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Xadrez — que tipo de jogo é?Despertai! — 1973 | 22 de setembro
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jogo, que são óbvias. As forças oponentes são chamadas de “inimigo”. São “atacadas” e “capturadas”; o propósito sendo fazer o rei oponente “render-se”. Assim, Horowitz e Rothenberg afirmam em seu livro The Complete Book of Chess (O Livro Completo de Xadrez) sob o subtítulo “O Xadrez É Guerra”: “As funções designadas às [peças de xadrez], os termos usados para descrever tais funções, o objetivo último, a justificada brutalidade em se atingir o objetivo — tudo equivale à guerra, e nada menos.”
Aceita-se em geral que o xadrez pode ser remontado a um jogo realizado na Índia por volta de 600 E. C., chamado chaturança, ou jogo do exército. Os quatro elementos do exército indiano — carruagens, elefantes, cavalaria e infantaria — foram representados pelas peças que se desenvolveram através dos séculos em torres, bispos, cavalos e peões. Assim, o Times de Nova Iorque, de 31 de agosto de 1972, observou:
“O xadrez tem sido um jogo de guerra desde que se originou, há 1.400 anos atrás. O tabuleiro de xadrez tem sido uma arena de batalhas entre as cortes reais, entre exércitos, entre todas as sortes de ideologias conflitantes. A oposição mais familiar tem sido a criada na Idade Média, lançando-se um conjunto de rei, rainha, cavalos, bispos, torres e peões contra outro.
“Outros conflitos representados têm sido entre os cristãos e os bárbaros os estadunidenses contra os ingleses, os vaqueiros contra os Índios e os capitalistas contra os comunistas. . . . Relata-se que certo estilista estadunidense cria agora um conjunto que ilustra a guerra do Vietnam.”
Provável é que a maioria dos jogadores de xadrez moderno não se consideram como manobrando um exército em batalha. Todavia, não são óbvias as relações desse jogo com a guerra? A palavra para peão se deriva de uma palavra medieval latina que significa “soldado de infantaria”. Um cavaleiro era um soldado montado no período feudal europeu. Os bispos tomaram parte ativa em apoiar os esforços militares de seu lado. E as torres, ou castelos, lugares de proteção, eram importantes na guerra medieval.
Assim, Reuben Fine, jogador de xadrez de estatura internacional, escreveu em seu livro The Psycholopy of the Chess Player (A Psicologia do Enxadrista): “Mui obviamente, o xadrez é um substituto para a arte da guerra.” E a revista Time noticiou: “O xadrez se originou como jogo de guerra. É um adulto e intelectualizado equivalente às manobras realizadas pelos garotinhos com soldadinhos de brinquedo.”
Ao passo que alguns enxadristas talvez objetem a se fazer tal comparação, outros prontamente admitirão a similaridade. Com efeito, em certo artigo a respeito de perito enxadrista, observou o Times de Nova Iorque: “Quando o Sr. Lyman olha para um tabuleiro de xadrez, seus esboços quadriculados se dissolvem às vezes nas colinas e nos vales, e nas trilhas secretas de uma perseguição na floresta, ou no solo cheio de marcas duradouras de um campo de batalha inglês.”
Quando se consideram os movimentos complexos, à medida que exércitos oponentes no tabuleiro de xadrez confrontam-se em busca de posições, a pessoa se queda pensativa quanto a se o xadrez tem sido um fator no desenvolvimento da estratégia militar. Segundo V. R. Ramachandra Dikshitar, tem sido. Em seu livro War in Ancient India (A Guerra na Índia Antiga), ele examinou este assunto em profundidade, e concluiu: “Os princípios do xadrez forneceram idéias para o desenvolvimento progressivo dos métodos e constituintes do exército.”
A Necessidade de Cautela
Alguns enxadristas reconhecem o perigo que pode resultar de jogar xadrez. Segundo The Encyclopædia Britannica, o reformador religioso “John Huss . . . quando na prisão, deplorou ter jogado xadrez, por ter perdido tempo e ter corrido o risco de ficar sujeito a paixões violentas.”
O extremo fascínio do xadrez pode resultar em consumir grande quantidade de tempo e atenção, com a exclusão de assuntos mais importantes, evidentemente uma razão de Huss ter lamentado ter jogado xadrez. Também, ao se jogar xadrez, corre-se o perigo de ‘atiçar competição entre uns e outros’, até mesmo de se desenvolver a hostilidade de uns para com outros, algo que a Bíblia avisa os cristãos para evitar.
