Israel e Jordânia
A terra onde se encontram agora as modernas nações de Israel e Jordânia é de interesse especial para as Testemunhas de Jeová. Isto se dá porque a maioria das pessoas mencionadas na Bíblia viveu aqui, e os acontecimentos em que estavam envolvidas ocorreram aqui. Todavia, nosso interesse não se fixa apenas no que aconteceu com os servos antigos de Jeová que viveram nesta terra; relaciona-se também com as atividades das hodiernas Testemunhas de Jeová. Qual tem sido a situação desta terra e de seu povo nos anos desde que Jesus Cristo e seus apóstolos andaram e ensinaram aqui?
Nos dias de Jesus, e depois, esta terra encontrava-se sob o controle dos romanos e era chamada de Palestina.a Em resultado dos conflitos com os romanos, a maioria dos judeus já havia fugido da Palestina até o começo do segundo século. Esta terra, porém, permaneceu parte do Império Romano até os anos 600, sendo que a maioria dos seus habitantes professava o cristianismo. Daí, os árabes inundaram a Palestina e a terra veio sob domínio muçulmano.
Por fim, a partir de 1096, professos cristãos na Europa organizaram cruzadas para arrancar a terra das mãos dos “infiéis”. Naquela primeira cruzada, Jerusalém foi capturada em 1099. Todavia, a cidade foi novamente arrancada dos “cristãos” pelo governante muçulmano Saladino, em 1187. Seguiram-se mais cruzadas, e o país foi encharcado de sangue ao se infligirem atrocidades e crueldades bárbaras a incontáveis milhares de pessoas, enquanto muçulmanos e professos cristãos lutaram pelo controle da Palestina.
Em 1517, os turcos otomanos tomaram posse da Palestina e a retiveram por 400 anos. Durante a última parte do século 19, judeus da Europa começaram a emigrar para a Palestina. Por volta de 1914, dentre a população total de quase 700.000 habitantes no país, cerca de 85.000 eram judeus. Daí, em 1917, durante a Primeira Guerra Mundial, as forças britânicas sob o General Allenby derrotaram os turcos e acabaram com o seu longo domínio sobre a Palestina.
Nos anos depois da Primeira Guerra Mundial, surgiu um novo estado político ao leste do rio Jordão. Foi chamado de Reino Hachemita da Transjordânia, e, mais recentemente, de Reino Hachemita da Jordânia. No entanto, a maior parte da Palestina era mandato da Grã-Bretanha. Em 14 de maio de 1948, porém, veio à existência a nova nação de Israel, e, no dia seguinte, irrompeu a guerra entre Israel e as nações árabes circunvizinhas. Nesta guerra, a maior parte da Palestina ao oeste do rio Jordão passou para o controle de Israel, embora uns 5.607 quilômetros quadrados deste território se tornassem parte da Jordânia.
De todas as partes do mundo continuavam a chegar refugiados judaicos a Israel. Até 1951, já haviam chegado ao país mais de 600.000. Por volta do começo da década de 1970, mais de 3.000.000 de judeus moravam em Israel, constituindo a maioria da população. De modo que aquilo que alguns anos antes havia sido um canto pouco povoado e negligenciado da terra passou a tornar-se uma terra bem desenvolvida e muito frutífera.
As cidades grandes e as indústrias diversificadas têm transformado Israel numa comunidade moderna, mas o antigo ainda é evidente fora das cidades modernas. Cenas dos tempos bíblicos ainda são visíveis nas aldeias, onde as mulheres carregam jarros de água e outros objetos sobre a cabeça, onde os jumentos transportam produtos agrícolas para o mercado, onde se negociam camelos e se tosquiam cabritos para obter seu pêlo preto, e onde os bois pisam os cereais na debulha ou puxam um arado simples. É uma terra de contrastes, em que o antigo se encontra com o novo, e o Oriente se encontra com o Ocidente.
O judaísmo ortodoxo ressurgiu e controla, em grande parte, o modo de vida da moderna nação de Israel, assim como o judaísmo fazia nos dias de Jesus. Faz isso por meio de seus líderes religiosos e pela participação no governo de coalizão. Mas também as verdadeiras Testemunhas de Deus têm ressurgido nesta terra, nos tempos modernos. Como se iniciaram as suas atividades? Que frutos têm produzido?
RAMLA — ONDE COMEÇOU
O primeiro presidente da Sociedade Torre de Vigia (dos E. U. A.), Charles T. Russell, visitou a Palestina em 1891, como parte duma extensa excursão pelo mundo. Mas, pelo visto, as primeiras sementes da verdade bíblica a criarem raízes no pais foram lançadas em 1913. Naquele ano antes da Primeira Guerra Mundial, um homem jovem que estava interessado na verdade mudou-se de Nova Iorque para a cidade natal de sua família, Ramla, a uns 16 quilômetros ao norte de Jerusalém. Ramla encontra-se perto dos restos da antiga cidade de Betel, uma das cidades mais vezes mencionada na Bíblia.
O interessante é que este jovem, Hanna Hechmi, antes de partir dos Estados Unidos, foi avisado sobre a iminência duma guerra e que ele ia entrar bem no meio das dificuldades. Fiel ao aviso, a Primeira Guerra Mundial irrompeu no ano seguinte, e o governo turco que controlava a região recrutou imediatamente os jovens. Hanna fugiu de volta para Nova Iorque, partindo de navio do porto de Haifa. Todavia, deixou uma coleção inteira dos Estudos das Escrituras na casa da família Kadura, onde se havia hospedado em Ramla.
Após a guerra, seis jovens Testemunhas árabes, associados com a congregação de Brooklyn, Nova Iorque, mudaram-se de volta para a sua cidade natal de Ramla. Assim se organizou ali uma congregação em 1920. Naquele ano foram visitados pelo segundo presidente da Sociedade, Joseph F. Rutherford. Estabeleceu-se uma filial, e, durante a sua visita, o irmão Rutherford proferiu discursos públicos perante assistências máximas no Salão da Prefeitura de Ramla. Falou também a uma multidão bastante grande em Jerusalém.
No começo, os jovens árabes, Testemunhas, não organizaram a pregação de casa em casa. Mas eram zelosos em dar testemunho a outros; visitavam amigos e conhecidos, e falavam nos cafés, onde os homens se reuniam para conversar sobre os assuntos do dia. Com o tempo, contataram os Kaduras e incentivaram o pai da família a ler os livros que o jovem Hanna havia deixado com ele antes de retornar aos Estados Unidos. O Sr. Kadura tornou-se um irmão forte na congregação, e, por sua vez, interessou um parente seu, o Sr. Saah. Quatro das netas do irmão Saah tornaram-se publicadoras pioneiras de tempo integral, e outros de sua família também se tornaram Testemunhas
Outro vizinho do irmão Kadura, Awwad Faramand, aceitou as boas novas. Awwad e sua esposa prestaram muitos anos de serviço fiel ao Reino. Sua filha serviu como pioneira especial, e o lar deles foi usado por muitos anos para todas as reuniões de congregação. No começo dos anos 20, a congregação Ramla atingiu uns 12 publicadores, todos homens.
Partindo de Ramla, o pequeno grupo de irmãos organizava campanhas de testemunho no território circunvizinho. Iam a Jerusalém, Nazaré, Haifa e muitos outros lugares, pregando a verdade no mesmo território coberto por Jesus e seus apóstolos nos tempos antigos. Visto que havia muito pouca literatura bíblica em árabe, os irmãos tomaram a iniciativa e publicaram na língua árabe um tratado que explicava as verdades básicas da Bíblia. Mais tarde, foi-lhes salientado que, antes de publicarem tal matéria, deviam primeiro consultar a sede em Brooklyn, mas o tratado produziu frutos.
Um tratado deixado em Haifa chegou às mãos dum interessado de Beirute, no Líbano, que estava de visita em Haifa. Este homem escreveu aos irmãos em Ramla, de modo que se fizeram arranjos para que seu interesse fosse cuidado pelo irmão Michel Aboud, no Líbano. Assim, os vigorosos esforços dos irmãos na divulgação da sua fé tiveram bom êxito.
O único compêndio árabe que aquelas primitivas Testemunhas tinham era O Plano Divino das Eras. Mas, durante aqueles anos, uma produção da Sociedade Torre de Vigia, composta de filmes, diapositivos e som, o “Fotodrama da Criação”, era apresentada com comentários árabes a grandes assistências na Palestina. Alguns irmãos da cidade de Nova Iorque levaram a exibição ao Oriente Médio, onde teve bom uso. Muitos exemplares árabes do Cenário do Fotodrama, um livro com gravuras, junto com um resumo do texto, foi distribuído entre as pessoas em todo o país.
Naqueles dias primitivos, atravessar a fronteira era difícil. Mas, ocasionalmente, os irmãos de Ramla viajavam a Beirute e a Trípoli, no Líbano, para assistir a assembléias e associar-se com outras Testemunhas.
A partir de aproximadamente 1924, publicou-se A Sentinela em árabe, e a revista era estudada nas reuniões congregacionais realizadas em lares particulares. Durante a Segunda Guerra Mundial, o suprimento de Sentinelas ficou cortado, mas as reuniões continuavam a ser realizadas com publicações já disponíveis.
OUTRO PONTO DE APOIO — HAIFA
Se olhar para um mapa de Israel, notará o ponto em que a serra do Carmelo se estende para o Mar Mediterrâneo, formando uma irregularidade pontuda num litoral que de outro modo é reto. Haifa fica bem naquele ponto. Sem que os irmãos de Ramla o soubessem, ali começou a formar-se um pequeno grupo em meados dos anos 30. Isto se deu em resultado do testemunho dado pelo irmão David Farjini, que se mudou temporariamente do Egito para Haifa, relacionado com o seu trabalho na companhia de estrada de ferro.
