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Familiarize-se com Deus e mantenha a pazA Sentinela — 1970 | 1.° de junho
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Familiarize-se com Deus e mantenha a paz
“Por favor, familiariza-te com ele e mantém a paz; assim virão a ti coisas boas.” — Jó 22:21.
1. Como aconteceu que Elifaz, o temanita, falou a Jó as palavras do texto acima?
QUANDO o homem Elifaz, o temanita, disse ao seu amigo Jó que se familiarizasse com Jeová Deus, segundo todas as aparências, Jó não estava em paz com Deus, nem mantinha a paz com ele. Pelas evidências, não vinham a Jó coisas boas. Do auge da prosperidade, ele fora lançado na mais profunda e abjeta pobreza. Perdera suas enormes posses, fora privado de seu dez belos filhos e caíra vítima duma doença repugnante, que o cobrira de úlceras, da cabeça aos pés. Sua esposa desesperada dissera-lhe tolamente que amaldiçoasse a Deus e morresse. Ao saberem desta calamidade sem precedentes, três conhecidos de Jó, um dos quais era este Elifaz, do sul, vieram para consolá-lo. Depois de examinarem calados a Jó, por sete dias, e ouvindo-o, então, invocar o mal sobre o dia em que nasceu, os três pretensos consoladores passaram a atacar a integridade de Jó para com Deus. (Jó 1:1 a 4:1) Foi no decorrer da discussão que se seguiu que Elifaz disse a Jó: “Por favor, familiariza-te com ele e mantém a paz; assim virão a ti coisas boas.” — Jó 22:21, NM; Tr.
2. Segundo sugerem as palavras de Elifaz, o que deixa de reconhecer o mundo moderno como necessário para que tenha paz?
2 As palavras de Elifaz, embora proferidas em desconhecimento do caso de Jó e dirigidas erroneamente a Jó, foram boas em si mesmas. Este mundo do século vinte deixa de reconhecer que os homens não podem ter paz entre si mesmos e gozar de prosperidade, se primeiro não se familiarizarem com Deus, chegarem a conhecer a Sua vontade e entrarem numa relação pacífica com ele, do Seu modo. Mas, como podem homens terrenos familiarizar-se com Deus, que é um Ser espiritual invisível, Conforme disse recentemente certo estudante universitário: “Como posso obter conhecimento pessoal de Deus?” E isto se deu num tempo em que o desassossego dos estudantes se espalha em toda a terra.
3. (a) Como podemos familiarizar-nos com Deus? (b) Como travou Deus conhecimento pessoal com uma nação, e de que modo foram favorecidos alguns homens dela?
3 Familiarizando-se com a Bíblia Sagrada, a pessoa pode familiarizar-se com Deus, seu Autor, pois a Bíblia nos fala de homens que fizeram de Deus parte de sua vida diária. Ela nos fala de homens antigos, de Enoque e Noé, dos quais se diz que andavam com Deus. (Gên. 5:22; 6:9) Sabia que este Deus travou conhecimento pessoal com toda uma nação, e que homens individuais desta nação tiveram visões milagrosas em que viram a Deus? Sabia que homens desta nação comiam e bebiam com Deus, na terra? O escritor do livro de Jó e dos primeiros cinco livros da Bíblia Sagrada nos fala de um contrato divino com esta nação, do qual ele foi mediador entre Deus e o homem. Este homem foi o profeta Moisés. Tal contrato ou pacto foi feito junto a um monte na península de Sinai, que faz parte da Arábia. Isto se deu na primavera (daquela região) do ano 1513 A. E. C., e Deus havia levado o povo de Moisés para lá, depois de libertá-los do Egito, ato pelo qual lhes deu a conhecer seu nome Jeová dum modo em que os antepassados deles nunca chegaram a avaliá-lo. — Êxo. 6:3.
4. De que modo vieram mais de setenta homens de Israel comer e beber com Deus, na terra?
4 Depois de celebrarem o pacto com Jeová Deus, com o sacrifício de vítimas animais, Moisés e seu irmão, bem como dois de seus sobrinhos e mais setenta homens da nação subiram ao monte Sinai. Êxodo 24:9-11 nos conta: “Moisés e Arão, Nadabe e Abiú, e setenta dos homens mais maduros de Israel passaram a subir, e chegaram a ver o Deus de Israel. E sob os pés dele havia o que se parecia a um trabalho de lajes de safira e aos próprios céus quanto à pureza. E ele não estendeu sua mão contra os homens distintos dos filhos de Israel, mas tiveram uma visão do verdadeiro Deus, e comeram e beberam.”
5. Viram estes homens favorecidos a figura de Deus, e por que era apropriado que estivessem “sob os pés dele”?
5 Na realidade, aqueles setenta e quatro homens não viram nenhuma figura ou forma de Deus. O que viram em visão foi uma demonstração espantosa da glória do “Deus de Israel”. Sob a gloriosa manifestação Dele, ou, como nós diríamos, “sob os pés dele”, aqueles homens favorecidos viram “o que se parecia a um trabalho de lajes de safira e aos próprios céus quanto à pureza”, ou semelhante ao céu claro, azul, sem nuvens. Aqueles homens estavam na terra, ou debaixo dos “pés” dele, em bela harmonia com a própria declaração de Deus: “Os céus são o meu trono e a terra é o meu escabelo.” Então, como poderia qualquer templo feito pelo homem, ou algum edifício de igreja, conter um Deus tão deslumbrantemente glorioso assim? Deveras, não o poderia conter. — Isa. 66:1; Atos 7:48, 49.
6. Estavam estes setenta e quatro homens em perigo por causa da visão de Deus, e que espécie de refeição tomaram com Ele?
6 A criatura humana encontra-se realmente numa posição perigosa quando tem uma visão do único Deus vivente e verdadeiro. Carne e sangue humanos são muito débeis e perecíveis quando aproximados a uma exibição da glória da pessoa de Deus. O homem pode ir apenas até certo ponto, e não além dele, ao observar a manifestação gloriosa do Deus invisível. Não é sem boa razão que Êxodo 24:11 diz a respeito daqueles setenta e quatro homens no monte Sinai: “E ele [isto é: Deus] não estendeu sua mão contra os homens distintos dos filhos de Israel, mas tiveram uma visão do verdadeiro Deus, e comeram e beberam.” Por certo, não comeram nem beberam dum modo excessivamente íntimo e irreverente; fizeram-no como numa refeição sacrificial. O que comeram foi provavelmente a parte do sacrifício de animais que cabia aos ofertantes comer nos sacrifícios de participação em comum, oferecidos a Deus ao sopé do monte Sinai. É provável que beberam vinho, usado como oferta de libação a Deus. Deste modo, aqueles homens reverentes participavam duma refeição comunal com Deus. Visto que foram considerados pessoas dignas, Deus não os matou. — Êxo. 24:1-11.
