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  • Desenvolvimento da linhagem humana do “descendente”
    O “Propósito Eterno” de Deus Triunfa Agora Para o Bem do Homem
    • Capítulo 7

      Desenvolvimento da linhagem humana do “descendente”

      1. Por que fizeram os casos de Abel, Enoque e Noé com que Satanás o Diabo, ficasse ainda mais desesperado no seu objetivo de arruinar o “descendente” prometido?

      NO ÂMAGO do “propósito eterno” de Deus está o “descendente” a ser produzido pela “mulher” de Deus. A competição que começou no jardim do Éden entre Satanás e Deus centralizava-se neste “descendente” misterioso. Tinha de ser assim, porque este “descendente” havia de ser produzido no tempo devido para machucar a cabeça da Grande Serpente, e Satanás, o Diabo, sabia que a “cabeça” seria a dele próprio. (Gênesis 3:15) Satanás estava decidido a quebrantar a integridade do vindouro “descendente” e torná-lo assim impróprio para o propósito de Deus. No Dilúvio, acabou o primeiro assalto na competição entre Satanás e Deus, mas o resultado foi contrário a Satanás. Ele não conseguiu quebrantar a integridade pelo menos de três homens, descendentes do primeiro homem e da primeira mulher, cuja integridade tramara arruinar. Abel, Enoque e Noé haviam enfraquecido a atitude confiante de Satanás e haviam-no deixado mais desesperado no seu objetivo de arruinar o “descendente”.

      2. A humanidade devia hoje ser grata de que Noé lhe deu que espécie de começo na vida após o dilúvio? Por quê?

      2 Os próximos seiscentos e cinqüenta e oito anos após o fim do Dilúvio mostraram ser muito reveladores a respeito dos pormenores sobre o “descendente” da “mulher” de Deus. Depois do dilúvio, toda a humanidade, até o dia de hoje, podia derivar sua descendência de Noé, construtor da arca, que sobreviveu ao dilúvio. De modo que o mundo da humanidade recebeu então um começo justo, porque Noé “andou com o verdadeiro Deus”. (Gênesis 6:9) Ele era imperfeito por herança, mas, em sentido moral, era sem defeito, imaculado, diante de Deus. Quão gratos devemos ser nós, seus descendentes, por causa disso! Logo depois de sair da arca e pisar no solo do monte Ararate, Noé liderou a humanidade na adoração do Preservador dela, Jeová Deus.

      “Noé começou a construir um altar a Jeová e a tomar alguns de todos os animais limpos, e de todas as criaturas voadoras limpas, e a fazer ofertas queimadas sobre o altar. E Jeová começou a sentir um cheiro repousante, e Jeová disse então no seu coração: ‘Nunca mais invocarei o mal sobre o solo por causa do homem, porque a inclinação do coração do homem é ma desde a sua mocidade: e nunca mais golpearei toda coisa vivente assim como tenho feito. Pois, por todos os dias que a terra continuar nunca cessarão sementeira e colheita, e frio e calor, e verão e inverno, e dia e noite.’” — Gênesis 8:20-22; compare isso com Isaías 54:9.

      3. Como se mostrou veraz a profecia de Lameque feita por ocasião do nascimento de Noé e de que se tornou símbolo o arco-íris?

      3 A profecia que Lameque, pai de Noé, proferiu sobre ele por ocasião de seu nascimento mostrou-se justificada. (Gênesis 5:29) Levantou-se a maldição divina proferida sobre o solo fora do jardim do Éden, após a transgressão de Adão, e Noé (cujo nome significa “Descanso”) fez com que um cheiro repousante ascendesse de suas ofertas queimadas a Deus e induzisse Deus a determinar um descanso para a humanidade, da labuta da cultivação do solo amaldiçoado. Deus fez também com que aparecesse o primeiro arco-íris de que há noticia, na luz do sol que então brilhava diretamente sobre a terra, por causa da eliminação da abóbada de água. Referindo-se àquele arco-íris como sinal de garantia, Jeová prometeu que “as águas não se tornarão mais um dilúvio para arruinar toda a carne”. Não mais haveria um dilúvio aquoso. — Gênesis 9:8-15.

      4. Visto que os três filhos de Noé e suas esposas sobreviveram ao dilúvio junto com Noé, que pergunta surgiu a respeito do “descendente” prometido?

      4 Os três filhos de Noé, Sem, Cã e Jafé, e as esposas deles, sobreviveram junto com ele e sua esposa. Qual destes três filhos, então, seria aquele por meio de quem passaria a linhagem até o aparecimento terrestre do “descendente” da “mulher” de Deus? A escolha a ser feita afetaria de modo diverso as três raças descendentes dos três patriarcas, Sem, Cã e Jafé. A profecia que Deus inspirou Noé a proferir sobre os seus três filhos, numa ocasião crítica, indicou que direção tomariam o favor e a bênção divinos. Em que se baseava isso?

      5. O que induziu Noé a proferir uma maldição sobre Canaã, filho de Cã?

      5 Em obediência a ordem de Deus aos filhos de Noé, de se tornarem fecundos na terra, Sem tornou-se pai de Arpaxade, dois anos depois do começo do dilúvio. (Gênesis 11:10) Com o tempo, Cã tornou-se pai de Canaã. (Gênesis 9:18; 10:6) Algum tempo depois do nascimento de Canaã, houve uma ocasião em que Noé, por um motivo não declarado, embriagou-se com vinho de seu vinhedo. Cã entrou na tenda de Noé e o viu deitado descoberto, nu, mas não fez nada para encobrir a nudez de seu pai. Antes, falou sobre ela a Sem e Jafé. Sem e Jafé, com o devido respeito pelo seu pai, negaram-se a olhar para a nudez, e andando com as costas viradas para seu pai, estenderam sobre ele um pano. Não se aproveitaram da nudez de seu pai, mostrando e mantendo seu elevado respeito por ele, como seu pai e como profeta de Jeová.

      “Por fim, Noé acordou do seu vinho e soube o que lhe havia feito seu filho mais moço. Ele disse então: ‘Maldito seja Canaã. Torne-se ele o escravo mais baixo de seus irmãos.’ E acrescentou: ‘Bendito seja Jeová, Deus de Sem e torne-se Canaã escravo dele. Conceda Deus amplo espaço a Jafé, e resida ele nas tendas de Sem. Torne-se Canaã também escravo dele.’” — Gên. 9:20-27.