David alugou em Haifa um quarto de Ibrahim Shehadi, um fervoroso católico. Naturalmente, o assunto da religião surgiu nas suas palestras, e o irmão Farjini expôs prontamente a falsidade de certas doutrinas e práticas da Igreja. A primeira palestra foi tão interessante, que Ibrahim ficou em casa para conversar, em vez de ir ao ofício religioso regular, conforme era seu costume. Ele ficou com publicações em árabe para ler. Daí em diante, realizavam-se cada dia palestras bíblicas, e a leitura da Bíblia ia noite adentro, noite após noite.
O primeiro que Ibrahim contatou com a sua recém-encontrada fé foi seu irmão Atallah. Embora este hesitasse em se envolver, por causa de seu amor à tradição religiosa, ele finalmente investigou. Tendo vista fraca, Atallah adquiriu uma Bíblia de tipo grande a preço de ‘liquidação’ e começou a verificar por si mesmo o que seu irmão lhe dissera. Começou a ver que era a verdade. O capítulo 23 de Mateus causou nele uma impressão especialmente profunda, quando notou que aquilo que dizia se aplicava aos clérigos que conhecia.
No decorrer do tempo, David Farjini terminou seu serviço em Haifa e voltou para casa, no Egito, deixando Ibrahim e Atallah entregues a si mesmos. As pressões e oposições que começaram a aumentar contra eles foram em parte provocadas pela sua própria franqueza em criticar a igreja. Ibrahim era entregador de querosene, e sempre que entrava numa casa e via quadros e imagens religiosas, ele escrevia no próprio quadro uma citação bíblica. Daí dizia à dona-de-casa que pedisse a seu marido verificar o texto, quando voltasse para casa depois do trabalho. Os irmãos tampouco usavam de tato ao lidarem com a sua própria família, e isto contribuiu para a oposição que sofriam.
Por exemplo, Atallah entrou certo dia na sua própria casa com um martelo, e destroçou cada imagem e quadro à vista. Fez isso sem explicação ou aviso, para a grande consternação de sua esposa e de seus filhos jovens, que ficaram atônitos, observando o espetáculo. Mas, diversos de seus filhos aceitaram a verdade, e, hoje, netos dele são Testemunhas ativas.
Quando chegou o tempo para a filha de Ibrahim receber a confirmação na igreja, ele pegou o vestido especial que havia sido feito para ela e o escondeu no sótão da casa. As freiras, o sacerdote e até mesmo o bispo foram informados disso. De modo que, na manhã do domingo seguinte, o próprio bispo proclamou um boicote contra Ibrahim. Temendo que, em resultado disso, pudesse surgir violência contra a família inteira, um dos irmãos de Ibrahim rogou ao bispo que cancelasse o decreto de boicote.
“Se ele beijar meu anel e meu crucifixo, cancelarei o decreto”, ofereceu o bispo.
A resposta de Ibrahim foi: “Está bem, se ele me deixar considerar estes assuntos à base da Bíblia.”
O bispo nem queria saber disso! “Sou bispo!” foi resposta dele.
O boicote causou dificuldades a Ibrahim, visto que todos os fregueses católicos pararam de comprar dele o querosene. Fizeram-se também esforços para virar contra ele a população muçulmana local. Em certa ocasião, um grupo de muçulmanos irados acusaram-no de maldizer Maomé e ameaçaram matar Ibrahim ali mesmo. Disseram que isso lhes fora relatado por “cristãos”.
“Eles mentiram”, declarou Ibrahim. “Eu falei contra o uso que fazem de imagens e de quadros, e sua crença na Trindade, de modo que mentiram a vocês para causar-me dificuldades.” A crença de Ibrahim em um só Deus salvou-lhe assim a vida.
Em resultado do decreto de boicote do bispo, ninguém queria falar com Ibrahim e Atallah, o que trazia assim atenção à sua recém-encontrada fé. No decorrer do tempo, quase todos os da grande família de Ibrahim tornaram-se Testemunhas, e, nos últimos anos, dois de seus filhos e uma de suas filhas experimentaram o serviço de pioneiro.
No ínterim, no começo da década de 1940, um pequeno grupo de três ou quatro encontrava-se em Haifa, cada semana, para reuniões no lar de um ou de outro. Assim, durante o próprio período da Segunda Guerra Mundial, um pequeno grupo continuou a estudar e a pregar com entusiasmo aos em volta deles. Foram visitados ocasionalmente por irmãos de Beirute. Deste modo receberam suprimentos de publicações, e proveu-se instrução prática quanto a como realizar o ministério. Após a Segunda Guerra Mundial, as publicações provinham diretamente de Brooklyn, Nova Iorque.
Pouco depois da Segunda Guerra Mundial, o irmão Joseph Abdennour voltou para Haifa, procedente de Cuba, onde se tornara Testemunha. Tendo mais experiência em assuntos congregacionais, pôde ser de verdadeira ajuda ao pequeno grupo. Depois, por motivos comerciais Joseph mudou-se para Nablus, lugar da antiga cidade bíblica de Siquém. Ali permaneceu como publicador isolado até a sua morte em 1968.
Certa noitinha, durante sua reunião, pouco depois d. Segunda Guerra Mundial, o pequeno grupo de cinco ou seis Testemunhas ouviu repentinamente uma voz alta na rua, embaixo, pregando em árabe uma mensagem bíblica reconhecível. Quem seria? Desceram para investigar e encontraram duas Testemunhas que haviam emigrado da Rússia. Tinham consigo um fonógrafo e algum discos em árabe, para iniciar a pregação na comunidade de língua árabe na sua nova terra. Sem o saberem, haviam escolhido uma esquina de rua bem no local de reunião, e haviam começado a tocar os discos na hora da própria reunião! Estes irmãos foram cordialmente acolhidos na pequena congregação.
A MENSAGEM CHEGA A TARSIA
O ano era 1931. O lugar? A aldeia palestina de Tarsia, a uns 40 quilômetros ao norte de Haifa, pouco ao sul da fronteira libanesa. O Professor Khalil Kobrossi, fervoroso católico, fora designado pelo governo para ensinar o árabe e a religião católica numa escola desta aldeia. Chegando ao seu posto, observou que a Bíblia havia sido colocada num lugar onde os estudantes a podiam ler. O Professor Kobrossi substituiu-a imediatamente por um catecismo católico, pensando que este aproveitaria melhor aos estudantes.
Com o tempo, o Professor Kobrossi chegou a obter o livro O Plano Divino das Eras. Quando o leu, ficou irado com seus editores, por causa do que classificava como rudeza em falar contra o catolicismo. Mais tarde, obteve muitas das publicações da Sociedade, lendo algumas delas várias vezes. Com que objetivo? Certo dia ele iria contatar esta gente e endireitá-la!
Dum tratado publicado pela Sociedade, o Professor Kobrossi conseguiu o endereço das Testemunhas em Tripoli, no Líbano, e escreveu a sua há muito planejada carta. Deu aos irmãos o que se poderia chamar de “uma boa descompostura a bico de pena”. Surpreendentemente, recebeu em resposta uma carta bondosa, que citava muitos textos. Este foi o começo duma ampla correspondência com os irmãos no Líbano.
Em 1937, dois irmãos do Líbano, junto com o irmão Ibrahim Shehadi, de Haifa, visitaram o Professor Kobrossi. Quando os irmãos partiram, ele estava totalmente convencido de que encontrara a verdade. Em pouco tempo a estava ensinando à sua esposa e falando sobre ela a muitos amigos. Em 1939, ele pôde viajar a Trípoli, onde foi batizado.
Surgiu então séria oposição ao irmão Khalil Kobrossi. Houve pelo menos três tentativas de assassiná-lo, e estas tornaram-se de conhecimento comum. Conforme disse o próprio Khalil: “Se não fosse esta oposição, eu não teria ficado tão bem conhecido, e não teria havido tantas oportunidades de pregar as boas novas àqueles cuja curiosidade foi suscitada ou cujo senso de justiça os moveu a mostrar solidariedade.”
A correspondência com os irmãos em Haifa e no Líbano animaram Khalil durante o tempo de provação, quando estava sozinho e isolado. Sua pregação na aldeia de Tarsia produziu alguns frutos, pelo menos temporariamente, quando dois ou três outros estudaram com ele e tomaram seu lado. Mas, finalmente, o bispo influenciou as autoridades educativas locais para transferirem Khalil de Tarsia, que era baluarte católico, para a cidade muçulmana de Hébron, longe ao sul. Isto se deu em 1940.
ESTABELECIDO UM CENTRO EM BEIT JALA
Em Hébron, o irmão Kobrossi falou a outros professores sobre a sua fé. Dois anos depois, em 1942, ele foi novamente transferido, esta vez para uma pequena localidade nos arrabaldes de Belém, chamada Beit Jala. Ela ficava apenas uns sete quilômetros ao sul de Jerusalém. Havia grandes oportunidades para pregar em Beit Jala, visto que a maioria das pessoas ali eram cristãos nominais. Em pouco tempo se estabeleceu uma congregação nesta região, e ela continua até o dia de hoje.
A primeira pessoa a aceitar a verdade aqui, depois de várias palestras, foi um jovem chamado Salameh Assoussah. Um amigo dele também participou no estudo. Salameh foi batizado numa assembléia em Trípoli, no Líbano. Testemunhando em Jerusalém, Salameh contatou Farah Bakhit, o qual, depois de sua primeira palestra bíblica, prontamente destruiu todas as suas imagens e quadros. Farah tornou-se mais tarde servo de congregação (superintendente presidente), e suportou encarceramento e outras dificuldades por causa de sua fidelidade.
