-
Uma mulher discreta demonstra seu altruísmoA Sentinela — 1979 | 15 de setembro
-
-
Assuero distribuiu presentes que só a riqueza dum monarca podia tornar possível. Quanta alegria! — Ester 2:15-18.
13. (a) Qual era o adorno principal de Ester? (b) Que proveito podem tirar as mulheres cristãs do século 20 do exame da conduta de Vasti e da de Ester?
13 Uma moça realmente submissa havia obtido favor. Embora Ester se sentasse então como rainha persa, acatava as instruções de Mordecai. (Ester 2:19, 20) Olhando para trás, podemos imaginar Ester como bela mulher, em vestimenta régia. Mas o seu principal ‘adorno era a pessoa secreta do coração, na vestimenta incorrutível dum espírito quieto e brando, que é de grande valor aos olhos de Deus’. (1 Ped. 3:3, 4) As mulheres cristãs do século vinte têm bons motivos para evitar o egoísmo da deposta Vasti e imitar as qualidades submissas, altruístas da piedosa Ester.
14. Por que se alegrou especialmente Mordecai de que Ester se tornara rainha?
14 É também digno de nota que, quando Ester foi feita rainha, houve grande alegria, na qual participou de todo o coração Mordecai, seu primo mais velho. Ele deve ter achado que isso resultaria por fim em benefício de todos os judeus nas províncias persas.
LEAL, MAS INTRANSIGENTE
15. Que trama foi relatada por Mordecai, e o que aconteceu aos traidores?
15 Ester havia mantido contato com Mordecai e seguido suas instruções. Enquanto ele estava sentado no portão do rei, Bigtã e Teres, oficiais da corte (que parecem ter guardado a porta do apartamento particular do rei), ficaram indignados e procuraram deitar a mão em Assuero. Mordecai, que ficou sabendo da trama, avisou imediatamente Ester, a qual falou ao rei em seu nome. As declarações dela dão início a uma investigação. Logo depois, os dois traidores foram executados e seus cadáveres expostos em público, numa estaca ou poste, porque seus crimes haviam sido contra o rei. Embora Mordecai não recebesse nenhuma recompensa, seu ato de lealdade foi registrado na crônica do dia. — Ester 2:21-23.
16, 17. (a) Quem era Hamã? (b) Por que se negou Mordecai a se prostrar diante de Hamã?
16 Embora Mordecai fosse leal e tivesse o devido respeito pela autoridade governamental, era intransigente. Passou-se tempo, e Assuero, por algum motivo, nomeou certo rico Hamã como primeiro-ministro. Também, por ordem real, todos os servos do monarca, no portão da área palaciana, curvavam-se e prostravam-se diante de Hamã. Mas não Mordecai! Ele se negou persistentemente a se prostrar diante do recém-nomeado primeiro-ministro. Isto encheu Hamã de fúria. — Ester 3:1-5.
17 Por que adotou Mordecai tal atitude resoluta? Acontece que Hamã era agagita, provavelmente amalequita real. Jeová havia decretado o ulterior extermínio dos amalequitas, porque haviam mostrado ódio a Deus e seu povo, atacando os israelitas no ermo. (Êxo. 17:8, 14-16; Deu. 25:17-19; 1 Sam. 15:1-33) Por este motivo, o piedoso Mordecai negou-se terminantemente a se prostrar diante de Hamã. Curvar-se não indicaria meramente respeito, mas paz e possivelmente homenagem a este amalequita. Mordecai não cedeu, porque era uma questão de manter a integridade para com Deus.
18. o que planejou fazer o enfurecido Hamã a Mordecai e aos judeus em todo o Império Persa?
18 Enfurecido, Hamã começou a procurar o aniquilamento tanto de Mordecai como de seu povo, os judeus, em todo o império. Para este fim, durante nisã, primeiro mês do 12.º ano de Assuero, o inescrupuloso agagita recorreu à adivinhação. Fez com que ‘alguém [evidentemente um astrólogo] lançasse Pur, isto é, a Sorte’. Fez isso para saber o dia mais favorável para o extermínio do povo de Jeová. — Ester 3:6, 7.
