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  • g76 22/9 pp. 10-13
  • Cantar, um modo de vida para mim

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  • Cantar, um modo de vida para mim
  • Despertai! — 1976
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  • Posição de Profissional
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Despertai! — 1976
g76 22/9 pp. 10-13

Cantar, um modo de vida para mim

EU ME sentia feliz, agitada e muito nervosa. Chegara a hora do meu concerto, numa galeria nacional na Europa oriental. Todos os artistas sentem-se nervosos antes do início duma apresentação, até mesmo os profissionais veteranos, e esta sensação não era algo novo para mim. Por que, então, me sentia tão agitada e feliz? Pela primeira vez meu filho, pianista consumado, seria meu acompanhante, e queríamos apresentar-nos muito bem.

Na hora designada estávamos no palco, e um diretor da galeria apresentou a mim e a meu filho. Por cima das luzes da ribalta eu podia ver claramente os rostos da assistência, no salão bem iluminado. Ali, achavam-se professores associados à galeria e outras pessoas dotadas de considerável conhecimento musical. Entendiam alemão, a língua em que eu cantava, e, assim, podiam acompanhar tanto as letras como as músicas. Todos nos davam sua total atenção.

Comecei com seleções de Brahms e então cantei algumas músicas de Schubert e Mozart. Eu e meu filho nos apresentamos como se fôssemos uma só pessoa. Em questão de minutos, o nervosismo desapareceu, ao sentir aquela sensação íntima de ter conseguido comunicar-me com a assistência. Depois de cada interpretação, havia entusiásticos aplausos. No fim do concerto, houve aplausos ainda maiores e pedidos de bis. Nos bastidores, muitas foram as expressões de congratulações recebidas de visitantes.

Esse concerto se deu há dez anos, mesmo assim, destaca-se como ponto alto de minha carreira profissional de quinze anos como cantora. Um concerto mais recente em Washington, D. C., em julho de 1971, também traz agradáveis recordações. Ali, como em outros lugares, verifiquei que os amantes da música apreciam a música e a habilidade da cantora de interpretá-la corretamente, muito embora talvez não entendam a língua em que se canta.

Como soprano lírico, especializei-me em cantar seleções clássicas e óperas leves. Isto exige muito da voz e requer grande habilidade técnica e longos anos de preparação. No entanto, tinha sido meu modo de vida e me trazia felicidade e prazer.

Minha primeira infância foi passada no sul da Alemanha, perto da cidade de Estrasburgo, em França. Tanto quanto consigo lembrar-me, eu gostava muito de cantar. Sempre estava cantando. Mamãe compreendia que eu tinha uma boa voz natural e me encorajava. As minhas amigas também. Quando tinha doze anos, já cantava no coro da escola e da igreja. Também, gostava de tomar parte em cantar nos programas escolares e nas peças natalinas.

Estudos Intensivos

Madame Mischkin, da Ópera de Paris, foi minha primeira professora. A partir de 1946, duas vezes por semana, durante um ano e meio, viajava até Estrasburgo, para estudar com ela. Nós, estudantes, tínhamos de aprender muitas coisas novas, a mais importante das quais era saber respirar corretamente. Tivemos de aprender a respiração diafragmática, de modo a podermos controlar nossa reserva de ar e usá-la da forma mais vantajosa em produzir notas musicais.

Madame Mischkin nos fazia lembrar de quão lindamente um cão trotando pela rua coordena sua respiração com seus movimentos, respirando pelo diafragma. Isso foi muito difícil de dominar. Imaginávamos que o tínhamos conseguido, apenas para compreender mais tarde que ainda não tínhamos adquirido completo controle de nossa respiração. O controle correto habilita a pessoa a cantar de todos os modos, tal como em staccato: “Há! Há! Há! Há! Há !” A fim de desenvolver a técnica de canto da pessoa é preciso treinar por dois ou três anos.

Tivemos muitas lições de canto com acompanhamento de piano para aprendermos a usar o que chamamos de “voz empostada”. É a voz que as pessoas normalmente usam, mas que, às vezes, parece vir de trás da cabeça ou do nariz, ao invés de vir da boca. Esta voz empostada, quando devidamente treinada, dá projeção à voz, de modo que possa ser ouvida confortavelmente nas grandes salas de concerto e nos teatros de ópera sem amplificação. Ao progredirmos, recebemos tarefas de cantar na casa da Madame Mischkin para seus convidados. Isto nos deu experiência e confiança.

Tivemos de aprender a cantar em todas as posições: em pé, sentadas, curvadas, até mesmo deitadas de bruços. Em certa ópera, a heroína canta sua ária final enquanto está deitada no palco.

