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  • Por que será que me sinto assim?
    Os Jovens Perguntam — Respostas Práticas
    • Seção 4

      Por que será que me sinto assim?

      Solitário, deprimido, mal-humorado, desanimado — será assim que se sente a maior parte do tempo? Naturalmente que não! Como a maioria dos jovens, é provável que você se sinta relativamente bem consigo mesmo. Todavia, de vez em quando, até mesmo o melhor de nós apresenta certa dose de emoções negativas. Prossiga sua leitura, e descubra como você poderá entender melhor a si mesmo, e lidar com tais sentimentos.

  • Por que será que não gosto de mim mesmo?
    Os Jovens Perguntam — Respostas Práticas
    • Capítulo 12

      Por que será que não gosto de mim mesmo?

      “EU DE jeito nenhum me considero alguém especial”, lamentava-se Luísa. Será que você também, vez por outra, não se sente bem consigo mesmo?

      Realmente, todos precisam de certa dose de amor-próprio. Isto tem sido chamado de “o ingrediente que dá dignidade à existência humana”. Ademais, a Bíblia diz: “Tens de amar o teu próximo como a ti mesmo.” (Mateus 19:19) E, se você não se sente bem consigo mesmo, provavelmente também não se sentirá bem em relação aos outros.

      ‘Não Consigo Fazer Nada Direito’

      Qual seria a razão de você nutrir estes sentimentos negativos sobre si mesmo? Por um lado, suas limitações podem frustrá-lo. Você está crescendo, e, muitas vezes, existe um período em que se torna desajeitado, em que fica diariamente embaraçado por deixar cair as coisas ou chocar-se com elas. Daí, também, você simplesmente não possui a experiência dum adulto em recuperar-se de desapontamentos. E, visto que suas “faculdades perceptivas” ainda não foram suficientemente treinadas, “pelo uso”, você nem sempre fará as decisões mais sábias possíveis. (Hebreus 5:14) Por vezes, poderá achar que não consegue fazer nada direito!

      O fracasso de satisfazer as expectativas dos pais pode ser outra causa do pouco amor-próprio. “Se quase tiro a nota máxima”, diz um jovem, “meus pais querem saber por que não tirei a nota máxima, e me dizem que sou um fracasso.” Naturalmente, é instintivo que os pais instem com os filhos a se esforçarem ao máximo. E, quando você não satisfaz as expectativas razoáveis, pode ter certeza de que eles lhe dirão isso. O conselho da Bíblia é: “Escuta, meu filho [ou, minha filha], a disciplina de teu pai e não abandones a lei de tua mãe.” (Provérbios 1:8, 9) Em vez de se sentir desanimado, aceite a crítica serenamente e aprenda dela.

      Como agir, porém, se seus pais fazem comparações injustas? (“Por que você não é como seu irmão mais velho, o Paulo? Ele sempre recebeu menção honrosa.”) Tais comparações, embora possam parecer dolorosas no momento, muitas vezes frisam um ponto válido. Seus pais só desejam o melhor para você. E se achar que eles estão sendo duros demais com você, por que não conversa calmamente com eles sobre isso?

      Cultive Seu Auto-Respeito

      Como poderá elevar seu pouco amor-próprio? Primeiro, faça um exame honesto de seus pontos positivos e negativos. Descobrirá que muitos de seus chamados pontos negativos são bem insignificantes. Que dizer de graves falhas, tais como um temperamento irascível ou o egoísmo? Aplique-se conscienciosamente a solucionar tais problemas, e seu auto-respeito certamente aumentará.

      Ademais, não feche os olhos à realidade de que você já possui pontos positivos! Talvez não ache que saber cozinhar ou trocar um pneu furado seja tão importante assim. Mas alguém com fome ou um motorista em apuros admirará você por saber fazer isso! Pense, também, em suas virtudes. É estudioso? Paciente? Compassivo? Generoso? Bondoso? Tais qualidades compensam em muito as pequenas falhas.

      Poderá também ser útil considerar a seguinte breve lista de verificação:

      Estabeleça alvos realísticos: Se visar sempre as estrelas, poderá sofrer amargo desapontamento. Fixe alvos atingíveis. Que dizer de aprender um ofício, como a datilografia? Aprenda a tocar um instrumento musical, ou a falar outra língua. Aprimore ou amplie sua leitura. O auto-respeito é um útil subproduto da realização.

      Faça um bom trabalho: Se seu trabalho for relaxado, você não irá sentir-se bem consigo mesmo. Deus derivou prazer em realizar suas obras criativas e declarou que os períodos criativos eram ‘bons’, quando concluídos. (Gênesis 1:3-31) Você, também, poderá sentir prazer em qualquer tarefa que realizar em casa ou na escola, por executá-la perita e conscienciosamente. — Veja Provérbios 22:29.

      Faça coisas pelos outros: Não se granjeia o auto-respeito por ficar sentado e deixar que os outros o sirvam. Jesus disse que ‘quem quiser tornar-se grande terá de ser um ministro’, ou servo, de outros. — Marcos 10:43-45.

      Por exemplo, Gina, de 17 anos, programou gastar 60 horas de cada mês das férias de verão em ajudar outros a aprender verdades bíblicas. Diz ela: “Isto me aproximou mais de Jeová. Também me ajudou a desenvolver um amor real pelas pessoas.” É bem improvável que esta moça feliz sinta falta de auto-respeito!

      Escolha cuidadosamente seus amigos: “Meu relacionamento comigo mesma é muito infeliz”, disse Bárbara, de 17 anos. “Quando estou com pessoas que confiam em mim, faço bem as coisas. Quando estou com aqueles que me tratam como uma peça de máquina, torno-me tola.”

      Pessoas altivas ou insultantes podem, deveras, fazer com que se sinta mal consigo mesmo. Assim, escolha amigos realmente interessados em seu bem-estar, amigos que o edifiquem. — Provérbios 13:20.

      Faça de Deus seu amigo mais íntimo: “Jeová é meu rochedo, e minha fortaleza”, declarou o salmista Davi. (Salmo 18:2) Sua confiança não dependia de suas próprias habilidades, mas de sua íntima amizade com Jeová. Assim, quando a adversidade mais tarde se abateu sobre ele, ele pôde suportar severas críticas sem perder a compostura. (2 Samuel 16:7, 10) Você, também, pode ‘chegar-se a Deus’ e, assim, ‘jactar-se’, não de si mesmo, mas de Jeová! — Tiago 2:21-23; 4:8; 1 Coríntios 1:31.

      Becos sem Saída

      Certo escritor disse: “Às vezes, o adolescente dotado de fraca identidade e pouco amor-próprio tenta criar uma falsa aparência ou fachada com a qual enfrentar o mundo.” São bem conhecidos os papéis que alguns assumem: O “sujeito durão”, a promíscua jovem da alta sociedade, o roqueiro punk afrontosamente trajado. Mas, por baixo das fachadas, tais jovens ainda se defrontam com sentimentos de inferioridade. — Provérbios 14:13.

      Considere, à guisa de exemplo, as pessoas que praticam a promiscuidade “para banir sentimentos de depressão, aumentar o amor-próprio [por se sentirem desejadas], conquistar intimidade e, com a gravidez, para granjear o amor e a aceitação inquestionável de outro ser humano — um bebê”. (Coping With Teenage Depression [Como Enfrentar a Depressão da Adolescência]) Uma moça desiludida escreveu: “Tentei obter conforto da intimidade sexual, em vez de tentar edificar um relacionamento sólido com meu Criador. Tudo o que construí foi um sentimento de vazio, de solidão e de mais depressão.” Cuidado, então, com tais becos sem saída.