19, 20. Como mentiu Hamã sobre os judeus diante de Assuero, e, por isso, o que se fez?
19 Falando então ao Rei Assuero, Hamã retratou de maneira mentirosa os israelitas como indesejáveis, como violadores da lei. Acrescentando um atrativo econômico, o agagita disse: “Escreva-se que sejam destruídos; e eu pagarei dez mil talentos de prata [valendo dezenas de milhões de cruzeiros] nas mãos dos que fizerem a obra, trazendo-os ao tesouro do rei.” — Ester 3:8, 9.
20 Acreditou Assuero nas acusações falsas? Acreditou! Tirando seu anel de sinete, usado para selar documentos oficiais, o rei o entregou a Hamã. “Dá-se-te a prata, também o povo, para fazer com eles conforme for bom aos teus próprios olhos”, disse o governante persa. Em pouco tempo, sob a direção de Hamã, os secretários reais escreveram cartas com o decreto da destruição dos judeus. O iníquo agagita, por sua vez, usou o anel de sinete com o símbolo distintivo do monarca. Hamã imprimiu o anel em lacre ou alguma outra substância mole nestes documentos, a fim de autenticá-los. — Ester 3:10-12.
21. Por decreto real, o que devia acontecer aos judeus em 13 de adar do 12.º ano do reinado de Assuero?
21 Os documentos estavam logo nas mãos de correios em velozes cavalos de posta. O decreto, publicado em diversas línguas e levado através do império, autorizava o saque e o aniquilamento dos judeus. Quando? No dia 13 do mês hibernal de adar (fevereiro-março). É compreensível que, enquanto Assuero e Hamã estavam sentados e bebiam, houvesse confusão na cidade de Susã, onde havia muitos judeus. — Ester 3:13-15; 9:18.
TEMPO PARA CORAGEM
22. Como reagiram Mordecai e os outros judeus quando souberam da trama genocida?
22 Quando Mordecai soube da trama genocida, rasgou as suas vestes, vestiu-se de serapilheira e pôs cinzas, em símbolo de luto, fazendo um clamor alto e amargo. De maneira similar, a iminente calamidade produziu grande lamento entre os judeus em todos os distritos jurisdicionais. Mas, havia também jejum e certamente muitas orações eram feitas a Jeová Deus. — Ester 4:1-3.
23. O que ordenou Mordecai a Ester, mas o que podia acontecer se ela entrasse até o rei sem ser convidada?
23 Ester também ficou muito condoída. Enviou a Mordecai vestes para substituir a sua serapilheira, mas ele não as aceitou. Em resposta a uma indagação, enviou à rainha uma cópia da lei que acabava de ser emitida e ordenou-lhe que comparecesse perante o rei, para implorar pelo seu povo. Qual foi a reação dela? ‘Todos sabem que qualquer homem ou mulher que entrar até o rei, sem ser chamado, será morto. Apenas se o rei lhe estender o cetro de ouro é que ficara vivo. Quanto a mim, não fui chamada a ele já por trinta dias.’ (Ester 4:4-11) Sim, Ester perderia sua vida, se o Rei Assuero não aprovasse especificamente sua presença por estender para ela seu cetro, o bastão que usava como insígnia de sua autoridade real. Certamente, exigia coragem e fé em Jeová para comparecer perante o monarca sem ser convidada.
