Camarões diz “não!” à liberdade de adoração
MULHERES foram agarradas e espancadas. Uma delas foi espancada tanto, que perdeu o fôlego cinco vezes. Algumas das que foram maltratadas estavam doentes e talvez não sobrevivam.
Homens foram espancados impiedosamente até perderem os sentidos. Um deles recebeu vinte golpes, depois mais cem, e depois foi espancado pela terceira vez.
Centenas foram presos sob falsas acusações. Alguns foram mantidos presos por mais de uma semana em celas sem sanitários. Doze foram metidos numa cela de uns 2,5 x 2 x 3 metros — havendo apenas dezesseis buraquinhos para deixar entrar o ar. Outros não receberam alimentos nem cuidados médicos para as feridas, durante dias a fio.
Estes e muitos outros casos similares resultaram da política oficial dum governo. Onde? Descreve esta brutalidade as condições existentes nos campos de concentração nazistas? Eram as vítimas criminosos perigosos?
Não, o que vai ler descreve o que aconteceu recentemente no país Africano de Camarões. E as vítimas desta horrível selvageria? Não eram criminosos — não eram assassinos, amotinados, ladrões ou revolucionários. Antes, eram os cidadãos mais pacíficos e honestos no país!
Tudo isso atingiu o clímax descrito em manchetes na primeira página de La Presse du Cameroun, de 14 de maio de 1970: “Por decreto presidencial assinado ontem, foi PROSCRITA A ASSOCIAÇÃO DAS TESTEMUNHAS DE JEOVÁ EM CAMARÕES.”
O jornal acrescentou: “Por decreto assinado ontem pelo Chefe do Estado, ficou oficialmente dissolvido o grupo conhecido como testemunhas de Jeová. . . . O exercício das atividades desta associação foi proscrito em todo o território da República Federal de Camarões.”
Por que adotou o governo de Camarões tal medida drástica contra uma organização religiosa conhecida no mundo inteiro pela sua conduta pacífica e ordeira? Porque as Testemunhas são neutras nos assuntos políticos e não participam neles é que foram acusadas de estarem em oposição ao governo.
AS ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS
O presidente da República Federal de Camarões é muçulmano, chamando-se El Hadj Ahmadou Ahidjo. Em 28 de março de 1970, ele foi eleito ao terceiro período consecutivo de cinco anos no cargo, obtendo 97,65 por cento do voto popular. Os comentários da imprensa eram unânimes em declarar que a eleição foi um grande sucesso e que os que votaram fizeram isso conscienciosamente e em plena liberdade”.
Mas houve realmente liberdade em Camarões? Não para todos. Exerceu-se grande pressão sobre as testemunhas de Jeová, por parte de alguns dos membros do partido político governante, a U. N. C. — União Nacional de Camarões. A não participação das Testemunhas nos assuntos políticos causava ressentimento entre alguns membros super-zelosos do partido, que fizeram destes cristãos seu alvo especial nos discursos da campanha eleitoral.
Por exemplo, em 20 de março, fez-se um violento ataque público às Testemunhas, em “La Place de l’Independance”, em Akonolinga, por parte de André Fouda, membro veterano da assembléia legislativa e franco crítico das testemunhas de Jeová. Uma Testemunha que ouviu todo o discurso cita o Sr. Fouda como dizendo: “Se houver ‘Maka’ (antiga tribo canibalesca) em Akonolinga, estão livres para comerem as testemunhas de Jeová.”
PRESSÃO SOBRE AS TESTEMUNHAS
As Testemunhas sofreram muita pressão no esforço de influenciá-las no tempo das eleições. O seguinte relatório foi feito por uma Testemunha em Akonolinga:
“O Prefeito, Sr. Louis Mandeng, ordenou que todas as testemunhas de Jeová se apresentassem no seu escritório às 7 horas da manhã, em 28 de março, dia das eleições. As Testemunhas obedeceram.”
