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O “Pastor excelente” e o “pequeno rebanho”A Sentinela — 1981 | 15 de janeiro
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O “Pastor excelente” e o “pequeno rebanho”
“Não temas, pequeno rebanho, porque aprouve a vosso Pai dar-vos o reino.” — Luc. 12:32.
1. Jeová, como guardião, é comparado a quem, pelo salmista Davi e pelo profeta Isaías?
O EX-PASTOR jovem de Belém, o Rei Davi, iniciou um de seus salmos inspirados com as palavras: “Jeová é o meu Pastor. Nada me faltará.” Outro escritor bíblico, o profeta Isaías, também comparou Jeová a um pastor, dizendo: “Qual pastor ele pastoreará a sua própria grei. Com o seu braço reunirá os cordeiros.” (Isa. 40:11) Mas, Jeová tem um subpastor. Chama-o apropriadamente de “Davi, meu servo”.
2. (a) Quem é o Davi a quem se aplica Ezequiel 37:24, 25? (b) Como aplicou Jesus a profecia de Zacarias 13:7, e por quê?
2 Séculos depois de o Rei Davi ter falecido, Jeová inspirou outro escritor bíblico, Ezequiel, a profetizar: “E meu servo Davi será rei sobre eles e todos eles virão a ter um só pastor;. . . e Davi, meu servo, será seu maioral por tempo indefinido.” (Eze. 37:24, 25) Esta profecia tem de referir-se ao subpastor de Jeová, o Davi Maior, Jesus Cristo. Na noite de 14 de nisã de 33 E.C., quando Jesus Cristo foi traído e levado preso a julgamento perante seus inimigos, deu-se o cumprimento da profecia de Zacarias 13:7: “‘Ó espada, desperta contra meu pastor, sim, contra o varão vigoroso que é meu colega’, é a pronunciação de Jeová dos exércitos. ‘Golpeia o pastor e sejam espalhadas as ovelhas do rebanho.’” O próprio Jesus Cristo aplicou esta profecia assim. — Mat. 26:31; Mar. 14:27.
3, 4. (a) Por que continuavam em pecado os judeus que discutiam com ele sobre a cura dum homem cego de nascença? (b) Mais tarde, na festividade hibernal da dedicação do templo, por que é que Jesus não classificou os judeus que discutiam com ele como parte de suas “ovelhas”?
3 Portanto, Jesus Cristo estava certo, e não era presunçoso, quando se comparou a um pastor e se chamou de “pastor excelente”. (João 10:6, 11, 14) Isto se deu em conexão com a cura milagrosa dum homem cego de nascença. Os incrédulos de seu próprio povo discutiram com ele sobre isso e perguntaram: “Será que nós também somos cegos?” O que se seguiu a esta pergunta desafiadora? “Jesus disse-lhes: ‘Se fôsseis cegos, não teríeis pecado. Mas agora dizeis: “Nós vemos.” Vosso pecado permanece.’” (João 9:40, 41) Algum tempo mais tarde, durante a festividade da dedicação do templo de Jerusalém, no inverno (dezembro) de 32 E.C., Jesus disse a certos judeus incrédulos que o rodeavam:
4 “As obras que eu faço em nome de meu Pai, essas dão testemunho de mim. Mas, vós não acreditais, porque não sois das minhas ovelhas. Minhas ovelhas escutam a minha voz e eu as conheço, e elas me seguem. E eu lhes dou vida eterna e elas não serão jamais destruídas, e ninguém as arrebatará da minha mão. Aquilo que meu Pai me deu é algo maior do que todas as outras coisas, e ninguém as pode arrebatar da mão do Pai. Eu e o Pai somos um.” — João 10:19-30.
5. Em João 10:1-5, a quem comparou Jesus o precursor que o apresentou a Israel?
5 Esses incrédulos não só rejeitaram o testemunho dado pelas obras de Jesus a respeito da sua identidade, mas rejeitaram também o testemunho do precursor de Jesus, o homem que apresentou Jesus aos israelitas como o Messias, o Cristo. Jesus referiu-se à necessidade de o verdadeiro pastor ter tal identificação ou tais credenciais, dizendo: “Digo-vos em toda a verdade: Quem não entra pela porta no aprisco das ovelhas, mas galga por outro lugar, esse é ladrão e saqueador. Mas, quem entra pela porta é pastor de ovelhas. Para este o porteiro abre, e as ovelhas escutam a sua voz, e ele chama por nome as suas próprias ovelhas e as conduz para fora. Tendo retirado todas as suas, vai na frente delas, e as ovelhas o seguem, porque conhecem a sua voz. De modo algum seguirão a um estranho, mas fugirão dele, porque não conhecem a voz de estranhos.” — João 10:1-5.
O “APRISCO” E “O PORTEIRO”
6. Por que é que o “aprisco” simbólico, ao qual o “porteiro” o admitiu, não é o arranjo do Pacto da Lei?
6 Então, o que significam o “aprisco” e “o porteiro”, visto que Jesus se tornou carpinteiro em Nazaré e nunca foi pastor de ovelhas literais? Em primeiro lugar, o “aprisco” não representa o arranjo do Pacto da Lei celebrado por Jeová Deus com a nação de Israel, tendo a Moisés por mediador. Jesus certamente não precisava ser admitido no arranjo do Pacto da Lei como que por algum “porteiro” judeu. Jesus nascera neste arranjo. Gálatas 4:4, 5, diz: “Mas, quando chegou o pleno limite do tempo, Deus enviou o seu Filho, que veio a proceder duma mulher e que veio a estar debaixo de lei, para livrar por meio duma compra os debaixo de lei.” Jesus morreu para livrá-los por meio duma compra.
7. (a) Em que dia de 33 E.C. aboliu Jeová o arranjo do Pacto da Lei com Israel, e por quê? (b) A partir de Pentecostes de 33 E.C., por que não havia mais nenhum arranjo do Pacto da Lei do qual Jesus pudesse livrar os judeus?