      6. Segundo a profecia de Noé, através de que filho passaria a linhagem do Messias?

      6 Noé estava sóbrio quando proferiu estas palavras. Não amaldiçoou toda a raça descendente de Cã, por causa da falta de respeito de Cã, especialmente pelo profeta de Deus. Por isso, Deus inspirou Noé a amaldiçoar apenas um dos filhos de Cã, a saber, Canaã, cujos descendentes passaram a residir na terra de Canaã, na Palestina. Os cananeus tornaram-se escravos dos descendentes de Sem, quando Deus levou os israelitas a terra de Canaã, segundo a Sua promessa feita a Abraão, o hebreu. Sem viveu ainda quinhentos e dois anos depois do começo do Dilúvio, de modo que sua vida coincidiu com a de Abraão por cento e cinqüenta anos. (Gênesis 11:10, 11) Noé declarou que Jeová era o Deus de Sem. Jeová havia de ser bendito, porque foi o temor dele que motivou Sem a mostrar o devido respeito por Noé, como profeta de Deus. Jafé devia ser tratado como hóspede nas tendas de Sem e não como escravo, igual a Canaã. Assim, por ser anfitrião de seu irmão Jafé, Sem foi classificado superior a ele na fraseologia da profecia. Em harmonia com isso, a descendência de Sem havia de levar ao Messias.

      A FUNDAÇÃO DE BABILÔNIA

      7. Que neto de Cã estabeleceu o primeiro Império Babilônico, e como?

      7 Outro descendente de Cã, que não saiu bem, foi seu neto Ninrode. Por sobreviver trezentos e cinqüenta anos após o começo do Dilúvio, Noé viveu para ver a ascensão, e, sem dúvida, a queda deste bisneto seu. (Gênesis 9:28, 29) Ninrode fundou uma organização que agiu como parte do “descendente” visível da Grande Serpente, Satanás, o Diabo. Gênesis 10:8-12 diz: “E Cus tornou-se pai de Ninrode. Ele principiou a tornar-se poderoso na terra. Apresentou-se como poderoso caçador em oposição a Jeová. É por isso que há um ditado: ‘Igual a Ninrode, poderoso caçador em oposição a Jeová.’ E o princípio do seu reino veio a ser Babel, e Ereque, e Acade, e Calné, na terra de Sinear. Daquela terra saiu para a Assíria e pôs-se a construir Nínive, e Reobote-Ir, e Calá, e Resem, entre Nínive e Cala: esta é a grande cidade.” Segundo isso, Ninrode estabeleceu o primeiro Império Babilônico.

      8, 9. (a) Por que não escolheu Jeová a Babel como a cidade de seu nome? (b) A língua de quem não foi mudada em Babel?

      8 Foi em Babel (chamada Babilônia pelos judeus de língua grega) que ocorreu a confusão da língua da humanidade, quando Jeová Deus mostrou seu desagrado da construção da cidade e duma torre de religião falsa nela, porque os construtores se propunham fazer para si um nome célebre e impedir serem “espalhados por toda a superfície da terra”. Não previram a decadência das cidades que ocorre atualmente. (Gênesis 11:1-9) Embora fosse o primeiro império na terra, este Império Babilônico de Ninrode não se tornou a Primeira Potência Mundial do registro bíblico. Esta foi o antigo Egito. O poder político de Babel ficou enfraquecido, porque seus construtores, então desunidos por idiomas diferentes, foram assim obrigados por Jeová a se espalhar por toda a terra.

      9 Jeová Deus não escolheu Babilônia como a cidade a que dar seu nome. Noé e seu filho bendito Sem não participaram na construção de Babel e de sua torre de religião falsa, e a língua deles não foi confundida.

      10, 11. (a) Nos dias de Sem, a linhagem do “descendente” prometido foi delimitada a qual de seus descendentes? (b) Isto foi indicado por meio de que revelação, feita a quem?

      10 Dois anos depois da morte de Noé, em 2020 A. E. C., nasceu Abraão na linhagem de Sem, que ainda vivia. Este descendente mostrou-se adorador do Deus de Sem, Jeová. Sem deve ter tido grande satisfação ao saber da revelação emocionante que Jeová fez a Abraão. Esta provava que Jeová se apegava ao seu “propósito eterno”, que Ele formara no jardim do Éden, após a transgressão de Eva e Adão. Delimitava a vinda do “descendente” da “mulher” de Deus à linhagem de Abraão, dentre todos os descendentes de Sem. Mas qual foi a revelação divina a Abraão, que naquele tempo era chamado Abrão?

      11 Abrão (Abraão) estava na Mesopotâmia, na cidade de Ur dos Caldeus, não muito longe de Babilônia (Babel), quando se lhe fez a revelação. Gênesis 12:1-3 nos diz: “E Jeová passou a dizer a Abrão: ‘Sai da tua terra, e da tua parentela, e da casa de teu pai, para a terra que te mostrarei; e farei de ti uma grande nação e te abençoarei, e hei de engrandecer o teu nome, e mostra-te uma bênção. E hei de abençoar os que te abençoarem e amaldiçoarei aquele que invocar o mal sobre ti, e todas as famílias do solo certamente abençoarão a si mesmas por meio de ti.’”

      12. Para quem eram “boas novas” tal revelação e que era, pode-se dizer, começou com aquela revelação?

      12 “Todas as famílias do solo” — estas incluem as nossas famílias hoje, neste século vinte! Os que são de nossa família podem procurar uma bênção por meio deste antigo Abrão (Abraão)! Estas são realmente boas novas! E foram reveladas ao mundo pós-diluviano da humanidade lá no século vinte antes de nossa Era Comum. A significância disso foi comentada mais tarde nas seguintes palavras inspiradas: “Certamente sabeis que os que aderem à fé é que são filhos de Abraão. Ora, a Escritura, vendo de antemão que Deus declararia justas a pessoas das nações devido à fé, declarou de antemão as boas novas a Abraão, a saber: ‘Por meio de ti serão abençoadas todas as nações.’” (Gálatas 3:7, 8) Em vista disso, pode-se dizer corretamente que a Era das Boas Novas (a Era Evangélica, conforme alguns talvez queiram chamá-la) começou lá naquele tempo, pouco antes de Abraão obedecer à ordem divina.

      13. (a) Qual era a condição carnal de Abraão quando recebeu a ordem de Deus e, assim, o que é que contava perante Deus? (b) Quando cruzou Abraão o rio Eufrates?

      13 Um ponto a ser também notado aqui é que, no tempo em que Deus o escolheu para ser o instrumento de bênção de todas as famílias e nações, Abraão não era circuncidado na carne. A ordem que Deus lhe deu, para ele e os homens de sua família serem circuncidados, só veio pelo menos vinte e quatro anos mais tarde no ano antes do nascimento de seu filho Isaque (1918 A. E. C.). Se não era a condição carnal de Abraão, então o que era que contava perante Deus? Era a fé que Abraão tinha. Jeová Deus sabia que Abraão tinha fé Nele. Não foi em vão que Ele deu a Abraão a ordem de abandonar a sua pátria. Abraão partiu prontamente e mudou-se com sua família em direção ao noroeste, para Harã, e dali, após a morte de seu pai Terá, em Harã, cruzou o rio Eufrates e avançou em direção da terra que Deus passou a mostrar-lhe. A travessia do rio Eufrates ocorreu em 14 de nisã da primavera setentrional do ano 1943 A. E. C., ou seja, 430 anos antes da celebração da primeira Páscoa pelos descendentes de Abraão, lá no Egito. — Êxodo 12:40-42; Gálatas 3:17.

