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Loterias e apostas — são inofensivas?Despertai! — 1983 | 8 de janeiro
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Loterias e apostas — são inofensivas?
A BROCHURA anunciava: “Aventura de Um Milhão de Dólares.” Sobre um fundo brilhante de naves espaciais e de planetas, ela instava: “Deixe a ‘Força’ estar com você enquanto desfruta da maior aventura no planeta terra!” Parece excitante? Esta era uma promoção lotérica multimilionária para ajudar escolas paroquiais católicas.
Os prêmios eram tentadores: milhões de dólares em espécie, vários carros, um condomínio na Flórida, um avião e férias na Europa. E os perdedores? Pelo menos teriam o conforto de saber que seu dinheiro promovia a causa da educação. Que dano poderia haver em tal arranjo?
Bem, pelo menos um problema surgiu. Um adolescente veio da escola e contou à sua mãe que se esperava que ele vendesse bilhetes no valor de US$ 280 (c. Cr$ 65.000,00). Um jornal relatou que sua mãe, Valerie, não o deixaria. Por quê? Porque Valerie devotava grande parte de seu tempo livre a ajudar pessoas que sentem compulsão de jogar, que são tão viciadas ao jogo quanto os alcoólatras podem ser ao álcool. Ela sabia dos engodos do jogo, especialmente para um adolescente, e não queria ver seu filho envolvido nisso.
Que teria feito o leitor na situação dela? Demonstrava ela mentalidade tacanha? É o jogo uma forma legítima de entretenimento, um jeito de levantar fundos? Ou existem perigos?
Autoridades São Cautelosas
A jogatina existe há muito tempo — pelo menos desde o tempo dos antigos egípcios. Curiosamente, contudo, em geral as autoridades encaram-na com cautela. Na Idade Média, as igrejas se opunham à jogatina porque ela era associada com a bebedice e a linguagem indecente. O estado se opunha a ela porque julgava que conduzia à preguiça, ao esbanjamento, à desonestidade e ao crime.
Estavam certos? É digno de nota que a jogatina ainda é associada com práticas ruins. Por exemplo, a revista U.S. News & World Report relata-nos que Las Vegas, Nevada, a ‘capital do jogo’ nos Estados Unidos, teve o maior índice de crime per capita da nação em 1979. A revista acrescenta: “Há 10.000 prostitutas ativas na cidade — número equivalente . . . a 1 dentre cada 9 mulheres na faixa etária de 15 a 39 anos. O estado possui a maior taxa de alcoolismo do país e um índice de suicídio mais que o dobro da média nacional.”
O gerente dum cassino, ao comentar sobre a relação entre a prostituição e a jogatina, explicou: “Tudo anda junto, como a água tônica e o gim, como o molho no espaguete.” Assim, talvez aquelas primitivas autoridades estivessem certas ao hesitarem quanto à jogatina.
É também notável que na maioria dos países europeus que têm cassinos a população local é proibida de jogar ali. Por quê? Ao fornecer uma das razões, a Encyclopædia Britannica diz que as autoridades acham que um cassino acessível por perto seria uma tentação muito grande para muitos cidadãos.
São tais temores bem fundados? É evidente que sim. Um surpreendente número de pessoas mostra falta de autodomínio em jogar. Autoridades policiais britânicas, ao falar do aumento no número de salões de jogos em seu país, disseram: “Não há dúvida de que muita privação familiar resulta da freqüência costumeira a esses lugares, mui amiúde por pessoas com parcos recursos.”
A emoção do jogo pode levar a um vício real. Há uma organização chamada Jogadores Anônimos que fornece a mesma espécie de ajuda aos jogadores viciados que os Alcoólatras Anônimos dão aos alcoólatras. E eles precisam de ajuda. Certa mulher, que no passado fora viciada ao álcool e ao cigarro, bem como ao jogo, relatou que foi muito mais fácil vencer o alcoolismo e o vício do fumo do que controlar seu impulso de jogar.
Que Dizer dos Jogos “Menores”?
Alguém talvez diga: ‘Mas eu não sou um grande jogador. Apenas compro um bilhete de loteria de vez em quando, ou talvez aposte pequena quantia na loteria esportiva. Não tenho problema algum.’ No entanto, com freqüência, os problemas surgem precisamente de tais começos.
Um senhor de setenta e sete anos compareceu a um tribunal canadense acusado de ter falsificado bilhetes de loteria. Apurou-se que ele havia gasto as economias de sua vida inteira — US$ 22.000 (c. Cr$ 5 milhões) — em bilhetes de loteria. Por que fizera isso? Disse ele: “Quando você começa a comprar bilhetes, você supõe que irá vencer. Aqueles atraentes anúncios o impelem.”
Naturalmente, nem todos que adquirem bilhetes de loteria ou fazem apostas tornam-se viciados. Mas todos estão reagindo a “aqueles atraentes anúncios”, tais como o da loteria da igreja já mencionado. Que revela isso?