24. Que fé expressou Mordecai quanto ao motivo de Ester ter sido elevada à dignidade real?
24 Todavia, Mordecai respondeu: “Não imagines no íntimo da tua própria alma que dentre todos os outros judeus escaparão os da casa do rei. Pois se tu, neste tempo, ficares completamente calada, o próprio alívio e livramento, procedentes de outro lugar, pôr-se-ão de pé para os judeus; mas, quanto a ti e a casa de teu pai, vós perecereis. E quem sabe se não foi para um tempo como este que atingiste a realeza?” (Ester 4:12-14) Mordecai tinha fé em que Ester tinha sido elevada à realeza naquela época específica com um fim especial — a libertação do povo de Deus. Mas, iria ela demonstrar altruísmo, coragem e fé?
25. Durante o jejum, o que fizeram Ester, Mordecai e os judeus em Susã?
25 Em resposta, Ester instou com Mordecai para que ajuntasse todos os judeus em Susã e que jejuassem a favor dela. “Também eu”, disse ela, “jejuarei igualmente, e então entrarei até o rei, o que não é segundo a lei; e se eu tiver de perecer, terei de perecer.” Ester estava prestes a arriscar a sua própria vida, mas esta mulher discreta estava decidida a agir com coragem e altruísmo a favor de seu povo. De modo que Ester, Mordecai e os judeus em Susã conjugaram as orações com um jejum e esperavam que Jeová Deus lhes provesse a libertação. — Ester 4:15-17.
26. Hoje, o que se permite, talvez, que os inimigos do povo de Deus façam, mas, em vista disso, o que devem fazer os cristãos ungidos e seus dedicados companheiros?
26 Nos tempos modernos, também, os seguidores de Jesus Cristo, ungidos com o espírito, que são judeus espirituais, bem como seus companheiros, precisam enfrentar com bravura provações e adversários. (Rom. 2:28, 29) O Rei governante, Jesus Cristo, pode permitir que os inimigos do povo de Deus vão até o limite no seu esforço de destruí-los. Quão vital é, portanto, que os cristãos ungidos e seus dedicados companheiros atuem corajosamente, orando pela sabedoria divina e mostrando fé vitoriosa! Mas, continuará Jeová a defender seu povo? Julgue por si mesmo, ao passo que continuamos a acompanhar os eventos dramáticos dos dias de Ester.
-
-
Jeová não abandona seu povoA Sentinela — 1979 | 15 de setembro
-
-
Jeová não abandona seu povo
“Jeová não abandonará seu povo, nem deixará sua própria herança.” — Sal. 94:14.
1, 2. O que disseram o profeta Samuel e o salmista sobre a relação de Jeová com Seu povo?
“JEOVÁ não abandonará seu povo, por causa do seu grande nome.” Quem disse isso foi o profeta Samuel. O salmista declarou de maneira similar: “Jeová não abandonará seu povo, nem deixará sua própria herança.” — 1 Sam. 12:22; Sal. 94:14.
2 Confia pessoalmente em tais palavras? Podiam Ester, Mordecai e os judeus dos seus dias ter certeza de que Jeová não abandonaria seu povo? Vejamos.
ATUAÇÃO COM CONFIANÇA EM JEOVÁ
3. (a) O que aconteceu quando Ester, sem ser convidada, compareceu perante o Rei Assuero? (b) Qual foi o pedido de Ester?
3 Já era então o terceiro dia desde que os judeus aflitos, no Império Persa, começaram a jejuar e a orar a Jeová. A corajosa e altruísta Rainha Ester vestiu-se regiamente, e, sem ser convidada, postou-se no pátio interno da casa do rei. Lá de seu trono, o Rei Assuero viu a sua rainha. Estaria ela condenada? Não Ele lhe estendeu o cetro de ouro e ela se aproximou, tocando na ponta dele. Ester obteve o favor do rei e o ouviu perguntar: “Que tens, ó Ester, a rainha, e qual é a tua solicitação? Até a metade do reinado — a ti seja dado!” Em resposta, ela convidou Assuero e o Primeiro-Ministro Hamã a um banquete, e seu gracioso convite foi aceito. — Ester 5:1-5.
