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    Ajuda ao Entendimento da Bíblia
    • que a vinda de João se dera em cumprimento da profecia de Malaquias 4:5, 6, de que Deus enviaria Elias, o profeta, antes da vinda do grande e temível dia de Jeová. Todavia, não importando quão grande era João (“Entre os nascidos de mulheres não se levantou ninguém maior do que João Batista”), ele não seria um membro da classe da “noiva”, que compartilhará com Cristo a sua regência do reino celeste (Rev. 21:9-11; 22:3-5), pois “aquele que é menor no reino dos céus é maior do que ele”. (Mat. 11:11-15; 17:10-13; Luc. 7:28-30) Jesus também, por inferência, defendeu João da acusação de que João era endemoninhado. — Mat. 11:16-19; Luc. 7:31-35.

      Algum tempo depois dessa ocasião, Herodias deu vazão a seu rancor contra João. Na celebração do aniversário natalício de Herodes, a filha de Herodias agradou a Herodes com sua dança, no que Herodes jurou que lhe daria o que quer que ela lhe pedisse. Influenciada pela mãe, ela pediu a cabeça de João. Herodes, por consideração a seu juramento e pelas pessoas presentes, concedeu-lhe tal pedido. João foi decapitado na prisão e a cabeça dele foi entregue numa bandeja à jovem, que a levou à sua mãe. Os discípulos de João mais tarde vieram e removeram o corpo de João e o sepultaram, relatando esse assunto a Jesus. — Mat. 14:1-12; Mar. 6:21-29.

      Após a morte de João, Herodes ouviu notícias sobre o ministério de pregação, de curas e de expulsão de demônios, realizado por Jesus. Ficou atemorizado, receando que Jesus fosse, realmente, João, que ressuscitara de entre os mortos. Depois disso, ele desejava muitíssimo ver Jesus, não para ouvir a pregação dele, mas porque não estava seguro desta sua conclusão. — Mat. 14:1, 2; Mar. 6:14-16; Luc. 9:7-9.

      TERMINA O BATISMO DE JOÃO

      O batismo de João continuou até o dia de Pentecostes de 33 EC, quando foi derramado o espírito santo. Daquele tempo em diante, pregava-se o batismo “em nome do Pai, e do Filho, e do espírito santo”. (Mat. 28:19; Atos 2:21, 38) Aqueles que, posteriormente, foram batizados com o batismo de João tinham de ser rebatizados no nome do Senhor Jesus, a fim de receberem o espírito santo. — Atos 19:1-7.

      2. João Marcos. Um dos discípulos de Jesus, e o escritor de “As Boas Novas Segundo Marcos”. — Veja MARCOS.

      3. O apóstolo João, filho de Zebedeu e de Salomé (compare com Mateus 27:55, 56; Marcos 15:40), e irmão do apóstolo Tiago, provavelmente o irmão mais moço de Tiago, uma vez que Tiago é geralmente mencionado primeiro, quando os dois são citados. (Mat. 10:2; Mar. 3:14, 16, 17; Luc. 6:14; 8:51; 9:28; Atos 1:13) Zebedeu casou-se com Salomé, da casa de Davi, possivelmente uma irmã carnal de Maria, mãe de Jesus.

      FORMAÇÃO

      A família de João parecia gozar de uma situação relativamente boa. Seu pai, Zebedeu, empregava vários homens em seu negócio pesqueiro, em que era sócio de Simão. (Mar. 1:19, 20; Luc. 5:9, 10) A esposa de Zebedeu, Salomé, achava-se entre as mulheres que acompanhavam e ministravam a Jesus, quando ele estava na Galiléia (compare com Mateus 27:55, 56; Marcos 15:40, 41), e ela tomou parte em trazer aromas para preparar o corpo de Jesus para o enterro. (Mar. 16:1) João, evidentemente, tinha sua própria casa. — João 19:26, 27.

      Zebedeu e Salomé eram hebreus fiéis, e a evidência aponta que criaram João no ensino das Escrituras. Entende-se geralmente que ele é o discípulo de João, o Batizador, que estava com André quando João lhes anunciou: “Eis o Cordeiro de Deus!” Sua pronta aceitação de Jesus como o Cristo revela que tinha conhecimento das Escrituras Hebraicas. (João 1:35, 36, 40-42) Ao passo que jamais se declara que Zebedeu se tornou discípulo, quer de João, o Batizador, quer de Cristo, parece que ele não fez nenhuma objeção a que seus dois filhos se tornassem pregadores de tempo integral junto com Jesus.