7. Como chegou Moisés a considerar o lugar da associação íntima com Deus?
7 Depois, quando o profeta Moisés estava sozinho com Deus no monte, ele não comeu, nem bebeu, por quarenta dias e noites. Considerava o local da associação íntima com Deus como lugar sagrado. Alguns meses antes, quando Moisés fora enviado para baixo, ao Egito, para libertar seu povo, o anjo de Deus lhe aparecera no meio dum arbusto ardente, ao sopé do monte Sinai, e lhe dissera: “Remove as tuas sandálias dos teus pés, porque o lugar em que estás parado é solo sagrado.” — Êxo. 3:1-5.
O QUE MOISÉS VIU DE DEUS
8. Como mostraram as palavras de repreensão faladas por Deus a Arão e a Miriã que posição favorecida Moisés ocupava perante Deus, e por que era isto apropriado?
8 Visto que foi mediador entre Jeová Deus e seu povo escolhido, viu Moisés a Deus de modo mais direto do que qualquer outra pessoa em toda a nação? Era possível que O visse de modo mais direto? Quão favorecido Moisés era neste sentido foi indicado por Deus ao irmão de Moisés, Arão, e à irmã dele, Miriã, quando eles se queixaram de Moisés. Deus disse: “Ouvi as minhas palavras, por favor. Se houver um profeta vosso para Jeová, seria numa visão que eu me daria a conhecer a ele. Falar-lhe-ia num sonho. Não assim com meu servo Moisés! Ele está sendo incumbido de toda a minha casa. Boca a boca falo com ele, mostrando-lhe assim, e não por enigmas; e a aparência de Jeová é o que ele contempla. Por que, pois, não temestes falar contra meu servo, contra Moisés?” (Núm. 12:1-8) Tudo isso foi muito apropriado com respeito a Moisés, pois ele foi figura profética do Filho de Deus, Jesus Cristo, o profeta prometido, que havia de ser maior do que Moisés. — Deu. 18:15-18; Atos 3:19-23; 7:37, 38.
9, 10. (a) Falarem-se os oradores de “boca a boca” sugere o que quanto a eles, e suscita que pergunta com respeito a Moisés? (b) Que promessa obteve Moisés de Deus, depois de Israel ter cometido idolatria junto ao monte Sinai?
9 Foi especialmente em certa ocasião que Moisés viu uma “aparência de Jeová”. Viu ele neste caso a forma de Deus diretamente? Quando pessoas se falam de “boca a boca”, sugere-se que se falam face a face; mas, viu Moisés realmente a face de Deus ali no monte Sinai? Naquele tempo, ainda era o ano 1513 A. E. C. A nação, apesar de ter os Dez Mandamentos, tornara-se culpada de idolatria. A situação era crítica. Por isso, Moisés achou necessário fazer um apelo especial a Deus no monte Sinai. Obteve de Jeová Deus a promessa de que a presença de Jeová acompanharia a Moisés até que tivesse levado seu povo à Terra da Promessa. Moisés diz:
10 “E Jeová prosseguiu, dizendo a Moisés: ‘Farei também esta coisa de que falaste, porque tens achado favor aos meus olhos e eu te conheço por nome.’
11, 12. O que pediu Moisés para ver, mas qual foi a resposta de Deus?
11 “A isso ele [isto é, Moisés] disse: ‘Por favor, faze-me ver a tua glória.’
12 “Mas ele disse: ‘Eu mesmo farei toda a minha bondade passar diante da tua face e vou declarar diante de ti o nome de Jeová; e vou favorecer ao que eu favorecer e vou ter misericórdia de quem eu tiver misericórdia.’ E acrescentou: ‘Não podes ver a minha face, porque homem algum pode ver-me e continuar vivo.’ E Jeová disse mais: ‘Eis um lugar junto a mim, e tens de postar-te sobre a rocha. E há de suceder que, quando a minha glória estiver passando, terei de colocar-te numa gruta na rocha e terei de pôr a palma da minha mão sobre ti como anteparo, até eu ter passado. Depois terei de tirar a palma da minha mão e hás de ver-me pelas costas. Mas a minha face não se pode ver.’” — Êxo. 33:17-23.
13. Seria esta manifestação por meio duma materialização de Deus, e por que se precisavam tomar precauções especiais quanto a Moisés?
13 Não seria uma materialização do Deus invisível em forma humana, assim como se diz que os deuses da mitologia grega apareceram aos homens. (Atos 14:11-13) Havia de ser uma manifestação da glória divina num grau que não fosse demais para uma pessoa humana ver e presenciar sem ficar cega, ser morta e dissolvida em nada. Jeová prometeu misericordiosamente tomar precauções especiais para com Moisés. No dia seguinte, houve a manifestação prometida, de um modo como nenhum homem, além de Moisés, já viu. Moisés, seguindo as instruções divinas, apresentou-se no monte Sinai com duas tábuas de pedra, nas quais Deus havia de escrever os Dez Mandamentos. O que aconteceu então?
14, 15. O que fez Deus quando passou por Moisés, e o que fez Moisés?
14 “E Jeová passou a descer na nuvem e a pôr-se ali junto dele, e passou a declarar o nome de Jeová. E Jeová ia passando diante da sua face e declarando: ‘Jeová, Jeová, Deus misericordioso e clemente, vagaroso em irar-se e abundante em benevolência e em verdade, preservando a benevolência para com milhares, perdoando o erro, e a transgressão, e o pecado, mas de modo algum isentará da punição, trazendo punição pelo erro dos pais sobre os filhos e sobre os netos, sobre a terceira geração e sobre a quarta geração.’
15 “Moisés apressou-se imediatamente a inclinar-se para a terra e a prostrar-se.” — Êxo. 34:1-18.
16. De que modo foi o semblante de Moisés afetado por aquilo que viu, e como ficou melhor familiarizado com Deus por meio desta experiência?
16 Moisés não nos diz que viu a forma de Deus diretamente. Tudo o que ele viu foi o reflexo da manifestação de Deus, que passava. Todavia, a própria face de Moisés emitia raios de luz quando desceu do monte e se apresentou ao povo. (Êxo. 34:29, 30) Ainda melhor, Moisés veio a familiarizar-se com Jeová Deus! Quão maravilhosa é a declaração a respeito da personalidade de Deus, feita a Moisés! Que suposto deus se pode comparar com Jeová?
17. Como que espécie de Deus se descreve Jeová, e o que merece ser associado com tal personalidade?
17 Ele nos assegura que é Deus de amor, e, no entanto, também de justiça, tendo o poder do autodomínio quando lida com a humanidade pecadora. E, ao lidar assim com a humanidade imperfeita, mantém o tratamento amoroso dela em perfeito equilíbrio com um tratamento justo, exibindo assim espantosa sabedoria em todas as circunstâncias e condições variadas. Que Deus incomparável! Deus de perfeito amor, perfeita justiça, perfeito poder e perfeita sabedoria. Tal personalidade adorável merece ser associada com um fulgor de glória brilhante demais para ser vista pelos fracos olhos humanos ou para o débil corpo humano se encontrar com ela.
