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  • Um campo que produz trigo e joio
    A Sentinela — 1982 | 15 de maio
    • Um campo que produz trigo e joio

      “Explica-nos a ilustração do joio no campo.” — Mateus 13:36.

      1, 2. (a) Com respeito à semeadura, com que princípios se pode contar? (b) Que ilustração baseia-se nesses dois princípios?

      “SEMENTEIRA e colheita” constituem um dos ciclos de que Jeová Deus disse no seu coração que nunca cessariam “por todos os dias que a terra continuar”. (Gênesis 8:21, 22) Um princípio básico, relacionado, foi expresso pelo apóstolo Paulo, quando escreveu: “O que o homem semear, isso também ceifará.” — Gálatas 6:7.

      2 À base desses fatos fundamentais, um fazendeiro que trabalhara arduamente na época da sementeira, lançando boa semente de trigo, confiava que, no tempo devido, haveria a colheita. Uma coisa seguir-se-ia logicamente à outra. Assim, algum tempo mais tarde, quando os seus lavradores o informaram de que seu campo não produzia apenas trigo, mas também certa erva daninha, ele tinha certeza de que houve alguma perfídia. Sabia o que havia semeado: trigo, não joio. Esta nova situação exigia uma decisão. Seus empregados sugeriram uma ação imediata. Queriam desarraigar logo o joio, mas o fazendeiro sábio acalmou a impaciência deles. Mandou que esperassem, para não prejudicarem o trigo enquanto desarraigassem o joio. Que ambos crescessem juntos. A ceifa seria a época apropriada para separar o trigo genuíno da erva que não o era.

      3. Que acontecimentos importantes, relacionados com o Reino, foram ilustrados por Jesus, e a obra de separação seria um aspecto de quê?

      3 Esta ilustração foi usada por Jesus Cristo para descrever certos acontecimentos que ocorreriam na obra que ele havia iniciado na terra. Esta semeadura devia produzir a devida safra de verdadeiros cristãos, a serem associados com ele no governo celestial, conhecido como “o reino dos céus”. Ele predisse assim que a sua boa semeadura seria prejudicada pelo inimigo, Satanás, o Diabo. O campo não produziria apenas a safra desejada de verdadeiros cristãos, semelhantes ao trigo, mas também uma safra de falsos cristãos, semelhantes ao joio. Deixar-se-ia que ambos crescessem juntos até à colheita, tempo em que se faria a obra de separação. Além disso, esta obra de separação seria mais um aspecto dos “últimos dias”, da “terminação dum sistema de coisas”. — Mateus 13:24-30, 36-43; veja Mateus 24:3; 2 Timóteo 3:1.

      4. Por que nos deve interessar esta ilustração?

      4 Está interessado em ver o fim do atual sistema iníquo? Será você mesmo afetado pelo resultado dessa obra de colheita? E, incidentalmente, fornece a ilustração de Jesus a chave para o entendimento da história do cristianismo no decorrer dos séculos? Vejamos.

      A Parábola do Trigo e do Joio

      5, 6. (a) Por que não se pode referir ao governo celestial de Cristo a expressão “o reino dos céus” nesta parábola? (b) Então, a que se referem e o que ilustram as ilustrações do reino?

      5 À beira do Mar da Galiléia, não muito longe da casa em que se hospedava, Jesus apresentou esta parábola aos seus discípulos e a uma grande multidão de curiosos, dizendo: “O reino dos céus tem-se tornado semelhante a um homem que semeou excelente semente no seu campo. Enquanto os homens dormiam, veio seu inimigo e semeou por cima joio entre o trigo, e foi embora. Quando a planta cresceu e produziu fruto, apareceu também o joio.” — Mateus 13:24-26.

      6 Um rápido exame das outras ilustrações sobre o reino, em Mateus, capítulo 13, ajuda-nos a perceber que a expressão “o reino dos céus”, conforme usada nessas ilustrações, não se pode referir ao completo governo ou reino messiânico nos céus. Pode-se imaginar “joio”, “maldade” semelhante ao fermento (Mat. 13 versículo 33; 1 Coríntios 5:8) ou pessoas semelhantes a “peixes” ruins, impróprios (Mat. 13 versículos 47-50), associados com Cristo no seu reino celestial? Dificilmente! Portanto, essas ilustrações devem referir-se a acontecimentos bons e maus com respeito à escolha dos associados futuros de Cristo no “reino dos céus”. Em especial, a parábola do trigo e do joio ilustra uma condição existente entre os que na terra afirmam ser chamados para reinarem com Cristo no seu reino. Esta situação seria permitida por algum tempo, antes de se acabar com ela no tempo da “colheita” simbólica.

      7, 8. (a) Quem é o “Filho do homem”? (b) Que outra profecia menciona o “filho de homem” e os simbolizados pela “semente excelente”?