Naquela mesma noite e no dia seguinte foram presas diversas Testemunhas. O ministro presidente da congregação escreve: “Fui preso às 9 horas daquela noite pelo comandante da brigada e dormi nu, naquela noite, no chão de cimento da cela de segurança.” O ministro presidente foi mantido encarcerado até 22 de abril. Outra Testemunha em Akonolinga escreveu: “Em 23 de março, o Sr. Nicolas Voundi, Deputado de Nyoung e Mfoumou, dirigiu-se ao Prefeito, na minha presença, e informou-o de que havia dito ao meu patrão para não manter empregados outra Testemunha e a mim na sua oficina. Em 25 de março, quando o Sr. Mandeng voltou de Iaoundé, mandou que ambos nos apresentássemos cada dia no seu escritório, de manhã e à tarde.
‘Agora o caso é sério’, disse ele. ‘Preciso ter uma resposta até amanhã, o mais tardar. Vão ou não vão votar? Eu lhes pergunto: Vão votar ou não vão?’
“Bateu na mesa com a mão direita. Perguntou-me quatro vezes se eu ia votar. Fiquei calado. Ele telefonou para a gendarmaria [polícia militar] para virem buscar-nos. De 17 a 28 de março, o Prefeito exerceu pressão sobre nós para votarmos. Mas assim que as eleições acabaram, em 28 de março, às 18 horas, não fomos mais acusados de não votar. O Prefeito começou então a acusar-nos de pregarmos contra o voto, quer dizer, ‘pregarmos a abstenção’. Passei a noite com outras onze Testemunhas numa cela de 2,5 metros de comprimento por 2 metros de largura e 3 metros de altura, com 16 buraquinhos para entrar o ar.”
USADAS TÁTICAS BRUTAIS
Um representante viajante das testemunhas de Jeová conta a seguinte experiência sua: “Na noite de 26 de março, às 21,30 horas, ouvi uma forte batida na minha porta. Quando perguntei quem era, obtive a resposta: ‘É o comandante da brigada’ (Sr. Onguene). Abri a porta e ele me perguntou: ‘O que está fazendo aqui? . . . Deixe-me ver seus documentos de identidade.’ Todos os meus documentos estavam em ordem. ‘Onde está o seu título de eleitor?’ ‘Não tenho nenhum.’ ‘Por quê?’ ‘Por que ainda não recebi nenhum.’
“Ele mandou que o seguisse até à gendarmaria, onde me ordenou que tirasse toda a minha roupa, exceto a cueca. Na cela onde dormi havia oito Testemunhas da congregação de Akom. Na manhã seguinte, fui mandado, junto com outra Testemunha, a lavar o carro do comandante, ao passo que outros foram mandados a fazer uma cerca para o campo de amendoim dele.
“Em 27 de março, às 10,30 horas da noite, fui despertado pelo mesmo comandante, que me disse: ‘Diga-me se vai votar amanhã, pois a todos os que não votarem aguarda severa punição.’ Assim que respondi, fui novamente trancado na mesma cela. Usando a todos os seus gendarmes, começou a trazer as Testemunhas de suas moradias; ao todo foram presas quarenta e cinco delas.
“Em 28 de março, no dia das eleições, as Testemunhas haviam estado cantando na sua cela. Quando o Comandante Onguene soube que estávamos cantando na cela da gendarmaria, levou para lá todos os seus gendarmes e o soldado mais perverso que já vi, apelidado ‘Esmagador’. Por ordem do comandante, este soldado começou a espancar-nos impiedosamente. Todos estávamos só de cueca. Recebi um golpe na nuca e caí desacordado por alguns momentos. Outros golpes me acordaram, enquanto ele continuava a bater em mim. Nossas costas estão realmente todas marcadas pelos golpes recebidos com um pau.
“Depois de nos espancarem e ferirem desta maneira, não nos deixaram ir ao hospital. Privaram-nos até mesmo de água para lavar, por oito dias. Por dois dias não recebemos nenhum alimento. Depois disso, fomos mandados cortar grama e limpar a cidade. Depois de três semanas e meia, fomos postos num caminhão e levados ao prefeito de Dja e Lobo. Em caminho choveu fortemente e ficou frio. Uma das irmãs cristãs entre nós estava grávida de oito meses. No domingo, 19 de abril, o prefeito nos chamou à sua sala de conferências e depois nos soltou.”
