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A situação difícil dos jovens hojeDespertai! — 1982 | 8 de outubro
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A situação difícil dos jovens hoje
A SITUAÇÃO difícil dos jovens? Não é verdade que na maior parte do mundo os jovens nunca tiveram uma situação melhor? Sim e Não. Os jovens hoje talvez tenham mais em sentido material do que as gerações anteriores, mas sofrem também pressões sem precedentes. A estatística sobre crime e suicídio entre jovens de países desenvolvidos mostra que o dinheiro não compra a felicidade para os jovens de hoje. Eis alguns exemplos —
A Perda do Amor Próprio
Pesquisadores em Chicago, E.U.A., estudaram 1.331 adolescentes nos anos 60 e um grupo similar em fins da década de 70 e em 1980. A que conclusão chegaram? “Por um período de aproximadamente 18 anos as autoconsciências dos adolescentes norte-americanos pelo que parece tornaram-se decididamente menos positivas.” O estudo descreve os adolescentes de hoje como sendo menos seguros do que antes, com normas éticas mais baixas. Cerca de um quinto deles diz estar emocionalmente vazio e confuso a maior parte do tempo, e que prefere antes morrer a viver.
Por que essa mudança? A seguinte carta escrita por um jovem de 19 anos ilustra uma das grandes razões: “Sou de um lar desagregado como se dá com muitos dos jovens na sociedade de hoje”, escreve Robert. “A família inteira estava sempre brigando e altercando. Havia muito pouco amor, se é que havia. Cada qual seguia seu próprio caminho. Tive bem pouca orientação parental durante o período difícil da adolescência. Foi muito difícil para mim. Não havia disciplina nem comentários edificantes sobre minhas consecuções. Em vez disso, recebia crítica. Isto fez-me sentir que não era amado, que era rejeitado, sentia-me muito ferido e infeliz, sem saber por quê. Cresci como uma vinha sobre uma cerca de estacas pontiagudas. Quando vagueava para fora da cerca, não havia ninguém ali para me orientar e me trazer de volta ao rumo certo.” A história de Robert é muitíssimo comum hoje em dia.
A decepção na política também influiu na juventude. “No íntimo, eu acredito que o mundo não durará mais cinco ou 10 anos”, diz um jovem arruaceiro de Amsterdã, Países-Baixos. “Chegamos a um ponto em que recusamos assumir responsabilidade por um sistema que não aprovamos.”
Que cria isso nos jovens hoje? Basicamente, um sentimento de alienação — de que ninguém se importa se vivem ou morrem. Acrescente-se a essa alienação o sentimento de que o mundo não tem nenhum futuro, e os resultados podem ser temíveis.
“Epidemia” de Suicídio
A expressão máxima de alienação e perda de esperança é talvez o suicídio. Não é de surpreender que o índice de suicídio entre os jovens em muitos países ocidentais vem subindo constantemente. “O número de crianças que ameaçam e tentam suicidar-se tem aumentado”, diz a Dra. Cynthia Pfeffer, psiquiatra da universidade de Cornell. “Os estudos na década de sessenta indicaram que não mais de dez por cento das crianças enviadas a clínicas de pacientes externos indicavam comportamento suicida. Num estudo recente que efetuei, trinta e três por cento das crianças tinham idéias suicidas.”
O suicídio é uma das grandes causas de morte entre os adolescentes norte-americanos. Em 1978, por exemplo, 3.500 jovens entre 20 e 24 anos se mataram, o que é mais do que duas vezes o número dos que fizeram isso 10 anos antes. Mesmo esses números horripilantes representam apenas superficialmente o desespero dos jovens. “O número de tentativas de suicídio é muito maior do que os próprios suicídios entre os jovens, de cinqüenta para um”, informa o Dr. Calvin Frederick, do Instituto Nacional de Sanidade Mental.
Onda de Crimes Juvenis
Nem todos os adolescentes alienados cometem suicídio. Alguns, em vez disso, cometem homicídio. “O grupo mais homicida dentre os americanos se acha na faixa etária de 18 a 22”, segundo um recente informe. “Em 1979, diz o FBI, representaram 25% o total de prisões por homicídio.” Há relatos similares procedentes de outros países — bandos de jovens criminosos urbanos no Brasil, violência nas salas de aula no Japão, delinqüência juvenil na Índia.
O problema não é só o número de crimes cometidos pelos jovens atualmente. O verdadeiro problema é espiritual. Conforme disse o chefe da polícia central de Londres, Gilbert Kelland: “Há pouquíssima vergonha moral quando são apanhados . . . A moralidade caiu por terra.”
Sempre houve crimes cometidos por jovens. Mas, quando apanhados, usualmente demonstravam remorso. Entretanto, são cada vez mais os jovens perturbados hoje em dia que parecem não saber que seus crimes são errados, nem querem saber. De que outra forma se poderia explicar por que dois adolescentes, em Cleveland, E.U.A., pagaram US$ 60 (Cr$ 10 mil) a outro jovem para que assassinasse o pai deles “porque não queria deixar-nos fazer nada que queríamos fazer, como fumar maconha”? Abandonando o cadáver do pai no chão da casa, tiraram-lhe os cartões de crédito e seu salário e passaram 10 dias esbanjando em farras.