      7 O próprio Jesus explicou mais tarde o significado simbólico do “dono de casa” ou do “homem que semeou”, de “seu campo”, da “semente excelente”, de “seu inimigo” e do “joio”. A narrativa reza: “Despedindo então as multidões, entrou na casa. E vieram a ele os seus discípulos e disseram: ‘Explica-nos a ilustração do joio no campo.’ Em resposta, ele disse: ‘O semeador da semente excelente é o Filho do homem; o campo é o mundo; quanto à semente excelente, estes são os filhos do reino; mas o joio são os filhos do iníquo, e o inimigo que o semeou é o Diabo.’” — Mateus 13:36-39.

      8 Jesus identificou-se como o “Filho do homem”. (Mateus 8:20; 25:31; 26:64) É interessante notar que foi em conexão com o Reino que Jesus foi profeticamente chamado de “filho de homem” numa visão recebida por Daniel. Esta profecia diz: “E [ao “filho de homem”] foi-lhe dado domínio, e dignidade, e um reino, para que todos os povos, grupos nacionais e línguas o servissem. Seu domínio é um domínio de duração indefinida, que não passará, e seu reino é um que não será arruinado.” Mostrando que o Filho do homem teria outros associados governando com ele, a visão profética diz também: “E o reino, e o domínio, e a grandiosidade dos reinos debaixo de todos os céus foram entregues ao povo que são os santos do Supremo. Seu reino é um reino de duração indefinida e a eles é que servirão e obedecerão todos os domínios.” — Daniel 7:13, 14, 27.

      A Semeadura de “Semente Excelente”

      9. O que é o “campo”, e por que Jesus semeou nele a “semente excelente”?

      9 É com o objetivo de recolher do mundo o número requerido de tais “santos” ou “filhos do reino” que Jesus, o “dono de casa” da parábola, semeia “excelente semente no seu campo”. Este “campo” é explicado como sendo “o mundo [em grego: kósmos]”, o mundo da humanidade. A partir do tempo do ministério terrestre de Jesus, a humanidade tornou-se um ‘campo em lavoura’, um campo religioso de oportunidade para a semeadura e o cultivo da “semente excelente” ou dos “filhos do reino”. (1 Coríntios 3:9) Jesus preparou zelosamente a parte judaica do “campo” durante os três anos e meio do seu ministério terrestre. (Mateus 9:35-38) Daí, a partir de Pentecostes de 33 E.C., ele plantou “semente excelente”, primeiro entre os judeus, e finalmente no mundo ou “campo” inteiro. — Atos 1:8.

      10. Que progresso fez a semeadura entre os judeus e os prosélitos?

      10 Explicando a “semente excelente”, Jesus disse: “Estes são os filhos do reino.” Os primeiros destes gerados pelo espírito e ungidos “filhos do reino” foram os apóstolos fiéis de Jesus e os mais de cem outros discípulos, tanto homens como mulheres, que receberam o dom do espírito santo, em Pentecostes de 33 E.C., em Jerusalém. (Atos 1:13-15; 2:1-4) Naquele mesmo dia, cerca de 3.000 outros, tanto judeus como prosélitos, foram acrescentados à recém-fundada congregação cristã. (Atos 2:5-11, 41) Jeová abençoava essa semeadura e “continuava a ajuntar-lhes diariamente os que estavam sendo salvos”, de modo que em pouco tempo “o número dos homens [possivelmente não se contando as mulheres] chegou a cerca de cinco mil”. Um pouco mais tarde, o relato acrescenta que “os crentes no Senhor continuavam a ser acrescidos, multidões deles, tanto de homens como de mulheres”. (Atos 2:47; 4:4; 5:14) A semeadura prosseguia rapidamente entre os judeus e os prosélitos.

      11. Como progrediu a semeadura entre os samaritanos e os não-judeus?

      11 Depois de providenciar que se lançassem sementes entre os samaritanos (Atos, cap. 8), o Semeador Jesus, por meio do espírito santo, estendeu a semeadura aos não-judeus ou gentios incircuncisos. (Atos, cap. 10; 13:1-5, 46, 47) Em poucas décadas, havia congregações estabelecidas desde o Norte da África até o Mar Negro, e desde Babilônia até a Itália, se não foi ainda mais para o oeste. (Atos 2:5-11; 1 Pedro 5:13; Romanos 15:24; Colossenses 1:5, 6, 23) Em resultado da zelosa semeadura, as ‘plantas cresceram e produziram fruto’. — Mateus 13:26.

      Joio Semeado por Cima do Trigo

      12, 13. Quem é o “inimigo”, e como semeou ele joio “enquanto os homens dormiam”?