7 Com o fim de que apresentasse o preço de compra a Deus, Jesus foi ressuscitado dentre os mortos, no terceiro dia após morrer em 33 E.C. No 40.º dia contado a partir da sua ressurreição, Jesus subiu de volta ao céu. Dez dias depois, veio a festividade primaveril, judaica, de Pentecostes, em 6 de sivã de 33 E.C. Naquele dia, Deus usou-o para derramar espírito santo sobre os seus discípulos que esperavam em Jerusalém. Isto queria dizer que ele havia comparecido perante Deus para oferecer o valor de seu perfeito sacrifício humano, a fim de livrar por meio duma compra todos os humanos vendidos ao pecado, inclusive os judeus. Por conseguinte, naquele dia, Jeová Deus aboliu o pacto da Lei e o substituiu com o prometido novo pacto, não o celebrando com judeus, mas com os discípulos do Mediador, gerados pelo espírito, Jesus Cristo. (Col. 2:13, 14) De modo que não havia mais o pacto da Lei judaico, do qual o Pastor Jesus livraria os judeus crentes.
8. (a) Portanto, o que é representado pelo “aprisco”? (b) Assim, o que aguardaram os descendentes naturais de Abraão?
8 À luz do acima, surge ainda mais persistentemente a pergunta: O que é realmente simbolizado pelo “aprisco” mencionado por Jesus em João 10:1? Indubitavelmente, deve representar algo anterior, mais abrangente e mais duradouro do que o pacto da Lei de 1513 A.E.C. Este era o pacto abraâmico. Quando o patriarca Abraão cruzou o rio Eufrates para a Terra da Promessa, em 1943 A.E.C., entrou em vigor a promessa de Deus para com ele e sua descendência futura: “Hei de abençoar os que te abençoarem e amaldiçoarei aquele que invocar o mal sobre ti, e todas as famílias do solo certamente abençoarão a si mesmas por meio de ti.” (Gên. 12:3) Anos mais tarde, quando Abraão estava disposto a ofertar seu filho Isaque como sacrifício, Deus ampliou a sua promessa: “Todas as nações da terra hão de abençoar a si mesmas por meio de teu descendente, pelo fato de que escutaste a minha voz.” (Gên. 22:17, 18) Daí em diante, os descendentes de Abraão começaram a aguardar este “descendente”. De modo que o “aprisco” simbolizava o arranjo do Pacto abraâmico. Os semelhantes a ovelhas abrangidos por ele representam os que aguardam a vinda do prometido “descendente”.
9. A quem não deixaria passar o “porteiro” para dentro do “aprisco”?
9 Quer esses semelhantes a ovelhas soubessem de antemão sobre o “descendente”, quer não, eles o acolheriam quando fosse dado a conhecer e fosse apresentado a eles. Quem tentasse apoderar-se dessas “ovelhas” por meios falsos, a fim de explorá-las, seria “ladrão e saqueador”. O “porteiro” do aprisco não admitiria tal cristo ou messias falso. Quem passasse por esse “porteiro” e pela “porta” seria o verdadeiro “pastor”, o “descendente” abraâmico.
10. Quem veio a ser este “porteiro”, segundo que profecia?
10 Quem, porém, era esse “porteiro”? Mostrou ser João, o Batizador, um homem da família sacerdotal da tribo de Levi. Deus prometera enviar um precursor à frente do prometido “descendente” de Abraão. Foi predito em Malaquias 3:1: “‘Eis que envio o meu mensageiro e ele terá de desobstruir o caminho diante de mim. E repentinamente virá ao Seu templo o verdadeiro Senhor, a quem procurais, e o mensageiro do pacto, em quem vos agradais. Eis que virá certamente’, disse Jeová dos exércitos.” (Mar. 1:1-11) Portanto, João aguardava a vinda do prometido “descendente de Abraão”, e, por conseguinte, ele era uma pessoa semelhante a uma ovelha, igual aos que estavam no aprisco do arranjo do Pacto Abraâmico. Todavia, João foi morto depois de um ano e pouco de seu ministério especial. De modo que não sobreviveu até Pentecostes de 33 E.C. para se tornar um dos do “pequeno rebanho” de herdeiros ungidos do reino celestial. — Mat. 11:11-14; 14:1-12; Luc. 12:32; Gál. 3:16.
11. (a) Como confirmou Jesus que João, o Batizador, era seu precursor? (b) De que pacto era Jesus o “mensageiro” ao acompanhar o Senhor Jeová ao templo?
11 Considerando o papel desempenhado por João, o Batizador, na realização do propósito de Jeová, Jesus disse aos judeus: “Este é aquele a respeito de quem se escreveu: ‘Eis que eu mesmo envio o meu mensageiro diante da tua face, o qual preparará o teu caminho adiante de ti!’” (Mat. 11:10) Jesus aplicou assim a profecia de Malaquias 3:1 a João, o Batizador, como o enviado adiante de Jeová e de seu “mensageiro do pacto”. Jesus Cristo, que acompanha o Senhor Jeová ao templo, para uma inspeção, é o mensageiro, não do pacto da Lei, mas do pacto abraâmico. Os que estão dentro do arranjo do Pacto Abraâmico, que tinham fé nas profecias de Jeová, aguardavam a vinda deste “mensageiro” messiânico
12. O que disse João, o Batizador, sobre como ele veio a ‘conhecer’ aquele básico do “descendente de Abraão”?
12 João, o Batizador, disse a respeito do principal e básico do “descendente de Abraão”: “Observei o espírito descer como pomba do céu; e permaneceu sobre ele. Até eu não o conhecia, mas o Mesmo que me enviou a batizar em água disse-me: ‘Sobre quem for que vires descer o espírito e permanecer, este é quem batiza em espírito santo.’ E eu o vi e dei testemunho de que este é o Filho de Deus.” — João 1:31-34.