      Uma Palavra de Cautela

      É interessante que as Escrituras freqüentemente alertem a pessoa a não ter um conceito elevado demais de si mesma! Por que isto se dá? Pelo visto, porque a maioria de nós, no esforço de obter autoconfiança, tende a ultrapassar os limites. Muitos tornam-se egotistas e exageram sobremaneira suas perícias e capacidades. Alguns se enaltecem por rebaixar outros.

      Lá no primeiro século, uma intensa rivalidade entre judeus e gentios (não-judeus) afligia uma congregação cristã em Roma. Assim, o apóstolo Paulo lembrou aos gentios que era apenas pela “benignidade” de Deus que eles haviam sido “enxertados” em uma posição de favor de Deus. (Romanos 11:17-36) Os judeus autojustos, por sua vez, tinham de confrontar-se com suas próprias imperfeições. “Pois todos pecaram e não atingem a glória de Deus”, disse Paulo. — Romanos 3:23.

      Paulo não os despojou de seu amor-próprio, mas disse: “Pois, por intermédio da benignidade imerecida que me foi dada, digo a cada um . . . que não pense mais de si mesmo do que é necessário pensar.” (Romanos 12:3) Assim, embora seja “necessário” ter certa medida de respeito próprio, a pessoa não deve ir a extremos neste sentido.

      Como comenta o Dr. Allan Fromme: “A pessoa dotada dum conceito adequado sobre si mesma não é triste, mas não precisa ser delirantemente feliz. . . . Não é pessimista, mas seu otimismo não é irrestrito. Não é nem temerária, nem livre de temores específicos . . . Dá-se conta de que não é o mais notável sucesso de todos os tempos, nem um perene fracasso.”

      Assim, seja modesto. “Deus opõe-se aos soberbos, mas dá benignidade imerecida aos humildes.” (Tiago 4:6) Reconheça seus pontos positivos, mas não ignore suas falhas. Antes, esforce-se para corrigi-las. Você ainda duvidará de si mesmo de vez em quando. Mas, não precisará jamais duvidar do seu valor pessoal, ou de que Deus se importa com você. Pois “se alguém ama a Deus, este é conhecido por ele”. — 1 Coríntios 8:3.

      Perguntas para Consideração Capítulo 12

      ◻ Por que alguns jovens têm sentimentos negativos sobre si mesmos? Pode identificar-se com os sentimentos de tais jovens?

      ◻ Como poderá lidar com as exigências de seus pais?

      ◻ Quais são alguns dos modos de se cultivar o auto-respeito?

      ◻ Quais são alguns becos sem saída que dificultam a edificação do amor-próprio?

      ◻ Por que deve ter cuidado de não ter um conceito elevado demais de si mesmo?

      [Destaque na página 98]

      Tem-se chamado o amor-próprio de “o ingrediente que dá dignidade à existência humana”.

      [Foto na página 99]

      Sente-se abatido, inferior? Há uma solução.

      [Foto na página 101]

      Tornar-se jactancioso ou muito prosa não é solução quando se sente pouco amor-próprio.

      [Foto na página 102]

      Acha, às vezes, que não consegue fazer nada direito?

  • Por que fico tão deprimido?
    Os Jovens Perguntam — Respostas Práticas
    • Capítulo 13

      Por que fico tão deprimido?

      Márcia sempre vivera de acordo com o ideal de criança perfeita aos olhos de sua mãe — até completar os 17 anos. Daí, ela abandonou as atividades escolares, parou de aceitar convites para festas e nem parecia importar-se mais quando suas notas caíram da nota máxima para outras inferiores. Quando os pais dela perguntavam gentilmente o que havia de errado, ela saía bruscamente, dizendo: “Deixem-me em paz! Não há nada de errado.”

      Marcos, aos 14 anos, era impulsivo e hostil, tendo temperamento explosivo. Na escola, era irrequieto e perturbador. Quando ficava frustrado ou irritado, corria pelo deserto de motocicleta, ou arremessava-se por ladeiras bem íngremes no seu “skate”.

      TANTO Márcia como Marcos sofriam de diferentes formas da mesma doença — a depressão. O Dr. Donald McKnew, do Instituto Nacional de Saúde Mental, dos EUA, afirma que de 10 a 15 por cento das crianças e jovens em idade escolar talvez sofram de distúrbios de temperamento. Um número menor sofre de depressão profunda.

      Às vezes, existe uma causa biológica para o problema. Algumas infecções ou doenças do sistema endócrino, as alterações hormonais do ciclo menstrual, a hipoglicemia, certos medicamentos, a exposição a metais ou substâncias químicas tóxicas, as reações alérgicas, uma dieta desequilibrada, a anemia — tudo isto pode provocar a depressão.

      Pressões Causam Depressão

      No entanto, os próprios anos da adolescência são, muitas vezes, a fonte do stress emocional. Não dispondo da experiência dum adulto para lidar com os altos e baixos da vida, o jovem pode achar que ninguém se importa, e pode ficar dolorosamente deprimido diante de assuntos relativamente comuns.

      Não conseguir satisfazer às expectativas dos pais, dos professores, ou dos amigos, é outra causa da melancolia. Danilo, por exemplo, achava que tinha de sair-se muito bem na escola para agradar a seus pais bem-instruídos. Não conseguindo isso, ficou deprimido e alimentou idéias suicidas. “Nunca fiz nada direito. Sempre desapontei a todo o mundo”, lamentava-se Danilo.

      Que a sensação de fracasso pode provocar depressão é evidente no caso de um rapaz chamado Epafrodito. No primeiro século, este cristão fiel foi enviado numa missão especial, para ajudar o apóstolo Paulo, que estava preso. Mas quando ele chegou até Paulo, logo ficou doente — e foi Paulo que teve de cuidar dele! Pode imaginar, então, o motivo de Epafrodito talvez se ter considerado um fracasso, e ter ficado “deprimido”. Pelo visto, ele despercebeu todo o bem que havia realizado antes de ficar doente. — Filipenses 2:25-30.

      Sentimento de Perda

      Francine Klagsbrun escreveu em seu livro Too Young to Die—Youth and Suicide (Jovem Demais Para Morrer — A Juventude e o Suicídio): “Na raiz de muitas depressões de ordem emocional jaz um profundo sentimento de perda, de alguém ou de algo que tenha sido amado profundamente.” Assim, a perda dum genitor, seja na morte, seja através do divórcio, a perda dum emprego ou duma carreira, ou até mesmo a perda da saúde física, também poderia ser a causa da depressão.

      Uma das mui devastadoras perdas para o jovem, porém, é a privação do amor, o sentimento de não ser desejado nem ter alguém que se importe com ele. “Quando minha mãe nos deixou, eu me senti traída e sozinha”, revelou uma jovem chamada Marie. “Meu mundo subitamente parecia ter virado de cabeça para baixo.”

      Imagine, então, quão desnorteados e feridos se sentem alguns jovens quando confrontados com problemas familiares, tais como o divórcio, o alcoolismo, o incesto, o espancamento da esposa, o abuso sexual de menores, ou a simples rejeição por parte do pai (ou da mãe) que está mergulhado em seus próprios problemas. Quão veraz é o provérbio bíblico: “Mostraste-te desanimado no dia da aflição? Teu poder [inclusive a capacidade de resistir à depressão] será escasso”! (Provérbios 24:10) O jovem talvez até mesmo se culpe, erroneamente, pelos problemas da família.