      14. O que disse Jeová a Abraão na terra de Canaã e o que fez Abraão depois disso?

      14 O profeta Moisés registrou isso, escrevendo: “Em vista disso, Abrão foi como Jeová lhe falara e Ló foi com ele. E Abrão tinha setenta e cinco anos de idade quando saiu de Harã Abrão tomou, pois, Sarai, sua esposa, e Ló, filho de seu irmão, e todos os bens que tinham acumulado e as almas que tinham adquirido em Harã, e eles passaram a sair a fim de ir para a terra de Canaã. Por fim chegaram à terra de Canaã. E Abrão atravessou o país até o lugar de Siquém, perto das árvores grandes de Moré; e naquele tempo havia o cananeu no país. Jeová apareceu então a Abrão e disse: ‘Vou dar esta terra à tua descendência.’ Depois, ele construiu ali um altar a Jeová, que lhe havia aparecido.” — Gênesis 12:4-7; Atos 7:4, 5.

      15. Por que exigiria um milagre a promessa de Deus a Abraão, de que teria, um “descendente”, envolvendo que milagre ainda maior?

      15 Assim, embora Abrão naquele tempo, à idade de setenta e cinco anos, não tivesse filhos, nem tivesse filho de sua esposa Sarai, de sessenta e cinco anos de idade ainda assim, Jeová prometeu que Abrão teria um descendente ou descendência, ao qual Jeová daria a terra de Canaã. Abraão aceitou esta promessa divina em fé. Pois, quanto à faculdade feminina de reprodução nesta idade, lá naquele tempo, isto importava em Deus prometer um milagre. Vinte e quatro anos depois, quando Abraão soube que ia ter um filho de sua esposa Sara, ele riu e disse no coração: “Nascerá um filho a um homem de cem anos de idade, e dará à luz Sara, sim, uma mulher de noventa anos de idade?” (Gênesis 17:17; 18:12-14) Se isto era “extraordinário”, ainda mais maravilhoso seria o milagre em cumprimento da profecia de Deus em Gênesis 3:15. Isto seria assim porque a “mulher” de Deus era celestial e seu “descendente” prometido seria celestial, contudo, este “descendente” estaria vinculado com a descendência terrestre de Abraão. Desta maneira, tal “descendente” da “mulher” de Deus poderia ser chamado de “descendente de Abraão”, sim, “filho de Abraão”.

      16. A promessa de Deus, de fazer proceder de Abraão e Sara nações e reis, suscitou que perguntas a respeito do “descendente”?

      16 Na ocasião em que Deus, por meio de seu anjo assegurou a Abraão que ele teria um filho de sua esposa Sara, a ser chamado Isaque, Deus disse a Abraão: “Vou fazer-te muitíssimo fecundo e vou fazer que te tornes nações, e reis sairão de ti. . . . E vou abençoá-la [Sara] e também dar-te dela um filho, e vou abençoá-la e ela se tornará nações; reis de povos procederão dela.” (Gênesis 17:6, 16) Agora, pois, qual destas “nações” seria a nação favorecida de Jeová? Teria ela um rei? Tornar-se-ia o “descendente” da “mulher” de Deus tal rei? É só natural fazer tais perguntas.

      MELQUISEDEQUE

      17. Qual foi o contato mais notável com reis de Canaã na carreira de Abraão, e por que lhe pagou Abraão um dízimo?

      17 Antes disso, Abraão já tivera contato com reis terrestres. O mais significativo de tais contatos foi quando ele se encontrou com o rei mais notável na terra de Canaã. Abraão acabava de ver-se obrigado a recuperar seu sobrinho Ló das mãos de quatro reis, que haviam invadido a terra de Canaã e derrotado cinco reis dela, levando cativos, inclusive Ló. Quando ele voltou depois de infringir uma derrota a estes quatro reis incursores, Abraão chegou à cidade de Salém, nas montanhas ao oeste do Mar Morto. “E Melquisedeque, rei de Salém, trouxe para fora pão e vinho, e ele era sacerdote do Deus Altíssimo. Abençoou-o então e disse: ‘Bendito seja Abrão do Deus Altíssimo, Produtor do céu e da terra, e bendito seja o Deus Altíssimo, que entregou os teus opressores na tua mão!’ Então, Abrão deu-lhe um décimo de tudo.” (Gênesis 14:18-20) Uma vez que, conforme Melquisedeque disse a Abraão, o Deus Altíssimo entregara os opressores de Abraão na mão deste, era apenas apropriado que Abraão desse um décimo de todos os despojos ao sacerdote do Deus Altíssimo, Melquisedeque.

      18. Por que não era uma declaração vã a bênção de Melquisedeque sobre Abraão, e como mostrou Davi a importância daquele no propósito de Deus?

      18 A bênção que Melquisedeque proferiu sobre Abraão não era uma declaração vã. Valia alguma coisa, e estava em harmonia com a própria promessa de Jeová, que Abraão seria uma bênção para todas as famílias do solo — que todas as famílias deviam procurar a bênção por meio dele. (Gênesis 12:3) Este misterioso Rei-Sacerdote Melquisedeque, embora recebesse apenas menção tão escassa na história, não foi perdido de vista. Novecentos anos mais tarde, o Deus Altíssimo inspirou outro rei de Salém, o Rei Davi de Jerusalém, a profetizar e a mostrar quão significativo Melquisedeque havia sido no propósito do Deus Altíssimo. De acordo com isso, Melquisedeque prefigurava um rei ainda maior, maior mesmo do que Davi, a quem até mesmo Davi seria obrigado a chamar de “meu Senhor”. Este rei prefigurado não podia ser outro senão o Messias, o “descendente” da “mulher” de Deus. Davi escreveu assim, sob o poder do espírito santo de Deus, no Salmo 110:1-4:

      “A pronunciação de Jeová a meu Senhor é: ‘Senta-te à minha direita, até que eu ponha os teus inimigos como escabelo para os teus pés.’ Jeová enviará de Sião o bastão da tua força, dizendo: ‘Subjuga no meio dos teus inimigos.’ Teu povo se oferecerá voluntariamente no dia da tua força militar. Nos esplendores da santidade, da madre da alva, tens a tua companhia de homens Jovens assim como gotas de orvalho. Jeová Jurou (e não o deplorará): ‘Tu és sacerdote por tempo indefinido à maneira de Melquisedeque!’”

      19. O profetizado a brandir o bastão de força no monte Sião tinha de ser descendente de quem, e por que não profetizava Davi a respeito dos reis de Salomão a Zedequias?