      12 Mas, armava-se uma trapaça. A parábola de Jesus havia advertido: “Enquanto os homens dormiam, veio seu inimigo [o do Semeador] e semeou por cima joio entre o trigo, e foi embora. Quando a planta cresceu e produziu fruto, apareceu também o joio.” (Mateus 13:25, 26) Jesus identificou “seu inimigo” como “o Diabo”, que faria a sua sabotagem “enquanto os homens dormiam”. Na Bíblia, ‘dormir’ pode simbolizar morte ou sonolência espiritual. (Mateus 9:24; Romanos 13:11; 1 Tessalonicenses 5:6) Depois de Paulo falar sobre ‘terminar a sua carreira’, ele disse aos anciãos da congregação cristã de Éfeso: “Sei que depois de eu ter ido embora entrarão no meio de vós lobos opressivos e eles não tratarão o rebanho com ternura, e dentre vós mesmos surgirão homens e falarão coisas deturpadas, para atrair a si os discípulos. Portanto, mantende-vos despertos.” — Atos 20:24-31.

      13 OS fatos históricos mostram que foi “enquanto os homens dormiam” que Satanás “veio . . . e semeou por cima joio entre o trigo”. Depois de os apóstolos, que coletivamente ‘agiam como restrição’ à apostasia, começarem a adormecer na morte, muitos dos anciãos cristãos deixaram de ‘se manter despertos’. (2 Tessalonicenses 2:3, 6-8) Ficando espiritualmente sonolentos, não protegeram os “filhos do reino” contra os “lobos opressivos”, que começaram a entrar entre eles. Esses eram o “joio” semeado entre a “semente excelente”. Referindo-se ao iminente fim do período apostólico, João, o último dos apóstolos a morrer, escreveu: “É a última hora, e, assim como ouvistes que vem a anticristo, já está havendo agora muitos anticristos; sendo que deste fato obtemos o conhecimento de que é a última hora. Saíram do nosso meio, mas não eram dos nossos; pois, se tivessem sido dos nossos, teriam permanecido conosco. Mas, saíram para que se mostrasse que nem todos são dos nossos.” — 1 João 2:18, 19.

      14. Que informação se fornece sobre o tipo de erva daninha mencionada na parábola de Jesus?

      14 Jesus declarou: “O joio são os filhos do iníquo.” (Mateus 13:38) H. B. Tristram, no seu livro História Natural da Bíblia (em inglês), comenta o tipo de erva daninha mencionado nesta parábola Ele escreve: “A zizânia (zizania [em grego, plural]) é a mesma coisa que o zawân árabe, do qual se deriva o nome grego, o Lolium temulentum ou joio . . . é uma espécie de azevém, e é a única espécie de graminácea cujas sementes são venenosas. A derivação de zawan é de zãn, ‘vomitar’, sendo que comer joio provoca violentas náuseas, convulsões e diarréia, que freqüentemente acaba em morte. A planta, que tem uma folha mais larga do que a maioria das gramíneas silvestres, é inteiramente parecida ao trigo, até que aparece a espiga.”

      15. (a) É o “joio” um “trigo” degenerado? (b) Portanto, de que não tem culpa o “Filho do homem”?

      15 Deve-se notar que o “joio” não é uma forma degenerada de trigo, conforme alguns talmudistasa judaicos e outros antigamente acreditavam. As sementes de trigo nunca se transformam em joio. Isto seria contrário à lei imutável de Jeová: “Faça a terra brotar relva, vegetação que dê semente, árvores frutíferas que dêem fruto segundo as suas espécies.” (Gênesis 1:11, 12) Este fato científico exonera o “Filho do homem”, Cristo Jesus, o “semeador da semente excelente”, de qualquer responsabilidade do que aconteceu no “seu campo”. A “semente excelente” que ele lançou nunca se tornaria uma safra de joio. Ela só podia produzir “trigo”, ou os verdadeiros “filhos do reino”. O que mais tarde se desenvolveu no seu “campo” era o resultado direto de seu inimigo deliberada e maliciosamente semear por cima “joio”, ou “os filhos do iníquo”.

      16. De que interesse histórico é a parábola do “trigo” e do “joio”?

      16 Assim, a ilustração de Jesus a respeito do “trigo” e do “joio” contribui muito para explicar a história do cristianismo no decorrer dos séculos. Os fatos históricos mostram que após a morte dos apóstolos Satanás introduziu nas congregações dos verdadeiros cristãos muito “joio”, “lobos opressivos” e “anticristos”, assim como Jesus, Paulo, Pedro, João e Judas haviam predito. (Atos 20:29; 2 Pedro 2:1-3; 1 João 2:18; Judas 4) Aconteceu assim como Jesus dissera: “Quando a planta cresceu e produziu fruto, apareceu também o joio.” — Mateus 13:26.

