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O nome de Deus na história primitivaA Sentinela — 1980 | 1.° de agosto
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O REINADO DO REI DAVI
No reinado do Rei Davi, o uso do nome Jeová atingiu novas e gloriosas alturas. Davi, sob inspiração divina, escreveu muitos belíssimos salmos ou cânticos de louvor a Jeová. Davi também organizou no templo uma grande orquestra, e um coral que envolvia milhares de cantores e músicos. Eles tocavam e cantavam regularmente cânticos lindos e comovedores de louvor a Jeová, ‘entoando melodias ao seu nome’. — Sal. 68:4.
Ficou Jeová descontente com todo este uso público e familiar do seu nome? Condenou ele a Davi e aos seus contemporâneos nos termos do terceiro mandamento: “Não deves tomar o nome de Jeová, teu Deus, dum modo fútil”? (Êxo. 20:7) É evidente que não! Davi foi ricamente abençoado por Deus e seu reinado foi muito bem sucedido.
MUDANÇA DE PONTOS DE VISTA
Aproximadamente cinco séculos mais tarde, o profeta fiel de Jeová, Malaquias, usou o tetragrama (as quatro letras hebraicas do nome de Deus) 48 vezes na sua profecia de quatro capítulos curtos. A palavra de Jeová por intermédio de Malaquias, em parte, foi: “Meu nome será grande entre as nações desde o nascente do sol até o seu poente.” E para enfatizar, o ponto é repetido: “‘Meu nome será grande entre as nações’, disse Jeová dos exércitos.” — Mal. 1:1, 11.
Observe também o que Malaquias escreveu a respeito de alguns sacerdotes dos seus dias: “‘O filho, da sua parte, honra o pai; e o servo, seu grandioso amo. Portanto, se eu sou pai, onde está a honra dada a mim? E se eu sou um grandioso amo, onde está o medo de mim?’ disse Jeová dos exércitos a vós, sacerdotes, que desprezais o meu nome.” — Mal. 1:6.
O contexto mostra que os sacerdotes não eram culpados de deixarem de usar o nome de Deus, mas eram culpados de mostrar desrespeito a ele por oferecerem sacrifícios inaceitáveis. As Escrituras Hebraicas e outros escritos daquela época mostram que o nome de Jeová era usado amplamente. Por exemplo, documentos (chamados papiros elefantinos) datando do quinto século A. E C. e procedentes de uma colônia judaica no Alto Egito contêm o nome divino. No entanto, há alguma evidência de que antes da destruição de Jerusalém pelos romanos, desenvolveu-se ali a tendência supersticiosa de evitar o uso do nome divino.a Isto talvez fosse devido a uma interpretação extremista e fanática do terceiro mandamento — não usar o nome de Deus dum modo fútil. (Êxo. 20:7) Mas, quando Deus deu este mandamento, queria ele dizer que o seu nome nunca deveria ser usado, exceto em ocasiões raras e especiais, talvez somente no santuário? Este não podia ser o caso, porque quando o nome divino foi amplamente usado (como nos dias de Davi), as bênçãos de Deus sobre Israel eram bem evidentes. Mas, no tempo da vida e do ministério de Jesus Cristo na terra, quando o uso do nome de Deus se havia extinguido devido à tradição religiosa dos judeus, as bênçãos divinas estavam evidentemente ausentes desta nação como um todo. Os líderes religiosos judaicos daqueles dias estavam tão alienados de Deus e de seus princípios, que não só mantiveram o nome dele em segredo como também se tornaram responsáveis pela morte do seu Filho amado. Não muitos anos depois, em 70 E.C., os judeus pagaram um preço terrível por isto, quando seu templo e a cidade santa de Jerusalém foram destruídos pelos exércitos romanos.
O QUE FIZERAM CRISTO E OS SEUS DISCÍPULOS?
No que diz respeito ao nome de Deus, seguiram Jesus Cristo e os seus discípulos a tradição judaica? Jesus condenou, de maneira destemida, a tradição dos fariseus e escribas, libertando seus discípulos de tais influências espiritualmente mortíferas. Ele disse àqueles “hipócritas”: “Por que é que vós infringis o mandamento de Deus por causa da vossa tradição? . . . Invalidastes a palavra de Deus por causa da vossa tradição.” — Mat. 15:3-9.