      19 Note o significado destas palavras inspiradas. Dizer o Rei Davi que Jeová enviaria o bastão de força do Rei desde Sião indicava que o Rei seria descendente carnal de Davi. Segundo o pacto de Jeová com Davi, para um reino eterno, ninguém se assentaria qual rei no monte Sião e brandiria o cetro de força, qual bastão, exceto um descendente carnal de Davi. (2 Samuel 7:8-16) Portanto, este, cujo bastão de força seria enviado de Sião, chamar-se-ia “filho de Davi”. Mas, neste caso, Davi não se referia profeticamente ao seu filho, o Rei Salomão, que foi o rei mais glorioso da linhagem de Davi a estar entronizado no monte Sião e a reinar sobre todas as doze tribos de seu povo. Davi nunca se dirigiu ao seu filho Salomão como “Meu Senhor”, nem a qualquer outro dos reis em Sião, que sucederam a Salomão até o Rei Zedequias. Além disso, nem Salomão, nem qualquer dos reis seguintes, no monte Sião, foram tanto sacerdotes como reis, assim como Melquisedeque foi. — 2 Crônicas 26:16-23.

      20. Como seria tal profetizado o “Senhor” de Davi, embora fosse filho de Davi?

      20 No entanto, visto que este governante prometido havia de ser “filho” do Rei Davi, por que o chamaria Davi de “Meu Senhor”? Isto se devia a que este notável “filho de Davi” seria um rei muito mais elevado do que Davi. Embora Davi se assentasse no “trono de Jeová” no monte Sião terrestre, ele nunca, nem mesmo na sua morte, ascendeu ao céu e se assentou “à direita” de Jeová. Mas isto seria feito por aquele que se tornaria “Senhor” de Davi. Sua posição régia à direita de Jeová, no céu, poderia ser chamada de Monte Sião celestial, porque foi representada pelo monte Sião terrestre, que costumava estar dentro das muralhas de Jerusalém, o que não se dá mais hoje. Conforme disse o próprio Jeová, no Salmo 89:27, a respeito do Messias: “Também, eu mesmo o colocarei como primogênito, o mais excelso dos reis da terra.” Ele não só seria Rei senhoril mais elevado do que Davi, mas também seria para sempre “sacerdote” do Deus Altíssimo, igual a Melquisedeque, rei da antiga Salém. — Salmo 76:2; 110:4.

      21. Então, por que se tornaria grande o nome de Abraão?

      21 Lá no século vinte A. E. C., pouco se dava conta o patriarca Abraão de que os “reis” dos quais ele e sua esposa Sara haviam de tornar-se antepassados incluiriam o rei messiânico prefigurado por Melquisedeque, a quem Abraão pagou dízimos de todos os seus despojos da conquista. Não é de se admirar que o nome de Abraão havia de tornar-se grande, por causa de sua associação com tal Rei-Sacerdote! Não é de se admirar que todas as famílias da terra abençoariam a si mesmas ou procurariam uma bênção por meio de Abraão através deste Sacerdote-Rei igual a Melquisedeque! — Gênesis 12:3.

      O “AMIGO” DE DEUS

      22. Como ilustrou Deus que Sua nação escolhida procederia através do filho e herdeiro natural de Abraão?

      22 Depois do confronto vitorioso de Abraão com os quatro reis invasores, Deus prometeu a Abraão a necessária proteção e também que o “herdeiro” dele seria filho natural seu. Deus assegurou a Abraão, por meio duma ilustração, que a nação escolhida de Deus viria através deste filho e herdeiro: “Ele o levou então para fora e disse: ‘Olha para os céus, por favor, e conta as estrelas, se as puderes contar.’ E prosseguiu, dizendo-lhe: ‘Assim se tornará o teu descendente.’ E ele depositou fé em Jeová; e este passou a imputar-lhe isso como justiça.” — Gênesis 15:1-6.

      23. À base de que se atribuía justiça a Abraão e para que foi ele justificado?

      23 Não nos esqueçamos de que, nesta ocasião, Abraão ainda era hebreu incircunciso. Portanto, não se podia imputar justiça a Abraão por sua circuncisão na carne; ela lhe foi imputada por causa de sua fé em Jeová, que revelou a Abraão parte de seu propósito. De modo que Abraão foi considerado justo perante Deus, foi assim justificado para ter amizade com Jeová Deus. Séculos depois, o Rei Jeosafá, de Jerusalém, chamou Abraão de amigo de Jeová ou ‘aquele que o amava’. Mais tarde ainda, mediante o profeta Isaías, Jeová falou dele como sendo “Abraão, meu amigo”. (2 Crônicas 20:7, Isaías 41:8) Isto mostra quão valiosa, quão vital, realmente, é a fé em Jeová, relacionada com o seu “descendente”.

      24. Como se tornou Abraão pai de Ismael e, depois de Isaque?

      24 No ano 1932 A. E. C., à sugestão de sua idosa e estéril esposa Sara, Abraão gerou um filho por meio da escrava egípcia dela, Agar e chamou-o Ismael. (Gênesis 16:1-16) Treze anos depois, em 1919 A. E. C., Jeová disse a Abraão que Ismael não serviria qual verdadeiro “descendente”, mas que se escolheria um filho de sua verdadeira esposa Sara para ser o “descendente”. Seria o filho duma mulher livre. E assim, no ano seguinte nasceu Isaque, quando Sara tinha noventa anos de idade. “E Abraão tinha cem anos de idade quando lhe nasceu Isaque, seu filho.” No oitavo dia de sua vida, Isaque foi circuncidado, assim como havia sido seu pai Abraão no ano anterior. — Gênesis 21:1-5.

      25. O que mostra o relato quanto a se Jeová constituiu uma nação incluindo todos os filhos naturais de Abraão?

      25 É interessante notar que Deus não fez então uma nação dos seus dois filhos, Ismael, o primogênito, e Isaque, uma nação de duas tribos. Não, mas cinco anos depois, ao pedido urgente de sua esposa Sara, Abraão despediu Agar e seu filho Ismael de sua casa, para tomarem conta de si mesmos e irem aonde quer que quisessem. (Gênesis 21:8-21) Tampouco depois, após a morte de Sara em 1881 A. E. C., fez Deus uma nação, uma nação de sete tribos, de Isaque e dos outros filhos que Abraão gerou por meio duma concubina, Quetura. “Posteriormente, Abraão deu a Isaque tudo o que possuía, mas, aos filhos das concubinas que Abraão tinha, Abraão deu dádivas. Então os enviou para longe de Isaque, seu filho, enquanto ainda vivia, para o leste, para a terra do Oriente.” — Gênesis 25:14.

      26. Por causa de que demonstração admirável de te recebeu Abraão uma bênção especial na terra de Moriá, e o que se declarava nela?