18. (a) Contra o que foi Moisés isolado ao passar a Presença Divina? (b) Em resultado disso, como nos podemos familiarizar melhor com este Deus Jeová?
18 Não é de se admirar, então, que se tinham de tomar precauções especiais para dar a Moisés suficiente isolamento contra dano ou mesmo contra ele ser destruído ao passar por ele a glória de Jeová e Este declarar Seu nome incomparável, enquanto Moisés escutava dentro da gruta duma rocha. Nem Moisés, nem qualquer outro homem, jamais poderiam ter visto a face de Deus e ter sobrevivido! O mero homem morreria antes que a “face” ou plena manifestação da glória de Deus o atingisse. Moisés se viu compelido a se inclinar e prostrar em adoração ao passar a gloriosa Presença Divina. Quão ridículo é, então, um astronauta russo dizer que não há Deus por que não o encontrou quando a sua nave espacial orbitava no espaço em volta da terra! Mas nós, hoje, por crermos na visão que Moisés teve da glória divina e a aceitarmos, nos familiarizamos melhor com este maravilhoso Deus Jeová.
ISAÍAS VÊ DEUS EM VISÃO
19, 20. (a) Onde obteve o profeta Isaías a sua visão de Deus, e depois de que profanação do templo? (b) Quando teve Isaías a sua visão, e que particularidades dela descreve?
19 Moisés não permaneceu o único, entre os homens, que teve uma visão de Jeová Deus, familiarizando-se assim melhor com Ele. Passaram-se setecentos e trinta e seis anos, e o cenário mudou do monte Sinai, na Arábia, para os morros da antiga Jerusalém. Havia um glorioso templo no monte Moriá da cidade. Mas, uma terrível calamidade havia abalado a nação. O próspero rei Uzias ou Azarias tivera a presunção de invadir o primeiro compartimento santo do templo para oferecer ali incenso, igual a um sacerdote, e fora atacado de lepra, da qual, por fim, morreu como proscrito. Durante o seu padecimento repugnante, seu filho Jotão teve de servir como rei no trono de Jerusalém. No ano da morte infeliz de Uzias (777 A. E. C.) e provavelmente depois de ele ter morrido, o profeta Isaías teve uma visão de Deus. Esta foi diferente da visão dada a Moisés. O próprio Isaías nos conta:
20 “No ano em que morreu o Rei Uzias, eu, no entanto, cheguei a ver Jeová sentado num trono enaltecido e elevado, e as orlas da sua veste enchiam o templo. Acima dele havia serafins de pé. Cada um tinha seis asas. Com duas cobria sua face, e com duas cobria seus pés, e com duas voava. E este clamou para aquele e disse: ‘Santo, santo, santo é Jeová dos exércitos. A plenitude de toda a terra é sua glória.’ E os pivôs dos limiares começaram a estremecer diante da voz daquele que clamava, e a própria casa encheu-se gradualmente de fumaça.” — Isa. 6:1-4; 2 Crô. 26:1-23.
21. Como mostra a visão que Jeová é Rei de seu povo?
21 Não se fornece nenhuma descrição da Pessoa Divina, visto que Deus não pode ser comparado a nenhuma criatura humana. As orlas da sua veste majestosa enchiam o templo. Seu templo é um palácio, e ele é o Rei celestial, invisível, do seu povo. De modo que seu trono não descansa no solo, mas, além de ser enaltecido, é elevado.
22. Como demonstraram os serafins seu respeito para com a presença de Deus e a santidade do local?
22 Os serafins, cuja aparência é comparada a um fogo chamejante, não estão sentados na presença de Jeová, mas, enquanto o servem, estão de pé, sempre de prontidão. O profeta Isaías olhava então, com rosto desvelado, para a visão de Deus, mas aqueles serafins celestiais não presumiam então poder olhar, mas cobriam a sua face com as suas duas asas superiores. Como estando em lugar sagrado, os serafins cobriam os pés com as suas asas inferiores, mostrando o devido respeito para com o Rei celestial, “Jeová dos exércitos”. Com as suas asas do meio, os serafins voavam como criaturas celestes.
23. Como enfatizaram os serafins a santidade de Jeová e profetizaram a respeito de Sua glória?
23 Nesta visão do templo, foram estes serafins os que declararam a santidade e a glória de Deus. A fim de enfatizarem a santidade suprema de “Jeová dos exércitos”, repetiram a palavra “santo” três vezes, fazendo tal declaração tríplice de uns para os outros entre si. A glória de Deus não só encheu a casa ou o templo, mas havia de tornar-se também a “plenitude de toda a terra”. Já podemos ver a glória de Jeová Deus em todas as suas obras magistrais da criação, tanto nas coisas animadas como nas inanimadas. Mas, aproxima-se o tempo em que todos os habitantes da terra participarão conosco em discernir a glória de Jeová nas coisas que ele criou, e não mais farão da terra um lugar profano, dessagrando-a e aviltando-a. Não é em vão que se predisse: “A terra se encherá do conhecimento da glória de Jeová assim como as próprias águas cobrem o mar.” (Hab. 2:14) O canto entoado pelos serafins no templo de Jeová foi profético.
24. Por que tinha Isaías razões para temer ao ter a visão, segundo o que ele exclamou?
24 Em vista desta visão de Jeová, entronizado no seu templo, o profeta Isaías ficou com medo. Diante das vozes dos serafins, clamando uns para os outros, os pivôs dos limiares do templo começaram a estremecer; portanto, por que não havia de estremecer Isaías, que era criatura vivente com sentimentos religiosos sensíveis? Embora já fosse profeta de Jeová Deus, sentia-se impuro diante de tal quadro santo. Ele temeu até mesmo pela sua vida! “Ai de mim!” clamou. “Pois, a bem dizer, fui silenciado [na morte], porque sou homem de lábios impuros e moro no meio de um povo de lábios impuros; pois os meus olhos viram o próprio Rei, Jeová dos exércitos!” — Isa. 6:5.
25. Com a ajuda do serafim de que modo sobreviveu Isaías para contar a história?
25 Como conseguiu Isaías sobreviver para contar o que aconteceu? Foi assim: Um dos serafins alados, vindo do templo então cheio da fumaça milagrosa, veio em seu auxílio. “Em vista disso”, nos conta Isaías, “voou para mim um dos serafins, e na sua mão havia uma brasa viva que ele tirara do altar com uma tenaz. E ele passou a tocar-me a boca e a dizer: ‘Eis que isto tocou os teus lábios, e teu erro sumiu e o próprio pecado teu está expiado.’”
26. (a) Para o que se ofereceu Isaías, então já purificado? (b) De que modo prefigurou Isaías deveras o Messias e nos deu uma lição?
