o apelo fora feito no espírito correto e orientou Abraão para que o executasse. — Gênesis 21:9-12.
46, 47. (a) Como pode a mulher que expressa fortes conceitos e toma a iniciativa demonstrar que ela é submissa? (b) O que devíamos esperar duma mulher que teme a Deus?
46 Do mesmo modo, a submissa mulher cristã não precisa ser fraca ou irresoluta. Pode expressar conceitos pessoais, específicos, e tomar a iniciativa em cuidar de certos assuntos de importância para a felicidade da família. Mas, ela se esforçaria a lembrar-se dos desejos e sentimentos do marido, deixando-se guiar por eles ao fazer compras, decorar o lar ou cuidar de outros afazeres domésticos. Se não tiver certeza do que ele pensa sobre determinada atividade ou grande compra, ela poderá evitar problemas por consultá-lo antes Quando procura desincumbir-se de seus deveres como esposa, dum modo que agrade a Deus, ela agradará também ao marido, não lhe dando nenhum motivo válido para crítica Tal esposa costuma obter uma posição honrosa e digna na família Sua situação mostra ser similar à da esposa capaz descrita em Provérbios 31:11, 28: “Nela confia o coração do seu dono . . . Seus filhos se levantaram e passaram a chamá-la feliz; seu dono se levanta e a louva “ O marido que confia em que sua esposa aja sabiamente e não ponha em perigo o bem-estar da família não achará necessário estabelecer uma porção de regras destinadas a controlar ações imprudentes. Simplesmente haverá bom entendimento entre eles. Cuidando dos assuntos da família, ela terá prazer em usar sua capacidade e iniciativa de modo pleno.
47 Para ser esposa temente a Deus, no sentido bíblico, a esposa cristã precisa ser diligente e apta para tomar a iniciativa em ajudar outros. De modo que não será uma mulher que virtualmente vive ‘à sombra’ do marido. (Veja Provérbios 31:13-22, 24, 27.) Isto é evidente na descrição das mulheres cristãs que se habilitaram a ser colocadas numa lista especial, no primeiro século E. C. Lemos: “Seja colocada na lista a viúva que não tiver menos de sessenta anos de idade, esposa de um só marido, dando-se dela testemunho de obras excelentes, se tiver criado filhos, se tiver hospedado estranhos, se tiver lavado os pés dos santos, se tiver socorrido os em tribulação, se tiver seguido diligentemente toda boa obra.” (1 Timóteo 5:9, 10) Note que sua reputação de boas obras remontaria ao tempo em que era “esposa de um só marido”. Por isso, não devemos confundir um “espírito quieto e brando” com o que na realidade talvez seja apenas falta de iniciativa e diligência.
BENEFÍCIOS DA DEMONSTRAÇÃO DUM ESPÍRITO CRISTÃO
48. Como pode a esposa cristã tornar-se mais semelhante ao Filho de Deus?
48 Visto que Cristo é ‘o modelo a ser seguido por todos os seus discípulos’, a esposa cristã desejará empenhar-se em se tornar mais semelhante a ele, quando confrontada com circunstâncias desfavoráveis. (1 Pedro 2:21) Isto requer que seja honesta consigo mesma na avaliação de suas palavras e ações. Daí, por considerar com oração o exemplo de Jesus Cristo e por continuar a pedir a Jeová Deus a ajuda de seu espírito, para se tornar esposa melhor, passará a ter a “mente de Cristo” em grau maior. (1 Coríntios 2:16) Seu progresso se tornará evidente aos outros. Isto se dá porque quanto mais pensarmos nas qualidades excelentes e atos louváveis de alguém a quem amamos, tanto mais desejaremos ser semelhantes a ele.
49-51. (a) Por que é sempre sábio que a esposa aplique princípios bíblicos? (b) Que belo proveito pode advir da aderência fiel às Escrituras? (c) Que “causa para terror” não deve temer a mulher cristã, e por que não?
49 Mesmo quando o marido mostra falta de consideração, é desarrazoado ou se esquiva da responsabilidade, a esposa pode ter plena confiança em que a aplicação dos princípios bíblicos lhe trará os melhores resultados possíveis nestas circunstâncias. Pouco conseguirá a esposa que fizer uma grande questão por causa de cada decisão errada tomada pelo marido, desconsiderando assim o conselho bíblico de ser submissa. Os humanos estão inclinados a defender-se mesmo quando errados. Portanto, se a esposa ‘criar caso’ sempre que seu marido não usar de bom critério, ela poderá obter uma reação contrária à que procura. Ele talvez fique ainda mais decidido a não fazer caso do que ela diz, só para provar-lhe que não precisa do conselho dela. Por outro lado, se a reação dela mostra a compreensão de que nós, humanos pecaminosos, não podemos inteiramente evitar erros de critério, ele talvez esteja muito mais inclinado a tomar em consideração os pensamentos dela, da próxima vez. Ele achará mais fácil impedir que o seu orgulho fique envolvido demais na questão.
50 Animando assim o marido de maneira bondosa e gentil, a esposa cristã pode induzi-lo a refletir seriamente no modo em que ele se comporta, começando então a fazer mudanças na vida dele. Embora este progresso possa ser vagaroso, a esposa consegue uma recompensa imediata. Qual? A de evitar a enorme tensão emocional, amargura e desgosto a que estaria sujeita pelo confronto aberto com o marido. — Provérbios 14:29, 30.
51 A aderência fiel da esposa às Escrituras, na conduta e na maneira de falar, talvez nem sempre faça com que seu marido incrédulo se torne cristão. Mas, ainda assim ela tem a satisfação de saber que seu proceder é “bem agradável a Deus”. A maneira elogiável com que ela cuida de suas responsabilidades como esposa e mãe faz parte de sua reputação de boas obras, que é como um tesouro armazenado no céu. Este tesouro produzirá muitos juros na forma de bênçãos divinas. (Mateus 6:20) Reconhecendo a importância de manter uma boa posição perante Deus, ela deve ‘persistir em fazer o bem’ e não deve temer qualquer “causa para terror” — qualquer ultraje, ameaça ou oposição que possa resultar por ela ser discípula de Jesus Cristo. Em vez de se entregar ao medo e perder sua relação com Jeová e seu Filho, ela poderá encarar sua experiência como sofrimento pela causa de Cristo. Mostrará assim ser filha da submissa Sara, mulher piedosa de fé.
“SEGUNDO O CONHECIMENTO”
52. O que há de significativo no uso, por Pedro, da palavra grega que significa “igualmente” ou “da mesma maneira”, quando aconselhou os maridos cristãos?
52 Assim como a esposa tem certos deveres por causa de sua relação com o marido, também o marido tem, por causa de sua relação com a esposa. O apóstolo Pedro lembrou isso aos maridos, usando a palavra grega para “igualmente” ou “da mesma maneira”, para relacionar sua admoestação a eles com o conselho anterior às esposas, dizendo:
“Vós, maridos, continuai a morar com elas da mesma maneira, segundo o conhecimento, atribuindo-lhes honra como a um vaso mais fraco, o feminino, visto que sois também herdeiros com elas do favor imerecido da vida, a fim de que as vossas orações não sejam impedidas.” — 1 Pedro 3:7.
53. O que deve governar a maneira em que o marido mora com sua esposa?
53 É digno de nota que o inspirado apóstolo, que era homem casado, primeiro traz à atenção que a maneira em que o marido mora ou vive com a esposa deve ser governada pelo “conhecimento”. (Marcos 1:30; 1 Coríntios 9:5) O marido certamente desejará conhecer bem a esposa — os sentimentos, a força, as limitações, os gostos e as aversões dela. Mas, o que é ainda mais importante, deve chegar a conhecer suas responsabilidades como marido cristão. Por realmente conhecer a esposa e também conhecer seu próprio papel designado por Deus, o marido pode ‘continuar a morar com a esposa segundo o conhecimento’.
54. O que exige o exercício da chefia?
54 As Escrituras mostram que o marido é cabeça da esposa. Mas não é chefe absoluto, porque precisa sujeitar-se à chefia de Jesus Cristo em tratar dos assuntos familiares. “A cabeça de todo homem é o Cristo”, nos diz a Bíblia. (1 Coríntios 11:3) “Maridos”, escreveu o apóstolo Paulo, “continuai a amar as vossas esposas, assim como também o Cristo amou a congregação e se entregou por ela”. (Efésios 5:25) Portanto, a maneira em que o Filho de Deus trata a congregação cristã serve de modelo para o marido se desincumbir de suas obrigações familiares. Certamente não há nada de tirânico ou cruel na chefia de Jesus Cristo sobre a congregação. Até mesmo deu a sua vida por ela. Portanto, a chefia do marido não lhe dá o direito de dominar a esposa, colocando-a numa posição inferior, rebaixada. Antes, impõe-lhe a responsabilidade de ser abnegado no seu amor, disposto a colocar o bem-estar e os interesses da esposa à frente de seus próprios desejos e preferências.
55. Visto que Jesus Cristo é o exemplo, o que devem fazer os maridos cristãos?
55 Visto que Jesus Cristo é o perfeito exemplo para os maridos, estes farão bem em se familiarizar com o que ele fez ao lidar com os seus discípulos. O que e mais importante, os maridos devem esforçar-se a se harmonizar com o modelo do Filho de Deus, no cumprimento de suas obrigações familiares. Considere apenas algumas das muitas coisas que Jesus Cristo fez enquanto na terra, ao cuidar de seus discípulos.
56, 57. (a) Como mostrou o Filho de Deus que tinha interesse genuíno no bem-estar espiritual de seus discípulos? (b) Em vista do exemplo de Jesus, o que se poderia perguntar o marido?
56 O Filho de Deus estava genuinamente interessado no bem-estar espiritual de seus seguidores. Mesmo quando foram vagarosos em entender assuntos vitais, não ficou impaciente com eles. Tomou tempo para esclarecer-lhes as coisas e cuidou de que realmente entendessem seu ensino. (Mateus 16:6-12; João 16:16-30) Quando continuaram a ter problemas quanto a ter um conceito apreciativo de sua relação mútua, Jesus repetiu os pontos sobre a necessidade de ministrarem humildemente uns aos outros. (Marcos 9:33-37; 10:42-44; Lucas 22:24-27) Na última noite que passou com eles, reforçou seu ensino sobre a humildade por lavar-lhes os pés, dando-lhes assim um exemplo. (João 13:5-15) Jesus tomou também em consideração as limitações dos discípulos e não lhes deu mais informações do que podiam compreender na ocasião. — João 16:4, 12.
57 Portanto, o marido cristão poderia perguntar-se: ‘Quão preocupado estou com o bem-estar espiritual da minha esposa e dos filhos? Certifico-me de que realmente entendem os princípios bíblicos? Quando noto atitudes e ações erradas, esclareço-lhes exatamente por que são erradas e por que precisa haver uma mudança? Tomo em consideração suas limitações e cuido de não exigir demais?’
58. Como poderá o marido imitar o exemplo de Jesus em dar consideração às necessidades físicas da família?
58 O Filho de Deus estava também atento a observar o que seus discípulos precisavam do ponto de vista físico. Quando os apóstolos, depois duma viagem de pregação, voltaram a Jesus e lhe relataram suas atividades, ele disse: “Vinde, vós mesmos, em particular, a um lugar solitário, e descansai um pouco.” (Marcos 6:31) De maneira similar, o marido cuida sabiamente de que a esposa e os filhos tenham tempo para recreação e revigoramento, interrompendo a rotina regular da vida.
59, 60. (a) Como tem mostrado Jesus Cristo confiança e fé nos seus discípulos? (b) Como pode ajudar isso ao marido a exercer a chefia?
59 No exercício da chefia, Jesus Cristo não restringe os membros da congregação por meio duma lista de regulamentos complicados Deu-lhes ordens e orientações realmente importantes como base para tomarem decisões corretas em lidar com os problemas da vida. Seu amor abnegado, junto com a sua confiança e fé nos discípulos, na realidade ‘compele-os’ a corresponderem com amor igual, fazendo o máximo para agradá-lo. — 2 Coríntios 5:14, 15; veja 1 Timóteo 1:12; 1 João 5:2, 3.
60 De maneira similar, quando o marido mostra que tem confiança na esposa, isso pode contribuir muito para preservar a felicidade no matrimônio A esposa que tem pouca margem para usar de iniciativa em cuidar de suas responsabilidades logo perde a alegria com o seu trabalho. Ela se sente reprimida no uso de seu conhecimento, de seus talentos e suas habilidades, o que resulta em frustração. Por outro lado, quando o marido entrega certos assuntos importantes ao bom critério dela, ela terá prazer em cuidar das coisas da maneira que agrade ao marido.
“ATRIBUINDO-LHES HONRA COMO A UM VASO MAIS FRACO”
61-63. (a) O que dizem as Escrituras sobre a maneira em que o marido deve lidar com a esposa? (b) O que deve ser evitado pelo marido, se ele há de atribuir um lugar honroso à esposa? (c) No que se refere a importantes assuntos familiares, a que deve estar disposto o marido? (d) Por que não basta tomar em consideração apenas a palavra falada, quando se tomam decisões finais?
61 O marido, morando com a esposa segundo o seu conhecimento dela qual pessoa e de suas responsabilidades bíblicas para com ela, também ‘lhe atribuirá honra como a um vaso mais fraco, o feminino’. Visto que a constituição física da mulher lhe impõe maiores limitações físicas do que se costuma dar com os homens, ela é o “vaso mais fraco”. Mas, ela deve ocupar uma posição honrosa e digna na família. As seguintes palavras do apóstolo Paulo ilustram como o marido pode atribuir honra à esposa: “Deste modo, os maridos devem estar amando as suas esposas como aos seus próprios corpos. Quem ama a sua esposa, ama a si próprio, pois nenhum homem jamais odiou a sua própria carne; mas ele a alimenta e acalenta, assim como também o Cristo faz com a congregação.” — Efésios 5:28, 29.
62 Os maridos, em geral, não rebaixam suas próprias realizações, fazendo-se parecer incompetentes, nem sujeitam seu corpo a tratamento cruel, nem desconsideram sua necessidade de descanso e recreação. Não querem ter a reputação de serem “imprestáveis”, mas desejam ter uma posição digna aos olhos dos outros. Se o marido realmente for cristão, não zombará de quaisquer fraquezas que a esposa possa ter, nem a rebaixará ou fará sentir-se inferior, menosprezada. Atribuirá à esposa a mesma espécie de dignidade e consideração que quer para si mesmo, fazendo-a sentir-se querida, apreciada e necessária.
63 Para que a esposa ocupe uma posição honrosa no lar, o marido precisa estar disposto a considerar com ela assuntos familiares de maneira calma e razoável, para saber os pensamentos e as idéias dela. A esposa deverá poder expressar-se livremente, com a garantia de que aquilo que diz, na consideração de assuntos sérios, não será prontamente rejeitado, mas receberá a devida consideração do marido. (Veja Juízes 13:21-23; 1 Samuel 25:23-34; Provérbios 1:5, 6, 8, 9.) Além disso, o marido precisa estar atento a observar mais do que apenas a palavra falada. Profundos sentimentos íntimos podem ser revelados pelo tom da voz, pelas expressões faciais, ou pela falta de entusiasmo ou espontaneidade. (Veja Provérbios 15:13.) O marido que chega a conhecer a esposa não desconsiderará tais coisas, nem prosseguirá cegamente com algo que possa criar irritação desnecessária.
64. Quando é que o marido não cederia à esposa, e por que é isso proveitoso?
64 Naturalmente, como chefe da família, quando o marido está cabalmente convencido, na própria mente, de que os interesses da família como um todo seriam prejudicados com isso, não satisfará o desejo da esposa. (Veja Números 30:6-8.) Reconhecerá que tem a obrigação bíblica de defender aquilo que acredita ser certo, apesar de quaisquer demonstrações emocionais da esposa. Se o marido acatasse os desejos da esposa, contrário ao melhor critério, significaria desonrar a Deus, que confiou ao homem a posição de chefe da família. E se a questão depois trouxesse dificuldades à família, ele poderia ficar amargurado com a esposa. Por outro lado, manter-se ele firme a favor do que definitivamente crê ser certo trará benefícios a família. Se a sua decisão for tomada com oração e estiver em harmonia com os princípios bíblicos, a esposa poderá chegar a ver a sabedoria da decisão tomada e alegrar-se de que o marido permaneceu firme. Isto deverá aumentar-lhe o respeito por ele e contribuir para a felicidade dela e de toda a família.
UM MOTIVO ESPIRITUAL
65. Que motivo espiritual há para o marido cristão conviver com sua esposa crente “segundo o conhecimento”?
65 Há um forte motivo pelo qual o marido cristão deve viver com a esposa crente “segundo o conhecimento”, atribuindo-lhe honra. Não é apenas para propiciar maior paz na família. O apóstolo cristão Pedro mostrou aos seus concrentes um motivo ainda maior. Salientou que os maridos são ‘herdeiros com sua esposa do favor imerecido da vida’. Em vista de sua morte sacrificial, Jesus Cristo abriu tanto para homens como para mulheres a oportunidade de serem aliviados da condenação do pecado e da morte, visando a vida eterna. Portanto, a esposa pode ter uma posição tão aprovada perante Deus e Cristo como seu marido. Há um motivo sério, portanto, pelo qual o marido deve ter cuidado de não tratar a esposa como se fosse alguém inferior, de menor valor aos olhos de Deus do que ele.
66. Quando os assuntos maritais não são resolvidos biblicamente, por que pode resultar disso sério dano espiritual?
66 Quando os assuntos maritais não são tratados em harmonia com o exemplo de Jesus Cristo com sua congregação, isso tem efeito pernicioso sobre o estado espiritual tanto do marido como da esposa. Sim, ‘as orações poderiam ficar impedidas’. No lar, quando há disposição para brigar, ofender-se, ressentir-se e agir com dureza e irracionalidade, é difícil apelar para Deus em oração. Visto que a pessoa se sente condenada no coração, falta-lhe franqueza no falar. (1 João 3:21) Também, Jeová Deus estabeleceu requisitos para ouvir orações. Ele não ouve apelos por ajuda daqueles que são impiedosos, não estando dispostos a perdoar as transgressões dos outros. (Mateus 18:21-35) Somente os que se esforçam a harmonizar sua vida com as ordens dele recebem audiência favorável. (1 João 3:22) Nem os maridos, nem as esposas, que deixam de imitar no seu casamento o exemplo de Jesus Cristo com sua congregação, podem esperar receber ajuda divina em lidar com os seus problemas. Por outro lado, a fiel obediência a admoestação bíblica garante a aprovação e a bênção divinas. Certamente, esta é uma bela recompensa, resultante da sujeição à chefia do Filho de Deus.
SUJEIÇÃO NA CONGREGAÇÃO CRISTÃ
67. Segundo Mateus 23:8-11, que atitude deve existir dentro da congregação cristã?
67 Dentro da congregação cristã há também uma necessidade real do reconhecimento da chefia de Cristo. Este reconhecimento afeta a atitude e a conduta dos membros individuais de uns para com os outros. Segundo as próprias palavras de Jesus, sua congregação devia ser uma fraternidade. Ele disse aos seus discípulos: “Vós, não sejais chamados Rabi, pois um só é o vosso instrutor, ao passo que todos vós sois irmãos. Além disso, não chameis a ninguém na terra de vosso pai, pois um só é o vosso Pai, o Celestial. Tampouco sejais chamados ‘líderes’, pois o vosso Líder é um só, o Cristo Mas o maior dentre vós tem de ser o vosso ministro [servo, Almeida].” — Mateus 23:8-11.
68, 69. (a) Visto que a congregação é uma fraternidade, que liberdades não se deve tomar? (b) De que precisava lembrar-se Timóteo ao lidar com membros da congregação?
68 Portanto, ninguém deve fazer as vezes de príncipe na congregação. Mas, os que servem quais anciãos e instrutores nela devem imitar o Amo, Cristo, em trabalhar humildemente como escravos para seus irmãos. Todavia, visto que a congregação é uma fraternidade composta tanto de jovens como de idosos, de homens e mulheres, os membros individuais da congregação não podem tomar liberdades que violem o senso natural do que é próprio O apóstolo Paulo aconselhou a Timóteo: “Não critiques severamente um ancião. Ao contrário’ suplica-lhe como a um pai, os homens mais jovens, como a irmãos, as mulheres mais idosas, como a mães, as mulheres mais jovens, como a irmãs, com toda a castidade.” — 1 Timóteo 5:1, 2.
69 Na época em que o apóstolo escreveu estas palavras, Timóteo tinha provavelmente uns trinta e poucos anos Embora servisse como ancião designado, foi admoestado a lembrar-se de que ainda era comparativamente jovem Se um homem mais idoso necessitasse de correção, Timóteo não devia ser ríspido com ele, mas devia apelar para ele com o porte respeitoso de um filho que está em pé diante do pai (Veja a maneira respeitosa em que Jacó foi rogado pelos seus filhos, conforme registrado em Gênesis 43:2-10.) As mulheres mais velhas também deviam receber a consideração e a bondade que se deviam à mãe Nem mesmo com os jovens podia Timóteo tomar liberdades, mas devia tratá-los como se fossem amados irmãos carnais. Em vista da forte atração que os homens sentem para com o sexo oposto, era bem apropriado que Timóteo fosse admoestado a tratar as jovens como se fossem suas próprias “irmãs” carnais, “com toda a castidade”. Isto significava que, na associação com as jovens cristãs, ele devia permanecer casto, puro e limpo em pensamentos, palavras e ações.
70. (a) Por que precisa haver um espírito de sujeição para se manter a conduta correta na congregação? (b) O que pode ajudar alguém a manter o espírito de sujeição?
70 Na nossa relação com os outros membros da congregação, precisamos ter um espírito humilde, para manter nosso lugar e não violar o senso natural de decência e decoro. O apóstolo Pedro admoestou, portanto, corretamente: “Vós, homens mais jovens, sujeitai-vos aos homens mais idosos.” (1 Pedro 5:5) Os jovens deviam esforçar-se a cooperar com os homens mais idosos, especialmente com os anciãos designados da congregação. Certamente, seria impróprio um jovem falar a homens mais idosos ou agir para com eles dum modo que seria inimaginável, se lidasse com o seu próprio pai carnal. Mas, o que pode fazer o jovem para manter o espírito submisso? Talvez ache proveitoso pensar nas qualidades elogiáveis dos irmãos mais idosos e em seu serviço fiel. Isto pode contribuir para aprofundar seu amor e apreço por eles. — Veja Hebreus 13:7, 17.
71. O que se quer dizer com ‘cingirmo-nos de humildade mental’?
71 Naturalmente, Pedro fez mais do que apenas incentivar os jovens a ser submissos aos homens mais idosos. Ele prosseguiu: “Todos vós, porém, cingi-vos de humildade mental uns para com os outros.” A expressão “cingi-vos de humildade mental”, na língua original, continha a idéia de amarrar em si mesmo tal humildade mental como se fosse atada em nós. Essa “humildade mental” devia ser como avental ou vestimenta cingida por um escravo. Portanto, o espírito que Pedro incentivou é o da disposição de servir e ser de proveito para os outros. Quão excelente é quando tratamos a todos na congregação com respeito e deferência, concedendo-lhes a dignidade que merecem! Tal proceder leva à bênção e ao favor de Jeová, pois, Pedro acrescentou: “Deus se opõe aos soberbos, mas dá benignidade imerecida aos humildes.” — 1 Pedro 5:5.
72. Que recompensas vêm de se mostrar a devida sujeição?
72 Deveras, mostrarmos a espécie de sujeição que se harmoniza com as Escrituras Sagradas traz uma rica recompensa. Nunca fará com que uma situação péssima fique pior, mas nos dará uma boa consciência perante Deus e os homens. A sujeição às autoridades governamentais, aos patrões, a supervisores ou mesmo a um marido incrédulo pode dar testemunho excelente a respeito do valor do verdadeiro cristianismo e pode ajudar outros a se tornarem discípulos do Filho de Deus, visando a vida eterna. Em nosso próprio caso, podemos ter a certeza de que Jeová Deus nos recompensará ricamente por adotarmos o proceder que lhe agrada. Sim, a devida submissão à autoridade é uma parte vital de usufruirmos agora o melhor modo de vida.
-
-
Forasteiros e residentes temporários de conduta exemplarA Escolha do Melhor Modo de Vida
-
-
Capítulo 7
Forasteiros e residentes temporários de conduta exemplar
1, 2. Como são amiúde encarados os forasteiros, e por quê?