      Quando João, junto com Pedro, foi conduzido perante os regentes judeus, foram considerados “indoutos e comuns”. Isto não significava, porém, que eles não tivessem nenhuma instrução, nem que não soubessem ler nem escrever, mas que não tinham recebido sua formação nas escolas rabínicas. Declara-se, ao invés, que “começaram a reconhecer a respeito deles que costumavam estar com Jesus”. — Atos 4:13.

      TORNA-SE DISCÍPULO DE CRISTO

      Depois de ser apresentado a Jesus Cristo, no outono setentrional de 29 EC, João, sem dúvida, seguiu Jesus à Galiléia e foi testemunha ocular do primeiro milagre dele em Caná. (João 2:1-11) Talvez acompanhasse Jesus da Galiléia até Jerusalém, e, de novo, em seu retorno à Galiléia através de Samaria; pois a qualidade vívida de seu relato parece marcá-lo como o de uma testemunha ocular dos eventos descritos. No entanto, o registro não declara isto. (Caps. 2-5) Sem embargo, João não abandonou seu negócio pesqueiro senão algum tempo depois de se tornar familiarizado com Jesus. No ano seguinte, quando Jesus andava ao longo do mar da Galiléia, Tiago e João estavam no barco, junto com seu pai, Zebedeu, consertando suas redes. Ele os convocou para a obra de dedicação exclusiva como “pescadores de homens”, e o relato de Lucas nos informa: “Trouxeram assim os barcos de volta à terra, abandonaram tudo e o seguiram.” (Mat. 4:18-22; Luc. 5:10, 11; Mar. 1:19, 20) Mais tarde, foram escolhidos para ser apóstolos do Senhor Jesus Cristo. — Mat. 10:2-4.

      João era um dos três mais intimamente associados com Jesus. Pedro, Tiago e João foram levados ao monte da transfiguração. (Mat. 17:1, 2; Mar. 9:2; Luc. 9:28, 29) Somente eles, dentre os apóstolos, tiveram permissão de entrar com Jesus na casa de Jairo. (Mar. 5:37; Luc. 8:51) Tiveram o privilégio de serem os levados por Jesus mais adiante do que os outros, no jardim de Getsêmani, na noite em que foi traído, embora, nesse momento, até mesmo eles não compreendessem o pleno significado da ocasião, adormecendo três vezes, e sendo despertados por Jesus. (Mat. 26:37, 40-45; Mar. 14:33, 37-41) João ocupava a posição junto a Jesus em sua última Páscoa, e na instituição da Refeição Noturna do Senhor. (João 13:23) Foi o discípulo que, por ocasião da morte de Jesus, recebeu a honra insigne de lhe ser confiada a mãe de Jesus, para que cuidasse dela. — João 21:7, 20; 19:26, 27.

      IDENTIFICAR JOÃO EM SEU EVANGELHO

      No Evangelho de João, ele jamais se refere a si mesmo nominalmente. Ele é mencionado, ou como um dos filhos de Zebedeu, ou como o discípulo a quem Jesus amava. Quando fala de João, o Batizador, diferente dos outros escritores dos Evangelhos, ele chama o Batizador apenas de “João”. Isto seria mais natural de ser feito por alguém que tivesse o mesmo nome, visto que ninguém entenderia errado a pessoa a quem ele se referia. Outros teriam de usar um sobrenome ou título, ou outros termos descritivos, para identificar a pessoa visada, como o próprio João faz quando fala de uma das Marias. — João 11:1, 2; 19:25; 20:1.

