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O que diz a Bíblia sobre Deus e Jesus?Deve-se Crer na Trindade?
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A tradução católica A Bíblia de Jerusalém (BJ), diz ali: “Ouve, ó Israel: Iahweh nosso Deus é o único Iahweh!”a Na gramática desse versículo, a palavra “único” não tem modificativos para o plural para sugerir que signifique outra coisa senão um só indivíduo.
O cristão apóstolo Paulo tampouco indicou alguma mudança na natureza de Deus, mesmo depois de Jesus ter vindo à terra. Ele escreveu: “Deus é apenas um.” — Gálatas 3:20; veja também 1 Coríntios 8:4-6.
Milhares de vezes, por toda a Bíblia, fala-se de Deus como sendo uma única pessoa. Quando ele fala, é como indivíduo indiviso. A Bíblia não podia ser mais clara nisso. Como Deus diz: “Eu sou Jeová. Este é meu nome; e a minha própria glória não darei a outrem.” (Isaías 42:8) “Eu sou Iahweh, teu Deus . . . Não terás outros deuses diante de mim.” (O grifo é nosso.) — Êxodo 20:2, 3, BJ.
Por que todos os escritores bíblicos inspirados por Deus falariam Dele como sendo uma pessoa única se ele fosse realmente três pessoas? A que objetivo isso serviria, senão desencaminhar as pessoas? Certamente, se Deus fosse composto de três pessoas, ele teria feito com que os escritores bíblicos deixassem isso rigorosamente claro, para que não houvesse dúvida a respeito. Pelo menos os escritores das Escrituras Gregas Cristãs, que tiveram contato pessoal com o próprio Filho de Deus, teriam feito isso. Mas não fizeram.
Em vez disso, o que os escritores bíblicos realmente deixaram rigorosamente claro é que Deus é uma só Pessoa — um Ser ímpar, indiviso, sem igual: “Eu sou Jeová, e não há outro. Além de mim não há Deus.” (Isaías 45:5) “Tu, cujo nome é Jeová, somente tu és o Altíssimo sobre toda a terra.” — Salmo 83:18.
Não Um Deus Pluralizado
JESUS chamou a Deus de “o único Deus verdadeiro”. (João 17:3) Jamais referiu-se ele a Deus como uma deidade composta de pessoas pluralizadas. É por isso que na Bíblia ninguém senão Jeová é chamado de Todo-poderoso. Se assim não fosse, isso anularia o sentido da palavra “todo-poderoso”. Nem Jesus e tampouco o espírito santo é alguma vez assim chamado, pois somente Jeová é supremo. Em Gênesis 17:1 ele declara: “Eu sou o Deus Todo-poderoso.” E Êxodo 18:11 diz: “Jeová é maior do que todos os demais deuses.”
Nas Escrituras Hebraicas, a palavra ʼelóh·ah (deus) tem duas formas de plural, a saber, ʼelo·hím (deuses) e ʼelo·héh (deuses de). Estas formas de plural geralmente se referem a Jeová, casos em que são traduzidas no singular por “Deus”. Indicam tais formas pluralizadas a existência de uma Trindade? Não, não indicam. Em A Dictionary of the Bible (Dicionário da Bíblia), William Smith diz: “A fantasiosa idéia de que [ʼelo·hím] se refere à trindade de pessoas na Divindade dificilmente encontra agora entre os peritos alguém que a apóie. Trata-se daquilo que os gramáticos chamam de plural de majestade, ou denota a plenitude da força divina, a soma dos poderes exibidos por Deus.”
A The American Journal of Semitic Languages and Literatures (Revista Americana de Línguas e Literatura Semítica) diz sobre ʼelo·hím: “É quase que invariavelmente construída com um predicado verbal singular, e tem atributo adjetival singular.” Ilustrando, o título ʼelo·hím aparece 35 vezes isoladamente no relato da criação, e em todos os casos o verbo que descreve o que Deus disse e fez está no singular. (Gênesis 1:1-2:4) Assim, essa publicação conclui: “[ʼElo·hím] deve antes ser explicado como sendo um plural intensivo, denotando grandeza e majestade.”
ʼElo·hím não significa “pessoas”, mas sim “deuses”. Portanto, aqueles que argumentam que essa palavra subentende uma Trindade fazem de si mesmos politeístas, adoradores de mais de um Deus. Por quê? Porque significaria que haveria três deuses na Trindade. No entanto, quase todos os defensores da Trindade rejeitam o conceito de que a Trindade se componha de três deuses separados.