13. (a) Quando foi que João, o Batizador, abriu a “porta” para o verdadeiro Pastor? (b) Que espécie de “descendente de Abraão” foi então indicado por João?
13 Jesus não se esquivou de passar pela “porta” para dentro do aprisco. À idade de 30 anos, ele foi a João, o Batizador, para ser imerso em água. Depois de passar 40 dias no ermo, sob tentação, voltou confiantemente aonde João, o Batizador, estava com alguns de seus discípulos. Quando se aproximava do figurativo “porteiro” do aprisco do Pacto Abraâmico, João o viu chegar e clamou: “Eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo!” (João 1:29, 36) Não o Cordeiro que tira o pecado da nação de Israel, mas “o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo”. João, o Batizador, abriu assim a “porta” figurativa para o verdadeiro Pastor, que possuía a necessária identificação ou as credenciais da parte do Pastor Universal, Jeová Deus. Trazendo à atenção de seus discípulos o Jesus que se aproximava, João não estava indicando um mero judeu circuncidado, descendente carnal do Abraão terrestre. Não, ele estava indicando o Ungido, o descendente gerado pelo espírito, do Abraão Maior, Jeová Deus. Este era o principal ou primário desse “descendente” do Abraão celestial, por meio de quem todas as famílias do solo abençoarão a si mesmas.
14. (a) Chegando-se ao “aprisco”, estava Jesus procurando apenas judeus naturais e outros humanos em geral? (b) Como é que o pastor, no Oriente Médio podia chamar a si uma ovelha individual?
14 Portanto, merecia ser admitido pelo “porteiro” no “aprisco” figurativo, o arranjo do Pacto abraâmico. Ele era o verdadeiro pastor, e veio procurar, não judeus ou outros humanos em geral, mas os que aproveitariam a oportunidade para se tornarem, junto com ele, parte do composto “descendente de Abraão”, por meio de quem adviria a bênção para todas as nações. A maioria dos judeus naturais o rejeitou, mas um restante dos judeus carnais o aceitou. Estes eram as “ovelhas” que escutavam a sua voz. Portanto, quando chamou “por nome as suas próprias ovelhas”, elas o acataram, e ele as levou a pastar. No Oriente Médio, o pastor costumava dar nome individual a cada uma de suas ovelhas.
15. (a) Como fazia o pacto uma chamada geral a todas as suas ovelhas ao mesmo tempo. e por que não eram enganadas para seguir “estranhos”? (b) Para quem, hoje, é este um exemplo seguro para seguir?
15 No entanto, quando o pastor queria chamar todo o rebanho junto, ao mesmo tempo, ele fazia uma chamada geral, como por meio dum som matraqueado, semelhante a dr-r-r-r-r-rt, em certo nível de tom e com volume de voz não reproduzível por outros pastores. De modo que, “tendo retirado todas as suas, vai na frente delas, e as ovelhas o seguem”, porque captam a qualidade inimitável de sua voz. Seus ouvidos são bastante aguçados para descobrir quem são os “estranhos” e imitadores. Não se deixam enganar para seguir a tais “estranhos” suspeitos e que talvez tenham más intenções. Este é um bom exemplo a ser seguido pelos semelhantes a ovelhas, que compõem o “pequeno rebanho”, a quem o aprovador Abraão Maior tem o beneplácito de dar o Reino.
16. Por que não compreenderam os judeus o sentido da comparação que Jesus lhes apresentou sobre o pastor e seu rebanho?
16 Entendemos hoje o significado do que Jesus estava dizendo? Quanto aos judeus incrédulos, que estavam no arranjo do Pacto da Lei, não compreendiam como se enquadrava a comparação que Jesus fazia. Conforme diz o relato: “Jesus falou-lhes esta comparação; mas eles não sabiam o que significavam as coisas que lhes falava.” (João 10:6) Não conheciam a voz do Pastor messiânico, e ele não os conhecia, nem os chamava pelo seu nome pessoal. A cegueira que causavam a si mesmos impedia que o identificassem. Não sejamos hoje iguais a eles.
“A PORTA DAS OVELHAS”
17. Segundo João 10:7-10, a que outra particularidade dum aprisco comparou-se Jesus?
17 Neste ponto, Jesus mudou de figura de retórica para ilustrar outro aspecto vital do assunto. “Portanto, Jesus disse de novo: ‘Digo-vos em toda a verdade: Eu sou a porta das ovelhas. Todos os que vieram em meu lugar são ladrões e saqueadores; mas as ovelhas não os têm escutado. Eu sou a porta; todo aquele que entrar por mim será salvo, e entrará e sairá, e achará pastagem. O ladrão não vem a não ser para furtar, e matar, e destruir. Eu vim para que tivessem vida e a tivessem em abundância.’” — João 10:7-10.
18. (a) Quem, na terra, procura agir como porteiro para Jesus, a “porta” simbólica? (b) De que classe falou Jesus como sendo particularidade da “terminação do sistema de coisas”, e serve esta classe como porteiro para Jesus, a “porta”?
18 Notemos que Jesus não está falando sobre um “porteiro” relacionado consigo mesmo qual “porta”. Não fala sobre um suposto “vigário de Cristo”, algum chefe duma seita religiosa, que afirma ser infalível. Jesus disse: “Eu sou a porta das ovelhas.” E alguns meses depois acrescentou a afirmação: “Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida. Ninguém vem ao Pai senão por mim.” (João 14:6) Isto não deixa de tomar em conta que, quando Jesus proferiu a sua extensa profecia sobre “o sinal da [sua] presença e da terminação do sistema de coisas”, ele predisse um “escravo fiel e discreto”, a quem o seu amo ‘designaria sobre todos os seus bens’. (Mat. 24:3, 45-47) Mas, isso se referia a uma classe ‘escrava’ de seus seguidores fiéis e discretos, à qual ele confiaria a supervisão de seus bens visíveis na terra, especialmente durante esta “terminação do sistema de coisas”. No entanto, tal designação não faz da classe do “escravo” o “porteiro” de Jesus.