Sem Senso de Valores
A evidência de que os jovens hoje crescem sem verdadeiro senso de valores não é usualmente tão impressionante. A maioria dos jovens, afinal de contas, não são assassinos de sangue frio. Mas, mesmo os jovens comuns das escolas ricas dos subúrbios grã-finos revelam diferenças inquietantes dos de sua idade uma geração atrás. Um professor aposentado, escrevendo sobre a nova geração, diz que durante as aulas “são dadas respostas rápidas e fáceis, baseadas em racionalizações e chavões que revelam pouca reflexão pouca consideração pela vida humana . . . um cinismo insalubre, desconfiança, intolerância de idéias, valores e proposições universais”.
Quão trágico é deixar uma geração de jovens crescer com poucos ideais, com pouco senso de nobreza, ou mesmo do que é certo e do que é errado! Contudo, é isso que está acontecendo no mundo inteiro. “Há entre os estudantes que ainda não se formaram uma sensação de que são passageiros num navio que está afundando, um Titanic se quiser, chamado Estados Unidos ou o mundo”, dizia um estudo feito pelo Conselho Carnegie sobre Estudos das Diretrizes de Educação Superior. “O fatalismo de hoje alimenta um espírito de hedonismo [viver em busca de prazeres] justificado. Há entre os estudantes de faculdade cada vez mais a crença de que, se estão condenados a viajar no Titanic, devem pelo menos . . . ir de primeira classe, pois consideram que não há nada melhor.”
Se você é uma pessoa jovem, acha que a geração mais velha é rápida demais em apontar o dedo acusador contra você? Afinal; que motivos têm os jovens para depositar fé neste sistema de coisas? Os jovens da atualidade cresceram numa geração de escândalos políticos. Por que deveriam procurar melhorar um mundo que parece irremediavelmente corrupto? Após uma lauta refeição, os jovens em países abastados podem ligar a TV para ouvir notícias e ver pessoas passando fome nos países mais pobres. Podem ouvir políticos que justificam a despesa de bilhões de dólares em armamentos em vez de gastar em alimentos. Por que deveriam os jovens apoiar uma ordem mundial que tem prioridades tão desvirtuadas? Por que deveriam depositar fé num mundo que parece estar cada vez mais a ponto de causar sua própria explosão?
Mas, suponhamos que o mundo pudesse realmente ser mudado. Suponhamos que a ameaça de uma guerra nuclear pudesse desvanecer, junto com a fome, a doença e a corrupção política. Não seria muito mais significativa a vida em tal mundo? Acha que é impossível? Certamente, os antecedentes da autonomia do homem não fornecem base para esperança de um mundo assim, mas, que dizer se a mudança fosse feita por outro poder? Como jovem, estaria interessado num mundo assim?
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‘Que faço com minha vida?’Despertai! — 1982 | 8 de outubro
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‘Que faço com minha vida?’
PERGUNTE a uma pessoa de meia-idade: “Que quer fazer com a sua vida?” e amiúde essa pessoa olhará para você surpresa. A maioria dos adultos já tem uma rotina na vida, talvez sem ter ponderado muito no assunto. Pode ser que eles nunca decidiram o que queriam fazer na vida, e não mais estão interessados no assunto. Talvez se sintam até mesmo um pouco atemorizados com isso, receando que fazerem tais perguntas seriamente é provocar a ‘crise da meia-idade’.
Com os jovens é diferente. A pergunta: “Que quer fazer com a sua vida?” é urgente para eles, mesmo que não tenham certeza quanto à resposta. Não é de surpreender que os jovens se preocupem amiúde muito mais do que os mais idosos em encontrar ‘o significado da vida’. Mas onde?
Será que a Educação Provê as Respostas?
Se você é jovem, gasta grande parte do seu tempo na escola. É natural você pensar que a educação vá de certa forma mostrar-lhe o significado da vida, mas tal esperança muitas vezes decepciona. “Quando comecei a estudar na faculdade”, disse certo estudante que obteve distinção nos estudos, “pensei que acrescentaria novos talentos, novas aptidões, novas consecuções à minha vida Ao invés, cada curso que fiz, cada livro bom que li, cada idéia que considerei seriamente tirou algo de mim. Sinto-me como se fosse uma cebola da qual se arrancaram as camadas uma após outra até não restar mais nada, absolutamente nada”.
Que aconteceu? Este estudante, ao contrário de encontrar um significado na vida e em resultado de ser atirado dum lado para outro por argumentos e contra-argumentos igualmente plausíveis, ficou desnorteado. Após ter perdido. a fé nas suas crenças originais, não tinha nada que as substituísse e estava a ponto de concluir que a vida não tem sentido.
Isto faz lembrar uma observação muito sagaz, feita uns 3.000 anos atrás, de que “de se fazer muitos livros [ou: “opiniões”] não há fim, e muita devoção a eles é fadiga para a carne”. (Eclesiastes 12:12) A busca do significado da vida entre os ‘grandes livros’ e as ‘grandes idéias’ dos homens só traz frustração, porque esses livros e essas idéias se contradizem entre si interminavelmente, conforme os estudantes logo descobrem.