      26 Uma demonstração muito admirável de fé da parte de Abraão levou a uma grande bênção para este “amigo” de Jeová. Esta resultou depois duma prova esquadrinhadora da fé e obediência de Abraão para com o Deus Altíssimo. A bênção de aprovação divina foi proferida no cume dum monte na terra de Moriá, considerado por muitos como tendo sido o lugar onde o Rei Salomão construiu o magnífico templo de Jeová séculos depois. (2 Crônicas 3:1) Ali, no lugar indicado por Jeová e na lenha empilhada num recém-construído altar de pedra, jazia a figura dum rapaz. Era Isaque. Ao lado do altar estava seu pai Abraão com um cutelo na mão. Ele estava prestes a cumprir a ordem de Deus, de matar sacrificialmente Isaque e oferecê-lo qual oferta queimada a Deus, que lhe havia dado milagrosamente o rapaz. Daí:

      “O anjo de Jeová começou a chamá-lo desde os céus e a dizer. ‘Abraão, Abraão!’” Não estendas tua mão contra o rapaz e não lhe faças nada, pois agora sei deveras que temes a Deus, visto que não me negaste o teu filho, teu único.’ . . . E o anjo de Jeová passou a chamar Abraão pela segunda vez, desde os céus, e a dizer: ‘“Juro deveras por mim mesmo”, é a pronunciação de Jeová, “que, pelo fato de que fizeste esta coisa e não me negaste teu filho, teu único, seguramente te abençoarei e seguramente multiplicarei a tua descendência como as estrelas dos céus e como os grãos de areia que há à beira do mar; e teu descendente tomará posse do portão dos seus inimigos. E todas as nações da terra hão de abençoar a si mesmas por meio de tua descendência, pelo fato de que escutaste a minha voz.” ’”— Gênesis 22:1-18.

      27. O que mostrou esta declaração divina quanto à escolha do “descendente” e quanto a se buscar uma bênção por meio dele?

      27 Isto significava que o “descendente” prometido, por meio de quem todas as nações procurariam uma bênção viria por meio da linhagem de Isaque. Jeová Deus mostrou assim que ele fazia a escolha da linhagem e que todos os meios-irmãos de Isaque não participavam em prover este “descendente”. Não obstante, as nações descendentes dos meios-irmãos de Isaque podiam procurar para si uma bênção por meio deste “descendente”. Todas as nações da atualidade, quer dizer, pessoas de todas as nacionalidades, hoje em dia, podem igualmente procurar uma bênção mediante o “descendente” de Abraão.

      28. Sem viveu o bastante para saber de que acontecimentos relacionados com a sua descendência?

      28 O patriarca Sem, sobrevivente do dilúvio global, viveu o bastante para saber desta bênção divina proferida sobre Abraão; de fato, Sem viveu o bastante para saber do casamento de Isaque com a bela Rebeca, de Harã, na Mesopotâmia. Sem viveu até 1868 A. E. C., dez anos após este casamento, mas não viveu para ver a prole deste casamento. No entanto, Abraão a viu. — Gênesis 11:11; 25:7.

  • A escolha divina segundo o “propósito eterno”
    O “Propósito Eterno” de Deus Triunfa Agora Para o Bem do Homem
    • Capítulo 8

      A escolha divina segundo o “propósito eterno”

      1. Que pergunta surgiu quanto à descendência do homem com quem Deus renovou sua promessa pactuada?

      JEOVÁ DEUS escolheu renovar com Isaque a promessa pactuada feita a seu pai Abraão. (Gênesis 26:1-5, 23, 24) Embora se casasse aos quarenta anos de idade, Isaque chegou a ter sessenta anos de idade antes de ter filhos — gêmeos. Será que Jeová, que respondeu a oração de Isaque pedindo filhos, faria uma escolha quanto a estes meninos gêmeos?

      2. Como revelou Jeová a qual dos gêmeos ele escolheu?

      2 Jeová indicou a sua escolha durante a gravidez de Rebeca, depois de ela ter orado e perguntado sobre a sua condição: “Jeová passou a dizer-lhe: ‘Há duas nações no teu ventre e dois grupos nacionais serão separados das tuas entranhas; e um grupo nacional será mais forte do que o outro grupo nacional, e o mais velho servirá ao mais jovem.” Esaú veio a ser o primogênito e Jacó o segundo dos gêmeos. (Gênesis 25:20-23) Jeová indicou assim que não faria uma só nação destes filhos gêmeos de Isaque, uma nação de duas tribos. Antes, haveria dois grupos nacionais, sendo o grupo nacional do gêmeo mais velho o mais fraco e servindo o grupo nacional do gêmeo mais moço. Isto invertia o direito natural que o primogênito tinha à precedência. Jeová revelou assim a quem ele escolheu.

      3. Dependia tal escolha de obras humanas ou daquele que faz a chamada?

      3 O Deus Todo-poderoso, Todo sábio, tinha direito de fazer isso, segundo seu propósito para a bênção de toda a humanidade. Sobre isto escreveu um comentador bíblico do primeiro século: “Quando Rebeca concebeu gêmeos de um só homem, Isaque, nosso antepassado: pois, quando ainda não tinham nascido, nem tinham ainda praticado nada de bom ou de ruim, a fim de que o propósito de Deus, com respeito à escolha, continuasse dependente, não de obras, mas Daquele que chama, foi dito a ela: ‘O mais velho será escravo do mais moço.’ Assim como está escrito: ‘Amei a Jacó, mas odiei a Esaú.’” — Romanos 9:10-13; citando também Malaquias 1:2, 3.

      4. Por que tinha Jeová menos amor por Esaú do que por Jacó, mesmo já antes do nascimento deles?

      4 O Deus Todo-poderoso, Todo-sábio, certamente não fez uma escolha má. Sem dúvida, podendo saber o padrão genético dos gêmeos no ventre de Rebeca, previu como os dois meninos desenvolveriam sua vida. Por isso Ele escolheu o gêmeo certo, embora este fosse o mais moço. Apesar de sua escolha segundo o seu propósito, Jeová não forçou a questão. Não planejou que o mais velho, Esaú, vendesse sua primogenitura por uma mera tigela de cozido de lentilhas ao seu irmão mais moço, Jacó, num dia crítico de decisão. Evidentemente, porém, Jeová previu que Esaú, ainda por nascer, não teria apreço e amor pelas coisas espirituais, assim como Jacó teria. Por este motivo, amava menos a Esaú do que a Jacó, e fez a sua escolha concordemente, enquanto os gêmeos ainda estavam para nascer, no ventre de sua mãe. — Gênesis 25:24-34.

      5. Planejou Jeová como Jacó devia obter a bênção proferida por Isaque e será que Ele a anulou?

      5 Jeová não planejou as táticas que Jacó e sua mãe Rebeca finalmente usaram para obter a bênção proferida por Isaque, mas Jeová permitiu que o idoso e cego Isaque proferisse a bênção da primogenitura sobre Jacó, visto que Jacó a merecia. (Gênesis 27:1-30) Jeová não deixou que Isaque invertesse a bênção, mas, quando Jacó fugiu da ira assassina de seu irmão gêmeo Esaú, Deus confirmou a bênção de Isaque sobre Jacó. Isto confirmou a escolha que Deus fez de Jacó antes do nascimento deste. Como?