      Reconhecer os Sintomas

      Há diferentes graus de depressão. Um jovem poderia, temporariamente, ficar com o moral baixo por algum transtorno. Mas, em geral, tal melancolia é relativamente curta.

      No entanto, se persiste a disposição melancólica e deprimida, e o jovem nutre generalizado sentimento negativo, junto com sentimentos de inutilidade, de ansiedade e de ira, isto pode transformar-se no que os médicos chamam de depressão crônica de baixo grau [primária]. Como mostram as experiências de Marcos e de Márcia (mencionados no início), os sintomas podem variar consideravelmente. Um jovem pode ter episódios de ansiedade. Outro pode sentir-se sempre cansado, não ter apetite, ter dificuldades de dormir, perder peso, ou sofrer uma série de acidentes.

      Alguns jovens tentam dissimular a depressão por se entregarem à busca louca de prazer: uma rodada infindável de festas, promiscuidade sexual, vandalismo, beber em excesso, e coisas semelhantes. “Realmente não sei por que tenho de sair o tempo todo”, confessou um rapaz de 14 anos. “Só sei que, quando estou sozinho, sem ninguém, eu me dou conta de quão mal me sinto.” É exatamente como a Bíblia descreveu: “Mesmo no riso o coração talvez sinta dor.” — Provérbios 14:13.

      Quando Se Trata de Algo Mais do que Melancolia

      Caso não se combata a depressão crônica de baixo grau, ela pode tornar-se uma doença mais grave — a depressão profunda. (Veja a página 107.) “Eu me sentia constantemente como se estivesse ‘morta’ por dentro”, explicou Marie, vítima de depressão profunda. “Eu simplesmente existia, sem sentir emoção alguma. Sentia-me constantemente apreensiva.” Na depressão profunda, a disposição tristonha é constante, e pode prosseguir durante meses. Por conseguinte, este tipo de depressão é o ingrediente mais comum no caso dos suicídios de adolescentes — o que agora é considerado uma “epidemia oculta” em muitos países.

      A emoção mais persistente ligada à depressão profunda — e a mais mortífera — é uma profunda sensação de desesperança. O Professor John E. Mack escreve a respeito duma jovem de 14 anos, chamada Vivienne, vítima de depressão profunda. Segundo todas as aparências, ela era uma jovem ideal, tendo pais que se importavam com ela. Todavia, nas profundezas do desespero, ela se enforcou! Escreveu o Professor Mack: “A incapacidade de Vivienne de prever que sua depressão pudesse dissipar-se algum dia, que ela tivesse alguma esperança de finalmente obter alívio de sua dor, é um importante elemento na decisão dela de se matar.”

      Os que padecem de depressão profunda sentem-se, assim, como se jamais fossem melhorar, como se não existisse o amanhã. Tal desesperança, de acordo com os peritos, não raro leva ao comportamento suicida.

      O suicídio, contudo, não é a solução. Admitiu Marie, cuja vida se tornara um pesadelo vivo: “Idéias suicidas certamente me passaram pela mente. Mas compreendi que, conquanto eu não me matasse, sempre haveria uma esperança.” Pôr fim a tudo deveras não resolve nada. Infelizmente, diante duma situação desesperada, muitos jovens não conseguem sequer visualizar alternativas, ou a possibilidade de um desfecho favorável. Marie, assim, tentou ocultar seu problema por tomar injeções de heroína. Disse ela: “Eu me sentia muito autoconfiante — até passar o efeito da droga.”

      Lidar com Tensões Menores

      Há meios sensatos de se lidar com sentimentos depressivos. “Alguns ficam deprimidos porque estão com fome”, comentou o Dr. Nathan S. Kline, especialista em depressão, de Nova Iorque, EUA. “A pessoa talvez não tome seu desjejum, e, por alguma razão, deixe de almoçar. Daí, lá pelas quinze horas, começa a se perguntar por que não se sente bem.”

      Aquilo que você come também pode fazer diferença. Admitiu Débora, uma moça afligida por sentimentos de desespero: “Eu não imaginava que tais alimentos sem valor nutritivo fossem tão prejudiciais ao meu estado de ânimo. Comia muito disso. Noto agora que me sinto melhor quando como menos doces.” Outras medidas úteis: Alguma espécie de exercício pode fazê-lo recobrar o ânimo. Em alguns casos, um exame médico geral seria apropriado, uma vez que a depressão pode ser sintoma duma doença física.

      Vencer a Batalha da Mente

      Muitas vezes, a depressão é provocada ou agravada por a pessoa nutrir pensamentos negativos sobre si mesma. “Quando você já passou por situações em que muitas pessoas a magoaram”, lamentou-se Etelvina, de 18 anos, “isso a leva a pensar que você não tem nenhum valor”.

      Considere o seguinte: Cabe realmente a outros decidir o seu valor como pessoa? O apóstolo Paulo sofreu similar zombaria. Alguns diziam que ele era um orador fraco e sem talento. Será que isto fez com que Paulo se sentisse imprestável? De jeito nenhum! Paulo sabia que o que importava era satisfazer o padrão de Deus. Ele podia jactar-se daquilo que tinha realizado, com a ajuda de Deus — apesar do que os outros diziam. Se você, também, lembrar a si mesmo de que tem uma posição perante Deus, muitas vezes isto dissipa a disposição melancólica. — 2 Coríntios 10:7, 10, 17, 18.

      E se você se sente deprimido por causa duma fraqueza, ou dum pecado que tenha cometido? “Embora os vossos pecados se mostrem como escarlate”, Deus disse a Israel, “serão tornados brancos como a neve”. (Isaías 1:18) Jamais desperceba a compaixão e a paciência de nosso Pai celeste. (Salmo 103:8-14) Mas está também esforçando-se arduamente para superar seu problema? Você precisa fazer sua parte, se há de aliviar a mente de sentimentos de culpa. Como diz o provérbio: “Ter-se-á misericórdia com aquele que . . . confessa e abandona [suas transgressões].” — Provérbios 28:13.

      Outro meio de combater a melancolia é fixar alvos realísticos para si mesmo. Para ser bem-sucedido, você não precisa ser o primeiro aluno da turma. (Eclesiastes 7:16-18) Aceite a realidade de que os desapontamentos fazem parte da vida. Quando estes ocorrerem, em vez de pensar: ‘Ninguém se importa com o que acontece comigo e ninguém jamais se importará’, diga a si mesmo: ‘Eu vou superar isso.’ E não existe nada de errado em chorar bastante.

      O Valor das Realizações

      “O desespero não desaparece por si”, aconselha Daphne, que conseguiu superar com êxito algumas crises de desânimo. “A pessoa tem de pensar em sentido diferente ou envolver-se em alguma atividade física. Precisa começar a fazer alguma coisa.” Considere Linda, que declarou o seguinte, ao empenhar-se arduamente para combater seu estado melancólico: “Eu atualmente me dedico de forma intensa à costura. Cuido do meu guarda-roupa e, com o tempo, eu me esqueço do que me aflige. Isso realmente ajuda.” Fazer coisas em que você é bom pode elevar seu amor-próprio — que geralmente fica lá embaixo, na depressão.

      É também proveitoso empenhar-se em atividades que lhe dêem prazer. Tente ir fazer compras de algo que muito aprecie pessoalmente, participar em jogos, preparar seu prato favorito, dar uma espiada numa livraria, jantar fora, ler, ou mesmo resolver palavras cruzadas, tais como as publicadas na revista Despertai!.