4. Após o banquete, o que estragou a alegria de Hamã?
4 O monarca persa e Hamã, o agagita, compareceram ao banquete de vinho, de Ester, mais tarde naquele mesmo dia. No devido tempo, o rei perguntou a Ester: “Qual é o teu pedido?” Em resposta, ela convidou Assuero e Hamã a um banquete no dia seguinte. Na saída, Hamã estava muito alegre. Mas, quando o íntegro Mordecai, o judeu, não tremeu diante dele, o amalequita ficou cheio de fúria, embora se dominasse. Entrando na sua própria casa, Hamã convocou sua esposa e seus amigos. Não pôde resistir ao impulso de gabar-se e contou-lhes como Assuero o enaltecera acima de todos os príncipes e servos do rei. — Ester 5:6-11.
5. A esposa e os amigos de Hamã recomendaram-lhe fazer o que, a respeito de Mordecai?
5 “Além disso”, prosseguiu Hamã, “Ester, a rainha, introduziu com o rei no banquete que preparara a nenhum outro senão a mim, e também amanhã sou convidado por ela com o rei.” Contudo, alguma coisa afligiu muito o jactancioso agagita, porque ele acrescentou: “Mas tudo isso — nada disso me convém enquanto eu estiver vendo a Mordecai, o judeu, sentado no portão do rei.” Zeres, a esposa de Hamã, e seus amigos achavam que tinham a solução “Faça-se um madeiro de cinqüenta côvados de altura”, disseram. “Então, de manhã, dize ao rei que se deve pendurar nele a Mordecai. Então entra alegremente com o rei para o banquete.” Imagine só! O cadáver de Mordecai pendurado numa estaca de 50 côvados (ou 22 metros) de altura! ‘Ótimo!’ pensou o altivo Hamã, e mandou erigir a estaca. — Ester 5:12-14.
6. Que atitude demonstram hoje os cristãos ungidos, iguais a Mordecai e Ester?
6 Enquanto aguardamos os acontecimentos do dia seguinte, podemos meditar no proceder de Mordecai e Ester. Ambos confiaram em Jeová e procuraram sua orientação. Por amor ao povo de Jeová, Ester até mesmo arriscou sua vida por comparecer corajosamente perante o rei, sem ser convidada. Iguais a Mordecai e Ester, os cristãos ungidos da atualidade mostram amor similar por todos os do povo de Deus. E apesar da perseguição por opositores religiosos, os atuais servos de Deus agem com implícita confiança em Jeová.
A MÃO DE JEOVÁ TORNA-SE MAIS EVIDENTE
7. O que pode Jeová fazer com autoridades governamentais para cumprir a sua vontade?
7 Quando Jeová quer, ele pode dirigir ou controlar autoridades governamentais para cumprir a Sua vontade. O provérbio inspirado diz, portanto, de modo apropriado: “O coração do rei é como correntes de água na mão de Jeová. Vira-o para onde quer que se agrade.” (Pro. 21:1; Dan. 2:21) Note como a mão do Altíssimo se tornou mais evidente nos dias de Mordecai e Ester.
8. O que aconteceu em certa ocasião, quando Assuero não conseguia dormir?
8 Assuero não conseguiu dormir na noite antes deste segundo banquete, possivelmente porque a mão de Jeová estava em operação. Talvez pensando que tivesse falhado em alguma coisa, o rei mandou que lhe fosse lido o livro dos registros. Por fim, ouviu o relato sobre a lealdade de Mordecai na descoberta da trama assassina de dois oficiais da corte, Bigtana (Bigtã) e Teres. Mas o rei ficou sabendo que este ato de lealdade não fora recompensado. Por isso, o monarca persa decidiu que Mordecai devia ser honrado. — Ester 6:1-3.
