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Um mundo confuso — pode transformá-lo?Despertai! — 1976 | 22 de dezembro
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Um mundo confuso — pode transformá-lo?
Milhões de pessoas crêem que a situação mundial é extremamente crítica. Quem pode transformá-la para melhor? Podem os jovens fazê-lo?
HÁ MUITA coisa errada no mundo. Ninguém discorda disso. Muitos jovens crêem que a situação é tão crítica que são necessárias mudanças, se a família humana há de sobreviver. Com efeito, alguns deles crêem já ser tarde demais para se evitar o desastre mundial. Com, parariam o curso que o mundo toma a um trem desgovernado que se precipita colina abaixo em direção a um canyon escancarado, tendo sido destroçada a ponte que o cruzava.
A maioria das pessoas mais idosas, contudo, provavelmente não concordam. Inclinam-se a achar que este mundo confuso vai recuperar-se, de algum modo, e que tudo no fim dará certo. “Veja os dias obscuros da Grande Depressão, ou os do período da Segunda Guerra Mundial”, talvez digam. “As condições amiúde pareciam desesperadas, mas melhoraram. O mundo sobreviveu, e sobreviverá de novo.”
“Mas, a situação não é a mesma”, responderão prontamente muitos jovens. “É completamente diferente agora.” E, francamente, eles têm certa razão.
Criou-se uma sociedade muito diferente. Em seu livro Future Shock (Choque Futuro), Alvin Toffler escreve: “Estamos simultaneamente passando por uma revolução dos jovens, uma revolução sexual, uma revolução racial, uma revolução colonial, uma revolução econômica, e a mais rápida e profunda revolução tecnológica da história.”
Se encararmos o atual mundo atribulado em que vivemos, temos de reconhecer que aquilo que aconteceu nas gerações prévias talvez não seja aplicável às situações hodiernas. Temos de tentar captar o efeito que a chocante revolução da sociedade exerce sobre os jovens.
Considere, para exemplificar, o efeito da revolução tecnológica, alimentada primariamente pelas centenas de milhões de litros de petróleo retirados diariamente da terra. Os jovens não raro ficam perplexos diante do emprego errado dos recursos. A taxa desenfreada em que estes estão sendo consumidos, não só se esgotarão em breve, mas, o ar, a água e o solo ficarão envenenados!
Os jovens se inclinam a exclamar: “Como é que a geração de nossos pais ousa esgotar os recursos da terra, e poluir o meio ambiente, estragando-o para nós e nossos prospectivos filhos!”
Não nos apraz tal conceito? Pois que acharia de entrar num parque e ver pisadas suas flores e folhagens, outrora lindas, suas árvores majestosas queimadas e o solo repleto de lixo? Muitos jovens acham que isto, efetivamente, é o que tem sido feito à terra pela geração mais velha, e há ameaça de algo ainda pior. E não têm eles motivo de se preocupar?
Pense nisso. Nunca antes uma geração de jovens cresceu dotada do conhecimento de que armas nucleares poderiam exterminar por várias vezes a civilização! Fazendo um contraste com a geração anterior, o comentarista inglês, Jeff Nuttall, indica que os jovens que alcançaram a puberdade antes do raiar da era atômica “eram incapazes de conceber a vida sem futuro”. Mas, os que cresceram desde então, comenta, “eram incapazes de conceber a vida com futuro”. Como sublinha Nuttall: “Jamais tiveram o senso do futuro.” A ameaça de o próprio homem estourar a civilização em pedacinhos radioativos é uma perspectiva real e crível para eles.
Realmente, que impressão podemos esperar que os jovens tenham dos homens no poder? Um rapaz de 17 anos simplesmente dizia o que muitas pessoas observam, quando escreveu ao Times de Nova Iorque, de 22 de novembro de 1975: “As pessoas igualam o político a um assaltante, um agressor, um artista trapaceiro; muitos acham que nossos líderes não cuidam constantemente de ninguém, exceto de si mesmos.”
Quando as crianças atingem a puberdade, passam a compreender que os comerciantes, que só buscam lucros financeiros, é que são os responsáveis por expô-los a uma dieta mental venenosa de crime e violência. Destacada revista dos Estados Unidos, em seu número de setembro de 1975, noticiou: “Seu filho, se for típico, observará 13.000 pessoas morrerem na televisão, antes de completar 15 anos. Caso visse cada espetáculo no horário nobre da rede, este ano, testemunharia a assassinatos, espancamentos, estupros, agressões pelas costas, e roubos, numa taxa de oito por hora, com três de cada quatro programas destacando a violência.”