      6. Como foi confirmada a escolha de Jacó por Deus no sonho de Jacó a respeito duma escada usada por anjos?

      6 No lugar chamado Betel, na Terra da Promessa, o fugitivo Jacó “começou a sonhar, e eis que havia uma escada posta na terra e seu topo tocava nos céus; e eis que anjos de Deus subiam e desciam por ela. E eis que Jeová estava parado acima dela e passou a dizer: ‘Eu sou Jeová, o Deus de Abraão, teu pai, e o Deus de Isaque. A terra em que estás deitado, eu vou dá-la a ti e à tua descendência. E tua descendência há de tornar-se como as partículas de pó da terra, e tu te hás de espalhar para o oeste, e para o leste, e para o norte, e para o sul, e todas as famílias do solo hão de abençoar a si mesmas por meio de ti e por meio de tua descendência. E eis que estou contigo e vou guardarte em todo o caminho em que andares, e vou retornar-te a este solo porque não te abandonarei até que eu tenha realmente feito o que te falei.’” — Gênesis 28:12-15.

      7, 8. (a) O que significava esta declaração divina para a linhagem do Messias? (b) Dessemelhante de Esaú, Jacó destacou-se por causa de sua adoração de quem?

      7 Segundo esta declaração irreversível do Deus que não mente, a Promessa Abraâmica apresentada em Gênesis 12:1-7 havia de ser cumprida por Deus mediante os descendentes ou a descendência de Jacó.

      8 Isto queria dizer que o Messias, o “descendente” da “mulher” celestial de Deus, viria através da linhagem de Jacó. É por isso que nos especializamos em seguir a história dos descendentes de Jacó, em vez de a história das nações e das famílias do solo que ainda hão de ser abençoadas pelo “descendente” messiânico. Também, o Deus de Abraão e de Isaque veio a ser chamado de “Deus de Jacó”. Isto não se pode dizer de Esaú (ou Edom), que não se distinguiu na adoração de Jeová e cujos descendentes tornaram-se inimigos dos adoradores de Jeová. O ídolo Qos era o ‘deus de Edom’. (2 Crônicas 25:14; Ezequiel, capítulo trinta e cinco) O templo construído mais tarde em Jerusalém veio a ser chamado de “casa do Deus de Jacó”. (Isaías 2:3) O inspirado salmista diz, como exemplo para nós hoje, nestes dias atribulados: “Jeová dos exércitos está conosco; o Deus de Jacó é para nós uma altura protetora.” — Salmo 46:11.

      ESCOLHA DA TRIBO REAL

      9. (a) Por que foram os descendentes de Jacó chamados israelitas? (b) Em que lugar tornou-se Jacó pai de seu décimo segundo filho?

      9 Enquanto estava lá em Padã-Harã no vale mesopotâmico, durante vinte anos, Jacó casou-se na relação familiar aprovada pelo seu pai Isaque e tornou-se pai de onze filhos. Deus lhe disse então que voltasse à Terra da Promessa, da qual havia fugido. (Gênesis 31:3) Foi enquanto Jacó estava retornando, que recebeu o cognome de Israel. O anjo de Deus disse-lhe: “Não serás mais chamado pelo nome de Jacó, mas, sim, Israel, pois contendeste com Deus e com homens, de modo que por fim prevaleceste.” (Gênesis 32:28) Os descendentes de Jacó, depois disso, foram chamados de israelitas. (Êxodo 17:11) Mais tarde, quando Jacó ou Israel estava retornando duma revisita a Betel, onde havia tido o sonho da escada, tornou-se pai de seu décimo segundo filho, Benjamim. Mas na ocasião de dar à luz este seu segundo filho, faleceu a esposa amada de Jacó, Raquel. Conforme registrado em Gênesis 35:19, “Raquel morreu assim e foi enterrada no caminho de Efrata, isto é, Belém”.

      10. Durante a permanência continuada de Jacó na Terra da Promessa, que desqualificações sofreu Rubem?

      10 Depois de Jacó retornar à Terra da Promessa, em 1761 A. E. C., ele continuou a morar ali por trinta e três anos como residente forasteiro. Durante este tempo, aconteceu um número de coisas significativas, mas não segundo qualquer plano de Deus. Faleceu o pai de Jacó, Isaque, à idade de cento e oitenta anos. (Gênesis 35:27-29) O filho mais velho de Jacó, Rubem, violentou a concubina de seu pai, Bila, serva de Raquel. (Gênesis 35:22) Isto desqualificou Rubem de usufruir o direito de primogênito de seu pai Jacó e também de que o Messias régio viesse por intermédio de sua descendência. Isto certamente não foi planejado por Jeová Deus, porque Ele não se envolve em tal fornicação incestuosa. — Gênesis 49:1-4.

      11, 12. (a) Como se desqualificaram Simeão e Levi com respeito a terem oportunidade quanto à linhagem messiânica? (b) O que tinha de fazer então Deus quanto à escolha?

      11 Antes da morte de Raquel e do ato de imoralidade chocante de Rubem, a filha de Jacó, Diná, foi violentada por um habitante da Terra da Promessa, a saber, Siquém, filho de Hamor, o heveu, que morava na cidade de Siquém. Houve grande indignação entre os filhos de Jacó, por causa desta “ignominiosa insensatez contra Israel”. Portanto, quando os varões de Siquém estavam incapacitados, por terem satisfeito a exigência da circuncisão, o segundo filho de Jacó, Simeão, e seu terceiro filho, Levi, tomaram espadas e massacraram todos os varões siquemitas insuspeitos, saqueando depois a cidade.

      12 Jacó, como profeta de Deus, desaprovou tal violência. Ele disse a Simeão e Levi que o haviam feito assim “mau cheiro para os habitantes do país” e que haviam exposto tanto a ele como a sua família ao extermínio pelos povos mais numerosos do país. (Gênesis 34:1-30) Por causa desta matança cruel em ira e fúria, Simeão e Levi desqualificaram-se de a descendência de qualquer deles conduzir até o “descendente” messiânico. De modo que este privilégio honroso tinha de ser concedido então a outro filho, além de Simeão e Levi, e o primogênito natural, Rubem. (Gênesis 49:5-7) Jeová Deus, certamente, não planejara isso assim. Teve de adaptar-se então a uma nova série de circunstâncias. Sua escolha entre os filhos ainda remanescentes de Jacó seria indicada por Ele mediante seu profeta, Jacó ou Israel.

      13, 14. Como vieram Jacó e sua família a mudar-se para o Egito, a fim de estarem lá com José?