      17. Quando se tornou o “joio” especialmente evidente?

      17 Este “joio” tornou-se especialmente evidente durante o segundo e o terceiro século, época em que os chamados padres da Igreja começaram a ensinar doutrinas antibíblicas, tais como a imortalidade inerente da alma, o fogo do inferno e a Trindade. Muitos desses homens eram mais filósofos do que verdadeiros superintendentes cristãos, fiéis aos ensinos da Bíblia. O clímax veio no começo do quarto século, quando o imperador pagão Constantino amalgamou esse cristianismo apóstata com a religião pagã de Roma. Esse cristianismo falsificado, na sua variedade católica romana, ortodoxa russa, ortodoxa grega e protestante, tem produzido uma safra enorme de “joio”, não somente no decorrer dos séculos passados, mas também até a época atual.

      “Deixai Ambos Crescer Juntos”

      18. Segundo a parábola de Jesus, que acontecimentos futuros haveriam?

      18 Esta situação não podia deixar de perturbar os “escravos” do “Filho do homem”. A parábola de Jesus prossegue: “Vieram assim os escravos do dono de casa e disseram-lhe: ‘Amo, não semeaste excelente semente no teu campo? Donde lhe veio então o joio?’ Disse-lhes ele: ‘Um inimigo, um homem, fez isso.’ Disseram-lhe: ‘Queres, pois, que vamos e o reunamos?’ Ele disse: ‘Não; para que não aconteça que, ao reunirdes o joio, desarraigueis também com ele o trigo. Deixai ambos crescer juntos até a colheita; e na época da colheita direi aos ceifeiros: Reuni primeiro o joio e o amarrai em feixes para ser queimado, depois ide ajuntar o trigo ao meu celeiro.’” — Mateus 13:27-30.

      19. Por que estavam aflitos os “escravos do dono de casa”?

      19 Jesus não explicou se esses “escravos” preocupados (Mat. 13 versículo 27) são os mesmos que os “ceifeiros” (Mat. 13 versículo 30). Se forem, significaria que os anjos ficaram aflitos com o crescimento abundante do “joio” no campo de seu Amo. (Mateus 13:39) Esses “escravos” perguntaram se deviam imediatamente arrancar o joio, que simboliza os “filhos do iníquo”. (Mateus 13:38) Temiam que esses falsos cristãos, ou o “joio” semeado maliciosamente pelo “inimigo”, o Diabo, sufocassem o verdadeiro “trigo”, os autênticos “filhos do reino”.

      20. Que resposta deu o “dono de casa” aos seus “escravos”, e como é isso confirmado pela história?

      20 Mas o “dono de casa”, o “Filho do homem”, não autorizou os seus “escravos” a sair e reunir o “joio”, ou os pseudocristãos, a fim de separá-los do “trigo”, os verdadeiros cristãos. Ele disse: “Deixai ambos crescer juntos até a colheita.” E assim se deu que o verdadeiro e o falso cristianismo cresceram juntos no “campo” ou “mundo” da humanidade. Todavia, a “época da colheita” tinha de vir. Quando? E como afeta isso a você?

  • A colheita no “tempo do fim”
    A Sentinela — 1982 | 15 de maio
    • A colheita no “tempo do fim”

      “A colheita é a terminação dum sistema de coisas.” — Mateus 13:39.

      1. Por que fornece a “colheita” predita por Jesus um motivo duplo de alegria?

      UMA boa colheita sempre é motivo de alegria e de agradecimentos. É a época em que se colhem os frutos de longo trabalho árduo. A colheita predita na parábola de Cristo sobre o “trigo” e o “joio” daria um motivo duplo de alegria a toda a humanidade. Por quê? Não só porque significaria o recolhimento do número determinado de “filhos do reino”, ou “santos”, a estarem associados com Cristo no seu “domínio de duração indefinida”, assegurando assim um bom governo para a terra, mas também porque a própria “colheita” já seria prova de que vivemos na “terminação dum sistema de coisas” e na aurora duma nova ordem justa. — Daniel 7:14, 27; Mateus 13:38, 39; 2 Pedro 3:13.

      “Syntéleia” e “Telos”

      2. Por que é a palavra grega syntéleia traduzida melhor por “terminação” do que por “fim”, e, assim, a que período mencionado em Daniel corresponde a syntéleia?

