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Família altamente favorecida — por quê?A Sentinela — 1975 | 1.° de outubro
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Levítico 12:8 mostra que José era materialmente pobre. Contudo, levava anualmente sua família inteira a Jerusalém, para a celebração da páscoa. (Luc. 2:41) Sem dúvida, seu apreço das coisas sagradas contribuiu para um ambiente bem apropriado para Jesus ‘continuar a crescer e a ficar forte, estando cheio de sabedoria’. (Luc. 2:40) José evidentemente ensinou também a Jesus a carpintaria. — Mat. 13:55; Mar. 6:3.
A Bíblia não menciona nada sobre o que José pensava da pregação de Jesus. Talvez já estivesse morto na ocasião em que seu filho adotivo foi imerso por João Batista. José, sem dúvida, não viveu para ver Jesus pendurado numa estaca. Se tivesse vivido, não é provável que Jesus, pendurado na estaca, confiasse Maria aos cuidados do apóstolo João. — João 19:26, 27.
MEIOS-IRMÃOS E MEIAS-IRMÃS
Jesus foi o filho “primogênito” de Maria, mas não foi o filho único na família de José e Maria. (Luc. 2:7) As Escrituras citam os que conheciam Jesus como dizendo: “Onde obteve este homem tal sabedoria e tais obras poderosas? Não é este o filho do carpinteiro? Não se chama a sua mãe Maria e seus irmãos Tiago, e José, e Simão, e Judas? E suas irmãs, não estão todas elas aqui conosco? Onde obteve, então, este homem todas essas coisas?” — Mat. 13:54-56.
Ter sido Jesus filho numa grande família explica um acontecimento quando ele tinha cerca de doze anos de idade. A família estava retornando a Nazaré, depois da celebração da Páscoa em Jerusalém. Embora Jesus estivesse faltando, José e Maria só descobriram isso depois de um dia de viagem. Haviam presumido que estivesse na companhia de parentes ou conhecidos. Se tivessem tido apenas um filho para cuidar, seria difícil de imaginar como tal coisa podia ter acontecido. — Luc. 2:42-45.
Durante os primeiros três anos do ministério terrestre de Jesus, seus meios-irmãos não exerceram fé nele. (João 7:5) Mas, por volta do tempo de Pentecostes do ano 33 E. C., isto havia mudado. Depois de sua ressurreição, Jesus “apareceu a Tiago”, evidentemente seu meio-irmão. Sem dúvida, isto contribuiu para aumentar a convicção não só de Tiago, mas também dos outros meios-irmãos de Jesus, de que Jesus era o Messias. Depois disso, os meios-irmãos de Jesus reuniram-se com os onze apóstolos fiéis e outros num sobrado em Jerusalém e estavam evidentemente entre os que receberam o espírito santo. — 1 Cor. 15:7; Atos 1:14-26; 2:1-4.
Evidentemente, foi o meio-irmão de Jesus, Tiago, quem serviu como ancião na congregação de Jerusalém e pelo visto foi ele quem escreveu a inspirada “Carta de Tiago”. (Atos 12:17; Tia. 1:1) O Judas que escreveu a carta que se tornou parte do cânon bíblico era provavelmente o irmão de Tiago. Nenhum destes escritores se aproveitou da sua relação carnal com Jesus, mas reconheceu humildemente ser “escravo de Jesus Cristo”. — Tia. 1:1; Judas 1.
OUTROS PARENTES
Maria, mãe terrestre de Jesus, estava aparentada com Elisabete da tribo de Levi e da linhagem sacerdotal de Arão. Esta Elisabete e seu marido, o sacerdote Zacarias, eram os pais tementes a Deus de João Batista, precursor de Jesus Cristo. (Luc. 1:36-40) Segundo a tradição, a mãe de Maria e a mãe de Elisabete eram irmãs carnais da tribo de Levi. Isto significa que Maria e Elisabete eram primas co-irmãs, e João Batista e Jesus eram primos de segundo grau. A Bíblia, porém, não revela exatamente qual o parentesco entre Maria e Elisabete.