19. Quão grande é o “rebanho” dos que estão no aprisco do arranjo do Pacto Abraâmico, e sua salvação vem por meio de que entrada?
19 Jesus é a “porta” figurativa para aqueles seguidores semelhantes a ovelhas que são feitos parte com ele do “descendente de Abraão”. De modo que estão no “aprisco” do arranjo do Pacto Abraâmico. Todos eles juntos constituem apenas um “pequeno rebanho”, falando-se de modo comparativo, sendo apenas 144.000 sob ele como seu Pastor. Constituem como que as 12 tribos do Israel espiritual e estão em pé no Monte Sião espiritual, junto com Jesus Cristo, “o Cordeiro” de Deus. (Luc. 12:32; Rev. 7:1-8; 14:1-5) Devem a sua salvação a uma herança celestial, não a algum vigário de Cristo, mas sim àquele que é “a porta das ovelhas”. Pois, Jesus disse: “Todo aquele que entrar por mim será salvo, e entrará e sairá, e achará pastagem.” (João 10:9) Falando pelo “pequeno rebanho” com esperança celestial, o apóstolo Paulo mencionou “nosso Senhor Jesus Cristo, por intermédio de quem também ganhamos a nossa aproximação pela fé a esta benignidade imerecida em que agora estamos; e exultemos, baseados na esperança da glória de Deus”. — Rom. 5:1, 2; Efé. 2:18; 3:12.
20. Como se destacou o subpastor de Jeová em contraste com os “falsos cristos e falsos profetas”, que ‘vieram em lugar ele’?
20 Na sua profecia sobre a “terminação do sistema de coisas”, Jesus predisse que surgiriam “falsos cristos e falsos profetas”, com grande fraude. Estes ‘vieram em lugar do’ verdadeiro Cristo, e os enganados que seguiram tais impostores foram furtados em sentido religioso, e foram mortos e destruídos espiritualmente, se não também literalmente. (Mat. 24:3, 24, 25; João 10:8, 10) Por outro lado, Jesus veio como salvador da vida e a fim de prover às criaturas humanas uma vida em maior abundância do que têm tido até agora, uma vida em perfeição, eternamente, e dentro das provisões de segurança feitas pelo Grande Pastor de todos, Jeová Deus. Portanto, é a este abnegado subpastor, Jesus Cristo, que devemos seguir, se desejamos obter a vida eterna como “ovelhas” de Deus.
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O “Pastor excelente”, e suas “outras ovelhas”A Sentinela — 1981 | 15 de janeiro
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O “Pastor excelente”, e suas “outras ovelhas”
“E tenho outras ovelhas, que não são deste aprisco; a estas também tenho de trazer.” — João 10:16.
1. Em que é o “pastor excelente” diferente do “empregado”?
O PASTOR excelente é diferente do empregado, que se interessa apenas no salário que vai obter. Jesus disse: “Eu sou o pastor excelente; o pastor excelente entrega a sua alma em benefício das ovelhas. O empregado, que não é pastor e a quem não pertencem as ovelhas como suas próprias, observa o lobo vir e abandona as ovelhas, e foge — e o lobo as arrebata e espalha — porque é empregado e não se importa com as ovelhas.” — João 10:11-13.
2. (a) Dizendo que “o pastor excelente entrega a sua alma em benefício das ovelhas”, a que se referia Jesus na sua própria experiência? (b) Em benefício de que em geral, serviu entregar Jesus a sua alma humana?
2 Lá no Oriente Médio, cuidar das ovelhas no pasto tinha seus perigos. Lembramo-nos de como o jovem pastor Davi certa vez teve de matar um urso e um leão para salvar a vida das ovelhas de seu pai Jessé. (1 Sam. 17:34-36) Jesus falou de lobos atacando as ovelhas. Repelir um lobo podia expor o pastor a um perigo físico. O pastor excelente não fugia para sua segurança pessoal, assim como fazia o empregado, mas protegia as ovelhas contra animais predadores. O “pastor excelente” estava disposto até mesmo a ‘entregar a sua alma em benefício das ovelhas’, para não perder nenhuma delas. Trazendo isso à atenção, Jesus predisse a sua própria morte como alma humana em benefício das “ovelhas” de Jeová. Mas, Jesus estava disposto a se enquadrar nesta característica dum “pastor excelente”. Seu Pai celestial, Jeová Deus, que é o Dono das “ovelhas” terrenas, estava disposto a que seu Filho entregasse a sua alma humana em benefício das “ovelhas” que seu Pai amava tanto. A “alma” humana de Jesus foi oferecida como sacrifício de resgate para recuperar a humanidade da morte, que ela havia herdado do pecador Adão.
3. (a) Segundo João 10:14, 15. Jesus se comparou a que, com respeito ao seu Pai? (b) A fim de compartilhar a promessa abraâmica com o “pequeno rebanho”, o que estava disposto a fazer?
3 O “pastor excelente” também passa a conhecer bem cada ovelha do rebanho e dá-lhe um nome individual para chamá-la, afagá-la ou cuidar de suas necessidades. Tendo em mente esta característica do pastor do Oriente Médio, Jesus prosseguiu: “Eu sou o pastor excelente, e conheço as minhas ovelhas e as minhas ovelhas conhecem a mim, assim como o Pai me conhece e eu conheço o Pai; e entrego a minha alma em benefício das ovelhas.” (João 10:14, 15) Jesus considerava-se como “ovelha” figurativa. Ele era o “Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo”. (João 1:29) No último livro da Bíblia, Revelação, ele é chamado 28 vezes de “Cordeiro”. Jesus considerava-se representado pelo carneiro que o patriarca Abraão ofereceu em lugar de seu filho Isaque, que Abraão estivera disposto a sacrificar às ordens de Jeová. (Gên. 22:1-13) Isaque recebeu e transmitiu a Jacó a promessa abraâmica. Igual a Isaque, Jesus herdou a promessa abraâmica e estava disposto a ser sacrificado, a fim de compartilhar a promessa com seu “pequeno rebanho”.