Usaram, então, Jesus e seus discípulos o nome de Deus livremente? Certamente que sim, porque todos eles citavam com freqüência as Escrituras que continham o nome de Jeová. Amiúde usavam a Versão Septuaginta, uma tradução grega das Escrituras Hebraicas, que começou a ser preparada em Alexandria, lá no terceiro século A. E. C., e cujas cópias ainda contêm o tetragrama. De fato, cópias da Versão Septuaginta feitas séculos mais tarde seguiram a tradição judaica de omitir o nome de Deus. Mas rolos ou partes da Septuaginta grega, datando do tempo de Jesus na terra, contêm o tetragrama em caracteres hebraicos. — Veja A Sentinela de 1.º de novembro de 1978, pp. 6-8.
O próprio Jesus indicou claramente que fez uso do nome divino. Por exemplo, ele disse em oração ao seu Pai: “Tenho feito manifesto o teu nome aos homens que me deste do mundo. . . . Eu lhes tenho dado a conhecer o teu nome e o hei de dar a conhecer.” (João 17:6, 26) Além disso, Jesus ensinou os seus seguidores a orar: “Nosso pai nos céus, santificado seja o teu nome.” (Mat. 6:9) Por que faria Jesus estas declarações, a menos que tivesse usado o nome de Deus?
Deste modo, o nome de Deus foi amplamente usado pelo seu povo recém-escolhido, o Israel espiritual, a congregação cristã. (Gál. 6:16) Esta é a razão porque certas traduções das Escrituras Gregas (o “Novo Testamento”) incluem o nome de Jeová. Por exemplo, isto se dá com as Escrituras Gregas, em hebraico, de Franz Delitzsch (1877); The Emphatic Diaglott de Benjamin Wilson (1864); The Christian’s Bible — New Testament de George N. LeFevre (1928), e a Tradução do Novo Mundo das Escrituras Gregas Cristãs (1963) em português, bem como outras traduções. Em contraste, a maioria das traduções tem seguido a tradição dos judeus de omitir o nome de Deus.
Não muito tempo depois dos dias de Jesus, a predita apostasia começou a corromper a verdadeira doutrina e espírito cristão. (2 Tes. 2:3; 2 Ped. 2:1-3) Ao entrar a longa noite da “era do obscurantismo”, desapareceu o uso do nome divino.b Por muitos séculos, o próprio conhecimento do nome de Deus estava confinado principalmente aos mosteiros — disponível apenas a eruditos tais como os monges.
Como, então, tornou-se o nome de Deus conhecido em todo o mundo como é hoje?
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O nome divino em tempos posterioresA Sentinela — 1980 | 1.° de agosto
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O nome divino em tempos posteriores
QUE o nome divino foi usado na história primitiva está além de qualquer dúvida. Mas que dizer de tempos posteriores? Por que foi o nome omitido em certas traduções da Bíblia? E qual é seu significado e sua importância para nós?
O NOME “JEOVÁ” TORNA-SE AMPLAMENTE CONHECIDO
É de interesse notar que Raimundus Martini, um frade espanhol da ordem dos dominicanos, foi quem verteu pela primeira vez o nome divino por “Jehova”. Esta forma aparece no seu livro Pugeo Fidei, publicado em 1270 E.C. — há mais de 700 anos.
Com o tempo, ao passo que surgiram movimentos de reforma tanto dentro como fora da Igreja Católica, a Bíblia tornou-se disponível ao público em geral, e o nome “Jeová” tornou-se mais amplamente conhecido. Em 1611 E.C. foi publicada a Versão Autorizada ou do Rei Jaime da Bíblia, em inglês. Ela usa o nome Jeová quatro vezes. (Êxo. 6:3; Sal. 83:18; Isa. 12:2; 26:4) Desde então, a Bíblia tem sido traduzida muitíssimas vezes. Algumas traduções seguiram o exemplo da Versão Autorizada e incluíram o nome divino apenas poucas vezes.
Nesta categoria encontra-se Uma Tradução Americana (de Smith e Goodspeed, em inglês), com a ligeira variante de usar “Iavé” (“Javé” em versões em português) em vez de “Jeová”. Mas, é de perguntar: “Por que fizeram isso os tradutores? Se é errado usar ‘Jeová’ ou ‘Iavé’ (‘Javé’), então por que o incluíram? Se é correto, por que não ser coerente e usá-lo cada vez que aparece no texto bíblico?”
Com este fundo histórico e os fatos, examinemos agora o que os tradutores respondem a isso.
A RESPOSTA DOS TRADUTORES
O Prefácio de Uma Tradução Americana diz: “Nesta tradução seguimos a tradição judaica, ortodoxa, e substituímos o nome ‘Iavé’ por ‘o Senhor’.” Mas ao seguirem “a tradição judaica, ortodoxa”, será que os tradutores se deram conta de quão prejudicial pode ser não fazer caso da clara determinação de Deus, de que seu ‘nome fosse declarado em toda a terra’? Além disso, Jesus condenou a tradição inventada pelos homens, que invalida a palavra de Deus. — Êxo. 9:16; Mar. 7:5-9.