QUEM se destaca como bem diferente das pessoas da comunidade em que vive é amiúde encarado com desconfiança e suspeita. Sua conduta pode sofrer um escrutínio mais minucioso do que a dos nativos da região. Lamentavelmente, alguns talvez criem preconceito contra toda uma raça, nacionalidade ou tribo, por causa da má conduta de um único estrangeiro na sua vizinhança. Até mesmo os governos fazem leis e estabelecem regulamentos que só se aplicam a estrangeiros. Quando a conduta de um deles é considerada como indesejável, ele pode ser deportado.
2 Por que é tudo isso de séria preocupação para o cristão? Como deve influir no seu modo de vida?
3. (a) Por que são os verdadeiros cristãos “estrangeiros” neste mundo? (b) Como são encarados pelos incrédulos, e por quê?
3 Neste mundo, os verdadeiros cristãos são “forasteiros e residentes temporários”, porque aguardam uma moradia permanente como parte dos “novos céus e uma nova terra” criados por Deus. (1 Pedro 2:11; 2 Pedro 3:13) Visto que os genuínos discípulos de Jesus Cristo se esforçam em pensar e agir em harmonia com as Escrituras Sagradas, os incrédulos, ou os que apenas fingem praticar o cristianismo, talvez os menosprezem, como se fossem “estrangeiros” indesejáveis. Mas o conceito que o mundo forma sobre o cristão não deve fazê-lo sentir-se envergonhado. Do ponto de vista divino, sua condição de forasteiro tem dignidade. Por isso, o cristão deseja fazer o máximo para se comportar de modo que não dê a alguém um motivo válido para vituperá-lo.
4, 5. (a) No primeiro século E. C., por que podia o apóstolo Pedro chamar os cristãos de “residentes temporários espalhados”? (b) Como eram encarados por Jeová Deus?
4 O apóstolo Pedro, escrevendo a concrentes, trouxe à atenção a condição honrosa deles como “forasteiros e residentes temporários”. No início de sua primeira carta, lemos:
“Pedro, apóstolo de Jesus Cristo, aos residentes temporários espalhados por Ponto, Galácia, Capadócia, Ásia e Bitínia, aos escolhidos segundo a presciência de Deus, o Pai, com santificação pelo espírito, com o objetivo de que sejam obedientes e sejam aspergidos com o sangue de Jesus Cristo.” — 1 Pedro 1:1, 2.
5 Lá no primeiro século E. C., os crentes viram-se espalhados por diversos lugares, vivendo no meio duma grande população não-cristã. Muitas vezes, foram injustamente desprezados pelos seus vizinhos. Por isso, devem ter ficado animados ao lerem ou ouvirem a avaliação que Jeová fazia deles, conforme apresentada na carta de Pedro. Eles eram realmente os “escolhidos”, os eleitos de Deus. O Altíssimo fizera deles sua propriedade, seu povo. Muito antes de vir à existência a congregação cristã composta de judeus e de não-judeus, o Todo-poderoso sabia de antemão que haveria finalmente tal grupo de seus servos, espalhados nas diversas partes da terra. Por meio da operação do espírito de Deus sobre eles, foram santificados ou postos à parte para uso sagrado. O objetivo dos tratos de Jeová com eles era que fossem seus filhos obedientes, fazendo a vontade dele. Saberem deste uso que o Soberano Universal fazia deles deve tê-los emocionado profundamente, induzindo-os a querer viver à altura do nobre propósito para o qual Deus os designou.
6. (a) Como obtiveram os cristãos sua condição limpa perante Deus? (b) O que pode estar incluído em ‘serem aspergidos com o sangue de Jesus Cristo’?
6 Naturalmente, os crentes não vieram a ser um povo escolhido e santificado por mérito próprio. Individualmente, eram pecadores e tiveram de ser purificados, e, por isso, o apóstolo Pedro referiu-se a eles como tendo sido “aspergidos com o sangue de Jesus Cristo”. Isto nos faz lembrar do processo de purificação do israelita que se tornara cerimonialmente impuro por ter tocado num cadáver humano, entre outras coisas. Para ser novamente limpo, ele tinha de ser aspergido com água de purificação. (Números 19:1-22) De maneira similar, os benefícios expiatórios do sacrifício de Cristo haviam sido aplicados aos cristãos, habilitando-os a ter uma consciência limpa perante Deus e franqueza no falar ao se dirigirem a ele em oração. (Hebreus 9:13, 14; 10:19-22) Também, quando os israelitas foram aceitos numa relação pactuada com Jeová, Moisés aspergiu o povo com o sangue de vítimas sacrificiais. (Êxodo 24:3-8) Por isso, as palavras sobre ‘serem aspergidos com o sangue de Jesus Cristo’ pode também trazer à atenção que esses crentes foram aceitos no novo pacto, cujo mediador é Jesus Cristo e que foi validado pelo seu sangue derramado, e que eles participam agora nos benefícios deste pacto.
7. O que requer de nós nossa condição de “forasteiros”?
7 Assim como os crentes do primeiro século E. C., os discípulos devotados de Jesus Cristo têm hoje uma posição honrosa perante Jeová Deus. Precisam comportar-se neste mundo como “forasteiros” e “residentes temporários” exemplares. Senão, lançam vitupério sobre Jeová Deus e a congregação de seu povo. Portanto, todos precisam tomar a peito a admoestação do apóstolo Pedro: “Amados, exorto-vos como a forasteiros e residentes temporários a que vos abstenhais dos desejos carnais, que são os que travam um combate contra a alma.” — 1 Pedro 2:11.
8. A que não devemos ficar indevidamente apegados, e por que não?
8 Por sermos “forasteiros e residentes temporários” neste sistema passageiro de coisas, não podemos dar-nos ao luxo de nos prender indevidamente a algo dentro da agora existente estrutura humana. Nenhuns vínculos terrenos, tristezas, alegrias ou bens são permanentes. O tempo e o imprevisto sobrevêm a todos e podem mudar repentina e dramaticamente a situação da pessoa. (Eclesiastes 9:11) Por isso, há verdadeira sabedoria em acatar o conselho do apóstolo Paulo: “Os que tiverem esposas sejam como se não as tivessem, e também os que choram sejam como os que não choram, e os que se alegram, como os que não se alegram, e os que compram, como os que não possuem, e os que fazem uso do mundo, como os que não o usam plenamente; porque está mudando a cena deste mundo.” (1 Coríntios 7:29-31) Ficarmos completamente absortos nas tristezas ou alegrias que são produto dessas situações e relações que sempre estão mudando poderia ir de encontro a nos achegarmos cada vez mais ao Altíssimo e seu Filho, com uma séria perda para nós.
9, 10. (a) O que explica o modo em que os mundanos encaram os bens? (b) Por que deve nossa maneira de encarar os bens ser diferente da dos incrédulos?
9 A situação da maioria da humanidade demonstra claramente por que não devemos tentar ‘fazer pleno uso do mundo’. As pessoas, em geral, ou não se apercebem da promessa de Deus, de “novos céus e uma nova terra”, ou não têm verdadeira fé em tal vindoura nova ordem justa. De modo que não têm nada senão a sua vida atual em que fixar a atenção. Falta-lhes a esperança sólida a respeito do futuro. Este é o motivo de estarem tão enfronhadas em pensar nas suas necessidades diárias e de estarem tão absortas em tirar do mundo o máximo possível. (Mateus 6:31, 32) Seus olhos brilham diante da perspectiva de obter roupa boa, jóias cintilantes, ornamentação dispendiosa, bela mobília ou lares suntuosos. Talvez esperem e procurem impressionar os outros por meio dos bens materiais. — 1 João 2:15-17.
10 O cristão, em contraste, reconhece que tem diante de si um futuro eterno. Seria tolo se ficasse tão absorto nos assuntos da vida, que virtualmente não tivesse tempo para o Criador, de quem depende o seu futuro. Isto não significa que o verdadeiro servo de Deus não possa usufruir devidamente as muitas coisas boas que o dinheiro pode comprar. Mas, nem mesmo os prazeres sadios e os bens materiais proveitosos devem jamais tornar-se o ponto focal de nossa vida, não, se realmente nos considerarmos como “residentes temporários” neste sistema atual. Embora não desperdicemos nossos recursos, nem sejamos descuidados com eles, nós os encaramos corretamente como fazem as pessoas de confiança, que apenas alugam um apartamento mobiliado, ferramentas, equipamento ou outras coisas de que possam precisar. Tais pessoas cuidam deles bem, mas nunca se prendem totalmente a eles, como se fossem propriedade permanente. Nossa vida deve demonstrar que reconhecemos que nada no atual sistema oferece qualquer garantia de permanência, e que somos apenas “forasteiros” e “residentes temporários”, avançando em direção à prometida nova ordem criada por Deus.
‘ABSTENHA-SE DOS DESEJOS CARNAIS’
11. O que está incluído nos desejos carnais, dos quais nos temos de abster?
11 No entanto, sermos bem sucedidos no nosso modo de vida como cristãos requer de nós muito mais do que apenas reconhecer que, no que se refere à nossa vida atual, nossa situação está sujeita a uma mudança imprevisível. Precisamos também dar séria atenção à exortação bíblica de nos ‘abstermos dos desejos carnais’. Estes são os anseios ou desejos errados dos membros físicos da pessoa. A carta do apóstolo Paulo aos gálatas revela a que pecados esses anseios errados levam. Depois de mostrar que aquele que é guiado pelo espírito de Deus não executa “nenhum desejo carnal”, o apóstolo enumera as obras da carne: “fornicação, impureza, conduta desenfreada, idolatria, prática de espiritismo, inimizades, rixa, ciúme, acessos de ira, contendas, divisões, seitas, invejas, bebedeiras, festanças e coisas semelhantes a estas”. — Gálatas 5:16, 19-21.
12, 13. (a) Como é que os desejos carnais “travam um combate contra a alma”? (b) O que temos de fazer para manter uma condição limpa perante Deus?
12 Em resultado do pecado herdado, estamos sujeitos a fortes pressões para ficar envolvidos nas obras da carne, para ‘executar os desejos carnais’. Os anseios impróprios são semelhantes a um exército invasor, que procura obter o domínio sobre toda a alma, a pessoa inteira, fazendo-a entregar-se a paixões pecaminosas. O apóstolo cristão Paulo apercebia-se muito bem da luta que assim pode surgir no íntimo da pessoa. Referente ao seu próprio caso, ele escreveu: “Eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não mora nada bom; porque a capacidade de querer está presente em mim, mas a capacidade de produzir o que é excelente não está presente. Pois o bem que quero, não faço, mas o mal que não quero, este é o que pratico.” (Romanos 7:18, 19) Este conflito tornou necessário que Paulo ‘amofinasse o seu corpo e o conduzisse como escravo, para que, depois de ter pregado a outros, ele mesmo não viesse a ser de algum modo reprovado’. — 1 Coríntios 9:27.
13 De maneira similar, nosso desejo de manter uma condição limpa perante Deus e de receber sua bênção nos motivará a fazer empenho para que quaisquer anseios errados sejam mantidos sob controle. Por que deveríamos dificultar ainda mais uma luta árdua por nos envolvermos em diversões, leitura, associações e situações que forçosamente agitariam e aumentariam a pressão de nossas inclinações pecaminosas? O que é mais importante, precisamos tomar medidas positivas para nos proteger. Convém que nos lembremos de que não podemos ser bem sucedidos na nossa própria força, mas que precisamos do encorajamento de nossos devotados irmãos e da ajuda do espírito de Deus. O apóstolo Paulo exortou Timóteo a empenhar-se “pela justiça, pela fé, pelo amor, pela paz, ao lado dos que invocam o Senhor dum coração puro”. (2 Timóteo 2:22) Se estivermos fazendo isso, então, com a ajuda do espírito santo, poderemos ser bem sucedidos em impedir que os desejos errados nos dominem. Assim, por resistirmos aos desejos carnais por fixar a mente no que é verdadeiro, justo, casto, amável, virtuoso e louvável, impediremos ser desaprovados por Deus. (Filipenses 4:8, 9) Depois de termos procurado ajudar outros a serem bem sucedidos, não nos tornaremos fracassos.
A CONDUTA EXCELENTE PODE AJUDAR OUTROS A ACEITAR A VERDADEIRA ADORAÇÃO
14. Que proveito podem os outros tirar por nos verem ‘abster-nos dos desejos carnais’?
14 Nossa ‘abstenção dos desejos carnais’ traz consigo ainda outro benefício bem desejável. O apóstolo Pedro escreveu: “Mantende a vossa conduta excelente entre as nações, para que, naquilo em que falam de vós como de malfeitores, eles, em resultado das vossas obras excelentes, das quais são testemunhas oculares, glorifiquem a Deus no dia da sua inspeção.” — 1 Pedro 2:12.
15. Como foram os cristãos difamados no primeiro século E. C.?
15 No primeiro século, os cristãos foram muitas vezes alvo de difamação, apresentados como “malfeitores”. Acusações tais como as seguintes eram típicas: “Estes homens estão perturbando muito a nossa cidade, . . . e publicam costumes que não nos é lícito adotar ou praticar, por sermos romanos.” (Atos 16:20, 21) ‘Estes homens têm subvertido a terra habitada.’ ‘Eles agem em oposição aos decretos de César, dizendo que há outro rei, Jesus.’ (Atos 17:6, 7) O apóstolo Paulo foi acusado de ser “uma peste e [que] atiça sedições entre todos os judeus, por toda a terra habitada”. (Atos 24:5) Homens destacados dos judeus, em Roma, disseram a Paulo: “Deveras, quanto a esta seita, é sabido por nós que em toda a parte se fala contra ela.” — Atos 28:22.
16. (a) Qual é a melhor defesa dos verdadeiros cristãos contra as difamações? (b) Como pode isso ajudar aos opositores?
16 A melhor defesa contra tais difamações é a conduta excelente. Quando os cristãos mostram que obedecem às leis, que pagam fielmente seus impostos, que mostram a disposição de realizar qualquer “boa obra”, e quando nas suas ocupações pessoais são trabalhadores diligentes, honestos nos seus tratos, demonstrando verdadeira preocupação com o bem-estar de seu semelhante — mostra-se que as acusações levantadas contra eles são falsas. (Tito 2:2 a 3:2) Mesmo os que repetem informações caluniosas sobre os cristãos poderão ser assim ajudados a ver o erro de seu proceder e a ser induzidos a adotar a adoração verdadeira. Daí, por ocasião da inspeção de julgamento por Deus, tais ex-difamadores dos cristãos poderão ser contados entre os que glorificam ou louvam o Altíssimo.
17. Em vista do efeito salutar da boa conduta sobre os observadores, a que devemos dar séria consideração?
17 Levar o cristão uma vida reta pode exercer muita força a favor do bem, e isso nos deve induzir a pensar seriamente sobre a maneira em que tratamos os outros e até que ponto mostramos interesse nos nossos vizinhos. Certamente, não queremos fechar os olhos às necessidades dos que moram ao nosso lado. Naturalmente, sermos vizinhos bondosos, prestativos e corteses não é apenas “bom senso”. É algo básico para os cristãos. Jesus Cristo admoestou no seu Sermão do Monte: “Todas as coisas . . . que quereis que os homens vos façam, vós também tendes de fazer do mesmo modo a eles.” (Mateus 7:12) As Escrituras nos exortam: “Enquanto tivermos tempo favorável para isso, façamos o que é bom para com todos, mas especialmente para com os aparentados conosco na fé.” (Gálatas 6:10) “Se possível, no que depender de vós, sede pacíficos para com todos os homens.” (Romanos 12:18) “Empenhai-vos sempre pelo que é bom de uns para com os outros e para com todos os demais.” — 1 Tessalonicenses 5:15.
18, 19. Em harmonia com 1 Pedro 3:8, quais devem ser nossas atitudes e ações, como cristãos?
18 É evidente que ser cristão inclui mais do que apenas cumprir com requisitos vitais assim como assistir às reuniões com concrentes e transmitir a verdade bíblica a outros. (Mateus 28:19, 20; Hebreus 10:24, 25) Recebemos também a ordem de imitar o Filho de Deus em nossas atitudes e ações, no que somos quais pessoas, como indivíduos. O apóstolo Pedro escreveu: “Finalmente, sede todos da mesma mentalidade, compartilhando os sentimentos, exercendo afeição fraternal, ternamente compassivos, humildes na mente.” (1 Pedro 3:8) Para termos a “mesma mentalidade”, precisamos estar “aptamente unidos na mesma mente e na mesma maneira de pensar”. (1 Coríntios 1:10) Nossa maneira de pensar deve-se harmonizar especialmente com a de Jesus Cristo, que expressou seu amor por entregar sua vida por nós. (João 13:34, 35; 15:12, 13) Embora os verdadeiros discípulos de Jesus Cristo tenham a “mesma mentalidade”, conforme evidenciam seu amor e sua união mundial, as perguntas a que precisamos responder individualmente são: ‘Contribuo genuinamente para este espírito de unidade e afeto? Como, e até que ponto?’
19 Se realmente amarmos nossos irmãos espirituais, seremos bondosos e perdoadores. Depois de discutir um problema e concordar numa solução, não continuaremos a ter ressentimentos e a evitar deliberadamente certos membros da congregação cristã, que talvez tenham contribuído para criar a dificuldade. Em harmonia com o conselho de Pedro, precisamos prevenir-nos contra sermos vítimas da calosidade, da dureza e do orgulho, que são tão comuns no mundo. Os outros deveriam poder ver que ‘compartilhamos os sentimentos’ ou que nos compadecemos dos que sofrem, que temos cordial amor ou afeição por nossos irmãos espirituais, que somos “ternamente compassivos” ou que estamos inclinados a ter dó, e que não temos uma opinião muito elevada sobre nós mesmos, mas que somos “humildes na mente”, dispostos a servir aos outros. — Veja Mateus 18:21-35; 1 Tessalonicenses 2:7-12; 5:14.
20. O que requer de nós o acatamento do conselho de 1 Pedro 3:9?
20 Além disso, não devemos limitar nossas expressões de compadecimento, compaixão e bondade apenas aos concrentes. (Lucas 6:27-36) O apóstolo Pedro prosseguiu, exortando os cristãos a ‘não pagarem de volta dano com dano ou injúria com injúria, mas, ao contrário, conferindo uma bênção’. (1 Pedro 3:9) Isto não significa que elogiaremos os que nos injuriam e difamam, ou que os cumularemos de afeição. Mas, produziremos o maior bem, e teremos a maior paz mental e felicidade, se continuarmos a ser bondosos e atenciosos nos nossos tratos com eles, esperando que mudem de proceder e se tornem beneficiários das bênçãos divinas.
MOTIVOS PARA NÃO REVIDAR
21. Como nos pode ajudar o exemplo de Jeová para não revidarmos?
21 Ter Jeová Deus perdoado misericordiosamente os nossos pecados, à base do sacrifício de Jesus, devia induzir-nos a tratar até mesmo nossos inimigos de modo bondoso e compassivo Jesus Cristo disse: “Se não perdoardes aos homens as suas falhas, tampouco o vosso Pai vos perdoará as vossas falhas.” (Mateus 6:15) Portanto, herdarmos bênçãos permanentes de Deus é afetado por nossa disposição de abençoar os outros. Jeová Deus permite que soframos tratamento indelicado. Entre os motivos disso há o de termos a oportunidade de demonstrar que perdoamos e somos compassivos para com o nosso semelhante. O apóstolo Pedro expressou esta idéia por prosseguir, dizendo: “Fostes chamados para este proceder [de abençoar os que procuram causar-vos dano], para que herdeis uma bênção.” (1 Pedro 3:9) Isto não quer dizer que nosso Pai celestial quer que outros nos causem dano. Ele simplesmente não intervém para impedir que soframos os problemas a que os homens pecaminosos do mundo pecador estão expostos. E isto nos deixa demonstrar se realmente queremos ser iguais a ele: benignos, compassivos e perdoadores.
22. Que exortação provê o Salmo 34:12-16 para evitarmos o espírito vingativo?
22 Continuando com sua exortação a não revidarmos em palavra ou em ato, Pedro citou o Salmo 34:12-16 e escreveu:
“Pois, ‘aquele que amar a vida e quiser ver bons dias, refreie a sua língua do que é mau e os seus lábios de falar engano, mas desvie-se ele do que é mau e faça o que é bom; busque a paz e empenhe-se por ela. Porque os olhos de Jeová estão sobre os justos e os seus ouvidos estão atentos às súplicas deles; mas o rosto de Jeová é contra os que fazem coisas más’.” — 1 Pedro 3:10-12.
23, 24. (a) O que significa ‘amarmos a vida’ e querermos “ver bons dias”? (b) Como somos beneficiados por mostrarmos amor à vida?
23 Estas palavras de Pedro enfatizam que tratar todos de maneira bondosa é realmente o único modo correto de viver, o melhor modo de viver. Quem ‘ama a vida’, reconhecendo-a como dádiva de Deus, e quer ver “bons dias” — dias que lhe dêem a sensação de objetivo e significado na vida — mostra isso por promover a felicidade dos seus semelhantes. Controla a língua, não a usando para rebaixar, difamar, enganar ou defraudar os outros. Deseja evitar toda a maldade e fazer o que é bom do ponto de vista de Deus. Sendo alguém que busca a paz e se empenha por ela, não será agressivo ou beligerante, mas fará esforço para promover boas relações com os outros e entre eles. — Romanos 14:19.
24 Quem demonstra seu amor à vida por ajudar outros a usufruir felicidade e paz torna-se companheiro desejável. Os outros mostrarão por palavras e ações que o encaram como necessário, desejado e apreciado. Em resultado, sua vida nunca será vazia ou sem significado. — Provérbios 11:17, 25.
25. Por que podemos ter certeza do cuidado amoroso e da ajuda de Deus?
25 Embora sua bondade talvez nem sempre seja recebida com gratidão, ele tem assegurado o cuidado amoroso de Jeová Deus. Visto que os olhos do Altíssimo estão sobre os justos e seus ouvidos estão sempre atentos a eles, sabe exatamente quais as necessidades que eles têm e pode reagir rapidamente para satisfazê-las. Fará deveras com que ‘vejam bons dias’, porque a devoção piedosa que demonstram “tem a promessa da vida agora e daquela que há de vir”. (1 Timóteo 4:8) Por outro lado, os que praticam o que é mau — que não trabalham em prol da paz e da felicidade dos outros — não podem esperar uma expressão de aprovação divina. O “rosto” de Deus é contra eles com julgamento adverso, porque nada escapa da sua observação.
UM PROCEDER LUCRATIVO
26. Segundo as palavras de Pedro, quem talvez goste de ver-nos retornar às práticas corrutas do mundo?
26 Se tivermos sempre em mente os benefícios resultantes da conduta excelente, isso nos ajudará a resistir às pressões para nos envolvermos nas práticas degradadas do mundo. O apóstolo Pedro nos deu neste sentido um forte estímulo, dizendo:
“Já basta o tempo decorrido para terdes feito a vontade das nações, quando procedestes em ações de conduta desenfreada, em concupiscência, em excessos com vinho, em festanças, em competições no beber e em idolatrias ilegais. Visto que não continuais a correr com eles neste proceder para o mesmo antro vil de devassidão, ficam intrigados e falam de vós de modo ultrajante. Mas, estas pessoas prestarão contas àquele que está pronto para julgar os viventes e os mortos. De fato, com este objetivo se declararam as boas novas também aos mortos, para que fossem julgados quanto à carne, do ponto de vista dos homens, mas vivessem quanto ao espírito, do ponto de vista de Deus.” — 1 Pedro 4:3-6.
27. Por que nunca devemos querer voltar à corrução do mundo?
27 O tempo que o cristão talvez tenha gasto em satisfazer paixões e desejos pecaminosos, enquanto desconhecia a vontade e o propósito de Deus, certamente deve bastar para que ele nunca mais queira voltar a uma vida que se carateriza pelos excessos e pela falta de freio moral. Nunca queremos esquecer quão fútil e sem significado é a vida da satisfação dos próprios desejos, nem a vergonha que amiúde a acompanha. (Romanos 6:21) As diversões vulgares e obscenas, as danças lascivas e a música desenfreada que estimula as paixões, que têm obtido tanto destaque no mundo, devem repelir-nos, não atrair-nos. Embora talvez não seja fácil ser ultrajado pelos anteriores companheiros, por evitarmos tais coisas, certamente não temos nada para ganhar por participar com eles nas festanças desenfreadas e no seu modo de vida sem restrições. Mas temos muito a perder por adotar o mundanismo. Todos os que praticam o que é mau terão de prestar contas pelas suas ações a Jesus Cristo, a quem Jeová Deus designou para ser juiz dos vivos e dos mortos. (2 Timóteo 4:1) Visto que tal julgamento é certo, as “boas novas” foram declaradas aos “mortos”, quer dizer, aos espiritualmente mortos, que precisam arrepender-se, dar meia-volta e passar a viver do ponto de vista de Deus, por se aplicarem a eles os benefícios expiatórios do sacrifício de Cristo.