Será que a Ciência Oferece Uma Esperança?
“A ciência e a tecnologia, aclamadas há poucos anos como solução segura de todos os nossos cada vez mais complexos problemas sociais, estão ambas em dificuldade hoje em dia”, admite o Dr. Lewis Thomas, um amplamente lido ensaísta sobre ciência Max Delbrück, laureado com o prêmio Nobel, fala de modo até mais direto. “Está claro que a ciência não solucionará nossos problemas”, diz ele.
Os adultos de hoje foram criados à base de premissas otimistas como: “Vida melhor por meio da química.” Os jovens, por outro lado, cresceram com o lado — mais sombrio da ciência “Todos falam de novos avanços no conhecimento dos segredos da natureza. Mas, de certa forma, não posso aceitar isso”, escreveu recentemente um estudante de faculdade a seu professor. “Avanços, avanços — para onde nos conduzem? Bombas atômicas, poluição, drogas aterradoras: É nisso que se resumem as fronteiras da ciência?”
“Por favor, não me responda com chavões sobre o conflito entre a ética e o conhecimento científico”, continuava o estudante. “Eu ouvi tudo isso uma centena de vezes. As pessoas acreditam que nossa ciência é boa, mas que nossa ética é má. Isto é precisamente o que não posso aceitar. Perdi o juízo? São a moralidade e o conhecimento realmente coisas separadas assim?”
Esse jovem estudante realmente frisava um ponto importante. O conhecimento sem moralidade, como no caso em que o conhecimento sobre física nuclear é usado para a construção de bombas atômicas, pode oferecer invenções brilhantes, mas será que oferece esperança? Apresenta à humanidade a razão da vida? Ou aumenta meramente a probabilidade de que o homem acabará destruindo a si próprio?
“Eu penso que o curso futuro da história não será decidido por descobertas científicas adicionais”, diz o Dr. Delbrück, “mas por . . . perguntas sobre os valores humanos”. Em outras palavras, é mais importante saber qual a diferença entre ,o certo e o errado do que saber construir uma bomba melhor.
Mas o mundo hoje parece estar muito mais interessado em bombas do que no que é certo e no que é errado. Os jovens percebem isso, o que pode levá-los a desistir de tentar fazer o que é certo. “Tenho 15 anos”, escreveu um rapaz. “Não fumo maconha nem uso drogas, muito embora tenha desejado isso muitas vezes. Procuro não roubar, não vandalizar nem prejudicar os outros . . . o que quero dizer é que em toda a minha vida tenho procurado fazer o que é certo. Daí, faz alguns meses, percebi que realmente isso não faz nenhuma diferença Não importa a vida que levo, as coisas não deixarão de ser como são. Hoje, pouco me importa se vivo ou morro. Os mais velhos parece que não entendem por que queremos ‘arruinar nossa vida’. O fato é que simplesmente ela não importa mais.”
Pode a Religião Ser de Ajuda?
Argumenta-se amiúde que não cabe à ciência ensinar às pessoas o que é certo e o que é errado — essa é uma tarefa da religião. Mas os jovens hoje não parecem estar muito satisfeitos com a atuação da religião. Um clérigo britânico que supervisionou 10.000 jovens notou que está em rápido declínio a fé religiosa entre os jovens do seu pais. Nos Estados Unidos, uma recente enquête Gallup indicava que, embora a maioria dos adolescentes norte-americanos acredite em Deus, três quartos deles não tinham um grau de confiança elevado na religião organizada.
Que afligia esses jovens? “O fracasso das igrejas de servir genuinamente aqueles que Cristo amou . . . a atitude frívola e superficial de tantos membros de igreja; a inaptidão das congregações de tratar dos fundamentos da fé e de atrair os jovens numa base espiritual sólida; a ausência de sentimento de emoção ou calor na associação dentro da igreja, e sentimentos negativos sobre os clérigos que a dirigem”, informam os entrevistados. Significativamente, acrescentaram que “quatro entre 10 jovens adultos afirmam que a honestidade e as normas de ética pessoal do clero são ‘apenas medianas’, ‘baixas’ ou ‘bem baixas’”.
Descrentes da ciência, da educação e da religião, é de admirar que muitos jovens hoje estejam sem rumo na vida? O que têm à frente para aguardar? “Quando pedi a minha filha que fizesse uma contribuição sobre o tópico adolescentes”, escreveu certa mãe, “ela apresentou alegre e imediatamente a citação: ‘Os adolescentes são os cadáveres de amanhã.’” Um jovem de 19 anos, em Lausanne, Suíça, disse assim: “Por que esforçar-me tanto quanto meu pai? Por que não divertir-me um pouco, se todos nos poderemos estar mortos dentro de poucos anos?”
