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  • Todos precisam de esperança
    A Sentinela — 1981 | 15 de outubro
    • inglês) diz: “Os malditos do inferno não podem ter esperança, porque não podem ter nenhuma expectativa de salvação.” O aviso que Dante imaginou como afixado acima dos portões do inferno rezava: “Deixai toda esperança, vós, que entrais.”

      Mas, será que a alternativa de todos os que crêem em Deus e em Cristo é apenas a de “felicidade eterna” no céu ou dum estado desesperador de punição eterna num “inferno”? Visto que as raízes do cristianismo estão profundamente arreigadas na Bíblia, como é que as Escrituras definem a esperança cristã e qualquer punição alternativa?

      Além disso, visto que os milhões de pessoas fascinadas pelo comunismo obviamente não se sentem atraídas pela “bem aventurança celestial” oferecida como única esperança pelas igrejas da cristandade, será que a Bíblia oferece a tais pessoas — não pelo breve período de uma vida, mas pela eternidade — a própria esperança que acham ter encontrado no comunismo, a saber, um mundo de “igualdade social e econômica para todos” numa “sociedade sem classes”?

      Oferece a Bíblia até mesmo aos milhões de muçulmanos uma esperança similar ao do “Jardim” paradísico que o Alcorão lhes oferece, mas sem o perigo de acabarem no “Lugar Quente”?

      E que dizer das centenas de milhões de praticantes de certas religiões orientais, aos quais se ensinou que toda a existência material significa sofrimento, e para quem a vida, na terra, portanto, é algo mau? Procurariam tais pessoas anular sua existência individual no nirvana, se pudessem convencer-se de que a vida na terra nunca era para ser um tempo de sofrimento tal como conheceram? Não poderia a Bíblia mudar o conceito delas sobre a vida e dar-lhes uma esperança mais em harmonia com os anseios naturais dos humanos inteligentes?

      Com estas perguntas em mente, examinemos a Bíblia e a história religiosa, para ver se a única esperança oferecida à humanidade é a de “ir para o céu”. E visto que a humanidade, segundo a Bíblia, recebeu uma esperança mesmo já antes da fundação do cristianismo, retrocedamos primeiro e vejamos qual era a esperança dos antigos judeus.

  • A origem da esperança do milênio
    A Sentinela — 1981 | 15 de outubro
    • A origem da esperança do milênio

      HOJE há pouca escolha entre as esperanças e os temores do católico, protestante e judeu comum. Quase todos eles acreditam na imortalidade inerente da alma humana e nas crenças relacionadas duma bem-aventurança celestial num mundo etéreo ou dum tormento eterno em alguma espécie de “inferno”.

      Visto que as religiões da cristandade afirmam ter afinidade com o monoteísmo dos judeus e aceitam as Escrituras Judaicas como sendo inspiradas, será interessante ver se as esperanças atuais dos judeus e as dos “cristãos” correspondem à esperança apresentada nas Escrituras Hebraicas e às primitivas crenças dos judeus.

      A ESPERANÇA MESSIÂNICA

      À base de textos tais como Gênesis 3:15; 22:15-18; 49:10 e Deuteronômio 18:18, para se mencionarem apenas quatro dos 456 textos das Escrituras Hebraicas considerados pela antiga Sinagoga Judaica como sendo messiânicos, o que é que os judeus esperavam? Qual era a sua esperança?

      Uma obra de referência autorizada, judaica, fornece a seguinte informação: “. . . a idéia dum Messias pessoal permeia o Antigo Testamento. Isto é o resultado natural da esperança profética, futura. O primeiro profeta a fornecer um quadro detalhado do futuro rei ideal foi Isaías (ix. 1-6 [2-7, nas Bíblias não-judaicas], xi. 1-10, xxxii. 1-5). . . . O rei ideal aguardado por Isaías será rebento [descendente] do tronco de Jessé, sobre quem repousará o espírito de Deus como espírito de sabedoria, valentia e religião, e que governará no temor de Deus, tendo os lombos cingidos da justiça e da fidelidade (xi. 1-3a, 5). Ele não se empenhará em guerra ou na conquista de nações; os apetrechos de guerra serão destruídos (ix. 4 [5]); sua única preocupação será estabelecer a justiça entre o seu povo (ix. 6b [7b]; xi. 3b, 4). O fruto de seu governo justo será a paz e a ordem em toda a terra O cordeiro não temerá ao leão, nem o leopardo ferirá o cabritinho (xi. 8 [6]); quer dizer, conforme explica o versículo seguinte, a tirania e a violência não serão mais praticadas no santo monte de Deus, porque a terra estará cheia do conhecimento de Deus, assim como a água cobre o mar (comp. xxxii, 1, 2, 16). As pessoas não aspirarão à grandeza política, mas levarão uma vida pastoril (xxxii. 18, 20). Sob tais condições ideais, o país só pode prosperar, nem precisa temer um ataque de nações alheias (ix 6a [7a], xxxii. 15). O recém-surgido rebento de Jessé se erguerá qual farol para outras nações, e elas virão a ele em busca de orientação e arbitragem (xi. 10). Ele será corretamente chamado ‘Maravilhoso Conselheiro’, ‘Herói Divino’, ‘Pai Constante’, ‘Príncipe da Paz’ (ix. 5 [6]).

