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Jeová não abandona seu povoA Sentinela — 1979 | 15 de setembro
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cumprir nada de tudo o que falaste.” Que golpe devastador para o orgulhoso Hamã! Mas, o que podia fazer? Não acatar a ordem significaria a morte certa. Por isso, em pouco tempo, Mordecai, trajado da vestimenta real e montando o cavalo do rei, percorria a praça pública, com o humilhado Hamã clamando na frente dele: “Assim se faz ao homem em cuja honra o próprio rei se agradou.” Depois, Mordecai retornou ao portão do rei e Hamã foi apressadamente para casa, lamentando-se e cobrindo a cabeça de vergonha. A esposa e os amigos não lhe deram consolo, mas disseram: “Se Mordecai, diante de quem principiaste a cair, é da descendência dos judeus, não prevalecerás contra ele, mas, sem falta, cairás diante dele.” Sim, para a esposa e os amigos do agagita, ter ele dirigido a cerimônia pública em homenagem a Mordecai foi encarado como sinal de que Hamã cairia diante deste judeu. Mal havia Hamã ouvido estas palavras calamitosas, quando chegaram oficiais da corte e o levaram ao segundo banquete de Ester. — Ester 6:10-14.
IDENTIFICAÇÃO CORAJOSA E EXPOSIÇÃO DESTEMIDA
11, 12. (a) O que disse Ester a respeito de si mesma e seu povo durante o segundo banquete com Assuero e Hamã? (b) Como reagiu Hamã, quando foi identificado como difamador e maquinador traiçoeiro, mas por que não cedeu Ester?
11 Durante o banquete, Assuero perguntou: “Qual é o teu pedido, ó Ester, a rainha?” Requeria coragem dar uma resposta, mas a rainha disse: “Se eu tiver achado favor aos teus olhos, ó rei, e se parecer bem ao rei, dê-se-me a minha própria alma ao meu pedido, e meu povo, à minha solicitação. Pois fomos vendidos, eu e meu povo, para sermos aniquilados, mortos e destruídos. Ora, se tivéssemos sido vendidos apenas como escravos e apenas como servas, eu teria ficado calada. Mas a aflição não convém quando é com dano para o rei.” — Ester 7:1-4.
12 O que era isso? Ora, a Rainha Ester era judia, e decretara-se o aniquilamento de seu povo! Assuero queria saber quem era responsável por isso. Destemidamente, Ester disse: “O homem, o adversário e inimigo, é este mau Hamã.” A rainha fora justa em fazer com que o amalequita, então apavorado, estivesse presente quando o expôs. Ester indicou corajosamente que Hamã era responsável pela grave difamação e o identificou como maquinador traiçoeiro, contrário aos próprios interesses do monarca persa. O rei, enfurecido, foi ao jardim do palácio. Hamã, amedrontado, sabendo que não podia esperar nenhuma misericórdia de Assuero, caiu sobre o leito em que Ester se reclinava. Rogou pela sua vida. Mas Ester não cedeu, porque isso teria desagradado a Jeová, que decretara a completa destruição dos amalequitas. — Ester 7:5-8.
13. O que aconteceu com Hamã, às ordens do Rei Assuero?
13 Assuero, retornando do jardim, viu o desesperado Hamã sobre o leito de Ester e clamou: “Há de se violar também a rainha, estando eu na casa?” Imediatamente, o rei sentenciou o iníquo agagita à morte. Pouco depois, o cadáver de Hamã estava pendurado na mesma estaca que erigira para o judeu Mordecai. Só então se aplacou a fúria do monarca. — Ester 7:8-10.
14. Que comparação hodierna se pode fazer quanto a Ester identificar-se como judia e expor destemidamente a Hamã como inimigo do povo de Deus?
14 Em retrospecto, notamos que a corajosa Ester não só revelou a sua identidade como judia, mas expôs destemidamente a Hamã como inimigo do povo de Deus. Em comparação, hoje, os que desde a Primeira Guerra Mundial se tornaram seguidores ungidos de Jesus Cristo, junto com os anteriores, identificaram-se corajosamente como judeus espirituais, e, como tais, como sendo testemunhas de Jeová. (Isa. 43:10-12) E certamente têm inimigos. Por exemplo, os clérigos da cristandade, iguais a Hamã, têm procurado a destruição do povo de Jeová. Mas os cristãos genuínos têm exposto destemidamente esses adversários abomináveis, cujas tramas não lhes conseguirão mais do que conseguiram para o inescrupuloso amalequita, Hamã. Isto se dá porque o povo de Jeová, que fala a Palavra de Deus com denodo, tem apoio divino ao passo que enfrenta complôs e perseguição. — Isa. 54:17; Atos 4:29-31.