28. (a) Por que os cristãos talvez sejam “julgados quanto à carne, do ponto de vista dos homens”? (b) Por que não devemos ficar perturbados com tal julgamento?
28 Aqueles que se arrependem são deveras preciosos aos olhos de Jeová Deus, e ele quer que usufruam uma eternidade de vida feliz. Os homens deste mundo, porém, não reconhecem a excelente posição que os verdadeiros cristãos usufruem diante do Criador. Esses mundanos encaram os discípulos de Cristo assim como encaram os outros homens, e julgam-nos “quanto à carne”, pela aparência externa. Mas, não devemos ficar perturbados porque o julgamento que fazem de nós é desfavorável. O que realmente importa é se Jeová Deus nos encara como ‘vivendo quanto ao espírito’, quer dizer, levando uma vida espiritual. Será assim se a nossa vida continuar a estar em harmonia com as ordens do Altíssimo.
29. Que bons motivos temos para manter uma conduta excelente?
29 Temos realmente bons motivos para manter uma conduta excelente como “forasteiros e residentes temporários” no atual sistema. O Altíssimo ordena isso. Seu próprio exemplo, de lidar conosco de maneira bondosa e misericordiosa, requer que sejamos atenciosos, compassivos e perdoadores nos nossos tratos com outros. Nossa conduta elogiável lança reflexos favoráveis sobre o nosso Deus e pode ajudar outros a se tornarem seus servos. Apenas por mantermos uma conduta excelente continuaremos a ter a bênção de Jeová e finalmente receber a vida eterna numa moradia permanente. Nenhum outro modo de vida é tão proveitoso agora e oferece promessas tão grandiosas quanto ao futuro.
-
-
Ajuda para suportar o sofrimentoA Escolha do Melhor Modo de Vida
-
-
Capítulo 8
Ajuda para suportar o sofrimento
1, 2. Por que os discípulos de Jesus Cristo não podem escapar do sofrimento?
ALGUMA vez na nossa vida talvez precisemos de ajuda para resolver nossos problemas, até mesmo desesperadamente. Se nos sobreviesse uma série de tragédias em rápida sucessão, poderíamos facilmente cair no desespero total. O fardo poderá parecer superior ao que achamos poder levar. Quão bom é ter ajuda numa ocasião assim!
2 Sermos discípulos do Filho de Jeová Deus não nos exime da necessidade de ajuda. Não somos imunes às aflições. A sorte comum da humanidade continua a incluir doenças, acidentes, inundações, terremotos, tempestades, crimes, injustiças e opressões. Não devemos esperar que o Soberano Supremo use seu poder para manipular fatores hereditários e ambientais para que nós, como seus servos, possamos ficar exclusivamente livres de qualquer sofrimento por tais causas. O tempo de Deus para desfazer todos os efeitos prejudiciais do pecado humano ainda está no futuro. Se ele fizesse agora que os do seu povo levassem uma ‘vida encantada’, sem dúvida, veríamos enormes números de pessoas afluindo para servir a ele — por motivos puramente egoístas, não por amor e fé. — Veja João 6:10-15, 26, 27.
3, 4. Que sofrimentos talvez tenham os verdadeiros Cristãos, que os outros não têm, e que perguntas suscita isso?
3 Não somente sentiremos inevitavelmente aflição decorrente de condições desagradáveis, mas, por sermos servos de Deus, podemos também sofrer perseguição — talvez de parentes, de vizinhos ou conhecidos, ou das autoridades governamentais. Jesus Cristo foi ao ponto de dizer: “Então vos entregarão a tribulação e vos matarão, e sereis pessoas odiadas por todas as nações, por causa do meu nome.” (Mateus 24:9) Os fatos mostram que isso tem acontecido, até mesmo no século 20.
4 Por que permite o Deus Todo-poderoso que seus servos sofram diversas provações? Visto que o modo de vida deles não lhes garante ficarem eximidos das aflições comuns e visto que seguirem tal modo até pode torná-los “pessoas odiadas”, é de se perguntar de que maneira tal modo de vida realmente pode ser o melhor? Será que há benefícios que compensam e até superam as aflições? Pode realmente haver mais felicidade em suportar alguma provação do que em evitá-la? O que nos ajudará a sermos bem sucedidos em suportar pressões severas? As respostas a estas perguntas podem ajudar-nos e fortalecer-nos grandemente.
A QUEM CABE REALMENTE A RESPONSABILIDADE?
5. O que precisamos reconhecer sobre a causa do sofrimento?
5 É vital que não nos esqueçamos de que nosso Pai celestial não é a causa do sofrimento. Ele não introduziu o pecado no mundo. Um filho espiritual de Deus escolheu rebelar-se contra seu Criador, tornando-se assim Satanás, opositor do Altíssimo. Por causa de sua influência, o primeiro casal humano, Adão e Eva, violou deliberadamente a lei divina, trazendo sobre si a sentença de morte. (Gênesis 3:1-19; João 8:44) Visto que Adão arruinou sua perfeição, todos os seus descendentes nasceram em pecado, sujeitos à doença, debilidade, velhice e morte. (Romanos 5:12) Nós todos, como pecadores natos, deixamos em muito de ser a espécie de pessoa que gostaríamos de ser e deveríamos ser. Sem querer, por palavras e atos, podemos ferir outros, aumentando as aflições deles. Por isso, precisamos lembrar-nos de que Deus não é culpado das dificuldades produzidas pelas nossas próprias imperfeições ou pelas de nossos semelhantes. Se tivesse havido obediência à Sua lei, nunca teria vindo à existência a doença, a debilidade, a velhice e muitas outras causas de sofrimento.
6. O que acha Jeová sobre a desumanidade do homem para com o homem?
6 Por outro lado, também, nosso Pai celestial não aprova a desumanidade do homem para com o homem. A Bíblia diz: “Calcar aos pés todos os cativos da terra, violar os direitos de outrem na presença do Altíssimo, prejudicar um homem no seu litígio, o Senhor não aprova isto.” (Lamentações 3:34-36, Pontifício Instituto Bíblico) Os que maltratam os seus semelhantes, em violação da lei de Deus, terão de prestar contas a ele. “A vingança é minha; eu pagarei de volta, diz Jeová.” (Romanos 12:19) Por conseguinte, precisamos ter cuidado de que não fiquemos amargurados com nosso Pai celestial por causa do sofrimento que resulta quando os homens deliberada e rebeldemente desconsideram a lei divina.
7. Visto que Jeová Deus permite situações que nos causam sofrimentos, o que temos de concluir sobre os seus motivos para isso?
7 Naturalmente, Jeová Deus tem a capacidade de impedir que Satanás, os demônios, homens iníquos e a pecaminosidade humana causem toda espécie de situações provadoras. Mas, visto que permite que circunstâncias aflitivas assediem até mesmo seus servos, deve haver um bom motivo para isso.
EM BENEFÍCIO DOS “VASOS DE MISERICÓRDIA”
8. Que motivos são apresentados em Romanos 9:14-24 sobre por que Jeová Deus não age imediatamente contra os que fazem outros sofrer?
8 As Escrituras explicam que o propósito de Deus em não agir imediatamente contra os responsáveis pelo grande sofrimento dos outros visa o derradeiro benefício dos de disposição justa. O apóstolo cristão Paulo escreveu na sua carta aos romanos:
“Há injustiça da parte de Deus? Que isso nunca se torne tal! Porque ele diz a Moisés: ‘Terei misericórdia de quem quer que eu tiver misericórdia, e mostrarei compaixão para com quem quer que eu mostrar compaixão.’ De modo que depende, então, não daquele que deseja, nem daquele que corre, mas de Deus, que tem misericórdia. Pois a Escritura diz a Faraó: ‘Por esta mesma razão deixei-te permanecer, para que, em conexão contigo, eu mostre o meu poder, e para que o meu nome seja declarado em toda a terra.’ Assim, pois, ele tem misericórdia de quem quiser, mas deixa ficar obstinado a quem quiser.
“Tu me dirás, portanto: ‘Por que acha ainda falta? Pois, quem é que tem resistido à sua expressa vontade?’ Quem realmente és tu, então, ó homem para redargüires a Deus? Dirá a coisa moldada àquele que a moldou: ‘Por que me fizeste deste modo?’ O quê? Não tem o oleiro autoridade sobre o barro, para fazer da mesma massa um vaso para uso honroso, outro para uso desonroso? Se Deus, pois, embora tendo vontade de demonstrar o seu furor e de dar a conhecer o seu poder, tolerou com muita longanimidade os vasos do furor, feitos próprios para a destruição, a fim de dar a conhecer as riquezas de sua glória nos vasos de misericórdia, que ele preparou de antemão para glória, a saber, nós, a quem ele chamou não somente dentre os judeus, mas também dentre as nações, o que tem isso?” — Romanos 9:14-24.
9. Como mostrou Faraó que era ‘vaso de furor’?
9 Aquilo que Jeová Deus talvez faça ou permita que se desenvolva na vida das pessoas pode revelar exatamente que espécie de “vasos” elas são. Faraó, a quem Jeová avisou por meio de Moisés e Arão para que libertasse os israelitas escravizados, continuou a endurecer-se contra o Altíssimo. Quando uma praga após outra sobreveio aos egípcios, este Faraó ficou cada vez mais obstinado na sua recusa de deixar os israelitas partir do Egito como povo livre. Revelou-se assim como ‘vaso de furor’, merecendo ser destruído pela rebeldia contra a autoridade do Soberano Supremo, Jeová Deus. Ao mesmo tempo, o tratamento cruel e injusto dispensado aos israelitas demonstrou amplamente que mereciam misericórdia, pena e compaixão.
10. Como fez Jeová um grande nome para si por permitir que Faraó mantivesse sua atitude desafiadora por algum tempo?
10 Note, também, que o apóstolo Paulo chamou atenção para o fato de que o nome de Deus estava envolvido em Jeová permitir que Faraó continuasse no seu desafio obstinado. Se este altivo governante tivesse sido destruído imediatamente, não teria havido a oportunidade de se dar a conhecer o poder de Jeová Deus em escala tão extensiva e diversificada, humilhando as muitas divindades dos egípcios e os sacerdotes-magos. As dez pragas, culminadas pela destruição de Faraó e de suas forças militares no Mar Vermelho, foram uma demonstração tão impressionante do poder divino, que as nações circunvizinhas, durante anos, ainda falavam sobre isso. O nome de Jeová foi assim proclamado em toda a terra, recebendo glória e honra, e induzindo os sinceros a reconhecerem a sua posição suprema. — Josué 2:10, 11; 1 Samuel 4:8.
11. Que benefícios tiraram os israelitas de sua experiência com Faraó?
11 Os israelitas, como “vasos de misericórdia”, certamente se beneficiaram com o que o Altíssimo fizera. Permitir ele a opressão e depois acabar com ela numa demonstração magnífica de poder ajudou-os a conhecê-lo melhor, dando-lhes um vislumbre de sua grandeza, que não teriam obtido de outro modo. Embora a experiência de Israel no Egito tivesse sido dolorosa, ela certamente deve tê-los ajudado a ver a importância de terem fé no Seu poder salvador, e a ter também um temor sadio de Deus. Isto era essencial, se haviam de continuar a seguir um modo de vida que lhes desse felicidade, segurança, paz e boa saúde. — Deuteronômio 6:1-24; 28:1-68.
12. Conforme ilustra o caso de Jó, o que nos habilita a fazer a permissão do sofrimento por Jeová?
12 Assim como se tornou evidente, naquele tempo, a inclinação do coração das pessoas, assim as provas e provações que nos possam sobrevir, pela permissão de Deus, podem revelar se nosso serviço prestado a ele tem a motivação correta. O adversário de Deus, Satanás, alega que os que fazem a vontade divina são basicamente egoístas. O adversário declarou a respeito de Jó: “Tudo o que o homem tem dará pela sua alma. Ao invés disso, estende agora tua mão, por favor, e toca-lhe até o osso e a carne, e vê se não te amaldiçoará na tua própria face.” (Jó 2:4, 5) Se perseverarmos fielmente em sofrimento, participaremos em provar que a alegação de Satanás é mentira e teremos parte em vindicar o bom nome de nosso Pai celestial, que confia nos seus servos leais. O que aconteceria se Jeová permitisse que Satanás, por meio de seus agentes, sujeitasse os verdadeiros cristãos a um tratamento muito cruel, que levaria à morte ou ao aleijamento? O que aconteceria se fossem até mesmo sexualmente atacados ou ultrajados de outro modo? Tais coisas são chocantes. Contudo, nada está além do poder de nosso Pai celestial para ser retificado plenamente no seu tempo devido. Portanto, em alguns casos, ele talvez ache conveniente deixar a provação ser levada a tal ponto extremo. Os servos de Deus, por meio da fidelidade até à morte, recebem assim a oportunidade de mostrar além de qualquer refutação a genuinidade de sua devoção.
13. O que revelam as palavras de 1 Pedro 1:5-7 sobre o sofrimento a que os cristãos talvez fiquem sujeitos?
13 Embora isso possa surpreender alguns, as provações a que talvez sejamos sujeitos, quer por causas naturais, quer pela perseguição, podem não obstante melhorar-nos de maneira pessoal. Isto foi trazido à atenção pelo apóstolo Pedro. Depois de salientar que os cristãos estão sendo “resguardados pelo poder de Deus”, a fim de que a sua derradeira salvação fique assegurada, o apóstolo declarou:
“Vós vos alegrais grandemente com este fato embora atualmente, por um pouco, se preciso, sejais contristados por várias provações, a fim de que a qualidade provada da vossa fé, de muito mais valor do que o ouro perecível, apesar de ter sido provado por fogo, seja achada causa para louvor, e glória, e honra, na revelação de Jesus Cristo.” — 1 Pedro 1:5-7.
14. Por que podem os cristãos alegrar-se quando são “contristados” por provações?
14 Conforme Pedro admite, o sofrimento que talvez tenhamos de modo algum é agradável. Podemos realmente ficar “contristados” ou magoados pelas provações. No entanto, ao mesmo tempo podemos alegrar-nos. Por quê? Em parte, a alegria provém do reconhecimento de que se obtém um beneficio espiritual de se suportar com bom êxito a aflição. Qual é este benefício espiritual?
A MANEIRA EM QUE O SOFRIMENTO PODE REFINAR A FÉ
15. Que efeito podem as provações ter sobre a fé?
15 O apóstolo Pedro comparou os efeitos das provações sobre a fé do cristão à refinação do ouro por fogo. O processo de refinação elimina a escória, deixando o ouro puro. O grandemente aumentado valor do ouro certamente faz com que o processo de refinação valha a pena. Contudo, conforme disse Pedro, até mesmo o ouro provado por fogo é perecível. Pode desgastar-se ou ser destruído por outros meios. Mas isso não se dá com a fé provada ou testada. A genuína fé não pode ser destruída.
16. Por que é muito proveitoso que tenhamos fé genuína?
16 Se havemos de obter a aprovação divina, é absolutamente essencial que tenhamos tal fé. A Bíblia nos diz: “Sem fé é impossível agradar-lhe [a Deus] bem.” (Hebreus 11:6) De fato, a fé que se mostra genuína quando submetida a um teste excede em muito o valor do ouro refinado. Nosso futuro eterno depende de tal fé.
17. Que pergunta se poderia fazer quanto ao efeito das provações sobre a fé?
17 Mas como podem as provações refinar a fé, para que ela “seja achada causa para louvor, e glória, e honra, na revelação de Jesus Cristo”? Isto pode acontecer de diversas maneiras.
18. Como talvez se revele a fé sob provação, e como pode isso fortalecer-nos?
18 Se a nossa fé for forte, ela nos consolará e sustentará em tempos de dificuldades. Daí, quando passamos por uma provação com bom êxito, ficamos fortalecidos para enfrentar outras provas. A experiência terá demonstrado o que nossa fé pode fazer por nós.
19. O que poderá mostrar determinada provação quanto a fraquezas na fé, e como nos pode ajudar isso?
19 Por outro lado, determinada provação pode revelar falhas na personalidade, talvez orgulho, obstinação, impaciência, mundanismo ou amor ao ócio e aos prazeres. Tais tendências surgem realmente da fraqueza na fé. De que modo? Em que revelam que a pessoa não se sujeita plenamente à orientação e à vontade de Deus para ela. Não está convencida de que seu Pai realmente sabe melhor o que leva à felicidade, e que o acatamento da orientação divina sempre resulta em bênção. (Hebreus 3:12, 13) Quando as provações expõem fraquezas, o cristão pode estar atento à necessidade de fortalecer sua fé, para continuar como servo aprovado do Altíssimo.
20. Quando as provações revelam fraquezas na nossa fé, o que devemos fazer?
20 Portanto, quando determinada situação revela uma falha na nossa fé, podemos examinar a nós mesmos e decidir quais as medidas corretivas que devemos adotar. Convém perguntar-se: ‘Por que é fraca a minha fé? Negligencio o estudo da Palavra de Deus e a meditação nela? Aproveito plenamente as oportunidades de me reunir com concrentes, para ser fortalecido pelas suas expressões de fé? Tenho a tendência de estribar-me mais em mim mesmo do que devia, em vez de confiar todos os meus cuidados e ansiedades a Jeová Deus? Será que as orações, as orações de coração, são realmente parte diária da minha vida?’ Depois de determinados os pontos em que precisa haver melhora, temos de fazer empenho diligente para mudar nossa rotina na vida, com o objetivo de fortalecer nossa fé.
21. O que significa nossa fé ser “achada causa para louvor, e glória, e honra, na revelação de Jesus Cristo”?
21 Por recorrermos a Deus em busca de orientação e por confiarmos pacientemente nele, para nos mostrar o meio de obter alívio de nossas provações, poderemos fazer com que essas experiências provadoras nos ajudem a nos tornarmos servos melhores dele. Assim, a nossa fé será realmente “achada causa para louvor, e glória, e honra, na revelação de Jesus Cristo”. O Filho de Deus ‘louvará’, elogiará e aplaudirá nossa fé. Por causa de nossa fé, ele nos recompensará ricamente, dando-nos assim “glória”. Ele nos ‘honrará’ como seus discípulos perante Jeová Deus e os anjos. (Veja Mateus 10:32; Lucas 12:8; 18:8.) Isto significará termos diante de nós um futuro infindável de vida feliz. Mas, o que podemos fazer enquanto sofremos severamente, para que a nossa fé não enfraqueça?
COMO REAGIR SOB FORTE PRESSÃO
22. O reconhecimento de que fato sobre a duração das provações pode ajudar-nos a perseverar?
22 Uma coisa que pode ajudar-nos a suportar provações difíceis com bom êxito é reconhecer sua natureza temporária. A refinação do ouro tem começo e tem fim. Assim, também, qualquer aflição que sofremos não prosseguirá indefinidamente. Se mantivermos achegado ao coração a promessa de Deus, de vida eterna sem doença, clamor ou dor, então até mesmo o pior sofrimento neste sistema de coisas pode ser encarado como sendo apenas ‘momentâneo e leve’. (2 Coríntios 4:17) Aguarde o tempo em que, com toda a certeza, “não haverá recordação das coisas anteriores, nem subirão ao coração”. (Isaías 65:17) Quão maravilhoso é saber que estas experiências duras nem mesmo serão uma dolorosa lembrança!
23. Por que não seria usualmente a conduta excelente que nos causaria sofrimento?
23 Por outro lado, também, o grande sofrimento às mãos dos homens raras vezes é para nós uma experiência diária. Nossa conduta excelente realmente dá poucos motivos para alguém nos prejudicar. Visto que cabe às autoridades governamentais manter a lei e a ordem, elas talvez até mesmo louvem os servos de Jeová por acatarem as leis. Nos tempos modernos, até mesmo os opositores se viram obrigados a reconhecer algo similar ao que os inimigos do fiel profeta de Deus, Daniel, tiveram de admitir: “Não acharemos neste Daniel nenhum pretexto a não ser que o encontremos contra ele na lei de seu Deus.” Sim, Daniel era “digno de confiança, e não se achava nele nenhuma coisa negligente ou corruta”. (Daniel 6:4, 5) Talvez fosse pelo motivo de que a conduta excelente, em si mesma, não costuma dar motivo a que o cristão seja alvo de hostilidade, que o apóstolo Pedro levantou a seguinte pergunta: “Deveras, quem é o homem que vos fará dano se vos tornardes zelosos do que é bom?” — 1 Pedro 3:13.
24. Por que não podem os homens causar-nos dano permanente?
24 Com a sua pergunta, porém, o apóstolo talvez quisesse antes saber: ‘Quem é que realmente pode causar dano ao cristão reto?’ Ninguém nos pode causar dano duradouro. Jesus Cristo disse aos seus discípulos: “Não fiqueis temerosos dos que matam o corpo, mas não podem matar a alma; antes, temei aquele que pode destruir na Geena tanto a alma como o corpo.” (Mateus 10:28) Sim, os homens podem chegar ao ponto de matar-nos, mas não podem tirar-nos o direito a ser almas viventes. O Deus Altíssimo, por meio de seu Filho, pode devolver e devolverá a vida aos seus servos fiéis. Somente Jeová pode destruir nosso direito à vida, como seres viventes, por toda a eternidade, entregando-nos à morte infindável, sem esperança de ressurreição.
25, 26. (a) Por que podemos ser felizes quando sofremos pela causa da justiça? (b) Por que não devemos temer o que nossos perseguidores temem?
25 Por causa destas verdades, o apóstolo Pedro podia dizer aos seus irmãos cristãos: “Mesmo que sofrerdes pela causa da justiça, sois felizes. No entanto, não temais o que eles temem, nem fiqueis agitados.” — 1 Pedro 3:14.
26 Se sofremos “pela causa da justiça”, podemos ser felizes, porque temos uma consciência limpa perante Deus e os homens. Sofremos pelo motivo certo. Fazer o que sabemos ser agradável ao Altíssimo produz uma profunda satisfação íntima e paz. Mas, conforme notou o apóstolo, fazermos isso com bom êxito depende de não desistirmos por medo. O apóstolo talvez se referisse aqui ao temor que os perseguidores podem causar por trazerem aflições ao povo de Deus. Ou pode ser o medo que os próprios perseguidores têm. Por exemplo, os que se opõem aos verdadeiros cristãos, por não terem fé em que Jeová Deus, por meio de Cristo, ressuscite os mortos, têm pavor duma morte prematura. (Hebreus 2:14, 15) Nós, servos de Deus, porém, não precisamos temer o que os incrédulos temem, visto que fomos libertos do medo de tal morte e sabemos que nosso Pai celestial nunca nos abandonará. Portanto, não devemos ficar “agitados”, como que levantando-nos irados contra nossos perseguidores.
27, 28. Como nos pode ajudar o conselho de 1 Pedro 3:15 quando somos levados perante autoridades governamentais e somos interrogados de maneira dura, com menosprezo?
27 O que aconteceria se fossemos levados perante autoridades governamentais e interrogados de maneira dura, com menosprezo? Nunca vamos querer revidar. A confiança que temos em que Deus nos apóia pode fazer-nos destemidos, mas isso não é desculpa para sermos beligerantes ou arrogantes. (Veja Atos 4:5-20.) O apóstolo aconselha: “Santificai o Cristo como Senhor nos vossos corações, sempre prontos para fazer uma defesa perante todo aquele que reclamar de vós uma razão para a esperança que há em vós, fazendo-o, porém, com temperamento brando e profundo respeito.” (1 Pedro 3:15) Se deixarmos de acatar este conselho e nos permitirmos expressar desprezo e desrespeito, deixaremos de sofrer pela causa da justiça. A autoridade governamental sentir-se-á justificada em agir contra nós por motivo de insubordinação desrespeitosa. Os mundanos têm explosões de irritação, ira e amargo ressentimento quando acham que seus direitos estão sendo violados. O cristão precisa ser diferente.