Também, à medida que os jovens ficam mais velhos, começam a discernir que são os comerciantes gananciosos que põem em perigo a vida na terra, por meio de poluentes, e que são os líderes famintos de poder que colocam em perigo a civilização, por construírem arsenais nucleares. Podemos culpar os jovens por virem a odiar o sistema que tanto fez para estragar suas perspectivas de um futuro feliz e seguro? O cientista Szent-Györgyi, Prêmio Nobel, compreendeu como muitos jovens se sentiam, explicando:
“Verificam que tudo é mentira. Os grandes partidos políticos buscam lucro e poder; os militares, o domínio, cevando os corpos jovens deles. . . . Vêem que as religiões estão sempre do lado do poder. E observam que, ao passo que a metade das crianças do mundo vão dormir famintas, sem o alimento de que necessitam para criar mentes e corpos sãos, gastamos centenas de bilhões para elevar cada vez mais alto nosso estoque de bombas e mísseis nucleares. Observam que a maioria dos seus líderes políticos estão realmente preocupados apenas com sua própria reeleição, em manterem seu poder, enchendo o povo de argumentos que deveriam ser rejeitados pela lógica mais simples.”
Sim, muitos jovens encaram este mundo como sendo corruto e cruel! E não temos de concordar? Mas, alguns lhe dirão: ‘Pode-se construir um mundo melhor. Pode-se limpar de seu governo os elementos corrutos e imorais. Pode-se fazer isso.’ Mas, podem os jovens transformar este mundo confuso, e criar um mundo novo e melhor. É desperdício de tempo tentar fazê-lo?
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Pode o mundo ser transformado?Despertai! — 1976 | 22 de dezembro
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Pode o mundo ser transformado?
MUITOS imaginam que se poderia criar um mundo melhor. E, no passado, os jovens estavam ansiosos de tentá-lo. Na década de 60, por exemplo, os jovens comumente constituíam manchetes em seus esforços de reformar o sistema. Milhares deles, em massa, protestaram contra o que consideraram ser uma sociedade racista, sem lei e cruel. Mais recentemente, porém, cessaram praticamente todos esses esforços de mudar o sistema.
Há alguns anos, quando práticas corrutas de alguns dos homens mais poderosos do mundo foram focalizadas, os jovens dificilmente soltaram um pio de indignação. Tratava-se dum silêncio surpreendente, em vista dos esforços dos jovens de reformar as coisas, há apenas alguns anos antes! Por quê?
Em seu livro The Conspiracy of the Young (A Conspiração dos Jovens), os professores Paul Lauter e Florence Howe comentaram o que produziu essa atitude mudada dos jovens, nos tempos recentes: “Havia uma crença fundamental [há alguns anos], que se poderia chamar de otimismo da classe média, talvez, de que as instituições poderiam ser reconstruídas . . . Mas, a guerra [do Vietname] mudou tudo isso.”
Os maiores empenhos dos jovens na década de 60, de reformar o sistema, fizeram com que encarassem as duras realidades. Vieram a conscientizar-se de algo que não compreendiam antes, algo a que muitas pessoas mais velhas desejam fechar os olhos. E isso é: o mundo é básica e fundamentalmente corruto, e tem sido sempre assim. Um jovem ativista da década de 60 apontou para tal compreensão, escrevendo na Times Magazine de Nova Iorque, em data recente: “Chegamos à conclusão, de modo correto, que vivemos num sistema podre, corruto, moralmente falido, brutalmente explorador, deixando de compreender apenas que isto significava que o mundo estava girando como de costume.”
Qual, então, é a conclusão a que muitos jovens chegaram? É a de que nada podem fazer para mudar a corrução existente; é podre até o âmago, inclusive em sua política, comércio e religião. Não pode ser transformado num mundo melhor. Como escreveu outro ativista jovem da década de 60 sobre seus esforços de melhorar o mundo: “Estas experiências me fizeram sentir que o sistema não podia ser reformado. Desisti de transformá-lo — ‘comer, beber e divertir-me’ tornou-se a minha filosofia.” E, a julgar pelo que vemos, milhões de outros jovens adotaram a mesma atitude.
“Essa é que é a dificuldade de muitos jovens de hoje”, queixam-se certas pessoas mais velhas. “São tão negativos e pessimistas.” É bem provável, porém, que os jovens respondam: “Não estamos sendo negativos; estamos apenas sendo realistas.” E, deveras, crescente número de pessoas, que consideram a evidência, concordariam com eles. Por exemplo, no resumo do amplamente divulgado Segundo Relatório ao Clube de Roma, intitulado “A Humanidade num Momento Decisivo”, chegou-se à conclusão: “Estamos num curso fatal. . . . As probabilidades parecem ser contrárias ao homem.”
Também, os Professores Dennis C. Pirages e Paul R. Ehrlich prevêem o desastre mundial, explicando, na conclusão do seu livro Ark II (Arca II): “O que está acontecendo e o que tem acontecido nos Estados Unidos e ao redor do mundo é sintomático de um impendente colapso maciço da ordem industrial. Estamos agora enredados numa tragédia gigantesca das pessoas comuns; cada pessoa, cada família e cada nação se empenha em ficar à frente, ao passo que o sistema inteiro está à beira do colapso.”
A maioria das pessoas mais velhas, contudo, ao passo que concordam que o mundo se acha em condição ruim, argumentarão que é o único mundo que temos. Portanto, afirmam, ao invés de desistir de tudo e planejar seu colapso, deveríamos fazer tudo ao nosso alcance para salvá-lo, para reformá-lo. Os jovens de hoje, porém, encaram comumente tais esforços reformadores como desperdício
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