Em 1948, comecei a estudar com o Professor Salvatore Salvati no Conservatório de Mannheim, na Alemanha. Este era um nível mais alto de estudos. Dava-se especial atenção a determinar se conseguíamos reconhecer as notas. Isto é importantíssimo no canto. Eu tinha “bom ouvido” para a música, achando fácil ouvir uma composição e aprender a melodia ou música. Tinha de fazer mais esforço de aprender a letra.

Durante o ano e meio de estudos com o Professor Salvati, fiz mais progresso. Para aprimorar a técnica e o contato com a assistência, com freqüência cantava em auditórios escolares para amigos e colegas de estudos. Daí, comecei a fazer apresentações públicas.

Em 1951, eu me casei. Meu marido também apreciava música e as qualidades da minha voz. Assim, encorajou-me a continuar cantando e a fazer estudos avançados, tendo em vista me tornar cantora profissional. Eu estava ansiosa de fazer isso, e logo verifiquei que lutava para moldar minhas habilidades vocais naturais para as de uma apresentadora bem treinada.

Posição de Profissional

O Professor Hans Emge, que ensinava em Colônia, Düsseldorf e Karlsruhe, foi meu próximo instrutor. Ele me ajudou a atingir a posição de profissional. Ele me ensinou a ouvir minha própria voz ao cantar, e a analisá-la. Aprendi a cantar tanto forte como pianíssimo, muito alto e muito suave.

Forte não é tão difícil para a cantora dotada de técnica, mas pianíssimo é difícil. A pessoa precisa poder cantar mui suavemente e, mesmo assim, ter ressonância, de modo que a voz ainda possa ser ouvida por todo o auditório. Para alcançar esta perícia, nossos exercícios tornaram-se cada vez mais complicados e difíceis.

Dentre as seleções que cantamos, Mozart estava entre as mais exigentes. Qualquer pessoa que consegue cantar bem Mozart já alcançou o auge da habilidade de cantar. Houve época em que pensei que jamais o conseguiria. Mas, continuei tentando. Até mesmo quando não podia ser observada pessoalmente pelo Professor Emge, eu gravava fitas e as enviava para ele, para que as criticasse e oferecesse sugestões. Por fim, depois de cerca de seis anos, obtive meu diploma.

Estudei outros três anos na Europa oriental. Isto deu os toques finais no meu controle de voz e técnica geral de canto. Um compositor romeno, maravilhosamente dotado, forneceu-me exercícios dramáticos extremamente difíceis, a fim de obter o máximo da minha voz. Sempre havia cantado música lírica, mas agora aprendia o canto dramático. Estes exercícios exigiam que eu cantasse árias dramáticas tais como a Contessa, de Figaro, e seleções de Verdi. O professor me fazia cantar esses exercícios até que ficava satisfeito. Por fim eu adquirira uma posição profissional como soprano lírico dramático, e recebi um diploma como professora habilitada de técnica de canto.

Minha Carreira de Cantora

Durante meus anos de estudos e de canto profissional, o trabalho de meu marido exigia muitas mudanças de um país para outro. Raramente ficávamos mais de três anos num mesmo país. Eu não me afiliei a nenhum grupo de ópera nem firmei contratos por longos períodos, mas me concentrei em concertos, em que usualmente era a única cantora. Visto que não estava interessada em obter riquezas, a maioria dos meus concertos públicos eram para fins caritativos. O valor das entradas era entregue a alguma organização de caridade, e trazia-me satisfação ajudar alguma causa digna.

Embora fosse protestante, tinha pouco interesse na igreja ou na religião. Não conhecia muito a Bíblia, e, mesmo assim sentia que estava um tanto perto de Deus devido à influência de minha mãe e de minha música. As composições em que eu me especializava foram escritas por homens dotados de fortes sentimentos religiosos. Por meio delas, sabia que o nome de Deus era Jeová. Franz Schubert, por exemplo, compôs uma música intitulada “Jeová É Grande”. Schumann também usou o nome de Jeová em “Belsazar”, como fez Stradella em “Pietà, Signore!” Eu cantava tais músicas e, assim, possuía pelo menos essas informações sobre Deus.

A vida era agradável para mim, embora observasse com preocupação a pobreza e a vida dura de muitos, em especial quando morava em África. Mas, outra coisa especialmente me afligia. Não me parecia certo que a morte pusesse fim para sempre em nossa vida na terra. Eu apreciava tanto a vida com meus amigos e minha família que achava injusto que tão depressa nos víssemos privados dessas coisas.

A Perspectiva Duma Vida Melhor

Eu sabia muito pouco sobre as Testemunhas de Jeová, embora tivesse ouvido falar delas quando morava na Alemanha. Daí, certo dia em 1960, quando morava no Ceilão, agora conhecido como Sri Lanka, as Testemunhas visitaram minha casa. Muito embora meu inglês fosse então bem limitado, apreciei o que diziam. Explicaram que a morte não significava o fim de nossas perspectivas terrestres, pois é o propósito imutável de Deus que os humanos vivam para sempre num paraíso terrestre.