28 Conforme o apóstolo aconselha, em tais circunstâncias precisamos lembrar-nos de nosso Senhor ou Amo, recordando o exemplo dele. Precisamos ter cuidado de ter o maior respeito por Jesus Cristo, dando-lhe um lugar sagrado no nosso coração. Somos seus discípulos e queremos falar com qualquer autoridade que nos interrogue como se estivéssemos na presença do próprio Senhor. O motivo de nossa atitude cristã deve ser apresentado com respeito, de maneira calma e tranqüila.
O BOM EFEITO SOBRE OS OPOSITORES
29. Que efeito pode ter sobre os opositores a fiel perseverança de alguém debaixo de sofrimento?
29 A fiel perseverança debaixo de sofrimento pode também servir para calar os opositores. O apóstolo Pedro apresenta isso como incentivo para se preservar uma consciência limpa, dizendo: “Tende uma boa consciência, para que, naquilo que se fala contra vós, fiquem envergonhados aqueles que fazem pouco de vossa boa conduta em conexão com Cristo.” (1 Pedro 3:16) Os opositores que observam a maneira paciente, sem queixas, em que os servos de Deus agem talvez fiquem envergonhados de os terem caluniado. Isto se dá especialmente quando tratamos os opositores com bondade. — Romanos 12:19-21.
30. (a) Por que não há nenhum proveito em se sofrer por fazer o mal? (b) Relacionado com o sofrimento pela causa da justiça, por que disse Pedro: “Se for a vontade de Deus”?
30 O fato de que tais benefícios podem advir de se suportar aflição com fidelidade pela causa da justiça dá força às palavras seguintes de Pedro: “Porque é melhor sofrerdes por fazer o bem, se for a vontade de Deus, do que por fazer o mal.” (1 Pedro 3:17) Que mérito haveria em alguém sofrer como ladrão, extorsor, sonegador de impostos ou como quem desafia a autoridade por um falso senso de piedade ou por zelo mal aplicado? Sua punição por isso só lançaria vitupério sobre ele mesmo e sobre seus concrentes. Mas, suportar o cristão pacientemente tais maus tratos injustos pode impressionar os outros com o poder sustentador que apóia os verdadeiros adoradores e pode açaimar as difamações da verdade de Deus e dos que a defendem. Visto que o sofrimento que talvez sobrevenha ao cristão é por permissão divina, Pedro não estava errando na apresentação do assunto, mas disse corretamente, “se for a vontade de Deus”.
PROCEDER RECOMPENSADOR, COMO NO CASO DE JESUS
31. Que resultado benéfico teve a fiel perseverança de Jesus Cristo debaixo de sofrimento?
31 Que a fiel perseverança debaixo de sofrimento pode levar a grandes bênçãos para o cristão é bem ilustrado no caso de Jesus Cristo. Não tendo pecados, não fez nada que merecesse maus tratos. Contudo, suportar ele aflições, tendo por fim uma morte vergonhosa numa estaca, resultou em maravilhosos benefícios para nós e em ele ser ricamente recompensado. O apóstolo Pedro escreveu:
“Ora, até mesmo Cristo morreu uma vez para sempre quanto aos pecados, um justo pelos injustos, a fim de conduzir-vos a Deus, sendo morto na carne, mas vivificado no espírito. Neste estado, também, ele foi e pregou aos espíritos em prisão, os quais outrora tinham sido desobedientes, quando a paciência de Deus esperava nos dias de Noé, enquanto se construía a arca, na qual poucas pessoas, isto é, oito almas, foram levadas a salvo através da água.” — 1 Pedro 3:18-20.
32. Que proveito tiramos de Cristo suportar o sofrimento até à morte?
32 Foi porque Jesus Cristo manteve integridade imaculada sob sofrimento que ele pôde renunciar à sua vida como perfeito sacrifício humano. Sua morte preparou assim o caminho para os homens serem ‘conduzidos a Deus’, sendo reconciliados com o Altíssimo e tendo diante de si a perspectiva de vida eterna. Visto que fomos beneficiados tanto por Cristo morrer a nosso favor, não devíamos estar dispostos a seguir o seu exemplo e sofrer pela causa da justiça?
33. De que nos devia dar certeza a ressurreição de Jesus Cristo quando nos confrontamos com a ameaça da morte por sermos seus discípulos?
33 Além disso, assim como no seu caso, podemos ter a certeza de que nossa fiel perseverança será abençoada. Ter sido Jesus Cristo “vivificado no espírito” ou ressuscitado para a vida espiritual representa a garantia imutável de que seus discípulos voltarão à vida. — 1 Coríntios 15:12-22.
34. Por causa da fidelidade dele, o que pode fazer Jesus Cristo com relação aos espíritos iníquos?
34 Visto que ele se saiu vencedor pela fiel perseverança, o Filho de Deus, como pessoa espiritual, pôde proclamar a mensagem de julgamento contra os “espíritos em prisão”. Sendo que a desobediência destes espíritos está vinculada com o tempo de Noé, eles devem ser os filhos angélicos de Deus, que abandonaram sua moradia original nos céus e passaram a conviver com mulheres quais maridos. (Gênesis 6:1-4) São chamados de “espíritos em prisão”, porque sua punição incluiu uma forma de restrição, por serem para sempre excluídos de seu lugar original entre os anjos fiéis. As palavras de Judas confirmam que só se podia dirigir uma mensagem de julgamento condenatório a esses anjos decaídos: “Os anjos que não conservaram a sua posição original, mas abandonaram a sua própria moradia correta, [Deus] reservou com laços sempiternos, em profunda escuridão, para o julgamento do grande dia.” (Judas 6) Foi a perseverança fiel de Jesus até a morte que lhe deu o direito a ser trazido de volta à vida e assim o colocou na condição de pregar ou proclamar este julgamento condenatório aos anjos decaídos.
35. Por que podemos ficar animados a perseverar fielmente pelo fato de que Jesus pregou a destruição aos “espíritos em prisão”?
35 Tal pregação da destruição dos espíritos iníquos devia animar-nos a perseverar fielmente quando sofremos aflição. Por quê? Porque essas forças espirituais iníquas são na maior parte responsáveis por incitar a humanidade alheada de Deus contra os discípulos de Jesus Cristo. A Bíblia nos diz: “O deus deste sistema de coisas tem cegado as mentes dos incrédulos, para que não penetre o brilho da iluminação das gloriosas boas novas a respeito do Cristo, que é a imagem de Deus.” (2 Coríntios 4:4) “[Nós, cristãos,] temos uma pugna, não contra sangue e carne, mas contra os governos, contra as autoridades, contra os governantes mundiais desta escuridão, contra as forças espirituais iníquas nos lugares celestiais.” (Efésios 6:12; veja também Revelação 16:13, 14.) Portanto, o fato de que o ressuscitado Jesus Cristo pôde pregar uma mensagem de julgamento contra os espíritos iníquos oferece a garantia de que, finalmente, a odiosa influência deles será totalmente abolida. (Veja Marcos 1:23, 24.) Que maravilhoso alívio isso dará!
36. (a) Como foi Jesus Cristo recompensado pela sua fidelidade? (b) Em vista da posição de Jesus, como devíamos encarar o sofrimento por causa de seu nome?
36 Além de Jesus Cristo ser ressuscitado dentre os mortos como servo aprovado de Deus e assim ser habilitado a dirigir uma mensagem de julgamento contra os anjos desobedientes, ele foi grandemente enaltecido. O apóstolo Pedro nos diz: “Ele está à direita de Deus, pois foi para o céu; e foram-lhe sujeitos anjos, e autoridades, e poderes.” (1 Pedro 3:22) Esta declaração concorda com as próprias palavras de Jesus após a sua ressurreição dentre os mortos: “Foi-me dada toda a autoridade no céu e na terra.” (Mateus 28:18) Muitos estiveram dispostos a sofrer e a depor sua vida no serviço de governantes humanos que tinham muito menos autoridade. Consideravam como grande honra servir a um rei ou a uma rainha de tal maneira. Quanto mais devíamos nós sentir-nos honrados de poder sofrer pela lealdade ao nosso Rei celestial, Jesus Cristo!
IMITE A JESUS CRISTO
37. O exemplo de quem devemos procurar imitar quando sofremos aflição?
37 Então, quando sofre aflição, olhe sempre para o Filho de Deus como modelo. O apóstolo escreveu: “Visto que Cristo sofreu na carne, armai-vos também da mesma disposição mental; porque aquele que tem sofrido na carne tem desistido dos pecados, com o fim de viver o resto do seu tempo na carne, não mais para os desejos dos homens, mas para a vontade de Deus.” — 1 Pedro 4:1, 2.
38. Qual foi a disposição mental de Jesus Cristo?
38 Qual foi a disposição mental de Jesus? Ele se sujeitou humildemente aos ultrajes físicos e verbais cumulados sobre ele, tendo por fim uma morte dolorosa numa estaca. Por nunca revidar, o Filho de Deus cumpriu as palavras proféticas: “Como ovelha ele foi levado à matança e como cordeiro que está sem voz diante do seu tosquiador, assim não abre a sua boca.” — Atos 8:32; Isaías 53:7.
39. O que prova que desistimos dos pecados?
39 Nós, servos do Altíssimo, queremos suportar similarmente o sofrimento, não nos entregando a um espírito de rebelião ou revide. Se ameaçássemos nossos perseguidores, procurando oportunidades para prejudicá-los, revelaríamos que ainda estamos sujeitos às paixões da carne pecaminosa. Qualquer sofrimento que recebamos das mãos dos homens devia ser exclusivamente por não seguirmos o proceder egoísta e os modos deste mundo. (João 15:19, 25) Assim podemos demonstrar em atitude, palavra e ação, que vivemos “não mais para os desejos dos homens, mas para a vontade de Deus”.
MOTIVO DE FELICIDADE
40. Por que talvez parecesse estranho a muitos crentes do primeiro século ter de sofrer pela causa de Cristo?
40 Lá no primeiro século E. C., a população idólatra não sofria por motivos religiosos. Qualquer que se tornava cristão, porém, passava a ser alvo de ódio. Sofrer perseguição deve ter sido uma experiência estranha, intrigante. Era tão diferente das bênçãos da aceitação das “boas novas” que lhe foram oferecidas. Aqueles cristãos precisavam muito duma perspectiva correta da aflição. As palavras seguintes do apóstolo Pedro certamente os devem ter animado:
“Amados, não fiqueis intrigados com o ardor entre vós, que vos está acontecendo como provação, como se vos sobreviesse coisa estranha. Ao contrário, prossegui em alegrar-vos por serdes partícipes dos sofrimentos do Cristo, para que vos alegreis e estejais também cheios de alegria durante a revelação de sua glória. Se fordes vituperados pelo nome de Cristo, felizes sois, porque o espírito de glória, sim, o espírito de Deus, está repousando sobre vós.” — 1 Pedro 4:12-14.
41, 42. (a) Em harmonia com 1 Pedro 4:12-14, como podemos encarar o sofrimento pela causa da justiça? (b) O que confirma tal sofrimento?
41 Em vez de encararmos com espanto ou surpresa a aflição que possa sobrevir-nos, podemos considerá-la como sendo preparatória para nossa participação nas bênçãos a serem recebidas na revelação de nosso Amo. Pedro referiu-se ao sofrimento como “ardor”, visto que os metais são refinados por fogo. De maneira similar, Deus permite que seus servos sejam refinados ou purificados por meio das tribulações que têm. Naturalmente, não foi Jeová Deus quem nos fez pecaminosos. Mas, visto que o somos, pode permitir que passemos por certo sofrimento como maneira de nos purificar. A aflição que talvez sintamos pode ajudar-nos a nos tornar mais bondosos, mais humildes, compassivos e compreensivos nos tratos com o nosso semelhante. Também, quando nós mesmos suportamos severas provações, nossas palavras de consolo e de encorajamento aos outros têm muito mais peso. Aqueles que consolamos sabem que entendemos as coisas por que passam.
42 Visto que o Filho de Deus sofreu, as aflições que temos são uma confirmação de que somos realmente seus discípulos, tendo união com ele. Jesus disse aos seus apóstolos: “Lembrai-vos da palavra que eu vos disse: O escravo não é maior do que o seu amo. Se me perseguiram a mim, perseguirão também a vós.” (João 15:20) Ao sermos perseguidos pelos mesmos motivos que nosso Amo e ao sofrermos aflições por causa da justiça, assim como ele, somos “partícipes dos sofrimentos do Cristo”. E assim como a sua fidelidade resultou em ele ser recompensado pelo seu Pai celestial, nossa contínua fidelidade em suportar aflições assegura-nos sermos achados aprovados na revelação do Filho de Deus. Nossa alegria certamente será transbordante porque então seremos favorecidos com a vida infindável numa nova ordem, em que não haverá mais nenhuma das causas das atuais tristezas.
43. A perseverança fiel sob sofrimento prova que temos que espírito, e por quê?
43 Conforme Pedro também declarou, levarmos o vitupério pelo nome de Cristo, quer dizer, por sermos seus discípulos, deve ser motivo de felicidade. Prova que os assim vituperados ou difamados têm o espírito de Deus ou o honroso “espírito de glória” que emana de Deus. Este espírito, sendo santo, só pode repousar sobre os que são limpos ou puros do ponto de vista de Deus.
44. Que espécie de sofrimento devemos evitar?
44 Por isso é tão vital que nos certifiquemos de que qualquer sofrimento que nos sobrevenha não possa ser atribuído a uma ação errônea da nossa parte. O apóstolo Pedro exortou: “No entanto, nenhum de vós sofra como assassino, ou como ladrão, ou como malfeitor, ou como intrometido nos assuntos dos outros.” — 1 Pedro 4:15.
45. O que resulta quando um professo cristão sofre por ter cometido um crime?
45 Quem professa ser cristão e se torna culpado dum crime contra o seu próximo não pode esperar ficar eximido da punição (Veja Atos 25:11.) Esta punição lançará vitupério sobre ele, sobre a congregação com que se associa e sobre o nome de Cristo. Ele não obtém alegria, mas vergonha.
46. (a) O que significa ser intrometido? (b) Como poderá o cristão sofrer por ser intrometido?
46 Intrometer-se nos negócios dos outros pode fazer da pessoa alvo de ódio. Como alguém se pode tornar abelhudo é sugerido pelo termo grego para “intrometido”, usado por Pedro. Significa literalmente “supervisor do que é de outrem”. Pode ser que o cristão, por ter obtido conhecimento bíblico, ache que agora está qualificado para dizer às pessoas do mundo como devem cuidar de seus próprios assuntos. Talvez promova suas próprias opiniões sobre normas de vestimenta, disciplina dos filhos, cuidar de problemas maritais e sexuais, diversões, regime alimentar, e coisas assim. Quando ele se intromete, sem ser convidado, nos problemas pessoais dos outros, dizendo-lhes o que fazer ou o que não fazer, está tentando ser “supervisor” dos assuntos deles. Isto usualmente produz ressentimentos. O intrometido pode ser informado em linguagem franca que cuide de seus próprios negócios. Talvez até mesmo sofra tratamento rude daqueles que reagem de maneira irada à intromissão na sua vida particular. O intrometido que bisbilhota os assuntos que não lhe dizem respeito causa dificuldades a si mesmo e deturpa o cristianismo e sua mensagem perante os de fora. Naturalmente, mesmo dentro da congregação não há lugar para bisbilhoteiros. — Veja 1 Timóteo 5:13.
47. Quando o cristão suporta o sofrimento, como pode isso dar glória a Deus?
47 Em contraste com a vergonha de ser exposto publicamente como violador da lei e intrometido, sofrer como cristão dá honra. Pedro escreveu: “Se ele sofrer como cristão, não se envergonhe, mas persista em glorificar a Deus neste nome.” (1 Pedro 4:16) Quando sofremos aflição por causa de nosso modo cristão de vida, suportarmos isso pacientemente e sem queixas dá glória ao Altíssimo. Prova que aquilo que nós temos, como cristãos — uma relação preciosa com Deus e Cristo, uma consciência limpa, bem-estar espiritual e uma sólida esperança quanto ao futuro — é um tesouro de grande valor. Mostramos que estamos dispostos a sofrer, e, se necessário, a morrer por isso, e isto glorifica o Deus a quem servimos sinceramente. Cedermos à pressão e renunciarmos à nossa fé, ao contrário, difamaria seu nome. Os observadores teriam séria dúvida sobre o inestimável valor de se ser discípulo de Jesus Cristo. — Veja Efésios 3:13; 2 Coríntios 6:3-10.
UMA FORMA DE DISCIPLINA OU TREINAMENTO
48. Como mostra 1 Pedro 4:17-19 que não estamos sem ajuda quando sofremos pela causa da justiça?
48 Já vimos que o sofrimento injusto dos cristãos poderia ser impedido por Jeová Deus, com a sua onipotência, mas que ele o permite por bons motivos. Entrementes, o Altíssimo nunca deixa seus servos sem ajuda. Ampliando este ponto, o apóstolo Pedro escreveu:
“Pois é o tempo designado para o julgamento principiar com a casa de Deus. Ora, se primeiro começa conosco, qual será o fim daqueles que não são obedientes às boas novas de Deus? ‘E, se o justo está sendo salvo com dificuldade, onde aparecerá o ímpio e o pecador?’ Assim, também, os que estão sofrendo em harmonia com a vontade de Deus persistam em recomendar as suas almas a um Criador fiel, enquanto estão fazendo o bem.” — 1 Pedro 4:17-19.
49. (a) Desde quando está sendo julgada a “casa de Deus”? (b) O que decide qual o veredicto final a ser dado?
49 A congregação cristã, como “casa de Deus”, teve seu começo em 33 E.C. A partir daquele tempo, seus membros estão sob julgamento divino. Sua reação à vontade dele, e sua atitude, suas palavras e ações para com o que Jeová Deus permite que lhes sobrevenha, têm muito que ver com qual será o Seu veredicto final. Às vezes, o que Jeová Deus acha conveniente permitir que lhes sobrevenha pode ser muito severo. Mas a perseguição produz uma forma de disciplina que Deus pode fazer resultar em benefício de seu povo. — Hebreus 12:4-11; veja também Hebreus 4:15, 16, onde se mostra que o sofrimento de Jesus Cristo o preparou para ser sumo sacerdote compassivo e solidário.
50, 51. Como ilustra o que aconteceu com José e Paulo que Jeová pode transformar em bênção a mesmíssima coisa que os homens talvez usem no empenho de nos prejudicar?
50 Os homens sob o controle de Satanás, por meio de maus tratos, podem tentar destruir a nossa fé. Mas Jeová pode frustrar seu objetivo iníquo. Sim, embora ele mesmo odeie o mal, nosso Pai celestial pode fazer que aquilo que se destina a prejudicar-nos resulte em algo bom. Tome o caso do filho jovem de Jacó, José. Seus meios-irmãos o odiaram e venderam em escravidão. Durante anos, José sofreu muito, inclusive encarceramento injusto. Mas, depois, Jeová Deus usou esta situação para preservar viva a família de Jacó. Sobre isso, José disse aos seus meios-irmãos:
“Agora, não vos sintais magoados e não estejais irados com vós mesmos, por me terdes vendido para cá; porque foi para a preservação de vida que Deus me enviou na vossa frente. Pois este é o segundo ano de fome no meio da terra, e ainda haverá cinco anos em que não haverá nem lavoura nem colheita. Por conseguinte, Deus enviou-me na frente de vós, a fim de por para vós um restante na terra e para vos preservar vivos por meio dum grande escape. Agora, pois, não fostes vós quem me enviastes para cá, mas foi o verdadeiro Deus, a fim de me designar pai para Faraó e senhor para toda a sua casa, e como aquele que domina sobre toda a terra do Egito.” — Gênesis 45:5-8.
51 De maneira similar, quando o apóstolo Paulo se viu preso em Roma, esta situação desfavorável serviu para promover a causa da verdadeira adoração. Ele escreveu na sua carta aos filipenses:
“Meus irmãos, eu quero que vocês saibam que as coisas que me aconteceram ajudaram de fato no progresso das Boas-Notícias. Pois foi assim que toda a guarda do palácio e todos os outros souberam que estou na prisão porque sou servo de Cristo. E a maioria dos irmãos, vendo que estou na prisão, tem mais confiança no Senhor. Assim, ficam cada vez mais animados para anunciarem, sem medo, a mensagem de Deus.” — Filipenses 1:12-14, A Bíblia na Linguagem de Hoje.
52. Por que não se pode esperar que “o ímpio e o pecador” apareçam?
52 Visto que Jeová Deus permite que seus servos leais sofram tratamento severo para refiná-los e para que demonstrem sua devoção, como poderíamos imaginar que o “ímpio e o pecador”, dentro da congregação cristã ou “casa de Deus”, poderiam até mesmo ‘aparecer’ perante Ele, ao lado do “justo”, dentro da mesma congregação? O salmista declarou: “Os iníquos não se levantarão no julgamento, nem os pecadores na assembléia dos justos.” (Salmo 1:5) Não, os iníquos não estarão em pé como aprovados, mas serão condenados. Talvez sejam encontrados na assembléia dos justos, mas nunca ‘aparecerão’ em condição favorável perante Deus. Em vista de tudo o que todos os crentes têm de encarar neste mundo, serem finalmente salvos para a vida eterna requer verdadeiro esforço, amor e fé no caminho da justiça. Por isso, sua salvação é “com dificuldade”. Por conseguinte, cabe a todos os membros da congregação cristã (“a casa de Deus”) evitar serem ‘ímpios’ e ‘pecadores’ neste “tempo designado” de julgamento. — 1 Pedro 4:17, 18; Provérbios 11:31.
53. (a) Quando sofremos, que consolo podemos tirar do fato de que Jeová é “um Criador fiel”? (b) Como devemos reagir diante dos que nos perseguem?
53 Talvez nos sobrevenham provações que simplesmente não poderíamos suportar na nossa própria força. Mas, não importa quão lastimável se torne nossa situação, Jeová Deus pode sustentar-nos e desfazer totalmente o dano que talvez soframos. Quando nos entregamos completamente a ele, poderá fortalecer-nos por meio de seu espírito para suportarmos o sofrimento. Visto que ele é “um Criador fiel”, como diz Pedro, um Deus em quem podemos confiar, ele não será infiel à sua promessa de auxiliar seus servos. (1 Pedro 4:19) Este conhecimento pode ajudar-nos a evitar reagirmos dum modo que desonre a Deus para com os que nos perseguem. Em vez de combatê-los, pagando-lhes na mesma moeda, desejaremos continuar a fazer o bem. — Luc. 6:27, 28.
54. Como nos humilhamos sob a mão de Deus, e de que proveito é isso para nós?
54 Se suportarmos humildemente o que nos possa sobrevir, mantendo uma disposição igual à de Cristo, poderemos confiar em que Jeová nos enaltecerá. Nenhuma prova continuará indefinidamente. Terá o seu fim. Enquanto nos comportarmos em harmonia com a vontade divina, ao passo que sofremos maus tratos, permaneceremos na mão de Jeová. E esta mão pode enaltecer-nos e exaltar-nos como seus servos provados e experimentados. Isto é o que o apóstolo Pedro recomenda: “Humilhai-vos, portanto, sob a mão poderosa de Deus, para que ele vos enalteça no tempo devido, ao passo que lançais sobre ele toda a vossa ansiedade, porque ele tem cuidado de vós.” — 1 Pedro 5:6, 7.
55. Embora não possamos fugir das provações, de que podemos aliviar-nos, e como?
55 Quão animador é saber que Jeová cuida genuinamente de nós! Seu amor acalenta-nos o coração; seu espírito nos fortalece e sustenta. Daí, quando determinada prova tiver acabado e nós olharmos para trás, para o cuidado amoroso de Jeová, sentir-nos-emos atraídos a ele. A situação é comparável à duma criança apreciativa que sentiu o amor e o cuidado de pais preocupados, numa época em que esteve seriamente doente. Sua confiança e seu amor são muito fortalecidos. De fato, quando a situação é muito provadora, não podemos simplesmente fugir dela. Mas podemos lançar nossa ansiedade ou preocupação sobre Jeová Deus. Não precisamos preocupar-nos com quanto tempo poderemos suportar um espancamento impiedoso por uma turba enfurecida, os ataques sexuais de agressores ou outras atrocidades. Com a ajuda de nosso amoroso Pai celestial, podemos agüentar e obter uma vitória moral sobre os nossos perseguidores por permanecermos fiéis ao nosso Deus. Esta garantia elimina de nós a ansiedade que nos privaria da paz mental e de coração, tão essenciais para permanecermos firmes em face de provações.
56. Quando lançamos nossas ansiedades sobre Jeová, por que não significa isso que podemos ficar despreocupados com a nossa reação em provações?