      2 Jesus não disse que a “colheita” é “o fim do mundo”, como algumas traduções da Bíblia nos querem fazer crer. (Almeida, rev. e corr.; Matos Soares; Imprensa Bíblica Brasileira, A Bíblia de Jerusalém) Traduções assim não fazem nenhuma distinção entre as duas palavras gregas syntéleia e telos. Explicando syntéleia, o Dicionário Expositivo de Palavras do Novo Testamento, de W. E. Vine (em inglês), declara: “A palavra não denota um término, mas a aproximação de eventos ao clímax designado.” Portanto, quando Jesus disse que “a colheita é a terminação [syntéleia] dum sistema de coisas”, estava falando sobre um período de atividade, que teria um princípio e um fim. Segundo Mateus 13:30, Jesus referiu-se à “época da colheita”, obviamente designando um período de tempo, o período que o profeta Daniel chamou de “o tempo do fim”. (Daniel 12:4) É interessante notar que, quando os tradutores da Versão dos Setenta grega verteram este versículo de Daniel, usaram a palavra syntéleia.

      3. Com que se relaciona a “época da colheita”, o que significa a palavra grega telos e a que se refere, em Mateus 24:14?

      3 Esta mesma palavra é usada em Mateus 24:3, onde os discípulos perguntaram a Jesus: “Dize-nos: Quando sucederão estas coisas e qual será o sinal da tua presença e da terminação [syntéleia] do sistema de coisas?” De modo que a “época da colheita” está relacionada com a presença invisível de Cristo como Ceifeiro. Em resposta à pergunta de seus discípulos, Jesus enumerou guerras internacionais, escassez de víveres, pestilências, grandes terremotos, violações da lei e um ambiente geral de medo (Veja as narrativas paralelas em Mateus 24, Marcos 13 e Lucas 21.) Daí, mostrando que a “época da colheita” teria um fim, ele acrescentou: “E estas boas novas do reino serão pregadas em toda a terra habitada, em testemunho a todas as nações; e então virá o fim [telos]” (Mateus 24:14) A palavra telos significa “fim”, “no sentido de término, cessação . . . a última parte, remate, conclusão esp[ecialmente] das últimas coisas, o ato final do drama cósmico”.a

      4. Quando começou a “terminação” ou o “tempo do fim”, e, assim, o que se pode dizer sobre a “colheita”?

      4 Os fatos da história moderna, desde 1914, em cumprimento da profecia bíblica, mostram que o atual sistema de coisas já está bem avançado no seu “tempo do fim” ou “terminação” (syntéleia). Citando novamente W. E. Vine, estamos presenciando “a aproximação de eventos ao clímax designado” ou ao fim (telos). Portanto, a “colheita” da ilustração de Jesus deve estar em progresso; de fato, deve estar chegando à sua culminância. Puderam ser observados desde 1914 os eventos preditos na parte restante da parábola?

      “A Colheita da Terra Está Inteiramente Madura”

      5. No tempo da colheita, o que mandaria o “Filho do homem” que seus anjos fizessem?

      5 Continuando com sua explicação da “ilustração do joio no campo”, Jesus declarou: “A colheita é a terminação dum sistema de coisas e os ceifeiros são os anjos. Portanto, assim como o joio é reunido e queimado no fogo, assim será na terminação do sistema de coisas. O Filho do homem enviará os seus anjos, e estes reunirão dentre o seu reino todas as coisas que causam tropeço e os que fazem o que é contra a lei, e lançá-los-ão na fornalha ardente. Ali é que haverá o seu choro e o ranger de seus dentes.” — Mateus 13:39-42.

      6. Entre que se deixou o “trigo” crescer?

      6 Os “ceifeiros”, ou anjos, seriam enviados pelo “Filho do homem” na “terminação do sistema de coisas”, a fim de retirar dentre os verdadeiros “filhos do reino” “todas as coisas que causam tropeço e os que fazem o que é contra a lei”. Conforme mostrou o artigo precedente, semear o Diabo de noite “joio” por cima do trigo resultou numa apostasia organizada, no falso cristianismo sob uma hierarquia de líderes religiosos opressivos, que passaram a constituir o composto “homem que é contra a lei”, predito pelo apóstolo Paulo. (2 Tessalonicenses 2:3-12) O verdadeiro “trigo” foi deixado crescer entre tal “joio” até o “tempo do fim”. O “Filho do homem” ordenaria então aos seus “ceifeiros” que separassem os “filhos do reino” dos “filhos do iníquo”.

      7. Que profecia paralela nos ajuda a identificar o tempo da colheita?

      7 Quando começou esta obra de separação? Uma interessante profecia paralela não nos deixa em dúvida sobre quando ocorreria? Ela reza: “E eu vi, e eis uma nuvem branca, e sobre a nuvem sentado alguém semelhante a um filho de homem, com uma coroa de ouro na cabeça e uma foice afiada na mão. E do santuário do templo emergiu outro anjo, gritando com voz alta para o sentado na nuvem: ‘Mete a tua foice e ceifa, pois chegou a hora para ceifar, porque a colheita da terra está inteiramente madura.’ E o sentado na nuvem meteu a sua foice na terra e a terra foi ceifada.” — Revelação 14:14-16.