      “Este quadro do futuro está de pleno acordo com o conceito de Isaías, de que o julgamento levará a uma regeneração espiritual, e produzirá um estado de perfeição moral e religiosa.” — A Enciclopédia Judaica, Vol. 8, página 506, em inglês.

      Esta era a esperança messiânica dada aos judeus nas Escrituras Sagradas. Certamente não envolvia nada de “celestial”! Mas que dizer dos escritos judaicos não-bíblicos? A mesma obra de referência declara um pouco mais adiante: “Na literatura apocalíptica, rabínica, o conceito dum Messias terreno é o prevalecente, e desde o fim do primeiro século da era comum é também o oficialmente aceito pelo judaísmo.” — Página 510.

      UMA ESPERANÇA TERRESTRE

      De modo que a esperança original dos judeus era terrestre. Não há nenhuma evidência bíblica de que seus fiéis antepassados, Abraão, Isaque e Jacó, esperassem ir para o céu. A Lei provida por meio de Moisés não oferecia nenhuma esperança assim. O mesmo se pode dizer dos livros poéticos das Escrituras Hebraicas e dos Profetas.

      Neste respeito, o autorizado Dicionário da Teologia Católica (em francês) declara: “Observe no Antigo Testamento toda a prosperidade temporal que a pessoa religiosa esperava receber, à base das promessas que Deus fez a ela, sua família e seu país. Ademais, tinha a esperança de dons espirituais e morais, a esperança da vinda do Messias e do seu reino.” (O grifo é nosso.)

      Isto é confirmado pelo Dicionário Enciclopédico da Bíblia, protestante (em francês). Lemos: “As esperanças oferecidas no A.T. [Antigo Testamento] desenvolveram-se gradualmente. Começam com benefícios terrenos, restauração política e restabelecimento dos habitantes. . . . Esta esperança desenvolveu-se e tornou-se universal. Jeová é o Dono do mundo. . . . O ‘Servo do Eterno’ virá; por meio de seu sofrimento e de sua humilhação salvará o seu povo. Isaías 42:1-4 mostra que o mundo tem esperança no seu ensino. Então virá a glória do Servo do Eterno, a era messiânica e uma humanidade renovada.” (O grifo é nosso.)

      Esta esperança terrestre dos judeus é belamente resumida na Enciclopédia Judaica, já mencionada, como segue: “. . . os Profetas desenvolveram a esperança dum futuro messiânico ideal por meio do reinado dum filho da casa de Davi — a idade de ouro de bem-aventurança paradísica . . . Ela viria na forma dum mundo de perfeita paz e harmonia entre todas as criaturas, o estado angélico do homem antes de seu pecado (Isa. xi. 1-10, lxv. 17-25; ‘novos céus e uma nova terra’). . . . ‘a conversão de todas as criaturas para se tornarem uma única hoste para fazer a vontade de Deus’ é o objetivo principal da esperança messiânica de Israel; só que a eliminação do ‘reino de violência’ tem de preceder ao estabelecimento do reino de Deus. . . . O ano mundial perso-babilônico de doze milênios, porém, foi transformado na escatologia judaica [o estudo do derradeiro destino da humanidade e do mundo] numa semana mundial de sete milênios, correspondendo à semana da Criação, sendo que o versículo: ‘Mil anos aos teus olhos são apenas como o dia de ontem’ (Sal. xc. 5 [A.V. 4]) sugeriu a idéia de que o atual mundo de labuta (‘‘‏olam ha-zeh’) há de ser seguido por um milênio sabático, ‘o mundo a vir’ (‘‘‏oram lua-bá’ . . .).” — Vol. 5, páginas 209-211. (O grifo é nosso.)