      Enfocando-se o escrito de João sob tal prisma torna-se evidente que ele mesmo era o companheiro, cujo nome não é mencionado, de André, a quem João, o Batizador, apresentou Jesus Cristo. (João 1:35-40) Depois da ressurreição de Jesus, João ultrapassou Pedro ao correrem até o túmulo, para investigar o relato de que Jesus tinha ressuscitado. (João 20:2-8) Teve o privilégio de ver o ressuscitado Jesus nessa mesma noite (João 20:19; Luc. 24:36), e, de novo, na semana seguinte. (João 20:26) Era um dos sete que retornaram à pesca, e aos quais Jesus apareceu. (João 21:1-14) João também estava presente no monte da Galiléia, depois que Jesus ressuscitou dentre os mortos, e ouviu pessoalmente a ordem: “Fazei discípulos de pessoas de todas as nações.” — Mat. 28:16-20.

      HISTÓRIA POSTERIOR DE JOÃO

      Depois da ascensão de Jesus, João estava em Jerusalém, na assembléia de cerca de 120 discípulos, quando Matias foi escolhido, por sortes, e reconhecido junto com os onze apóstolos. (Atos 1:12-26) Estava presente ao derramamento do espírito no dia de Pentecostes, e viu 3.000 pessoas serem acrescentadas à congregação naquele dia. (Atos 2:1-13, 41) Ele, junto com Pedro, declararam perante os regentes judeus o princípio seguido pela congregação do povo de Deus: “Se é justo, à vista de Deus, escutar antes a vós do que a Deus, julgai-o vós mesmos. Mas, quanto a nós, não podemos parar de falar das coisas que vimos e ouvimos.” (Atos 4:19, 20) De novo, juntou-se aos demais apóstolos para dizer ao Sinédrio: “Temos de obedecer a Deus como governante antes que aos homens.” — Atos 5:27-32.

      Depois da morte de Estêvão às mãos dos judeus enraivecidos, surgiu grande perseguição contra a congregação em Jerusalém, e os discípulos foram espalhados. Mas João, junto com os demais apóstolos, permaneceu em Jerusalém. Quando a pregação de Filipe, o missionário, moveu muitos em Samaria a aceitar a palavra de Deus, o Corpo Governante enviou Pedro e João para auxiliar esses novos discípulos a receber espírito santo. (Atos 8:1-5, 14-17) Em 49 EC, João estava presente à conferência do Corpo Governante quanto à questão da circuncisão para os conversos gentios. (Atos 15:5, 6, 28, 29) Paulo disse que João era um daqueles, em Jerusalém, “que pareciam ser colunas” da congregação. João, qual membro do Corpo Governante, deu a Paulo e a Barnabé a “mão direita da parceria”, ao serem enviados em sua missão de pregar às nações (gentios). — Gál. 2:9.

      Enquanto Jesus Cristo ainda estava na terra, ele indicara que João sobreviveria aos demais apóstolos. (João 21:20-22) Por uns setenta anos, ele serviu fielmente a Jeová. Perto do fim de sua vida, João ficou preso na ilha de Patmos, onde veio a estar “por ter falado a respeito de Deus e ter dado testemunho de Jesus”. (Rev. 1:9) Isto prova que ele estava intensamente ativo em pregar as boas novas, mesmo em idade muitíssimo avançada (por volta de 96 EC).

      Enquanto em Patmos, João foi favorecido com a maravilhosa visão de Revelação (Apocalipse), que escreveu fielmente. (Rev. 1:1, 2) Crê-se, em geral, que foi exilado pelo imperador Domiciano, e foi liberto pelo sucessor de Domiciano, o imperador Nerva (96-98 EC). Segundo a tradição, ele se dirigiu para Éfeso, onde escreveu seu Evangelho e suas três cartas, intituladas Primeira, Segunda e Terceira de João, por volta de 98 EC. Tradicionalmente, crê-se que morreu em Éfeso, em 100 EC, durante o reinado do imperador Trajano.

      PERSONALIDADE

      Os peritos concluem, em geral, que João era uma pessoa passiva, sentimental e introspectiva. Conforme expressou certo comentarista: “João, com sua mente contemplativa, imponente, ideal, percorreu a vida como um anjo.” Tais pessoas baseiam sua avaliação da personalidade de João no fato de que João fala tanto sobre o amor, e porque não parece tão destacado nos Atos dos Apóstolos como Pedro e Paulo. Também, observam que ele parece deixar Pedro assumir a liderança em falar, quando juntos.