      8. Como se retrata o “Filho do homem” em Revelação 14:14, e, portanto, após que acontecimento deve ter começado a colheita?

      8 Vemos aqui o “Filho do homem”, Jesus Cristo, não como semeador que lança “excelente semente no seu campo”, mas como rei coroado, que passa a agir na “colheita da terra”. Estar ele sentado numa nuvem simboliza a sua presença invisível. (Atos 1:9-11; Revelação 1:7) A “colheita”, portanto, deve ocorrer durante a presença de Cristo, depois de ele ter sido coroado e de ter recebido de Jeová, o “Antigo de Dias”, “domínio, e dignidade, e um reino”. (Daniel 7:13, 14) De modo que a colheita começou algum tempo após 1914, ano que assinalou o início do “tempo do fim” ou da “terminação do sistema de coisas”.

      9. Quando começou a obra de separação?

      9 Depois de 1914, quando foi que o Filho do homem ‘enviou os seus anjos’ para separar os “filhos do reino” dos “filhos do iníquo”, do “trigo” de imitação, quer dizer, dos “que fazem o que é contra a lei” e que incluem o “homem que é contra a lei”, os líderes religiosos do falso cristianismo? A resposta tem de corresponder aos fatos, e estes mostram que foi em 1919 que os “filhos do reino”, gerados pelo espírito e ungidos, simbolizados pelo “trigo”, começaram a ser libertos do “joio”, ou dos falsos cristãos, que haviam inundado o campo religioso da humanidade. A “colheita da terra” estava madura, e havia chegado o tempo de o “Filho do homem” meter a sua foice e ceifar. A parábola revela que fez isso por meio de seus “ceifeiros”, os anjos.

      O Joio Reunido Para Ser Queimado

      10. Por que era difícil identificar o verdadeiro “trigo” no decorrer dos séculos, mas desde quando se tornou possível diferençar nitidamente o “trigo” do “joio”?

      10 Na sua “ilustração do joio no campo”, Jesus disse: “Na época da colheita direi aos ceifeiros: Reuni primeiro o joio e o amarrai em feixes para ser queimado.” (Mateus 13:30) A identidade clara do “trigo” ou dos verdadeiros “filhos do reino” havia ficado obscurecida durante séculos pelo “joio” abundante, ou os cristãos apóstatas, que afirmavam ter a esperança celestial como herdeiros do Reino. Foi só depois de 1919, quando os verdadeiros cristãos gerados pelo espírito foram libertos de Babilônia, a Grande, o império mundial da religião falsa, do Diabo, que se tornou discernível a nítida diferença entre o “trigo” e o “joio”.

      11. Quem está incluído no “joio”, e como foram eles amarrados em feixes?

      11 O “joio” simbólico inclui todos os falsos cristãos, sem exclusão de nenhum dos apóstatas hodiernos, que ensinam “coisas que causam tropeço”, bem como “os que fazem o que é contra a lei”. Isto inclui o “escravo mau”, as ‘virgens tolas’ e o “escravo iníquo e indolente”. (Mateus 24:48-51; 25:1-12, 14-30) Serem ‘amarrados em feixes’ para ser queimados não representa serem agrupados em diversas igrejas e seitas da cristandade, pois dificilmente se poderia dizer que os anjos são responsáveis por tais sistemas eclesiásticos apóstatas. Além disso, serem amarrados em feixes ocorre durante a “época da colheita”, no “tempo do fim”, ao passo que muitas das religiões do falso cristianismo já existem por séculos. A amarração do “joio” em feixes significa que, desde 1919, a separação entre os cristãos verdadeiros e os falsos tornou-se cada vez mais clara, tanto na mente das pessoas como pela separação literal. O “joio”, ou os “filhos do iníquo”, são ‘amarrados’ no sentido de que os anjos cuidam de que não voltem ao “trigo” ou aos verdadeiros “filhos do reino”.

      12. O que é simbolizado pela “fornalha ardente” e quando será o “joio” lançado nela?

      12 Falando sobre o que os anjos fariam com o “joio” depois de amarrá-lo, Jesus acrescentou: “Lançá-los-ão na fornalha ardente. Ali é que haverá o seu choro e o ranger de seus dentes.” (Mateus 13:42) Lembre-se de que estamos estudando uma parábola. Se o “trigo” e o “joio” são simbólicos, também o é a “fornalha ardente”, o “choro” e o ‘ranger de dentes’. Mateus 25:41, 46, mostra que o “fogo eterno” simboliza o “decepamento eterno”, e Revelação (20:14; 21:8) diz que o “lago de fogo” significa “a segunda morte”, a destruição sem esperança duma ressurreição. De modo que o “joio” está destinado à destruição.