56 No entanto, isto não quer dizer que, por lançarmos nossas ansiedades sobre Jeová, podemos ficar complacentes ou indiferentes. Temos um inimigo. “Mantende os vossos sentidos, sede vigilantes”, escreveu Pedro. “Vosso adversário, o Diabo, anda em volta como leão que ruge, procurando a quem devorar.” — 1 Pedro 5:8.
57. O que está Satanás interessado em fazer?
57 Em harmonia com o conselho do apóstolo, não podemos dar-nos ao luxo de ser descuidados em face de aflições. O adversário só está à espera para uma chance de nos fazer cair. Se Satanás puder conseguir fazer-nos duvidar da fidelidade de nossos irmãos ou de algum outro modo enfraquecer-nos espiritualmente, ele o fará. Nossa retirada da associação com a congregação cristã, ou pararmos de expressar nossa fé a outros, significaria sermos tragados por Satanás, o “leão que ruge”, que sempre está atento à caça desapercebida.
58. Que conhecimento sobre nossos irmãos pode ajudar-nos a permanecermos fiéis?
58 Para nos mantermos atentos, nos ajudará lembrar sempre que não estamos sozinhos ao suportar sofrimentos. Nossos irmãos cristãos, em todo o mundo, suportam diversos tipos de aflição. E, com a ajuda do espírito de Deus, são bem sucedidos em perseverar fielmente em provações. Este reconhecimento pode ajudar-nos a evitar que sejamos vítimas dos laços de Satanás, porque nos dá confiança em que também podemos agüentar na força de Jeová. Portanto, “tomai vossa posição contra ele, sólidos na fé, sabendo que as mesmas coisas, em matéria de sofrimentos, estão sendo efetuadas na associação inteira dos vossos irmãos no mundo”. — 1 Pedro 5:9.
59, 60. De que modo obtemos o maior benefício de nossas provações?
59 Visto que Jeová Deus quer que sejamos bem sucedidos e obtenhamos a salvação, podemos esperar com confiança que ele nos ajude. Ao mesmo tempo, podemos aceitar o que nos sobrevém, pela permissão de Deus, como disciplina valiosa para nos tornar cristãos completos, plenamente desenvolvidos, fortes na fé. O apóstolo Pedro expressou isso belamente, dizendo:
“Depois de terdes sofrido por um pouco, o próprio Deus de toda a benignidade imerecida, que vos chamou à sua eterna glória em união com Cristo, completará o vosso treinamento; ele vos fará firmes, ele vos fará fortes. Dele seja o poderio para sempre. Amém.” — 1 Pedro 5:10, 11.
60 Assim como Jesus Cristo sofreu por um pouco de tempo, enquanto esteve na terra, e foi depois grandemente enaltecido, assim os discípulos do Filho de Deus podem aguardar uma gloriosa recompensa. Se o sofrimento que nos possa sobrevir pela permissão divina nos fizer mais fortes na nossa aderência às normas da Bíblia, e discípulos mais humildes, compassivos e compreensivos do Filho de Deus, então esta forma de instrução e amoldagem terá servido ao seu fim. Para que seja assim, precisamos confiar plenamente no nosso Pai celestial, certos de que aquilo que ele permitir garantirá finalmente nosso eterno bem-estar e felicidade, se nos sujeitarmos humildemente. (Romanos 8:28) No espírito do apóstolo Pedro, podemos elevar a voz, dizendo: ‘Graças a Deus, por nos deixar ser instruídos por meio de provações e por nos ajudar a ser firmes e fortes, como seus servos aprovados, visando a vida eterna!’
-
-
Homens que podem ajudá-lo a ser bem sucedidoA Escolha do Melhor Modo de Vida
-
-
Capítulo 9
Homens que podem ajudá-lo a ser bem sucedido
1, 2. (a) Quando confrontados com aflição, do que precisamos dos outros? (b) Na congregação cristã, especialmente quem pode prover isso?
UMA palavra animadora em tempo de aflição, a mão ajudadora quando ameaça haver dificuldades — quanta bênção elas podem ser! Em vista dos obstáculos que se interpõem no nosso caminho ao passo que avançamos para alcançar o objetivo da vida eterna, tal ajuda é deveras vital. Certamente é uma bênção que na congregação cristã há irmãos mais idosos. fiéis, que podem prover a edificação e o consolo muito necessários.
2 A Bíblia fala destes “pastores” como sendo “dádivas em homens”, que Jesus Cristo proveu para a edificação da congregação em amor. (Efésios 4:7-16) Portanto, caso sinta alguma vez que está enfraquecendo na fé, esteja intrigado, perplexo ou desanimado, por causa de problemas ou provações, deve recorrer aos devotos anciãos, para que lhe ajudem a apegar-se à sua decisão de permanecer como discípulo aprovado do Filho de Deus.
3. Que admoestação se dá nos anciãos em 1 Pedro 5:1-3?
3 Um exame do que o apóstolo Pedro escreveu aos anciãos ilustra muito bem como e por que eles podem servir de fortalecimento para você. Lemos:
“Dou esta exortação aos anciãos entre vós, pois eu também sou ancião com eles e testemunha dos sofrimentos do Cristo, parceiro na glória que há de ser revelada: Pastoreai o rebanho de Deus, que está aos vossos cuidados, não sob compulsão, mas espontaneamente; nem por amor de ganho desonesto, mas com anelo; nem como que dominando sobre os que são a herança de Deus, mas tornando-vos exemplos para o rebanho.” — 1 Pedro 5:1-3.
4. Como mostra a linguagem de Pedro que ele não se enalteceu acima dos anciãos aos quais escreveu?
4 Podemos alegrar-nos de que há homens cristãos que querem acatar o conselho do apóstolo Pedro. Por prestarem ajuda espiritual aos membros da congregação, provêem ajuda no mesmo espírito como o mostrado pelo apóstolo. O amor a Deus e aos irmãos é o que os motiva. Note que Pedro não se enalteceu acima dos anciãos que exortava e animava. Chamou a si mesmo de “ancião com eles”, quer dizer, de ‘co-ancião’. O apóstolo classificou-se assim como irmão que tinha compreensão compassiva da posição deles como anciãos na congregação. Tal atitude compassiva nos tratos com concrentes faz com que o ancião seja verdadeira bênção para seus irmãos.
5. De que maneira foi Pedro “testemunha dos sofrimentos do Cristo”?
5 As palavras de Pedro mostram também que ele reconheceu a pesada responsabilidade que se lhe confiara. Identificou-se como “testemunha dos sofrimentos do Cristo, parceiro na glória que há de ser revelada”. Pedro sabia de primeira mão como o Filho de Deus foi vituperado, fisicamente ultrajado e finalmente pregado numa estaca. Tinha sido testemunha ocular e tinha visto o ressuscitado Jesus Cristo, bem como sua ascensão ao céu. E ele disse na sua segunda carta:
“Não foi por seguirmos histórias falsas, engenhosamente inventadas, que vos familiarizamos com o poder e a presença de nosso Senhor Jesus Cristo, mas foi por nos termos tornado testemunhas oculares da sua magnificência. Pois ele recebeu de Deus, o Pai, honra e glória, quando pela glória magnificente lhe foram dirigidas palavras tais como estas: ‘Este é meu Filho, meu amado, a quem eu mesmo tenho aprovado.’ Sim, estas palavras nós ouvimos dirigidas desde o céu, enquanto estávamos com ele no monte santo.” — 2 Pedro 1:16-18; veja Mateus 16:28 a 17:9.
6. Por que tiveram os anciãos, aos quais Pedro se dirigiu, um bom motivo para acatar as palavras dele?
6 Os anciãos, aos quais Pedro deu tal incentivo, certamente tiveram um bom motivo para prestar atenção às palavras dum co-ancião, que podia chamar a si mesmo de ‘testemunha dos sofrimentos do Cristo e parceiro na glória que há de ser revelada’. O apóstolo não somente apelou para eles de maneira humilde, mas também o seu próprio exemplo era digno de imitação, pois, conforme mostra o registro bíblico, ele divulgou a outros as coisas de que tinha sido testemunha ocular, de maneira ativa e às vezes com muito perigo para si mesmo. — Atos 2:22-38; 4:8-12, 19, 20; 5:29-32.
7, 8. (a) O que deve o ancião reconhecer sobre a quem pertence o rebanho? (b) Como deve afetar isso a maneira em que ele trata o rebanho?
7 Para um ancião ser hoje igual a Pedro, ele precisa reconhecer que os membros da congregação não pertencem a ele, mas a Jeová Deus. O apóstolo Paulo também chamou atenção para este fato importante. Ele disse aos anciãos da congregação de Éfeso: “Prestai atenção a vós mesmos e a todo o rebanho, entre o qual o espírito santo vos designou superintendentes para pastorear a congregação de Deus, que ele comprou com o sangue do seu próprio Filho.” — Atos 20:28.
8 Jeová Deus, a um grande custo para si mesmo, adquirira os membros da congregação cristã como propriedade sua. Não se poderia ter pago um preço maior do que o do sangue de seu Filho sem pecados. Quando os anciãos têm o conceito de Jeová sobre o valor da congregação aos seus cuidados, são ajudados a serem diligentes em ajudar a cada pessoa a permanecer como propriedade honrosa do Altíssimo. Teriam de prestar contas a Deus por quaisquer maus tratos dados ao rebanho. É por isso que os anciãos deviam esforçar-se a ter o devido apreço pelo valor de cada pessoa na congregação. Isto pode servir como forte freio contra a adoção de ares de superioridade para com o rebanho, e o tratamento dele de maneira dura e dominante. (Contraste isso com Atos 20:29.) Individualmente, os membros da congregação são muito edificados pelos irmãos que lhes atribuem a dignidade e o respeito que lhes são devidos. Dá a todos um sentido de segurança, quando os anciãos mostram ser verdadeiros “pastores”, cuidando do bem-estar espiritual e físico do rebanho inteiro.
“NÃO SOB COMPULSÃO, MAS ESPONTANEAMENTE”
9, 10. (a) Como poderia um ancião estar pastoreando “sob compulsão”? (b) O que mostraria que ele esta pastoreando “espontaneamente” a congregação?
9 Em qualquer situação em que se precisa de ajuda, acha-se muito mais fácil chegar-se a alguém que não somente tem a capacidade de prestar ajuda, mas também o desejo de fazer isso. Apropriadamente, Pedro exortou que os anciãos fizessem seu pastoreio “não sob compulsão, mas espontaneamente”. (1 Pedro 5:2) Para o homem ser bom “pastor” na congregação, ele precisa precaver-se para que não faça seu trabalho apenas por um senso de dever. Se cuidar da congregação se tornasse apenas uma tarefa enfadonha sem alegria, o ancião apenas cumpriria sua tarefa “sob compulsão”. O rebanho notaria isso e se retiraria, não querendo aumentar o fardo do ancião com os seus próprios problemas. Mas, quando o ancião tem alegria em cuidar de suas responsabilidades, porque realmente quer fazer o trabalho, os membros da congregação se sentirão atraídos a ele. Esta disposição de servir provém do profundo amor a Deus e à congregação de seu povo. É evidência de que o ancião está desempenhando seu ministério para com o rebanho com a atitude correta.
10 Naturalmente, o ancião precisa usar de bom critério, para que não se sobrecarregue com mais tarefas do que pode razoavelmente assumir. Com o progresso dos anos e a saúde enfraquecida, ele talvez não consiga mais fazer tanto quanto em anos anteriores, o que requer que peça que outros homens capacitados o ajudem. Não obstante, ainda pode ter verdadeira alegria em ser “pastor” espontâneo dentro das suas limitações.
“NEM POR AMOR DE GANHO DESONESTO, MAS COM ANELO”
11. Por que há perigo em pastorear a congregação “por amor de ganho desonesto”?
11 Além de mostrar um espírito de espontaneidade, o ancião precisa ter também motivação pura e altruísta, se há de ser de verdadeira ajuda aos seus irmãos. O apóstolo Pedro acautela contra alguém servir como pastor “por amor de ganho desonesto”. Usar a designação de pastor para obter bens materiais, louvor ou poder seria uso desonesto dela. É verdade que a Bíblia aconselha que se dê “dupla honra” aos homens que trabalham arduamente no ensino. (1 Timóteo 5:17, 18) Mas, tal “dupla honra” sempre deve proceder espontaneamente dos membros da congregação, não sendo nunca procurada pelo ancião ou encarada como algo que de direito pode esperar ou exigir deles. O ancião talvez receba destaque porque sua situação o deixa livre para participar mais extensamente na atividade do Reino do que outros, ou por ter algumas aptidões que o destacam. Poderá facilmente surgir a tentação de tirar proveito de seu destaque, levando-o a querer, e até mesmo a insinuar, certas coisas materiais que outros talvez lhe possam dar. Isto poderia induzi-lo a se associar principalmente com os mais prósperos na congregação e negligenciar outros. Pode querer louvor, mas pode ficar frio ou até mesmo ressentido diante de crítica válida ou conselho.
12, 13. Como mostrou o apóstolo Paulo que serviu “com anelo” aos seus irmãos?
12 Embora isso possa acontecer com relativamente poucos homens na atual congregação cristã, os anciãos não devem minimizar o perigo. Mesmo em manifestações bem pequenas deve-se resistir a esta tendência de procurar benefícios materiais por meio das relações espirituais. O apóstolo cristão Paulo deu um excelente exemplo neste sentido. Ele podia dizer aos anciãos da congregação de Éfeso:
“Lembrai-vos de que por três anos, noite e dia, não cessei de admoestar a cada um de vós, com lágrimas. . . . De ninguém cobicei a prata, ou o ouro ou a vestimenta. Vós mesmos sabeis que estas mãos têm cuidado das minhas necessidades, bem como das daqueles que estavam comigo. Eu vos exibi em todas as coisas que, por labutardes assim, tendes de auxiliar os que são fracos e tendes de ter em mente as palavras do Senhor Jesus, quando ele mesmo disse: ‘Há mais felicidade em dar do que há em receber.’” — Atos 20:31-35.
13 A congregação tira imensurável proveito de homens que trabalham “com anelo” como o fez Paulo. Ele tinha prazer em servir seus irmãos, nunca almejando nada do que eles possuíssem e de que pudesse tirar proveito. Tinha alegria em dar liberalmente de si mesmo para edificar os seus irmãos.
14. O que aprendemos de 1 Tessalonicenses 2:5-8 sobre o que está incluído em pastorear a congregação “com anelo”?
14 A maneira sem hipocrisia em que ele e seus companheiros serviram é esclarecida nas suas palavras aos tessalonicenses:
“Nunca nos apresentamos quer com palavras lisonjeiras, (conforme sabeis,) quer com fingimento para cobiça, Deus é testemunha! Nem estivemos buscando glória dos homens, não, nem de vós, nem de outros, embora, como apóstolos de Cristo, pudéssemos ser um fardo dispendioso. Ao contrário, tornamo-nos meigos entre vós, como a mãe lactante que acalenta os seus próprios filhos. Tendo assim terna afeição por vós, de bom grado não só vos conferimos as boas novas de Deus, mas também as nossas próprias almas, porque viestes a ser amados por nós.” (1 Tessalonicenses 2:5-8)
Sim, em vez de procurar lucro pessoal dos membros da congregação, Paulo agiu assim como faz a mãe lactante que ama profundamente os seus filhos e coloca os interesses deles à frente de seus próprios. — Veja João 10:11-13.
15. Como devem os anciãos procurar pastorear o rebanho?
15 Além de ter a motivação correta por causa da preocupação com o rebanho, o ancião precisa lembrar-se da importância de cuidar da congregação da maneira certa. O apóstolo Pedro aconselhou os anciãos a ‘não dominarem sobre os que são a herança de Deus, mas a se tornarem exemplos para o rebanho’. (1 Pedro 5:3) Em harmonia com esta admoestação, os anciãos não se exaltam acima de seus irmãos. Isto seria contrário às instruções que Jesus deu aos seus seguidores:
“Não sejais chamados Rabi, pois um só é o vosso instrutor, ao passo que todos vós sois irmãos. Além disso, não chameis a ninguém na terra de vosso pai pois um só é o vosso Pai, o Celestial. Tampouco sejais chamados ‘líderes’, pois o vosso Líder é um só, o Cristo. Mas o maior dentre vós tem de ser o vosso ministro.” (Mateus 23:8-11)
Portanto, em vez de dar ordens como se fosse mestre, ou tentar gerir a vida dos membros da congregação, o ancião é homem que trabalha humildemente como escravo para seus irmãos. Por meio de seu exemplo, exorta o rebanho a ser igual a Cristo. — Veja 1 Tessalonicenses 2:9-12.
16. Por que é possíveis chegar-se aos anciãos fiéis com confiança?
16 Quando os próprios anciãos dão um bom exemplo de vida e atividade cristãs, podem fazer muito para ajudar seus concrentes a finalmente serem achados aprovados por Jeová Deus Além disso, Jesus Cristo, o “pastor principal”, debaixo de quem servem, recompensará todos os sub-pastores fiéis por ocasião de sua gloriosa manifestação como “Rei dos reis e Senhor dos senhores”. (Revelação 19:16; 1 Timóteo 6:15) Conforme escreveu o apóstolo Pedro: “Quando o pastor principal tiver sido manifestado, recebereis a coroa imarcescível da glória.” (1 Pedro 5:4) Deveras, os homens que servem aos seus irmãos pelo motivo correto, com a motivação certa e da maneira correta, são de verdadeira ajuda à congregação, contribuindo para que encontrem grande alegria no seu modo cristão de vida. (2 Coríntios 1:24) Não hesite em recorrer à ajuda dos anciãos fiéis, sempre que necessário.
-
-
Proteja sua esperança cristãA Escolha do Melhor Modo de Vida
-
-
Capítulo 10
Proteja sua esperança cristã
1. O que faz com que os “novos céus e uma nova terra” sejam tão desejáveis?
QUÃO maravilhoso é pensar na perspectiva de vida sem dor, sem tristeza, nem morte! Todavia, na realidade, é ainda mais maravilhoso que a nossa isenção dessas coisas virá por meio da eliminação da imperfeição e do pecado. Quanta bênção é não mais ter de lutar contra inclinações e tendências erradas, de que sabemos que resultam apenas em prejuízo para nós e para outros! Será deveras uma alegria quando cada palavra que proferirmos, cada pensamento que tivermos e cada uma de nossas ações forem para o bem de todos, refletindo genuinamente a maneira de ser de nosso Pai celestial e nunca sendo por motivação egoísta. Sim, com toda a certeza, a justiça será abundante nos ‘novos céus e na nova terra’ criados por Deus. Certamente, vale a pena proteger tal esperança. — 2 Pedro 3:13.
2. (a) O que teremos de fazer para ver o cumprimento de nossa esperança cristã? (b) Por que não nos deve surpreender que homens egotistas podem ser encontrados entre os que professar, ser cristãos?
2 Para vermos o cumprimento de nossa esperança cristã, precisamos mantê-la em destaque diante de nós e viver em harmonia com ela. Podemos fazer isso apenas quando resistimos a todas as influências que diminuiriam ou destruiriam a nossa esperança. Ocasionalmente, tal influência prejudicial pode provir de pessoas que não têm mentalidade espiritual e que procuram seus próprios interesses, mas que se associam com a congregação do povo de Deus. Isso não nos deve surpreender, porque o apóstolo Pedro escreveu: “Houve também falsos profetas entre o povo [de Israel], assim como haverá falsos instrutores entre vós [cristãos].” (2 Pedro 2:1a) Assim como aconteceu com o Israel natural, também os cristãos estão sujeitos a corrução de dentro da congregação.
“INTRODUZIRÃO QUIETAMENTE SEITAS DESTRUTIVAS”
3, 4. Como descreveu o apóstolo Pedro a maneira em que os falsos instrutores propagam o erro?
3 O apóstolo Pedro prosseguiu, comentando como operam os proponentes do erro: “Estes mesmos introduzirão quietamente seitas destrutivas.” (2 Pedro 2:1b) O apóstolo não estava escrevendo sobre aqueles que simplesmente têm dificuldade em entender certos assuntos, ou sobre aqueles cujos conceitos honestos talvez não coincidam em todos os sentidos com os da maioria. (Veja Romanos 14:1-6.) Ele tratou antes daqueles que deliberadamente agem para dividir e corromper.
4 Esses raras vezes são acessíveis, francos ou diretos. Em geral, ‘introduzem’ seus conceitos antibíblicos de maneira quieta e camuflada. No grego original, usado pelo apóstolo Pedro, a frase “introduzirão quietamente” literalmente é “introduzirão pela lateral, ou junto com”. Este é o seu método Junto com alguma doutrina bíblica sólida, introduzem aos poucos e de maneira sutil os seus conceitos divisórios ou corrompedores. Condicionando a mente de seus ouvintes primeiro com algumas verdades óbvias, ou mesmo por um longo raciocínio complicado, amiúde conseguem que estes aceitem algum princípio que só pode levar ao erro. Eles podem usar a Bíblia, mas realmente não a ensinam, empregando aquilo que acham conveniente e adaptando seus ensinos para ajustar-se ao que, por vantagens pessoais, procuram promover. De modo que aquilo a que falta realmente alguma sólida base bíblica se dá a aparência de ser verdade.
5. Como ilustra a maneira em que Satanás enganou Eva os métodos de alguém que ensina falsidade?
5 Este processo é bem ilustrado pela maneira em que Satanás enganou Eva, por meio da serpente. Inicialmente, suscitou-se uma pergunta aparentemente inocente: “É realmente assim que Deus disse, que não deveis comer de toda árvore do jardim?” (Gênesis 3:1) Esta pergunta pervertia a verdade. Dava a entender que o Altíssimo impunha uma restrição indevida, privando os primeiros humanos de algo a que tinham direito. As palavras da serpente devem ter induzido Eva a imaginar por que é que não podia comer da “árvore do conhecimento do que é bom e do que é mau”. Desta maneira, Satanás condicionou-lhe a mente a ponto de querer uma resposta. Daí veio a resposta específica da serpente: “Positivamente não morrereis. Porque Deus sabe que, no mesmo dia em que comerdes dele, forçosamente se abrirão os vossos olhos e forçosamente sereis como Deus, sabendo o que é bom e o que é mau.” — Gênesis 3:4, 5.
6. (a) Que fatores tornaram Eva suscetível a aceitar o erro? (b) Como se formou um grupo herético em resultado da mentira de Satanás?
6 Visto que a mente de Eva fora sutilmente preparada para isso, a resposta mentirosa não lhe provocou um choque. O fato de que “a serpente mostrava ser a mais cautelosa” de todos os animais parece sugerir que tal criatura dificilmente poderia ser a fonte duma informação errada. (Gênesis 3:1) Além disso, a árvore era atraente e seu fruto parecia ser bom para alimento. Eva foi totalmente enganada. Depois de comer do fruto proibido, ela persuadiu Adão a juntar-se a ela na rebelião contra Deus. (Gênesis 3:6) Desta maneira, as palavras mentirosas da serpente conseguiram apartar os primeiros humanos de seu Pai celestial. Na realidade, formou-se um grupo herético de duas pessoas.
7. (a) Por que é Cristo repudiado pelos que causam divisões na congregação? (b) Por que se pode dizer que eles ‘trazem sobre si mesmos uma destruição veloz’?
7 Por meios similares, homens podem fomentar um espírito divisório na congregação, um espírito “partidarista” de rivalidade. Visto que uma facção assim tem suas raízes no erro e deliberadamente procura criar a desunião, sua atitude e seu ensino difamam o Filho de Deus, que comprou a congregação cristã com o seu sangue. Portanto, o apóstolo Pedro disse que tais pseudo-instrutores ‘repudiam até mesmo o dono que os comprou, trazendo sobre si mesmos uma destruição veloz’. Sim, uma vez que alguém deixa de se apegar a Cristo como chefe, ele o repudia e se lança num proceder que é moral e espiritualmente desastroso. Só pode haver um resultado: a destruição. Quando chegar o tempo para a execução da sentença condenatória, não haverá demora. A justiça será rápida. Os envolvidos, por voluntariamente adotarem o erro, ‘trazem sobre si mesmos uma destruição veloz’. — 2 Pedro 2:1.
8. Que efeito pode ter a “conduta desenfreada” de professos cristãos sobre os de fora da congregação?
8 Lamentavelmente, tais pessoas, por afirmarem ser cristãos, ao passo que se comportam de maneira desenfreada, maculam a boa reputação dos servos fiéis de Deus. Muitos dos que observam a conduta depravada de certas pessoas que professam ser cristãos começam a falar mal ou de modo ultrajante de todos os que se identificam como tais. Este é o ponto salientado por Pedro, quando escreveu: “Outrossim, muitos seguirão os seus atos de conduta desenfreada, e, por causa destes, falar-se-á de modo ultrajante do caminho da verdade.” — 2 Pedro 2:2.
