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  • O nascimento virginal — fato ou ficção?
    A Sentinela — 1982 | 15 de junho
    • O nascimento virginal — fato ou ficção?

      A MAIORIA conhece o relato bíblico de Jesus ter nascido duma virgem. Mas nem todos o aceitam como verdadeiro. Acha razoável o nascimento virginal? Tem importância se você crê nele ou não?

      Entre os que rejeitam o registro bíblico estão aqueles que consideram o nascimento virginal como biologicamente inaceitável. Contudo, alguns destes talvez estejam agora reconsiderando sua atitude por causa do atual progresso científico no manejo da genética. É possível que algo assim estivesse envolvido no nascimento virginal de Jesus?

      Outros foram dissuadidos pelos floreados acrescentados pelas Igrejas Católicas Romana e Ortodoxa ao relato bíblico simples do nascimento virginal. Por exemplo, para muitos a exaltação da adoração da virgem Maria estragou a história toda.

      Ainda outros acham um pouco de mau gosto a idéia do nascimento virgem. ‘Certamente’, raciocinam, ‘se Deus é todo-poderoso, ele não precisa dum artifício como esse para realizar seu propósito’. Talvez considerem o nascimento virginal simplesmente como ilustração, uma parábola.

      Consideraremos cada um desses conceitos e veremos como o assunto pode influir em nossa vida e em nossas crenças. Mas, antes, valerá a pena considerar brevemente o que a Bíblia realmente diz a respeito do nascimento virgem.

      O QUE A BÍBLIA REALMENTE DIZ

      Há dois relatos, ambos escritos por homens inteligentes que estavam no cenário quando Jesus esteve na terra. Apropriadamente, um foi escrito por um médico, Lucas. O outro, por Mateus, acostumado ao trabalho de cálculos e que foi escolhido por Jesus como um dos 12 apóstolos.

      O relato de Mateus enfoca o papel de José, “marido de Maria, da qual nasceu Jesus”. (Mateus 1:16) O Mat. capítulo 1, versículo 18, explica que Maria, uma virgem, ficou grávida antes de se unir ao seu noivo, José. Ao saber disso, José, que era homem “justo”, resolveu desmanchar secretamente seu noivado, para não expor Maria à vergonha pública. Entretanto, Deus informou-o de que a concepção se dera por meio do poder do espírito santo e que ele escolhera Maria para desempenhar um papel especial como mãe do Salvador. Assim assegurado, José levou Maria para casa, “mas não teve relações com ela até ela dar à luz seu filho”. — Mateus 1:25, A Bíblia na Linguagem de Hoje.

      Lucas, por outro lado, apresenta o relato do ponto de vista de Maria. Os fatos essenciais são os mesmos, mas ele fornece detalhes da conversação entre Maria e o anjo que lhe revelou o privilégio de maternidade que se lhe estava sendo oferecido. Atônita, Maria respondeu: “Como se há de dar isso, visto que não tenho relações com um homem?” Para ela, isto tudo parecia inacreditável, assim como talvez lhe pareça também. O anjo explicou-lhe então que a concepção seria milagrosa, por meio do espírito santo, pelo poder do Altíssimo, de quem, portanto, a criança seria filha. Maria aceitou prontamente o privilégio, e, no devido tempo, deu à luz um filho, Jesus. — Lucas 1:26-38.

      A Bíblia fala relativamente pouco sobre Maria após o nascimento de Jesus. Ela é mencionada em relação a ele umas poucas vezes, mas em nenhuma parte se sugere que ela tenha tido destaque entre os discípulos. Ela certamente não exerceu nenhuma influência sobre Jesus após a infância. Vez por outra ele tinha de lembrar a ela e a outros disso. (João 2:4; Mateus 12:46-50) Todavia, tinha afeto por ela. Mesmo quando estava morrendo, Jesus incumbiu o apóstolo João de cuidar dela. — João 19:26, 27.

      Maria também estava entre os discípulos após a ressurreição de Jesus, e provavelmente estava presente por ocasião de Pentecostes, quando cerca de 120 ficaram cheios de espírito santo. (Atos 1:13, 14; 2:1-4) É evidente que o papel de Maria nos seus anos posteriores foi o duma discípula fiel e humilde, sem qualquer pretensão de proeminência, autoridade ou distinção especial.