Nesta região, por fim, o pai de Salameh, sua mãe, sua tia, dois irmãos e três irmãs aceitaram todos a verdade por causa do bom exemplo dado por ele. Eles continuam até hoje fortes na fé. A esposa do irmão Kobrossi também começou a associar-se ativamente. A assistência aumentou assim a 12 ou mais, cada semana. Realizavam suas reuniões na casa do irmão Kobrossi, onde continuaram quase sem interrupção por 26 anos, de 1942 a 1968. Ocasionalmente, para reuniões tais como a Comemoração, congregavam-se com o grupo dos irmãos de Ramla, alguns quilômetros mais ao norte.
VISITANTES DE BROOKLYN
Pouco depois da Segunda Guerra Mundial, algumas Testemunhas judaicas emigraram da Europa para Bat Iam, um subúrbio de Telavive-Jafa, a maior cidade de Israel. Fica na costa do Mediterrâneo a uns 105 quilômetros ao sul de Haifa. Aqui se estabeleceu um estudo da Sentinela no idioma alemão. Assim, em 1947, vários grupos de publicadores, na maior parte independentes uns dos outros, reuniam-se regularmente em Ramla, Beit Jala, Haifa e Bat Iam. Naquele ano, o terceiro presidente da Sociedade (dos E.U.A.), Nathan Knorr, e seu secretário, Milton Henschel, do Betel de Brooklyn, puderam visitar e fortalecer os irmãos na Palestina. Na Sentinela de 15 de agosto de 1947, em inglês, eles relataram o seguinte sobre sua visita:
“Pensávamos haver apenas uma dúzia de interessados na Palestina, mas, na reunião, havia 40 congregados de diversas partes da Palestina. Havia alguns irmãos árabes, e irmãos de nacionalidade russa, ucraniana e alemã. Todos entendiam o inglês ou o árabe, e nós usamos um intérprete árabe. Soubemos deles que há realmente 55 interessados espalhados pelo pais, que estão estudando as publicações da Sociedade. Nem todos são publicadores, mas crêem na verdade e estão sendo edificados na fé. Foi um dia muito alegre. A conversa era mantida por meio dum intérprete árabe durante o dia inteiro, e respondemos a muitas perguntas. Deram-se instruções sobre a organização, e um irmão foi designado para cuidar dos interesses da Sociedade na Palestina. Fizeram-se arranjos para a encomenda duma grande quantidade de publicações e para a organização dum depósito em Beit Jala. Indagou-se sobre quais dos irmãos estariam melhor qualificados para ser servos de companhia [superintendentes presidentes] em Haifa, Ramla, Beit Jala e em outras aldeias onde os irmãos se reuniam. Fizeram-se designações, e espera-se que a obra da pregação do evangelho na Palestina continue a expandir-se. Esta visita aos irmãos alegrou muito nosso coração, pois dava muito prazer ver aqui alguns bem ativos, que viajam a diversas partes da Palestina, cada fim-de-semana, distribuindo a literatura e procurando criar interesse. O dia passou depressa, e foi necessário voltar a Jerusalém antes do toque de recolher das 18,30 horas.”
O irmão Khalil Kobrossi recebeu a responsabilidade de manter contatos regulares com os diversos grupos de Testemunhas. Recebeu a tarefa de recolher os relatórios de serviço e cuidar de que os suprimentos de literatura fossem distribuídos aos vários grupos, segundo as suas necessidades. Khalil fez diversas viagens durante o ano para visitar todos os grupos e publicadores espalhados. Mais adiante, em 1947, realizou-se uma assembléia em Haifa, e vieram irmãos de Ramla, Beit Jala e Bat Iam para assistir a ela. Houve uns 80 presentes, que usufruíram associação feliz. Foi a primeira oportunidade que muitos deles tiveram para conhecer concrentes de outras cidades. Mas, estes arranjos não haviam de continuar por muito tempo.
DESAPARECE A PALESTINA
O cenário político estava mudando. Em 1948, em resultado da guerra palestina entre judeus e árabes, o pais foi dividido em duas terras distintas. Naquele tempo, havia cerca de 30 publicadores do Reino relatando serviço de campo.
Parte da Palestina passou então a ser a nova nação de Israel, e parte veio sob o domínio da Jordânia. De modo que as Testemunhas que viviam ao leste da nova linha de demarcação — os grupos de Ramla e Beit Jala, e publicadores individuais em Jerusalém e Jericó — ficaram então na Transjordânia, a qual, em 1950, passou a ser chamada simplesmente de Jordânia. As demais Testemunhas, de Haifa e Telavive, viviam dentro das fronteiras da nova nação de Israel.
Exceto por visitas muito breves, sempre que se suspendiam as restrições na fronteira por dois ou três dias, em certos feriados religiosos, não havia possibilidade de contato direto entre as Testemunhas nas duas regiões separadas por quase 20 anos, ou até 1967. Naquele ano, a guerra entre os israelenses e os jordanianos mudou novamente as fronteiras. O território jordaniano ao oeste do rio Jordão — a Margem Ocidental — foi tomado por Israel. Assim, as Testemunhas das congregações de Ramla e Beit Jala, na Margem Ocidental, tornaram-se parte de Israel, o que explica o repentino aumento, em Israel da média de 114 publicadores do reino, em 1967, para 153, em 1968. Também, devido a este desenvolvimento político, o número de publicadores na Jordânia caiu de 53, em 1967, para 19, em 1968.
ACONTECIMENTOS NA JORDÂNIA
Como tem passado o povo de Jeová na Jordânia? Pois bem, os missionários começaram a chegar ali em 1952, estabelecendo-se um lar missionário em Ramla. O território foi bem trabalhado pelos missionários e por outros A congregação perto de Belém também ia progredindo. Durante uma assembléia de circuito realizada ali em abril de 1952 houve um batismo. Após o discurso, os batizandos foram levados ao rio Jordão, pouco abaixo de Jericó e imersos na mesma vizinhança em que, segundo alguns, o próprio Jesus foi batizado por João. Que ocasião feliz!
Quando o irmão Knorr esteve na Jordânia, durante o inverno de 1951-1952, foi decidido que seria bom enviar alguns suprimentos de socorro aos nossos irmãos naquele país, visto que muitos deles eram refugiados após a guerra palestina de 1948. Por fim, cerca de 26 volumes de roupas usadas foram enviados à Jordânia e distribuídos entre concrentes necessitados. Eles apreciaram muito estas dádivas. Todavia, alguns acharam que era um donativo material muito bom e começaram a vir às nossas reuniões, afirmando ser Testemunhas de Jeová. Naturalmente, não ficaram por muito tempo, quando descobriram que o povo de Deus dá ênfase a assuntos espirituais e à pregação da mensagem do Reino.
Observando o bom êxito das Testemunhas de Jeová, os clérigos da cristandade começaram a ficar bastante irados e passaram a empenhar-se arduamente a conseguir que o governo expulsasse as Testemunhas missionárias da Jordânia. No começo, uma ação legal impediu isso. Mas os clérigos persistiram, e, em 1953, os missionários foram expulsos. Visto que as Testemunhas de Jeová não haviam sido proscritas na Jordânia, enviaram-se outros missionários ao país, que foram expulsos alguns meses depois.
No começo de 1957, por causa dos persistentes esforços dos clérigos na Jordânia, ocorreu a proscrição oficial das Testemunhas de Jeová e de todas as nossas publicações. Isto criou novas dificuldades para o povo de Deus. Diversos de seus lares foram revistados e sua literatura confiscada. O irmão Farah Bakhit foi sentenciado à prisão por um ano, por estar de posse de algumas publicações da Sociedade. Foi também despedido de seu emprego no correio. Isto causou grandes dificuldades à família do irmão Bakhit, mas os seus irmãos espirituais cuidaram bem de sua grande família, enquanto estava na prisão. Na realidade, nos poucos anos seguintes, diversos irmãos foram presos. Alguns foram soltos depois de interrogados e ameaçados, ao passo que outros ficaram detidos por algum tempo.
Durante este período, as reuniões tiveram de ser realizadas secretamente, em horas e lugares diferentes, tanto quanto possível. Mas, os irmãos nunca deixaram de se reunir, a fim de usufruir o alimento espiritual e de se animarem mutuamente. — Heb. 10:24, 25.
Em 1959, durante um processo correndo na Corte Suprema da Jordânia, apresentamos prova, mostrando que não éramos sionistas trabalhando como espiões para Israel, conforme acusados falsamente. Também, durante aquele ano, realizou-se uma campanha de cartas, em resultado dum artigo publicado na Despertai!. Milhares de cartas inundaram os departamentos governamentais, e o Rei Hussein designou uma comissão de três membros para investigar as Testemunhas de Jeová. A comissão fez a investigação, apresentando um relatório claro ar governo, e, em março de 1960, um decreto governamental reconheceu as Testemunhas de Jeová como comunidade religiosa na Jordânia, com o direito de praticar sua religião. Este decreto tornou desnecessária a continuação de nosso processo no tribunal, embora este tivesse dado muito testemunho.
As coisas começaram então a mudar para o povo de Jeová na Jordânia. A proscrição da Sentinela e de outras publicações foi anulada. Os Salões do Reino foram abertos, e reuniões e assembléias foram realizadas livremente Quanto deleitou os irmãos terem esta liberdade!
ESTABELECE-SE UMA FILIAL NA JORDÂNIA
O irmão Alfred Nussrallah e sua esposa chegaram à Jordânia como missionários em março de 1961. Sua primeira designação foi Ramla, mas alguns meses depois mudaram-se para a capital, Amã, onde se abriu um lar missionário.