26 Isaías sentiu-se então limpo na Presença Divina, até mesmo o suficientemente puro para se oferecer para mais serviço profético de Jeová. “E”, diz ele, “comecei a ouvir a voz de Jeová, dizendo: ‘A quem enviarei e quem irá por nós?’ e eu passei a dizer: ‘Eis-me aqui! Envia-me.’ E ele prosseguiu, dizendo: ‘Vai, e tens de dizer a este povo.’” Isaías foi enviado imediatamente numa missão profética que prefigurava a obra do vindouro Messias, ainda mais de oitocentos anos no futuro. Isaías nunca se esqueceu daquela visão da glória de Jeová no templo. Isaías, como prefiguração correta do Messias, mostrou-se fiel à sua comissão recebida de Jeová. (Isa. 6:6-13; Mat. 13:10-15) Mas, que dizer de nós? Oferecemo-nos prontamente ao serviço de Jeová Deus, ao nos familiarizarmos melhor com Ele, assim como Isaías fez? Sim, conhecermos mais de perto a Deus nos impele a dizer-lhe: “Eis-me aqui! Envia-me.”
AS VISÕES DO PROFETA EZEQUIEL
27. Quando começou o profeta Ezequiel a ter visões de Deus?
27 Antes de vir o Messias ou Ungido, ainda outro homem teve visões milagrosas do Deus vivente e verdadeiro. Este foi o profeta Ezequiel, no século que se seguiu ao de Isaías. A ruína que Isaías predissera como vinda sobre o seu próprio povo distava apenas seis anos quando Ezequiel teve a sua primeira visão pasmosa. Ele se achava naquele tempo no exílio na Babilônia pagã. Diz que foi “enquanto eu estava no meio do povo exilado junto ao rio Quebar, que se abriram os céus e comecei a ver visões de Deus”. Ele datou isso como ocorrendo em 5 de tamuz do ano, segundo o calendário judaico, quer dizer, “no quarto mês, no quinto dia do mês” e “no quinto ano de exílio do Rei Joaquim”, ou no ano 613 antes de nossa Era Comum. — Eze. 1:1-4.
28. Na sua primeira visão, o que viu Ezequiel em movimento e o que impulsionava a este?
28 Naquele tempo, o Criador dos céus e da terra estava marchando para executar sua decisão judicial contra o seu povo infiel no reino de Judá, com a sua capital em Jerusalém. Concordemente, o que Ezequiel viu era como que algo em movimento. Parecia-se a um carro tão gigantesco, que ele se sentiu como formiga. Não tinha motor a gasolina, nem motor elétrico ou atômico para impulsioná-lo, não obstante, avançava rapidamente, passando sobre tudo o que se achava no seu caminho. Não tinha volante de direção visível, nem freios; não obstante, podia mudar de direção, passando do seu movimento diretamente para a frente para um movimento lateral, num instante, sem diminuir a velocidade para vencer a inércia do carro. O que movia a este carro colossal? Evidentemente a força ativa, o espírito Daquele que andava no carro.
29. O que havia de especial quanto às rodas deste carro celestial?
29 Não se tratava dum carro de duas rodas. Era um de quatro rodas. Quanto às próprias rodas, tinham uma construção estranha. Podiam evidentemente enxergar para onde andavam, pois, as cambotas estavam cheias de olhos, em todo o redor. Além disso, dentro de cada roda que girava para a frente havia outra roda atravessada em ângulo reto, vertical, tornando possível que o carro se movesse para os lados sem que suas rodas dessem volta como para contornar uma esquina. Observe como Ezequiel descreve a locomoção deste carro.
30. Como descreve Ezequiel o movimento das rodas do carro?
30 “Quanto ao aspecto das rodas e da sua estrutura, era como o brilho de crisólito; e as quatro tinham uma só semelhança. E seu aspecto e sua estrutura eram como quando uma roda mostra estar dentro de uma roda. Quando iam, iam pelos seus quatro lados respectivos. Não se viravam para outro lado ao irem. E quanto às suas cambotas, eram de tal altura que metiam medo; e suas cambotas estavam cheias de olhos ao redor das quatro.” — Eze. 1:16-18.
31. Quem acompanhava o carro como corredores?
31 Nos tempos antigos, costumava haver uma escolta de corredores na frente e ao lado dos carros reais, para dar grandiosidade ao que andava no carro. (1 Reis 1:5; 18:44-46) Havia quatro querubins que acompanhavam o carro celeste visto pelo profeta Ezequiel na visão. Aqueles querubins correspondiam aos corredores. No princípio, Ezequiel os chamou de “criaturas viventes”. Certamente não se tratava de criaturas humanas, embora tivessem algumas particularidades de homem. (Eze. 1:5, 15; 10:9-13) O profeta Ezequiel nos ajuda a visualizar como a vista das quatro criaturas viventes e do carro se lhe apresentou com glória quase indescritível:
32. Segundo a descrição de Ezequiel, que aspecto tinham os querubins?
32 “E comecei a ver, e um vento tempestuoso procedente do norte, uma grande massa de nuvens e um fogo cintilante, e havia ao redor dela uma claridade, e do meio dele procedia algo que tinha o aspecto de electro, do meio do fogo. E do meio dele procedia a semelhança de quatro criaturas viventes, e seu aspecto era o seguinte: elas tinham a semelhança de homem terreno. E cada uma tinha quatro faces, eis que havia e cada uma delas, quatro asas. E seus pés eram pés retos e a planta de seus pés era como a planta do pé de um bezerro; e reluziam como que com o brilho de cobre brunido. E havia mãos de homem debaixo das suas asas nos seus quatro lados, e as quatro tinham suas faces e suas asas. Suas asas estavam unidas umas às outras. Não se viravam ao irem; cada uma ia diretamente para a frente.”
33. Que faces tinham as querubínicas criaturas viventes?
33 O profeta Moisés não forneceu nenhuma descrição dos querubins que apareceram à entrada do jardim do Éden, mais de trinta e quatro séculos antes, quando foram expulsos os pecadores Adão e Eva. (Gên. 3:24) Mas o profeta Ezequiel nos fornece a descrição acima mencionada, das querubínicas criaturas viventes, e acrescenta o seguinte: “E quanto à semelhança das suas faces, as quatro tinham uma face de homem, com uma face de leão à direita, e as quatro tinham uma face de touro à esquerda; as quatro tinham também uma face de águia. Assim eram as suas faces. E suas asas separavam-se para cima. Cada uma tinha duas unidas entre si e duas cobrindo seu corpo.” — Eze. 1:4-11.
34. Como se sincronizavam as rodas com o movimento dos querubins?
34 Como se sincronizavam as rodas do carro celestial com o movimento dos querubins semelhantes a corredores? O profeta Ezequiel nos conta isso: “E quando as criaturas viventes iam, as rodas iam ao lado delas, e quando as criaturas viventes se elevavam da terra, as rodas se elevavam. Iam aonde quer que o espírito se inclinava a ir, inclinando-se o espírito a ir para lá; e as próprias rodas se elevavam bem ao lado delas, porque o espírito da criatura vivente estava nas rodas. Quando iam, estas iam; e quando paravam, estas paravam; e quando se elevavam da terra, as rodas se elevavam bem ao lado delas, porque o espírito da criatura vivente estava nas rodas.” — Eze. 1:19-21.