Os jovens são amiúde acusados de ser frívolos e materialistas. Mas desde a infância deles a televisão vem pregando-lhes as virtudes da satisfação imediata. Na verdade, seria estranho se a juventude atual não fosse materialista, levando-se em conta a sua “educação”. Por outro lado, onde receberão os jovens hoje o encorajamento para serem nobres e abnegados? Não na televisão. Não mediante os exemplos dos políticos e dos líderes comerciais do mundo. Não nas principais religiões. Então, onde?
Ajuda Procedente do Criador do Homem
Alguns jovens chegaram à conclusão de que é tolice querer crer em alguma coisa. Segundo disse um estudante da Universidade de Colúmbia: “As pessoas se interessam basicamente em si mesmas.” Entretanto, será que essa atitude conduzirá realmente à felicidade? Se você é jovem, acha realmente que uma vida de egoísmo o tornará feliz? Que dizer das pessoas egoístas que você conhece? São realmente felizes? Conforme disse o sábio, “o mero amante da prata não se fartará de prata, nem o amante da opulência, da renda”. (Eclesiastes 5:10) Por que não?
Porque, assim como as pessoas foram criadas com necessidades materiais, como a necessidade de alimento, roupa e abrigo, elas também têm necessidades espirituais. O dinheiro não pode preencher tais necessidades. A indistinta, mas persistente necessidade que os jovens sentem de entender ‘o significado da vida’ é uma necessidade espiritual. Da mesma forma o é a necessidade de dar e receber amor altruísta. Essas coisas não podem ser compradas, não importa o que digam os comerciais da TV.
Todavia, o fato de ter o homem necessidades espirituais não significa que está qualificado a preenchê-las. Se você é uma pessoa jovem, reconhece provavelmente que, embora tenha necessidade de alimento, roupa e abrigo, não está tão bem equipado para preencher tal necessidade quanto seus pais estão. Da mesma forma, nosso Pai celestial é o que está mais bem equipado para preencher nossas necessidades espirituais. Seja lembrado que ele é Quem nos criou com essas necessidades.
Mas como podemos ‘entrar em contato’ com o Criador, de modo que nossas necessidades espirituais possam ser preenchidas? Na última década, muitos jovens, decepcionados com as principais igrejas da cristandade, filiaram-se a outras organizações religiosas. Algumas destas, como a Igreja da Unificação, afirmam ser cristãs. Outras, como a Missão da Luz Divina, não. Todas elas sustentam que podem preencher as necessidades espirituais dos jovens, mas será que estão realmente ajudando seus seguidores a se aproximar do nosso Criador? Muitas delas nem mesmo ensinam a existência de um Criador, e falam apenas de uma vaga “causa primária”. Mesmo entre as religiões que afirmam adorar o Criador, quantas delas dizem a seus seguidores que ele tanto tem um nome como uma personalidade?
“Pois, eis”, diz o profeta Amós, “o Formador dos montes e o Criador do vento, e Aquele que informa o homem terreno sobre qual é a sua preocupação mental, Aquele que torna a alva em obscuridade e Aquele que pisa nos altos da terra, Jeová, Deus dos exércitos, é seu nome”. — Amós 4:13.
Sim, Jeová é o nome do nosso Criador, Aquele que está mais bem qualificado para preencher nossas necessidades espirituais. Notou, no versículo bíblico acima, que Jeová está interessado em deixar-nos saber qual é sua vontade pata conosco? Ele está disposto a ‘deixar-nos saber qual é a sua preocupação mental’, ou, segundo verte a versão dos Missionários Capuchinhos: “Revela ao homem os seus próprios pensamentos.”
Mediante o conhecimento de Jeová Deus e o estudo de seus pensamentos, poderá obter respostas excelentes à pergunta: ‘Que faço com minha vida?’ Gostaria de saber de alguns jovens que fizeram exatamente isso?
[Destaque na página 6]
Bombas atômicas, poluição, drogas aterradoras: É nisso que se resumem as fronteiras da ciência?”
[Destaque na página 7]
A indistinta, mas persistente necessidade que os jovens sentem de entender ‘o significado da vida’ é uma necessidade espiritual.
[Foto na página 8]
”Como posso entrar em contado com o Criador?”
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Encontraram — uma vida que tem sentido!Despertai! — 1982 | 8 de outubro
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Encontraram — uma vida que tem sentido!
BIAGIO é um italiano de uns vinte e poucos anos. Aos 17, começou a perambular pela Europa. “Conseguia carona de um lugar para outro”, diz ele, “e não tinha outro abrigo senão minha bagagem de dormir que carregava nas costas. Ter minha liberdade era muito importante para mim, e eu me sentia realmente livre!” Mas não por muito tempo.
“Quando voltava para casa, o tédio tomava conta de mim. Perguntava-me se era possível levar uma vida menos vazia. Sem ser no círculo da família, eu não tinha amigos, ninguém me aguardava e ninguém esperava que eu fizesse coisa alguma. Muitas vezes, sentado e observando as pessoas passar na rua, perguntava-me o que os outros haviam feito de sua vida. Às vezes me embriagava, geralmente quando me sentia solitário.
“O mesmo sentimento de futilidade que eu tinha levou alguns jovens à dependência de drogas ou até mesmo ao suicídio. Certa vez, em Amsterdã, quando estava para entrar num lugar onde circulavam livremente os tóxicos, um rapaz se jogou da sacada num momento de depressão, morrendo instantaneamente. Quase me atingiu ao cair no chão.