Um dos piores tratamentos dispensados às testemunhas de Jeová ocorreu na cidade de Sangmélima, onde por fim foram presas e encarceradas noventa e duas Testemunhas. Uma das Testemunhas presas relatou: “Foi exatamente em 23 de março, cinco dias antes das eleições presidenciais no dia 28, que duas Testemunhas da Congregação de Messock foram levadas à B. M. M. (Brigada Móvel Mista, a polícia mais temida em Camarões), em Sangmélima, acusadas de terem organizado uma reunião para ‘pregar a abstenção’. Uma Testemunha foi solta por causa de sua idade, mas o pioneiro especial F . . . ficou detido na B. M. M.
“No dia depois das eleições, organizou-se uma campanha terrível para prender todas as testemunhas de Jeová. Cada dia foram enviadas listas de Testemunhas à B. M. M., e as Testemunhas, homens e mulheres, enchiam cinco celas da B. M. M. em Sangmélima.
“Em Djoum, algumas Testemunhas foram arrastadas nuas pelo chão de cimento depois de terem sido espancadas até sangrarem. Foram obrigadas a fazer as suas necessidades físicas nas suas celas (não havendo sanitários nas celas) durante oito dias, antes de serem embarcadas num caminhão para serem transferidas a Sangmélima. Mais de quarenta e cinco Testemunhas, algumas com crianças, sem se mencionarem os idosos que quase não podiam andar, foram transferidas. Sua condição era tão péssima, que até mesmo as autoridades da prefeitura ali se condoeram delas e as soltaram no dia seguinte. Estas Testemunhas encontraram mais de oitenta de seus irmãos e irmãs cristãos já na cadeia, procedentes de Sangmélima, Bengbis e Zoetélé.
“As cinco celas da B. M. M. em Sangmélima ficaram superlotadas de Testemunhas, as quais foram interrogadas uma por uma, até 21 de abril. Naquela data, todas elas foram levadas à grande sala de conferências da prefeitura, para ouvirem um discurso do prefeito, Sr. Biscène. Ele nos advertiu que todos devíamos votar em 7 de junho, senão seríamos presos novamente.”
Um ministro especial de tempo integral das Testemunhas relatou o que aconteceu logo depois das eleições em Bertoua, onde mais de trinta Testemunhas foram presas: “Durante toda a terça-feira, 2 de abril, alguns foram levados, um por um, à polícia para interrogatório. Nosso interrogatório começou de manhã cedo pelo comandante da brigada. Dando-se conta de que não podia ditar as suas idéias aos primeiros de nossos irmãos cristãos, chamou o lugar-tenente do comandante do Destacamento Bertoua. Este homem, agindo de maneira perversa, ordenou a um gendarme que espancasse as Testemunhas cruelmente durante o interrogatório. O mais ferido foi um jovem das Testemunhas, de Belabo, de apenas 19 anos de idade (jovem demais para votar) e outro de Diang. Todas as perguntas feitas a nós tinham por objetivo induzir-nos a acusar a Sociedade ou a um de seus representantes como ensinando-nos a não votar.
“Depois de um dia inteiro de tal tratamento, fomos encerrados numa cela onde, por ordem do tenente, íamos passar dois dias e duas noites sem comida nem água. Durante a noite, os dois jovens que mencionei sentiram tantas dores, que nem se puderam mexer.
“No domingo, 5 de abril, todas as Testemunhas de Bertoua foram soltas. Durante os treze dias que passamos na gendarmaria, não fomos alimentados, com exceção de duas pequenas refeições que o capitão nos mandou. O que nos faz regozijar é que todos estão decididos a perseverar.”
ACONTECIMENTOS QUE LEVARAM À PROSCRIÇÃO
Depois das eleições e de toda a pressão cruel, as Testemunhas fizeram muitos esforços para falar com as autoridades governamentais e explicar sua posição baseada na Bíblia. Não foram bem sucedidas.