      Débora verificou que, por planejar viagens curtas ou fixar pequenos alvos para si mesma, ela conseguia enfrentar sua disposição depressiva. No entanto, fazer coisas pelos outros provou-se uma das coisas que mais a ajudaram. “Encontrei essa jovem senhora muito deprimida, e passei a ajudá-la a estudar a Bíblia”, revelou Débora. “Estas palestras semanais me deram a oportunidade de dizer a ela como poderia sobrepujar sua depressão. A Bíblia lhe deu verdadeira esperança. Ao mesmo tempo, isto me ajudou.” Como Jesus disse: “Há mais felicidade em dar do que há em receber.” — Atos 20:35.

      Converse com Alguém Sobre Isso

      “A ansiedade no coração do homem é o que o fará curvar-se, mas a boa palavra é o que o alegra.” (Provérbios 12:25) Uma “boa palavra” que parta duma pessoa compreensiva pode constituir toda a diferença no mundo. Nenhum humano consegue ler seu coração, assim, abra-se com alguém em quem confie e que tenha a capacidade de ajudá-lo. “O amigo ama sempre e na desgraça ele se torna um irmão”, de acordo com Provérbios 17:17. (A Bíblia na Linguagem de Hoje) “Quando você guarda para si o que sente, é como se levasse sozinho uma pesada carga”, disse Ivan, de 22 anos. “Mas, quando você compartilha isso com alguém habilitado a ajudá-lo, isso se torna bem mais leve.”

      ‘Mas eu já tentei fazer isso’, talvez diga, ‘e tudo que ouvi foi um sermão sobre como ver o lado bom da vida’. Onde, então, poderá achar alguém que não só seja um ouvinte compreensivo, mas também um conselheiro objetivo? — Provérbios 27:5, 6.

      Obter Ajuda

      Comece por ‘dar seu coração’ a seus pais. (Provérbios 23:26) Eles o conhecem melhor do que ninguém, e, muitas vezes, podem ajudá-lo, se você deixar. Se eles discernirem que o problema é grave, talvez até mesmo façam arranjos para que você receba a ajuda dum profissional habilitado.a

      Membros da congregação cristã são outra fonte de ajuda. “Ao longo dos anos, eu simulava tão bem que ninguém realmente sabia quão deprimida me sentia”, revelou Marie. “Daí, porém, confidenciei meu problema a uma das senhoras de mais idade na congregação. Ela foi muito compreensiva! Ela havia tido algumas das mesmas experiências que eu. Assim, fui incentivada a compreender que outras pessoas tinham passado por coisas semelhantes e se saíram muito bem.”

      Não, a depressão de Marie não desapareceu de imediato. Mas, gradativamente, ela passou a saber lidar com suas emoções, à medida que foi aprofundando seu relacionamento com Deus. Entre os verdadeiros adoradores de Jeová, você também poderá encontrar amigos, e uma “família” que estão genuinamente interessados em seu bem-estar. — Marcos 10:29, 30; João 13:34, 35.

      Poder Além do Normal

      A mais poderosa ajuda para dissipar a melancolia, contudo, é aquilo que o apóstolo Paulo chamou de “poder além do normal”, que provém de Deus. (2 Coríntios 4:7) Ele pode ajudá-lo a combater a depressão, se você se apoiar nele. (Salmo 55:22) Junto com seu espírito santo, ele lhe concederá poder além de seus recursos normais.

      Esta amizade com Deus é deveras reconfortante. “Nos meus momentos de tristeza”, disse uma jovem mulher chamada Geórgia, “eu oro bastante. Sei que Jeová proverá uma saída, não importa quão profundo seja o meu problema”. Daphne concorda, acrescentando: “Você pode contar tudo a Jeová. Você simplesmente abre seu coração, e sabe que, mesmo se nenhum humano for capaz, ele realmente a compreende e se importa com você”.

      Assim, se estiver deprimido, ore a Deus, e procure alguém sábio e compreensivo com quem possa externar seus sentimentos. Na congregação cristã, você encontrará “anciãos” que são conselheiros peritos. (Tiago 5:14, 15) Eles estão prontos a ajudá-lo a manter seu relacionamento com Deus. Pois Deus o compreende e o convida a lançar suas ansiedades sobre ele, ‘porque tem cuidado de você’. (1 Pedro 5:6, 7) Deveras, a Bíblia promete: “A paz de Deus, que excede todo pensamento, guardará os vossos corações e as vossas faculdades mentais por meio de Cristo Jesus.” — Filipenses 4:7.

      [Nota(s) de rodapé]

      a  A maioria dos especialistas médicos aconselham que as vítimas da depressão profunda devem receber ajuda dum profissional habilitado por causa do perigo de suicídio. Por exemplo, talvez haja necessidade de medicação, a qual só pode ser receitada por alguém da classe médica.

      Perguntas para Consideração Capítulo 13

      ◻ Quais são algumas das coisas que podem fazer com que um jovem fique deprimido? Já se sentiu assim alguma vez?

      ◻ Consegue identificar os sintomas da depressão crônica de baixo grau?

      ◻ Sabe reconhecer a depressão profunda? Por que se trata de um mal grave?

      ◻ Cite alguns modos de combater a melancolia. Deram certo, em seu caso, quaisquer destas sugestões?

      ◻ Por que é tão importante externar os assuntos quando você se sente muitíssimo deprimido?

      [Destaque na página 106]

      A depressão profunda é o fator mais comum no suicídio de adolescentes.

      [Destaque na página 112]

      O relacionamento pessoal com Deus pode ajudá-lo a enfrentar a depressão profunda.

      [Foto na página 108]

      Não conseguir satisfazer às expectativas dos pais pode fazer com que um jovem fique deprimido.

      [Foto na página 109]

      Falar a outros e abrir seu coração é uma das melhores formas de enfrentar o problema.

      [Foto na página 110]

      Fazer coisas pelos outros é ainda outra maneira de dissipar a melancolia.

      [Quadro na página 107]

      Poderia Ser Depressão Profunda?

      Qualquer pessoa pode sofrer temporariamente de um ou mais dos seguintes sintomas, sem que seu problema seja grave. No entanto, se persistirem vários destes sintomas, ou se um deles for grave a ponto de interferir nas suas atividades normais, poderá (1) ser portador duma doença física e precisar de um exame médico geral, ou (2) sofrer de grave distúrbio mental — a depressão profunda.

      Nada Lhe Dá Prazer. Não consegue sentir prazer em atividades que antes apreciava. Sente-se irreal, como se estivesse no meio duma bruma e simplesmente está vivendo por viver.

      Total Inutilidade. Sente-se como se sua vida não tivesse nada de importante para contribuir e fosse totalmente inútil. Talvez se sinta cheio de culpa.

      Drástica Mudança de Disposição. Se antes era extrovertido, talvez passe a ser introvertido, ou vice-versa. Talvez chore com freqüência.

      Desesperança Total. Acha que as coisas vão mal, que não há nada que se possa fazer, e que a situação jamais melhorará.

      Preferiria Morrer. A angústia é tamanha que freqüentemente você acha que seria melhor se estivesse morto.

      Não Consegue Concentrar-se. Fica remoendo, vez após vez, certos pensamentos, ou lê sem compreender o que lê.

      Alteração dos Hábitos Alimentares ou Intestinais. Não tem apetite ou come demais. Intermitente prisão de ventre ou diarréia.

      Alteração nos Hábitos de Dormir. Dorme mal, ou demais. Talvez tenha freqüentes pesadelos.

      Dores e Aflições. Dores de cabeça, cãibras, e dores no abdômen e no peito. Talvez se sinta sempre cansado, sem boa razão.

  • Como livrar-me da minha solidão?
    Os Jovens Perguntam — Respostas Práticas
    • Capítulo 14

      Como livrar-me da minha solidão?