      É verdade que, quando Pedro e João estavam juntos, Pedro é sempre destacado como o porta-voz. Isto seria natural, contudo, pois Pedro era, evidentemente, o mais velho, e João deixaria que ele tomasse a liderança em falar, assim como lhe fora ensinado, pelas Escrituras Hebraicas, a respeitar aqueles que eram seus seniores, e como aconselham também as Escrituras Gregas Cristãs. (Jó 32:4-7; 1 Tim. 5:17) Mas os relatos não afirmam que João fosse caladão. Antes, quando estavam perante os regentes e os anciãos, tanto Pedro como João falaram com destemor. (Atos 4:13, 19) Semelhantemente, João falou de modo intrépido, assim como os demais apóstolos, perante o Sinédrio, embora Pedro seja nominal e especificamente mencionado. (Atos 5:29) E, quanto a ser um tipo enérgico, ativo, não ultrapassou ele a Pedro na corrida para chegarem ao túmulo de Jesus? Mas, ele mostrou cortesia e respeito para com Pedro, que era um irmão cristão mais velho, ao esperar que Pedro entrasse primeiro no túmulo de Jesus. — João 20:2-8.

      No começo do ministério deles como apóstolos, Jesus deu o sobrenome de Boanerges (“Filhos do Trovão”) a João e seu irmão Tiago. (Mar. 3:17) Este título por certo não indica nenhum sentimentalismo piegas, nem falta de vigor, antes, porém, o dinamismo de personalidade. Quando um povoado samaritano recusou-se a receber Jesus, estes “Filhos do Trovão” estavam prontos a invocar o fogo do céu para aniquilar seus habitantes. Anteriormente, João tentara impedir que certo homem expulsasse demônios em nome de Jesus. Jesus repreendeu-o e corrigiu-o em cada caso. — Luc. 9:49-56.

      Os dois irmãos, nessas ocasiões, mostraram entendimento errado, e, em grande medida, faltava-lhes o equilíbrio, e o espírito amoroso e misericordioso que mais tarde cultivaram. Todavia, nessas duas ocasiões manifestaram um espírito de lealdade e uma personalidade decidida e vigorosa que, uma vez canalizada na direção correta, os tornou testemunhas fortes, enérgicas e fiéis. Tiago padeceu a morte de mártir às mãos de Herodes Agripa I (Atos 12:1, 2), e João persistiu como pilar, “na tribulação, e no reino, e na perseverança em companhia de Jesus”, como o último apóstolo vivo. — Rev. 1:9.

      Quando Tiago e João, pelo que parece, conseguiram que sua mãe solicitasse que eles se sentassem junto a Cristo em seu reino, eles demonstraram um espírito ambicioso, que deixou indignados os demais apóstolos. Mas isso concedeu a Jesus excelente oportunidade de explicar que o grande entre eles seria aquele que servisse a outros. Daí, apontou que mesmo ele, Jesus, tinha vindo para ministrar e dar sua vida como resgate por muitos. (Mat. 20:20-28; Mar. 10:35-45) Sem considerar quão egoísta era o desejo deles, o incidente revela sua fé na realidade do Reino.

      Por certo, se a personalidade de João tivesse sido conforme pintada pelos comentaristas religiosos — fraca, pouco prática, sem energia, introvertida — Jesus Cristo não o teria provavelmente usado para escrever o livro estimulante e poderoso de Revelação (Apocalipse), em que Cristo repetidas vezes incentiva os cristãos a ser conquistadores do mundo, fala das boas novas a serem pregadas em todo o mundo, e proclama os julgamentos trovejantes de Deus.

      É verdade que João fala do amor mais do que os outros escritores dos Evangelhos. Isto não fornece evidência alguma de qualquer sentimentalismo piegas. Pelo contrário, o amor é uma qualidade forte. A inteira Lei e os Profetas baseavam-se no amor. (Mat. 22:36-40) “O amor nunca falha.” (1 Cor. 13:8) O amor “é o perfeito vínculo de união”. (Col. 3:14) O amor da espécie que João advogava se apega aos princípios e é capaz de dar forte repreensão, correção e disciplina, bem como de mostrar bondade e misericórdia.