A Bíblia também usa as palavras ’elo·hím e ’elo·héh ao se referir a um sem-número de falsos deuses ídolos. (Êxodo 12:12; 20:23) Mas, outras vezes pode referir-se simplesmente a um único deus falso, como quando os filisteus se referiram a “Dagom, seu deus [ʼelo·héh]”. (Juízes 16:23, 24) Baal é chamado de um “deus [ʼelo·hím]”. (1 Reis 18:27) Além disso, o termo é usado para humanos. (Salmo 82:1, 6) A Moisés se disse que ele devia servir como “Deus [ʼelo·hím]” para Arão e para Faraó. — Êxodo 4:16; 7:1.
Obviamente, o emprego dos títulos ʼelo·hím e ʼelo·héh para deuses falsos, e até para humanos, não significava que cada um deles fosse uma pluralidade de deuses; do mesmo modo, aplicar ʼelo·hím ou ʼelo·héh a Jeová não significa que ele seja mais do que uma só pessoa, em especial quando levamos em conta o testemunho do restante da Bíblia sobre esse assunto.
Jesus É Uma Criação à Parte
ENQUANTO esteve na terra, Jesus era humano, embora perfeito, pois fora Deus quem transferira a força de vida de Jesus para o ventre de Maria. (Mateus 1:18-25) Mas, não foi assim o início de Jesus. Ele mesmo declarou que ‘descera do céu’. (João 3:13) Assim, era apenas natural que ele mais tarde dissesse a seus seguidores: “E quando virdes o Filho do Homem [Jesus] subir aonde estava antes?” — João 6:62, BJ.
Assim, Jesus existia no céu antes de vir à terra. Mas, existia ele em forma de uma das pessoas componentes de uma Divindade todo-poderosa, eterna e trina? Não, pois a Bíblia diz claramente que na sua existência pré-humana, Jesus era um ser espiritual criado, do mesmo modo como os anjos são seres espirituais criados por Deus. Nem os anjos e tampouco Jesus existiam antes de serem criados.
Jesus, na sua existência pré-humana, era “o Primogênito de toda criatura”. (Colossenses 1:15, BJ) Era “o princípio da criação de Deus”. (Revelação [Apocalipse] 3:14, Bíblia Vozes [BV]) “Princípio” [grego: ar·khé] não pode corretamente ser interpretado para significar que Jesus era o ‘principiador’ da criação de Deus. Em seus escritos bíblicos, João usa diversas formas da palavra grega ar·khé mais de 20 vezes, e estas sempre têm o significado comum de “princípio”. Sim, Jesus foi criado por Deus como o princípio das criações invisíveis Deste.
Note quão de perto essas referências à origem de Jesus se correlacionam com expressões feitas pela “Sabedoria” figurativa no livro bíblico de Provérbios: “Iahweh me criou, primícias de sua obra, antes de seus feitos mais antigos. Antes que as montanhas fossem implantadas, antes das colinas, eu fui gerada; ainda não havia feito a terra e a erva, nem os primeiros elementos do mundo.” (Provérbios 8:12, 22, 25, 26, BJ) Ao passo que o termo “Sabedoria” é usado para personificar aquele que Deus criou, a maioria dos peritos concorda que se trata realmente de uma figura de linguagem que se refere a Jesus na sua condição de criatura espiritual anterior à sua existência qual humano.
Como “Sabedoria” em sua existência pré-humana, Jesus diz adicionalmente que “estava junto com ele [Deus] como o mestre-de-obras”. (Provérbios 8:30, BJ) Em harmonia com esse papel de mestre-de-obras, Colossenses 1:16 diz de Jesus que “por meio dele, Deus criou tudo, no céu e na terra”. — A Bíblia na Linguagem de Hoje (BLH).
Assim, foi por meio desse mestre-de-obras, seu sócio minoritário, por assim dizer, que o Deus Todo-poderoso criou todas as outras coisas. A Bíblia resume o assunto da seguinte maneira: “Para nós, contudo, há só um Deus, o Pai, de quem tiveram o ser todas as coisas . . . e só um Senhor Jesus Cristo, por quem todas as coisas (foram feitas).” (O grifo é nosso.) — 1 Coríntios 8:6, So.