“Comecei a perceber que os próprios males que nós jovens rejeitávamos no ‘sistema’ estavam presentes também entre nós. Não estávamos livres do oportunismo, das brigas ou do egotismo, e apenas havíamos criado entre nós próprios um sistema paralelo ao do velho. Por exemplo, rapazes que diziam possuir ideais elevados incentivavam suas companheiras do sexo feminino a se prostituir para ganharem dinheiro.
“Condenávamos a sociedade, mas não queríamos realmente fazer nada quanto a isso. Por que não? Não tínhamos desejo de trabalhar em prol de um futuro melhor, porque não viemos à distância nenhum futuro que valesse a pena. Tornei-me cada vez mais descrente de tudo. Aos 20 anos já me sentia velho.
“Certa noite, na casa de um amigo, encontrei por acaso um livro sobre a Bíblia. Chamava-se ‘A Verdade Que Conduz à Vida Eterna’, publicado pela Sociedade Torre de Vigia. Li alguns capítulos . . .”
Mediante esse livro, Biagio aprendeu que Deus havia originalmente proposto que a humanidade vivesse unida em paz e amor. Ele descobriu que Deus não pode ser responsabilizado pela ganância e a opressão existentes no mundo inteiro que tanto aborrecem hoje as pessoas de coração honesto. — Deuteronômio 32:4, 5.
Mas, se Deus não é responsável pelas atuais condições do mundo, quem o é? “O capítulo intitulado ‘Existem Espíritos Iníquos?’ convenceu-me de que Satanás, a criatura em forma de espírito, que muito tempo atrás se rebelou contra Deus, está dominando este inteiro sistema de coisas”, relembra Biagio. De fato, a Bíblia refere-se a Satanás como “o deus deste sistema de coisas” ou “o deus mau deste mundo”. (2 Coríntios 4:4, Tradução do Novo Mundo; A Bíblia na Linguagem de Hoje) Não é de surpreender que o mundo reflita tal espírito egoísta e cruel!
Mas há boas novas também. “Descobri que a Bíblia fala de coisas que sempre desejei”, diz Biagio. “Ela promete um novo sistema de coisas livre de guerras, doença, velhice e morte.” Sim, igual a milhões de outros que já leram A Verdade Que Conduz à Vida Eterna, Biagio ficou emocionado de saber que a Bíblia tem tanta coisa a dizer sobre o futuro de nossa terra Não é meramente um livro sobre a ‘vida no além’. Não diz a Bíblia que “os mansos herdarão a terra”? (Salmo 37:11; Soares 36:11) Se Deus não está interessado em endireitar as coisas na terra, por que teria Jesus dito a seus discípulos que orassem: “Venha o teu reino. Realize-se a tua vontade, como no céu, assim também na terra”? — Mateus 6:10.
Animado com o que aprendeu, Biagio entrou em contato com as Testemunhas de Jeová, e programou-se com ele um estudo bíblico regular. “Logo de início, o texto de João 8:32 me atraiu”, conta ele. “Diz: ‘A verdade vos libertará.’ Comecei a entender o que significa a verdadeira liberdade.” Biagio pôde ver então por que o seu estilo de vida “livre” fora tão insatisfatório. “Eu havia sido realmente um escravo todo o tempo”, diz ele, “embora tivesse tentado escapar a isso”.
“Comecei a freqüentar as reuniões realizadas pelas Testemunhas, e fui acolhido bondosamente nos seus estudos bíblicos. Os jovens que conheci nessas reuniões eram diferentes dos que havia conhecido. Eram felizes, bondosos e respeitosos. Todos tinham sua própria dignidade pessoal e procuravam arduamente mostrar amor pelos outros. Estas eram coisas que eu havia sempre desejado ver postas em prática!”
Muitos jovens, semelhantes a Biagio, têm visão de um mundo melhor. Talvez você tenha. Se se pudesse convencer de que tal mundo não é apenas um sonho, mas uma certeza, como se sentiria? Ficaria impelido a partilhar essas “boas novas” com outros? Biagio ficou. “Abandonei o hábito de fumar, melhorei o modo de me arrumar e disse à minha namorada que não podíamos mais continuar a levar uma vida imoral e ainda assim ter a aprovação de Deus”, relembra ele. “Eu compreendi a necessidade de fazer tais mudanças por mim mesmo, sem que me dissessem isso.” Biagio queria qualificar-se para o batismo como Testemunha de Jeová Por quê? Porque as Testemunhas de Jeová o ajudaram a encontrar esperança no futuro e uma vida que tem sentido. Biagio desejava unir-se às Testemunhas em partilhar com outros o que encontrara. Hoje, ele e sua esposa são pioneiros especiais, pregadores de tempo integral das “boas novas”.
“A verdadeira liberdade não significa meramente agradar a si próprio”, diz ele. “Sei isso por experiência própria. Outros precisam saber isso também. O melhor modo de se mostrar amor ao próximo é divulgar este conhecimento e ajudar outros a encontrar um modo de vida que valha a pena.”