Em vista da seriedade da situação, três destacados membros da associação jurídica das testemunhas de Jeová em Douala escreveram em 13 de abril diretamente ao Presidente El Hadj Ahmadou Ahidjo, pedindo respeitosamente que usasse os poderes de seu elevado cargo para impedir a perseguição das testemunhas de Jeová. As Testemunhas ofereceram-se a enviar uma delegação a Iaoundé, a capital, para se entrevistar com o Presidente, a fim de apresentar seu caso e oferecer explicações de sua obra e de seu objetivo.
Até 21 de abril, a maioria dos cristãos presos havia sido solta, para a alegria das Testemunhas. No entanto, alguns dias depois foram feitas mais prisões, embora em número menor. Até 13 de maio reinou uma calma intranqüila.
Depois, como um relâmpago, atravessou o país a notícia de que as testemunhas de Jeová foram completamente proscritas em Camarões. No dia depois deste anúncio por rádio, a polícia chegou à recém-construída sede da filial da Sociedade Torre de Vigia em Douala. Lacrou as salas que tinham equipamento de escritório, a literatura armazenada e o local de reuniões das Testemunhas.
Na sexta-feira, 15 de maio, de manhã cedo, o supervisor do escritório da filial partiu de Douala para Iaoundé, a fim de apresentar uma carta de apelação ao Presidente e pedir uma audiência com ele. O que o representante da filial não sabia era que acabava de ser assinada uma ordem pelo chefe da segurança nacional, exigindo que todos os missionários das testemunhas de Jeová abandonassem o país até 20 de maio. Retornando a Douala no sábado, 16 de maio, o representante encontrou o edifício da filial guardado por dois policiais armados. Todos os membros do corpo de funcionários foram mantidos em prisão domiciliar até à noite de domingo, 17 de maio. Não se permitiu que ninguém saísse nem entrasse no edifício. Na maior parte, porém, os missionários foram tratados com bondade e respeito pela polícia.
Durante todo este tempo, porém, as Testemunhas nunca receberam uma resposta às suas cartas às autoridades governamentais. Estes cristãos não receberam nada por escrito. Tudo ocorreu em segredo, sem a mínima oportunidade de representantes falaram a seu favor.
Em 20 de maio, seis missionários, cinco canadenses e um nigeriano, foram expulsos do país. Até então haviam sido relatadas à sede da Sociedade mais de 335 prisões de testemunhas de Jeová.
ELEIÇÕES LEGISLATIVAS E MAIS CRUELDADES
As prisões e os espancamentos não ficaram limitados ao tempo das eleições presidenciais em 28 de março. As eleições legislativas em 7 de junho ofereceram outra oportunidade para atacar as testemunhas de Jeová, e houve mais prisões. Uma Testemunha relatou de Manjo:
“No sábado, 6 de junho, o vice-prefeito, Sr. Moussa Mbello, iniciou a campanha de prisões. Uma Testemunha foi presa no dia antes das eleições. Mulheres de setenta e cinco anos de idade foram levadas à gendarmaria e maltratadas. Algumas destas estavam doentes, e não sabemos se vão sobreviver.
“O que era surpreendente era ver o vice-prefeito ir de casa em casa, vasculhando até mesmo plantações das Testemunhas, para prendê-las. Esta busca tem prosseguido dia e noite. Os que chefiam este ataque são o Sr. Moussa Mbello, vice-prefeito, e o Sr. Pascal Wansi, presidente da subseção da U. N. C.”
Em Namba, logo depois das eleições legislativas em 7 de junho, uma senhora das Testemunhas foi espancada tão severamente, que lhe faltou o fôlego por cinco vezes. Outra desmaiou três vezes. Um homem das Testemunhas recebeu vinte golpes e depois mais cem, à entrada do Salão do Reino. Depois foi espancado pela terceira vez.
Em muitas outras cidades e aldeias, as Testemunhas foram algumas vezes ameaçadas, outras vezes foram espancadas e encarceradas. O mesmo tipo de perseguição foi repetido em Abong Mbang, Ayos, Belabo, Diang, Bengbis, Bipindi, Dizangué, Kobdombo, Minta, Ndoum, Songmbengué, Zoetélé e inúmeros outros lugares no país. Registraram-se mais de quatrocentas prisões nas poucas semanas antes e depois das eleições duplas.