MUDANÇA, DE AFLIÇÃO PARA REGOZIJO
15. O que se fez com a casa de Hamã, e para que cargo foi Mordecai nomeado?
15 Assuero deu a casa do executado Hamã a Ester, que falou sobre seu parentesco com Mordecai. O monarca retirou também seu anel de sinete, que havia sido tirado de Hamã, e o entregou a este judeu leal, nomeando Mordecai primeiro-ministro em lugar do agagita. Em harmonia com o grau de autoridade que o rei lhe concedeu, Ester colocou Mordecai sobre a casa de Hamã. — Ester 8:1, 2.
16. Em resposta a um apelo feito por Ester, que autorização concedeu Assuero a respeito dos Judeus?
16 Pondo novamente sua vida em perigo a favor de seu povo, Ester compareceu perante o rei sem ser convidada e se lançou aos seus pés. Assuero estendeu o cetro de ouro e Ester se levantou, dizendo: ‘Se parecer bem ao rei e se eu tiver achado favor diante dele, prepare-se um documento para desfazer a trama de Hamã. Como poderia suportar ver a calamidade do meu povo e a destruição dos meus parentes?’ Visto que as leis dos medos e dos persas eram imutáveis, Assuero autorizou Ester e Mordecai a escrever em seu nome um documento oficial neutralizante a favor dos judeus. — Ester 1:19; 8:3-8.
17, 18. (a) O que fez Mordecai a favor dos judeus em todo o Império Persa e que direito se concedeu a eles com relação ao dia 13 de adar? (b) Entre os Judeus, qual foi a reação diante do decreto contrariante?
17 Com isto, o recém-designado primeiro-ministro passou a agir. No dia 23 de sivã (maio-junho), foram convocados os secretários do rei, e Mordecai ditou um decreto contrariante. Este chegou em pouco tempo aos judeus, às outras pessoas e às autoridades governamentais — sátrapas (ou vice-reis), governadores subordinados e príncipes—nos 127 distritos jurisdicionais da Pérsia. Mordecai autenticou os documentos por selá-los com o anel de sinete do rei. E qual era o teor da nova lei? O Rei Assuero concedeu aos judeus o direito de se congregarem e defenderem a sua alma, de aniquilarem os que lhes fossem hostis. Sim, podiam defender-se no dia 13 de adar (fevereiro-março), dia anteriormente marcado para o seu extermínio! Sem demora e montando por revezamento velozes cavalos de posta, os correios esporeavam seus cavalos, levando o decreto contrariante a todas as partes do vasto império. — Ester 8:9-14.
18 Saindo de diante do rei, o primeiro-ministro Mordecai apresentou-se trajado em vestimenta régia de pano azul e de linho. Usou uma capa de tecido fino, de lã tingida de roxo, e usou uma grande coroa de ouro na cabeça. Certamente, tinha motivos para se sentir feliz, em vista do decreto contrariante. De fato, havia alegria em Susã, e, por fim, havia exultação, um banquete e um dia bom para os judeus em todo o império. Além disso, o pavor dos judeus sobreveio ao povo, sendo que muitos deles tornaram-se prosélitos. — Ester 8:15-17.
19. Quando reflete no complô de Hamã, no decreto contrariante e nos eventos relacionados, vê nisso algum encorajamento para os cristãos hoje em dia?
19 A reflexão sobre o que acabamos de examinar dá encorajamento aos cristãos atuais. Assim como Hamã tramou o aniquilamento dos judeus naturais, os líderes religiosos da cristandade têm tentado exterminar os atuais judeus espirituais, os irmãos espirituais de Cristo. Jesus, que exerce poder régio sobre a terra, assim como Assuero exercia sobre o Império Persa, tem permitido tais tentativas, mas também tem tornado possível que seus seguidores ungidos defendam a sua vida como testemunhas cristãs de Jeová. Ademais, milhares de pessoas sinceras, iguais aos prosélitos persas dos dias de Ester, têm tomado posição ao lado dos judeus espirituais, por adotarem a adoração verdadeira. — Zac. 8:23; Gál 6:16.
JEOVÁ APÓIA SEU POVO
20. O que aconteceu com os judeus e seus inimigos nos dias 13 e 14 de adar?
20 Passaram-se então alguns meses e chegou o dia 13 de adar. Os judeus, congregados nas suas cidades, deitaram a mão nos que procuravam seu prejuízo. Nenhum homem se manteve de pé diante do povo de Deus. De fato, este foi ajudado pelas autoridades governamentais, porque o pavor de Mordecai sobreveio a esses homens. Mas, foi principalmente por causa do apoio de Jeová que os judeus conseguiram abater os que os odiavam. Só no castelo de Susã mataram 500 homens, e os 10 filhos de Hamã foram mortos. Em todo o império, 75.000 adversários foram destruídos, mas, em parte alguma, os judeus se apoderaram do saque. Em harmonia com um pedido feito por Ester, o Rei Assuero concedeu aos judeus na capital, Susã, um dia extra de luta, durante o qual mataram mais 300 homens, mas não saquearam nada. Também, os cadáveres dos 10 filhos de Hamã foram pendurados. Com a destruição dos inimigos, os judeus vitoriosos tornaram o dia 14 de adar, nos distritos distantes, e o dia 15, em Susã, uma ocasião de banquetes e de alegria. — Ester 9:1-19.