4. ‘Arrebatou’ Jesus o “pequeno rebanho” da mão de seu Pai? E como encarava Jesus este “rebanho”?
4 Torna-se assim claro que Jesus estava sinceramente interessado na salvação do “pequeno rebanho” no “aprisco” do arranjo do Pacto Abraâmico. Prezava-o como dádiva valiosíssima de seu Pai celestial. Assim como disse: “Aquilo que meu Pai me deu é algo maior do que todas as outras coisas, e ninguém as pode arrebatar da mão do Pai.” — João 10:29.
“TENHO OUTRAS OVELHAS”
5. O que indica que Jesus estava interessado em salvar mais do que humanos semelhantes a ovelhas para a vida celestial?
5 Embora as igrejas da cristandade não pensem assim e não ensinem isso, Jesus está interessado em mais do que apenas salvar criaturas humanas para a vida celestial. Jesus disse: “E tenho outras ovelhas, que não são deste aprisco; a estas também tenho de trazer, e elas escutarão a minha voz e se tornarão um só rebanho, um só pastor.” (João 10:16) Então, quem são estas “outras ovelhas”?
6. (a) O que ensinam as igrejas da cristandade com respeito a ‘este aprisco’ e as “outras ovelhas”? (b) O que indica a menção do Paraíso por Jesus, em Lucas 23:43, e sua parábola das ovelhas e dos cabritos?
6 As igrejas da cristandade afirmam que o “aprisco” de que Jesus fala aqui devia conter apenas cristãos judaicos, ao passo que as “outras ovelhas” são os que se tornam cristãos procedentes dos não-judeus ou gentios; e que tanto os judeus crentes como os gentios crentes tornam-se “um só rebanho” sob “um só pastor” Mas este ensino discorda de outros textos bíblicos sobre o assunto. Embora o apóstolo João não o mencione no seu Evangelho, Jesus falou dum Paraíso terrestre, sob o seu reino, e falou sobre outros como sendo “ovelhas” além dos do “pequeno rebanho” de seus co-herdeiros celestiais. Quando Jesus proferiu a sua profecia sobre o “sinal” da sua então ainda futura presença e da terminação do sistema de coisas, ele a encerrou, segundo o relato de Mateus, com a parábola das ovelhas e dos cabritos. Estas “ovelhas” haviam de ser diferentes dos “irmãos” espirituais de Cristo, aos quais essas pessoas semelhantes a ovelhas fazem coisas boas — Luc. 23:43; Mat. 24:3; 25:31-46.
7. Por que podia João lembrar-se bem da parábola de Jesus sobre as ovelhas e os cabritos, e avaliar o número contido ‘neste aprisco’?
7 O apóstolo João estava familiarizado com essa parábola, porque ele e seu irmão Tiago, bem como Pedro e André, foram os que promoveram a profecia de Jesus por perguntarem-lhe em particular sobre o “sinal”, e João ouviu a profecia integralmente. (Mar. 13:3, 4) Portanto, quando registrou as palavras de Jesus sobre as “outras ovelhas”, pode muito bem ter recordado a parábola de Jesus sobre as ovelhas e os cabritos. Ele era o apóstolo idoso a quem se deu a Revelação, que expôs que as 12 tribos do Israel espiritual teriam apenas 144.000 membros. De modo que sabia que o “aprisco” com o “pequeno rebanho” abrangeria apenas um número limitado de todos os salvos.
8. A que comparou o apóstolo Paulo as 12 tribos do Israel espiritual em conexão com uma árvore, e, em sentido típico, o que retratavam as partes principais desta “oliveira”?
8 No capítulo 11 de Romanos, o apóstolo Paulo compara essas 12 tribos do Israel espiritual aos ramos duma oliveira cultivada. A raiz desta simbólica oliveira foi prefigurada pelo patriarca Abraão, antepassado da nação de Israel segundo a carne. O tronco da árvore representava, portanto, os patriarcas sucessivos, Isaque, Jacó e os 12 chefes patriarcais das 12 tribos do Israel natural. (Atos 7:8) Os ramos que saiam do tronco representavam os membros judaicos das 12 tribos do Israel natural, circunciso. Estes, naturalmente, eram herdeiros da promessa abraâmica quanto ao “descendente”, por meio de quem todas as famílias e nações da terra abençoariam a si mesmas para obter vida eterna. Por este motivo, os judeus naturais, circuncisos, foram os primeiros a terem a oportunidade de constituir esse “descendente de Abraão”.
9. O que eram esses “ramos” simbólicos quanto à sua natureza, e quem, portanto, era a verdadeira “raiz”, e quem era o tronco?
9 Ora, sabemos que esse “descendente” é um descendente espiritual, uma descendência gerada por Jeová Deus para ser seus filhos espirituais. Ele é a verdadeira “raiz” dessa oliveira espiritual. Seu Filho, Jesus Cristo, é o membro principal e essencial desse “descendente” do Abraão Maior, Jeová Deus, de modo que Jesus Cristo foi prefigurado pelo tronco desta oliveira simbólica. Por conseguinte, os “ramos” de tal árvore representam os discípulos fiéis que se tornam co-herdeiros com ele, como membros menores, do espiritual “descendente de Abraão”. Então, são os “ramos” em número ilimitado?