Em fevereiro de 1962, o irmão M. G. Henschel visitou a Jordânia. À recomendação dele, dois outros graduados da Escola de Gileade, que estavam servindo em outro país árabe, foram designados para a Jordânia. De modo que em março daquele ano chegaram um irmão e uma irmã estadunidenses a Amã. Em setembro de 1962, abriu-se ali uma filial da Sociedade Torre de Vigia (dos E. U. A.).
FELICIDADE, DEPOIS, NOVAS DIFICULDADES
Em 1963, uma delegação do povo de Jeová viajou em volta do mundo para assistir à Assembléia “Boas Novas Eternas” em diversas cidades. Uma destas reuniões devia ser realizada na Jordânia. Mas o governo negou permissão, dizendo que temia pela segurança das Testemunhas de Jeová, se tivessem permissão para se reunir publicamente. Embora os planos para a assembléia fossem cancelados, foi possível que nossos concrentes viajantes visitassem a Jordânia como turistas. Viram muitos lugares bíblicos: Jerusalém, Belém, Hébron, Jericó o rio Jordão, o Mar Morto e Samaria, que todos estavam naquele tempo dentro da Jordânia. Alguns foram também a Petra, antiga cidadela edomita. Quão agradável era a ocasião de associação das Testemunhas locais com seus concrentes de outros países!
Embora o governo tivesse concedido liberdade ao povo de Jeová, os clérigos eram implacáveis na sua oposição. Repetidas vezes levantaram a acusação falsa de que os do povo de Deus eram sionistas. Cada vez, o governo investigava e verificava que as acusações eram falsas. Mas, em 1963, o governo proscreveu novamente todas as nossas publicações. Daí, em 27 de outubro de 1964, o governo jordaniano cancelou o reconhecimento das Testemunhas de Jeová, e não éramos mais considerados como comunidade religiosa naquele país. Nossos Salões do Reino foram fechados, muita literatura foi confiscada e surgiram novamente problemas para o povo de Deus naquele país. De novo, as reuniões cristãs tiveram de ser realizadas em pequenos grupos, em lares particulares e em horários diversos.
O superintendente de filial recebera outra designação de serviço em dezembro de 1963. Mas os Nussrallahs puderam permanecer no país até o inverno de 1965, quando foram obrigados a partir. Antes de isso acontecer, porém, deu-se um grande testemunho nos círculos governamentais. Em resultado dos esforços para obter novamente o reconhecimento, entrou-se em contato com muitas autoridades, fazendo-se tentativas para falar com o rei, embora estas falhassem. Fez-se uma apelação para a Corte Suprema de Justiça, mas esta negou-se a dar provimento ao caso, dizendo que se tratava dum assunto de segurança e estava fora da sua jurisdição. De modo que se reduziu a liberdade antes usufruída pelas Testemunhas de Jeová na Jordânia, os missionários partiram, a filial foi fechada e nossa obra na Jordânia passou novamente a ser dirigida pelo escritório da Sociedade em Beirute, no Líbano. Não obstante, o povo de Jeová na Jordânia prosseguiu servindo fielmente a Jeová.
Após a guerra de 1967, que presenciou a mudança das congregações de Ramla e Beit Jala da Jordânia para serem consideradas parte de Israel, sobrou apenas uma congregação na própria Jordânia, na capital, Amã. Apesar de muitas dificuldades e de vários distúrbios no pais, as testemunhas jordanianas de Jeová têm prosseguido no seu serviço para o louvor de Deus.
DIAS DIFÍCEIS
Os transtornos e as mudanças em 1948, quando nasceu a nação de Israel e logo irrompeu a guerra com as nações árabes circunvizinhas, trouxeram dias difíceis para a obra do Reino em Israel. Houve falta de comunicação com a sede da Sociedade em Brooklyn. Também, várias Testemunhas, junto com outros refugiados, deixaram o pais.
Desenvolveu-se um clima de extremo nacionalismo, que também tem sido um impedimento para a nossa obra de pregação. Muitos israelenses ficaram cheios de orgulho diante de suas realizações. Outros atribuíram as façanhas do novo governo israelense a Deus e ao cumprimento de profecias bíblicas. Por outro lado, muitos se desviaram, amargurados, de toda a crença em Deus, em vista do holocausto europeu, em que seis milhões de judeus foram massacrados pelos nazistas. Até o dia de hoje, uma pergunta de destaque na mente de muitos judeus é: “Se há um Deus, como pôde permitir tal massacre?” Não prover-lhes a sua religião uma resposta satisfatória tem resultado em muitos também fecharem os ouvidos à nossa mensagem cristã.
Além disso, o terrível exemplo das igrejas chamadas cristãs tem causado dificuldades à nossa pregação. As campanhas anti-semitas da cristandade, no decorrer dos séculos, inclusive seu apoio ao sistema nazista, têm criado uma extrema aversão a tudo o que se traz em nome de Cristo Jesus ou que está associado com as Escrituras Gregas Cristãs. O termo “missionário” tem ficado realmente abominável quase para cada pessoa judaica no país. Os irmãos precisam esclarecer constantemente que não fazem parte da cristandade e que não são missionários no sentido em que as pessoas locais costumam encarar os missionários.
NOVO COMEÇO PERTO DE TELAVIVE-JAFA
Em fevereiro de 1948, chegou a Israel a irmã Frieda Susser, que aprendera a verdade na Polônia, em 1942. Com o tempo, ela estabeleceu contato com os remanescentes do pequeno grupo que se havia reunido em Bat Iam, perto de Telavive-Jafa, para o estudo regular da Sentinela. Em pouco tempo, todos os restantes deles deixaram o país, sobrando apenas uma senhora interessada e a irmã Susser. Portanto, por algum tempo, havia apenas uma só voz solitária testemunhando na região de Telavive-Jafa.
A irmã Susser ficou muito feliz de receber a companhia de Fanny Mintzer, em 1950. Esta e sua família chegaram a Israel como imigrantes procedentes da Polônia. Frieda e Fanny haviam sido criadas juntas na mesma pequena aldeia da Polônia, mas não se haviam visto por muitos anos. Quão feliz foi esta reunião, especialmente visto ambas então estarem na verdade! Elas se reuniram regularmente para estudar.
Mas, que dizer do território para testemunhar? As duas irmãs concordaram que aquela que morava na parte norte da cidade daria testemunho em toda a cidade de Telavive, e a outra, que morava no limite meridional, daria testemunho em toda a cidade de Jafa! (Jafa é a Jope dos tempos bíblicos.) Que designação! Como lugar de reunião elas tinham apenas a sua própria casa, de modo que as reuniões eram realizadas alternadamente nestes dois lugares.
Frieda e Fanny certamente mostraram muito zelo pela verdade, apesar de terem contato muito limitado com a Sociedade ou orientação dela. E elas ainda prosseguem vigorosamente! Frieda é pioneira especial e Fanny é publicadora muito ativa. Elas têm ajudado pessoalmente a muitos a se tornarem parte da congregação. Além disso, abriram hospitaleiramente seus lares a outros que chegaram de outras terras como imigrantes ou visitantes. Jeová certamente tem abençoado seus esforços fiéis e diligentes.
CHEGADA DE GRADUADOS DE GILEADE
Foi um grande dia para os irmãos em Israel, quando os primeiros quatro graduados de Gileade chegaram em junho de 1951, Ben e Grace Wiens, e Thomas e Mary Wayne. Eles se estabeleceram em Jerusalém, a qual, segundo se esperava, se tornaria o centro da adoração pura em Israel. Mas, depois de quatro anos de trabalho árduo, a reação foi pouca.
Embora se realizassem regularmente as reuniões, os recém-associados recebiam inevitavelmente quer ameaças, quer induzimentos materiais para desanimá-los de continuarem com a sua associação. Em certa ocasião, houve tantos quantos 26 assistindo às palestras bíblicas, mas poucos continuaram. Com o tempo, três interessados dedicaram sua vida e foram batizados. Entre eles havia um árabe idoso. Ele permaneceu como irmão fiel até o fim dos seus dias, embora sofresse de cegueira e tivesse de suportar prolongados períodos de isolamento por causa da oposição de seus parentes.
NOVA VISITA DE KNORR E HENSCHEL
Uma visita dos irmãos Knorr e Henschel em janeiro de 1952 foi uma ocasião para reunir os irmãos e os interessados. Ao todo reuniram-se 24 em Jerusalém. Fizeram muito esforço para anunciar a conferência pública para a noite de 24 de janeiro, e 51 compareceram.
Até esta visita, os graduados de Gileade haviam restrito suas atividades a Jerusalém. Fizeram-se então arranjos para Ben Wiens fazer visitas regulares aos publica dores e interessados espalhados através de Israel. A maioria dos 24 reunidos em Jerusalém haviam sido publicadores no passado, e todos foram ajudados a recomeçar de novo.
Em 1953, Thomas e Mary Wayne foram transferido para Haifa, para ajudar o pequeno grupo ali, ao passe que Ben e Grace Wiens ficaram em Jerusalém mais um par de anos. Em 1955, os Waynes deixaram o país, de modo que Ben e Grace se mudaram para Haifa. Haifa mostrou ser um lugar adequado, do qual se podia manter contato com os irmãos nas aldeias setentrionais, e também com os da região de Telavive.
