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JóAjuda ao Entendimento da Bíblia
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relato das experiências de Jó. Ele podia ter sabido a respeito de Jó quando passou quarenta anos em Midiã, e talvez tivesse ouvido falar do resultado final feliz e da morte de Jó quando Israel estava perto de Uz, próximo do fim de sua jornada pelo deserto. Se Moisés concluiu a compilação do livro de Jó por volta da época da entrada de Israel na Terra Prometida, em 1473 AEC (provavelmente não muito depois da morte de Jó), isto situaria a época das provações de Jó por volta de 1613 AEC, pois Jó ainda viveu 140 anos depois de suas provações. — Jó 42:16, 17.
HOMEM RICO E HONRADO
Jó era, pelo que parece, parente de Abraão por meio de Uz, filho de Naor, irmão de Abraão. (Gên. 22:20, 21) Embora não fosse israelita, Jó era adorador de Jeová. Era “o maior de todos os orientais”, possuindo grande riqueza. Sua família consistia em sua esposa, sete filhos e três filhas. (Jó 1:1-3) Ele realizava conscienciosamente os deveres de sacerdote em benefício de sua família, oferecendo sacrifícios a Deus em favor deles. — Jó 1:4, 5.
Jó era um homem honrado, ou de boa reputação, possuindo servos, sendo uma figura de destaque na porta da cidade, até mesmo os homens idosos e os príncipes o respeitando. (Jó 29:5-11) Ele se sentava ali como juiz imparcial, executando a justiça como defensor das viúvas, e era como que um pai para o menino órfão de pai, para os aflitos e para aqueles que não tinham nenhum ajudador. (29:12-17) Ele se mantinha isento da imoralidade, do ganancioso materialismo e da idolatria, e era generoso para com os pobres e os necessitados. — 31:9-28.
A INTEGRIDADE DE JÓ
Daí Jeová, com confiança na integridade de Jó, desafiada por Satanás, e sabendo de Sua própria capacidade de recuperar e recompensar Jó, permitiu que Satanás testasse a integridade de Jó até o limite máximo, mas não permitiu que Satanás matasse Jó. Depois de Satanás, por vários meios, ter tirado primeiro o gado e os servos de Jó, daí os filhos dele (Jó 1:13-19), Jó jamais acusou a Deus de tolice ou de agir errado. Nem se desviou de Deus, mesmo quando pressionado por sua própria esposa, e por outros. (1:20-22; 2:9, 10) Ele falou a verdade sobre Deus. (42:8) Ele aceitou a repreensão por estar ansioso demais em se declarar justo e por deixar de vindicar a Deus (32:2), e ele admitiu seus pecados perante Deus. — 42:1-6.
EXEMPLO PARA OS CRISTÃOS
Jeová amava Jó. No fim de seu proceder fiel sob provação, Deus constituiu Jó em sacerdote para seus três companheiros, que contenderam com ele, e Deus restaurou Jó à sua condição anterior. Jó de novo veio a possuir uma família excelente (evidentemente com a mesma esposa) e dobrou as riquezas que ele antes possuíra. Todos os seus parentes e antigos associados vieram novamente a apresentar-lhe seus respeitos, e lhe trazer presentes. (Jó 42:7-15) Ele viveu para ver seus filhos e seus netos por quatro gerações. — Jó 42:16.
Por meio do profeta Ezequiel, Deus apontou Jó como um exemplo de justiça. (Eze. 14:14, 20) Ter ele suportado pacientemente o sofrimento é apresentado como exemplo para os cristãos, e seu feliz resultado é indicado como algo que magnífica a afeição e a misericórdia de Jeová. (Tia. 5:11) O relato de sua experiência provadora é de grande conforto e revigoramento para os cristãos, e muitos princípios bíblicos são destacados e esclarecidos no livro que leva o seu nome.
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Jó, Livro DeAjuda ao Entendimento da Bíblia
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JÓ, LIVRO DE
Escrito por Moisés, segundo os peritos tanto judeus como cristãos primitivos. Sua poesia, sua linguagem e seu estilo indicam que foi escrito originalmente em hebraico, e em suas partes de prosa possui muitas similaridades com o Pentateuco, o que tende a indicar Moisés como o escritor. Durante sua estada de quarenta anos em Midiã, Moisés podia ter tido acesso aos fatos sobre a provação de Jó e podia vir a saber do resultado final quanto à vida de Jó, quando Israel chegou perto de Uz, a caminho da Terra Prometida, em 1473 AEC.
ARRANJO
O livro de Jó é ímpar no sentido de que consiste principalmente de um debate entre um servo verdadeiro de Jeová Deus e três outros que afirmavam servir a Deus, mas que cometeram erros doutrinais em sua tentativa de corrigir a Jó. Eles erroneamente pensavam que Jó estava sendo punido por Deus devido a grave pecado oculto. Assim, argüindo nesta base, realmente tornaram-se perseguidores de Jó. (Jó 19:1-5, 22) O debate consiste numa série de três fases de discursos, em que todos os quatro oradores participam, exceto que Zofar não fala na última fase, tendo sido silenciado pelo argumento de Jó. Depois disso, todos são corrigidos pelo porta-voz de Jeová, Eliú, e, finalmente, pelo próprio Deus.
É claro, portanto, que é preciso ter presente, ao se ler ou citar este livro, que os argumentos apresentados por Elifaz, Bildade e Zofar são errôneos. Às vezes, estes três companheiros de Jó declaram fatos verídicos, mas num contexto e com uma aplicação que são errados.
Os companheiros de Jó disseram que Deus pune os iníquos. Isto é verdade. (2 Ped. 2:9) Mas eles concluíram que todo sofrimento por que alguém passa é resultado de pecados de tal pessoa — que Deus, destarte, administra-lhe o castigo. O sofrimento, disseram, é evidência de que um indivíduo pecou de modo específico. Falaram de forma inverídica sobre Deus. (Jó 42:7) Caluniaram-no. Segundo apresentaram Deus, faltava-lhe misericórdia. Sua afirmação era de que Deus não se deleita no homem que mantém integridade, e
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