      Sempre que ele aparece nos três relatos evangélicos sinópticos, bem como em todos os seus próprios escritos, João sempre manifesta o mesmo amor e a mesma lealdade fortes para com Jesus Cristo e seu Pai, Jeová. A lealdade, e o ódio ao que é mau, são manifestos em suas observações de maus motivos ou de características ruins nas ações de outros. Somente ele nos conta que foi Judas quem murmurou contra o uso, por parte de Maria, de custoso óleo para ungir os pés de Jesus, e a razão da queixa de Judas: porque ele levava a caixa de dinheiro e era ladrão. (João 12:4-6) Ele aponta que Nicodemos veio a Jesus ‘na calada da noite’. (João 3:2) Ele observa a grave falha de José de Arimatéia, que era um “discípulo de Jesus, mas em secreto, por temor dos judeus”. (João 19:38) João não podia admitir que alguém professasse ser discípulo de seu Mestre e, ainda assim, se envergonhasse disso.

      João já tinha cultivado os frutos do espírito em um grau muito maior, quando escreveu seu Evangelho e suas cartas, do que quando era um jovem recém-associado com Jesus. Certamente não era a mesma pessoa que havia solicitado um lugar especial no Reino. E, em seus escritos, podemos encontrar a expressão de sua madureza e de seus bons conselhos para nos ajudar a imitar seu proceder fiel, leal, enérgico.

  • João, As Boas Novas Segundo
    Ajuda ao Entendimento da Bíblia
    • JOÃO, AS BOAS NOVAS SEGUNDO

      Um dos quatro relatos da vida e do ministério terrestres de Jesus Cristo, e o último a ser escrito.

      ESCRITOR

      Embora o livro não forneça o nome do seu escritor, tem sido quase que universalmente reconhecido que foi escrito pela pena do apóstolo João. A evidência interna inclui o seguinte:

      (a) O escritor do livro era evidentemente judeu, conforme indicado por sua familiaridade com as opiniões judaicas. — João 1:21; 6:14; 7:40; 12:34.

      (b) Era um habitante nativo da terra da Palestina, conforme indicado por seu conhecimento cabal do país. Os pormenores mencionados a respeito de lugares citados indicam conhecimento pessoal deles. Entre estes acham-se: “Betânia, do outro lado do Jordão” (João 1:28) e ‘Betânia, perto de Jerusalém’ (11:18); havia um jardim no local onde Cristo foi pregado na estaca, e nele havia um túmulo memorial novo (19:41); Jesus ‘falou na tesouraria, ao ensinar no templo’ (8:20); “era inverno, e Jesus estava andando no templo, na colunata de Salomão” (10:22, 23), e muitas outras descrições exatas.

      (c) O próprio testemunho do escritor, e a evidência factual mostram que se tratava duma testemunha ocular. Cita os nomes das pessoas que disseram ou fizeram certas coisas (João 1:40; 6:5, 7; 12:21; 14:5, 8, 22; 18:10); entra em pormenores quanto às horas em que se sucederam os eventos (4:6, 52; 6:16; 13:30; 18:28; 19:14; 20:1; 21:4); designa, de modo factual, os números envolvidos em suas descrições, fazendo isso com simplicidade. — 1:35; 2:6; 4:18; 5:5; 6:9, 19; 19:23; 21:8, 11.

      (d) O escritor era um dos apóstolos. Ninguém, a não ser um apóstolo, podia ter sido testemunha ocular de tantos eventos ligados ao ministério de Jesus; também, o conhecimento íntimo da mente, dos sentimentos e das razões de Jesus para ter agido de certa maneira, revela que ele era um do grupo dos doze que acompanhou Jesus por todo o seu ministério. Por exemplo, ele nos conta que Jesus fez uma pergunta a Filipe para prová-lo, “pois ele mesmo sabia o que ia fazer”. (João 6:5, 6) Jesus sabia “em si mesmo que seus discípulos estavam resmungando”. (6: 61) Ele sabia “todas as coisas que lhe sobrevinham”. (18:4) Ele “gemeu no espírito e ficou aflito”. (11:33; compare com 13:21; 2:24; 4:1, 2; 6:15; 7:1.) O escritor também estava familiarizado com as idéias e as impressões dos apóstolos, algumas das quais eram erradas e foram corrigidas posteriormente. — 2:21, 22; 11:13; 12:16; 13:28; 20:9; 21:4.