Qual foi o motivo deste tratamento vergonhoso das testemunhas de Jeová?
POR QUE A PROSCRIÇÃO?
Três semanas depois das eleições legislativas, o Presidente Ahidjo inaugurou a nova sede do partido em Douala. Referindo-se à proscrição das testemunhas de Jeová, ele declarou:
“Ela se justifica pelo fato de que esta seita tem sido usada para encobrir um movimento subversivo dirigido do estrangeiro e que tem por objetivo, mediante uma campanha organizada de difamação e detração, minar as instituições livremente adotadas pelo povo de Camarões. Tal movimento é inadmissível num país que sofreu tanto por causa de subversão na alvorada de sua independência.” — La Presse du Cameroun, 26 de junho de 1970.
Quão verídicas são tais acusações? As testemunhas de Jeová são conhecidas em todo o mundo como absolutamente neutras em questões de política. São conhecidas também como cidadãos sinceros, honestos e acatadores da lei. Por exemplo, tome sua atividade em Camarões.
Durante muitos anos, as Testemunhas têm levado as boas novas do reino celestial de Deus aos habitantes hospitaleiros de Camarões. Em 1962, formou-se uma organização jurídica e abriu-se um escritório em Douala, para cuidar da organização em expansão. Durante os oito anos seguintes, as boas novas do reino de Deus foram levadas mais de 12.000 Testemunhas a quase cada cidade e aldeia do país. As pessoas em todo o país tiveram a oportunidade de observar que as Testemunhas se apegam à pregação do reino de Deus e não se metem na política, portanto, que nunca são subversivas.
Então, quem é responsável por Camarões dizer “Não” à liberdade de adoração? Certamente cabe muita responsabilidade ao presidente do país, neste respeito, bem como a outras autoridades. Mas a responsabilidade não cabe apenas aos políticos. Que dizer dos clérigos das outras religiões em Camarões. O que pensa sobre isso depois de ler comentários tais como o seguinte, publicado em La Presse de 15 de maio de 1970, sob o cabeçalho: “Por que foram proscritas?” O escritor observou: “É evidente que este proselitismo intrometido [das Testemunhas] não agrada a muita gente, muito menos ainda às outras religiões cristãs, cujos paroquianos são desviados pelas ‘Testemunhas de Jeová’.”
Mas o que diz a lei de Camarões?
A LEI DE CAMARÕES
A lei de Camarões não exige participação ativa em votar, embora isto fosse exigido das testemunhas de Jeová. A lei eleitoral N.º 69 LF, porém, proíbe induzir alguém “a se abster de votar”. E quando as Testemunhas não participaram na votação, muitas vezes foram acusadas de “pregar a abstenção”. Mas nenhuma Testemunha foi acusada formalmente sob esta lei. De fato, nenhum caso foi levado a um tribunal, quer antes, quer logo depois das eleições.
O que as testemunhas de Jeová pregam não é política, mas a Palavra de Deus, a Bíblia, e elas têm feito isto em Camarões por mais de vinte e cinco anos. Durante as eleições, as Testemunhas não fizeram nenhuma campanha de porta em porta ou de outro modo para dizer às pessoas que não deviam votar. As Testemunhas não participaram em demonstrações de protesto contra qualquer partido político ou candidato. As testemunhas de Jeová não pregaram nem a favor nem contra qualquer candidato nas eleições. Não se metem em tais questões nem em Camarões, nem em qualquer outra parte.
Então, por que não votam as próprias testemunhas de Jeová? Porque consideram o reino de Deus, mediante Cristo, como a única esperança da humanidade. E, conforme Jesus Cristo disse ao seu Pai Celestial a respeito de seus seguidores, “não fazem parte do mundo, assim como eu não faço parte do mundo”. (João 17:14; Tia. 4:4) As Testemunhas procuram sinceramente seguir o exemplo de Jesus e o seu conselho de ‘não fazerem parte do mundo’. Obter a aprovação de Deus e de Jesus Cristo lhes é mais importante do que qualquer outra coisa. Todavia, embora mantenham tal conceito, as Testemunhas também crêem que é errado impedirem outros de votar ou interferirem nos seus esforços de fazê-lo. De fato, as Testemunhas reconhecem prontamente que outros têm a liberdade de votar, se quiserem.