      Agora que vimos o que a Bíblia tem a dizer sobre o nascimento virginal, podemos considerar as perguntas suscitadas na mente de muitos quanto a se é cientificamente aceitável ou mesmo se é razoável crer nisso.

  • O nascimento virginal — pode crer nele?
    A Sentinela — 1982 | 15 de junho
    • O nascimento virginal — pode crer nele?

      SE JESUS, o Filho de Deus, realmente nasceu duma virgem, tem de se admitir que foi certamente um milagre de proporções históricas. Mas, pode crer que isso ocorreu? Influi em algo na sua vida, se isso ocorreu ou não?

      Alguns dos que não crêem no nascimento virginal afirmam que é contrário à ciência e às “leis da natureza”. Pensam assim os cientistas? Lançaram as recentes descobertas da genética alguma luz sobre o assunto?

      É CIENTIFICAMENTE POSSÍVEL?

      A reprodução sem a intervenção dum elemento masculino é conhecida como partenogênese [do grego parthenos, significando “virgem”, mais “genesis”]. Recentemente, cientistas têm tido êxito em experiências de partenogênese em mamíferos. A revista The Economist, de 1.º de agosto de 1981, relata: “O desenvolvimento embrionário com a ausência do esperma é o meio natural de reprodução de muitas espécies animais inferiores. . . . A partenogênese está sendo estudada com o uso de camundongos de laboratório. Existem diversos modos de ativar artificialmente um óvulo não-fertilizado de camundongo.”

      De modo similar, o Dr. M. B. V. Roberts, da Universidade Marlborough, na Inglaterra, escreveu: ‘Um óvulo não-fertilizado foi removido duma coelha, ativado por uma punção, e daí recolocado rapidamente dentro do útero. A fêmea havia recebido antes um tratamento hormonal, de modo que sua mucosa uterina estava preparada para a implantação. Seguiu-se um desenvolvimento normal, e produziu-se uma prole visivelmente normal.”

      Devemos concluir disso que Deus induziu a gravidez de Maria de modo parecido, a partir dum óvulo não-fertilizado? Não. Pode ver o motivo disso no quadro acompanhante. Se o primogênito de Maria tivesse recebido dela ambos os cromossomos (X), sua prole teria de ser necessariamente do sexo feminino.

      Por isso, algo mais deve ter estado envolvido na concepção de Jesus. O anjo explicou a José exatamente o que era isso: “Aquilo que tem sido gerado nela é por espírito santo.” (Mateus 1:20) Não sabemos precisamente como isso foi feito. Contudo, precisamos admitir que se um mero homem pode, de maneira limitada, manipular no laboratório o processo da fertilização, certamente não está fora do poder do Criador e Dador da Vida do universo fazer isso, e transferir a força de vida do seu Filho nos céus para o óvulo duma virgem.

      FLOREADOS RELIGIOSOS

      Entretanto, como já dissemos, a objeção de alguns ao nascimento virginal baseia-se em outra coisa. Relaciona-se com os floreados religiosos do relato bíblico, que se desenvolveram através dos séculos. Pelo visto, as Igrejas Católicas Romana e Ortodoxa não estavam dispostas a reconhecer que Maria, tendo cumprido seu papel de dar à luz o Filho de Deus, não teve nenhum lugar especial dentro da congregação cristã. Através dos séculos, tomaram medidas positivas para exaltá-la até quase a igualdade com seu conceito trinitário de Deus.

      No ano 553 E.C., o Segundo Concílio de Constantinopla proclamou Maria como “Virgem eterna”, o que significaria que seu casamento com José foi celibatário, e que nunca tiveram relações sexuais ou filhos juntos. Daí, em 1854, o Papa Pio IX proclamou a Imaculada Conceição de Maria. Essa doutrina declara que ela fora preservada de todo o pecado herdado de Adão; de fato, que ela era incapaz de pecar. Em 1950, o Papa Pio XII fez disso um artigo de fé, a saber, que Maria, no fim de sua vida humana, foi admitida corporalmente no céu. E desde 1950 o Vaticano tem ponderado quanto a se a virgem Maria chegou realmente a morrer.

      Apesar do ensino oficial da Igreja, bem podemos questionar se, após o nascimento de Jesus, Maria permaneceu “sempre virgem”. Ou teve ela outros filhos por meio de José, após o nascimento de Jesus? Tem isso alguma importância? Sim, se a verdade for importante. Portanto, o que dizem as Escrituras?