      É sábado à noite. O rapaz está sentado, sozinho, em seu quarto.

      “Detesto os fins de semana!”, brada ele. Mas não há ninguém no quarto para ouvi-lo. Ele pega uma revista e vê a foto dum grupo de jovens na praia. Ele joga a revista contra a parede. As lágrimas afloram. Ele comprime os dentes contra o lábio inferior, mas as lágrimas continuam fluindo. Incapaz de conter-se mais, ele se joga na cama, soluçando: “Por que sempre me deixam para trás?”

      SENTE-SE assim, algumas vezes — isolado do mundo, solitário, inútil e vazio? Se já se sentiu, não se desespere. Pois embora sentir solidão não seja nada divertido, não é, tampouco, uma doença fatal. Expresso de forma simples, a solidão é um sinal de aviso. A fome o avisa de que precisa de alimento. A solidão o avisa de que precisa de companheirismo, de achego, de intimidade. Precisamos de alimento para uma boa atuação. Semelhantemente, precisamos de companheirismo para nos sentir bem.

      Já observou alguma vez um monte de brasas incandescentes? Quando retira uma brasa do monte, a incandescência daquela brasa isolada fenece. Mas depois de recolocar a brasa no monte, ela passa a incandescer de novo! Se ficarmos isolados, nós, humanos, similarmente não “incandescemos”, ou não funcionamos bem, por muito tempo. A necessidade de companheirismo é uma parte inata de nossa constituição.

      A Sós, mas não Solitário

      O ensaísta Henry David Thoreau escreveu: “Nunca encontrei companheiro mais sociável que a solidão.” Concorda? “Sim”, afirma Francisco, de 20 anos. “Aprecio a natureza. Às vezes, pego meu barquinho e o conduzo pelas águas dum lago. Sento-me ali durante horas, completamente sozinho. Isso me dá tempo para refletir sobre o que estou fazendo da minha vida. É realmente ótimo.” Estêvão, de 21 anos, concorda. “Moro num grande prédio de apartamentos”, diz ele, “e às vezes subo até o terraço do prédio só para ficar sozinho. Eu reflito um pouco e oro. Isso é revigorante”.

      Sim, se bem utilizados, os momentos em que estamos sós podem trazer-nos profunda satisfação. Jesus também apreciava tais momentos: “De manhã cedo, quando ainda estava escuro, [Jesus] levantou-se e foi para fora, e partiu para um lugar solitário, e ali começou a orar.” (Marcos 1:35) Lembre-se de que Jeová não disse: ‘Não é bom que o homem esteja momentaneamente sozinho.’ Antes, Deus disse não ser bom que o homem “continue só”. (Gênesis 2:18-23) São os períodos prolongados de isolamento, então, que podem levar à solidão. A Bíblia avisa: “Quem se isola procurará o seu próprio desejo egoísta; estourará contra toda a sabedoria prática.” — Provérbios 18:1.

      Solidão Temporária

      Por vezes, contudo, a solidão nos é imposta por circunstâncias além de nosso controle, como por ficarmos longe de amigos íntimos por nos termos mudado para uma nova localidade. Relembra Estêvão: “Onde eu morava antes, eu e Jaime éramos amigos, mais achegados do que irmãos. Quando me mudei, eu sabia que iria sentir falta dele.” Estêvão faz uma pausa, como que revivendo o momento da partida. “Quando chegou a hora de tomar o avião, fiquei engasgado de emoção. Abraçamo-nos e eu fui embora. Senti que tinha perdido algo precioso.”

      Como foi que Estêvão se deu em seu novo ambiente? “Foi muito duro”, diz ele. “Onde eu morava, meus amigos gostavam de mim, mas aqui algumas das pessoas com quem eu trabalhava me faziam sentir como se não prestasse para nada. Lembro-me de ficar olhando para o relógio e contando para trás quatro horas (que era a diferença dos fusos horários), e pensando no que eu e Jaime poderíamos estar fazendo naquele momento. Eu me sentia solitário.”

      Quando as coisas não vão bem, muitas vezes ficamos pensando nos melhores momentos que tivemos antes. No entanto, a Bíblia diz: “Não digas: ‘Por que aconteceu que os dias anteriores mostraram ser melhores do que estes?’” (Eclesiastes 7:10) Qual a razão deste conselho?

      Por um lado, as circunstâncias podem mudar para melhor. É por isso que os pesquisadores muitas vezes falam de “solidão temporária”. Estêvão pôde assim sobrepujar sua solidão. Como? “O que me ajudou foi conversar sobre meus sentimentos com alguém que se importava. Não se pode viver no passado. Obriguei-me a conhecer outras pessoas, a interessar-me por elas. Isso deu certo; fiz novas amizades.” E que dizer de Jaime? ‘Eu estava errado. A mudança não pôs fim à nossa amizade. Outro dia telefonei para ele. Conversamos muito por uma hora e 15 minutos!’

      Solidão Crônica

      Às vezes, porém, a dor cruciante da solidão persiste, e parece não haver nenhuma saída. Ronny, um estudante do curso secundário, relata: “Já faz oito anos que curso uma escola desse distrito, mas, durante todo esse tempo, jamais consegui arranjar um único amigo sequer! . . . Ninguém sabe o que eu sinto, e ninguém se importa. Às vezes penso que simplesmente não vou agüentar isso mais!”

      Como Ronny, muitos adolescentes sentem o que muitas vezes é chamado de solidão crônica. Isto é mais grave do que a solidão temporária. Com efeito, afirmam os pesquisadores, as duas são “tão diferentes como o resfriado comum e a pneumonia”. Mas, assim como se pode curar a pneumonia, a solidão crônica também pode ser vencida. O primeiro passo é tentar compreender sua causa. (Provérbios 1:5) E Rhonda, de 16 anos, aponta a causa mais comum da solidão crônica, dizendo: “Acho que a razão de eu me sentir muito solitária é que — bem, você não consegue ter amigos quando não se sente bem consigo mesma. E acho que não gosto muito de mim mesma.” — Lonely in America (Ser Solitário na América).

      A solidão de Rhonda provém de seu íntimo. Seu pouco amor-próprio forma uma barreira que a impede de abrir-se e de fazer amigos. Afirma um pesquisador: “Idéias tais como: ‘Não sou atraente’, ‘Não sou interessante’, ‘Não tenho nenhum valor’, são temas comuns entre os solitários crônicos.” Assim, a chave para você superar sua solidão talvez resida em cultivar o respeito próprio. (Veja o Capítulo 12.) À medida que você for desenvolvendo o que a Bíblia chama de “nova personalidade”, caracterizada pela bondade, humildade mental e brandura, seu respeito próprio certamente aumentará! — Colossenses 3:9-12.

      Ademais, à medida que aprender a gostar de si mesmo, outros se sentirão cativados por suas atraentes qualidades. Mas, assim como só conseguirá ver as plenas cores duma flor depois que ela desabrochar, assim também outras pessoas só poderão apreciar de forma plena suas qualidades se você se abrir para elas.

      Romper o Gelo

      ‘O melhor conselho para a pessoa solitária’, diz uma recente publicação do Instituto Nacional de Saúde Mental, dos EUA, é ‘envolva-se com outras pessoas’. Este conselho se harmoniza com o conselho da Bíblia de ‘alargar-se’, e de ‘compartilhar os sentimentos’ ou mostrar empatia. (2 Coríntios 6:11-13; 1 Pedro 3:8) Isso dá certo. Importar-se com os outros não só lhe desvia a mente de sua própria solidão, mas motiva outros a se interessarem por você.