Salomé, esposa de Zebedeu e mãe de dois dos apóstolos de Jesus, Tiago e João, talvez fosse irmã de Maria. Há algum apoio bíblico (embora não conclusivo) para este conceito tradicional. João 19:25 reza: “Junto à estaca de tortura de Jesus . . . estavam paradas a sua mãe e a irmã de sua mãe; Maria, esposa de Clopas [Alfeu], e Maria Madalena.” Em Mateus 27:56 e Marcos 15:40 menciona-se Salomé, mãe dos filhos de Zebedeu, relacionada com o mesmo incidente. Portanto, caso a referência seja às mesmas mulheres que em João 19:25, então Salomé era irmã de Maria. Isto significaria que Tiago e João, fiéis apóstolos de Jesus, eram seus primos.
A tradição afirma que Jesus estava aparentado com mais outra família. O marido da “outra Maria”, Clopas ou Alfeu, mencionado em João 19:25, supostamente era irmão de José. Isto faria com que outro apóstolo, Tiago, filho de Alfeu, fosse primo de Jesus. — Mat. 10:3; 27:56, 61; Atos 1:13.
Quer a tradição esteja certa, quer não, entre os que as Escrituras definitivamente identificam como parentes de Jesus havia homens e mulheres de notável fé e devoção. Seu principal objetivo não era glorificarem a si mesmos, mas sim honrarem a Deus. Sua atitude era similar à de Maria, quando ela disse a Elisabete: “Minha alma magnifica a Jeová e meu espírito não pode deixar de estar cheio de alegria por Deus, meu Salvador; pois ele tem olhado para a situação humilde de sua escrava. Porque, eis que doravante todas as gerações me proclamarão feliz; visto que o Poderoso tem feito grandes ações para comigo, e santo é o seu nome; e sua misericórdia é de geração em geração sobre os que o temem. Ele tem agido valorosamente com o seu braço, tem espalhado os que são soberbos na intenção dos seus corações. Tem derrubado de tronos homens de poder e tem enaltecido humildes; tem plenamente saciado os famintos com coisas boas e tem mandado embora, de mãos vazias, os que tinham riqueza. Ele tem vindo em socorro de Israel, seu servo, para fazer lembrar a misericórdia, assim como disse aos nossos antepassados, a Abraão e a seu descendente, para sempre.” — Luc. 1:46-55.
Deveras, a escolha que Deus fez da família na qual seu Filho nasceu revela que o apreço de coração de coisas sagradas é de real valor aos seus olhos. Está desenvolvendo tal apreço de coração?
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Perguntas dos LeitoresA Sentinela — 1975 | 1.° de outubro
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Perguntas dos Leitores
● Se um cristão é preso, por adotar um proceder em harmonia com as Escrituras e depois é sentenciado por autoridades mundanas a pagar uma multa, constitui o pagamento desta um ato de transigência? Se ele recebe a opção entre o pagamento da multa e cumprir a sentença na cadeia, altera isso a questão?
Jesus Cristo predisse que seus seguidores seriam ‘entregues a tribunais locais’ e ‘postos diante de governadores e reis por causa dele, em testemunho para eles’. (Mar. 13:9) Tal ação oficial contra os cristãos talvez se deva à pregação deles das boas novas do Reino ou por outra ação que envolva a consciência cristã deles. (Veja Atos 4:1-3, 18-21; 5:27-40; 1 Ped. 4:15, 16.) O tribunal talvez decida contra eles e a sentença talvez exija o pagamento duma multa. Talvez seja a única penalidade, ou talvez seja uma alternativa para a cadeia, ou então pode ser parte duma penalidade conjunta, envolvendo tanto ir para a cadeia como pagar uma multa.
No passado, as testemunhas de Jeová, em geral, têm adotado uma atitude adversa quanto a pagar multas, quando estava envolvida sua atividade de pregação. Achava-se que pagar a multa poderia ser encarado como admissão de se ter cometido realmente algo de errado. Achava-se também que a recusa do pagamento e sofrer em vez disso encarceramento talvez contribuísse melhor para “defender e estabelecer legalmente as boas novas”. (Fil. 1:7) Em muitos casos, isto conseguiu muita coisa boa, impressionando as autoridades com a firmeza de nossa determinação de servir a Deus, e evidentemente teve a bênção de Jeová. E em alguns casos hoje em dia, por causa das circunstâncias prevalecentes, talvez seja encarado como proceder sábio a seguir. A questão que principalmente nos interessa
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