ESTABELECEM-SE CONGREGAÇÕES
O núcleo do grupo de Haifa era Ibrahim Shehadi, sua crescente família e dois irmãos russos, que haviam chegado depois da Segunda Guerra Mundial. O irmão de Ibrahim, Atallah, mudara-se no ínterim para uma aldeia perto da fronteira libanesa, onde continuou ativo na verdade. A geração mais jovem dos Shehadi já estava então crescendo, e alguns juntaram-se aos grupos semanais de estudo. Por fim, em junho de 1956, formou-se a primeira congregação regular em Haifa. Ela incluía duas irmãs que haviam aprendido a verdade na Romênia antes de se mudarem para Israel como imigrantes.
A pregação também foi frutífera na região de Telavive. Um judeu interessado, da Polônia, mudou-se para Israel e prosseguiu com os seus estudos, com os publicadores locais. Depois de muitas palestras pormenorizadas e extensas, ele ficou convencido de que Jesus era o Messias e aceitou a esperança do Reino. Um irmão mais idoso, David Cohen, chegou procedente do Egito. Ele estava qualificado como servo de congregação, e, assim, em outubro de 1956, formou-se em Telavive uma congregação com sete publicadores.
SUPERVISÃO PELA FILIAL DE CHIPRE
Por algum tempo, todos os relatórios de serviço foram enviados e as visitas de circuito planejadas por intermédio da filial da Sociedade em Chipre. O servo de filial visitou os irmãos em Israel pela primeira vez em 1955. No ano seguinte, realizou-se uma assembléia em conexão com tal visita, no pátio da casa de um irmão em Haifa, um lugar lindo para a reunião. O cenário de fundo para o orador era o Mediterrâneo azul, tendo os ouvintes atrás de si o elevado monte Carmelo. Ver 22 dos 51 presentes sair domingo de manhã ao serviço de porta em porta foi motivo de verdadeira alegria. Todos os que compareceram foram hospedados nos lares dos irmãos e dos interessados em Haifa.
Em outra ocasião, uns 20 publicadores vieram de Chipre para uma assembléia com seus irmãos israelenses. As Testemunhas de Israel, por sua vez, pediram vistos para viajar a Chipre, para uma das suas assembléias. No entanto, o Ministério do Interior não aceitou a idéia de um grupo de pessoas árabes e judaicas viajar junto a um congresso religioso! De modo que os irmãos não receberam seus vistos.
PROBLEMAS DE LÍNGUA
Desde o começo, as congregações encontravam o problema da língua. Por exemplo, na congregação Telavive, uma das duas irmãs originais sabia falar seis idiomas (alemão, iídiche, polonês, russo, ucraniano, hebreu), e o irmão Cohen, do Egito, sabia falar sete (inglês, francês, italiano, árabe, turco, grego, espanhol). Mas não podiam achar uma língua comum! Desde então, a irmã aprendeu o inglês, tornando possível conversarem neste idioma!
De modo que todas as reuniões tinham de ser multilíngües, com alguém traduzindo o inglês e o polonês para o hebraico, ou vice-versa. Em certa ocasião, a reunião da Comemoração foi realizada em Haifa em cinco idiomas, para que todos os 18 presentes pudessem entender! Até hoje, quando se olha pelas filas no Salão do Reino, no estudo semanal da Sentinela, pode-se ver o mesmo artigo em idiomas tais como russo, alemão, francês, espanhol, turco, inglês, polonês e hebraico.
Visto que imigrantes chegam de todas as partes do mundo a Israel, falam-se aqui umas 70 línguas diferentes. Isto cria um problema nada pequeno no serviço de campo e para se poder oferecer aos moradores uma publicação que possam ler. Mas, visto que uma grande porcentagem da população está aprendendo o hebraico, o problema está sendo solucionado. Toda a geração mais nova fala hebraico como língua principal, e na maioria das casas entende-se agora o hebraico.
PROGRESSO EM TELAVIVE
Em 1958, chegaram a Telavive os graduados de Gileade Alex e Athena Panis, e a pioneira especial Anita Seclenov, do Uruguai. Estabeleceram um lar que se tornou centro teocrático para reuniões e o serviço de campo. Especialmente a partir de então, as coisas começaram a progredir
Anita Seclenov, que fala fluentemente russo e espanhol, começou a ver logo os frutos do seu serviço. Por exemplo, ela contatou um carpinteiro de origem russa na carpintaria dele. Ele assinou para A Sentinela em russo, o que levou a um estudo com a esposa dele. Esta tornou-se publicadora resoluta, e, com o tempo, tornou-se pioneira especial. Outra família de judeus búlgaros, que falavam espanhol, reagiram favoravelmente. Embora a mãe não continuasse na verdade, seu filho é agora superintendente na congregação.
Outra senhora, da Bulgária, escutou a irmã Seclenov com interesse, mas o seu modo de vida havia estado tão afastado dos princípios bíblicos, que parecia quase que impossível que ela mudasse. Mas ela mudou! Durante alguns anos, ela serviu como pioneira especial, e outros de sua família são publicadores ativos. Ela aproveita bem a sua habilidade de conversar em mais de 20 idiomas, que é uma das maiores vantagens que se possa ter neste país multilíngüe.
É um acontecimento e tanto acompanhar esta irmã de casa em casa, ouvindo as boas novas do Reino faladas em espanhol, depois em hebraico, búlgaro, russo, árabe e inglês, conforme se contatam imigrantes de lugares diferentes. E quando ela encontra uma pessoa surda, isso não constitui nenhum problema, porque a linguagem de sinais dos surdos é mais uma “língua” que ela domina! Por bastante tempo, a pequena cozinha no seu acanhado lar serviu de Salão do Reino.
No decorrer dos anos, a congregação Telavive reuniu-se em vários lares particulares, bem como em salões alugados. Diversas vezes, os irmãos se perguntavam: ‘Aonde vamos agora?’, quando seu número aumentava e os donos de salões se recusavam a deixá-los usar mais o seu local por causa da pressão e do preconceito da vizinhança. Mas os horários das reuniões eram mantidos sem interrupção. De fato, em todos os anos, apenas uma reunião teve de ser cancelada, e isto aconteceu quando um violento temporal arrancou o telhado da sala usada como local de reunião, pouco antes da hora da reunião. Finalmente, em 1963, a Sociedade Torre de Vigia financiou a compra dum Salão do Reino para a congregação, num lugar central de Telavive. Ali, a assistência aumentou e aumentou, até que se tornou necessário formar duas congregações. Olhando para trás, para os anos passados, é evidente que a mão de Jeová dirigiu os assuntos de tal maneira, que sempre se fazia alguma provisão.
Os novos imigrantes, muitas vezes, recebem moradia e trabalho em povoações distantes, com o objetivo de espalhar a população. De modo que o irmão e a irmã Klufinski, da Polônia, que chegaram em fins de 1957, viram-se isolados no canto nordeste do país, perto da antiga cidade bíblica de Hazor. Mas, depois de seis meses, conseguiram mudar-se para mais perto de Telavive, nas proximidades de Lode, lugar da cidade bíblica de Lida. Desde 1959, seu lar tem sido o lugar dum estudo de livro de congregação, e dirige-se ali também um estudo da Sentinela em polonês, para os interessados locais, visto que fica a uns 23 quilômetros de Telavive.
Quando os graduados de Gileade foram temporariamente transferidos de Telavive para Nazaré, o irmão Abaye Behar, que chegara da Turquia, foi por um tempo designado para superintendente. Mas ele não entendia o hebraico ou qualquer outra das línguas costumeiras entre a maioria dos publicadores. O que acontece quando alguém que dirige o estudo da Sentinela não entende as respostas dadas em diversos idiomas?
Ora, o irmão Behar lia as perguntas na Sentinela em turco; os presentes tinham o mesmo artigo, cada um na sua própria língua. Daí, providenciou-se que, quando as respostas eram dadas em russo ou em polonês, um publicador maduro acenava com a cabeça para deixar o irmão Behar saber se a resposta estava em ordem e completa, ou se precisava de mais alguma coisa. Se a resposta era dada em hebraico ou em alemão, então outro publicador fazia o mesmo! Os discursos e o conselho da Escola Teocrática proferidos em espanhol eram traduzidos para o hebraico por um jovem publicador de 10 anos. Os discursos das reuniões de serviço proferidos em espanhol eram traduzidos para o russo, por uma irmã, em benefício dos publicadores de línguas eslavas, e para o hebraico, por outra. Deste modo, todos entendiam satisfatoriamente e obtinham o benefício dos programas de reunião.
Que bênção foi quando o jovem David Namer chegou ao país procedente da Turquia! Ele já tinha bom conhecimento prático do hebraico, e embora fosse comparativamente novo na verdade, tinha obtido bom conhecimento e entendimento. Quando o superintendente de congregação, o graduado de Gileade, deixou o país, David assumiu por um tempo a supervisão da congregação Ele serve agora como membro da comissão de filial, e fez um curso especial de cinco semanas em Brooklyn, como um dos pontos altos de sua vida
ASSEMBLÉIA “BOAS NOVAS ETERNAS”
Um evento destacado de 1963 foi a assembléia internacional “Boas Novas Eternas”. A corrente principal dos visitantes foi para a Jordânia e para o Líbano, mas alguns vieram a Israel. O Rabinado soube da assembléia e pressionou o dono do salão para cancelar nosso contrato, sob a ameaça do cancelamento de sua licença de aprovisionador, o que arruinaria mesmo o seu negócio. Embora os irmãos tivessem um contrato seguro, concordaram em renunciar ao seu direito a um salão moderno de ar condicionado, em vez de causar dificuldades ao proprietário.
A assembléia foi transferida para o Salão do Reino. Mas, em vez de diminuir o ânimo dos irmãos, ele foi estimulado pela oposição. Os canais de notícias souberam da história e a publicaram em diversos jornais em inglês e em hebraico — num total de uns 380 centímetros-coluna — expressando sua desaprovação de tal ação arbitrária. De modo que os empenhos dos rabinos resultaram em serem um tiro pela culatra! No discurso público atingiu-se uma assistência recorde de 115 pessoas.