      Mateus registra que José “não teve relações com [Maria] até ela ter dado à luz um filho”, Jesus. (Mateus 1:25) Comentando o significado aqui de “até”, o Novo Testamento do Frei Mateus Hoepers, uma edição católica, diz: “Nada afirma e nada nega a respeito do futuro. Quer apenas afirmar que na concepção de Jesus não houve relações conjugais.”

      Todavia, não há base bíblica para se presumir que nada aconteceu mais tarde, que José e Maria nunca tiveram um casamento normal. Nenhuma profecia sequer sugeriu algo assim, nenhum requisito divino exigia isso. Sua vida conjugal e quaisquer filhos resultantes não influiriam em nada no ministério terrestre de Jesus ou nas suas subseqüentes atividades nos céus. Deveras, longe de apoiarem a idéia de que Maria foi sempre virgem, os Evangelhos declaram que Jesus foi o primogênito de Maria, e que ele tinha meios-irmãos e meias-irmãs. Marcos escreve que Jesus em sua cidade natal, Nazaré, pregou na sinagoga a pessoas que o reconheceram. Muitos ficaram pasmados com o ensino de Jesus, e disseram: “Não é Ele o carpinteiro, filho de Maria, irmão de Tiago, de José, de Judas e Simão? E as suas irmãs não vivem aqui entre nós?” — Marcos 6:2, 3, Mateus Hoepers, edição católica; Lucas 2:7.

      Teólogos católicos afirmam que esses ‘irmãos e irmãs’ eram realmente primos. Contudo, a Nova Enciclopédia Católica (Vol.9, p. 337, em inglês) admite que “as palavras “gregas . . . usadas para designar o parentesco entre Jesus e esses parentes têm o significado de verdadeiros irmãos e irmãs consangüíneos”. Estas são as palavras adelphos e adelphé. Todavia, a palavra para primo é anepsios e para parentes, syggeneis. (Colossenses 4:10; Lucas 1:36) Não há nenhuma razão sólida para se pensar que os escritores dos Evangelhos fizeram confusão com essas palavras. (Veja Marcos 6:4; Lucas 14:12.) Nem há motivo para se negar que José e Maria tiveram uma família após o nascimento de Jesus.

      ERA JESUS DEUS/HOMEM?

      Um floreado posterior adaptado ao relato bíblico simples do nascimento virginal foi o de que o bebê nascido não era totalmente humano, mas era uma encarnação. Assim, o segundo dos “Artigos de Fé” da Igreja Anglicana declara: “. . . a Divindade e a Natureza Humana, foram reunidas em uma só Pessoa, para nunca serem separadas, que é um só Cristo, verdadeiramente Deus, e verdadeiramente Homem.”

      As religiões que ensinam a Trindade crêem que Jesus, quando na terra, possuía as duas naturezas em si mesmo. Mas, a Bíblia não apóia tal idéia. O apóstolo Paulo disse a respeito de Jesus: “Uma vez que os filhos têm em comum carne e sangue, por isso também ele participou da mesma condição, . . . Convinha, por isso, que em tudo se tornasse semelhante aos irmãos.” (Hebreus 2:14, 17, A Bíblia de Jerusalém) Como poderia ele ‘em tudo tornar-se semelhante aos irmãos’ se fosse Deus/homem? Paulo escreveu aos filipenses sobre “Cristo Jesus, o qual, embora existisse em forma de Deus, . . . se esvaziou e assumiu a forma de escravo, vindo a ser na semelhança dos homens”. (Filipenses 2:5-7) Portanto, este Filho celestial de Deus desnudou-se completamente da “forma de Deus” para assumir a natureza humana, para tornar-se homem. Consideraremos a seguir por que precisamente ele tinha que ser inteiramente humano, não um Deus/homem, e as implicações quanto ao nascimento virginal.

      [Diagrama na página 5]

      (Para texto formatado, veja a publicação)

      Menina ou Menino?

      MÃE PAI

      XX — Menina

      XX XY

      Cromossomos X

      XY Menino Reprodutivos Y

      O óvulo feminino contém um cromossomo X. O espermatozóide masculino possui um X ou um Y. Cada um dos genitores provê um cromossomo. Se a combinação der XX, é concebida uma menina. Se der XY, será um menino.