      13. Quando e como choraram e rangeram os dentes aqueles que são simbolizados pelo joio, mas quando se lamentarão ainda mais?

      13 Visto que a “fornalha ardente” simboliza a destruição total, o “choro e o ranger de seus dentes”, por parte dos do “joio”, têm de ocorrer antes de serem destruídos. Os falsos cristãos, e especialmente o “homem que é contra a lei” — o clero da cristandade — agora já por décadas têm lamentado que os “filhos do reino”, as testemunhas ungidas de Jeová, os têm atingido com duras verdades bíblicas, expondo-os assim como realmente são: “filhos do iníquo”. (Mateus 13:38; Revelação, caps. 8, 9b) Os clérigos apóstatas têm rangido os dentes contra as Testemunhas de Jeová por elas proclamarem destemidamente não só o “ano de boa vontade” de Jeová, mas também o seu “dia de vingança”. (Isaías 61:1, 2) Todavia, todos os deste “joio” lamentar-se-ão e rangerão os dentes ainda mais, quando o “Filho do homem” vier dentro em breve para destruir tanto a eles como os demais do mundo de Satanás. — Mateus 24:30.

      ‘Os Justos Brilham Tão Claramente Como o Sol’

      14. Aonde é ajuntado o “trigo” e o que fazem tais “justos”?

      14 Depois de mandar os “ceifeiros” amarrar o “joio” para a destruição, o “Filho do homem” dá aos seus anjos esta ordem adicional: “Depois ide ajuntar o trigo ao meu celeiro.” (Mateus 13:30) E Jesus concluiu a sua explicação da parábola, dizendo: “Naquele tempo, os justos brilharão tão claramente como o sol, no reino de seu Pai. Escute aquele que tem ouvidos.” — Mateus 13:43.

      15, 16. (a) Por que não é no céu que os “justos” estão brilhando? (b) Onde e como brilham os “justos”, e aonde são ajuntados?

      15 Revelação 21:23 diz a respeito do governo celestial do Reino, a Nova Jerusalém: “E a cidade não tinha necessidade do sol, nem da lua, para brilhar sobre ela, pois a glória de Deus a iluminava, e a sua lâmpada era o Cordeiro.” De modo que o reino celestial não depende dos ressuscitados “filhos do reino” para ter luz. Ela é banhada pela gloriosa luz divina. Quão diferente é entre as nações aqui na terra! (Efésios 4:17, 18; 5:8) Paulo escreveu, explicando o que Jeová faz a favor dos “filhos do reino” enquanto ainda estão na terra: “Ele nos livrou da autoridade da escuridão e nos transferiu para o reino do Filho do seu amor.” — Colossenses 1:13.

      16 Portanto, brilharem os “justos” ‘tão claramente como o sol no reino de seu Pai’ refere-se à condição esclarecida e ao glorioso serviço de tais cristãos ungidos, na terra, onde estão “brilhando como iluminadores no mundo”. (Filipenses 2:15; Mateus 5:14) Pode-se dizer que o “celeiro” ao qual são ajuntados desde 1919 é o “reino de seu Pai”, visto que a congregação cristã é uma organização teocrática, que reconhece a soberania universal de Jeová. É uma organização limpa, porque os anjos retiram dela “todas as coisas que causam tropeço e os que fazem o que é contra a lei”. — Mateus 13:30, 41, 43.

      “A Colheita da Terra” Prossegue

      17. Quantos “filhos do reino” são recolhidos, mas por que prossegue a obra de ajuntamento?

      17 Como afeta tudo isso a você? Lembre-se de que Jesus encerrou esta ilustração com as palavras: “Escute aquele que tem ouvidos.” (Mateus 13:43) É verdade que esta parábola ilustra o ajuntamento do número total dos “filhos do reino” necessário para formar o governo celestial de Cristo. O mesmo capítulo (14) de Revelação, que fala sobre a “colheita da terra”, revela o número dos assim recolhidos para reinar com “o Cordeiro” no “Monte Sião” celestial como sendo 144.000. Mas este capítulo acrescenta: “Estes foram comprados dentre a humanidade como primícias para Deus e para o Cordeiro.” (Revelação 14:1-4) A colheita das “primícias” indica que há outros frutos a serem ajuntados mais tarde, assim como simbolizado pelo recolhimento de outros frutos do campo no fim do ano agrícola. De modo que o ajuntamento prossegue, e isso afeta a você.