      RESSURREIÇÃO, NÃO IMORTALIDADE INERENTE

      Os judeus, durante séculos, não adotaram a crença pagã da imortalidade da alma humana. Os judeus eram um povo instruído, e qualquer judeu alfabetizado podia ler dezenas de textos nas Escrituras Hebraicas que declaram em termos nada incertos que a “alma” (em hebraico: néfes) pode morrer. Mencionamos aqui apenas uns poucos: Gênesis 19:19, 20; Números 23:10; Josué 2:13, 14; Salmo 22:29 (versículo 30 nas Bíblias judaicas); Ezequiel 18:4, 20.

      Portanto, a primitiva esperança judaica de vida na terra, num paraíso restabelecido pelo Messias, baseava-se na crença na ressurreição, não na imortalidade inerente. A Enciclopédia Judaica confirma isso, dizendo: “A ressurreição fazia parte da esperança messiânica (Isa. xxvi. 19; Dan. xii. 2). . . . No começo, a ressurreição foi encarada como benefício milagroso concedido apenas aos justos . . ., mas depois foi considerada como sendo universal na aplicação e relacionada com o Juízo Final . . . Se o processo da formação do corpo, por ocasião da Ressurreição, é o mesmo que por ocasião do nascimento é uma questão de disputa entre os hilelitas e os samaítas.” — Vol. 5, página 216.

      Esta mesma obra de referência autorizada, judaica, diz a respeito de “Geena” (o “inferno” da cristandade): “Não há nenhuma base bíblica para a crença na punição da alma após a morte; esta foi suprida pelos babilônios e pelos persas, e recebeu uma coloração judaica à base da palavra ‘Gehinnom’ (o vale de Hinom), tornada detestável pelos fogos dos sacrifícios de Manassés a Moloque (II Reis xxiii. 10).” — Ibid., página 217.

      Então, como se dá que os teólogos judaicos, em geral, ensinam hoje as doutrinas da imortalidade inerente e da punição eterna? O Suplemento ao Dicionário da Bíblia (em francês) fornece-nos a seguinte informação: “[Para os judeus] a Salvação foi primeiro concebida como sendo na terra . . .; sem considerar quão luminosa era a esperança messiânica e sem se considerar a duração do reinado futuro — alguns até mesmo parecem ter crido que seria eterno — a natureza terrena e nacional daquela era religiosa era fundamental. Daí surgiu uma nova perspectiva: a ‘descoberta’ duma existência feliz após a morte.” (O grifo é nosso.)

      Como é que os judeus ‘descobriram’ que o homem tem uma “alma” que sobrevive à morte do corpo? Novamente, são obras de referência autorizadas que fornecem informação conclusiva. A Enciclopédia Judaica admite: “Somente pelo contato dos judeus com o pensamento persa e grego passou a arraigar-se no judaísmo a idéia duma alma desencarnada, com sua própria individualidade.” Isto é confirmado pelo Dicionário Enciclopédico da Bíblia, já mencionado, que diz: “O conceito da imortalidade é um produto do pensamento grego, ao passo que a esperança duma ressurreição pertence ao pensamento judaico. . . . Após as conquistas de Alexandre, o judaísmo absorveu aos poucos conceitos gregos.”

      Se alguém duvidar de que os judeus não criam originalmente na imortalidade da alma basta dizer que ainda no primeiro século da Era Comum a questão continuou sem solução nas mentes judaicas, conforme é provado pelo fato de que os fariseus criam na imortalidade, ao passo que os saduceus não criam nela. — Veja Josefo, Antiquities, Livro 18, capítulo 1, parágrafos 3, 4; Wars, Livro 2, capítulo 8, parágrafo 14; veja Atos 23:8.

      TRANSFORMADA A ESPERANÇA MESSIÂNICA ORIGINAL

      Assim como os judeus, aos poucos, abandonaram sua esperança duma vida futura por meio da ressurreição e adotaram a idéia pagã da imortalidade inerente duma “alma” separada, assim se transformou sua esperança messiânica original. Por volta do primeiro século da Era Comum, a esperança messiânica dos judeus se havia tornado uma esperança política, nacionalista.