PREVINA-SE CONTRA SER ‘EXPLORADO COM PALAVRAS SIMULADAS’
9. (a) O que motiva os homens corrutos a tentarem conseguir seguidores? (b) O que acontecerá a tais homens e aos que são enganados por eles?
9 O que motiva tais homens corrutos a procurarem seguidores? O apóstolo Pedro respondeu: “Explorar-vos-ão também em cobiça com palavras simuladas.” (2 Pedro 2:3a) Tais pessoas procuram obter vantagens materiais para si mesmos ou querem poder, autoridade e honra, que acompanham alguém quando é encarado como instrutor. Por meio de “palavras simuladas”, quer dizer, por declarações enganosas, inclusive por argumentos plausíveis, empenham-se em se aproveitar de outros, explorando-os. Visto que tanto a motivação como o ensino é errado, o resultado para os envolvidos é a ruína. O apóstolo Pedro prosseguiu:
“Quanto a eles, o julgamento, desde a antiguidade, não está avançando vagarosamente e a destruição deles não está cochilando. Certamente, se Deus não se refreou de punir os anjos que pecaram, mas, lançando-os no Tártaro, entregou-os a covas de profunda escuridão, reservando-os para o julgamento; e ele não se refreou de punir um mundo antigo, mas preservou a Noé, pregador da justiça, junto com mais sete, quando trouxe um dilúvio sobre um mundo de pessoas ímpias, e, reduzindo a cinzas as cidades de Sodoma e Gomorra, ele as condenou, estabelecendo para as pessoas ímpias um modelo das coisas que hão de vir; e ele livrou o justo Ló, a quem afligia grandemente que os que desafiavam a lei se entregavam à conduta desenfreada — porque esse justo, pelo que via e ouvia de dia a dia, enquanto morava entre eles, atormentava a sua alma justa em razão das ações deles contra a lei — Jeová sabe livrar da provação os de devoção piedosa, mas reservar os injustos para o dia do julgamento, para serem decepados, porém, especialmente os que vão atrás da carne com o desejo de aviltá-la e que menosprezam o senhorio.” — 2 Pedro 2:3-10.
10. (a) Quando ocorreu a primeira expressão do julgamento de Deus contra a ‘descendência da serpente’? (b) Por que sua execução “não esta avançando vagarosamente”?
10 A sentença de execução, que Deus decretou “desde a antiguidade” contra todos os que vêm a pertencer à ‘descendência da serpente’, sem falta será cumprida. (Gênesis 3:15; João 8:44; Judas 14, 15) Embora fosse originalmente proferido há uns 6.000 anos e fosse repetido desde então, este julgamento “não está avançando vagarosamente”, como se nunca fosse chegar. A destruição virá com certeza, porque não está cochilando. Está bem viva no propósito de Deus.
11. (a) O que aconteceu com os anjos desobedientes, e o que ainda os aguarda? (b) O que provam a punição dos anjos, a destruição dos ímpios no Dilúvio e a aniquilação dos habitantes de Sodoma e Gomorra?
11 Conforme Pedro notou, até mesmo os anjos, que haviam usufruído a própria presença de Deus, mas que mais tarde se tornaram infiéis, não foram poupados a serem ‘lançados no Tártaro’, quer dizer, a serem rebaixados ao máximo. Cortados de todo o esclarecimento divino, expulsos de sua posição original nos céus e limitados na sua atividade, os anjos desobedientes encontram-se numa condição comparável à de “covas de profunda escuridão”, aguardando a execução judicial às mãos de Jesus Cristo. (Veja Revelação 20:1-3, 7-10.) De maneira similar, Jeová Deus não se refreou de destruir todo um mundo de pessoas corrutas num dilúvio global, nem de agir contra os sexualmente depravados habitantes de Sodoma e Gomorra, nos dias de Ló. Apenas pessoas justas, tais como Noé e sua família, e como Ló, podem esperar escapar do julgamento divino e ficar livres da provação resultante da vida no meio dos que são contra a lei. Todavia, a afirmação de ser cristão não salvará a ninguém que procura aviltar a carne dos outros por cometer imoralidade.
PREVINA-SE CONTRA OS QUE DESRESPEITAM A AUTORIDADE
12, 13. Conforme mostra 2 Pedro 2:10b, 11, que atitude tem os corrutos para com a autoridade?
12 As más motivações de pessoas corrutas amiúde podem ser discernidas pela sua atitude para com a autoridade. “Menosprezam o senhorio”, desprezando qualquer tipo de autoridade. O apóstolo Pedro prosseguiu com a sua descrição: “Atrevidos, obstinados, não tremem diante dos gloriosos, mas falam de modo ultrajante, ao passo que os anjos, embora sejam maiores em força e poder, não levantam contra eles nenhuma acusação em termos ultrajantes, não o fazendo de respeito por Jeová.” — 2 Pedro 2:10b, 11.
13 Portanto, queremos estar atentos a homens atrevidos, presunçosos, que não têm nenhum respeito pelos “gloriosos”. Na congregação cristã, os homens fiéis incumbidos de responsabilidades não se encaram como sendo superiores ou como estando acima dos concrentes, mas consideram-se humildemente como servos. (Mateus 23:8; 1 Tessalonicenses 2:5-12) Todavia, sua designação de serviço é ‘gloriosa’, visto que são designados por espírito santo para ser superintendentes ou “pastores” do rebanho. (Atos 20:28; veja Romanos 11:13.) Representam também o glorioso Senhor Jesus Cristo e o Grande Pastor Jeová Deus. (1 Pedro 2:25; 5:4) Por isso, as Escrituras exortam os membros da congregação a serem submissos aos que tomam a dianteira. (Hebreus 13:17) Embora tais homens, assim como o próprio Pedro, possam cometer enganos, isto não constitui nenhuma desculpa para alguém falar de modo ultrajante contra eles. (Veja Gálatas 2:11-14; 3 João 9, 10.) Os “pastores” que trabalham arduamente merecem o respeito da congregação. Mas os homens que influenciam os outros para o mal não se refreiam de injuriar os anciãos cristãos. Quando alguém usa de linguagem ultrajante, abusiva, contra seu irmão, Jeová Deus e seu Filho consideram isso como feito a eles mesmos.
14. Como mostram os anjos fiéis uma atitude inteiramente diferente da dos falsos instrutores?
14 Quão diferentes dos anjos fiéis são os instrutores egotistas de falsidades! Os anjos são zelosos pela justiça. Mas não usam de linguagem ríspida e ultrajante, nem mesmo quando lidam com opositores. Por exemplo, “quando Miguel, o arcanjo, teve uma controvérsia com o Diabo e disputava o corpo de Moisés, não se atreveu a lançar um julgamento contra ele em termos ultrajantes, mas disse: ‘Jeová te censure’”. (Judas 9) Em vista disso, podemos concluir que os outros anjos fiéis nunca recorreriam a vituperar alguém, mas apresentariam os [atos de modo calmo, porém, vigoroso. Eles têm o devido respeito pelo seu Criador, reconhecendo que a linguagem ultrajante nunca está em harmonia com a santidade e pureza dele.
15. Em harmonia com o conselho de Pedro, contra que espécie de pessoas ternos de prevenir-nos?
15 Temos de prevenir-nos contra os que maldosamente rebaixam os outros e depois promovem a si mesmos. Devemos ter constantemente em destaque diante de nós que tais pessoas não escaparão do julgamento adverso pelas suas ações. Isto nos poderá ajudar a ser cautelosos em dar ouvidos aos que parecem estar interessados em outros, mas, na realidade, apenas procuram sua própria vantagem. O apóstolo Pedro comentou o resultado para os homens egotistas, dizendo:
“Estes homens, iguais a animais irracionais, nascidos naturalmente para serem apanhados e destruídos, nas coisas em que são ignorantes e falam de modo ultrajante, sofrerão a destruição até mesmo no seu próprio proceder de destruição, fazendo a si mesmos injustiça em recompensa de fazerem injustiça.” — 2 Pedro 2:12, 13a.
16. De que modo são os homens corrutos como “animais irracionais”?
16 Os homens dominados por paixões maldosas agem quais “animais irracionais”. Jeová disse a respeito dos animais: “Todo animal movente que está vivo pode servir-vos de alimento.” (Gênesis 9:3) Por serem semelhantes a tais “animais irracionais”, os homens de linguagem ultrajante não são refreados por uma boa consciência, e, por isso, não mostram nenhum apreço pelos modos, tratos e atividades de Deus. Incapazes de fazerem a devida avaliação de coisas espirituais preciosas, talvez falem delas como não valendo nada. Suas opiniões errôneas serão a ruína deles. Apegam-se a tais conceitos falsos para seu próprio prejuízo e forçosamente sentirão o mau resultado de seu proceder injusto. Nós, porém, queremos apegar-nos à nossa esperança e evitar compartilhar a ruína deles.
ACAUTELE-SE DOS QUE PROCURAM PRAZERES EGOÍSTAS E LUCRO PESSOAL
17. De acordo com 2 Pedro 2:13b-15a, quais são algumas das outras tendências identificadoras de homens corrutos?
17 As pessoas que não têm mentalidade espiritual, entre outras tendências más, têm o desejo ardente de ócio e prazeres. O apóstolo Pedro escreveu:
“Acham um prazer viver em luxo durante o dia. São manchas e máculas, entregando-se com deleite irrestrito aos seus ensinos enganosos, enquanto se banqueteiam convosco. Eles têm olhos cheios de adultério e são incapazes de desistir do pecado, e engodam as almas instáveis. Eles têm um coração treinado na cobiça. São filhos amaldiçoados. Abandonando a vereda reta, foram desencaminhados.” — 2 Pedro 2:13b-15a.
18. Em que sentido são as pessoas sem mentalidade espiritual iguais aos israelitas infiéis, descritos em Isaías 5:11, 12?
18 Durante as horas do dia, quando deviam atarefar-se muito na edificação de outros, os que não têm mentalidade espiritual talvez se empenhem antes em festanças, entregando-se a excessos no comer e no beber. São bem semelhantes a certos israelitas que viviam exclusivamente para os prazeres. O vinho fluía excessivamente nos seus banquetes. Quando a noite sucedia ao dia, os folgazões ficavam mais barulhentos e mais turbulentos, acompanhando sua festança ruidosa com música para estimular a paixão. O profeta Isaías escreveu sobre tais:
“Ai dos que se levantam de manhã cedo somente à procura de bebida inebriante, que ficam até tarde no crepúsculo vespertino, de modo que o próprio vinho os inflama! E terá de mostrar-se haver harpa e instrumento de cordas, pandeiro e flauta, bem como vinho nos seus banquetes, mas eles não olham para a atividade de Jeová e não viram o trabalho das suas mãos.” (Isaías 5:11, 12)
Os que iam em busca de prazeres assim agiam como se não houvesse nenhum testemunho das grandiosas obras do Criador. Não exerciam nenhuma reserva, não faziam nenhum caso da prestação de contas a Jeová Deus, e, portanto, não podiam esperar escapar do Seu julgamento.
19. O que mostra que alguns associados com a congregação são amantes dos prazeres?
19 Não nos deve surpreender se algo similar acontecer entre alguns dos que afirmam hoje ser servos de Deus. Festas de casamento e de aniversário talvez sejam convertidas em ocasiões para baile desenfreado e sensual, ao som berrante de música que estimula as paixões. Em tais celebrações, as bebidas alcoólicas talvez fluam livre demais. A festa barulhenta e desregrada talvez só termine às primeiras horas da madrugada ou ao amanhecer. Em alguns países, a ocasião de se dar nome a um filho recém-nascido, a inauguração duma nova casa, funerais e a dedicação de edifícios usados para a adoração talvez seja convertida numa reunião social que mostra grande falta de consideração, perturbando até mesmo os vizinhos mundanos e induzindo-os a pedirem que se acabe com o barulho excessivo. Mesmo nos países em que o povo costuma ser conhecido pela sua abstinência, pode surgir forte bebedice entre amigos íntimos, dum modo que faz com que se fale com desprezo da verdade das “boas novas”. Os verdadeiros cristãos, por certo, precisam precaver-se contra tais excessos. — 1 Pedro 4:3.
20. (a) Que efeito têm sobre a congregação os que se entregam a excessos? (b) Como são até mesmo ocasiões nobres transformadas em pândegas?
20 Conforme disse o apóstolo Pedro, os que agem assim são como manchas e máculas na congregação cristã. Estragam a aparência limpa dos verdadeiros servos de Deus. São como manchas numa roupa limpa ou como mácula feia num rosto que de outro modo seria atraente. Em vista da intenção de alguns, de ‘fazer tudo’ para satisfazer seu desejo de prazeres, transformam até mesmo ocasiões que normalmente são boas em turbulentas. Procuram influenciar outros ou ensinar-lhes a participar em dança desenfreada e em tomar muita bebida, afirmando que se trata apenas de ‘descontração normal’. Podem evidenciar-se os “olhos cheios de adultério” mencionados por Pedro. Em reuniões sociais, os olhos dos homens talvez comecem a olhar com interesse imoral as mulheres atraentes que estiverem presentes. Os desejos impuros talvez se tornem tão fortes, que até mesmo os olhos de homens casados não podem deixar de ser culpados de pecar. (Veja Mateus 5:28; Marcos 9:47.) As mulheres que não são bem baseadas em princípios cristãos, como “almas instáveis”, talvez se tornem facilmente vítimas de homens corrutos. — Veja 2 Timóteo 3:6, 7.
21. Por que constituem aqueles que querem envolver outros numa vida de excessos verdadeiro perigo para a congregação cristã?
21 Tais homens constituem verdadeiro perigo, porque mostram-se peritos em engodar os fracos. O apóstolo Pedro os descreveu como tendo “um coração treinado na cobiça”. Seu objetivo ou alvo exclusivo na vida parece ser satisfazer desejos cobiçosos, e eles ficam sendo peritos em alcançar seus fins. O discípulo Judas também falou sobre tais que ‘se introduzem sorrateiramente’ e transformam a benignidade imerecida de Deus “numa desculpa para conduta desenfreada”, mostrando-se assim falsos para com o seu único Dono, Jesus Cristo. Mostrou que eles amiúde “admiram personalidades para o seu próprio proveito”, e que os que causam divisões são “homens animalescos, sem espiritualidade”. (Judas 4, 16, 19) Quando conseguem, quer por lisonjas, quer por alguma demonstração de aparente zelo, obter influência ou destaque na congregação, então constituem grave perigo. Eles sofrem corretamente a maldição de Deus e merecem a destruição, conforme disse o apóstolo Pedro. O que se aplica a homens que seguem tal proceder divisório e corrompedor aplica-se também às mulheres que fazem o mesmo. — Veja Revelação 2:20-23.
22, 23. Em que sentido são como Balaão aqueles que corrompem outros?
22 O apóstolo Pedro comparou também os homens corrutos com Balaão, dizendo:
“Seguiram a vereda de Balaão, filho de Beor, que amava a recompensa de fazer injustiça, mas ele recebeu uma repreensão pela sua própria violação daquilo que era direito. Um animal de carga, sem voz fazendo pronunciação com voz de homem, impediu o proceder louco do profeta.” (2 Pedro 2:15b, 16)
Este adivinho sabia plenamente que era contrário à vontade do Soberano Supremo amaldiçoar os israelitas. Embora se desse a aparência externa de não ir além do que Jeová o impelisse a dizer, Balaão, no íntimo, nutria o desejo de amaldiçoar Israel. Queria a recompensa que o rei moabita Balaque oferecia. Mas o Deus Todo-poderoso repreendeu a Balaão por meio de sua própria jumenta. O Altíssimo, por meio dum milagre, fez o irracional animal de carga proferir palavras inteligíveis. (Números 22:1-35) Isto não era difícil para Aquele que pode fazer até mesmo as pedras clamar. (Lucas 19:40) Em vista da extrema ganância de Balaão, Jeová Deus empregou corretamente este meio bem incomum para dar repreensão. Na tentativa de resistir à vontade de Deus para com Israel, Balaão agiu como um homem desajuizado. Por algum tempo, a repreensão de seu animal doméstico o impediu de continuar no seu proceder, visto que se mostrou que simplesmente não conseguiu amaldiçoar Israel. — Números 23:1 a 24:9.
23 Não obstante, Balaão ainda queria muito aquela recompensa. Por fim, inventou um plano, pelo qual os israelitas trariam sobre si mesmos a maldição de Deus. Ele disse a Balaque como podia usar mulheres moabitas e midianitas para fazer com que os homens de Israel se empenhassem em idolatria e fornicação. (Números 31:16; Revelação 2:14) A trama foi até certo ponto bem sucedida e foi responsável pela morte de 24.000 israelitas. — Números 25:1-9.
24. O que nos ajuda a ver o exemplo de Balaão quanto aos que são egotistas?
24 Quão bem o caso de Balaão ilustra o proceder dos homens que abandonam o que é certo em busca de lucro pessoal! Nem mesmo um milagre conseguiria impedi-los de tentar satisfazer a sua cobiça. Portanto, devemos evitar a associação íntima com alguém cuja atitude, conversa e conduta perturbam seriamente a nossa consciência Homens egotistas simplesmente não têm escrúpulos quanto a prejudicar outros para alcançar seus próprios objetivos.
25. O que enfatizam as palavras de 2 Pedro 2:17?
25 Continuando com a sua descrição de tais homens iníquos, Pedro declarou: “Estes são fontes sem água e brumas impelidas por uma tempestade violenta, e para eles tem sido reservado o negrume da escuridão.” (2 Pedro 2:17) Não se pode obter nada de proveitoso pela associação íntima com pessoas aviltadas. São como poços ou fontes a que o viajante cansado talvez se chegue na esperança de conseguir água refrescante, apenas para ficar desapontado ao descobrir que a fonte de água secou. Eles são também como nuvens tênues, qual bruma, de que talvez se espere a necessária chuva para as colheitas em desenvolvimento, mas que são rapidamente desfeitas por fortes ventos. Os que ensinam falsidades não são fonte de luz ou esclarecimento. Eles mesmos destinam-se ao “negrume da escuridão”, às trevas totais que representam o julgamento condenatório que os aguarda.
CUIDE-SE DE “EXPRESSÕES BOMBÁSTICAS”
26. Como descreveu o apóstolo Pedro a maneira em que os homens corrutos atingem seus fins?
26 É por causa de sua aparência externa, enganosa, que nos temos de precaver contra os elementos perigosos dentro da congregação. Especialmente os ainda não bem firmados na verdade e na vida cristã precisam ter cuidado. Os métodos empregados pelos homens egotistas talvez sejam bem impressionantes. Mas, ai dos que se deixam enganar pelas suas grandiosas persuasões! O apóstolo Pedro disse:
“Proferem expressões bombásticas de nenhum proveito, e, pelos desejos da carne e pelos hábitos desenfreados, engodam os que acabam de escapar dos que se comportam com erro. Embora lhes prometam liberdade, eles mesmos existem como escravos da corrução. Pois todo aquele que é vencido por outro é escravizado por este.” — 2 Pedro 2:18, 19.
27. O que carateriza a maneira de falar e a atitude dos que exercem uma influência corrompedora?
27 Os que persuadem outros a adotar o erro ou a seguir um proceder contrário aos ditames duma consciência limpa amiúde falam com muita convicção. Formam um elevado conceito sobre si mesmos e suas palavras, dando grande importância às suas expressões. (Veja 2 Coríntios 10:10, 12; 11:3-6, 12, 13.) Em vez de apresentarem sólidos motivos bíblicos, num espírito humilde, talvez escarneçam e falem de maneira vigorosa e pomposa, para ocultar a fraqueza de seu argumento com bazófia. (Contraste isso com 2 Coríntios 4:2.) Quando são examinadas à luz das Escrituras Sagradas, mostra-se que suas impressionantes palavras são vazias ou de nenhum proveito para alguém.
28. Quem tem maior probabilidade de ficar influenciado pelos elementos corrutos dentro da congregação?
28 Lamentavelmente, os não bem firmados ainda na Palavra de Deus talvez não reconheçam o perigo. Suas ‘faculdades perceptivas não foram treinadas para distinguir o certo do errado’. (Hebreus 5:14) Visto que pode ter sido bastante recentemente que estes instáveis se separaram das práticas que desonram a Deus usadas no mundo, tais práticas talvez ainda tenham algum atrativo para eles.
29. Qual é o conceito bíblico sobre a diversão ou a recreação, e quando é que precisamos ficar atentos?
29 É bem evidente que precisa haver equilíbrio na maneira em que encaramos o assunto da diversão e da recreação. As Escrituras não requerem dos servos de Deus uma vida ascética, nem apresentam a abnegação como tendo virtude intrínseca, senão apenas quando tem por fim algum bom objetivo. (Veja Eclesiastes 2:24; 3:1, 4,13; 8:15; 1 Coríntios 13:3; Colossenses 2:20-23.) Mas, isto não provê nenhuma desculpa para se ir a extremos, deixando a carne decaída assumir o controle e usar a liberdade cristã como disfarce para a maldade. (Gálatas 5:13, 14; 1 Pedro 2:16) Tal proceder nunca pode ser harmonizado com o amor de Deus, nem com amar o próximo como a si mesmo, a “lei régia” debaixo da qual estamos. (Tiago 2:8, 12) Os que argumentam pelo contrário e que escarnecem dos que não concordam com eles quanto aos seus excessos mostram que ainda são escravos de suas próprias inclinações egoístas.
30. O que poderá finalmente acontecer por causa da influência corrompedora dentro da congregação?
30 Por isso, precisamos manter os nossos sentidos e evitar ambos os extremos. Existe o inegável perigo de ser levado a um proceder de empenho desenfreado pelo prazer. Pode-se ser levado aos poucos a um redemoinho de festas que, no decorrer do tempo, pioram em qualidade, decaindo cada vez mais para os extremos na dança e na bebida, ou em presenciar entretenimento que glorifica a imoralidade sexual e o sadismo. Não é racional afirmar que tais influências perniciosas não constituem nenhum perigo. Dificilmente têm senão um efeito enfraquecedor sobre a consciência cristã, rompendo a fibra moral. Os que afirmam o contrário amiúde acabam sendo vítimas da bebedice e da má conduta sexual. — Provérbios 13:20.
31, 32. O que continuarão a fazer alguns membros da congregação até “o dia do julgamento”, e com que conseqüências?
31 Deveras, o apóstolo Pedro descreveu com exatidão o que continuará a acontecer entre os servos de Deus até “o dia do julgamento [dos injustos], para serem decepados”. (2 Pedro 2:9) Sempre haverá alguém tentando ampliar os limites da liberdade cristã para muito além do que é razoável, para poder satisfazer seu desejo de prazer sensual. Tais não querem seguir a injunção bíblica: “Amortecei, portanto, os membros do vosso corpo que estão na terra, com respeito a fornicação, impureza, apetite sexual, desejo nocivo e cobiça.” (Colossenses 3:5) Antes, escolhem as próprias diversões que incitam tais desejos errados. Quando envolvem outros, talvez argumentem: ‘Se a nossa consciência o permite, não há nada de errado com isso.’ Mas, deixam de reconhecer que uma consciência aviltada não é um guia seguro. Tais pessoas se entregam aos seus desejos errados, e, portanto, estão em escravidão a eles. Suas promessas de “liberdade” feitas a outros são enganosas.
32 O resultado para os que novamente mergulham numa vida de transgressão é deveras calamitoso. O apóstolo Pedro escreveu:
“Certamente, se eles, depois de terem escapado dos aviltamentos do mundo pelo conhecimento exato do Senhor e Salvador Jesus Cristo, ficam novamente envolvidos nestas mesmas coisas e são vencidos, as condições derradeiras tornaram-se piores para eles do que as primeiras. Porque teria sido melhor para eles que não tivessem conhecido de modo exato a vereda da justiça, do que, depois de a terem conhecido de modo exato, se desviarem do mandamento santo que lhes foi entregue. Com eles aconteceu o que diz o provérbio verdadeiro: ‘O cão voltou ao seu próprio vômito e a porca lavada a revolver-se no lamaçal.’” — 2 Pedro 2:20-22.
33. (a) Que mudanças talvez faça a pessoa ao obter conhecimento da verdade? (b) Por que é assunto muito sério a volta de alguém aos modos do mundo?