Sem dúvida foi a esse mestre-de-obras que Deus disse: “Façamos o homem à nossa imagem.” (Gênesis 1:26) Alguns afirmam que “façamos” e “nossa” nessa expressão indicam uma Trindade. Mas, se você dissesse: ‘Façamos algo para nós’, ninguém normalmente entenderia que isso subentendesse que várias pessoas estivessem combinadas como uma só dentro de sua pessoa. Você simplesmente estaria querendo dizer que duas ou mais pessoas trabalhariam juntas em algum projeto. Assim, também, quando Deus disse “façamos” e “nossa”, ele estava simplesmente falando a outra pessoa, à sua primeira criação espiritual, o mestre-de-obras, o pré-humano Jesus.
Poderia Deus Ser Tentado?
EM MATEUS 4:1, fala-se de Jesus como sendo “tentado pelo Diabo”. Depois de mostrar a Jesus “todos os reinos do mundo e a glória deles”, Satanás disse: “Todas estas coisas te darei, se te prostrares e me fizeres um ato de adoração.” (Mateus 4:8, 9) Satanás tentava induzir Jesus a ser desleal a Deus.
Mas, que teste de lealdade seria esse se Jesus fosse Deus? Poderia Deus rebelar-se contra si mesmo? Não, mas os anjos e os humanos poderiam rebelar-se contra Deus, como, de fato, alguns fizeram. A tentação de Jesus faria sentido apenas se ele fosse, não Deus, mas uma pessoa à parte que tivesse o seu próprio livre-arbítrio, alguém que pudesse ser desleal se assim o desejasse, como no caso de um anjo ou de um humano.
Por outro lado, é inconcebível que Deus pudesse pecar e ser desleal a si mesmo. “Perfeita é a sua atuação . . . Deus de fidelidade, . . . justo e reto é ele.” (Deuteronômio 32:4) Assim, se Jesus tivesse sido Deus, não poderia ter sido tentado. — Tiago 1:13.
Não sendo Deus, Jesus poderia ter sido desleal. Mas, ele permaneceu fiel, dizendo: “Vai-te, Satanás! Pois está escrito: ‘É a Jeová, teu Deus, que tens de adorar e é somente a ele que tens de prestar serviço sagrado.’” — Mateus 4:10.
Qual Foi o Valor do Resgate?
UMA das principais razões de Jesus ter vindo à terra também tem a ver diretamente com a Trindade. A Bíblia diz: “Há um só Deus e um só mediador entre Deus e homens, um homem, Cristo Jesus, o qual se entregou como resgate correspondente por todos.” — 1 Timóteo 2:5, 6.
Jesus, nada mais e nada menos do que um humano perfeito, tornou-se um resgate que compensou exatamente o que Adão perdera — o direito à vida humana perfeita na terra. Assim, Jesus podia corretamente ser chamado “o último Adão” pelo apóstolo Paulo, que disse no mesmo contexto: “Assim como em Adão todos morrem, assim também em Cristo todos serão vivificados.” (1 Coríntios 15:22, 45) A perfeita vida humana de Jesus foi o “resgate correspondente” exigido pela justiça divina — nada mais, nada menos. Um princípio básico, mesmo de justiça humana, é que o preço pago deve ser equivalente ao erro cometido.
Se Jesus, no entanto, fosse parte de uma Divindade, o preço de resgate teria sido infinitamente superior ao que a Lei do próprio Deus exigia. (Êxodo 21:23-25; Levítico 24:19-21) Foi apenas um humano perfeito, Adão, quem pecou no Éden, não Deus. Assim, o resgate, para estar realmente em harmonia com a justiça de Deus, tinha de ser estritamente um equivalente — um humano perfeito, “o último Adão”. Assim, quando Deus enviou Jesus à terra como resgate, ele fez com que Jesus se tornasse o que satisfaria a justiça, não uma encarnação, não um deus-homem, mas um homem perfeito, “menor que os anjos”. (Hebreus 2:9; compare com o Salmo 8:5, 6.) Como poderia uma parte de uma todo-poderosa Divindade — o Pai, o Filho ou o espírito santo — alguma vez ser menor do que anjos?
Em Que Sentido É o “Filho Unigênito”?
A BÍBLIA chama Jesus de “Filho unigênito” de Deus. (João 1:14; 3:16, 18; 1 João 4:9) Os trinitaristas dizem que, visto que Deus é eterno, o Filho de Deus também é eterno. Mas, como pode uma pessoa ser filho e ao mesmo tempo ter a mesma idade de seu pai?
