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Livro bíblico número 10 — 2 Samuel“Toda a Escritura É Inspirada por Deus e Proveitosa”
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essa culpa de sangue, sete filhos da casa de Saul são executados. E, novamente em batalha contra os filisteus, a vida de Davi é salva por um triz por Abisai, seu sobrinho. Seus homens juram que ele não mais deverá sair à batalha com eles “para que não apagues a lâmpada de Israel!”. (21:17) Três de seus homens valentes se distinguem, destruindo os gigantes filisteus.
25. Que expressa Davi nos cânticos relatados em seguida?
25 Nesta altura, o escritor insere no relato um cântico de Davi a Jeová, que corresponde ao Salmo 18, e que expressa agradecimentos por livrá-lo “da palma da mão de todos os seus inimigos e da palma de Saul”. Com alegria, ele declara: “Jeová é meu rochedo, e minha fortaleza, e Aquele que me põe a salvo. Aquele que faz grandes atos de salvação para o seu rei e usa de benevolência para com o seu ungido, para com Davi e para com a sua descendência por tempo indefinido.” (22:1, 2, 51) Segue-se, então, o último cântico de Davi, em que admite: “Foi o espírito de Jeová que falou por meu intermédio, e a sua palavra estava na minha língua.” — 23:2.
26. O que se acha declarado relativo aos homens poderosos de Davi, e como mostra este respeito pelo sangue vital deles?
26 Voltando à narrativa histórica, encontramos alistados os homens poderosos que pertencem a Davi; três dos quais são notáveis. Estes estão envolvidos num incidente que ocorre quando se estabelece um posto avançado dos filisteus em Belém, a cidade natal de Davi. Davi expressa o desejo: “Quem me dera beber da água da cisterna de Belém, que está junto ao portão!” (23:15) Com isso, os três homens valentes irrompem pelo acampamento dos filisteus, tiram água da cisterna e a trazem a Davi. Mas, Davi recusa beber. Em vez disso, derrama-a no chão, dizendo: “É inconcebível, da minha parte, ó Jeová, fazer isso! Beberia eu o sangue dos homens que andam arriscando as suas almas?” (23:17) Para ele a água é equivalente ao sangue vital que arriscaram para obtê-la. A seguir são alistados os 30 homens mais poderosos de seu exército, bem como as façanhas.
27. Qual foi o último pecado de Davi? Como cessou o flagelo resultante?
27 Por fim, Davi peca por fazer a contagem do povo. Implorando misericórdia a Deus, propõe-se-lhe a escolha entre três tipos de punição: sete anos de fome, três meses de derrotas militares ou três dias de pestilência no país. Davi responde: “Caiamos na mão de Jeová, porque são muitas as suas misericórdias; mas não caia eu na mão dum homem.” (24:14) A pestilência sobre a nação inteira mata 70.000 pessoas, e só pára quando Davi, agindo segundo as instruções de Jeová, que recebe por intermédio de Gade, compra a eira de Araúna, onde oferece a Jeová sacrifícios queimados e de participação em comum.
POR QUE É PROVEITOSO
28. Que avisos fortes estão contidos em Segundo Samuel?
28 O leitor de hoje encontrará muita coisa proveitosa em Segundo Samuel! Quase todas as emoções humanas da vida real são retratadas em linguagem viva e muito expressiva. Assim, os resultados desastrosos da ambição, da represália (3:27-30), do desejo ilícito de possuir o cônjuge de outrem (11:2-4, 15-17; 12:9, 10), de atos traiçoeiros (15:12, 31; 17:23), do amor baseado somente na paixão (13:10-15, 28, 29), do julgamento precipitado (16:3, 4; 19:25-30) e da falta de respeito pelos atos de devoção de outrem constituem fortes avisos para nós. — 6:20-23.
29. Que excelentes exemplos de boa conduta e ações encontramos em Segundo Samuel?
29 Mas, tiramos proveito muito maior de Segundo Samuel, examinando-o de um ângulo positivo e seguindo seus numerosos e excelentes exemplos de boa conduta e boas ações. Davi é um modelo de alguém que demonstrou devoção exclusiva a Deus (7:22), foi humilde diante de Deus (7:18), enalteceu o nome de Jeová (7:23, 26), teve atitude correta na adversidade (15:25), arrependeu-se sinceramente do pecado (12:13), foi fiel à sua promessa (9:1, 7), manteve o equilíbrio sob prova (16:11, 12), teve confiança contínua em Jeová (5:12, 20) e demonstrou profundo respeito pelas providências tomadas por Jeová e pelas designações feitas por ele (1:11, 12). Não é de admirar que Davi tenha sido chamado ‘um homem que agradava ao coração de Jeová’! — 1 Sam. 13:14.
30. Que princípios são aplicados e ilustrados em Segundo Samuel?
30 Em Segundo Samuel, encontra-se também a aplicação de muitos princípios da Bíblia. Entre estes, os princípios sobre a responsabilidade coletiva (3:29; 24:11-15), que as boas intenções não mudam os requisitos de Deus (6:6, 7), que a chefia estabelecida na organização teocrática de Jeová deve ser respeitada (12:28), que o sangue deve ser considerado sagrado (23:17), que se requer expiação pela culpa de sangue (21:1-6, 9, 14), que uma pessoa sábia pode evitar que sobrevenha calamidade a muitos (2 Sam. 20:21, 22; Ecl. 9:15) e que a lealdade à organização de Jeová e a seus representantes precisa ser mantida, “quer para a morte quer para a vida”. — 2 Sam. 15:18-22.