O Prefácio da Versão Normal Revisada (em inglês) declara: “A atual revisão retorna ao proceder da Versão Rei Jaime, que segue . . . a prática há muito estabelecida na leitura das escrituras hebraicas na sinagoga. . . . Por dois motivos, a Comissão voltou ao uso mais familiar da Versão Rei Jaime: (1) A palavra ‘Jeová’ não representa de modo exato qualquer forma do Nome já usada em hebraico; e (2) o uso de um nome próprio para o Deus único e exclusivo, como se houvesse outros deuses dos quais tivesse de ser distinguido, foi descontinuado no judaísmo antes da era cristã e é inteiramente impróprio para a fé universal da Igreja Cristã.” (O grifo é nosso.)
Os tradutores cometeram um grande erro em seguirem o exemplo da Versão Rei Jaime e da tradição judaica. Acharam realmente que era da vontade de Deus que seu nome fosse mantido em segundo plano? É o nome divino algo de que se envergonhar, de modo que deva ser deixado fora da Bíblia?
PRECONCEITO RELIGIOSO?
Um fato interessante é que a Versão Normal Americana, publicada em inglês em 1901, usa o nome Jeová em todas as Escrituras Hebraicas. Em contraste com isso, a Versão Normal Revisada, publicada em 1952, faz apenas uma breve referência ao tetragrama, numa nota ao pé da página (em Êxodo 3:15). Durante esse período, as Testemunhas de Jeová estavam proclamando o nome de Deus em todo o mundo. Será que a omissão do nome divino, em certas traduções, se deve ao preconceito contra as suas atividades de dar testemunho?
Que talvez seja assim em alguns casos é indicado pela seguinte declaração publicada no Katholische Bilderpost (periódico católico da Alemanha): “O nome de Deus, porém, que eles [as Testemunhas de Jeová] mudaram para ‘Jeová’, é simples invenção desta seita.” (24 de agosto de 1969) Esta declaração cheira a preconceito religioso. Revela também péssima pesquisa, visto que, conforme já mencionado, o primeiro escritor a usar o termo “Jehova” foi um frade católico — obviamente não era Testemunha de Jeová!
DUPLICIDADE
“A palavra ‘Jeová’ não representa de modo exato qualquer forma do Nome já usada em hebraico”, diz o Prefácio da Versão Normal Revisada. Mas, que palavra “representa de modo exato” o nome divino hebraico? Alguns preferem “Iavé”, outros, “Ievá”, ainda outros “Javé”, e assim por diante. O problema é que na antiga escrita hebraica só se usavam consoantes, e até mesmo os peritos admitem que é uma questão de conjetura saber quais as vogais que compunham o nome divino completo.
Poder-se-ia também perguntar aos que objetam à forma “Jeová” por que não objetam a outros nomes, tais como “Jesus” ou “Pedro”. Por que não insistem esses críticos em usar as formas originais gregas desses nomes (Iesoús e Petros)? Não são essas pessoas culpadas de duplicidade quando rejeitam “Jeová”?
OUTRAS TRADUÇÕES
Muitas traduções, naturalmente, usam “Jeová” ou “Javé” (“Iavé”), ou outra representação do tetragrama. Além disso, há cerca de 40 traduções vernáculas das Escrituras Gregas Cristãs (“Novo Testamento”) que usam uma forma vernácula do tetragrama, tal como Iehova (em havaiano) e uJehova (em zulu).
A Bíblia em Inglês Vivo (de Steven T. Byington, em inglês) também usa “Jeová” em todo o texto hebraico. Byington diz no seu Prefácio a respeito de “Jeová”: “A grafia e a pronúncia não são muito importantes. O que é muito importante é tornar claro que se trata dum nome pessoal.” Sim, o nome da Pessoa mais enaltecida no universo é exclusivo, incomparável e sublime.
O QUE SIGNIFICA ESTE NOME EXCLUSIVO?
Para responder a isso, convém um retrospecto histórico. Quando o Altíssimo o comissionou para levar os israelitas para fora do Egito, “Moisés disse ao verdadeiro Deus: ‘Suponhamos que eu vá ter com os filhos de Israel e deveras lhes diga: “O Deus de vossos antepassados enviou-me a vós”, e eles deveras me digam: “Qual é o seu nome?” O que hei de dizer-lhes?’ Então disse Deus a Moisés: ‘MOSTRAREI SER O QUE EU MOSTRAR SER.’ E acrescentou: ‘Isto é o que deves dizer aos filhos de Israel: “MOSTRAREI SER enviou-me a vós.”’”
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