Jerry Cooper, psicólogo canadense, diz: “O que as loterias estão dizendo é: ‘Torne-se milionário . . . é a única saída.’ Estão apregoando contra a ética do trabalho.” O psicólogo australiano Charles Kenna concorda. Disse ele: “Sempre encaro o jogo como uma negação da realidade através da qual as pessoas fogem para a racionalização do desejo. Pensam que ganharão dinheiro muito mais rapidamente mediante o jogo do que pelo trabalho.”
Sim, estes dois psicólogos — e muitos outros que concordam com eles — acham que o jogo revela uma racionalização do desejo, um amor ao dinheiro e uma atitude preguiçosa.
Como o Encara?
Portanto, demonstrava Valerie mentalidade tacanha por não deixar seu filho vender bilhetes de loteria? Indubitavelmente, muitos pais, se estivessem a par dos fatos, teriam tomado a mesma decisão. Loterias, rifas, loterias combinadas com corridas de cavalos, e quaisquer outras apostas menores, levam a pessoa às raias de um mundo perigoso, o mundo do jogo. A jogatina não beneficia em nada a pessoa. Mas pode causar-lhe dano. Amiúde resulta numa excitação mórbida que conduz à permissividade e ao vício. Ela é, pelo menos às vezes, relacionada com a imoralidade e com o crime. E sempre apela para as fraquezas humanas básicas.
Mas talvez pergunte: ‘Que dizer se o jogo for para uma causa boa?’ Por exemplo, suponha que uma escola necessite de algumas instalações novas e organize uma rifa para levantar o dinheiro para isso. Os que objetam ao jogo por vezes fizeram uma contribuição direta em tais casos, em vez de comprarem rifa ou bilhetes de loteria. Dessa forma, sua objeção à jogatina não os impede de prestar auxílio, se assim desejarem.
Os verdadeiros cristãos, especialmente, são cautelosos quanto ao jogo. Sabem que a ganância, a preguiça, a falta de autodomínio, a imoralidade e o crime desagradam a Deus e lhes são prejudiciais. (1 Timóteo 6:9, 10; Provérbios 6:6-11; 2 Timóteo 3:2, 3, 5; Efésios 5:3) Reconhecem que neste mundo já existem tentações demais para se fazer o que é errado. Não lhes é sábio contribuir voluntariamente para isso por se exporem a uma prática prejudicial tal como a jogatina.
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Proteger a saúdeDespertai! — 1983 | 8 de janeiro
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Proteger a saúde
As pessoas precisam assumir mais a responsabilidade de proteger a sua própria saúde, segundo o livro intitulado The Patient’s Advocate (O Advogado do Paciente). Sua autora, Barbara Huttmann, escreve à base de sua experiência de trinta e cinco anos qual paciente e enfermeira. Ela crê firmemente que todos que dão entrada num hospital devem ter um “advogado”, um cônjuge, um amigo íntimo, alguém que fará perguntas inteligentes e protegerá os direitos do paciente quando a pessoa estiver doente demais para fazê-lo.
Ela explica que as enfermeiras nem sempre podem resguardar os pacientes dos erros de tratamento, uma vez que as estatísticas mostram que cinqüenta e sete funcionários do hospital entram no quarto do paciente todos os dias. Em conseqüência, “a lei das probabilidades assegura que o paciente estará sujeito a erro humano”. Que espécie de erros? Erros na medicação, no diagnóstico, no tratamento do paciente errado porque o resultado de um exame de laboratório foi colocado na papeleta da pessoa errada, etc.
“Tivemos uma paciente de cinqüenta e cinco anos a quem um médico disse que ela tinha sífilis”, relata a enfermeira. “A paciente ficou histérica. Estava casada há trinta e cinco anos com o mesmo homem. Ela não saía com outros, e, tanto quanto sabia, era a única mulher na vida dele. O que aconteceu foi que o laboratório havia fixado os resultados do exame de outra pessoa na papeleta dela. Entrementes, ela estava a meio caminho andado para obter o divórcio de seu marido.”
Que recomenda a enfermeira para os pacientes de hospital? Ela enfatiza que se algo não parecer lógico ao paciente ou ao advogado do paciente, deveria ser questionado sem demora. “Mas”, acrescenta, “raramente o fazemos — de algum modo, achamos que não se nos permite fazer perguntas”.
Em defesa dos médicos, ela escreve que a maioria das pessoas não está disposta a assumir a responsabilidade por sua própria saúde. Com freqüência comem demais, fumam e bebem em grande quantidade e então esperam que um médico faça um milagre em seus corpos doentios. “Assim, o médico é colocado na posição de ter poderes como Deus, segundo nossas expectativas, e amiúde, se ele se dispõe a replicar, não queremos escutar”, explica ela. “Simplesmente queremos ir a ele, como crianças, e dizer: ‘Dê um jeito.’” A conclusão a que chegou é que a maioria dos pacientes precisa aceitar mais a responsabilidade de proteger a sua própria saúde.
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