10. Em Romanos 11:11-32, como mostra Paulo que haveria apenas um número limitado de “ramos” nessa oliveira simbólica?
10 O apóstolo Paulo mostra que haveria apenas um número limitado de “ramos” nessa oliveira espiritual. Como se sabe isso? É porque ele salienta que, quando um dos ramos naturais é arrancado, a oliveira não faria crescer outro ramo natural. Antes, seria enxertado em seu lugar o ramo duma oliveira brava. De modo que este ramo transplantado de oliveira brava não aumentaria o número dos ramo da árvore. O número dos ramos no tronco dessa árvore permaneceria o mesmo. Assim, quando judeus naturais, circuncisos, foram arrancados dessa árvore espiritual, por rejeitarem, incrédulos, a Jesus Cristo como o Descendente Principal do Abraão Maior, então não-judeus ou gentios foram enxertados nos lugares desses “ramos” naturais cortados. — Rom. 11:11-32.
11. Em Gálatas 3:26-29, como mostra Paulo que os que estão no aprisco do Israel espiritual não devem ser classificados como judeus e gentios?
11 Corretamente, pois, esses ramos da árvore do Pacto Abraâmico não devem ser considerados como judeus naturais e gentios estrangeiros. Todos devem ser considerados como israelitas espirituais. O apóstolo Paulo é quem salienta este mesmo ponto. Depois de considerar a promessa abraâmica e o descendente de Abraão, ele prossegue: “Todos vós sois, de fato, filhos de Deus, por intermédio da vossa fé em Cristo Jesus. Pois todos vós, os que fostes batizados em Cristo, vos revestistes de Cristo. Não há nem judeu, nem grego, não há nem escravo nem homem livre, não há nem macho nem fêmea; pois todos vós sois um só em união com Cristo Jesus. Além disso, se pertenceis a Cristo, sois realmente descendente de Abraão, herdeiros com referência a uma promessa.” — Gál. 3:8, 16, 26-29.
12-14. (a) Em Gálatas 4:21-31, a mãe espiritual de quem indica Paulo aos cristãos gálatas? (b) Portanto, será que Paulo dá alguma ênfase a um elemento judaico no “pequeno rebanho” dentro “deste arrisco”?
12 O apóstolo Paulo escreveu a carta aos gálatas por volta dos anos 50-52 EC. Isto foi pelo menos 17 anos depois de Jeová ter pregado o pacto da Lei no madeiro no qual foi pendurado seu Filho Jesus Cristo. Todavia, havia na congregação da Galácia alguns cristãos que queriam ficar em escravidão à Lei daquele pacto da Lei mediado por Moisés no monte Sinai, na Arábia. Nisto queriam acompanhar os judeus anticristãos, que se apegavam à Jerusalém terrestre e ao templo material construído ali pelo Rei Herodes, o Grande, que procurou matar o menino Jesus. Esta Jerusalém havia sido prefigurada por Agar, escrava de Abraão, e era semelhante a uma mãe para os judeus que ainda queriam continuar em servidão à lei mosaica, em vez de aceitar Jesus Cristo como o Moisés Maior. Por conseguinte, Paulo escreveu sobre isso:
13 “Mas a Jerusalém de cima é livre, e ela é a nossa mãe.. . . Ora, nós, irmãos, somos filhos pertencentes à promessa, assim como Isaque foi.. . . Por conseguinte, irmãos, somos filhos, não duma serva, mas da livre. Para tal liberdade é que Cristo nos libertou. Portanto, ficai firmes e não vos deixeis restringir novamente num jugo de escravidão.” — Gál. 4:21 a 5:1.
14 Isaque, filho de Abraão, não era judeu ou israelita. Ele, como filho da esposa livre de Abraão, Sara, foi o pai de Jacó, que recebeu o nome de Israel e se tornou pai de Judá. Os cristãos que pertencem ao “pequeno rebanho” “deste aprisco” do Pastor Excelente, Jesus Cristo, são iguais a Isaque, por serem herdeiros da promessa abraâmica. A Jerusalém celestial é sua mãe espiritual, prefigurada por Sara, mãe de Isaque, o hebreu, não judeu.
15, 16. Em João 10:16-18, diz Jesus que ele tem de trazer as “outras ovelhas” para um só “aprisco” para haver “um só pastor”?
15 Depois de considerar o “aprisco” que contém os membros do composto “descendente de Abraão”, Jesus toma outra direção ao passar a dizer: “E tenho outras ovelhas, que não são deste aprisco; a estas também tenho de trazer, e elas escutarão a minha voz e se tornarão um só rebanho, um só pastor. É por isso que o Pai me ama, porque entrego a minha alma, a fim de recebê-la de novo. Ninguém a tirou de mim, mas eu a entrego de minha própria iniciativa. Tenho autoridade para a entregar e tenho autoridade para a receber de novo. O mandamento a respeito disso recebi de meu Pai.” — João 10:16-18.
16 Notamos que Jesus não diz que ele ‘tem de trazer’ essas “outras ovelhas” a ‘este aprisco’. Antes, ele diz que “se tornarão um só rebanho”, porque haverá apenas “um só pastor”.
17. O que se poderia argumentar em vista do fato de Jesus passar suave e ininterruptamente da consideração “deste aprisco” para falar das “outras ovelhas”, mas é necessariamente assim?
17 Ora, visto que Jesus passa tão suavemente da consideração “deste aprisco” para a introdução das “outras ovelhas”, o leitor talvez pense que as duas ações seguem-se uma à outra em curto prazo, sem qualquer grande lapso de tempo, e certamente não com séculos de intervalo. Também, que é por essa razão que Jesus deve referir-se à admissão ‘neste aprisco’ de povos não-judaicos, de gentios, segundo a história da expansão da congregação cristã nos dias dos apóstolos. De modo que talvez chegasse à conclusão de que Jesus não fazia ali uma profecia de longo alcance, de algo no futuro distante. Mas, tal conclusão não é necessariamente a certa. Não faz distinção entre ‘este aprisco’ e o “um só rebanho”. — Veja Revelação 7:8, 9.
18. Pôde Jesus fazer uma profecia de longo alcance? E que coisa precedente tinha de ser aguardada antes da bênção de todas as famílias da terra?