Os trinitaristas afirmam que no caso de Jesus, “unigênito” não é o mesmo que a definição de dicionário para “gerar”, que é “procriar como pai”. (Webster’s Ninth New Collegiate Dictionary [Nono Novo Dicionário Colegial de Webster]) Dizem que no caso de Jesus significa “o sentido de relacionamento não originado”, uma espécie de relação de filho único sem o ato de gerar. (Vine’s Expository Dictionary of Old and New Testament Words [Dicionário Expositivo de Palavras do Antigo e do Novo Testamento, de Vine]) Soa-lhe lógico isso? Pode um homem ser pai de um filho sem tê-lo gerado?
Ademais, por que usa a Bíblia a mesmíssima palavra grega para “unigênito” (como Vine admite sem explicação alguma) para descrever a relação entre Isaque e Abraão? Hebreus 11:17 fala de Isaque como “unigênito” de Abraão. Não pode haver dúvida de que no caso de Isaque, ele era unigênito no sentido normal, não igual ao seu pai em tempo de existência ou em cargo.
A palavra grega básica para “unigênito” usada para Jesus e Isaque é mo·no·ge·nés, de mó·nos, que significa “único” e gí·no·mai, um radical que significa “gerar”, “tornar-se (vir à existência)”, diz a Exhaustive Concordance (Concordância Exaustiva), de Strong. Assim, mo·no·ge·nés é definido como: “Nascido único, gerado único, i.e., filho único.” — A Greek and English Lexicon of the New Testament (Léxico Grego-Inglês do Novo Testamento), de E. Robinson.
O Theological Dictionary of the New Testament (Dicionário Teológico do Novo Testamento), editado por Gerhard Kittel, diz: “[Mo·no·ge·nés] significa ‘de descendência única’, i.e., sem irmãos ou irmãs.” Este livro diz também que em João 1:18; 3:16, 18 e 1 João 4:9, “a relação de Jesus não é simplesmente comparada com a relação de um filho único com seu pai. É a relação do unigênito com o Pai”.
De modo que a vida de Jesus, o Unigênito, teve um início. E o Deus Todo-poderoso pode corretamente ser chamado de seu Genitor, ou Pai, no mesmo sentido que um pai terrestre, como Abraão, gera um filho. (Hebreus 11:17) Assim, quando a Bíblia fala de Deus como “Pai” de Jesus, significa exatamente o que diz — que são dois personagens distintos. Deus é o superior. Jesus o inferior — em tempo de existência, cargo, poder e conhecimento.
Quando se leva em conta que Jesus não era o único filho espiritual de Deus criado no céu, torna-se evidente por que o termo “unigênito” foi usado no seu caso. Um sem-número de outros seres espirituais criados, anjos, também são chamados de “filhos de Deus”, no mesmo sentido que Adão era, porque a sua força de vida se originou de Jeová Deus, a Fonte, ou Origem, da vida. (Jó 38:7; Salmo 36:9; Lucas 3:38) Mas estes foram todos criados através do “unigênito”, que foi o único gerado diretamente por Deus. — Colossenses 1:15-17.
Era Jesus Considerado Deus?
AO PASSO que na Bíblia Jesus muitas vezes é chamado de Filho de Deus, ninguém no primeiro século jamais imaginou que ele fosse Deus Filho. Mesmo os demônios, que ‘crêem que há um só Deus’, sabiam de sua própria experiência no domínio espiritual que Jesus não era Deus. Assim, corretamente, eles dirigiram-se a Jesus como uma pessoa à parte, o “Filho de Deus”. (Tiago 2:19; Mateus 8:29) E quando Jesus morreu, os soldados romanos pagãos que estavam por perto sabiam o suficiente para dizer que aquilo que haviam ouvido de Seus seguidores devia estar correto, não que Jesus era Deus, mas que “certamente este era o Filho de Deus”. — Mateus 27:54.
Assim, a frase “Filho de Deus” se refere a Jesus como um ser à parte, criado, não como componente duma Trindade. Como Filho de Deus, ele não podia ser o próprio Deus, pois João 1:18 diz: “Ninguém jamais viu a Deus.” — So.
Os discípulos encaravam a Jesus como o “um só mediador entre Deus e homens”, não o próprio Deus. (1 Timóteo 2:5) Visto que por definição mediador é alguém à parte dos que precisam de mediação, seria incoerente Jesus ser a mesma pessoa que uma ou outra das partes que estivesse tentando reconciliar. Isso seria simular ser algo que ele não é.
A Bíblia é clara e coerente a respeito da relação entre Deus e Jesus. Apenas Jeová Deus é Todo-poderoso. Ele criou o pré-humano Jesus diretamente. Assim, Jesus teve um começo, e jamais poderia ser coigual a Deus em poder e eternidade.