      Natália, de 19 anos, decidiu, assim, que ela faria mais do que ficar sentada, esperando que as pessoas lhe dissessem: ‘Como vai?’ ‘Eu também preciso ser amigável’, diz ela. ‘De outro modo, as pessoas pensarão que sou convencida.’ Assim, comece com um sorriso. A outra pessoa talvez responda também com um sorriso.

      Em seguida, inicie uma conversa. Lilian, de 15 anos, admite: “Dirigir-me a estranhos pela primeira vez era realmente assustador. Eu receava que eles não me aceitassem.” Como é que Lilian inicia conversas? Ela diz: “Faço perguntas simples, tais como: ‘De onde é?’ ‘Conhece fulano de tal?’ Talvez ambos conheçamos determinada pessoa, e, não demora muito, estamos conversando.” Atos bondosos e um espírito generoso o ajudarão, semelhantemente, a cultivar preciosas amizades. — Provérbios 11:25.

      Lembre-se, também, de que pode ter um amigo que jamais o desapontará. Jesus Cristo disse a seus discípulos: “Não estou sozinho, porque o Pai está comigo.” (João 16:32) Jeová pode tornar-se também seu amigo mais íntimo. Venha a conhecer a personalidade dele, por ler a Bíblia e observar sua criação. Fortaleça sua amizade com ele através da oração. Em última análise, a amizade com Jeová Deus é a melhor cura para sua solidão.

      Se ainda se sentir solitário de vez em quando, descontraia-se. Isso é perfeitamente normal. Que dizer, porém, se o extremo acanhamento o impede de fazer amigos e de usufruir a companhia de outros?

      Perguntas para Consideração Capítulo 14

      ◻ Será que ficar sozinho é, necessariamente, algo ruim? Existem benefícios de se ficar a sós?

      ◻ Por que, na maioria dos casos, a solidão é apenas temporária? Já comprovou que isto se dá também no seu caso?

      ◻ O que é solidão crônica, e como pode combatê-la?

      ◻ Quais são alguns modos de ‘romper o gelo’ em seu relacionamento com outros? O que tem dado certo no seu caso?

      [Destaque na página 119]

      ‘O melhor conselho para a pessoa solitária’, diz uma recente publicação do Instituto Nacional de Saúde Mental, dos EUA, é ‘envolva-se com outras pessoas’.

      [Foto na página 117]

      É possível manter contato com os amigos, mesmo a longas distâncias.

      [Foto na página 118]

      Os períodos em que se está só podem ser agradáveis.

  • Por que sou tão acanhado?
    Os Jovens Perguntam — Respostas Práticas
    • Capítulo 15

      Por que sou tão acanhado?

      “TODOS me dizem que sou muito bonita”, escreveu uma jovem para uma coluna de jornal. Contudo, ela prosseguia dizendo: “Tenho um problema de me comunicar com as pessoas. Quanto fito alguém nos olhos, ao falar, meu rosto fica vermelho e me engasgo toda . . . No serviço, ouvi diversos comentários de que sou ‘orgulhosa’ porque não converso com ninguém. . . . Não sou orgulhosa, sou simplesmente acanhada.”

      Uma pesquisa mostrava que 80 por cento das pessoas indagadas tinham sido acanhadas, alguma vez na vida, e 40 por cento atualmente se consideravam acanhadas. Deveras, o acanhamento tem sido algo comum à humanidade já desde priscas eras. A Bíblia nos conta que Moisés recusou, por ser acanhado, agir como porta-voz de Deus perante a nação de Israel. (Êxodo 3:11, 13; 4:1, 10, 13) Parece, também, que Timóteo, discípulo cristão, era acanhado e inseguro quanto a falar abertamente e a exercer devidamente sua autoridade. — 1 Timóteo 4:12; 2 Timóteo 1:6-8.

      O Que É Acanhamento

      Acanhamento é sentir-se constrangido na presença de pessoas — de estranhos, de autoridades, de pessoas do sexo oposto, ou até mesmo de seus colegas. Trata-se de um caso de extrema consciência de si mesmo que afeta suas vítimas de diferentes maneiras. Alguns ficam embaraçados; baixando os olhos e com o coração batendo forte, eles não conseguem falar. Outros perdem a serenidade e começam a falar sem parar. Ainda outros acham difícil falar de modo claro e expressar suas opiniões ou preferências.

      Na realidade, porém, há aspectos positivos em se ter certa medida de acanhamento. Isto faz par com a modéstia e a humildade, e uma das coisas que Deus espera e elogia é alguém ‘ser modesto em andar com ele’. (Miquéias 6:8) Há benefícios adicionais em parecer ser discreto e despretencioso, em não ser mandão e agressivo demais. A pessoa acanhada muitas vezes é apreciada como bom ouvinte. Mas, quando o acanhamento nos restringe ou inibe de alcançarmos nosso pleno potencial e influi de forma prejudicial em nossos relacionamentos, em nosso trabalho, e em nossos sentimentos, já é hora de fazer algo a respeito!

      Um bom ponto de partida é compreender o problema. (Provérbios 1:5) O acanhamento não descreve o que você é; descreve o seu comportamento, a sua reação diante de situações, a norma que aprendeu e reforçou através de suas experiências com outros. Você pensa que os outros estão tendo juízos negativos sobre você, que eles não gostam de você. Você pensa que os outros são melhores, ou mais normais do que você. Você pensa que tudo sairá errado, se você tentar relacionar-se com outros. Você fica na expectativa de que as coisas não dêem certo, e muitas vezes não dão — porque você fica tenso e age em harmonia com aquilo que crê.

      Como o Acanhamento Influi em Sua Vida

      Por isolar-se dos outros, não conversando com eles, ou ficando tão preocupado com si mesmo que não presta nenhuma atenção aos outros, você poderá dar a impressão de que é orgulhoso, inamistoso, entediado, ou até mesmo que não se importa ou é ignorante. Quando seus pensamentos se fixam em si mesmo, é difícil concentrar-se na palestra entabulada. De modo que você presta menos atenção às informações que está recebendo. Daí, acontece aquilo que mais receia — fica parecendo tolo.

      Em essência, você se trancou atrás dos muros de seu castelo do acanhamento e jogou fora a chave. Desperdiça as oportunidades que tem. Aceita itens ou situações que realmente não deseja — tudo porque tem receio de expressar-se abertamente e revelar sua opinião. Perde as alegrias de conhecer pessoas e de fazer novos amigos, ou de fazer coisas que dariam fulgor à sua vida. Mas os outros também perdem. Nunca chegam a conhecer o seu verdadeiro eu.

      Superar o Acanhamento

      Com tempo e esforço, pode-se mudar de comportamento. Primeiro de tudo, pare de preocupar-se com se o outro indivíduo o está avaliando. Ele, provavelmente, está muito ocupado em pensar em si mesmo e no que ele dirá e fará. E, se tal pessoa infantilmente zombar de você, compreenda que é ela que tem um problema. “Quem despreza o seu próximo é falto de senso.” (Provérbios 11:12; Imprensa Bíblica Brasileira) As pessoas que vale a pena ter como amigos não o julgarão pela aparência externa, mas pelo tipo de pessoa que você é.

      Também, tente pensar de forma positiva. Ninguém é perfeito; todos nós temos nossos pontos fortes e nossas fraquezas. Lembre-se, há maneiras diferentes de encarar as coisas, diferentes gostos e aversões. Uma diferença de opinião não significa a sua rejeição como pessoa.