9. Hamã, pensando que o honrado era ele mesmo, delineou que cerimônia suntuosa?
9 Cedo, na manhã seguinte, o manhoso Hamã obteve acesso ao Rei Assuero. Mas, antes de o agagita poder executar seu complô assassino contra Mordecai, o rei perguntou: “Que se deve fazer ao homem em cuja honra se agradou o próprio rei?” Hamã disse no seu coração: “De quem mais do que de mim se agradaria o rei para dar-lhe honra?” Daí, sem dúvida vendo-se no papel do muito honrado, Hamã disse: ‘Traga-se o cavalo do rei, com a cobertura régia para a cabeça. (Não bastava ao orgulhoso Hamã um cavalo qualquer!) Seja o homem trajado das vestes reais do próprio rei. Daí, faça-se o homem cavalgar na praça pública da cidade, proclamando-se alto diante dele: “Assim se faz ao homem em cuja honra o próprio rei se agradou.’” — Ester 6:4-9.
10. (a) Que devastador golpe emocional sofreu Hamã? (b) Após a cerimônia em honra de Mordecai, foi o agagita consolado pela esposa e pelos amigos?
10 “Depressa”, disse Assuero, “toma a vestimenta e o cavalo, assim como disseste, e faze assim a Mordecai, o judeu, que está sentado no portão do rei. Não deixes de cumprir nada de tudo o que falaste.” Que golpe devastador para o orgulhoso Hamã! Mas, o que podia fazer? Não acatar a ordem significaria a morte certa. Por isso, em pouco tempo, Mordecai, trajado da vestimenta real e montando o cavalo do rei, percorria a praça pública, com o humilhado Hamã clamando na frente dele: “Assim se faz ao homem em cuja honra o próprio rei se agradou.” Depois, Mordecai retornou ao portão do rei e Hamã foi apressadamente para casa, lamentando-se e cobrindo a cabeça de vergonha. A esposa e os amigos não lhe deram consolo, mas disseram: “Se Mordecai, diante de quem principiaste a cair, é da descendência dos judeus, não prevalecerás contra ele, mas, sem falta, cairás diante dele.” Sim, para a esposa e os amigos do agagita, ter ele dirigido a cerimônia pública em homenagem a Mordecai foi encarado como sinal de que Hamã cairia diante deste judeu. Mal havia Hamã ouvido estas palavras calamitosas, quando chegaram oficiais da corte e o levaram ao segundo banquete de Ester. — Ester 6:10-14.
IDENTIFICAÇÃO CORAJOSA E EXPOSIÇÃO DESTEMIDA
11, 12. (a) O que disse Ester a respeito de si mesma e seu povo durante o segundo banquete com Assuero e Hamã? (b) Como reagiu Hamã, quando foi identificado como difamador e maquinador traiçoeiro, mas por que não cedeu Ester?
11 Durante o banquete, Assuero perguntou: “Qual é o teu pedido, ó Ester, a rainha?” Requeria coragem dar uma resposta, mas a rainha disse: “Se eu tiver achado favor aos teus olhos, ó rei, e se parecer bem ao rei, dê-se-me a minha própria alma ao meu pedido, e meu povo, à minha solicitação. Pois fomos vendidos, eu e meu povo, para sermos aniquilados, mortos e destruídos. Ora, se tivéssemos sido vendidos apenas como escravos e apenas como servas, eu teria ficado calada. Mas a aflição não convém quando é com dano para o rei.” — Ester 7:1-4.
12 O que era isso? Ora, a Rainha Ester era judia, e decretara-se o aniquilamento de seu povo! Assuero queria saber quem era responsável por isso. Destemidamente, Ester disse: “O homem, o adversário e inimigo, é este mau Hamã.” A rainha fora justa em fazer com que o amalequita, então apavorado, estivesse presente quando o expôs. Ester indicou corajosamente que Hamã era responsável pela grave difamação e o identificou como maquinador traiçoeiro, contrário aos próprios interesses do monarca persa. O rei, enfurecido, foi ao jardim do palácio. Hamã, amedrontado, sabendo que não podia esperar nenhuma misericórdia de Assuero, caiu sobre o leito em que Ester se reclinava. Rogou pela sua vida. Mas Ester não cedeu, porque isso teria desagradado a Jeová, que decretara a completa destruição dos amalequitas. — Ester 7:5-8.