O fato de aprender a verdade sobre o reino de Deus deu a Biagio esperança no futuro. O desejo natural de partilhar com outros essa esperança lhe proveu algo que verdadeiramente vale a pena fazer em sua vida.
A Busca de Khem do Objetivo da Vida
“Embora jovem, eu era escritor bem-sucedido na minha terra natal, o Camboja”, relata Khem. “Tinha prestígio, sucesso, um trabalho bem remunerado — tudo o que os jovens desejam. Não obstante, não via nenhum sentido especial na vida. De fato, escrevi uma novela intitulada ‘A Vida não Tem Objetivo’.
“Sabe, fui criado como budista praticante, mas perdi a fé nessa religião. Após abandonar o budismo, voltei-me para a filosofia, mas logo descobri que para cada filósofo havia um ‘antifilósofo’. Em que havia de crer? Muitas vezes perguntava a mim mesmo para que eu estava vivendo.
“Na década de 1970, o Camboja se lançou numa guerra civil. Presenciei execuções. Vi sepulturas coletivas, bem como rios e lagos cheios de cadáveres e literalmente vermelhos de sangue. A tradição cambojana de dois mil anos foi varrida quase da noite para o dia. Nenhum cambojano teria pensado que isso seria possível!
“As autoridades estavam a minha procura. Portanto, junto com outros, fugi para as matas, na esperança de alcançar a Tailândia. Durante essa viagem, pensei muito sobre a existência de Deus. Quão maravilhosa e complexa é a criação! De certa forma não me satisfazia a idéia de atribuir isso tudo ao mero acaso ou a forças naturais cegas. Por que não dar a honra a um Criador sábio?
“Refleti sobre essa pergunta por muito tempo. Daí, pela primeira vez na vida, orei realmente do fundo do coração. Pela primeira vez, compreendi que tem ‘de haver um Criador. Mas qual era seu propósito para o homem? Por que permite ele o sofrimento e o mal como eu havia presenciado no meu próprio pais? Qual é a religião que adora o verdadeiro Deus? Estava apercebido de que se conseguisse atravessar a selva, minha procura de respostas a essas perguntas teria prioridade em minha vida. Depois de 10 dias, esgotados e meio mortos de subnutrição, chegamos à Tailândia.
“No campo dos refugiados na Tailândia adquiri uma Bíblia na minha língua nativa e aprendi que o Deus que se revelara aos antigos judeus era também o Deus dos cristãos. Mediante a Bíblia, vi que ele tem um nome pessoal: Jeová Desejei chegar a conhecer melhor esse Deus.
“Depois de passar cinco meses na Tailândia, emigrei para a Áustria Certo dia, encontrei um impresso que me convidava a um Salão do Reino das Testemunhas de Jeová. O nome Jeová significava algo para mim, mas quem eram suas testemunhas? A respeito de que podiam dar testemunho? Cético e curioso, fui ao seu Salão do Reino.
“Visto que eu ainda estava aprendendo alemão, não entendi todo o discurso que ouvi, mas consegui entender que estava aprendendo as boas novas do reino de Deus. Por meio do reino de Jeová, a terra se tornará um paraíso, onde as pessoas não mais verterão lágrimas de dor e sofrimento e no qual Deus ‘fará novas todas as coisas’. (Revelação ou Apocalipse 21:3-5) Isso era exatamente o que eu esperava de um Deus poderoso e justo! Mas por que não havia Jeová criado um mundo assim há muito tempo?
“As Testemunhas começaram a ter palestras bíblicas comigo regularmente, respondendo às minhas perguntas”, diz Khem. Durante essas palestras, ele ficou sabendo que Deus criou o mundo para que fosse sem dor, sem sofrimento e sem o mal. Esses elementos, que fizeram com que Khem se perguntasse sobre o significado da vida, não faziam parte do propósito original de Deus. Não foi senão quando a humanidade rejeitou o domínio de Jeová que começaram essas dificuldades. Mas a evidência é inequívoca de que a triste história de rebelião da humanidade e conseqüente alienação de Deus terminarão em breve!
“Regozijei-me de encontrar uma religião que me provava suas crenças por meio da Bíblia, e não exigia que se cresse cegamente”, diz agora Khem. “Oh! quanto eu gostaria de partilhar as boas novas do reino de Deus com meu povo dominado pela dor no Camboja! Visto que isso não é possível no momento, estou divulgando as ‘boas novas’ entre meus semelhantes na Áustria. Que privilégio é ser colaborador de Deus e ter parte nesta obra de salvar vidas! Posso agora dizer, com toda a alegria, que a vida tem realmente um objetivo!”
[Destaque na página 9]
“O mesmo sentimento de futilidade que eu tinha levou alguns jovens à dependência de drogas ou até mesmo ao suicídio.”
[Destaque na página 10]
Se Deus não e responsável pelas atuais condições do mundo, quem o é?
[Destaque na página 11]
Khem aprendeu que Deus fará desta terra um paraíso livre de sofrimento.