      Aprenda também a julgar os outros com justiça. Um rapaz, anteriormente acanhado, diz: “Descobri duas coisas a meu respeito . . . Primeira, eu era muito egocêntrico. Pensava demais em mim mesmo, preocupando-me com o que as pessoas achavam do que eu dizia. Segunda, eu atribuía maus motivos aos outros — não confiando neles e julgando que eles me desprezariam.”

      O rapaz assistiu a uma reunião das Testemunhas de Jeová. “Ouvi ali um discurso que realmente me ajudou”, relembra ele. ‘O orador destacou que o amor é extrovertido; que, se você tiver amor, pensará o melhor sobre as pessoas, e não o pior. Assim sendo, aprendi a não mais atribuir motivos errados às pessoas. Eu disse para mim mesmo: “Elas vão ser compreensivas, elas vão ser bondosas, elas vão mostrar consideração.” Comecei a confiar nas pessoas. Dei-me conta de que algumas talvez me julguem mal, mas então eu achava que isso era problema delas.’

      “Aprendi também ser necessário começar a mostrar amor de maneira ativa — de ser mais expansivo com outros”, explicou ele. “Comecei a tentar isto primeiro com os mais jovens. Mais tarde, comecei a visitar outros em suas casas. Aprendi a ser sensível às necessidades deles, a pensar em termos de ajudá-los.” Assim ele comprovou a veracidade do conselho de Jesus, dado em Lucas 6:37, 38: “Parai de julgar, e de modo algum sereis julgados; e parai de condenar, e de modo algum sereis condenados. . . . Praticai o dar, e dar-vos-ão. . . . Pois, com a medida com que medis, medirão a vós em troca.”

      Como Começar

      Assim, aprenda a ser sociável — a dizer ‘como está?’ e a iniciar uma palestra. Pode ser um simples comentário sobre o tempo. Lembre-se: Você tem somente 50 por cento da responsabilidade. A outra metade cabe à outra pessoa. Se cometer uma gafe ao falar, não se condene. Se os outros rirem disso, aprenda a rir com eles. Dizer: “Não era bem isso que eu queria dizer” será de ajuda para descontrair-se e prosseguir conversando.

      Vista-se de modo confortável, mas certifique-se de que suas roupas sejam limpas e bem passadas. Sentir que se apresenta da melhor forma possível minimizará suas apreensões neste sentido, e o habilitará a concentrar-se na palestra entabulada. Mantenha-se ereto — mas à vontade. Apresente-se amigável e sorridente. Mantenha um contato visual amigável e mostre-se atento por balançar a cabeça ou por expressar-se sobre que a outra pessoa está dizendo.

      Quando confrontado com uma situação difícil, tal como um discurso perante outros ou uma entrevista para emprego, vá tão preparado quanto possível. Ensaie de antemão o que vai dizer. As dificuldades de expressar-se também podem ser vencidas ou reduzidas ao mínimo pelo treino. Isto exige tempo, assim como a adquisição de quaisquer outras novas habilidades. Mas ao ver os resultados positivos, você se sentirá ainda mais encorajado a ter êxito.

      Não se deve desperceber a ajuda que Deus lhe pode dar. Saul, o primeiro rei da antiga nação de Israel, era, de início, dolorosamente acanhado. (1 Samuel, capítulos 9 e 10) Mas, quando chegou a hora de agir, “o espírito de Deus tornou-se ativo em Saul”, e ele liderou o povo à vitória! — 1 Samuel, capítulo 11.

      Atualmente, os jovens cristãos têm a responsabilidade de ajudar outros a aprender sobre Deus e seu prometido novo mundo de justiça. (Mateus 24:14) Portar estas boas novas e representar a mais alta Autoridade do universo irá, seguramente, inspirar autoconfiança e ajudar a pessoa a não focalizar sua atenção em si mesma. Você pode ter certeza, então, de que se servir fielmente a Deus, ele o abençoará e o ajudará a superar seu acanhamento.

      Perguntas para Consideração Capítulo 15

      ◻ Exatamente o que é acanhamento, e como é que a pessoa acanhada se comporta na presença de outros? Será que, até certo ponto, isto acontece com você?

      ◻ Por que a pessoa acanhada perde a confiança quando se acha na presença de outros?

      ◻ Como pode o acanhamento prejudicar uma pessoa?

      ◻ Quais são alguns meios de se superar o acanhamento? Será que quaisquer destas sugestões deram certo em seu caso?

      [Destaque na página 121]

      A pessoa acanhada deixa escapar amizades e perde oportunidades.

      [Foto na página 123]

      A pessoa acanhada imagina que os outros a menosprezam.

      [Foto na página 125]

      Aprenda a ser sociável — a sorrir, a cumprimentar outros, e a entabular uma conversa.

      [Quadro na página 124]

      Você pode superar o acanhamento por:

      Querer mudar e crer que tal mudança é realmente possível.

      Substituir pensamentos negativos por ação positiva.

      Fixar para si mesmo alvos realísticos e significativos.

      Aprender a descontrair-se e a lidar com a ansiedade.

      Ensaiar de antemão como enfrentar uma situação.

      Ganhar confiança em si através de experiências progressivamente bem-sucedidas.

      Lembrar-se de que existem diferenças de opinião, e que os outros também erram.

      Treinar-se, para aumentar suas habilidades e adquirir outras.

      Ser expansivo em mostrar amor e em ajudar outros.

      Vestir-se com bom gosto e agir com confiança.

      Confiar na ajuda que Deus lhe dá.

      Envolver-se nas reuniões cristãs e em partilhar sua fé com outros.

  • É normal sentir tanto pesar quanto eu sinto?
    Os Jovens Perguntam — Respostas Práticas
    • Capítulo 16

      É normal sentir tanto pesar quanto eu sinto?

      MIGUEL lembra-se do dia em que seu pai morreu: “Fiquei em estado de choque. . . . ‘Não pode ser verdade’, continuava repetindo para mim mesmo.”

      Talvez alguém que você amava — um genitor, um irmão, uma irmã, ou um amigo — tenha morrido. Mas, em vez de sentir apenas pesar, você também sente ira, confusão mental e temor. Não importa quanto tente, não consegue segurar as lágrimas. Ou guarda dentro de si a sua dor.

      Na realidade, é bem natural reagir emocionalmente quando morre alguém a quem amamos. Até Jesus Cristo, quando soube da morte dum amigo achegado, ‘entregou-se ao choro’ e “gemeu” no íntimo. (João 11:33-36; compare com 2 Samuel 13:28-39.) Compreendendo que outros têm sentido o mesmo que você talvez o ajude a enfrentar melhor a sua perda.

      Negar a Realidade

      De início talvez se sinta inerte. Talvez, bem lá no seu íntimo, você almeje que tudo não passe dum pesadelo, que chegue alguém e o desperte, e que as coisas voltem a ser como sempre. A mãe de Cidinha, por exemplo, morreu de câncer. Explica Cidinha: “Não consegui realmente aceitar sua partida. Acontece algo sobre o qual talvez tenha conversado com ela no passado, e me descubro dizendo: ‘Tenho de contar isso à mamãe.’”

      As pessoas que sofreram a perda dum ente querido tendem a negar que tal morte tenha ocorrido. Podem chegar mesmo a pensar que vêem subitamente a pessoa falecida na rua, num ônibus que passa, no metrô. Qualquer semelhança, por mais tênue que seja, pode suscitar a esperança de que, talvez, tudo não passe dum engano. Lembre-se de que Deus fez o homem para viver, e não para morrer. (Gênesis 1:28; 2:9) Assim, é bem normal que tenhamos dificuldades de aceitar a morte.

      “Ela não podia fazer isso comigo!”