Daí, então, os adultos talvez não considerem que seja correto que as crianças brinquem com brinquedos de guerra, ou com jogos de natureza militar. Será coerente, então, que tais adultos participem num jogo que se notabiliza, na opinião de alguns, como ‘equivalente intelectualizado às manobras realizadas pelos garotinhos com soldadinhos de brinquedo’? Que efeito tem realmente sobre a pessoa o jogo de xadrez? Terá um efeito saudável?
Por certo, o xadrez é um jogo fascinante. Mas, há perguntas a respeito dele que cada um que joga xadrez fará bem em considerar.
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Manterá a Turquia a liberdade de adoração?Despertai! — 1973 | 22 de setembro
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Manterá a Turquia a liberdade de adoração?
EM 24 DE JANEIRO DE 1973, o tribunal militar de Eskisehir, Turquia, anunciou uma decisão que tornava um crime ser uma das testemunhas cristãs de Jeová. Quatro Testemunhas foram sentenciadas a pagar pesadas multas de TL 5.000,00 (Cr$ 2.320,00) cada uma. Por quê?
O tribunal argüiu que as quatro Testemunhas tinham violado o Artigo 143 do Código Criminal. Este artigo proíbe aos cidadãos turcos de se juntarem a qualquer firma ou sociedade internacional sem a permissão do governo. Assim, o tribunal, por aplicar tal artigo às testemunhas de Jeová, negou serem um grupo religioso. Ao fornecer as razões para impor a mais severa pena permitida por lei, o tribunal declarou que as testemunhas de Jeová são uma sociedade perigosíssima porque não saúdam a bandeira nem a outros emblemas nacionais, e desejam isenção do serviço militar como objetores de consciência. O tribunal argüiu que as testemunhas de Jeová, destarte, enfraquecem o espírito nacional da Turquia.
À decisão do tribunal se está interpondo um recurso. Isto origina a pergunta: Há base para inverter tal decisão, a favor da liberdade de adoração?
Sim, o Artigo 19 da Constituição da República Turca garante a liberdade de pensamento, de consciência e de exercício da religião. Mas, tais direitos jamais foram amplamente concedidos às testemunhas de Jeová, embora se tivessem interposto vários recursos. Não se lhes permite reunir livremente para estudar a Bíblia, mas elas têm de viver sob constantes ameaças de medidas policiais arbitrárias. Considere o que têm passado:
Em 29 de outubro de 1968, o jornal “Cumhuriyet” noticiou que, em 18 de outubro, em Ancara, quinze Testemunhas, reunidas pacificamente para estudar a Bíblia, foram presas e acusadas de atividades subversivas e de tentarem derrubar o governo. O processo ainda se acha no Tribunal de Recursos.
Em 20 de maio de 1971, dezoito Testemunhas, quando estudavam a Bíblia, foram presas em Istambul e detidas por dois dias. Até agora, não se lhes moveu nenhum processo.
O jornal “Milliyet” de 4 de maio de 1972, noticiou um julgamento de dez testemunhas de Jeová perante o tribunal militar de Ancara. Tais Testemunhas foram detidas em 9 de junho de 1971 quando se reuniam numa casa para considerar a Bíblia. Depois disso, foram detidas por sete dias numa prisão militar. O julgamento ainda continua, perante um tribunal militar, sob a acusação de violarem o Artigo 143.
Segundo o jornal “Tercüman”, de 24 de fevereiro de 1972, quinze Testemunhas em Ancara foram presas em 23 de fevereiro de 1972. Seis delas três homens e três mulheres, inclusive a mãe de um bebê de seis meses que ficou em casa, foram detidas por nove semanas, acusadas de subversão. Não se anunciou ainda nenhuma decisão.
Em todos os casos acima-mencionados, foram confiscadas Bíblias e publicações bíblicas.
Pode tal tratamento das testemunhas cristãs de Jeová ser justificado? Os fatos falam por si. As testemunhas de Jeová são cidadãos acatadores da lei. Seguem a ordem bíblica: “Toda alma esteja sujeita às autoridades superiores, pois não há. autoridade, exceto por Deus.” (Rom. 13:1) Apenas quando as testemunhas de Jeová se vêem confrontadas por uma lei que colide com a lei de Deus e que se recusam a curvar-se à vontade da autoridade secular que rege. (Atos 5:29) Mas, na Turquia, como em toda outra parte, não tentam de forma alguma impedir as pessoas de alistar-se nas forças armadas, nem incentivam o desrespeito pela bandeira de qualquer nação.
Ao passo que não se envolvem nos assuntos políticos, as testemunhas de Jeová não tramam contra os governos do mundo. Atentam para a admoestação inspirada: “Não te metas com os que
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