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Como a cristandade copia PlatãoDespertai! — 1977 | 8 de fevereiro
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sempiterna, Eu sou [egò eimí, grego].”
Qual é a verdadeira fonte de tal raciocínio? A Encyclopœdia of Religion and Ethics (Enciclopédia de Religião e Ética) de Hastings, explica: “O cristianismo sucedeu à filosofia grega, e, até certo ponto, desenvolveu de modo independente a idéia profunda e frutífera da distinção entre tempo e eternidade, e entre tornar-se e ser. Primeiramente declarado de forma clara por Parmênides, c. 500 A. C. . . . , é desenvolvida em consideráveis pormenores por Platão, c. 390 A. C., em especial em seu Fedro e O Banquete.”
Nem uma vez sequer, contudo, declara a Bíblia que Jesus é coeterno com Deus. Embora Jesus usufruísse existência pré-humana de duração inespecificada no céu, a Bíblia mostra que ele teve um começo de sua existência. Ele é chamado de “a semelhança visível do Deus invisível, Ele é o primeiro Filho, superior a todas as coisas criadas” e “o princípio [grego, arké] da criação de Deus’. — Col. 1:15, BLH; Rev. 3:14, Taizé.
O oitavo capítulo de Provérbios usa linguagem similar a respeito da “sabedoria” personificada. Ali, segundo a Versão dos Setenta, grega, a sabedoria fala de si mesma como “o princípio de seus caminhos [os de Deus] para suas obras” e afirma ter existido “antes de o tempo estar no princípio, antes de ele fazer a terra”. (Pro. 8:22, 23, Bagster) Sugere isso que a sabedoria personificada tinha pré-existência eterna? Não, pois o versículo vinte e dois inicia com a sabedoria afirmando: “O Senhor me fez [grego, éktise, “criou”].
“Coigual” — Outra Coisa Copiada de Platão
Que dizer do ensino de que Jesus é coigual a Deus? Se ler somente as Escrituras, jamais obterá tal noção. Ao passo que a Bíblia às vezes aplica o termo “deus” a Jesus em sua existência pré-humana, e após sua ressurreição, usa a mesma terminologia com respeito aos anjos criados. O salmista, para exemplificar, declarou que Deus fez a humanidade “um pouco menor que os semelhantes a Deus” (Hebraico, elohím, “deuses”; Versão dos Setenta, “anjos”.) — Sal. 8:5, Trad. Novo Mundo.
No entanto, muitos clérigos tentam explicar os textos que aplicam o termo “deus” a Jesus como significando que Jesus é plenamente igual a Deus. Isto é evidente em muitos comentários feitos sobre a declaração de Jesus: “O Pai e eu somos um.” (João 10:30) Por exemplo, o perito bíblico C. J. Ellicott afirma: “Tais palavras asseveram a unidade em poder e natureza do Pai e do Filho. . . . ‘O Filho é de uma só substância com o Pai.’”
Similar explanação é fornecida da declaração do apóstolo Paulo de que “toda a natureza de Deus vive na própria pessoa de Cristo” Jesus. (Col. 2:9) O famoso comentarista bíblico, J. A. Bengel, fornece um exemplo do raciocínio trinitarista sobre tal versículo: “A mais plena Divindade habita em Cristo: não simplesmente os atributos Divinos, mas a própria natureza Divina; . . . como se fosse a inteira essência da Divindade, habita em Cristo na máxima forma imediata e real.”
Isto nos faz lembrar da fraseologia do “Símbolo de Nicéia” (325 E.C.) que declara Jesus como sendo “Deus verdadeiro do Deus verdadeiro; gerado, não criado, consubstancial com seu Pai”. Segundo a New Catholic Encyclopedia (1967), pela expressão “consubstancial [grego, homoousios] com seu Pai”, o Concílio tencionava “asseverar Sua plena igualdade com o Pai”.