35, 36. (a) O que simbolizam as particularidades dos querubins? (b) O que viu Ezequiel pouco acima dos querubins e das rodas, e o que ouviu Ele?
35 Naturalmente, não existem nos céus, no domínio espiritual, invisível, criaturas segundo a descrição destas querubínicas criaturas viventes. Por esta razão, as diversas particularidades de sua aparência aparentemente grotesca eram simbólicas de boas qualidades, tais como se destacam no homem, no leão, no touro, na águia e em outras criaturas aladas. Interessantes como sejam tais qualidades, estamos no momento mais interessados naquilo que havia acima das quatro criaturas viventes, querubínicas, e acima das rodas ao seu lado. O que viu o profeta Ezequiel lá em cima? Ele nos conta:
36 “E sobre as cabeças das criaturas viventes havia a semelhança duma expansão igual à cintilação de gelo que mete medo, estendida acima das suas cabeças. E debaixo da expansão, suas asas eram retas, uma em direção à outra. Cada uma tinha duas asas cobrindo este lado e cada uma tinha duas cobrindo aquele lado do seu corpo. E eu estava ouvindo o ruído de suas asas quando iam, um ruído igual ao de vastas águas, igual ao som do Todo-poderoso, o ruído dum tumulto, igual ao ruído dum acampamento. Quando paravam, abaixavam as suas asas.” — Eze. 1:22-24.
37. De que serviu no carro esta “expansão”, e o que predominava sobre todos os outros sons?
37 Ah! Aquela “expansão”! Era a base daquele carro celeste. Parecia-se a gelo transparente, mas era pasmosa. Aquele que andava no carro foi assim representado como que avançando para a execução de sua decisão judicial numa base firme, como água congelada. Abaixo desta base pasmosa, o ruído do movimento do carro do Todo-poderoso era como o de águas tumultuosas, ou como o dum acampamento de soldados clamando para entrar em ação, para executar os inimigos do Todo-poderoso. Mas havia uma voz que predominava sobre todos os ruídos abaixo da base ou “expansão” semelhante a gelo. O profeta Ezequiel a ouve procedente de cima da expansão pasmosa. Vem do Todo-poderoso que anda sobre esta base do carro. Que aspecto assumiu? Ezequiel nos conta:
QUEM ANDAVA NO CARRO CELESTIAL
38. Que descrição faz Ezequiel daquele que andava no carro e das luzes em volta dele?
38 “E veio a haver uma voz acima da expansão que havia sobre a sua cabeça. (Quando paravam, abaixavam as suas asas.) E acima da expansão que havia sobre a sua cabeça havia algo da aparência de pedra de safira, a semelhança dum trono. E sobre a semelhança do trono havia nele, por cima, a semelhança de alguém com aspecto de homem terreno. E eu estava vendo algo semelhante ao brilho de electro, semelhante ao aspecto do fogo, em todo o redor, por dentro, da aparência dos seus quadris para cima; e da aparência dos seus quadris para baixo vi algo semelhante ao aspecto do fogo, e ele tinha uma claridade em todo o redor. Havia algo semelhante ao aspecto do arco que vem a haver numa massa de nuvens no dia duma chuvada. Assim era a aparência da claridade ao redor. Tinha o aspecto da semelhança da glória de Jeová. Quando cheguei a ver isto, então me lancei com a face por terra e comecei a ouvir a voz de alguém falando.” — Eze. 1:25-28.
39. (a) Em suma, com que palavra se podem resumir todas aquelas luzes? (b) Quantos pormenores se fornecem sobre aquele que andava no carro, e com que se parecia o seu trono?
39 O brilho semelhante ao de electro (liga metálica de ouro e prata), o fogo completamente cercando e delineando a quem andava no carro, com uma claridade em todo o redor, e o arco semicircular com toda a variedade de cores do arco-íris — tudo isso se resume na única palavra de descrição: “glória”. A “glória de Jeová”! Havia a semelhança duma forma que sugeria a dum homem, com a “aparência dos seus quadris”. Mas não se fornecem pormenores das particularidades do rosto e da figura. O trono em que este Todo-poderoso, Jeová, está sentado é como uma pedra de safira, peritamente cortada e lavrada, cujo azul intenso sugere os céus, onde Jeová realmente está entronizado. Foi deste trono semelhante à safira que Jeová falou com o seu profeta Ezequiel!
40. No ano seguinte, Ezequiel teve uma visão do carro celestial como estando em que lugar?
40 No ano seguinte, o profeta Ezequiel teve outra visão do carro celeste de Jeová, com as rodas ao lado das quais havia as querubínicas criaturas viventes, esta vez, porém, na frente do templo construído pelo Rei Salomão em Jerusalém. “E eu continuei a ver”, diz Ezequiel, “e eis que havia na expansão sobre a cabeça dos querubins algo como pedra de safira, como o aspecto da semelhança de um trono, aparecendo por cima deles. . . . E os querubins estavam de pé à direita da casa quando o homem entrou, e a nuvem enchia o pátio interno. E a glória de Jeová começou a elevar-se de cima dos querubins, junto ao limiar da casa, e a casa ficou aos poucos cheia da nuvem e o próprio pátio estava cheio da claridade da glória de Jeová. E o próprio ruído das asas dos querubins fez-se ouvir no pátio externo como o som de quando o Deus Todo-poderoso fala.” — Eze. 10:1-5; 8:1.
41. (a) Desde onde rodara o carro, e o que sugere o novo lugar em que se encontrava? (b) Em que sentido era como se o próprio Ezequiel destruísse Jerusalém?
41 Portanto, o carro celeste de Jeová rodara desde o rio babilônico Quebar, onde Ezequiel teve a primeira visão dele, para o oeste até Jerusalém e seu templo. Isto indicava que se aproximara a execução ardente da decisão judicial de Jeová sobre a infiel Jerusalém e seu poluído templo. A cidade, junto com o seu templo, havia de ser destruída. (Eze. 10:6-22) Em sentido figurado, o próprio Ezequiel estava destruindo a cidade infiel de Jerusalém. Como? Por receber de Jeová a comissão de ser profeta e então proclamar a mensagem da iminente destruição. Vinte anos depois de Ezequiel ter visto o carro de Jeová junto ao rio Quebar, ou quatorze anos após a própria destruição de Jerusalém, Ezequiel foi induzido a pensar outra vez na sua missão destrutiva naquele tempo. No vigésimo quinto ano do seu exílio em Babilônia, ele recebeu a visão dum novo templo de Jeová, em toda a sua inteireza. Um anjo, assumindo a aparência dum homem, conduziu a Ezequiel numa excursão.