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É Deus sempre superior a Jesus?Deve-se Crer na Trindade?
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É Deus sempre superior a Jesus?
JESUS nunca afirmou ser Deus. Tudo o que ele disse a respeito de si mesmo indica que ele não se considerava igual a Deus em nenhum sentido — em poder, em conhecimento, em idade.
Em todo o período de sua existência, seja no céu, seja na terra, a sua fala e a sua con- duta refletem subordinação a Deus. Deus é sempre o superior, Jesus o menor, criado por Deus.
Jesus É Distinto de Deus
REPETIDAS vezes Jesus mostrou que ele era uma criatura à parte de Deus e que tinha um Deus acima de si, um Deus a quem adorava, um Deus a quem chamava de “Pai”. Em oração a Deus, isto é, o Pai, Jesus disse: “De ti, o único Deus verdadeiro.” (João 17:3) Em João 20:17 ele disse a Maria Madalena: “Subo para meu Pai e vosso Pai, meu Deus e vosso Deus.” (Soares [So]) Em 2 Coríntios 1:3 o apóstolo Paulo confirma essa relação: “Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo.” Visto que Jesus tinha um Deus, seu Pai, ele não podia ao mesmo tempo ser esse Deus.
O apóstolo Paulo não tinha reservas quanto a falar de Jesus e de Deus como pessoas distintas uma da outra: “Para nós, contudo, existe um só Deus, o Pai . . . e um só Senhor, Jesus Cristo.” (1 Coríntios 8:6, BJ) O apóstolo mostra essa distinção ao usar a expressão “diante de Deus, de Cristo Jesus e dos anjos eleitos”. (1 Timóteo 5:21, BV) Assim como Paulo fala de Jesus e dos anjos como sendo distintos uns dos outros no céu, assim também o são Jesus e Deus.
As palavras de Jesus em João 8:17, 18 também são significativas. Ele diz: “Na vossa própria Lei está escrito: ‘O testemunho de dois homens é verdadeiro.’ Eu sou um que dá testemunho de mim mesmo, e o Pai que me enviou dá testemunho de mim.” Jesus mostra aqui que ele e o Pai, isto é, o Deus Todo-poderoso, têm de ser duas pessoas distintas, pois, senão, como haveria realmente duas testemunhas?
Jesus mostrou adicionalmente que ele era um ser à parte de Deus por dizer: “Por que me chamas bom? Ninguém é bom senão só Deus.” (Marcos 10:18, BJ) Assim, Jesus dizia que ninguém é tão bom como Deus, nem o próprio Jesus. Deus é bom dum modo que o distingue de Jesus.
Servo Submisso de Deus
REPETIDAS vezes Jesus fez declarações assim: “Não pode o Filho fazer nada por si mesmo se não vir o Pai fazê-lo.” (João 5:19, Missionários Capuchinhos [MC]) “Desci do céu, não para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou.” (João 6:38) “O que eu ensino não é meu, mas pertence àquele que me enviou.” (João 7:16) Não é aquele que envia superior ao que é enviado?
Essa relação fica clara na ilustração de Jesus a respeito de um vinhedo. Ele assemelhou Deus, seu Pai, ao dono do vinhedo, que viajou para o exterior e arrendou o vinhedo a lavradores, que representavam o clero judaico. Quando o dono do vinhedo mais tarde enviou um escravo para obter alguns frutos do vinhedo, os lavradores espancaram o escravo e o despacharam de mãos vazias. Daí o dono enviou outro escravo, e depois um terceiro, ambos os quais receberam o mesmo tratamento. Por fim, o dono disse: “Enviarei o meu filho [Jesus], o amado. É provável que respeitem a este.” Mas, os lavradores corruptos disseram: “‘Este é o herdeiro; matemo-lo, para que a herança se torne nossa.’ Com isso lançaram-no fora do vinhedo e o mataram.” (Lucas 20:9-16) Jesus ilustrou assim a sua própria posição como alguém que fora enviado por Deus para fazer a vontade deste, assim como um pai envia um filho submisso.
Os seguidores de Jesus sempre o encararam como servo submisso de Deus, não como igual a Deus. Eles oraram a Deus a respeito de “teu santo servo Jesus, a quem ungiste . . . para se operarem curas, milagres e prodígios em nome do teu santo servo Jesus”. — Atos 4:23, 27, 30, MC.