No entanto, para chegar a tal doutrina, a cristandade mais uma vez copiou Platão, desta vez de uma forma de filosofia conhecida como “neoplatonismo” ou “Novo Platonismo’’. “A teologia cristã”, observa a Encyclopœdia Britannica, “tomou a metafísica neoplatônica da substância, bem como sua doutrina de [essências, ou naturezas] como ponto de partida para interpretar a relação do ‘Pai’ para com o ‘Filho’”.
O que, porém, queria Jesus dizer quando afirmou: “O Pai e eu somos um”? J. H. Bernard, doutor em divindade, declara em A Critical and Exegetical Commentary on the Gospel According to St. John (Comentário Crítico e Exegético do Evangelho Segundo S. João):
“A unidade de companheirismo, de vontade, e de propósito entre o Pai e o Filho é freqüente tema do Quarto Evangelho . . ., e é sucinta e poderosamente expressa aqui; mas, forçar as palavras, de modo a fazê-las indicar identidade de ousia [“substância”, “essência”, em grego], é introduzir idéias que não estavam presentes nos teólogos do primeiro século.” — Compare com João 5:18, 19; 14:9, 23; 17:11, 22.
O ensino de que Jesus é coigual e coeterno com Deus não tem base nas Escrituras inspiradas. Do começo ao fim, é evidência de a cristandade copiar o filósofo grego, Platão.
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O que fazer com os ídolos?Despertai! — 1977 | 8 de fevereiro
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Qual É o Conceito da Bíblia
O que fazer com os ídolos?
OURO — reluzente e valioso. Que faria se herdasse pequena fortuna em ouro? ‘Isso não seria problema’, talvez pense. Mas, era para certa senhora em Espanha, não faz muito tempo.
O pai dela morreu, legando-lhe alguns objetos religiosos de ouro, inclusive grande cruz de ouro com uma pedra preciosa. Também, havia várias estatuetas, pequenas imagens do tipo venerado por muitos freqüentadores de igreja em sua localidade. E ela herdou vários medalhões de ouro de “santos”, tais como muitos católicos espanhóis costumam usar numa corrente pendurada no pescoço.
Ela ficou imaginando o que fazer com tais objetos de adoração. Talvez tenha confrontado uma questão similar no passado, ou ainda a enfrente no futuro. Ou talvez alguém lhe peça conselhos sobre o assunto, alguém que deseja fazer o que é biblicamente correto.
‘Mas, por que deveria isso causar algum problema?’ talvez alguém imagine. Não poderia ela simplesmente ficar com os objetos de ouro, caso quisesse, ou vendê-los, se preferisse ter o dinheiro que eles valiam?
Ela ficou perplexa quanto ao que fazer porque estava cônscia da natureza dos itens de ouro, de sua forma, e também de como eles tinham sido e poderiam ser usados. Como se dá com muitos que estudaram cuidadosamente a Palavra de Deus, ela compreendia que o Deus verdadeiro condena a fabricação e o uso de imagens para adoração. Deus disse aos israelitas nos Dez Mandamentos: “Não farás para ti escultura, nem imagem alguma daquilo que existe no alto, no céu, ou aqui embaixo, na terra, ou daquilo que existe debaixo da terra, nas águas. Não te prostrarás diante delas, nem as servirás.” (Êxo. 20:4, 5, Pontifício Instituto Bíblico) Os cristãos desejosos de obter Sua aprovação acham-se, igualmente, obrigados a evitar o uso de ídolos ou de imagens na sua adoração. Escreveu o apóstolo Paulo: “Eis porque, meus bem-amados, fugi da idolatria . . . Não podeis participar da mesa do Senhor e da mesa dos demônios.” — 1 Cor. 10:14, 19-21, A Bíblia de Jerusalém (Je); Atos 17:29.
Muitos, depois de aprenderem o que a Bíblia diz, viram a necessidade de livrar-se das imagens, ícones, medalhões e cruzes a que antes oravam ou usavam como meio, ou que costumavam venerar. Mas, surge a pergunta do que fazer com tais ídolos. O que faria — iria destruí-los? Vendê-los? Dá-los?
A senhora na Espanha estava a par do conselho e do
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