      Além disso, o escritor é mencionado como ‘o discípulo a quem Jesus amava’. (João 21:20, 24) Ele era, evidentemente, um dos três apóstolos mais íntimos que Jesus mantinha bem perto de si em várias ocasiões, tais como na transfiguração (Mar. 9:2), e na ocasião de sua angústia, no jardim de Getsêmani. (Mar. 26:36, 37) Destes três apóstolos, elimina-se Tiago como escritor por ter sido morto por volta de 44 EC, por Herodes Agripa I. Não existe nenhuma evidência para uma data assim tão cedo para a escrita deste Evangelho. Pedro é eliminado por ter o seu nome mencionado junto com ‘o discípulo a quem Jesus amava’. — João 21:20, 21.

      AUTENTICIDADE

      O Evangelho de João foi aceito como canônico pela primitiva congregação cristã. Aparece em quase todos os catálogos antigos, constando deles como aceito sem questionamentos como autêntico. As epístolas de Inácio de Antioquia (c. 110 EC) contêm claros sinais de que ele usou o Evangelho de João, como também acontece com os escritos de Justino Mártir, uma geração depois. É encontrado em todos os códices mais importantes das Escrituras Gregas Cristãs: Os códices Sinaítico, Vaticano, Alexandrino, Ephraemi, Bezae, Washington e Koridethi, e em todas as versões primitivas. Um fragmento deste Evangelho, contendo parte do capítulo 18 de João, acha-se contido no Papiro John Rylands 457 (P52), da primeira metade do segundo século. Também, partes dos capítulos 10 e 11 são encontradas no Papiro Chester Beatty (P45), e parte do primeiro capítulo no Papiro Bodmer (P66) do início do terceiro século.

      QUANDO E ONDE FOI ESCRITO

      Imagina-se, em geral, que João já tinha sido solto do exílio na ilha de Patmos, e se achava em Éfeso, ou perto dali, cerca de 100 km de Patmos, na ocasião em que escreveu seu Evangelho, por volta de 98 EC. O imperador romano Nerva, 96-98 EC, fez retornar a muitos que tinham sido exilados no fim do reinado de seu predecessor, Domiciano. João poderia estar entre esses. Na Revelação que João recebeu em Patmos, Éfeso era uma das congregações para as quais recebeu ordens de escrever.

      João atingira uma idade bem avançada, tendo provavelmente 90 ou 100 anos quando escreveu seu Evangelho. Sem dúvida estava a par dos outros três relatos da vida e do ministério terrestres de Jesus, também dos Atos dos Apóstolos e das cartas escritas por Paulo, Pedro, Tiago e Judas. Teve oportunidade de ver a doutrina cristã ser plenamente revelada e viu os efeitos da pregação dessa doutrina a todas as nações. Viu também o desenvolvimento do “homem que é contra a lei”. (2 Tes. 2:3) Tinha testemunhado o cumprimento de muitas das profecias de Jesus, notadamente a da destruição de Jerusalém e a do fim daquele sistema judaico de coisas.

      PROPÓSITO DO EVANGELHO DE JOÃO

      João, inspirado por espírito santo, foi seletivo quanto aos eventos que escolheu registrar, pois, como ele mesmo diz: “De certo, Jesus efetuou muitos outros sinais, também diante dos discípulos, os quais não estão escritos neste rolo”, e: “Há, de fato, também muitas outras coisas que Jesus fez, as quais, se alguma vez fossem escritas em todos os pormenores, suponho que o próprio mundo não poderia conter os rolos escritos.” — João 20:30; 21:25.

      Tendo presente estas coisas, João declara seu propósito em escrever as coisas que foi movido por inspiração a redigir, e em que repetiu muito pouco daquilo que já tinha sido escrito antes: “Mas, estes foram escritos para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e que, por crerdes, tenhais vida por meio do seu nome.” — João 20:31.

      João sublinhou que aquilo que escrevera era real, verdadeiro, e que havia realmente ocorrido. (João 1:14; 21:24) Seu Evangelho é valiosa adição ao cânon da Bíblia, como legítima evidência duma testemunha ocular por parte do último apóstolo vivo de Jesus Cristo.