31. Como permite Segundo Samuel ver vislumbres do Reino de Deus, segundo atestam as Escrituras Gregas Cristãs?
31 Mas, acima de tudo, Segundo Samuel aponta para o Reino de Deus e dá brilhantes vislumbres desse Reino que Ele estabelece nas mãos do “filho de Davi”, Jesus Cristo. (Mat. 1:1) O juramento que Jeová fez a Davi, relativo à permanência de seu reino (2 Sam. 7:16), é citado em Atos 2:29-36, com referência a Jesus. Que a profecia: “Eu mesmo me tornarei seu pai e ele mesmo se tornará meu filho” (2 Sam. 7:14), aponta realmente para Jesus, é demonstrado em Hebreus 1:5. Isto foi também comprovado pela voz de Jeová que falou desde os céus: “Este é meu Filho, o amado, a quem tenho aprovado.” (Mat. 3:17; 17:5) Finalmente, o pacto do Reino com Davi é mencionado por Gabriel nas suas palavras dirigidas a Maria, ao falar de Jesus: “Este será grande e será chamado Filho do Altíssimo; e Jeová Deus lhe dará o trono de Davi, seu pai, e ele reinará sobre a casa de Jacó para sempre, e não haverá fim do seu reino.” (Luc. 1:32, 33) Quão emocionante parece ser a promessa da Semente do Reino à medida que se vai desenvolvendo cada fase diante de nossos olhos!
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Livro bíblico número 11 — 1 Reis“Toda a Escritura É Inspirada por Deus e Proveitosa”
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Livro bíblico número 11 — 1 Reis
Escritor: Jeremias
Lugar da Escrita: Jerusalém e Judá
Escrita Completada: 580 AEC
Tempo Abrangido: c. 1040–911 AEC
1. (a) Como foi à ruína a radiante prosperidade de Israel? (b) Contudo, como pode Primeiro Reis ser descrito como ‘inspirado e proveitoso’?
AS CONQUISTAS de Davi haviam estendido o território de Israel até os limites fixados por Deus, desde o rio Eufrates, no Norte, até o rio do Egito, no Sul. (2 Sam. 8:3; 1 Reis 4:21) Quando Davi já estava morto, e seu filho Salomão reinava em seu lugar, “Judá e Israel eram muitos, em multidão, iguais aos grãos de areia junto ao mar, comendo e bebendo, e alegrando-se”. (1 Reis 4:20) Salomão governava com grande sabedoria, sabedoria esta que ultrapassava em muito a dos gregos da antiguidade. Ele construiu um magnífico templo para Jeová. Entretanto, até mesmo Salomão se desviou para a adoração de deuses falsos. Quando morreu, o reino se dividiu em duas partes, e uma sucessão de reis maus nos reinos rivais de Israel e de Judá agiu ruinosamente, acarretando angústia ao povo, precisamente como Samuel predissera. (1 Sam. 8:10-18) Dos 14 reis que reinaram em Judá ou em Israel depois da morte de Salomão, mencionados no livro de Primeiro Reis, apenas 2 conseguiram fazer o que é correto aos olhos de Jeová. Então, é este relato ‘inspirado e proveitoso’? Não resta dúvida de que é, conforme veremos, examinando os conselhos dados, as profecias e os tipos contidos, bem como sua relação com o tema do Reino, que predomina em “toda a Escritura”.
2. Como vieram a estar em dois rolos os livros de Primeiro e Segundo Reis, e como foram compilados?
2 O livro de Reis era originalmente um só rolo, ou volume, sendo chamado em hebraico de Mela·khím (Reis). Os tradutores da Septuaginta o chamaram de Ba·si·leí·on, “Reinos”, e foram os primeiros a dividi-lo em dois rolos, para comodidade. Mais tarde, foram chamados de Terceiro e Quarto Reis, títulos que continuam até o presente em Bíblias católicas. Não obstante, são agora geralmente conhecidos por Primeiro e Segundo Reis. São diferentes de Primeiro e de Segundo Samuel, pois o compilador cita documentos anteriores como fonte de matéria. Nos dois livros, o único compilador se refere 15 vezes ao “livro dos assuntos dos dias dos reis de Judá” e 18 vezes ao “livro dos assuntos dos dias dos reis de Israel”, também ao “livro dos assuntos de Salomão”. (1 Reis 15:7; 14:19; 11:41) Embora estes antigos escritos tenham sido perdidos por completo, a compilação inspirada existe — a narrativa proveitosa de Primeiro e Segundo Reis.
3. (a) Quem, sem dúvida alguma, escreveu os livros de Reis, e por que responde assim? (b) Quando foi completada a escrita, e que espaço de tempo é abrangido por Primeiro Reis?
3 Quem escreveu os livros dos Reis? A ênfase que se dá à obra executada pelos profetas, notadamente por Elias e por Eliseu, indica que foi um profeta de Jeová que os escreveu. As similaridades de linguagem, composição e estilo sugerem que o escritor destes livros de Reis é o mesmo que escreveu o livro de Jeremias. Muitas palavras e expressões hebraicas só se encontram nos livros de Reis e em Jeremias, não aparecendo em nenhum outro livro da Bíblia. Contudo, se Jeremias escreveu os livros de Reis, por que não é ele mencionado neles? Porque não era necessário, visto que a obra que ele realizou já estava descrita no livro que leva o seu nome. Além disso, os livros de Reis foram escritos para magnificar a Jeová e a Sua adoração, não para aumentar a reputação de Jeremias. Na realidade, os livros de Reis e de Jeremias se complementam em grande parte, um fornecendo a informação que o outro omite. Outrossim, há passagens paralelas, como, por exemplo, 2 Reis 24:18–25:30 e Jeremias 39:1-10; 40:7–41:10; 52:1-34. A tradição judaica
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