      Não se surpreenda se houver até momentos em que você fique um tanto irado com a pessoa falecida. Cidinha recorda: “Quando minha mãe morreu, houve ocasiões em que pensei: ‘A senhora realmente não nos revelou que iria morrer. Simplesmente fugiu de nós.’ Senti-me abandonada.”

      A morte dum irmão ou duma irmã pode, igualmente, suscitar tais sentimentos. “É quase que ridículo sentirmo-nos irados contra alguém que morreu”, explica Karen, “mas, quando minha irmã morreu, não pude evitá-lo. Idéias tais como: ‘Ela não podia morrer e me deixar completamente sozinha! Ela não podia fazer isso comigo!’, continuaram a me passar pela cabeça”. Alguns ficam irados com o irmão ou a irmã devido a toda a dor causada pela morte dele ou dela. Alguns se sentem relegados, talvez até mesmo ressentidos, devido a todo o tempo e atenção recebidos pelo irmão ou irmã doente antes de morrer. Pais afligidos pela dor, que, por terem medo de perder outro filho, subitamente se tornam superprotetores, também podem suscitar a animosidade para com o falecido.

      “Se Eu Tivesse . . . ”

      O sentimento de culpa também é uma reação freqüente. Perguntas e dúvidas lhe passam pela mente. ‘Existe alguma outra coisa que poderíamos ter feito? Deveríamos ter consultado outro médico?’ Daí, surgem as idéias do se eu tivesse . . . . ‘Se não tivéssemos discutido tanto.’ ‘Se eu tivesse sido mais bondoso.’ ‘Se eu tivesse ido à loja, no lugar dele.’

      Miguel diz: “Gostaria de ter sido mais paciente e compreensivo com meu pai. Ou de ter feito mais em casa para tornar as coisas mais fáceis para ele, quando ele chegava a casa.” E Elisa comentou: “Quando mamãe ficou doente e morreu tão subitamente, surgiram todos aqueles sentimentos por esclarecer que tínhamos uma pela outra. Eu me sinto tão culpada agora. Penso em todas as coisas que eu deveria ter dito a ela, todas as coisas que não deveria ter dito, todas as coisas que fiz de errado.”

      Talvez chegue até mesmo a culpar-se pelo que aconteceu. Cidinha relembra: “Sentia-me culpada de toda discussão que tivemos, de todo stress que causei a mamãe. Eu achava que todo o stress que lhe causei podia ter contribuído para ela ficar doente.”

      “Que Devo Dizer a Meus Amigos?”

      Uma viúva comentou sobre seu filho: “Joãozinho tinha horror de contar a outras crianças que seu pai tinha morrido. Isso o embaraçava e também o deixava irado, só porque ficava embaraçado.”

      Explica o livro Death and Grief in the Family (A Morte e o Pesar na Família): “‘Que devo dizer a meus amigos?’ é uma pergunta de suma importância para muitos irmãos ou irmãs [do falecido]. Com freqüência, os irmãos acham que seus amigos não compreendem o que eles estão passando. Tentativas de partilhar o sentimento da perda podem ser recebidas com olhares alheios e desconcertados. . . . Por conseguinte, o irmão ou irmã do falecido talvez se sinta rejeitado, isolado, e, às vezes, até mesmo esquisito.”

      Compreenda, porém, que algumas vezes os outros simplesmente não sabem o que dizer a um amigo que perdeu alguém — e, assim sendo, não dizem nada. A perda que você sofreu talvez os faça lembrar que eles, também, podem perder um ente querido. Não desejando ser lembrados disso, talvez o evitem.

      Enfrente o Seu Pesar

      Saber que seu pesar é algo normal já é um grande passo no sentido de enfrentá-lo. Mas continuar a negar a realidade somente prolonga o pesar. Às vezes, a família deixa um lugar vago à mesa para o falecido, como se tal pessoa estivesse prestes a chegar para uma refeição. Uma família, contudo, resolveu lidar com tal situação de forma diferente. A mãe diz: “Nunca mais nos sentamos à mesa da cozinha na mesma ordem de antes. Meu marido mudou-se para a cadeira de Davi, e isso ajudou a preencher aquele vazio.”

      É também de ajuda compreender que, embora possa haver coisas que deveriam ou não ter sido ditas, ou feitas, geralmente tais coisas não foram a causa da morte de seu ente querido. Ademais: “Todos nós tropeçamos muitas vezes.” — Tiago 3:2.

      Partilhe Seus Sentimentos

      Sugere o Dr. Earl Grollman: “Não basta reconhecer suas emoções conflitantes; precisa enfrentá-las abertamente. . . . Trata-se de um momento de compartilhar seus sentimentos.” Esta não é uma ocasião para você se isolar. — Provérbios 18:1.

      O Dr. Grollman diz que, ao negar seu pesar, “você apenas prolonga a agonia e retarda o processo de superação do pesar”. Ele sugere: “Encontre um bom ouvinte, um amigo que compreenda que seus muitos sentimentos são reações normais a seu pesar amargo.” Um genitor, um irmão, uma irmã, um bom amigo, ou um ancião da congregação cristã, muitas vezes podem oferecer real apoio.

      E se você sentir vontade de chorar? O Dr. Grollman acrescenta: “Para alguns, as lágrimas são a melhor terapia para a tensão emocional, tanto para homens como para mulheres e crianças. Chorar é uma forma natural de aliviar a angústia e liberar a dor.”

      Superar a Dor Unidos Como Família

      Seus pais também podem ser de grande ajuda para você no momento de perda — e você também pode ajudá-los. Por exemplo, Jane e Sarah, da Inglaterra, perderam Darrall, seu irmão de 23 anos. Como é que conseguiram superar seu pesar? Responde Jane: “Por sermos quatro, eu passei a fazer tudo junto com papai, ao passo que Sarah fazia tudo junto com a mamãe. Desta forma, não ficávamos sozinhas.” Relembra ainda Jane: “Eu nunca tinha visto papai chorar. Ele chorou umas duas vezes, e, de certo modo, isso foi ótimo; e, relembrando as coisas, eu agora me sinto bem de poder estar ali apenas para confortá-lo.”

      Esperança Sustentadora

      O jovem David, da Inglaterra, perdeu sua irmã Janet, de 13 anos, portadora do mal de Hodgkin. Diz ele: “Uma das coisas que me ajudaram muito foi um texto citado no discurso fúnebre. Declara o texto: ‘Porque Deus fixou um dia em que se propôs julgar em justiça a terra habitada, e ele forneceu garantia a todos os homens, visto que ressuscitou a ele, Jesus, dentre os mortos.’ O orador sublinhou a expressão ‘garantia’ a respeito da ressurreição. Isto foi uma grande fonte de força para mim, depois do enterro.” — Atos 17:31; veja também Marcos 5:35-42; 12:26, 27; João 5:28, 29; 1 Coríntios 15:3-8.

      A esperança que a Bíblia fornece sobre a ressurreição não elimina o pesar. Você jamais se esquecerá do seu ente querido. No entanto, muitos têm derivado verdadeiro conforto das promessas da Bíblia e, como resultado disso, têm começado a recuperar-se gradualmente da dor de perder alguém a quem amavam.

      Perguntas para Consideração Capítulo 16

      ◻ Acha natural sentir pesar pela morte de alguém a quem você amava?

      ◻ Que emoções poderia ter a pessoa pesarosa, e por quê?

      ◻ Quais são alguns dos modos de o jovem pesaroso começar a enfrentar seus sentimentos?

      ◻ Como confortaria um amigo que perdeu um ente querido?

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