Deus É Sempre Superior
BEM no início do ministério de Jesus, quando este saiu da água batismal, a voz de Deus do céu disse: “Este é meu Filho, o amado, a quem tenho aprovado.” (Mateus 3:16, 17) Dizia Deus que ele mesmo era seu próprio filho, que ele aprovara a si mesmo, que enviara a si mesmo? Não, Deus, o Criador, dizia que, como superior, estava aprovando o inferior, seu Filho Jesus, para a obra à frente.
Jesus indicou que seu Pai é superior a ele ao dizer: “O espírito de Jeová está sobre mim, porque me ungiu para declarar boas novas aos pobres.” (Lucas 4:18) Ungir é o ato de conferir autoridade, ou uma incumbência, da parte de um superior a alguém que ainda não tenha tal autoridade. Aqui Deus é claramente o superior, pois ungiu a Jesus, dando-lhe autoridade que este não tinha antes.
Jesus deixou claro a superioridade de seu Pai quando a mãe de dois discípulos lhe pediu que seus filhos se sentassem, um à direita de Jesus, e outro à sua esquerda, quando este fosse empossado no Reino. Jesus respondeu: “Sentar à minha direita e à minha esquerda, não cabe a mim concedê-lo; mas é para aqueles aos quais meu Pai o preparou”, isto é, Deus. (Mateus 20:23, BJ) Se Jesus fosse o Deus Todo-poderoso, seria de sua alçada conceder tais posições. Mas, Jesus não as podia conceder, pois isso cabia a Deus, e Jesus não era Deus.
As próprias orações de Jesus constituem um poderoso exemplo de sua posição inferior. Pouco antes de morrer, Jesus mostrou quem era seu superior, por orar: “Pai, se tu quiseres, remove de mim este copo. Não obstante, ocorra, não a minha vontade, mas a tua.” (Lucas 22:42) A quem orava ele? A uma parte de si mesmo? Não, ele orava a alguém inteiramente separado, seu Pai, Deus, cuja vontade era superior e poderia ser diferente da sua própria, sendo Ele o Único capaz de ‘remover este copo’.
Daí, à beira da morte, Jesus clamou: “Deus meu, Deus meu, por que me abandonaste?” (Marcos 15:34, BJ) A quem clamava Jesus? A si mesmo, ou a uma parte de si mesmo? Certamente, o brado “Deus meu”, não partia de alguém que considerava a si mesmo como sendo Deus. E, se Jesus fosse Deus, então, por quem teria sido ele abandonado? Por si próprio? Isto não faria sentido. Jesus disse também: “Pai, às tuas mãos confio o meu espírito.” (Lucas 23:46) Se Jesus fosse Deus, por que razão devia ele confiar seu espírito ao Pai?
Depois de morrer, Jesus ficou no túmulo por partes de três dias. Se ele fosse Deus, Habacuque 1:12 estaria errado ao dizer: “Ó meu Deus, meu Santo, tu não morres.” Mas a Bíblia diz que Jesus deveras morreu e ficou inconsciente no túmulo. E quem ressuscitou a Jesus? Se ele estivesse realmente morto, não poderia ressuscitar a si mesmo. Por outro lado, se não estivesse realmente morto, a sua pseudomorte não teria pago o preço de resgate pelo pecado de Adão. Mas, ele deveras pagou esse preço plenamente, por meio de sua morte real. Portanto, ‘Deus ressuscitou [a Jesus] por afrouxar as ânsias da morte’. (Atos 2:24) O superior, o Deus Todo-poderoso, levantou o menor, seu servo Jesus, da morte.
Será que a capacidade de Jesus de realizar milagres, tais como ressuscitar pessoas, indica que ele era Deus? Ora, os apóstolos e os profetas Elias e Eliseu também tinham esse poder, mas isso não fazia com que fossem mais do que homens. Deus deu o poder de realizar milagres aos profetas, a Jesus e aos apóstolos, a fim de mostrar que Ele os apoiava. Mas isso não tornou nenhum deles parte duma Divindade pluralizada.
O Conhecimento de Jesus Era Limitado
AO PROFERIR a sua profecia a respeito do fim deste sistema de coisas, Jesus declarou: “Quanto ao dia e à hora, ninguém sabe, nem os anjos do céu nem o Filho mas somente o Pai.” (Marcos 13:32, BV) Tivesse Jesus sido a parte igual do Filho numa Divindade, teria sabido o que o Pai sabia. Mas Jesus não sabia, pois não era igual a Deus.