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Cientes de sua necessidade espiritualDespertai! — 1982 | 8 de outubro
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Cientes de sua necessidade espiritual
NÃO obstante as diferenças em muitos sentidos entre o italiano Biagio e o cambojano Khem, eles têm algo muito importante em comum. Ambos sentiam que sua vida era um tanto vazia, não realizada. Suas necessidades materiais eram satisfeitas, mas não suas necessidades espirituais. Desejavam respostas a perguntas tais como: ‘Por que existe o mal no mundo?’ ‘Qual é o objetivo de minha vida?’
Jesus iniciou seu famosíssimo sermão, dizendo: “Felizes os cônscios de sua necessidade espiritual, porque a eles pertence o reino dos céus.” (Mateus 5:3) As experiências de Khem e de Biagio ilustram isso. Quando ouviram as boas novas do reino de Deus por meio das Testemunhas de Jeová, reagiram com alegria, porque, de certa forma no íntimo, sabiam que satisfaziam sua necessidade espiritual. Pôr causa de seu apreço por estas “boas novas”, eles agora partilham estas com outros. Afinal, o que poderia ser mais satisfatório do que ajudar outras pessoas, satisfazer sua necessidade espiritual e ganhar a esperança da vida eterna? Foi esse apreço pelas “boas novas” que deu a Biagio e a Khem um objetivo na vida.
É triste dizer, mas é possível jovens nascidos de pais cristãos conhecerem as “boas novas” e não as apreciarem. “Chega um momento na vida em que uma pessoa jovem tem de decidir por si própria aceitar ‘a verdade’”, disse uma Testemunha adolescente. “Precisa perguntar-se: Acredito realmente nela?” Alguns jovens permitiram que a ênfase que o mundo dá à busca de riquezas e de prazeres os deixasse cegos quanto às suas próprias necessidades espirituais. Mas conduzirá isso à felicidade? “O mundo é assustador”, prosseguiu dizendo a jovem Testemunha. “Os jovens estão perturbados. Não sabem o que irá acontecer com o mundo, e não sabem o que querem. Mas eu sei que Jeová permitirá que as coisas cheguem só até certo ponto. Tenho uma segurança que outros não têm.” Não são tal segurança e o senso de objetivo de maior valor do que simplesmente ‘divertir-se’? Certamente foi assim com Biagio e com outros que aprenderam a verdade sobre o reino de Deus.
Há outra vantagem em levar a sério a verdade. “Tenho verdadeiros amigos”, diz essa jovem Testemunha. “Os outros na escola não têm, e sinto pena deles. Mesmo nas suas festas não têm verdadeira satisfação de falar uns com os outros, exceto quando estão drogados ou embriagados.” Biagio teve experiência um tanto similar antes de se tornar Testemunha de Jeová. Falando sobre si mesmo e sobre outros semelhantes a ele, relembra: “Penso que éramos felizes só nas noites em que podíamos ir a alguma espécie de clube ou discoteca. Dentro desses lugares, a música e as luzes criavam uma atmosfera irreal que afastava o tédio e a solidão — mas só por pouco tempo.”
Na sua profecia sobre os tempos em que vivemos, Jesus avisou sobre a negligência das necessidades espirituais, dizendo: “Prestai atenção a vós mesmos, para que os vossos corações nunca fiquem sobrecarregados com o excesso no comer, e com a imoderação no beber, e com as ansiedades da vida, e aquele dia venha sobre vós instantaneamente como um laço. Pois virá sobre todos os que moram na face de toda a terra. Portanto, mantende-vos despertos, fazendo todo o tempo súplica para que sejais bem sucedidos em escapar de todas estas coisas que estão destinadas a ocorrer, e em ficar em pé diante do Filho do homem.” — Lucas 21:3-36.
Cristãos jovens e idosos precisam tomar a peito essas palavras. Deverão perguntar-se: Estou realmente cônscio de minha necessidade espiritual? Ou deixei-me ficar distraído, ‘sobrecarregado’, quer pelos prazeres, quer pelos problemas deste sistema de coisas? É real o reino de Deus para mim? Sou realmente uma pessoa que tem espiritualidade? Ou sou indiferente, e estou tentando ‘servir a dois amos’? Seria uma terrível e desnecessária tragédia alguém perecer por deixar de reconhecer sua necessidade espiritual!
Está, seguindo o conselho de Jesus de manter-se espiritualmente desperto, “fazendo todo o tempo súplica”? Jeová ouviu sem dúvida a oração sincera de Khem nas selvas do Camboja e cuidou de satisfazer a necessidade espiritual dele. Deus fará o mesmo para você, mas precisa persistir em pedir!
Segundo indica a Bíblia, “a carne é contra o espírito no seu desejo, e o espírito contra a carne”. (Gálatas 5:17) Portanto, quanto mais satisfizer os desejos carnais, tanto mais difícil se tornará reconhecer sua necessidade espiritual. Será que seu entretenimento — as revistas que lê, os programas de TV e os filmes a que assiste — está tornando difícil que reconheça sua necessidade espiritual? Por que não decide reservar tempo cada dia para ler pelo menos um pequeno trecho da Palavra de Deus e meditar sobre ele? Por que não substitui parte do programa de TV com a leitura de publicações cristãs sadias? O livro que ajudou a Biagio, A Verdade Que Conduz à Vida Eterna, serviria de plano de estudo que vale a pena.