42. Quatorze anos após a destruição de Jerusalém, que visão de Deus teve Ezequiel com relação ao novo templo?
42 “Então me fez ir ao portão, o portão que dá para o leste”, diz Ezequiel. “E eis que vinha a glória do Deus de Israel da direção do leste, e sua voz era como a voz de vastas águas; e a própria terra brilhava por causa da sua glória. E era como a aparência da visão que tive, como a visão que tive quando vim para arruinar a cidade; e havia aparições como a aparição que vi junto ao rio Quebar, e fui lançar-me com a face por terra. E a própria glória de Jeová entrou na casa pelo caminho do portão cuja frente dava para o leste.” — Eze. 43:1-4; 40:1-4.
43. O que indica o efeito da visão sobre Ezequiel quanto glória de Deus?
43 Tão gloriosa foi a visão do Todo-poderoso Deus Jeová, que bastou para fazer um frágil homem de carne lançar-se com a face por terra e prostrar-se. A glória de Jeová Deus não é para ser olhada de modo profano, impudente e desafiador. As visões milagrosas que Ezequiel teve da “glória de Jeová” eram bastante espantosas para fazer o homem sentir-se intimidado e obrigado a adorar. Mas, Ezequiel sobreviveu a estas experiências extraordinárias, segundo era o propósito de Deus para ele.
44. Em vista da visão de Ezequiel, por que cabe agora aos homens familiarizar-se com Deus e vir a ter paz com ele?
44 Jeová Deus é glorioso ao andar vitoriosamente no seu carro celeste, assistido por suas querubínicas criaturas viventes. Hoje ele anda de modo similar para a execução de seus julgamentos. Cabe agora aos homens familiarizar-se com este Deus, e estabelecer e manter a paz com ele.
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Familiarizar-se com Deus resulta em paz eternaA Sentinela — 1970 | 1.° de junho
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Familiarizar-se com Deus resulta em paz eterna
1. Quando teve Daniel a sua visão de Jeová, e o que viu ele no início da visão?
CERCA de sessenta anos depois que Ezequiel teve a sua primeira visão de Jeová andar gloriosamente no seu carro, outro companheiro de exílio de Ezequiel, em Babilônia, teve uma visão de Deus como Soberano do universo. A visão veio à noite. A narrativa em Daniel 7:1-3 reza: “No primeiro ano de Belsazar, rei de Babilônia, o próprio Daniel teve um sonho e visões da sua cabeça, sobre a sua cama. Naquele tempo ele anotou o próprio sonho. Fez o relato completo dos assuntos. Daniel falou e disse: ‘Aconteceu que eu estava vendo nas minhas visões durante a noite, e eis que os quatro ventos dos céus agitavam o vasto mar. E quatro animais gigantescos subiam do mar, cada um diferente dos outros.’” — Dan. 7:1-7.
2. O que é simbolizado pelas quatro feras, e por que razão seriam julgadas as feras simbólicas pelo Juiz Supremo?
2 A visão foi profética. Segundo o que um intérprete na visão disse a Daniel, os quatro animais gigantescos representavam quatro potências mundiais que apareceriam sucessivamente no palco da política do mundo. Sua dominação política de toda a terra avançaria desde os dias do avô de Belsazar, Nabucodonosor, que havia destruído Jerusalém em 607 A. E. C. Continuaria até o tempo em que Deus estabeleceria seu prometido reino e destruiria os governos políticos animalescos da terra. Estas potências mundiais seriam julgadas segundo os seus antecedentes, especialmente segundo os seus tratos com o povo fiel de Jeová Deus. Ele é o Juiz Supremo, sendo o Soberano de todo o universo. Na visão de Daniel, chegara Seu tempo para julgar aquelas potências mundiais, políticas, animalescas, e para executar sua sentença judicial. Ele se apresentou então como Juiz Supremo. Como apareceu na visão a Daniel, Daniel nos diz:
3. Que aparência teve o Juiz Supremo para Daniel, na visão?
3 “Eu estava observando até que se colocaram uns tronos [um para Jeová Deus, e o outro, provavelmente, para o seu Messias ou Cristo] e o Antigo de Dias se assentou. Sua vestimenta era branca como a neve e o cabelo de sua cabeça era como pura lã. Seu trono era chamas de fogo; as rodas dele eram fogo ardente. De diante dele corria e saía um rio de fogo. Mil vezes mil lhe ministravam e dez mil vezes dez mil ficavam de pé logo diante dele. Assentou-se o Tribunal e abriram-se livros.” — Dan. 7:9, 10.
4. Por meio de que são representados hoje os que hão de ser julgados, e o que indica a cor do cabelo e da vestimenta do Juiz?
4 Aqui se visiona a Jeová Deus, “o Antigo de Dias”, numa cena de tribunal, vindo para julgar, para sentenciar, não especificamente a Judá e Jerusalém, como no caso da visão de Ezequiel a respeito do carro celeste, mas as potências mundiais, políticas, de toda a terra. Nos dias atuais, estas seriam a sétima potência mundial e os restos das seis potências mundiais precedentes. As potências mundiais, representadas pelos quatro enormes animais simbólicos saídos do mar, precisam ser julgadas. A sabedoria deste Juiz do Supremo Tribunal é salientada em que o cabelo de sua cabeça é “como pura lã”. Esta particularidade concorda plenamente com ele ser chamado de “Antigo de Dias”, e ele tem a sabedoria de toda a eternidade passada. O profeta Moisés disse-lhe, em Salmo 90:2: “Sim, de tempo indefinido a tempo indefinido, tu és Deus.” O brilho da sua justiça ao fazer as decisões judiciais é representado em que a “sua vestimenta era branca como a neve”, vestimenta que tampouco pegava fogo, embora o ‘trono fosse chamas de fogo’. Seu trono é um trono de rodas, não descansando no estrado dum carro, como na visão de Ezequiel. Mas as próprias rodas do trono “eram fogo ardente”. Tratava-se deveras duma visão gloriosa de Jeová Deus.
5. A qualidade ardente do trono do Juiz e das suas rodas, com a corrente de fogo na sua frente, sugere o quê?
5 A qualidade ardente do trono e das suas rodas sugere que se avizinha um julgamento ardente. Um aviso disso é provido no fato de que “de diante dele corria e saía um rio de fogo”. Esta particularidade da visão é apoiada biblicamente pelo Salmo 97:1-3: “O próprio Jeová se tornou rei! . . . justiça e juízo são o lugar estabelecido do seu trono. Diante dele vai o próprio fogo e consome os seus adversários em todo o redor.”
6. O que é indicado pelo grande número de assistentes no tribunal, e que pergunta se levanta, por isso, quanto às nações terrenas?