Similarmente, em Hebreus 5:8 lemos que Jesus “aprendeu a obediência pelas coisas que sofreu”. Podemos imaginar Deus precisar aprender algo? Não, mas Jesus precisava, pois ele não sabia tudo o que Deus sabia. E ele tinha de aprender algo que Deus jamais precisaria aprender — a obediência. Deus jamais precisa obedecer a alguém.
Uma diferença entre o que Deus sabe e o que Cristo sabe também existia quando Jesus foi ressuscitado para o céu a fim de estar com Deus. Note as primeiras palavras no último livro da Bíblia: “Revelação de Jesus Cristo, que Deus lhe deu.” (Revelação [Apocalipse] 1:1, MC) Se o próprio Jesus fosse parte duma Divindade, teria sido necessário dar-lhe uma revelação oriunda de outra parte da Divindade — Deus? Por certo ele teria sabido tudo a respeito dessa revelação, pois Deus sabia. Mas Jesus não sabia, pois não era Deus.
Jesus Continua Subordinado
NA SUA existência pré-humana, e também quando esteve na terra, Jesus estava subordinado a Deus. Após a sua ressurreição, ele continuou a estar numa posição subordinada, secundária.
Falando sobre a ressurreição de Jesus, Pedro e aqueles que o acompanhavam disseram ao Sinédrio judaico: “Deus enalteceu a este [Jesus] . . . para a sua direita.” (Atos 5:31) Paulo disse: “Deus o enalteceu a uma posição superior.” (Filipenses 2:9) Se Jesus tivesse sido Deus, como poderia Jesus ter sido enaltecido, isto é, erguido a uma posição superior a que ele tinha antes? Ele já teria sido uma parte enaltecida da Trindade. Se, antes de seu enaltecimento, Jesus já tivesse sido igual a Deus, enaltecê-lo ainda mais o teria feito superior a Deus.
Paulo disse também que Cristo entrou “no próprio céu, a fim de comparecer, agora, diante da face de Deus a nosso favor”. (Hebreus 9:24, BJ) Se você comparecesse à presença de outra pessoa, como poderia você ser aquela mesma pessoa? Não poderia ser. Você teria de ser uma pessoa diferente e à parte.
Similarmente, pouco antes de ser morto por apedrejamento, o mártir Estêvão “fitou os olhos no céu e avistou a glória de Deus, e Jesus em pé à direita de Deus”. (Atos 7:55) Claramente, ele viu duas pessoas distintas — mas nenhum espírito santo, nenhuma Divindade trina.
No relato de Revelação 4:8 a -5:7, mostra-se Deus sentado no seu trono celestial, mas Jesus não. Este tem de se aproximar de Deus a fim de apanhar o rolo da Sua mão direita. Isto mostra que no céu Jesus não é Deus, mas é distinto dele.
Em harmonia com o precedente, o Bulletin of the John Rylands Library (Boletim da Biblioteca John Rylands), de Manchester, Inglaterra, diz: “Na sua vida celestial pós-ressurreição Jesus é representado como retendo uma individualidade pessoal em todo pormenor tão distinto e separado da pessoa de Deus, como tinha na sua vida na terra como o terreno Jesus. Ao lado de Deus, e comparado com Deus, ele aparece, deveras, como ainda outro ser celestial na corte celestial de Deus, assim como os anjos são — embora, como Filho de Deus, pertença a uma categoria diferente e ocupe uma posição bem acima da deles.” — Compare com Filipenses 2:11.
O Boletim diz também: “O que, porém, se diz a respeito de sua vida e funções qual Cristo celestial não significa nem sugere que na sua condição divina ele se encontre no mesmo nível do próprio Deus e seja plenamente Deus. Ao contrário, no quadro que o Novo Testamento apresenta de sua pessoa e de seu ministério celestiais, observamos um personagem tanto à parte de Deus como subordinado a ele.”
No futuro eterno no céu, Jesus continuará a ser uma pessoa à parte de Deus, um subordinado servo Seu. A Bíblia expressa isso do seguinte modo: “Depois será o fim, quando [Jesus, no céu] tiver entregado o reino a Deus e ao Pai . . . Então ainda o mesmo Filho estará sujeito àquele que sujeitou a ele todas as coisas, a fim de que Deus seja tudo em todas as coisas.” — 1 Coríntios 15:24, 28, So.