Realmente, será que há desculpa para um cristão que negligencia as coisas espirituais nestes tempos críticos? Se um jovem como Biagio, que estava desnorteado no mundo, pôde reconhecer sua necessidade espiritual para ter um objetivo na vida, que se pode dizer de um jovem cristão que não reconhece tal necessidade? Não é a situação dele um pouco como foi descrita por Jesus, em Lucas, capítulo 12? Jesus falou ali em parábola sobre seu retorno em nossos dias e disse: “Então, aquele escravo, que entendeu a vontade de seu amo, mas não se aprontou, nem fez em harmonia com a sua vontade, será espancado com muitos golpes. . . . Deveras, todo aquele a quem muito foi dado, muito se reclamará dele.” (Lucas 12:47, 48) Se lhe foi dado conhecimento sobre a profecia bíblica e o significado do reino de Deus, não devia levar a peito as palavras acima?
Jesus não disse aos cristãos que ‘levantassem suas cabeças’ porque este sistema de coisas que está degenerando seria salvo. É tolice esperar isso. Antes, ele prometeu que seus seguidores seriam livrados. A Bíblia é clara em declarar que o mundo, conforme o conhecemos, caminha para a destruição numa “grande tribulação, tal como nunca ocorreu desde o princípio do mundo até agora, não, nem tampouco ocorrerá de novo”. — Mateus 24:21.
Como se sente quanto ao mundo hoje? Percebe quão totalmente irreformável e digno de destruição ele é? Se assim for, por que não se coloca em situação que resulte em “livramento”? Poderá ser como as pessoas que o profeta Ezequiel viu em visão, as quais estavam marcadas para a salvação na antiga Jerusalém, que prefigurava a cristandade moderna. Essas pessoas vinham ‘suspirando e gemendo por causa de todas as coisas detestáveis que se faziam’ naquela cidade infiel. (Ezequiel 9:4) hoje também Jeová está procurando tais pessoas que gemem por causa da maldade que vêem nas sociedades “cristãs” e não-cristãs ao redor delas. Essas pessoas precisam compreender que sua necessidade espiritual só pode ser satisfeita completamente num mundo governado por Deus, onde ‘se realize a Sua vontade, como no céu, assim também na terra’. (Mateus 6:10) Gostaria você de viver num mundo assim? Biagio e Khem esperam isso, e vivem agora em harmonia com a esperança que têm. Pode-se dar o mesmo com você!
[Foto na página 13]
Chega um momento na vida em que uma pessoa Jovem tem de decidir por si própria aceitar a verdade bíblica. Precisa perguntar-se: Acredito realmente nela?
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Perdeu uma partida de xadrezDespertai! — 1982 | 8 de outubro
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Perdeu uma partida de xadrez
Foram realizadas em Merano, Itália, algum tempo atrás, partidas do campeonato mundial de xadrez Korchnoi, descrito como “um tipo de homem taciturno, grosseiro e intratável, que sempre parecia pronto para resmungar”, desafiou o campeão Karpov e perdeu. Por quê? Na opinião de alguns que assistiram à partida, não foi totalmente devido à sua falta de perícia como jogador de xadrez. Os principais fatores foram seu temperamento mau e sua falta de autodomínio. Segundo Robert Byrne, correspondente especial do Times de Nova Iorque, Korchnoi fez tentativas de superar seu oponente “com braços agitados e olhares maldosos, tensões para esmagar a vaidade do outro e uma série de insultos descorteses”. Por outro lado, diz a reportagem, Karpov “não fez nenhum espalhafato, jogou com tácita determinação e . . . concentrou-se unicamente no xadrez nesta partida”. Korchnoi poderia ter aprendido uma ou outra coisa do antigo Rei Salomão, que certa vez escreveu: “Quem é vagaroso em irar-se é abundante em discernimento.” “Melhor é o vagaroso em irar-se do que o homem poderoso, e aquele que controla seu espírito, do que aquele que captura uma cidade” “Como uma cidade arrombada, sem muralha, é o homem que não domina seu espírito.” (Provérbios 14:29; 16:32; 25:28) A pessoa se pergunta se outra causa contribuinte da derrota de Korchnoi não foi o fato de ter ele “colocado na primeira fileira da assistência um guru ioga vestido de roupa cor de laranja pelo que parece para lançar feitiço no campeão”. Valer-se assim de um artifício religioso certamente não seria de ajuda real para a causa de Korchnoi.
É interessante notar que o próprio conceito de Deus sobre os religiosos fanáticos da espécie dos iogas reflete-se no seu mandamento a seu povo de Israel: “Não se deve achar em ti alguém que . . . empregue adivinhação, algum praticante de magia ou quem procure presságios, ou um feiticeiro, ou alguém que prenda outros com encantamento, ou alguém que vá consultar um médium espírita, ou um prognosticador profissional de eventos” — Deuteronômio 18:10, 11.
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