18 Jesus era dotado de visão profética e por isso pôde apresentar sua parábola das ovelhas e dos cabritos, embora só iria cumprir-se 1.900 anos mais tarde. Ele era o membro básico do prometido “descendente de Abraão”, e, por isso, estava muito interessado na salvação de todas as famílias e nações da humanidade, por elas abençoarem a si mesmas, eternamente, por meio deste descendente. Tal bênção tinha de esperar o completamento desse composto “descendente de Abraão”, de 144.000 membros sob ele. Isto havia de envolver 19 séculos de tempo, conforme mostrado pelos fatos da história. De fato, os que se abençoariam a si mesmos seriam pessoas semelhantes a ovelhas dentre todas as famílias e nações, mas seriam “outras ovelhas”, por não pertencerem a ‘este aprisco’ de herdeiros da promessa abraâmica. De modo que não seriam israelitas espirituais, mas, em sentido relativo, seriam gentios.
19. À luz do que precede em Revelação, capítulo 7 quem constitui a “grande multidão” descrita em Revelação 7:9-17?
19 Bem em harmonia com isso está o fato de que, depois de o apóstolo João ter visto a selagem das 12 tribos do Israel espiritual, conforme descrita em Revelação 7:1-8, ele teve a visão da inúmera “grande multidão” daqueles que não são israelitas espirituais e que, portanto, são “outras ovelhas”. Eram vistos como estando em pé diante do trono divino dizendo: “Devemos a salvação ao nosso Deus, que está sentado no trono, e ao Cordeiro.” Diz-se que estes sobrevivem à “grande tribulação”, e estão prestando serviço sagrado a Jeová Deus, no seu templo, dia e noite. O “pastor excelente” dá a estas “outras ovelhas” cuidado amoroso, porque lemos: “O Cordeiro . . . os pastoreará e os guiará a fontes de águas da vida.” — Rev. 7:9-17.
20. Quando e onde passou a ter cumprimento a visão da “grande multidão”, e com que demonstração?
20 De acordo com essa ordem de coisas, conforme apresentada em Revelação, capítulo 7, foi em meados do segundo trimestre de 1935, 20 anos dentro da “terminação do sistema de coisas”, que começou em 1914, que se forneceu a explicação da visão de Revelação. Aconteceu em 31 de maio de 1935, no congresso realizado na capital dos Estados Unidos da América. Naquela ocasião, J. F. Rutherford, presidente da Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados (dos EUA), proferiu uma conferência sobre o tema “A Grande Multidão”, explicando que era, não uma classe celestial secundária, mas uma classe terrena, as “outras ovelhas” do “pastor excelente”. Esta informação foi mais tarde publicada nas colunas da revista A Sentinela (em inglês). Foi então que o “pastor excelente” começou realmente a trazer suas “outras ovelhas”, e estas começaram a escutar a sua voz e a segui-lo, porque, no dia após essa explicação de Revelação 7:9-15, 840 simbolizaram sua dedicação a Deus por meio de Cristo pelo batismo em água. A maioria destes professava ser da “grande multidão” das “outras ovelhas” de Cristo.
21. (a) Portanto, além dos do “pequeno rebanho”, por quem mais entregou o “pastor excelente” a sua alma? (b) Como foi que este pastor recebeu de novo a sua alma, em expressão do amor de quem?
21 O “pastor excelente” entregou a sua “alma” também por estas “outras ovelhas”, que não pertencem ao “aprisco” dos herdeiros da promessa abraâmica. O apóstolo João, que era um dos da classe do “descendente” de Abraão, escreveu: “Ele [Jesus Cristo] é um sacrifício propiciatório pelos nossos pecados, contudo, não apenas pelos nossos, mas também pelos do mundo inteiro.” (1 João 2:1, 2) Jeová Deus, o Pai celestial, amava seu Filho por fazer isso. Em apreço disso, de coração, Jesus, o “pastor excelente”, disse perante os dentre os judeus que o odiavam: “É por isso que o Pai me ama, porque entrego a minha alma, a fim de recebê-la de novo.” (João 10:17) O Pai demonstrou seu amor pelo abnegado “pastor excelente” por ressuscitá-lo dentre os mortos no terceiro dia. Desta maneira, o Filho de Deus recebeu de novo sua “alma” ou existência, mas num plano celestial de vida.
22. Apesar dos atentados contra a sua vida, por que não havia nenhum homem tirado a alma humana de Jesus, até o momento de ele proferir as palavras registradas em João 10:18?
22 Até o tempo em que Jesus falou sobre as “outras ovelhas” haviam sido feitas tentativas de tirar a vida deste “pastor excelente”. Mas ele nunca fez nada para merecer a morte às mãos dos homens. Isto explica por que ele disse: “Ninguém a tirou de mim, mas eu a entrego de minha própria iniciativa. Tenho autoridade para a entregar e tenho autoridade para a receber de novo. O mandamento a respeito disso recebi de meu Pai.” — João 10:18.
23. Quando foi que Jesus entregou a sua alma por iniciativa própria, e por quê?
23 Alguns meses mais tarde, forneceu-se a prova disso. Na noite em que foi traído, no jardim de Getsêmani, quando seu discípulo Pedro tentou protegê-lo com uma espada, Jesus disse: “Pensas que não posso apelar para meu Pai, para fornecer-me neste momento mais de doze legiões de anjos? Neste caso, como se cumpririam as Escrituras, de que tem de realizar-se deste modo?” (Mat. 26:53, 54) Assim, depois de deixar que seus apóstolos fugissem do seu lado, Jesus entregou-se de iniciativa própria à multidão que veio prendê-lo e fazer a última tentativa de matá-lo. Por fazer isso, Jesus não estava jogando fora a sua vida.
24. Que plena autorizarão a respeito de sua alma recebera Jesus de seu Pai, e como fracassou a tentativa final de impedir que usasse esta autorização?