13. O que aconteceu com Hamã, às ordens do Rei Assuero?
13 Assuero, retornando do jardim, viu o desesperado Hamã sobre o leito de Ester e clamou: “Há de se violar também a rainha, estando eu na casa?” Imediatamente, o rei sentenciou o iníquo agagita à morte. Pouco depois, o cadáver de Hamã estava pendurado na mesma estaca que erigira para o judeu Mordecai. Só então se aplacou a fúria do monarca. — Ester 7:8-10.
14. Que comparação hodierna se pode fazer quanto a Ester identificar-se como judia e expor destemidamente a Hamã como inimigo do povo de Deus?
14 Em retrospecto, notamos que a corajosa Ester não só revelou a sua identidade como judia, mas expôs destemidamente a Hamã como inimigo do povo de Deus. Em comparação, hoje, os que desde a Primeira Guerra Mundial se tornaram seguidores ungidos de Jesus Cristo, junto com os anteriores, identificaram-se corajosamente como judeus espirituais, e, como tais, como sendo testemunhas de Jeová. (Isa. 43:10-12) E certamente têm inimigos. Por exemplo, os clérigos da cristandade, iguais a Hamã, têm procurado a destruição do povo de Jeová. Mas os cristãos genuínos têm exposto destemidamente esses adversários abomináveis, cujas tramas não lhes conseguirão mais do que conseguiram para o inescrupuloso amalequita, Hamã. Isto se dá porque o povo de Jeová, que fala a Palavra de Deus com denodo, tem apoio divino ao passo que enfrenta complôs e perseguição. — Isa. 54:17; Atos 4:29-31.
MUDANÇA, DE AFLIÇÃO PARA REGOZIJO
15. O que se fez com a casa de Hamã, e para que cargo foi Mordecai nomeado?
15 Assuero deu a casa do executado Hamã a Ester, que falou sobre seu parentesco com Mordecai. O monarca retirou também seu anel de sinete, que havia sido tirado de Hamã, e o entregou a este judeu leal, nomeando Mordecai primeiro-ministro em lugar do agagita. Em harmonia com o grau de autoridade que o rei lhe concedeu, Ester colocou Mordecai sobre a casa de Hamã. — Ester 8:1, 2.
16. Em resposta a um apelo feito por Ester, que autorização concedeu Assuero a respeito dos Judeus?
16 Pondo novamente sua vida em perigo a favor de seu povo, Ester compareceu perante o rei sem ser convidada e se lançou aos seus pés. Assuero estendeu o cetro de ouro e Ester se levantou, dizendo: ‘Se parecer bem ao rei e se eu tiver achado favor diante dele, prepare-se um documento para desfazer a trama de Hamã. Como poderia suportar ver a calamidade do meu povo e a destruição dos meus parentes?’ Visto que as leis dos medos e dos persas eram imutáveis, Assuero autorizou Ester e Mordecai a escrever em seu nome um documento oficial neutralizante a favor dos judeus. — Ester 1:19; 8:3-8.
17, 18. (a) O que fez Mordecai a favor dos judeus em todo o Império Persa e que direito se concedeu a eles com relação ao dia 13 de adar? (b) Entre os Judeus, qual foi a reação diante do decreto contrariante?