      A partenogênese induzida em laboratório faz com que o óvulo se divida e cresça, de modo que o resultado (XX) tem de ser do sexo feminino.

      Esse tipo de partenogênese não podia ter ocorrido com Maria, pois seu primogênito (Jesus) foi do sexo masculino. Visto que ela era virgem, o cromossomo Y deve ter sido milagrosamente suprido, assim como a Bíblia indica.

  • O nascimento virginal — deve crer nele?
    A Sentinela — 1982 | 15 de junho
    • O nascimento virginal — deve crer nele?

      PORTANTO, perguntamos: Era Maria virgem quando deu à luz a Jesus? Precisava ela ser virgem? Por que não teve Jesus um pai humano? Somos ajudados a responder a essas perguntas por examinarmos quem era Jesus e qual era a sua missão na terra.

      O apóstolo João explica que antes de Jesus nascer na terra ele vivia no domínio espiritual como Filho primogênito de Deus, e era chamado a Palavra. No tempo devido, “a Palavra se tornou carne e residiu entre nós”. (João 1:1-14) Ou, como expresso noutra parte da Bíblia: “Deus enviou o seu Filho, que veio a proceder duma mulher.” (Gálatas 4:4) O próprio Jesus admitiu isso “ao entrar no mundo . . . ‘Tu [i.e., Deus] não quiseste sacrifício e oferenda [animais]. Tu, porém, formaste-me um corpo.’” — Hebreus 10:5, A Bíblia de Jerusalém.

      Havia fortes motivos para Jesus tornar-se humano “ao entrar no mundo” da humanidade. Bem no alto da lista estava a redenção da escravidão da família humana ao pecado, à imperfeição e à morte. O apóstolo Paulo explicou: “Por intermédio de um só homem entrou o pecado no mundo, e a morte por intermédio do pecado, e assim a morte se espalhou a todos os homens, porque todos tinham pecado.” (Romanos 5:12) Com respeito ao modo como o Deus Todo-poderoso lidaria com essa situação, Paulo diz: “Há um só Deus e um só mediador entre Deus e os homens, um homem, Cristo Jesus, o qual se entregou como resgate correspondente por todos.” — 1 Timóteo 2:5, 6; veja 1 Coríntios 15:21, 22.

      Sim, a morte sobreveio a todos os humanos por meio da rebelião do nosso antepassado Adão, e a justiça exigia nada mais, nada menos, do que a vida de outro homem perfeito para prover o resgate, que recompraria a possibilidade de vida eterna para nós. Nenhum humano imperfeito teria a possibilidade de prover isso. (Salmo 49:6, 7) Alguém teria de descer do domínio celestial. Apropriadamente, pois, quem faria isso seria o Filho primogênito de Deus. Tinha de tornar-se homem perfeito e ainda assim não ter sua vida descontinuada. Sua força de vida não deveria ser extinguida, mas seria transferida para o óvulo da moça virgem, Maria. Ela, ‘encoberta pelo poder protetor do Altíssimo’, podia produzir um corpo perfeito para o bebê Jesus. — Lucas 1:35.

      Isto explica também por que a força de vida não podia provir dum homem imperfeito, da maneira natural. Um Jesus imperfeito não poderia tornar-se o resgate. Tampouco o poderia ser como encarnação ou Deus/homem.

      Jeová escolheu uma virgem para ser a mãe terrena de Jesus, para que ficasse claro que ele era filho, não dum pai humano imperfeito, mas de Deus. Se esta grandiosa honra fosse concedida a uma mulher casada, sempre haveria dúvida quanto a isso.

      Vemos assim que o nascimento virginal de Jesus era essencial para a execução do propósito original de Jeová Deus para que uma família humana perfeita vivesse para sempre numa terra paradísica (Gênesis 2:7-9, 15-17) Por amor, ele proveria um resgate. Sua justiça seria satisfeita. Sua sabedoria triunfaria.

      Portanto, devemos concluir que o relato bíblico do nascimento virginal de Jesus Cristo não devia perder a credibilidade por causa do escárnio de cépticos ou por causa de floreados religiosos extravagantes e antibíblicos. Permanece um fato básico e essencial à fé cristã. E está intimamente ligado às nossas perspectivas de vida eterna. — João 17:3.

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