Este pensamento realmente me atraiu! Parecia tão razoável que Jeová Deus propusesse que a terra fosse habitada por humanos justos, pois não nos diz a Bíblia que Deus criou o primeiro casal humano perfeito e o colocou num paraíso terrestre? Quão feliz me senti quando as Testemunhas me disseram que tal paraíso seria restaurado! Para comprovar isto, leram para mim o livro bíblico de Revelação, capítulo 21, versículos 3 e 4, que diz:

“Ouvi uma voz alta do trono dizer: ‘Eis que a tenda de Deus está com a humanidade, e ele residirá com eles e eles serão os seus povos. E o próprio Deus estará com eles. E enxugará dos seus olhos toda lágrima, e não haverá mais morte, nem haverá mais pranto, nem clamor, nem dor. As coisas anteriores já passaram.’”

Por certo, isto é bem claro! Indica que aqui mesmo na terra, onde indizíveis milhões de lágrimas foram vertidas devido à doença ou à morte de entes queridos, estas coisas lamentáveis serão eliminadas! Alegrou o meu coração aprender que a Bíblia apresenta a promessa de vida interminável sobre a terra, como diz o Salmo 37:29: “Os próprios justos possuirão a terra e residirão sobre ela para todo os sempre.” Com o tempo, aumentou minha esperança de poder ser uma das pessoas que residirão para sempre numa terra paradísica.

Por Fim Viver Para o Novo Sistema de Deus

Joyce, a Testemunha que me visitara, começou a estudar comigo o compêndio bíblico intitulado “Do Paraíso Perdido ao Paraíso Recuperado”. Quando meu marido mostrou algum interesse, o marido de Joyce passou a acompanhá-la. Tanto eu como meu marido ficamos grandemente impressionados com o zelo e a sinceridade destas Testemunhas. Usavam uma motocicleta leve em seu trabalho, e até mesmo a época das monções, com suas chuvas torrenciais, não os impedia. Fizemos algum progresso em nossos estudos, mas, daí, tivemos de partir, visto que meu marido foi transferido para a Noruega.

Ali localizei as Testemunhas de Jeová por procurá-las no catálogo telefônico. Mas, de novo tínhamos problemas com a língua, de modo que cursei uma universidade por três meses e aprendi a ler e escrever o norueguês. De novo ficamos familiarizados com um excelente casal de Testemunhas que me vinha buscar para me levar às reuniões, às vezes em temperaturas de 34,4 graus centígrados abaixo de zero. No entanto, meu marido, estando tão envolvido com seu trabalho, não nos acompanhava, e até mesmo tentava desanimar-me.

Sua atitude começou a influir sobre mim. Também, fiquei interessada demais em minha carreira, apreciando as experiências estimulantes de viajar para muitos países e dar concertos nas capitais mundiais, inclusive em Washington, D. C., Addis Abeba, Colombo, Oslo, etc. Assim, por um bom número de anos, tive pouco contato com as Testemunhas de Jeová. Todavia, durante esse tempo aquelas promessas bíblicas sobre uma vida melhor no novo sistema de coisas de Deus permaneceram na minha mente.

Com o tempo, em 1970, mudamo-nos para os Estados Unidos e tornei-me amiga de uma senhora que falava fluentemente o alemão. Por volta desse tempo, ela fez arranjos de estudar a Bíblia com as Testemunhas de Jeová, e eu participava do estudo. Assim, de novo, comecei a freqüentar as reuniões das Testemunhas, em Kensington, Maryland.

Compreendia então que, se realmente queria viver no novo sistema de Deus, teria de provar isso por colocar o serviço de Deus em primeiro lugar na vida, mesmo antes de meu interesse pelo canto. Comecei a fazer isso. Os anciãos cristãos me deram bons conselhos quanto a ser seletiva em preparar músicas para futuros concertos. Parei de cantar as músicas que continham ensinos da religião falsa, ou que eram nacionalísticas. Por fim, em fevereiro de 1973, fui batizada pelas Testemunhas de Jeová, em símbolo de minha dedicação para servir a Jeová Deus.

Em junho de 1973, meu marido e eu nos mudamos para Trinidad e, junto com cerca de 3.000 co-Testemunhas cristãs aqui, tenho continuado no serviço de Jeová. Com plena confiança em Suas promessas, aguardo continuar no serviço de Deus para sempre. E, é minha vívida esperança que meu marido e meu filho com o tempo venham a apreciar a verdade bíblica ao ponto de eles, também, dedicarem-se para servir a nosso amoroso Criador. — Contribuído.

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