      13 O primogênito da amada segunda esposa de Jacó, Raquel, era o décimo primeiro filho da família, a saber, José. Jacó demonstrou afeição especial a este filho de sua velhice. Por este motivo, os meios-irmãos de José ficaram com ciúmes dele. Sem o conhecimento de seu pai, fizeram com que José fosse vendido a mercadores viajantes, que desciam ao Egito. Deram a entender a seu pai Jacó que José fora morto por uma fera selvagem.

      14 José foi vendido em escravidão no Egito, mas pelo favor de Deus, a quem adorava e obedecia fielmente, foi elevado para ser administrador de alimentos e primeiro-ministro do Egito, debaixo de Faraó: No ano 1728 A. E. C., José ficou reconciliado com seus meios-irmãos arrependidos, que haviam descido ao Egito para obter mantimentos durante a fome mundial. Depois, por arranjos de José, seu pai Jacó ou Israel mudou-se com toda a sua família para o Egito e estabeleceu-se na chamada Terra de Gósen. Ali Jacó continuou a viver mais dezessete anos. — Gênesis, capítulos 37-47.

      15, 16. Ainda sendo herdeiro de que entrou Jacó no Egito, e como se traz isso à atenção no Salmo 105:7-15?

      15 Foi às instruções de Deus que Jacó partiu da Terra da Promessa e desceu ao Egito, a convite de José. (Gênesis 46:1-4) Desceu para lá ainda herdeiro da Promessa Abraâmica e como aquele que podia transmiti-la. O Salmo 105:7-15 salienta isso e diz:

      16 “Ele é Jeová, nosso Deus. Suas decisões judiciais estão em toda a terra. Lembrou-se do seu pacto, sim, por tempo indefinido, da palavra que ele ordenou, por mil gerações, pacto que concluiu com Abraão, e sua declaração juramentada a Isaque, e qual declaração ele manteve de pé como regulamento, sim, para Jacó, como pacto de duração indefinida, sim, para Israel, dizendo: ‘A ti te darei a terra de Canaã, como lote da vossa herança.’ Isto se deu quando vieram a ser poucos em número, sim, muito poucos, e residentes forasteiros nela. E andavam de nação em nação, de um reino a outro povo. Ele não permitiu que algum homem os defraudasse, mas por causa deles repreendeu reis, dizendo: ‘Não toqueis nos meus ungidos [em hebraico, o plural de mashíahh, ou messias] e não façais nada de mal aos meus profetas.’” — NM, versão marginal da edição inglesa de 1971.

      17. Por que falou Jeová a respeito de Abraão, Isaque e Jacó como sendo “profetas” e seus “ungidos”?

      17 Assim, Jeová chamou Abraão, Isaque e Jacó de seus profetas, e eles realmente os eram. (Gênesis 20:7) Podia-se chamar um profeta de ungido, por ter sido designado e nomeado, mesmo sem o derramamento de óleo oficial sobre ele. (1 Reis 19:16, 19; 2 Reis 2:14) Do mesmo modo, embora Abraão, Isaque e Jacó não fossem ungidos com óleo, do modo como Jacó ungiu a coluna no lugar chamado Betel, foram corretamente chamados de “ungidos” por causa da ação de Jeová para com eles. (Gênesis 28:18, 19; 31:13) Chamá-los Jeová de “meus ungidos” indicava que ele os designara, que os escolhera. A tradução bíblica inglesa de Moffatt verte o Salmo 105:15: “Nunca toqueis nos meus escolhidos, nunca façais mal aos meus profetas.” (Também 1 Crônicas 16:22) Jeová escolhe a quem quer; há um propósito atrás de sua escolha.

      18. Por conseguinte, a nação que havia de proceder de Abraão, Isaque e Jacó também recebeu que designação, e por que era isso apropriado?

      18 Abraão, Isaque e Jacó eram “messias” de Jeová, e é em harmonia com isso que a nação messiânica veio por meio deles. As Escrituras Sagradas falam desta nação escolhida como sendo o “messias” ou “ungido” de Jeová. No Salmo 28:8, 9, o salmista Davi diz: “Jeová é uma força para seu povo, e ele é baluarte da grandiosa salvação do seu ungido [em hebraico: mashíahh]. Salva deveras o teu povo e abençoa a tua herança; e pastoreia-os e carrega-os por tempo indefinido.” Mais tarde, o profeta Habacuque disse a Jeová em oração: “Saíste para a salvação do teu povo, para salvar o teu ungido [mashíahh].” (Habacuque 3:13) Era em harmonia com isso que, mediante esta nação ou este povo “ungido”, no tempo designado de Deus, devia vir o verdadeiro Messias, o “descendente” da “mulher” celestial de Deus. — Gênesis 3:15.

      19. O que foram chamados os filhos de Jacó, sendo chefes de doze tribos?

      19 Foi lá no Egito que os descendentes de Jacó tornaram-se um povo numeroso, pronto para ser uma nação. Foi a respeito do tempo em que Jacó estava no seu leito de morte (em 1711 A. E. C.) e proferiu suas palavras de despedida aos seus filhos que se disse: “Todos estes são as doze tribos de Israel, e isto é o que o seu pai lhes falou ao abençoá-los. Ele os abençoou, a cada um segundo a sua própria bênção.” (Gênesis 49:28) Tornando-se cada um chefe duma tribo, estes doze filhos de Jacó foram chamados “patriarcas”, ou ‘chefes dos pais’. Conforme disse certa vez um orador perante o Sinédrio de Jerusalém: “Deu-lhe o pacto da circuncisão; e assim gerou a Isaque, e o circuncidou ao oitavo dia, e Isaque a Jacó; e Jacó aos doze patriarcas. E os patriarcas, movidos de inveja, venderam a José para o Egito; mas Deus era com ele.” (Atos 7:8, 9, Almeida, revista e corrigida) Os judeus de língua grega falavam corretamente sobre o “patriarca Abraão” e também sobre o “patriarca Davi”. — Hebreus 7:4; Atos 2:29, Almeida.

      20. Estabeleceu-se assim em Israel um patriarcado religioso?

      20 Isto não significava, porém, que se estabelecia um patriarcado religioso entre os descendentes de Jacó lá no Egito. Após a morte de Jacó, na terra de Gósen, José, como primeiro-ministro do Egito para Faraó, não se arvorou em chefe patriarcal das “doze tribos de Israel”, embora a bênção final de seu pai sobre ele indicasse que o direito da primogenitura havia sido transferido para José. — Gênesis 49:22-26; 50:15-26.

      21. (a) Jacó indicou que o direito de primogênito foi então transferido para quem? (b) De quem dependia a escolha quanto a quem encabeçaria a linhagem que levaria ao rei messiânico?