ESTABELECIDA UMA FILIAL EM ISRAEL
Finalmente, em 1.º de janeiro de 1963, Israel tornou-se uma filial separada, com o escritório em Haifa. Dali se organizavam visitas de superintendente de circuito, assembléias e outras atividades, reuniam-se relatórios, e mantinha-se correspondência com congregações e grupos. Naquele tempo, o número de publicadores no país já havia atingido uns 80, a maioria deles nas duas cidades de Haifa e Telavive, e arredores. Mais ou menos ao mesmo tempo, proveu-se ajuda adicional com a chegada a Israel de Eric e Catherine Pearce, e Derek e Jean Hanson.
Também, um passo notável para a frente foi a produção do primeiro número da Sentinela no idioma hebraico, com data de dezembro de 1962. Os primeiros 15 números eram edições mimeografadas. Ao passo que se produziam edições melhoradas, a tiragem aumentou de uns 300 ou 400 exemplares para a média de mais de 2.000, cada número, em mais de 30 países diferentes. Por causa da proibição da importação de literatura em língua hebraica no país, A Sentinela tem sido impressa numa gráfica local, sendo a tradução, a diagramação e a revisão cuidadas por Testemunhas em Israel.
Um de nossos tradutores é Shoshana Givati. Ela foi criada aqui em Israel, mas depois mudou-se para os Estados Unidos, onde se tornou Testemunha, em 1960. Ela soube dum casal que se empenhava arduamente em aprender o hebraico, a fim de mudar para Israel, com o objetivo de ajudar as congregações ali. De modo que pensou: “Se eles fazem tanto empenho, e eu já sei o hebraico, o que estou fazendo aqui nos Estados Unidos?” Ela prontamente arrumou seus assuntos para se mudar de novo para Israel, e, apesar de responsabilidades familiares, ela tem servido desde então, contribuindo para a tradução da Sentinela.
Em junho de 1966, alugou-se um prédio mais adequado em Haifa, para prover um Salão do Reino, um escritório e moradias para a pequena família de Betel. Assim, havendo em meados dos anos 60 uma assistência regular de 80 a 100 pessoas em Telavive, e de umas 40 em Haifa, o progresso era evidente. Ano após ano atingiram-se novos auges de publicadores neste país: 1964:88; 1965:98; 1966:112; 1967:126.
CORDIAL FRATERNIDADE INTERNACIONAL
O que talvez falte em matéria de entendimento e comunicação clara entre os irmãos, por causa da barreira lingüística, é compensado pela genuína cordialidade entre eles. Conforme disse uma senhora, na sua primeira reunião: “Vocês são todos tão amigáveis aqui!” Que este é um fator importante pode ser visto na seguinte experiência:
Uma Testemunha que havia aprendido a verdade na Polônia, e cujo entendimento do hebraico ainda era muito limitado, ia para a reunião da congregação quando se encontrou com uma conhecida de sua pátria. Ela lhe disse aonde ia e convidou-a a acompanhá-la na mesma hora. A amiga foi, e, embora não entendesse muito o que se dizia, ficou tão impressionada com a cordialidade e amizade dos irmãos, que passou a vir regularmente. Ela, por sua vez, falou às esposas de dois dos colegas de trabalho de seu marido. Agora, todas fazem parte da congregação! Uma destas irmãs já serve por vários anos como pioneira regular, e seu marido, a quem ajudou a aceitar a verdade, é firme publicador e servo ministerial.
Mostrando ainda mais quão internacional o cenário é aqui, temos em uma das congregações o irmão Moshe Erez, que se criou no Iraque. Teve seu primeiro contato com a mensagem do Reino em Hong Kong. Daí, durante a Segunda Guerra Mundial, ele esteve no Japão. Passou a testemunhar ali a outros sobre a sua recém-encontrada fé. Todavia, o passar do tempo, o isolamento e a leitura de livros sobre o alto criticismo minaram a sua fé. Após o fim da guerra, ele voltou ao Iraque, e depois veio a Israel.
Moshe decidiu escrever um livro, contando a história de sua vida, especialmente sobre as mudanças ocorridas no seu conceito sobre a religião e a Bíblia. Quando ficou finalmente pronto, começou a procurar alguém que o publicasse para ele. Falando sobre o assunto com um xeque numa das aldeias onde trabalhava, o xeque sugeriu que talvez as Testemunhas de Jeová o ajudassem no seu projeto, visto que publicavam livros religiosos. De modo que foi posto em contato com a congregação local e teve uma série de palestras pormenorizadas com um dos irmãos.
O cumprimento da profecia das “setenta semanas”, em Daniel, a respeito do Messias, bem como a precisão geral da cronologia bíblica, causaram profunda impressão em Moshe. A fé que havia obtido em Hong Kong e perdido no Japão foi restabelecida e fortalecida, esta vez à base de conhecimento exato. O estudo e a associação regulares nas reuniões congregacionais edificaram-no prontamente. Ele, junto com sua filha Dalia, que também progrediu rapidamente na verdade, foram batizados juntos em 1962. Ficou assim esquecido seu desejo de publicar o livro com a história da sua vida. Que bela ajuda eles têm sido para a congregação! O pai interpreta o árabe, o hebraico e o inglês nas reuniões, quando necessário, e serve como ancião. A filha já está no serviço de Betel por mais de 10 anos, estando todo o tempo atarefada com a tradução e a revisão de matéria para A Sentinela e outras publicações.
A GUERRA DE SEIS DIAS — 1967
O belo exemplo de união e confiança mútua que floresce dentro das congregações das Testemunhas de Jeová evidenciou-se durante a guerra árabe-israelense de junho de 1967. Em Israel, aumentaram a amargura e a suspeita entre os setores judaicos e árabes da população, durante os dias tensos antes da guerra e durante a semana da própria guerra. Mas a congregação Haifa, composta tanto de irmãos judaicos como árabes, continuou a reunir-se durante todo o período da guerra, sem sinal de tal ódio e suspeita. O Salão do Reino foi escurecido, as luzes foram diminuídas, e o programa total de reuniões foi executado sem interrupção.
A Congregação Telavive teve de transferir suas reuniões para as tardes, por causa das restrições a todos os transportes após o pôr-do-sol. De todos os outros modos, tudo continuou sem interrupção. Os irmãos certamente encontraram muitas oportunidades de dar testemunho a respeito dos ‘sinais dos tempos’ e da esperança à frente. Naquele mês, o país atingiu um novo auge de publicadores, quando 126 relataram atividade de pregação!
Em resultado da guerra, puderam ser restabelecidos os contatos entre os irmãos em Israel e os do setor chamado de Margem Ocidental. As congregações de Ramla e Beit Jala, e o grupo que morava em Jericó encontravam-se na Margem Ocidental. Já se passaram quase 20 anos desde que os irmãos puderam reunir-se com os do outro lado da fronteira fixada após a guerra palestina de 1948. Assim que foi viável, uma delegação da filial da Sociedade, incluindo um intérprete árabe, obteve permissão para visitar esses lugares. Mas o seu conhecimento sobre o paradeiro dos irmãos era muito impreciso. Eles relataram:
“Saindo de Jerusalém, de carro, para o norte, passamos por sinais dos danos da guerra — tanques e automóveis queimados, e casas danificadas por bombas — chegando à cidade de Ramla. Um de nosso grupo lembrou-se do nome duma família que havia morado ali anos. Antes, de modo que perguntamos pela sua casa. Ela não havia sofrido nenhum dano e estava obviamente habitada, e por isso batemos na porta. A porta foi aberta alguns centímetros, com bastante nervosismo, e nós explicamos quem éramos. A cena mudou imediatamente! Fomos logo acolhidos, e descobrimos que havíamos chegado na hora e ao lugar do estudo semanal da Sentinela! Como os irmãos ficaram emocionados ao nos verem! Eles haviam perdido contato com o escritório da Sociedade em Beirute já algum tempo antes do irrompimento da guerra. Tiveram dezoito presentes ao seu estudo, naquela tarde.
“Após o estudo, proferiu-se um pequeno discurso para informar os irmãos sobre o que havia acontecido, relatando algo sobre o progresso das congregações em Israel. Aquele curto discurso, traduzido para o árabe, foi provavelmente o primeiro discurso já proferido em hebraico, em Ramla! Trazíamos muitos bens para os irmãos — suprimentos das revistas correntes para satisfazer suas necessidades espirituais, bem como comestíveis básicos, presentes dos irmãos da congregação Haifa. Supriram-se também as necessidades dos três pioneiros especiais. Quão feliz foi esta ocasião para todos nós! Infelizmente, tivemos de abreviar a visita, visto que se aproximava o tempo do toque de recolher e tínhamos de voltar a Jerusalém para passar a noite.
“No dia seguinte — esta vez supridos de nomes e endereços — visitamos os irmãos na região de Beit Jala/Belém. Aqui, também, todos estavam bem; ninguém havia sofrido qualquer dano. O superintendente de congregação, Farah Bakhit, alegrou-se tanto de ver-nos, que fechou prontamente sua pequena loja para o resto do dia e acompanhou-nos em visitar todas as famílias associadas com a congregação, inclusive aqueles fiéis que se haviam mantido firmes durante os quase 20 anos desde a partição do país. O dia passou depressa demais, e tínhamos de partir. Mas, antes de irmos embora, fizemos arranjos para visitá-los de novo, desde que as fronteiras não mudassem no ínterim.”