33 Por que podia o apóstolo Pedro dizer isso? Uma vez que alguém obteve conhecimento exato do Senhor Jesus Cristo, ele começa a ver a necessidade de fazer mudanças. Talvez renuncie ao muito beber, à vida de imoralidade, à jogatina e a outros vícios. Tal pessoa, purificando-se para se harmonizar com o que se espera dum discípulo de Jesus Cristo, foge ou escapa dos “aviltamentos do mundo”, das práticas de que passou a saber que não são divinamente aprovadas. Contudo, quando novamente se envolve em práticas que desonram a Deus, ela deliberadamente joga fora o que sabe ser correto. Seu conhecimento de Jesus Cristo e sua consciência treinada pela Bíblia de início serviram como freio contra a conduta errada. Quando se livra deste freio sadio, é bem possível que se torne ainda pior do que antes de adotar o discipulado cristão. Pode ir além do que é feito pelos homens que não conhecem a vereda da justiça. Isto se dá porque a sua consciência ficou contaminada ou até mesmo cauterizada — igual a tecido morto. (Veja 1 Timóteo 4:2.) Se nunca tivesse conhecido o caminho certo, sua má conduta não teria aviltado tanto o nome de Cristo, seu pecado não teria tido a mesma gravidade e o julgamento divino contra ele não precisaria ser tão severo — Veja Lucas 12:45-48; 1 Timóteo 1:13, 15, 16.
34, 35. (a) O que podemos entender do provérbio sobre o cão imundo e a porca? (b) O que deve incutir em nós este provérbio?
34 Em vista do provérbio citado por Pedro, os que empreendem uma vida de pecado, pelo visto, deixam de usar suas oportunidades para progredir no modo de vida cristão. (2 Pedro 1:2-11) Alguns talvez abandonem ostensivamente as más práticas, mas nunca chegam a odiá-las. Talvez nunca realmente deixem para trás o “vômito”, a imundície, deste mundo. Para eles, ainda há algo de atraente nele, e por isso podem ser induzidos a voltar a ele. Talvez tenham o desejo íntimo de se revolver no lamaçal de degradação moral do mundo. No caso de outros, talvez deixem de aumentar em apreço pelo valor do discipulado cristão, e, finalmente, o que o mundo tem a oferecer assume maior atrativo. Quão trágica é a queda dos que assim são novamente engodados a voltar para o seu estado que anteriormente lhes era nojento!
35 O provérbio inspirado se destaca como lição de advertência para todos os que afirmam ser cristãos. Se não estivermos cultivando a pureza moral e espiritual no coração e não tivermos verdadeira repugnância da imundície deste mundo, estamos em grave perigo de ruína espiritual. Os cristãos simplesmente não se podem dar ao luxo de afrouxar sua vigilância quanto a resistir aos engodos do mundo corruto. Temos de amortecer nossos desejos errados, não permitindo que nos dominem, nem estimulando-os por olhar com anelo para o que o mundo tem a oferecer. — 1 Coríntios 10:12; Colossenses 3:5.
PERMANEÇA VIGILANTE!
36. Além de permanecermos moral e espiritualmente limpos, o que precisamos fazer para agradar ao nosso Amo?
36 Além de permanecermos moral e espiritualmente limpos, precisamos também ser ativos no serviço de nosso Amo, ajudando outros de maneira espiritual bem como material. Todo o nosso proceder na vida deve refletir vigilância espiritual e atividade. O apóstolo Pedro, salientando a importância disso, declarou:
“Amados, esta é agora a segunda carta que vos escrevo, sendo que nela, como na minha primeira estou acordando as vossas claras faculdades de pensar por meio dum lembrete, para que vos lembreis das declarações anteriormente feitas pelos santos profetas e do mandamento do Senhor e Salvador por intermédio dos vossos apóstolos. Pois sabeis primeiramente isto, que nos últimos dias virão ridicularizadores com os seus escárnios, procedendo segundo os seus próprios desejos e dizendo: ‘Onde está essa prometida presença dele? Ora, desde o dia em que os nossos antepassados adormeceram na morte, todas as coisas estão continuando exatamente como desde o princípio da criação.’” — 2 Pedro 3:1-4.
37. (a) Por que devem estar despertas nossas “claras faculdades de pensar? (b) Que evento momentoso foi indicado pelos profetas?
37 Certamente, tiramos hoje proveito de ter nossas “claras faculdades de pensar” despertas para podermos fazer a avaliação correta do que é essencial para obter a aprovação divina. (Veja 2 Pedro 1:12-15.) Os “santos profetas”, remontando até Enoque, avisaram sobre o dia da prestação de contas. Lemos em Judas 14, 15: “Sim, o sétimo homem na linhagem de Adão, Enoque, profetizou também a respeito deles, dizendo: ‘Eis que Jeová veio com as suas santas miríades, para executar o julgamento contra todos e para declarar todos os ímpios culpados de todas as suas ações ímpias que fizeram de modo ímpio, e de todas as coisas chocantes que os pecadores ímpios falaram contra ele.’” Séculos depois, profetas hebreus tais como Isaías, Daniel, Joel, Habacuque, Sofonias, Ageu, Zacarias e Malaquias foram induzidos a fazer profecias similares. — Isaías 66:15, 16; Daniel 7:9-22; Joel 3:9-17; Habacuque 3:16-18; Sofonias 1:14-18; Ageu 2:21, 22; Zacarias 14:6-9; Malaquias 4:1-6.
38. Por que devemos esforçar-nos a estar num estado de alerta?
38 O julgamento divino, predito por todos esses profetas e por outros, forçosamente se cumprirá. Isto requer que nós, em todas as ocasiões, nos esforcemos a estar num estado de alerta e a não pormos em perigo nossa condição limpa perante o Altíssimo.
39. Que mensagem foi transmitida pelo mandamento de Jesus Cristo?
39 A mensagem dos profetas para nós é a mesma que a transmitida pelo mandamento de nosso Senhor Jesus Cristo, conforme repetida pelos apóstolos, inclusive por Paulo. Nós, discípulos do Filho de Deus, devemos ser ativos no seu serviço, permanecendo moral e espiritualmente limpos, sempre prontos para acolher nosso Amo quando vier para executar o julgamento nos ímpios. O Filho de Deus declarou:
“Prestai atenção a vós mesmos, para que os vossos corações nunca fiquem sobrecarregados com o excesso no comer, e com a imoderação no beber, e com as ansiedades da vida, e aquele dia venha sobre vós instantaneamente como um laço. Pois virá sobre todos os que moram na face de toda a terra. Portanto, mantende-vos despertos, fazendo todo o tempo súplica para que sejais bem sucedidos em escapar de todas estas coisas que estão destinadas a ocorrer, e em ficar em pé diante do Filho do homem.” — Luc. 21:34-36.
40. O que temos de fazer, para evitar que mergulhemos no sono espiritual?
40 Sim, temos de precaver-nos contra mergulhar em sono espiritual. Isto requer evitar entregar-nos irrestritamente ao comer, ao beber e aos prazeres. Tais excessos entorpecem a percepção mental e espiritual, e sobrecarregam o coração com sentimentos de culpa. Eliminam a boa motivação de coração. De maneira similar, a indevida preocupação com ganhar o sustento pode privar o coração da garantia calma de que Jeová Deus proverá tudo o que realmente nos for necessário. (Mateus 6:25-34) Sempre que a principal motivação do coração deixa de ser o desejo de ser aprovado pelo Senhor Jesus Cristo, por ocasião do julgamento por ele, a pessoa fica em grave perigo espiritual. Pode ser apanhada numa condição desaprovada pelo Amo, Jesus Cristo.
41. Por que foi sempre de ajuda a fé na certeza da vinda de Cristo em glória para alguém permanecer leal a ele?
41 Iguais a Pedro, os outros fiéis apóstolos ensinaram aos seus concrentes que tivessem sempre diante de si a certeza da vinda de Cristo para executar o julgamento e para recompensar os seus discípulos leais. O principal objetivo de tal ensino era ajudar os cristãos a ser encontrados aprovados por ocasião da chegada do Filho “com poder e grande glória”. (Mateus 24:30) Assim como Jesus havia feito, os apóstolos continuaram a enfatizar a importância de ser fiel até o fim. Este fim podia vir na morte deles, ou então na “presença do dia de Jeová”. (2 Pedro 3:12) Visto que até mesmo a ressurreição dos co-herdeiros de Cristo está relacionada nas Escrituras com a sua volta, a esperança de todos os verdadeiros discípulos está ligada com a chegada do Filho de Deus na qualidade de glorioso Rei celestial. (Mateus 10:28; 24:13, 36-44; 1 Tessalonicenses 1:9, 10; 4:14-17) Assim, durante toda a história da congregação cristã, a inabalável fé na vinda do Amo “com poder e grande glória” tem ajudado em ser leal a ele.
NÃO SE DEIXE ENGANAR POR RIDICULARIZADORES
42. (a) Por que ouvimos hoje a voz de ridicularizadores? (b) Qual é o argumento deles?
42 No decorrer dos séculos, tem havido crentes que, em parte por ansiarem estar vivos quando Jesus Cristo se revelasse em glória, passaram a olhar para determinado período ou ano para a consumação do sistema ímpio de coisas. Isto tem acontecido até mesmo nestes “últimos dias”. Visto que certas expectativas não se cumpriram, muitos tropeçaram e voltaram aos modos do mundo. Em cumprimento das palavras de Pedro, até mesmo hoje ouvimos a voz de ridicularizadores. (2 Pedro 3:3, 4) Eles dizem, na realidade: ‘Que motivo há para crer que o Filho de Deus vai executar os ímpios e recompensar seus discípulos? Ora, nada mudou desde o tempo da criação. Os processos originais da vida estão continuando e não apresentam nenhum indício da vinda dum desastroso fim no futuro próximo. Os homens se casam e a mulheres são dadas em casamento, bebês nascem, e os homens continuam a envelhecer e a morrer.’ Assim dão a entender que o Senhor Jesus Cristo nunca virá para executar o julgamento, ou que este evento está tão longe no futuro, que não precisa haver nenhuma preocupação imediata com ele.
43. O que mostra que sempre houve necessidade de os discípulos de Cristo diligenciarem em desincumbir-se de suas responsabilidades?
43 Tais ridicularizadores perderam totalmente de vista que ou a morte ou “o dia de Jeová” lhes sobrevirá inexoravelmente. De qualquer modo, não terão nenhuma oportunidade adicional para armazenarem um tesouro no céu, na forma de obras excelentes. (Lucas 12:15-21, 31, 33-40) Portanto, para os discípulos de Jesus Cristo, nunca houve um período na história em que podiam permitir-se negligenciar as suas responsabilidades. O risco de fazer isso certamente é ainda maior em nosso tempo.
44. De que responsabilidades básicas devemos desincumbir-nos?
44 Então, de que responsabilidades devemos hoje desincumbir-nos? Em primeiro lugar, temos a ordem de fazer “discípulos de pessoas de todas as nações, batizando-as em o nome do Pai, e do Filho, e do espírito santo, ensinando-as a observar todas as coisas que . . . ordenei”. (Mateus 28:19, 20) Sim, na terminação do sistema de coisas, temos o privilégio de participar na pregação mundial das “boas novas do reino”. (Mateus 24:14) De importância especialmente vital, neste tempo, é a nossa obrigação de termos amor a todos os nossos irmãos, correspondendo às necessidades que têm de ajuda, compadecimento e incentivo. (Veja Mateus 25:35-40; Hebreus 13:1-3; 1 João 3:16-18.) Além disso, precisamos esforçar-nos constantemente a permanecer limpos das obras degradantes da carne. — Mateus 7:21-23; Gálatas 5:19-21.
JEOVÁ PROVOU QUE OS RIDICULARIZADORES ESTÃO ERRADOS
45, 46. Que evidência proveu Jeová para mostrar que os ridicularizadores estão errados?
45 Ao passo que continuamos a levar uma vida que se harmoniza com sermos discípulos de Jesus Cristo, desejamos sempre lembrar-nos de que Jeová Deus, há muito tempo, forneceu evidência que prova inegavelmente que os ridicularizadores estão errados. Trazendo isso à atenção, o apóstolo Pedro escreveu:
“Segundo o desejo deles, escapa-lhes este fato, de que desde a antiguidade havia céus, e uma terra sobressaindo compactamente à água e no meio da água, pela palavra de Deus; e, por esses meios, o mundo daquele tempo sofreu destruição, ao ser inundado pela água.” — 2 Pedro 3:5, 6.
46 Que Jeová Deus já destruiu uma vez um mundo de pessoas ímpias mostra que os ridicularizadores estão errados em concluir que não haverá mudanças drásticas nos assuntos humanos, mas que todas as coisas continuarão “exatamente como desde o princípio da criação”. Temos a palavra de promessa do próprio Deus, por meio de seu Filho, de que ele agirá contra os ímpios. Esta palavra é tão poderosa, que não há nenhuma possibilidade de ela deixar de se cumprir.
47. Como revela o relato da criação o poder da “palavra” de Deus?
47 A maneira em que a Bíblia fala sobre as obras criativas de Jeová revela o poder de sua “palavra”. Em Gênesis, capítulo 1, aprendemos que, quando o Altíssimo diz a palavra ou dá a ordem, seu propósito, a bem dizer, já está cumprido (Veja o Salmo 148:1-6.) Somos informados com respeito ao segundo dia: “Deus prosseguiu, dizendo: ‘Venha a haver uma expansão entre as águas e ocorra uma separação entre águas e águas.’ Deus passou então a fazer a expansão e a fazer separação entre as águas que haviam de ficar debaixo da expansão e as águas que haviam de ficar por cima da expansão. E assim se deu.” (Gênesis 1:6, 7) Daí, no terceiro dia, “Deus prosseguiu, dizendo: ‘Ajuntem-se as águas debaixo dos céus num só lugar e apareça a terra seca.’ E assim se deu.” — Gênesis 1:9.
48. Como veio a terra a ‘sobressair compactamente à água’ e a estar “no meio da água”?
48 O que o relato de Gênesis diz está de pleno acordo com a descrição dada pelo apóstolo Pedro. Visto que a terra seca se elevava acima da superfície da água terrestre, a ‘terra sobressaía compactamente à água’. No entanto, em vista da água que rodeava a terra acima da expansão (que continha os gases necessários para sustentar a vida), a terra ficava também “no meio da água”. (Veja Provérbios 8:24-29.) Este arranjo veio a existir pela “palavra de Deus”.
49. (a) Como foi que, “por esses meios, o mundo daquele tempo sofreu destruição”? (b) Que acontecimento futuro é garantido pela poderosa “palavra de Deus”?
49 As águas suspensas muito acima da superfície da terra e das águas na terra criaram a possibilidade de um dilúvio global e mostraram ser o meio pelo qual o Altíssimo destruiu um mundo ímpio. De modo que o Dilúvio serve de advertência a todos os que escarnecem da certeza da intervenção divina nos assuntos humanos durante o tempo da presença de Cristo. A poderosa palavra que trouxe à existência as possibilidades dum dilúvio global é a mesma palavra que aponta para a destruição do atual sistema iníquo de coisas. O apóstolo Pedro prosseguiu: “Mas, pela mesma palavra, os céus e a terra que agora existem estão sendo guardados para o fogo e estão sendo reservados para o dia do julgamento e da destruição dos homens ímpios.” — 2 Pedro 3:7.
50. (a) Com respeito à destruição do atual velho sistema de coisas, que ponto de vista adotaram alguns associados com a congregação cristã? (b) Como se manifesta tal atitude?
50 Especialmente, visto que já se passaram muitos séculos desde que o apóstolo Pedro escreveu essas palavras, e por causa de certas expectativas que não se cumpriram, alguns associados com a congregação cristã passaram a duvidar que tal destruição venha alguma vez. Embora talvez não se juntem abertamente aos ridicularizadores, eles não encaram mais “o dia do julgamento” como acontecimento com que precisam contar. Tornam-se negligentes quanto a cumprir com suas responsabilidades cristãs, e caem num estado de sonolência espiritual. Empenham-se em tirar o máximo do atual sistema de coisas quanto a prazeres e bens.
APRECIE A PACIÊNCIA DE JEOVÁ
51. Por que não devemos pensar que já demorou muito a vinda de Cristo na qualidade de executor?
51 Do ponto de vista humano, pode parecer que a vinda de Cristo na qualidade de executor da vingança divina está demorando muito a chegar. Mas isto não se dá aos olhos de Jeová Deus. Por conseguinte, para evitarmos o sono espiritual, precisamos encarar os assuntos do ponto de vista do Altíssimo. As palavras do apóstolo Pedro podem ajudar-nos a fazer exatamente isso. Lemos:
“No entanto, não vos escape este único fato, amados, que um só dia é para Jeová como mil anos, e mil anos, como um só dia. Jeová não é vagaroso com respeito à sua promessa, conforme alguns consideram a vagarosidade, mas ele é paciente convosco, porque não deseja que alguém seja destruído, mas deseja que todos alcancem o arrependimento. Contudo, o dia de Jeová virá como ladrão.” — 2 Pedro 3:8-10.
52, 53. Em que sentido são mil anos como um dia para Jeová, e um dia como mil anos?
52 Jeová não é indiferente quanto ao tempo conforme se aplica ao homem. (Gênesis 1:14, 15) Fez o homem para guardar o tempo. Na Bíblia, Deus demarcou períodos específicos de tempo, que são medidos em anos, segundo a contagem do tempo pelo homem. (Gênesis 15:13-16; Êxodo 12:40, 41; Gálatas 3:17; Números 14:33, 34; 32:13; Deuteronômio 2:7; Josué 5:6; Atos 13:20) Visto que ele é Deus que não tem princípio nem fim, de eternidade a eternidade, sua própria vida não pode ser medida com o tempo. (Salmo 90:2, 4) Portanto, o que para o homem são mil anos, ou um período de mais de 365.000 dias, para o eterno Deus, em sentido comparativo, é apenas como um dia de 24 horas.
53 Quando o inspirado Pedro disse também que “um só dia é para Jeová como mil anos”, ele não quis dizer que, para Jeová, o tempo se arrasta morosamente com respeito aos assuntos terrenos ou humanos. Antes, Deus poderia realizar em um só dia de 24 horas o que para o homem levaria, digamos, mil anos para fazer. Mas o Altíssimo nunca está apertado quanto ao tempo, embora possa acelerar as coisas. Todavia, se ele quiser esperar mil anos antes de tomar certa ação, espera apenas um “dia”, em sentido relativo.
54. (a) Por que não devemos pensar que Jeová é vagaroso? (b) Que benefício tiramos da paciência de Deus?
54 Portanto, em vez de encararmos os séculos que se passaram desde que o apóstolo Pedro escreveu a sua segunda carta como evidência da vagarosidade de Deus, devemos considerar este período como demonstração maravilhosa da paciência divina. Prova inegavelmente que nosso Pai celestial quer que as pessoas, em toda a parte, se arrependam e vivam. Conforme Pedro salientou, a paciência de Deus beneficiou os cristãos. Antigamente, eles também eram incrédulos e precisaram arrepender-se, para ficar numa condição aprovada perante o Altíssimo. Todavia, se o julgamento divino tivesse sido executado no mundo ímpio, os que ainda não se haviam arrependido teriam perecido. De modo que a paciência de Jeová permitiu a salvação dos cristãos, assim como ainda agora abre oportunidades para mais outros se arrependerem e viverem. Não obstante, a paciência divina não continuará a ser mostrada indefinidamente. De maneira inesperada, como quando vem um ladrão, o Senhor Jesus Cristo será revelado “em fogo chamejante”, quando iniciar sua obra de executar os ímpios. — 2 Tessalonicenses 1:7-9.
55. O que devemos fazer em vista da certeza da vinda de Cristo para executar o julgamento, e o que pode isso significar para nós?
55 Visto que tal revelação do Senhor Jesus Cristo pode ocorrer a qualquer hora, precisamos pensar seriamente na nossa situação perante Deus e Cristo. Não temos um tempo infindável para estabelecer uma reputação de obras excelentes, que resulte em sermos encarados como aprovados por eles. A Bíblia mostra claramente que o dia de nosso Amo julgar surpreenderá os que não estão vigilantes. Se negligenciarmos as nossas responsabilidades cristãs, então, este acontecimento nos apanhará num estado despreparado, qual ladrão. Portanto, devemos esforçar-nos a viver cada dia como se fosse nosso último, não permitindo que desejos pessoais ou prazeres interfiram no nosso serviço fiel a Jeová Deus e a nosso Senhor Jesus Cristo. Neste caso, nunca lamentaremos a maneira em que usamos nosso tempo, nossa energia e nossos recursos materiais. A revelação do Senhor Jesus Cristo não será então uma ocasião de ficarmos expostos como escravos desleais, merecendo punição. Mas, será o começo dum período de bênçãos sem igual para nós, como parte dos “novos céus” ou da “nova terra” criados por Deus. Esta grandiosa esperança certamente merece ser protegida. — 2 Pedro 3:13.
-
-
Viva na expectativa do cumprimento da promessaA Escolha do Melhor Modo de Vida
-
-
Capítulo 11
Viva na expectativa do cumprimento da promessa
1, 2. (a) O que deverá acontecer ainda segundo a imutável “palavra de Deus”, suscitando que perguntas? (b) Como descreveu o apóstolo Pedro o que acontecerá à atual ordem?
TODA uma ordem mundial está prestes a mudar. Isso afetará forçosamente cada aspecto da vida humana. Tal mudança é inevitável, visto que a infalível “palavra de Deus” decretou o fim dos atuais céus e terra, e sua substituição por gloriosos novos céus e uma nova terra. O que significarão para nós tais acontecimentos? Como podemos mostrar que vivemos na expectativa do cumprimento do que Jeová Deus prometeu?
2 Depois de mencionar o dilúvio global dos dias de Noé, o apóstolo Pedro escreveu: “Os céus e a terra que agora existem estão sendo guardados para o fogo e estão sendo reservados para o dia do julgamento e da destruição dos homens ímpios.” (2 Pedro 3:7) O apóstolo prosseguiu, dizendo que “passarão os céus com som sibilante, mas os elementos, estando intensamente quentes, serão dissolvidos, e a terra e as obras nela serão descobertas”. — 2 Pedro 3:10.
3. Em vista do relato de Gênesis, o que devemos, logicamente concluir sobre o universo material, inclusive nossa terra?
3 Baseados nestas palavras inspiradas, devemos concluir que nossa terra literal, bem como o sol, a lua e as estrelas serão destruídos? Para responder a esta pergunta, temos de considerar como Deus encara suas próprias obras. Com respeito ao fim do período criativo, o relato de Gênesis nos diz: “Deus viu tudo o que tinha feito, e eis que era muito bom.” (Gênesis 1:31) Aos primeiros humanos apresentava-se a perspectiva duma eternidade de vida feliz na terra, desde que permanecessem obedientes. (Gênesis 2:16, 17; 3:3) Nada no relato de Gênesis dá a entender que a terra seria apenas um lar temporário para o homem, para ser finalmente destruída em algum futuro dia do juízo. Segue-se logicamente que o propósito de Deus para com o universo material, incluindo nossa terra, é que continue a ter uma existência infindável.
4. (a) Que diferença fez Pedro com respeito à situação antes e depois do Dilúvio? (b) O que não foi feito pelo Dilúvio?
4 Além disso, o apóstolo Pedro fez uma diferença entre (1) “os céus, e uma terra sobressaindo compartimente à água”, na “antiguidade”, e (2) “os céus e a terra que agora existem”. (2 Pedro 3:5, 7) Mas, a terra que existia antes do Dilúvio é o mesmo planeta de agora. É verdade que o dilúvio causou algumas mudanças nos aspectos físicos da terra. Visto que a água não estava mais suspensa muito acima da superfície da terra, isto afetou a aparência do universo visível, do ponto de vista dum observador humano. Todavia, essas mudanças foram apenas efeitos colaterais do Dilúvio. O objetivo deste não era destruir o planeta literal, mas sim a sociedade humana ímpia fora da arca. Por meio do dilúvio, todas as obras e todos os arranjos elaborados pela sociedade humana ímpia pereceram.
5. Para haver correspondência com o dilúvio global, o que tem de acontecer no dia do juízo?
5 Assim, para haver correspondência com o dilúvio global, tudo o que está associado com a atual sociedade humana iníqua tem de perecer, como que consumido por fogo. Sim, toda a estrutura dos assuntos humanos, que veio à existência após o Dilúvio, esta reservada para a destruição, e para um dia de julgamento ou juízo.