As Testemunhas não agiram em desacordo com a Constituição de Camarões. A bem escrita Constituição de Camarões diz no seu primeiro artigo:
“A República Federal de Camarões é democrática, secular e social. Garante a igualdade de todos os cidadãos perante a lei. Afirma sua aderência às liberdades fundamentais especificadas na Declaração Universal dos Direitos Humanos e na Carta das Nações Unidas.”
É evidente que a lei provê a proteção de todos os cidadãos em Camarões. A lei garante firmemente a liberdade de religião e a liberdade de associação. Ainda assim, Camarões praticamente disse “Não!” à liberdade de adoração.
AS TESTEMUNHAS NÃO CONSTITUEM PERIGO PARA OS GOVERNOS
Nenhum governo precisa temer as testemunhas de Jeová. Sua neutralidade em questões de política, em Camarões, não significa que sejam agentes de outro governo dos homens. As Testemunhas se abstêm da participação nos assuntos políticos em todos os países do mundo, quer na América, na Europa, na África, quer em outra parte. Por isso não são nenhum “movimento subversivo dirigido do estrangeiro”.
Outros governos, influenciados erroneamente a proscrever as testemunhas de Jeová, reconheceram isto mais tarde e restabeleceram a situação legal das Testemunhas. Por exemplo, as Testemunhas foram proscritas na Austrália, em 1941. Mais tarde, o caso foi apresentado perante o Sr. Ministro Starke, do Supremo Tribunal ali. Depois de ouvir os argumentos, ele decidiu que todo o Tribunal devia considerar o assunto. Depois da consideração das questões envolvidas no caso, o Supremo Tribunal decidiu, em 14 de junho de 1943, que as testemunhas de Jeová não estavam empenhadas em nenhum empreendimento subversivo, e por isso não constituíam um perigo para o Estado.a Ao anular a proscrição das Testemunhas, o Tribunal, mediante o Sr. Ministro Williams, falou dos “princípios e das doutrinas perfeitamente inocentes”, advogados pelas Testemunhas, e acrescentou:
“Visto que a religião das Testemunhas de Jeová é uma religião cristã, a declaração de que a associação constitui um corpo ilícito tem o efeito de constituir ilícita a promoção dos princípios e das doutrinas da religião cristã e constituir em reunião ilícita todo ofício em igreja realizado pelos crentes no nascimento de Cristo.”
A proscrição das testemunhas de Jeová em Camarões tem o mesmo efeito naquele país.
Além disso, as Testemunhas não se têm empenhado em nenhuma ‘campanha de difamação’ contra o governo, conforme se fez a acusação. De fato, seu compêndio bíblico mais amplamente difundido, agora impresso em mais de 30 milhões de exemplares e em 60 idiomas ensina especificamente que é errado fazer isso. Este livro, A Verdade Que Conduz à Vida Eterna, diz a respeito dos governos humanos, na página 158: “Se Deus permite que rejam, por que interferiria qualquer cristão em que o façam? . . . É uma boa coisa mostrar o devido respeito pelo governo.” Por certo, não é contrário aos interesses de qualquer governo que as testemunhas de Jeová ensinem isso.
Portanto, os fatos mostram que a proscrição das Testemunhas em Camarões, e os motivos citados para ela, não têm fundamento válido.
UMA PERDA PARA CAMARÕES
A proscrição das Testemunhas em Camarões não traz proveito ao povo ou aos regentes daquele país. Mas constitui grande perda para Camarões. Há a perda da reputação em todo o mundo por se dizer “Não” à liberdade de adoração.
Há a perda da dignidade dos regentes políticos que usam crueldade e brutalidade para obrigar os cristãos a violarem sua consciência treinada pela Bíblia.