      VALOR

      Em harmonia com a Revelação, em que Jesus Cristo declara que é “o princípio da criação de Deus” (Rev. 3:14), João indica que Este estava com Deus “no princípio”, e que “todas as coisas vieram à existência por intermédio dele”. (João 1:1-3) Em todo o Evangelho, ele sublinha a intimidade deste Filho unigênito de Deus com seu Pai, e cita muitas das declarações de Jesus que revelam tal intimidade. Por todo o livro, deixa-se-nos bem cônscios do relacionamento entre Pai e Filho, a sujeição do Filho e a adoração de Jeová como Deus, pelo seu Filho. (João 20:17) Tal proximidade habilitou o Filho a revelar o Pai como ninguém mais poderia fazê-lo, e como os servos de Deus dos tempos passados jamais imaginaram. E João sublinha o amor afetuoso do Pai pelo Filho, e por aqueles que se tornam filhos de Deus por exercerem fé no Filho.

      Jesus Cristo é apresentado como o canal de Deus para a bênção da humanidade e como a única via de aproximação a Deus. Revela-se Jesus como o único por meio de quem vêm a benignidade imerecida e a verdade (João 1:17), também como “o Cordeiro de Deus” (1:29), o “Filho unigênito de Deus” (3:18), o “noivo” (3:29), “o verdadeiro pão do céu” (6:32), “o pão de Deus” (6:33), “o pão da vida” (6:35), “o pão vivo” (6:51), “a luz do mundo” (8:12), o “Filho do homem” (9:35), “a porta” do aprisco (10:9), “o pastor excelente” (10:11), “a ressurreição e a vida” (11:25), “o caminho, e a verdade, e a vida” (14:6), e “a verdadeira videira”. — 15:1.

      A posição de Jesus Cristo como Rei é destacada (João 1:49; 12:13; 18:33), também sua autoridade como Juiz (5:27), e o poder de ressurreição que lhe foi concedido pelo Pai. (5:28, 29; 11:25) Ele revela o papel de Cristo em enviar o espírito santo como “ajudador”, para atuar como recordador ou lembrador, como testemunha em favor de Jesus, e como instrutor. (14:26; 15:26; 16:14, 15) Mas João não permite que o leitor perca de vista que se trata realmente do espírito de Deus, que emana de Deus e é enviado por Sua autoridade. Jesus deixou claro que o espírito santo não poderia vir em tal qualidade a menos que Jesus fosse para o Pai, que é maior do que ele. (16:7; 14:28) Daí, seus discípulos fariam obras ainda maiores, pois Cristo estaria de novo com o seu Pai, e responderia aos pedidos feitos em seu próprio nome, tudo com a finalidade de glorificar o Pai. — 14: 12-14.

      João também revela Jesus Cristo como o resgate sacrificial pela humanidade. (João 3:16; 15:13) Seu título — “Filho do homem” — nos faz lembrar que está mui intimamente ligado ao homem por se tornar carne, sendo parente próximo do homem, e, por tal motivo, conforme prefigurado na Lei, é o resgatador e o vingador de sangue. (Lev. 25:25; Núm. 35:19) Cristo disse a seus discípulos que o regente deste mundo não tinha nenhum poder sobre ele, mas que havia conquistado o mundo e, como resultado disso, o mundo fora julgado, e seu regente seria lançado fora. (João 12:31; 14:30) Encoraja-se os seguidores de Jesus a conquistar o mundo por se manterem leais e íntegros a Deus, como Jesus o fez. (João 16:33) Isto se harmoniza com a Revelação (Apocalipse) que João recebeu, em que Cristo repete a necessidade de ser conquistador, ou vencedor, e promete ricas recompensas celestes junto com ele aos que estiverem em união com ele. — Rev. 2:7, 11, 17, 26; 3:5, 12, 21.

      O TRECHO ESPÚRIO DE JOÃO 7:53 a 8:11

      Estes doze versículos foram obviamente acrescentados ao texto original do Evangelho de João. Não se encontram no Ms. Sinaítico, nem no Ms. Vaticano N.° 1209, embora apareçam no Códice Bezae do século VI, e em manuscritos gregos posteriores. São omitidos, contudo, pela maioria das versões antigas. É evidente que não constituem parte do Evangelho de João. Certo grupo de manuscritos gregos situa tal trecho no fim do Evangelho de João; outro grupo o coloca depois de

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