A próxima visita, que ocorreu três ou quatro semanas mais tarde, foi mais completa, e programaram-se de antemão reuniões para aquela ocasião. Incluíram-se visitas a Jericó e Nablus, para ver as famílias isoladas. O irmão solitário em Nablus, Joseph Abdennour, foi quem muitos anos antes se havia associado com a congregação Haifa.
Fizeram-se planos para uma assembléia de um só dia para todas as congregações no país, numa grande sala de hotel, em Jerusalém, no dia 6 de agosto, menos de dois meses após a guerra. Ela foi programada para coincidir com uma viagem de férias ao país feita pelo então vice-presidente da Sociedade (dos E. U. A.), F. W. Franz, junto com outros da cidade de Nova Iorque. Quão maravilhoso foi aquele dia!
Os irmãos tiveram o prazer de conhecer dois do grupo original que haviam trazido a mensagem do Reino dos Estados Unidos a Ramla, em 1919. Os da Margem Ocidental ficaram emocionados ao verem tantos procedentes das cidades de Israel, onde 20 anos antes havia apenas quatro ou cinco publicadores. O total de 176 pessoas assistiu à reunião de um só dia. O maravilhoso espírito de união evidenciou-se bem claramente, ao passo que os irmãos, que haviam sido mantidos separados por arame farpado na fronteira, agora tinham a oportunidade de trocar saudações e notícias, tanto quanto as diferenças de línguas permitiam. Desde então, os irmãos da Margem Ocidental têm conseguido assistir a assembléias de circuito e de distrito realizadas em Israel, ao passo que os irmãos do setor israelense têm conseguido visitar as congregações ali.
As duas congregações da Margem Ocidental haviam antes sofrido a proscrição e o confisco de publicações. Os clérigos de Jerusalém e de Belém haviam pressionado o governo da Jordânia, em Amã, a impôr estas restrições às Testemunhas de Jeová. Mas esses dignitários não podem agora influenciar as autoridades civis ou militares israelenses, e, em resultado disso, temos tido liberdade de reunião e de atividade na Margem Ocidental, desde 1967. De maneira similar, esses mesmos clérigos anteriormente puderam causar dificuldades aos irmãos em Amã, na Jordânia, mas agora não têm acesso às autoridades governantes ali para influenciá-las.
UMA LIÇÃO PARA CHEFES DE FAMÍLIA
Pode-se tomar uma lição do que aconteceu no caso do irmão Joseph Abdennour, que se mudou de Haifa para Nablus por volta de 1947. Embora mantivesse a sua fé na mensagem do Reino e testemunhasse a outros, conforme se oferecia a oportunidade, Joseph deixou de dar atenção suficiente às necessidades espirituais de sua família. Encontrando-se isolados, não tinham nenhuma oportunidade de assistir a reuniões ou de se associar com outros jovens na fé. O resultado foi que nenhum de seus filhos se interessou na verdade, mas eles se devotaram aos negócios da família, à política e a outros interesses.
Um filho tornou-se ativo no movimento comunista, e até mesmo sofreu sete anos de prisão, num campo de trabalho no deserto, sob as autoridades jordanianas, por sua atividade política. Ele havia ouvido seu pai falar sobre a esperança da Bíblia, mas ela nunca lhe fora explicada cabalmente. Sua experiência no campo de prisão acabou com sua confiança no comunismo, e ele ficou sem nenhuma base para esperança. Após a morte de seu pai, ele e sua família mudaram-se para Ramla, onde entrou em contato com as Testemunhas. Ele trouxe também consigo a biblioteca de seu pai, inclusive as publicações da Sociedade. Seu interesse foi estimulado pelas visitas dos irmãos, e iniciou-se um estudo. Isto levou à edificação de sua fé em Deus e na Bíblia. Ele fez rápido progresso e foi batizado na sua primeira assembléia, servindo por um tempo qual pioneiro. Seu pai teria tido prazer em ver o progresso espiritual dele!
COBERTURA DO TERRITÓRIO
A maioria das Testemunhas em Israel mora perto das cidades em que se encontram as congregações — em Haifa e Telavive, e, na Margem Ocidental, em Ramla e Beit Jala/Belém. Não obstante, dá-se algum testemunho na maior parte dos recantos desta terra, e as publicações penetram em muitas cidadezinhas e aldeias adicionais. Cidades que ainda levam nomes bíblicos e que receberam pelo menos algum testemunho incluem Asdode, Ascalom, Gate, Jope, Cesaréia, Berseba, Elate, Jerusalém, Lida (agora Lode), Nazaré, Ptolemaida (agora Acre), e as municipalidades ao longo da serra do monte Carmelo. De maneira similar, territórios da Margem Ocidental, tais como Hébron, Siquém (agora Nablus) e Jericó ouviram as boas novas em sentido limitado.
No primeiro século, houve uma congregação cristã em Ptolemaida. (Atos 21:7) Hoje, temos ali uma publicadora. E como ela é firme! Aleijada pela poliomielite quando menina, ficou restrita ao raio de alguns metros da casa de sua família na antiga cidade murada. Acontece que um irmão tinha uma relojoaria dentro desta distância, e ela ia ocasionalmente à sua loja para conversar. Ela reagiu favoravelmente às animadoras boas novas que lhe transmitia, e que lhe ofereciam a esperança de algum dia poder correr e pular!
A verdade causou notáveis mudanças no seu conceito sobre tudo na vida, dando-lhe o incentivo de aprender um ofício, de achar um emprego adequado e até mesmo de passar pelo exame de motorista. Em pouco tempo, já viajava regularmente os 24 quilômetros às reuniões da congregação Haifa. Tornou-se uma excelente Testemunha entusiástica e vigorosa, participando ocasionalmente no serviço de pioneiro auxiliar. Em 1969, assistiu à assembléia internacional em Paris, na França.
A ESPÉCIE DE PERSEVERANÇA NECESSITADA
Em Israel, não é fácil tornar-se Testemunha. A pessoa de origem judaica, que começa a associar-se com uma congregação local, tem de enfrentar oposição de todos os lados. É realmente uma prova para o seu amor à verdade e a sua determinação de servir a Jeová. Uma família que passou por tal oposição é originária da Rússia.
Uma das irmãs pioneiras encontrou esta família, e, em resultado dum estudo semanal, os membros dela progrediram depressa e desenvolveram um excelente espírito de determinação de se apegar ao que aprendiam. Foram jogadas pedras pelas suas janelas, e apupos e insultos verbais eram coisas diárias. Outros repeliram-nos totalmente, negando-se a falar com eles. No entanto, com o tempo, granjearam o respeito dos que antes se lhes opunham ou os evitavam.
Quando a família começou a freqüentar as reuniões e a dar testemunho a outros, as autoridades rabínicas notaram isso. O comitê local do Rabinado ofereceu à família ajuda financeira, se voltassem à religião judaica, porque presumiam que havia algum induzimento material que fizera com que se tornassem cristãos. A resposta do irmão foi inequívoca: “Há algumas coisas que não se podem comprar com dinheiro ou vender, e a verdade da Palavra de Deus, a Bíblia, é uma delas. Encontrei a verdade com a ajuda das Testemunhas de Jeová.” Além da ajuda que o pai da família está dando como ancião de uma das congregações, dois da família têm servido como pioneiros. Tais primeiras provas produzem uma força espiritual que tem sido vantajosa para as Testemunhas no decorrer dos anos.
PROGRESSO RÁPIDO DOS NOVOS
Anita Seclenov tem servido como membro da família de Betel desde 1969. Após uma queda e um ferimento na coluna, sua participação no serviço de campo tem ficado restrita, limitando-se na maior parte a contatar pessoas na própria vizinhança do lar da filial. A uns 50 metros de casa, ela contatou uma senhora que mostrou interesse, iniciando-se um estudo, apesar de problemas com a língua. O prazer que esta dona-de-casa tinha com o estudo induziu seu marido a se interessar, e ele passou a ler e depois a estudar.
Foram incentivados a assistir às reuniões, mas, vez após vez, chegavam visitantes de seu grande círculo familiar, justamente na hora da reunião. Mesmo quando vinham ao salão, eram chamados para casa, durante a reunião, assim que surgiam visitantes. Mas, então, começou a ficar forte seu “gosto” pelo alimento espiritual provido nas reuniões, e passaram a informar seus muitos amigos e parentes que, nas três noites de reunião, não estariam em casa entre certas horas.
Este casal, Hanna e Nehai Khoury, e seus cinco filhos têm dado excelente testemunho a seus muitos parentes na cidade e na aldeia distante onde moram. Têm mostrado também ser de grande ajuda na congregação. O pai logo tomou a dianteira no serviço de campo e em cuidar de outras responsabilidades na congregação. Ele foi designado para a Comissão de Filial, e, em 1978, teve o privilégio de assistir ao curso para membros de comissões de filial, em Brooklyn, Nova Iorque. Foi a primeira vez que ele saía do país ou se separava da família.
ASSEMBLÉIAS E COMEMORAÇÃO
A partir de 1967, todos os programas de nossas assembléias de circuito e distrito foram apresentados tanto em hebraico como em árabe. Em alguns casos, o programa é apresentado em um idioma e traduzido para o outro Em outras ocasiões, providenciam-se sessões em línguas separadas, em salões anexos, e depois há oportunidades para associação, entre as sessões. Diversos tipos de salões têm satisfeito nossas necessidades para estas assembléias, ao passo que nosso número aumentou: cinemas clubes sociais e auditórios de escolas.