24 Jesus tinha a autorização de seu Pai celestial para adotar este proceder, mas cabia-lhe fazer isso de sua própria vontade. Sua autorização de receber de volta a sua alma, por meio duma ressurreição, dependia de ele se entregar voluntariamente. Por entregar a sua alma na morte, seu Pai celestial deu-lhe a autorização de recebê-la de novo do único que podia ressuscitá-lo dentre os mortos. Nenhum poder no céu ou na terra podia impedir esta autorização, de Jesus receber de novo sua “alma” ou vida. Portanto, nem o selo do governador, aposto à grande pedra que fechava a entrada do sepulcro no qual ele fora sepultado após a morte num madeiro, nem a guarda de soldados postada diante do sepulcro, para impedir que seus discípulos furtassem o cadáver, impossibilitaram que Jesus usasse no terceiro dia a autorização dada por Deus. — Mat. 27:62 a 28:15.
25. Visto que Jesus não perdera o direito à sua vida humana por alguma desobediência a Deus, como estava ele à sua disposição para ser usada a favor da humanidade?
25 Na realidade, Jesus tinha ordens de seu Pai celestial para fazer tudo isso. De modo que, no terceiro dia de sua morte, Jeová deu a ordem para que seu Filho obediente ressuscitasse dentre os mortos e recebesse novamente vida, no domínio espiritual, junto a seu Pai celestial. Visto que ele não havia perdido o direito à sua vida humana por alguma desobediência a Deus, recebeu também o direito e a posse da vida humana perfeita, a fim de que os apresentasse a Jeová Deus no seu templo celestial e fizesse propiciação pelo pecado do mundo inteiro.
26. (a) Abriu-se assim o caminho para todas as famílias da terra fazerem o quê? (b) Notavelmente, quando foi que os da “grande multidão” de “outras ovelhas” de Jesus começaram a abençoar a si mesmos?
26 Assim se abriu o caminho para todas as famílias e nações do mundo ‘abençoarem a si mesmas’ por meio do Principal do “descendente de Abraão”. (Gên. 12:1-3; 22:15-18) Os da “grande multidão” das “outras ovelhas” do Pastor Excelente começaram a “abençoar a si mesmas” por meio dele, quando se dedicaram a Jeová Deus mediante ele e simbolizaram sua dedicação pelo batismo em água. Escutaram então a voz do Pastor Excelente e seguiram-no, junto com o restante ungido do descendente abraâmico. Isto passou a ocorrer notavelmente no congresso de Washington (D.C., EUA), em 1935. Desde então, os do restante ungido têm acolhido todas as “outras ovelhas”, e, conforme Jesus predissera, passou a haver “um só rebanho” sob “um só pastor”.
27. Quem mais, além dos da “grande multidão” que sobrevive à “grande tribulação”, tornar-se-á parte das “outras ovelhas” do Pastor Excelente, e quando?
27 Durante o reinado milenar do “um só pastor”, o entronizado Jesus Cristo, todos os mortos remidos da humanidade serão ressuscitados do sono da morte e terão a oportunidade de ‘abençoar a si mesmos’ por se tornarem parte das “outras ovelhas” do Pastor Excelente. Incluirá o ex-“porteiro” do “aprisco” que representa o arranjo do Pacto Abraâmico, a saber, João, o Batizador. (João 10:1-3) Jesus guiará os obedientes a “fontes de águas da vida”. A “grande multidão” dos que sobreviverão à vindoura “grande tribulação” serão uma bênção para os bilhões de ressuscitados, para que estes possam aproveitar-se das “fontes de águas da vida”. (Rev. 7:9-17) Todos os semelhantes a ovelhas poderão juntar-se à “grande multidão” em dizer: “Devemos a salvação ao nosso Deus, que está sentado no trono, e ao Cordeiro.” — Rev. 7:10; 20:11-14.
[Diagrama na página 26]
(Para o texto formatado, veja a publicação.)
O Arranjo de Jeová Para Suas “Ovelhas”
(1) O “pastor excelente”: Jesus Cristo, que entrega sua alma em benefício das “ovelhas”.
(2) “O porteiro”: João, o Batizador, que apresenta o “pastor” às “ovelhas”.
(3) O “aprisco”: O aprisco do Reino, do arranjo do Pacto Abraâmico.
(4) As “ovelhas” neste aprisco: O “pequeno rebanho”, dentre judeus e gentios.
(5) “A porta das ovelhas”: Jesus.
(6) O “estranho”, “ladrão”, “o empregado”: Pastores apóstatas, falsos.
(7) As “outras ovelhas”: A “grande multidão” e outros que herdam o domínio terrestre do Reino.
(Veja também The Watchtower de 15 de maio de 1946, páginas 147-158.)
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O leão que rugeA Sentinela — 1981 | 15 de janeiro
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O leão que ruge
O RUGIDO dum leão é um som aterrador. Pode ser ouvido à distância de uns oito quilômetros. O motivo deste poderoso som é duplo. É um meio de comunicação com membros distantes da família e serve também para proclamar direitos territoriais. Contrário à crença popular, o leão não costuma rugir quando caça animais selváticos. Mas, quando procura atacar animais domésticos num cercado, o leão muitas vezes ruge. O som amedrontador destina-se a causar um estouro que derrube a cerca protetora e exponha a presa.
Isto nos faz lembrar as palavras do apóstolo Pedro. Ele escreveu a concristãos: “Vosso adversário, o Diabo, anda em volta como leão que ruge, procurando a quem devorar.” (1 Ped. 5:8) Nós, como “ovelhas” cristãs, seguros na proteção provida pelo “pastor excelente”, Cristo Jesus, faremos bem em prestar atenção às palavras de Pedro. (João 10:14, 15) “Mantende os vossos sentidos, sede vigilantes”, disse o apóstolo, para que os rugidos ameaçadores do Diabo não causem pânico e não induzam alguns a fugir para uma zona de perigo espiritual.
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