6 O Antigo de Dias, como Juiz Supremo, tem também bastantes assistentes no tribunal, cujo número ascende a dezenas de milhões. O grande número destes assistentes indica que o Juiz Supremo tem de lidar com muitíssimos assuntos em todo o céu, bem como na terra. Apenas alguém com tal sabedoria sublime poderia tratar de todos eles de modo justo, sem decisões contraditórias. Visto que ele tem um número tão vasto de assistentes angélicos no tribunal, o que podem fazer todas as potências políticas da terra, mesmo numa organização de Nações Unidas composta de todas elas, para resistir à plena execução das suas decisões judiciais? A destruição delas, no futuro próximo, é certa! É verdade que subira um chifre pequeno, mas agressivo, da cabeça do quarto animal simbólico. Mas, o que pode ele fazer? Nada, segundo o que Daniel diz a seguir:
7. O que se vê acontecer tanto ao chifre e à fera que o leva, como às outras feras?
7 “Continuei observando naquele tempo por causa do som das palavras grandiosas faladas pelo chifre; eu estava observando até que o animal foi morto e seu corpo foi destruído, e foi entregue ao fogo ardente. Mas, quanto aos demais animais, tirou-se-lhes o seu domínio e foi-lhes dado prolongamento de vida por um tempo e uma época.” — Dan. 7:11, 12.
8. Quando terminarão o “tempo e uma época” para quaisquer restos políticos, e o que significará a destruição dos elementos políticos deste sistema?
8 O “tempo e uma época” dos restos políticos das anteriores potências mundiais terminam na “guerra do grande dia de Deus, o Todo-poderoso”, no Har-Magedon. (Rev. 16:14-16) O que significará a destruição de todos os elementos políticos do atual sistema de governo no Har-Magedon? Significa decididamente o fim duma época na história humana! Haverá uma mudança de regência para o mundo da humanidade. Quem será o novo regente da humanidade? Revela isso a visão de Daniel? Escute o que Daniel nos diz que viu:
9. A quem vê Daniel ser levado perante o Juiz, e o que se dá a este?
9 “Continuei observando nas visões da noite e eis que aconteceu que chegou com as nuvens dos céus alguém semelhante a um filho de homem; e ele obteve acesso ao Antigo de Dias, e fizeram-no chegar perto perante Este. E foi-lhe dado domínio, e dignidade, e um reino, para que todos os povos, grupos nacionais e línguas o servissem. Seu domínio é um domínio de duração indefinida, que não passará, e seu reino é um que não será arruinado.” — Dan. 7:13, 14.
10. O que diz o intérprete na visão a respeito da transferência do reinado, aqui representado?
10 Uma interpretação desta particularidade alegradora foi dada a Daniel por alguém que apareceu na visão. As palavras de sua interpretação são emocionantes, como segue: “E o reino, e o domínio, e a grandiosidade dos reinos debaixo de todos os céus foram entregues ao povo que são os santos do Supremo. Seu reino é um reino de duração indefinida e a eles é que servirão e obedecerão todos os domínios.” — Dan. 7:27.
11. (a) Deve ser repreendido o Juiz Supremo por ter representado as potências mundiais como feras, tratando-as como tais? (b) A quem confia ele a nova regência?
11 Que familiarização com Deus, o “Supremo”, esta visão de Daniel nos fornece! Ele é o Altíssimo sobre toda a criação no céu e na terra! Ele é o Juiz Presidente do Tribunal da Última Instância! Nações inteiras, sim, todas as nações têm de prestar contas a ele. Governam hoje, como o fizeram já por tanto tempo, só com a Sua permissão. Quem é que há na terra que pode repreender a Ele, o Juiz, por representar as potências mundiais, políticas, como gigantescos animais que sobem do mar tempestuoso? Quando vier o tempo designado pelo Juiz Supremo, ele causará o fim das potências mundiais, políticas, animalescas, em destruição ardente, para dar lugar para a nova regência sobre a humanidade, melhor do que todas as regências terrestres anteriores, por ser perfeita, celestial, procedente apenas de Deus, e não dum mar bravio, enfurecido. Desta nova regência ele encarrega aquele a quem decide judicialmente dá-la, visto que Ele é a Fonte celestial de todo governo justo na terra. Ele a entrega ao seu Messias, o Cristo, e aos fiéis seguidores de Seu Messias, e todos estes regerão juntos para a glória de Deus e a bênção eterna da humanidade.
A VISÃO DUM SEGUIDOR DO MESSIAS
12. (a) Quando foi o “Filho do homem” apresentado à humanidade na terra, e que comparação o ouviu fazer o apóstolo João em Jerusalém? (b) Anos depois, o que enviou o “Filho do homem” a João?
12 Há dezenove séculos, o Messias foi apresentado aos habitantes da terra como “Filho do homem”. (Mat. 16:13-16; 25:31) Foi no outono do ano 29 E. C. que o pescador João, filho de Zebedeu, se tornou seguidor dele, passo que o levou mais tarde a se tornar um dos doze apóstolos deste Messias, ou Ungido. O apóstolo João, na sua narrativa da vida de Jesus Cristo, anotou muitas das declarações do Messias. Segundo João 14:9, o Messias Jesus disse ao alcance dos ouvidos de João, em Jerusalém: “Quem me tem visto, tem visto também o Pai.” Mesmo quando Jesus estava na carne, como “Filho do homem”, ele refletia perfeitamente seu Pai celestial, Jeová Deus. Portanto, o Messias, pelos seus ensinos, pelas suas obras, pelo seu modo de vida como homem perfeito na terra, tornou maior a familiaridade do homem com Deus. Mas, cerca de sessenta e três anos após a sua morte sacrificial pela humanidade, o Messias Jesus enviou uma revelação ao apóstolo João. Ela apresentava Jeová Deus em visão como nenhum dos anteriores homens de Deus o haviam visto em visão. João como que entrou no próprio céu para obter esta visão divina.
13, 14. (a) Como apareceu Deus a João na visão celestial? (b) Quem está entronizado em torno do trono de Deus, e que criaturas também se encontram em volta do seu trono?
13 João, ao ser convidado, passa a entrar pela “porta aberta” que ele vê no céu, na sua visão. Não se lhe proíbe contar o que vê, e ele nos deixa altruisticamente saber a visão, escrevendo: “Depois destas coisas vim a estar imediatamente no poder do espírito: e eis que havia um trono na sua posição no céu, e havia alguém sentado no trono. E o sentado é, em aparência, semelhante à pedra de jaspe e a uma pedra preciosa de cor vermelha, e ao redor do trono há um arco-íris, em aparência semelhante à esmeralda. E ao redor do trono há vinte e quatro tronos, e nestes tronos vi sentadas vinte e quatro pessoas mais maduras, trajadas de roupas exteriores brancas, e nas suas cabeças coroas de ouro. E do trono procedem relâmpagos, e vozes, e trovões; e há sete lâmpadas de fogo acesas diante do trono, e estas significam os sete espíritos de Deus. E diante do trono há como que um mar vítreo, semelhante a cristal.