      18. Além da colheita dos “filhos do reino”, que outra obra de separação está em andamento?

      18 A colheita dos “filhos do reino” prosseguiu rapidamente de 1919 até os começos da década dos anos 30. Por estes fiéis cristãos ungidos terem ‘deixado brilhar a sua luz’, muitos outros, com ouvidos atentos, deixaram-se separar do “joio” ou dos falsos cristãos nas igrejas e seitas da cristandade. (Mateus 5:16) Esta obra de separação também foi predita por Jesus na sua profecia sobre a “terminação do sistema de coisas”. (Mateus, caps. 24, 25) Ele declarou: “Quando o Filho do homem chegar na sua glória, e com ele todos os anjos, então se assentará no seu trono glorioso. E diante dele serão ajuntadas todas as nações, e ele separará uns dos outros assim como o pastor separa as ovelhas dos cabritos. E porá as ovelhas à sua direita, mas os cabritos à sua esquerda. E estes [cabritos] partirão para o decepamento eterno, mas os justos, para a vida eterna.” — Mateus 25:31-33, 46.

      19. No tempo devido de Deus, o que acontecerá aos remanescentes da classe do “trigo” e aos da “grande multidão”?

      19 Assim, com a aproximação do fim da colheita da classe do “trigo”, de cristãos ungidos, prossegue o ajuntamento das “ovelhas”. No tempo devido de Deus, os remanescentes da classe do “trigo” terminarão a sua carreira terrestre e se juntarão ao “Filho do homem”, como parte de seu reino ou governo celestial. “Receberão o reino” junto com os demais dos 144.000 “santos”. (Daniel 7:18, 22, 27) Quanto aos da “grande multidão” de “ovelhas” que agora são ajuntados, sobreviverão à “grande tribulação” que assinalará o fim (telos) do atual sistema satânico de coisas e se tornarão parte dos “povos, grupos nacionais e línguas” que servirão na terra ao “Filho do homem”, sob o seu “domínio de duração indefinida” ou reino celestial. — Revelação 7:4, 9, 10, 14; Daniel 7:13, 14.

      20. O que prova o fato de que a colheita já está bem avançada? Portanto, o que deve você fazer, e por quê?

      20 Que posição ocupa você com respeito ao cumprimento da ilustração do “trigo” e do “joio”? Já estar bem avançada a “colheita” dos “filhos do reino” prova que a “terminação [syntéleia] do sistema de coisas” está chegando ao seu fim (telos). Sua atitude para com os “irmãos” ungidos de Cristo, que são como trigo, e o tratamento que lhes dispensa serão o fator determinante quanto a se você irá para o “decepamento eterno” ou se receberá a “vida eterna”. (Mateus 25:34-46) Mostre-se companheiro leal da classe ungida do “trigo”, o “escravo fiel e discreto”, que Cristo designou para prover “alimento [espiritual] no tempo apropriado”. (Mateus 24:45) Mantenha-se ativo na obra do ajuntamento, pois, lembre-se de que “estas boas novas do reino serão pregadas em toda a terra habitada, em testemunho a todas as nações; e então virá o fim [telos]”, e de que “quem tiver perseverado até o fim [telos] é o que será salvo”. — Mateus 24:13, 14.

      [Nota(s) de rodapé]

      a A Greek-English Lexicon of the New Testament and Other Early Christian Literature, W. Bauer, traduzido ao inglês por W. F. Arndt e F. W. Gingrich.

      b Veja os capítulos 16 e 17 do livro “Cumprir-se-á, Então o Mistério de Deus”, publicado em português em 1971 e distribuído pela Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados.

  • Lembra-se?
    A Sentinela — 1982 | 15 de maio
    • Lembra-se?

      Tem dado cuidadosa consideração aos números recentes de “A Sentinela”? Em caso afirmativo, é provável que se lembre do seguinte:

      ● Por que falar em línguas não faz parte do cristianismo hodierno?

      Porque o dom de línguas foi concedido apenas aos cristãos do primeiro século para confirmar que o favor de Deus havia-se transferido do antigo arranjo judaico para a recém-estabelecida congregação cristã. (1 Coríntios 13:8; Hebreus 2:2-4) — 15/2, pp. 4-6.

      ● É a doença a punição pelo pecado?

      A doença pode ser conseqüência direta do pecado, conforme a Bíblia diz: “O que o homem semear, isso também ceifará.” (Gálatas 6:7) Isto se dá no caso dos que ‘semeiam’ a imoralidade, o fumo, a bebedice, a glutonaria, e assim por diante. Entretanto, a causa fundamental de todas as doenças pode remontar ao pecado de Adão. (Romanos 5:12) — 15/4, pp. 5, 6.

      ● Quem somente pode ser bem-sucedido em distinguir o certo do errado?

      Aqueles cuja mente é constantemente reforçada com informação espiritual da Palavra de Deus. Este conhecimento aguça suas “faculdades perceptivas”, treinando assim seus sentidos para não serem facilmente enganados. (Hebreus 5:14; Gênesis 8:21) — 1/5, p. 27.

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