21. A celebração anual de que festividade impôs Mordecai aos judeus, e com que finalidade?
21 Jeová havia liberto seu povo, e este devia lembrar-se disso. Por conseguinte, Mordecai enviou documentos escritos aos judeus em todo o império. Por quê? Para impor-lhes a obrigação de comemorar anualmente os dias 14 e 15 de adar como dias de banquetes, de dar presentes e de alegria. Mais tarde, outra carta foi enviada aos judeus sobre este assunto, com a confirmação da Rainha Ester. A festa de libertação foi chamada de Purim, nome que foi derivado do ato de lançar Pur, ou a sorte, por Hamã, para determinar o dia auspicioso para executar sua trama de extermínio, que por fim recaiu sobre a sua própria cabeça. — Ester 9:20-32.
JEOVÁ LIBERTA OS JUSTOS
22. Mordecai, num alto cargo governamental, continuou a fazer o que, a favor do povo de Deus?
22 Para Ester, Mordecai e os outros judeus, a crise havia passado. Jeová não abandonara seu povo. Com o passar do tempo, o Rei Assuero impôs trabalhos forçados ao país e às ilhas do mar. (Por exemplo, em algum tempo durante o seu reinado, ele completou grande parte da construção de Persépolis, iniciada por Dario I, seu pai.) Num alto cargo governamental — de fato, ocupando o segundo lugar após o rei — encontrava-se Mordecai. Este judeu fiel, aprovado e respeitado pelo povo dedicado de Deus, continuou a trabalhar para o bem deles e a falar paz a todos os seus descendentes. — Ester 10:1-3.
23. Que belas qualidades exibiram Mordecai e Ester?
23 Deveras, Mordecai foi homem de fé, coragem, determinação, integridade e lealdade a Jeová e ao povo de Deus. Ester foi uma mulher discreta, que se manteve calada quando necessário, mas que falou destemidamente na hora certa. Ela aceitou o conselho de Mordecai, embora isso significasse pôr sua vida em perigo. De fato, esta mulher bela e submissa demonstrou amor, altruísmo e lealdade para com o seu povo. Tanto ela como Mordecai confiaram plenamente em Jeová e procuraram com oração a orientação divina.
24. Em vista do que aconteceu nos tratos de Deus com Mordecai, Ester e os outros judeus, que confiança pode hoje ter o povo de Jeová?
24 Que belo exemplo para os do povo de Deus hoje em dia! Em face de oposição e perseguição, servem lado a lado, leais a Jeová e uns aos outros. Sim, confiam em que Jeová Deus os defenda e liberte, assim como apoiou e libertou Ester, Mordecai e o povo deles. (Fil. 1:27-30) Deveras, “muitas são as calamidades do justo, mas Jeová o livra de todas elas”. (Sal. 34:19) Portanto, proclamemos os louvores de nosso Deus e confiemos sempre nele, porque Jeová não abandona seu povo.
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Um provérbio sábioA Sentinela — 1979 | 15 de setembro
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Um provérbio sábio
“Para o tolo, a verdadeira sabedoria é elevada demais; no portão ele não abrirá a sua boca”, disse Salomão em Provérbios 24:7.
Quão perceptiva é a instrução deste breve provérbio! Para o tolo, a verdadeira sabedoria é elevada demais, como que além do seu alcance. Não está disposto a fazer o esforço para obtê-la. Uma versão alternativa do original hebraico é a de que a “sabedoria é como os corais”. Entre os antigos, os corais atraentes e ornamentais eram caros. Pode-se dizer que, para o tolo, a verdadeira sabedoria é cara demais. Não está disposto a pagar o preço do esforço ou do sacrifício necessário para adquiri-la.
No antigo Israel, os anciãos sábios reuniam-se junto ao portão da cidade para fazer julgamentos de disputas e oferecer conselho. Não era lugar para um tolo se expressar. Nem seria ele encontrado ali buscando conselho sábio. Em vez de abrir a boca no portão, estaria em outro lugar, proferindo tolices.
Expressando graficamente os fatos a respeito do “tolo”, Salomão ajuda-nos a reconhecer o valor real da sabedoria.
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