14 “E no meio do trono e em volta do trono há quatro criaturas viventes, cheias de olhos na frente e atrás. E a primeira criatura vivente é semelhante a um leão, e a segunda criatura vivente é semelhante a um novilho, e a terceira criatura vivente tem rosto semelhante ao de homem, e a quarta criatura vivente é semelhante a uma águia voando. E quanto às quatro criaturas viventes, cada uma delas, respectivamente, tem seis asas; ao redor e por baixo estão cheias de olhos. E elas não têm descanso, dia e noite, ao dizerem: ‘Santo, santo, santo é Jeová Deus, o Todo-poderoso, que era, e que é, e que vem.’” — Rev. 4:1-8.
15. (a) Por que disse João apropriadamente depois: “Deus é luz”? (b) Por que era própria tal luminosidade do estado santo Daquele a respeito do qual as criaturas viventes fazem proclamações?
15 Aos olhos do apóstolo João, Jeová Deus brilha como pedra preciosa, a antiga pedra de jaspe, e também com o fulgor de “uma pedra preciosa de cor vermelha”. Com respeito a ele, era veraz, de modo literal, o que João escreveu um par de anos depois: “Deus é luz e não há nenhuma escuridão em união com ele.” (1 João 1:5) Não havia nada semelhante a manchas solares em toda a glória refulgente deste Deus. Tal luminosidade pura é própria deste Sempre-vivo, perante quem as querubínicas criaturas viventes, que nunca dormitam, dizem incessantemente: “Santo, santo, santo é Jeová Deus, o Todo-poderoso, que era, e que é, e que vem.” Santidade significa tal estado brilhante, puro, imaculado, e Ele é a própria personificação duma santidade tríplice. Criaturas profanas nunca podem importunar a sua santa presença. Emoldurando belamente a refulgência da luz de Sua gloriosa pessoa há um arco-íris, da aparência duma esmeralda, “ao redor do trono”.
16. Como se mostra na visão que os entronizados no céu não são enaltecidos demais para adorar perante este Deus santo?
16 Mesmo os que são feitos reis no céu não são elevados demais para adorarem perante este Deus Santíssimo, pois o apóstolo João diz: “E sempre que as criaturas viventes dão glória, e honra, e agradecimento ao que está sentado no trono, aquele que vive para todo o sempre, as vinte e quatro pessoas mais maduras prostram-se diante daquele que está sentado no trono e adoram aquele que vive para todo o sempre, e lançam as suas coroas diante do trono, dizendo: ‘Digno és, Jeová, sim, nosso Deus, de receber a glória, e a honra, e o poder, porque criaste todas as coisas e porque elas existiram e foram criadas por tua vontade.’” — Rev. 4:9-11.
FAMILIARIZAR-NOS MELHOR COM DEUS
17, 18. (a) Como no caso de Jó, que desafio lançam os críticos religiosos às testemunhas de Jeová, e o que podemos fazer a respeito de tal desafio? (b) Como podemos fazer de Deus parte de nossa vida diária?
17 Sim, este é o Deus, a respeito do qual os religiosos que criticam as testemunhas de Jeová nos desafiam que nos familiarizemos com ele, se pudermos, assim como o crítico temanita chamado Elifaz desafiou que Jó fizesse, quando este estava sofrendo. (Jó 22:1, 21) Podemos aceitar o desafio hodierno pelo que vale. De todos os tempos é este o oportuno para nos familiarizarmos com o Deus que sempre vive e que leva o nome Jeová, o Todo-poderoso. Talvez já nos familiarizemos com ele até certo ponto. O mesmo se deu com Jó, mas Deus o familiarizou ainda mais intimamente consigo mesmo, de modo que Jó se sentiu induzido a dizer: “Em rumores ouvi a teu respeito, mas agora é o meu próprio olho que te vê. Por isso faço uma retratação e deveras me arrependo em pó e cinzas.” (Jó 42:5, 6) Do mesmo modo podemos nós agora familiarizar-nos mais com ele.
18 Hoje mais do que nunca se abre a sua Palavra escrita ao entendimento humano. Em resultado disso, podemos aumentar nosso apreço para com ele por meio do grandemente aumentado entendimento que está agora acessível a nós. Podemos orar a ele com conhecimento mais exato. Podemos estribar-nos nele com mais confiança, como se víssemos aquele que é invisível. Assim podemos fazer deste único Deus adorável parte de nossa vida diária.
19. O que significará para nós familiarizarmo-nos com Deus, e o que certamente resultará disso para nós?
19 Significa, deveras, paz para nós se nos familiarizarmos com este Deus, não uma paz mundial superficial, mas a verdadeira paz que nem mesmo a iminente destruição deste sistema de coisas dilacerado pela guerra pode tirar. No meio dum mundo que está em inimizade com Deus, queremos ter a paz da amizade com Ele. Queremos ser pessoas para com as quais Deus tem boa vontade. (Luc. 2:14) Se nos tornarmos agora seus “homens de boa vontade”, é certo de que da parte Dele ‘virão boas coisas’ para nós, boas coisas agora, quando este mundo passa por tanto mal, e boas coisas na nova ordem de coisas prometida por Deus, em que sentiremos a sua bondade para sempre.
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Ajudar outros a freqüentar reuniõesA Sentinela — 1970 | 1.° de junho
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Ajudar outros a freqüentar reuniões
AS TESTEMUNHAS DE JEOVÁ amam seu próximo e fazem o máximo para ajudar os interessados na Bíblia a freqüentar reuniões. Sabem que tais interessados podem aprender nestas reuniões muito mais a respeito dos requisitos de Jeová Deus quanto à vida. Um exemplo de tal demonstração de amor ocorreu na ilha de Truk, no Pacífico. Um missionário das Testemunhas ali escreveu o seguinte:
“A assistência às nossas reuniões dobrou no mês passado. Muitos interessados com quem estudamos achavam que não podiam freqüentar as nossas reuniões por não terem condução. Resolvemos o problema do seguinte modo. Nós mesmos começamos a andar a pé às reuniões, em vez de andarmos de carro. Nosso local de reunião está a cerca de duas milhas [3,2 km] do lar missionário. Entre estes dois lugares temos diversos estudos bíblicos com pessoas interessadas.
“Leva cerca de quarenta e cinco minutos de andar a pé do nosso lar até o local da reunião, de modo que, enquanto nos dirigimos a pé para lá, convidamos os interessados a nos acompanharem à reunião. Isto se mostrou muito eficiente. Logo na primeira semana em que andamos a pé, dois se juntaram a nós; na semana seguinte, quatro; na terceira semana, oito, e na última semana, nosso grupo aumentou a dez. Quase todas estas pessoas são novatos que nunca antes haviam freqüentado as reuniões. Quando vêem rostos conhecidos de pessoas que nos acompanham, sentem-se animados a ir juntos.”
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