      21 Pelas bênçãos proféticas que proferiu sobre seus doze filhos, o patriarca Jacó revelou mais do que a transferência da primogenitura ou do direito do primogênito de Rubem, primogênito de Jacó de sua primeira esposa Léia, para José, primogênito de sua segunda esposa Raquel. (Gênesis 29:21-32) Antes de venderem José em escravidão ao Egito, seus meios-irmãos ressentiam-se da idéia de que se tornasse rei sobre eles. (Gênesis 37:8) Mas, já muito antes disso, quando Deus deu ao patriarca Abraão o pacto da circuncisão, Deus predissera que reis procederiam de Abraão, e isto por meio de sua esposa Sara, cujo nome Deus mudou então de Sarai para Sara, significando “Princesa”. (Gênesis 17:16) Também, quando Deus mudou o nome de Jacó para Israel, prometeu que procederiam de Jacó. (Gênesis 35:10, 11) No entanto, o direito do primogênito da família não levava consigo automaticamente o direito e a honra de ser o antepassado da linhagem de reis que levaria ao Rei messiânico, o “descendente” da “mulher” celestial de Deus. Este assunto vital dependia da escolha de Deus. Ele fez com que Jacó indicasse qual dos filhos seria antepassado de tal Rei.

      22. Ao abençoar que filho referiu-se Jacó a um “cetro” e a um “batismo de comandante”?

      22 Depois de expressar sua desaprovação de Rubem, Simeão e Levi, o moribundo Jacó disse com referência ao seu quarto filho, de sua primeira esposa Léia: “Quanto a ti, Judá, teus irmãos te elogiarão. Tua mão estará sobre a cerviz dos teus inimigos. Os filhos de teu pai se prostrarão diante de ti. Judá é um leãozinho. Subirás certamente da presa, filho meu. Abaixa-se, espicha-se como o leão, e como a um leão, quem se atreve a acordá-lo? O cetro não se afastará de Judá, nem o bastão de comandante de entre os seus pés, até que venha Siló; e a ele pertencerá a obediência dos povos.” — Gênesis 49:8-10.

      23. Todas estas particularidades, o cetro, o bastão de comandante, a obediência dos povos e a comparação com um leão indicavam o que a respeito de Judá?

      23 Notemos a comparação que Jacó fez de Judá com um leão. Miquéias 5:8 compara o leão ao rei dos animais da floresta. Ezequiel 19:1-9 compara os reis do reino de Judá a leões. Portanto, comparar Jacó a Judá com um leão harmoniza-se bem com o fato de que o cetro não se ‘afastaria de Judá’, dando a entender que Judá já tinha o cetro e não o perderia, nem ficaria privado dele. Que este era o cetro do reinado é apoiado por se relacionar o cetro com o “bastão de comandante”, que tampouco se afastaria de Judá, antes de vir Siló. Além disso, a Judá, conforme representado por este Siló, ‘pertenceria a obediência dos povos’. (Gênesis 49:10) Todas estas particularidades a respeito de Judá indicam realeza!

      24, 25. (a) O que significa o nome Siló e a quem se aplica? (b) Por que não se afastaria de Judá o cetro real?

      24 Entende-se que o nome Siló significa “Aquele de Quem É”. A antiga Vulgata latina, traduzida do texto original hebraico daqueles dias, reza: “Até que venha aquele que há de ser enviado.”

      25 A vinda deste Siló (“Aquele de Quem É”) refere-se ao mesmo cuja vinda é predita nas palavras do Soberano Senhor Jeová ao último rei judeu de Jerusalém: “Uma ruína, uma ruína, uma ruína a farei. Também quanto a esta, certamente não virá a ser de ninguém até que venha aquele que tem o direito legal, e a ele é que terei de dá-lo.” (Ezequiel 21:27) Sem dúvida, isto se refere à vinda do Rei messiânico, “descendente” da “mulher” figurativa de Deus, porque com a vinda dele não há mais necessidade de uma sucessão adicional de reis após ele. O reino da tribo de Judá atinge então seu clímax e permanece para sempre nas mãos de Siló. Este é o Rei messiânico que se sentará à mão direita de Jeová, nos céus, e será rei igual a Melquisedeque, a quem o patriarca Abraão pagou dízimos dos despojos da vitória. (Salmo 110:1-4) Deste modo, o cetro real não se afastará de Judá.

      26. (a) Como mostra 1 Crônicas 5:1, 2, a diferença entre o direito de primogênito e as atribuições régias? (b) Apesar dos desenvolvimentos não planejados, Jeová estava livre e habilitado para fazer o quê?

      26 Que o direito do filho primogênito da família era uma coisa e a atribuição da liderança régia era outra coisa, e que Deus, mediante o moribundo patriarca Jacó, atribuiu a liderança régia a Judá, é dito claramente na Escritura. Em 1 Crônicas 5:1, 2, lemos a respeito dos filhos de Jacó: “E os filhos de Rubem, primogênito de Israel — pois era o primogênito; mas por profanar o leito conjugal de seu pai, deu-se o seu direito de primogênito aos filhos de José, filho de Israel, de modo que [Rubem] não foi registrado genealogicamente para o direito de primogênito. Porque o próprio Judá mostrou-se superior entre os seus irmãos e o líder procedia dele [e dele veio o príncipe (Almeida, atualizada); e é dele que saiu o príncipe (Centro Bíblico Católico, 5.ª edição)]; mas a primogenitura era de José.” Não podemos dizer aqui que o Deus Todo-poderoso, Todo-sábio, planejasse isso assim, porque ele não induziu as más ações de Rubem, Simeão e Levi, nem as conseqüências delas. Antes, pelo modo em que resultaram os desenvolvimentos não planejados, ele estava livre para escolher Judá. Não importava o que acontecesse, podia apegar-se ao seu propósito original e levá-lo a cabo, sem mudança.

      27, 28. (a) Em que nação, pois, fixaremos os olhos, e em que parte específica dela? (b) Por agirmos de acordo com a evidência que Deus fornece, que benefícios usufruiremos?

      27 As escolhas e atuações de Deus servem para nós de guia seguro, ao considerarmos Seu “propósito eterno” que ele formou em conexão com o Ungido, o Messias. Em vista das palavras proféticas que inspirou que o moribundo patriarca Jacó proferisse a respeito de Judá sabemos que proceder devemos seguir. Temos de manter os olhos fixos, não apenas nas doze tribos de Israel em geral, mas em especial na tribo de Judá, por causa de sua relação direta com o messias de Jeová, o “descendente” de Sua “mulher” celestial. Acumula-se cada vez mais evidência para ajudar-nos a identificar este Rei messiânico, envolvido no “propósito eterno” de Deus.

      28 Por agirmos de acordo com a evidência que o Soberano Senhor Jeová nos fornece, evitaremos tornar-nos seguidores dum Messias falso e desapontador. Antes, teremos a alegria de reconhecer o verdadeiro Messias da parte de Deus e seguir aquele por meio de quem todas as nações da terra procurarão uma bênção eterna.

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