A Comemoração amiúde coincide com a Páscoa judaica, o que cria problemas. Todos os transportes públicos param ao pôr-do-sol, e poucas das famílias locais têm automóveis. Nas localidades, as famílias judaicas reúnem-se em volta da mesa seder, celebrando o êxodo do Egito nos dias de Moisés, uma situação que cria dificuldades para as Testemunhas em famílias divididas. Isto se dá especialmente quando a mãe da família é a única na verdade, e quando se espera que esteja em casa, preparando e servindo a refeição pascoal, judaica. Esta é apenas uma das muitas questões a serem enfrentadas pelos novos, ao passo que progridem e tomam sua posição a favor do verdadeiro ‘cordeiro pascoal’, o próprio Messias. De modo que a assistência de mais de 400, cada ano, na nossa Comemoração representa um grande esforço da parte dos interessados.
MUITOS VISITAM “A TERRA DA BÍBLIA”
Embora sempre tivesse havido um fluxo constante de visitantes em Israel, a Sociedade organizou em 1973 um programa de excursões que habilitou muitos outros a ver a terra onde ocorreram tantas coisas relacionadas com a realização dos propósitos de Jeová. Providenciaram-se o transporte para Israel, um itinerário bem elaborado e acomodações confortáveis, e mais de 3.500 visitaram este país. Eles relacionaram sua visita aqui com uma assembléia na Europa ou em outra parte.
Mais recentemente, em 1978, repetiu-se um programa similar, e esta vez tivemos mais de 14.000 visitantes, de mais de 40 países diferentes. E, durante 1979, outros milhares aproveitaram excursões organizadas similares. O que vêem tais visitantes?
O itinerário tem dado a máxima cobertura possível ao país numa excursão de uma semana — uma visão da terra, “desde Dã até Berseba”, e às vezes ainda mais além. Alguns incluíram uma visita à região do monte Sinai. Fortalece a fé e educa ver por si mesmo os próprios locais e cenários dos significativos eventos bíblicos: Megido, o monte Carmelo, Cesaréia, Cafarnaum, Jope, o Monte das Oliveiras, Jericó o vale de Hinom, Nazaré e Belém. Toda a história da Bíblia passa a viver e assume significado adicional.
Mas o benefício não terminou com isso. Muitos dos grupos visitantes providenciaram reuniões vespertinas com os publicadores locais, que foram aos hotéis em que os visitantes ficavam. Houve intercâmbio de experiências e notícias, para o encorajamento mútuo de todos. E foi uma experiência bastante grande para a família de Betel, de quatro membros, receber no seu pequeno lar tantos milhares!
Além disso, o grande número de Testemunhas percorrendo a extensão e a largura do país deu um excelente testemunho àqueles com quem entravam em contato. Cada ônibus levava um cartaz: “Testemunhas de Jeová — Excursão Pela Terra da Bíblia”, e muitos visitantes usavam cartões de lapela como identificação. De modo que, mesmo quando não era possível conversar, por causa das barreiras lingüisticas, a boa conduta e a afabilidade dos irmãos causaram uma impressão positiva.
A QUESTÃO DA NEUTRALIDADE
Dentro de 10 dias após a partida do último grupo de visitantes, em 1973, irrompeu a ‘Guerra do dia da Expiação’ entre Israel e seus vizinhos. Assim como em 1967, as atividades e reuniões congregacionais continuaram ininterruptas. Mas houve dificuldades quando o governo israelense acelerou o recrutamento militar e cancelou todas as isenções anteriormente concedidas aos nossos irmãos jovens. Alguns, inclusive dois anciãos, pais de filhos jovens, bem como alguns servos ministeriais, foram presos e sentenciados à detenção numa prisão militar. No caso de uma das famílias, a ausência do pai continuou por mais um ano. Os irmãos locais socorreram as famílias, suprindo alimentos e outra ajuda prática.
As coisas só começaram a mudar quando um grupo de irmãos encarcerados decidiu adotar uma posição mais firme em harmonia com os difames de sua consciência negando-se a vestir uniformes de trabalho providos como vestimenta carcerária ou a realizar quaisquer tarefas no campo. Tiveram de suportar umas poucas semanas de condições desumanas no bloco de punição, só com a roupa de baixo durante o tempo hibernal, mas a publicidade resultante e a evidente futilidade de quebrantar sua integridade resultaram em serem finalmente soltos. As notícias jornalísticas, na maior parte, eram favoráveis, como histórias pessoais sobre as famílias envolvidas, e explicações sobre nossos princípios e crenças foram publicadas em vários jornais nacionais, bem como transmitidas em noticiários de rádio e em programas radiofônicos.
Relacionado com estas notícias publicou-se nos jornais o Nome Divino, Jeová, também ouvido pelo rádio, provavelmente pela primeira vez Embora o tetragrama exista na Bíblia hebraica e em outra literatura religiosa, nunca é escrito em publicações seculares e não é pronunciado em nenhuma circunstância. Quando os publicadores se apresentam aos moradores como “Testemunhas de Jeová”, eles têm de explicar que isto significa, realmente, “Testemunhas de Deus”. Os moradores judaicos identificam-nos como fazendo parte da cristandade, porque usamos o nome Jeová. Ao mesmo tempo, a população árabe classifica-nos como “sionistas” por usarmos o nome Jeová, o nome judaico de Deus! Que privilégio extraordinário é para nós levar o nome do Deus Todo-poderoso!
OPOSIÇÃO DOS EXTREMISTAS RELIGIOSOS
Embora haja liberdade de religião em Israel, há pessoas e alguns movimentos antimissionários que se opõem a todo o proselitismo. Estes amiúde nos confundem com os missionários da cristandade. Durante 1977, a oposição contra a nossa obra atingiu um auge com uma campanha contra a congregação Telavive e seu Salão do Reino.
Fanáticos judeus ortodoxos criaram problemas para algumas famílias de Testemunhas por distribuírem panfletos insultantes entre os vizinhos delas. Quando os irmãos saíam e depois voltavam das reuniões, lançavam-se contra eles insultos, impropérios e ameaças. Depois houve uma série de três ataques contra o Salão do Reino, durante os quais os atacantes destruíram a mobília, o equipamento sonoro, os condicionadores de ar, as instalações elétricas e a literatura — rasgando até mesmo cada exemplar da Palavra de Deus, a Bíblia Sagrada!
No começo, os protestos às autoridades e os apelos por ajuda não foram atendidos. Entretanto, ao passo que tanto a imprensa local como a estrangeira, bem como a televisão local, publicaram a história, as autoridades policiais passaram a agir. Cooperaram em estabelecer uma emboscada, que resultou na prisão de três estudantes rabínicos, quando voltaram pela quarta vez, esta vez com a intenção de incendiar o prédio. Embora esses vândalos fossem soltos com uma multa nominal e uma sentença suspensa, esta ação acabou com os ataques. Muitas pessoas honestas expressaram sua repugnância da intolerância mostrada por aqueles que se apressam em protestar contra a discriminação que eles mesmos sofrem em outros países.
CONTINUA O PROGRESSO CONSTANTE
Durante os anos 70, o número dos publicadores aumentou constantemente, atingindo 200 em 1974, 250 em 1975, e um auge de 276 em 1976. A assistência às assembléias e à Comemoração aumentou para 400 e mais. Depois deste aumento, as coisas nivelaram-se nos últimos dois anos, apresentando-se alguns novos, outros deixando o país e mais outros não mostrando a qualidade necessária da perseverança. Tanto a congregação de Ramla como a de Belém (ou Beit Jala) têm agora excelentes Salões do Reino, em locais centrais.
O número de publicadores do Reino na Jordânia tem aumentado dos 19 relatados em 1968, quando as congregações de Ramla e Belém não eram mais consideradas parte da Jordânia, para a média de uns 40 publicadores atualmente. Ainda há apenas aquela uma congregação na Jordânia, na capital, Amã.
Toda a turma antiga, original, de irmãos, que trouxe a verdade a Ramla, após a Primeira Guerra Mundial, já morreu, o último deles na primavera de 1971. Também Ibrahim e Atallah Shehadi, os irmãos originais contatados em Haifa, na década de 1930, terminaram recentemente sua carreira fiel na vida, Ibrahim morrendo em 1978 e Atallah em julho de 1979. As duas irmãs que iniciaram as atividades atuais em Telavive e vizinhanças, Frieda Susser e Fanny Mintzer, ainda são zelosas no serviço. E muitos, muitos outros se juntam agora a elas. Todos estes publicadores do Reino são felizes e estão unidos na sua obra, neste canto vital do mundo.
[Nota(s) de rodapé]
a O nome “Palestina” deriva-se indiretamente de “Filístia”, nome que originalmente se limitava ao litoral ocupado pelos filisteus.
[Foto na página 216]
Israel — terra de contrastes, onde o antigo se encontra com o novo.
[Foto na página 220]
Ibrahim (à esquerda) e Atallah Shehadi, irmãos carnais, pioneiros na obra de testemunho em Haifa.
[Foto na página 232]
Frieda Susser (à esquerda) e Fanny Mintzer, ambas da mesma aldeia da Polônia, iniciaram as atuais atividades de testemunho em Telavive-Jafa.
[Foto na página 252]
Algumas das muitas Testemunhas que excursionaram pela terra da Bíblia, em 1978
[Mapa na página 213]
(Para o texto formatado, veja a publicação)
Israel e Jordânia
MAR MEDITERRÂNEO
LÍBANO
SÍRIA
IRAQUE
ARÁBIA SAUDITA
EGITO
MAR MORTO
RIO JORDÃO
ISRAEL
JORDÂNIA
Acre
Haifa
Megido
Cafarnaum
Nazaré
Cesaréia
Samaria
Nablus
Betel
Ramla
Jericó
Telavive-Jafa
Asdode
Ascalom
AMÃ
JERUSALÉM
Belém
Hébron
Berseba
Petra