Há grande perda de consolo e instrução espirituais para o povo, pois as Testemunhas trouxeram estas coisas, e participaram também em ensinar aos habitantes de Camarões a ler e a escrever.
A proscrição das Testemunhas privou as pessoas sinceras de Camarões da oportunidade de proveitosas palestras bíblicas. J. P. Bayemi comentou esta perda em L’Effort Camerounais, de 14 de junho de 1970.
“Reconheçamos para o seu crédito pelo menos o seguinte, que no seu próprio modo foram bem sucedidos em tirar o monopólio de assuntos de dinheiro, mulheres, homens ou bebidas, que se firmou nas conversações nos lares, nas vizinhanças, e nos logradouros e transportes públicos, antes da autorização das testemunhas de Jeová. Sim! Houve tempo em que era extremamente raro ouvir cristãos palestrarem sobre um assunto bíblico.”
Nada consegue elevar mais a moral dum país do que os princípios da Palavra de Deus, a Bíblia. As Testemunhas fazem grande esforço para o desenvolvimento moral e espiritual de todos os que desejam obter maior conhecimento da Bíblia. Quanta perda sofre Camarões agora que estas elevadas normas de moral não podem ser mais livremente ensinadas pelas testemunhas de Jeová!
PODERÁ MANIFESTAR-SE
O que acha desta crueldade para com cristãos pacíficos? Sua atividade de pregação foi proscrita. Mesmo palestras bíblicas, particulares, não são permitidas. Eliminaram-se preciosas liberdades pessoais. As testemunhas de Jeová e outros em todo o mundo, que amam a liberdade de adoração, não justificam esta ação arbitrária por permanecerem calados.
Se quiser acrescentar a sua voz às expressões de indignação em vista da ação tomada pelo governo de Camarões contra cristãos amantes da paz, então escreva às altas autoridades do governo de Camarões alistadas na página precedente.
Expresse seu desapontamento diante de tal ação arbitrária. Explique que as Testemunhas não se metem na política em nenhuma parte, e que as acusações não têm base. Apele ao seu respeito pela dignidade do homem e pela liberdade de religião garantidas pela Constituição de Camarões. Apele às autoridades à base do respeito pelo bom nome de seu país e da África. Não se deve ajudar ao presidente de Camarões e às suas altas autoridades a dar-se conta de que o resto do mundo observa quando cristãos inocentes são cruelmente maltratados? Não se deviam dar conta de que as autoridades governamentais de Camarões tampouco se tornam mais populares entre o seu próprio povo ou entre pessoas de coração reto nas outras partes do mundo, pelo modo em que tratam cristãos pacíficos?
Poderá escrever seu apelo para restabelecer um “Sim” à liberdade de adoração em Camarões.
[Nota(s) de rodapé]
a Adelaide Company of Jehovah’s Witnesses, Inc., v. The Commonwealth (1943), 67 C. L. R. 116, 124.
[Quadro na página 255]
AUTORIDADES GOVERNAMENTAIS DE CAMARÕES
Sua Excelência
El Hadj Ahmadou Ahidjo
Presidente da República Federal de Camarões
Palácio Presidencial
Yaoundé, República Federal de Camarões
Exmo. Sr. Salomon Tandeng Muna
Vice-Presidente da República Federal de Camarões
B. P. 964
Yaoundé, República Federal de Camarões
Sr. Enoch Kwayeb
Ministro de Estado Para a Administração Territorial
B. P. 993
Yaoundé, República Federal de Camarões
Sr. Félix Sabal Lecco
Ministro da Justiça
B. P. 1126
Yaoundé, República Federal de Camarões
Sr. Raymond Ntheppe
Ministro do Estrangeiro
Ministério do Estrangeiro
Yaoundé, República Federal de Camarões
Sr. Vroumsia Tchinaye
Ministro das Informações
B. P. 1054
Yaoundé, República Federal de Camarões
Mr. Michel Njine, Ambassador
Cameroon Mission to the United Nations
866 U. N. Plaza
New York, N. Y. 10017, USA.