Jesus Nunca Afirmou Ser Deus
O CONCEITO da Bíblia é claro. Não apenas é o Todo-poderoso Deus, Jeová, uma personalidade à parte de Jesus, mas Ele é sempre superior. Jesus sempre é apresentado como pessoa à parte e menor, um humilde servo de Deus. É por isso que a Bíblia diz claramente que “a cabeça do Cristo é Deus” assim como “a cabeça de todo homem é o Cristo”. (1 Coríntios 11:3) E é por isso que o próprio Jesus disse: “O Pai é maior do que eu.” — João 14:28, So.
O fato é que Jesus não é Deus e nunca afirmou ser. Isto está sendo reconhecido por um crescente número de peritos. Como diz o Boletim da Rylands: “Deve-se encarar o fato de que a pesquisa do Novo Testamento ao longo dos, digamos, últimos trinta ou quarenta anos tem levado um crescente número de renomados peritos do Novo Testamento à conclusão de que Jesus . . . certamente nunca creu ser ele mesmo Deus.”
O Boletim disse também a respeito dos cristãos do primeiro século: “Quando, pois, eles atribuíram [a Jesus] títulos honoríficos tais como Cristo, Filho do homem, Filho de Deus e Senhor, estes eram maneiras de dizer, não que ele era Deus, mas sim que ele fez a obra de Deus.”
Assim, até mesmo alguns peritos religiosos admitem que o conceito de Jesus ser Deus é inteiramente contrário ao testemunho da Bíblia. Ali, Deus é sempre o superior, e Jesus é o servo subordinado.
[Destaque na página 19]
‘A pesquisa do Novo Testamento têm levado um crescente número de peritos à conclusão de que Jesus certamente nunca creu ser ele mesmo Deus.’ — Boletim da Biblioteca John Rylands.
[Foto na página 17]
Jesus disse aos judeus: “Desci do céu, não para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou.” — João 6:38.
[Foto na página 18]
Quando Jesus clamou: “Deus meu, Deus meu, por que me abandonaste?” com certeza não cria ser ele mesmo Deus.
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O espírito santo — a força ativa de DeusDeve-se Crer na Trindade?
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O espírito santo — a força ativa de Deus
SEGUNDO a doutrina da Trindade, o espírito santo é a terceira pessoa de uma Divindade, igual ao Pai e ao Filho. Como diz o livro A Nossa Ortodoxa Fé Cristã: “O Espírito Santo é totalmente Deus.”
Nas Escrituras Hebraicas, a palavra mais freqüentemente usada para “espírito” é rú·ahh, que significa “fôlego; vento; espírito”. Nas Escrituras Gregas, a palavra é pneú·ma, com significado similar. Indicam estas palavras que o espírito santo é parte duma Trindade?
Uma Força Ativa
O USO que a Bíblia faz de “espírito santo” indica que se trata duma força controlada que Jeová Deus usa para realizar uma variedade de propósitos. Até certo ponto, pode ser comparada com a eletricidade, uma força que pode ser adaptada para realizar grande variedade de operações.
Em Gênesis 1:2 a Bíblia declara que a “força ativa de Deus [“espírito” (hebraico: rú·ahh)] movia-se por cima da superfície das águas”. Aqui, o espírito de Deus era sua força ativa, trabalhando para moldar a terra.
Deus usa seu espírito para esclarecer os que o servem. Davi orou: “Ensina-me a fazer a tua vontade, porque tu és o meu Deus. Teu espírito [rú·ahh] é bom; guie-me ele na terra da retidão.” (Salmo 143:10) Quando 70 homens capazes foram nomeados para ajudar a Moisés, Deus lhe disse: “Terei de tirar um pouco do espírito [rú·ahh] que há sobre ti e colocá-lo sobre eles.” — Números 11:17.
As profecias bíblicas foram registradas quando homens de Deus foram “movidos por espírito santo [no grego, de pneú·ma]”. (2 Pedro 1:20, 21) Neste sentido a Bíblia foi “inspirada por Deus”, sendo que a palavra grega para isso é The·ó·pneu·stos, que significa “soprado por Deus”. (2 Timóteo 3:16) E o espírito santo guiou certas pessoas a terem visões ou sonhos proféticos. — 2 Samuel 23:2; Joel 2:28, 29; Lucas 1:67; Atos 1:16; 2:32, 33.
O espírito santo impeliu Jesus a ir ao deserto depois de seu batismo. (Marcos 1:12) O espírito era como fogo dentro dos servos de Deus, fazendo com que ficassem energizados por essa força. E isso os habilitou a falar destemida e corajosamente. — Miquéias 3:8; Atos 7:55-60; 18:25;
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