      Confirmando isso, A Enciclopédia Judaica diz: “Foi só depois da queda da dinastia macabéia [no segundo século A.E.C.], quando o despótico governo de Herodes, o Grande, e sua família, e a crescente tirania do império romano haviam tornado sua condição cada vez mais insuportável, que os judeus procuraram refúgio na esperança dum Messias pessoal. Ansiavam o prometido libertador da casa de Davi, que os livraria do jugo do odiado usurpador estrangeiro.”

      Na sua obra A Vida e os Tempos de Jesus, o Messias (em inglês), Alfred Edersheim escreveu: “Tudo o que Israel esperava era a restauração nacional e a glória. Tudo o mais não era senão um meio para estes fins; O Próprio Messias era apenas o grandioso instrumento para alcançá-los. . . . O ideal rabínica do Messias não era o duma ‘luz para esclarecer os gentios, e a glória de Seu povo Israel’ — a satisfação das necessidades da humanidade.”

      Edersheim salienta adicionalmente que, por volta do primeiro século da Era Comum, os líderes religiosos judaicos não esperavam mais um Messias-Redentor. Ele declara: “Tanto quanto se podem recolher suas opiniões dos seus escritos, as grandes doutrinas do Pecado Original e da pecaminosidade de toda a nossa natureza não foram adotadas pelos rabinos antigos. . . . Na ausência do sentimento da necessidade do livramento do pecado, podemos compreender como a tradição rabínica não achou lugar para o cargo sacerdotal do Messias e como até mesmo as afirmações Dele, de ser Profeta de Seu povo, são quase que inteiramente ofuscadas pela Sua aparência como Rei e Libertador deles. De fato, este era o sempre-presente desejo, pesando tanto mais quando os sofrimentos nacionais de Israel pareciam quase que inexplicáveis.”

      Assim se perdeu aos poucos a esperança original dos judeus. A esperança dum rei messiânico, que não somente governasse os judeus, mas fosse também “farol para outras nações”, deu lugar à esperança fanática dum líder nacional que os levasse à vitória sobre os seus inimigos políticos e religiosos. A esperança terrestre dum “milênio sabático”, durante o qual o Messias introduziria uma “idade de ouro de bem-aventurança paradisíaca”, “um mundo de perfeita paz e harmonia entre todas as criaturas”, foi substituída por uma vaga esperança celestial, baseada no conceito da imortalidade inerente adotada dos babilônios, dos persas e dos gregos.

      Passaram-se anos. Não surgiu nenhum Messias político assim para libertar os judeus ou para reajuntá-los e restabelecê-los novamente, após a destruição de Jerusalém, em 70 E.C. De modo que até mesmo esta esperança messiânica transformada desvaneceu-se do coração dos judeus. Conforme o expressa Edersheim: “Por que demoram tão inexplicavelmente a redenção de Israel e a vinda do Messias? É nisso que a Sinagoga se encontra na presença dum mistério insolúvel. As explicações tentadas, conforme se confessa, são palpites, ou antes são tentativas de esquivar-se da questão. O único proceder que resta é impor autoritariamente um silêncio a todas essas indagações — o silêncio, conforme o expressariam, de sujeição implícita e lamentável ao inexplicável, . . . o silêncio de sempre repetido desapontamento e desespero. Assim, a grande esperança da Sinagoga como que está escrita num epitáfio sobre uma lápide tumular quebrada, a ser repetida pelos milhares que, durante estes longos séculos, tem lavado as ruínas do Santuário com lágrimas inúteis.”

      Felizmente, a esperança original do Paraíso terrestre, restabelecido sob o governo do Messias, ainda está disponível aos judeus sinceros, e alguns deles a aceitaram e secaram suas lágrimas. Todavia, para muitos outros de nossos leitores resta a questão: Como afetou a vinda de Jesus Cristo, o Messias, a esperança dum “milênio sabático” de “paz e harmonia entre todas as criaturas” na terra? E se Cristo confirmou esta esperança, por que é que virtualmente todos os “cristãos” protestantes e católicos não compartilham da esperança do milênio?

      [Foto na página 5]

      Os “amanhãs felizes” dos comunistas?

      O nirvana hindu ou budista?

      A “bem-aventurança celestial” católica ou protestante?

      Que esperança oferece a Bíblia?

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