6. É literal o “fogo” por meio do qual a velha ordem terá fim?
6 Que o “fogo” é usado aqui como representativo da totalidade da destruição é confirmado pelo livro bíblico de Revelação ou Apocalipse, onde o Senhor Jesus Cristo é retratado como rei guerreiro Diz-se que sua batalha deixa muitos cadáveres espalhados sobre a superfície da terra, para serem consumidos por aves necrófagas. (Revelação 19:15-18) Esse quadro não se poderia cumprir em certo grau se este planeta fosse literalmente reduzido a cinzas sem vida.
7. O que indicam as palavras de 2 Pedro 3:10 sobre a vindoura destruição?
7 Portanto, a descrição que Pedro fez da destruição dos atuais terra e céus relaciona-se com o aniquilamento da sociedade humana ímpia. Os governos dos homens, que têm dominado a sociedade humana quais “céus”, deixarão de existir. (Veja Isaías 34:2-5; Miquéias 1:3, 4) O ruído de sua dissolução em ruínas, descrito como “som sibilante”, como o de vapor escapando sob pressão, aumentará em intensidade. Os “elementos”, quer dizer, o espírito que motiva a humanidade ímpia a pensar, planejar, falar e agir de sua maneira desonrosa para Deus, serão dissolvidos ou reduzidos a nada. (Veja Atos 9:1; Efésios 2:1-3.) Isto significará o fim de todas as filosofias, teorias, arranjos e planos, que refletem o espírito da humanidade apartada do Altíssimo. “A terra e as obras nela serão descobertas” ou expostas como merecedoras da destruição. Não haverá escapatória para nenhum membro da iníqua sociedade humana, a “terra”. (Veja Gênesis 11:1; Isaías 66:15, 16; Amós 9:1-3; Sofonias 1:12-18) Todas as obras de homens contra a lei — as instituições e as organizações, bem como o que foi desenvolvido em conexão com elas — serão reveladas como divinamente desaprovadas, para serem eliminadas como refugo sem valor.
8. Visto que cada parte do atual sistema será destruída, que conselho de Pedro devemos tomar a peito?
8 Nós, servos de Deus, portanto, queremos viver dum modo que revele que realmente cremos que cada parte deste atual sistema ímpio perecerá eternamente. Isto é o que o apóstolo Pedro nos exortou a fazer, dizendo:
“Visto que todas estas coisas hão de ser assim dissolvidas, que sorte de pessoas deveis ser em atos santos de conduta e em ações de devoção piedosa, aguardando e tendo bem em mente a presença do dia de Jeová, pelo qual os céus, estando incendiados serão dissolvidos, e os elementos, estando intensamente quentes, se derreterão!” — 2 Pedro 3:11, 12.
9. Quem somente sobreviverá à vindoura destruição, aguardando-os bênçãos eternas?
9 Quando cada parte do atual sistema for dissolvida pelo “fogo” da ira de Deus, expressa por meio do Senhor Jesus Cristo, escaparão apenas os que tiverem antecedentes de conduta reta e devoção piedosa. A verdadeira adoração não é passiva, mostrando-se exclusivamente em alguém se abster de certas coisas erradas. Embora manter a pureza moral e espiritual seja essencial, temos também a obrigação de demonstrar nosso amor ao próximo por estar dispostos e ansiosos a atender suas necessidades físicas e espirituais. E isto contribui para grande alegria, pois, “há mais felicidade em dar do que há em receber”. — Atos 20:35.
AÇÕES QUE INDICAM QUE RECONHECEMOS A IMINÊNCIA DO FIM
10. Por causa da iminência do “fim de todas as coisas”, que admoestação deu Pedro?
10 As palavras seguintes do apóstolo Pedro ampliam o que precisamos fazer em vista da iminência do “fim de todas as coisas”: “Sede ajuizados, portanto, e sede vigilantes, visando as orações. Acima de tudo, tende intenso amor uns pelos outros, porque o amor cobre uma multidão de pecados. Sede hospitaleiros uns para com os outros, sem resmungar.” — 1 Pedro 4:7-9.
11. De que precisamos para permanecer “ajuizados”?
11 Em harmonia com esta admoestação, para permanecermos moralmente limpos ou retos em conduta e sermos ativos na promoção do bem-estar espiritual dos outros, precisamos ser “ajuizados”. Isto requer que nos previnamos contra deixar-nos governar pelas emoções e permitir que nos desequilibrem mentalmente. É vital que reconheçamos as coisas realmente importantes na vida, que tenhamos um senso equilibrado do que merece prioridade. — Fil. 1:9, 10.
12. (a) Por que é importante que sejamos “vigilantes, visando as orações”? (b) Como veio Pedro a reconhecer a importância disso por experiência própria?
12 Se quisermos permanecer servos fiéis de Deus, não podemos esperar ser bem sucedidos na nossa própria força. Precisamos olhar para Jeová Deus em busca de ajuda, ser “vigilantes, visando as orações”. O apóstolo Pedro, por experiência própria, aprendeu a importância de ser ‘vigilante’, atento ou alerta com respeito às orações. Pouco antes de Jesus Cristo ser preso por uma turba armada, no jardim de Getsêmani, o Filho de Deus havia exortado Pedro, Tiago e João a orarem, para não serem vítimas da tentação. No entanto, todos os três apóstolos adormeceram naquela ocasião crítica. (Mateus 26:36-46; Marcos 14:32-42; Lucas 22:39-46) Enfraquecido por esta falha de ficar “vigilante” com respeito à oração, Pedro, mais tarde, negou a Jesus Cristo três vezes. (João 18:17, 18, 25-27) Todavia, antes disso, Pedro havia declarado com confiança: “Senhor, estou pronto a ir contigo tanto para a prisão como para a morte.” (Lucas 22:33) “Ainda que todos os outros tropecem em conexão contigo, eu nunca tropeçarei!” — Mateus 26:33.
13. O que podemos aprender da experiência de Pedro, quando deixou de ser ‘vigilante, visando as orações’?
13 Há uma lição vital para nós no que aconteceu com Pedro. Pode incutir em nós o perigo do excesso de confiança. Por causa de nossas limitações e fraquezas, é somente com a ajuda divina que podemos ser bem sucedidos em resistir à tentação. Portanto, continuemos a orar com mente atenta e com coração inabalável no seu afeto por Jeová Deus e Jesus Cristo.
14. Qual deve ser nossa motivação para cumprirmos com nossa responsabilidade cristã, e como se mostra isso nos nossos tratos com concrentes?
14 Além de permanecermos atentos e equilibrados com respeito ao discipulado cristão, faremos bem em considerar se somos motivados pelo amor a cumprir com nossas responsabilidades. (1 Coríntios 13:1-3) O apóstolo Pedro exortou-nos a ter “intenso amor” pelos concrentes. Demonstramos tal intenso amor por termos um espírito perdoador. Neste caso, não exageraremos as faltas de nossos irmãos, nem chamaremos indevida atenção para as suas falhas. Não procuramos erros, apresentando as transgressões dos outros na pior luz possível. Por perdoarmos assim, nosso amor cobrirá uma multidão de pecados, em vez de expô-los plenamente para outros os verem.
15. Por que talvez seja necessário mostrar hospitalidade, e com que atitude deve ser oferecida?
15 Mostrar hospitalidade também é expressão de amor. Quão bom é quando compartilhamos nosso alimento e o necessário com outros, especialmente com os necessitados! (Lucas 14:12-14) Quando concrentes perdem tudo por causa de calamidades naturais ou perseguição, isto talvez signifique colocar nosso lar à disposição deles por um período prolongado. Isto talvez seja muito inconveniente para nós e podemos estar inclinados a nos queixar das demandas extras impostas aos nossos recursos e energias. Nestas ocasiões, faremos bem em cuidar de que não resmunguemos por ter de mostrar hospitalidade vez após vez, reconhecendo que este é um modo excelente de demonstrarmos nosso amor aos que Deus ama.
16, 17. (a) Como devemos encarar os dons que temos? (b) Que bela atitude recomendou Paulo e teve ele mesmo?
16 Todos nós temos dons ou dotes que podemos usar em beneficio dos outros. Nossa permanência como servos aprovados de Deus depende de usarmos esses dons com prontidão e alegria. Evitamos sabiamente comparar-nos com outros. Isto poderá impedir que fiquemos desanimados ao ver que outros podem fazer muito mais do que nós. Por outro lado, não nos entregaremos a um sentimento de superioridade quando podemos fazer mais em algum campo de atividade do que os outros. (Gálatas 6:3, 4) Note o que disse o apóstolo Pedro: “Na proporção em que cada um recebeu um dom, usai-o em ministrar uns aos outros como mordomos excelentes da benignidade imerecida de Deus, expressa de vários modos.” (1 Pedro 4:10) Portanto, somos responsáveis por usar plenamente os dons que tivermos. Pela benignidade imerecida de Deus, somos o que somos e temos o que temos. Portanto, as nossas energias, capacidades e talentos podem todos ser encarados como dons que nos foram concedidos pela benignidade imerecida de Jeová, para serem usados para o louvor e a honra do Altíssimo.
17 O apóstolo Paulo salientou a atitude correta por meio das seguintes perguntas: “Quem te faz diferir de outro? Deveras, o que tens que não tenhas recebido? Se, agora, deveras o tens recebido, por que te jactas como se não o tivesses recebido?” (1 Coríntios 4:7) Embora o próprio Paulo pudesse dizer que ‘labutou mais’ do que todos os outros apóstolos, não atribuiu o mérito a si mesmo, mas acrescentou, “contudo, não eu, mas a benignidade imerecida de Deus que está comigo”. — 1 Coríntios 15:10.
18. De que maneira devemos usar nossos dons?
18 Como mordomos fiéis, desejaremos preocupar-nos com fazer pleno uso de quaisquer dons que tenhamos, para ajudar outros de maneira espiritual e material. A maneira em que fazemos isso também é muito importante. Sobre isso, Pedro escreveu:
“Se alguém falar, fale como que as proclamações sagradas de Deus; se alguém ministrar, ministre ele como dependente da força que Deus fornece; para que, em todas as coisas Deus seja glorificado por intermédio de Jesus Cristo. Dele são a glória e o poderio para todo o sempre. Amém.” — 1 Pedro 4:11.
19. Como podemos glorificar a Deus quando ajudamos outros em sentido espiritual e material?
19 Portanto, se ajudarmos outros de maneira espiritual, desejaremos falar de tal modo que mostremos que a fonte de nossas palavras consoladoras e amorosas é Jeová Deus. Quando isso se dá, nossa pregação e nosso ensino serão edificantes, não criando o sentimento de inferioridade e vergonha naqueles a quem nos esforçamos a ajudar. De modo similar, se contribuirmos nosso tempo e nossa energia para prestar ajuda física, desejaremos estribar-nos em Deus para ter força. Isto tiraria a ênfase de nossa própria capacidade e salientaria que Deus usa nossa capacidade para fazer o bem. Assim será glorificado nosso Pai celestial. (1 Coríntios 3:5-7) Visto que se dá ao Pai tal glória ou honra por sermos discípulos de seu Filho, Jeová Deus é “glorificado por intermédio de Jesus Cristo”. Sim, o Altíssimo é responsável por nos dar a capacidade e a força para fazer o bem.
20. Por que devemos aguardar a vinda do grande dia de Jeová, e, por isso, o que devemos estar fazendo?
20 Usando nosso tempo, nossos recursos e nossa energia para ajudar outros, mostramos que estamos numa condição de alerta espiritual, prontos para enfrentar o grande dia de Jeová. De fato, reconhecermos que o Senhor Jesus Cristo poderia vir a qualquer hora como executor da vingança divina poderá estimular-nos a permanecer espiritualmente acordados. Por isso, queremos sempre manter diante de nós a certeza da vinda do grande dia de Jeová. Visto que ele abrirá grandiosas oportunidades para todos os discípulos leais de Jesus Cristo, podemos aguardá-lo corretamente com viva expectativa. O dia de Jeová significará sermos libertos para sempre da injustiça e das pressões do atual sistema de coisas, a fim de usufruir as bênçãos dos “novos céus e uma nova terra”. Quão vital é mantermos “bem em mente” este dia, desejando-o ardentemente! (2 Pedro 3:12, 13) Participarmos zelosamente em divulgar o propósito de Deus aos outros dá evidência de termos a atitude correta. Mostra que estamos convencidos de que o dia de Jeová virá, e que outros precisam saber disso e agir em harmonia com este conhecimento vital.
21. (a) De que podemos ter certeza com relação à promessa de Deus de “novos céus e uma nova terra”? (b) Como nos deve afetar isso?
21 A promessa de Deus, de “novos céus e uma nova terra”, primeiro feita por meio do profeta Isaías, cumprir-se-á no seu significado mais pleno. (Isaías 65:17; 66:22) O domínio justo nas mãos de Jesus Cristo e de seus reis-sacerdotes associados, sobre a sociedade humana que se harmoniza com a lei divina, precisa tornar-se realidade. (Revelação 5:9, 10; 20:6) A certeza disso pode incitar-nos à ação, induzindo-nos a fazer o máximo para estar entre aqueles que terão as bênçãos resultantes. O apóstolo Pedro admoestou: “Amados, visto que aguardais estas coisas, fazei o máximo para serdes finalmente achados por ele sem mancha nem mácula, e em paz.” (2 Pedro 3:14) Como servos de Deus, devemos preocupar-nos de ser aprovados pelo Senhor Jesus Cristo, não ficando manchados ou maculados pelas atitudes, modos e ações do mundo. Queremos ficar livres da mancha do pecado. Visto que o pecado perturba nossa paz com Deus, então apenas por permanecermos numa condição em que nossos pecados podem ser expiados é que podemos ser achados “em paz” na vinda de seu grande dia.
APRECIE A PACIÊNCIA DIVINA
22. Por que não devemos ficar impacientes quanto ao cumprimento da promessa de Deus?
22 Embora aguardemos corretamente os “novos céus e uma nova terra”, não queremos ficar impacientes com o cumprimento da promessa. O fato de que o grande dia de Jeová não chegou já há muito tempo permitiu a nossa própria salvação. O apóstolo Pedro declarou:
“Considerai a paciência de nosso Senhor como salvação, assim como vos escreveu também o nosso amado irmão Paulo, segundo a sabedoria que lhe foi dada, falando destas coisas, como faz também em todas as suas cartas. Nelas, porém, há algumas coisas difíceis de entender, as quais os não ensinados e instáveis estão deturpando, assim como fazem também com o resto das Escrituras, para a sua própria destruição.” — 2 Pedro 3:15, 16.
23. (a) Por que não devemos abusar da paciência de Deus? (b) Como foi que alguns, no primeiro século, deixaram de reconhecer o motivo da paciência de Deus?
23 Nós, como pessoas que apreciamos a paciência de Jeová, queremos ter cuidado para não abusar dela, justificando determinado proceder egoísta com a alegação de que o grande dia de Deus ainda pode estar longe. Pelo visto, havia no primeiro século E. C. alguns crentes que fizeram isso. O apóstolo Pedro os descreveu como “não ensinados e instáveis”, a quem faltava um entendimento claro da Palavra de Deus e que eram instáveis com referência a doutrina e à prática cristãs. Essas pessoas até mesmo tentaram usar declarações das cartas do inspirado apóstolo Paulo e outras partes das Escrituras como desculpa para a sua conduta errada. Talvez tenham indicado o que Paulo escreveu sobre o exercício da consciência e sobre ser declarado justo pela fé, não pelas obras da lei mosaica, como dando margem para toda espécie de atos contrários à vontade de Deus. (Veja Romanos 3:5-8; 6:1; 7:4; 8:1, 2; Gálatas 3:10.) Talvez tenham usado mal pontos assim como os seguintes:
“Cristo nos libertou. Portanto, ficai firmes e não vos deixeis restringir novamente num jugo de escravidão.” (Gálatas 5:1) “Todas as coisas me são lícitas.” (1 Coríntios 6:12) “Todas as coisas são puras para os puros.” (Tito 1:15)
Mas, não faziam caso de que Paulo disse também:
“Não useis esta liberdade como induzimento para a carne, mas, por intermédio do amor, trabalhai como escravos uns para os outros. Pois a Lei inteira está cumprida numa só expressão, a saber: ‘Tens de amar o teu próximo como a ti mesmo.’” (Gálatas 5:13, 14) “Cada um persista em buscar, não a sua própria vantagem, mas a da outra pessoa.” — 1 Coríntios 10:24.
24. Por que devemos cuidar de nossas associações mesmo dentro da congregação?
24 Assim como na congregação do primeiro século, assim também hoje, há alguns que gostariam de ampliar os limites da liberdade cristã a ponto de ficarem escravizados ao pecado. Portanto, faremos bem em cuidar de nossas associações, para que não calamos sob alguma influência imprópria e não sejamos desviados. Trazendo isso à atenção, o apóstolo Pedro escreveu: “Vós, portanto, amados, tendo este conhecimento adiantado, guardai-vos para que não sejais desviados com eles pelo erro dos que desafiam a lei e não decaiais da vossa firmeza.” — 2 Pedro 3:17.
PROGRIDA COMO CRISTÃO
25, 26. Depois de obtermos fé, o que devemos fazer em harmonia com 2 Pedro 1:5-7?
25 Para não perdermos as bênçãos que Jeová Deus tem em reserva para nós, devemos querer progredir na vida e atividade cristã. (2 Pedro 3:18) Fazermos isso harmoniza-se com a exortação do apóstolo Pedro:
“Sim, por esta mesma razão, por contribuirdes em resposta todo esforço sério, supri à vossa fé a virtude, à vossa virtude, o conhecimento, ao vosso conhecimento, o autodomínio, ao vosso autodomínio, a perseverança, à vossa perseverança, a devoção piedosa, à vossa devoção piedosa, a afeição fraternal, à vossa afeição fraternal, o amor.” — 2 Pedro 1:5-7.
26 Jeová Deus nos deu por meio de seu Filho a capacidade de ter fé. Portanto, em resposta ou em conseqüência do que se fez a nosso favor, devemos querer desenvolver outras qualidades excelentes, que evidenciem que temos fé genuína. Fazemos isso por deixar que a Palavra de Deus e o seu espírito exerçam plena força na nossa vida. (2 Pedro 1:1-4) O apóstolo Pedro admoestou que devemos ‘contribuir todo esforço sério’, fazendo empenho diligente, com toda a força que temos, para cooperar com a obra que nosso Pai celestial faz para nos tornar cristãos completos. — Veja 1 Coríntios 3:6, 7; Tiago 1:2-4.
27. Que se quer dizer com acrescentar virtude à nossa fé?
27 Acrescentarmos virtude à fé significa esforçar-nos a ser pessoas de excelência moral, imitando nosso Exemplo, Cristo. Tal virtude ou excelência moral é uma qualidade positiva. Quem a possui não só se refreia de fazer o mal ou causar dano ao próximo, mas procura também fazer o bem, reagindo de modo positivo às necessidades espirituais, físicas e emocionais dos outros.
28. Por que é importante aumentar em conhecimento?
28 A excelência moral não pode existir separada do conhecimento. Precisamos de conhecimento para diferençar o certo do errado. (Hebreus 5:14) Ele é também essencial para avaliarmos exatamente como devemos expressar um bem positivo em determinada situação. (Filipenses 1:9, 10) Diferente da credulidade, que zomba do conhecimento ou mesmo resiste a ele, a fé sólida baseia-se no conhecimento e sempre tira proveito dele. Portanto, nosso empenho diligente em aplicar as Escrituras Sagradas fortalecerá nossa fé, ao passo que continuamos a aumentar em conhecimento de Jeová Deus e de seu Filho.
29. (a) Por que é essencial o conhecimento para cultivar o autodomínio? (b) Que relação há entre o autodomínio e a perseverança?
29 Este conhecimento contribui para nos refrear de nos entregarmos a paixões pecaminosas, de ficarmos imoderados e desenfreados na conduta, ou de nos tornarmos de outro modo culpados dum sério fracasso quanto a refletir a imagem divina em atitude, palavra e ação. O conhecimento contribui para termos autodomínio, a capacidade de frear a nós mesmos, nossas ações e nossas palavras. Pelo contínuo exercício do autodomínio, teremos a qualidade essencial da perseverança. A força íntima produzida pela perseverança também nos pode ajudar a resistir a paixões pecaminosas, a transigência quando sofremos perseguição ou a ficar preocupados com os cuidados diários, os prazeres ou os bens materiais. Esta perseverança provém de confiarmos no Altíssimo para ter força e orientação. — Veja Filipenses 4:12, 13; Tiago 1:5.
30. (a) O que é devoção piedosa, e como se manifesta? (b) O que mostra que a piedade não pode existir à parte da afeição fraternal?
30 A devoção piedosa ou reverência deve ser acrescentada à perseverança. Esta atitude distingue toda a vida do genuíno cristão. Manifesta-se na consideração sadia e honra dada ao Criador, e no profundo respeito e na preocupação com os pais ou outros a quem se deve devoção. (1 Timóteo 5:4) Sem a afeição fraternal, porém, não pode haver piedade. O apóstolo João declarou:
“Se alguém fizer a declaração: ‘Eu amo a Deus’, e ainda assim odiar o seu irmão, é mentiroso. Pois, quem não ama o seu irmão, a quem tem visto, não pode estar amando a Deus, a quem não tem visto.” (1 João 4:20)
Quem se orgulha de ter reverência e devoção ainda seria lamentavelmente faltoso se deixasse de mostrar afeição, bondade e amizade aos seus irmãos. Não podemos ser cordiais para com Deus e frios para com os nossos irmãos.
31. A quem devemos ter amor, e por quê?
31 O amor é a qualidade destacada que se deve evidenciar de modo especial na nossa vida. Esta espécie de amor não deve ser limitada aos nossos irmãos cristãos. Ao passo que devemos ter afeição aos nossos irmãos espirituais, devemos mostrar amor para com toda a humanidade. Este amor não depende da condição moral da pessoa a quem é expresso. Deve ser expresso até mesmo aos inimigos, em especial com o desejo de ajudá-los espiritualmente. — Mateus 5:43-48.
32. O que resulta da aplicação do conselho de 2 Pedro 1:5-7?
32 o que resulta quando se acrescentam à fé a virtude, o conhecimento, o autodomínio, a perseverança, a devoção piedosa, a afeição fraternal e o amor? O apóstolo Pedro responde: “Se estas coisas existirem em vós e transbordarem, impedirão que sejais quer inativos quer infrutíferos no que se refere ao conhecimento exato de nosso Senhor Jesus Cristo.” (2 Pedro 1:8) Não ficaremos então parados, inativos e espiritualmente mortos. Tendo no coração as qualidades piedosas como realmente fazendo parte de nós, seremos motivados a pensar, falar e agir dum modo aprovado por Deus. (Veja Lucas 6:43-45.) Quando isso se dá em nosso caso, a vinda do Senhor Jesus Cristo, para assumir o pleno controle dos assuntos da terra, será o início de bênçãos muito maiores do que agora podemos imaginar.
33-35. Que proveito tiramos de viver como discípulos de Jesus Cristo?
33 Portanto, que nunca fiquemos descuidados na nossa conduta ou no cumprimento de nossas responsabilidades cristãs, inclusive na obra vital de divulgar a outros a mensagem de Deus. Tendo escolhido uma vida como discípulos de Jesus Cristo, podemos ter uma consciência limpa e companheirismo sadio com concrentes. Podemos sentir a ajuda fortalecedora de Deus em tempos de provação, e nossa relação com os outros melhorará ao passo que aplicamos conscienciosamente os princípios bíblicos.
34 Não há nenhum aspecto da vida — no lar, no trabalho, nos tratos com autoridades governamentais, em todos os níveis — que não fique afetado para o bem, se nos esforçarmos a seguir a Palavra de Deus. Isto fará também que estejamos mais apercebidos da importância de empenhar todo o coração em contatar o maior número possível de pessoas com a mensagem consoladora da Bíblia. Teremos grande felicidade e verdadeiro senso de realização em cuidar das necessidades de nossos semelhantes, especialmente de suas necessidades espirituais.
35 O mais importante é que viver como genuínos discípulos de Jesus Cristo é o único proceder que oferece a promessa dum futuro eterno de vida feliz. Certamente, não queremos perder o que já ganhamos. Que cada dia que passa nos encontre num estado de alerta para a vinda de nosso Amo na qualidade de rei que é completamente vitorioso. Somente assim podemos ter parte na ilimitada alegria de termos escolhido apegar-nos ao nosso compromisso de servir fielmente a Jeová Deus.
-