17 Com isto, o recém-designado primeiro-ministro passou a agir. No dia 23 de sivã (maio-junho), foram convocados os secretários do rei, e Mordecai ditou um decreto contrariante. Este chegou em pouco tempo aos judeus, às outras pessoas e às autoridades governamentais — sátrapas (ou vice-reis), governadores subordinados e príncipes—nos 127 distritos jurisdicionais da Pérsia. Mordecai autenticou os documentos por selá-los com o anel de sinete do rei. E qual era o teor da nova lei? O Rei Assuero concedeu aos judeus o direito de se congregarem e defenderem a sua alma, de aniquilarem os que lhes fossem hostis. Sim, podiam defender-se no dia 13 de adar (fevereiro-março), dia anteriormente marcado para o seu extermínio! Sem demora e montando por revezamento velozes cavalos de posta, os correios esporeavam seus cavalos, levando o decreto contrariante a todas as partes do vasto império. — Ester 8:9-14.
18 Saindo de diante do rei, o primeiro-ministro Mordecai apresentou-se trajado em vestimenta régia de pano azul e de linho. Usou uma capa de tecido fino, de lã tingida de roxo, e usou uma grande coroa de ouro na cabeça. Certamente, tinha motivos para se sentir feliz, em vista do decreto contrariante. De fato, havia alegria em Susã, e, por fim, havia exultação, um banquete e um dia bom para os judeus em todo o império. Além disso, o pavor dos judeus sobreveio ao povo, sendo que muitos deles tornaram-se prosélitos. — Ester 8:15-17.
19. Quando reflete no complô de Hamã, no decreto contrariante e nos eventos relacionados, vê nisso algum encorajamento para os cristãos hoje em dia?
19 A reflexão sobre o que acabamos de examinar dá encorajamento aos cristãos atuais. Assim como Hamã tramou o aniquilamento dos judeus naturais, os líderes religiosos da cristandade têm tentado exterminar os atuais judeus espirituais, os irmãos espirituais de Cristo. Jesus, que exerce poder régio sobre a terra, assim como Assuero exercia sobre o Império Persa, tem permitido tais tentativas, mas também tem tornado possível que seus seguidores ungidos defendam a sua vida como testemunhas cristãs de Jeová. Ademais, milhares de pessoas sinceras, iguais aos prosélitos persas dos dias de Ester, têm tomado posição ao lado dos judeus espirituais, por adotarem a adoração verdadeira. — Zac. 8:23; Gál 6:16.
JEOVÁ APÓIA SEU POVO
20. O que aconteceu com os judeus e seus inimigos nos dias 13 e 14 de adar?
20 Passaram-se então alguns meses e chegou o dia 13 de adar. Os judeus, congregados nas suas cidades, deitaram a mão nos que procuravam seu prejuízo. Nenhum homem se manteve de pé diante do povo de Deus. De fato, este foi ajudado pelas autoridades governamentais, porque o pavor de Mordecai sobreveio a esses homens. Mas, foi principalmente por causa do apoio de Jeová que os judeus conseguiram abater os que os odiavam. Só no castelo de Susã mataram 500 homens, e os 10 filhos de Hamã foram mortos. Em todo o império, 75.000 adversários foram destruídos, mas, em parte alguma, os judeus se apoderaram do saque. Em harmonia com um pedido feito por Ester, o Rei Assuero concedeu aos judeus na capital, Susã, um dia extra de luta, durante o qual mataram mais 300 homens, mas não saquearam nada. Também, os cadáveres dos 10 filhos de Hamã foram pendurados. Com a destruição dos inimigos, os judeus vitoriosos tornaram o dia 14 de adar, nos distritos distantes, e o dia 15, em Susã, uma ocasião de banquetes e de alegria. — Ester 9:1-19.
21. A celebração anual de que festividade impôs Mordecai aos judeus, e com que finalidade?
21 Jeová havia liberto seu povo, e este devia lembrar-se disso. Por conseguinte, Mordecai enviou documentos escritos aos judeus em todo o império. Por quê? Para impor-lhes a obrigação de comemorar anualmente os dias 14 e 15 de adar como dias de banquetes, de dar presentes e de alegria. Mais tarde, outra carta foi enviada aos judeus sobre este assunto, com a confirmação da Rainha Ester. A festa de libertação foi chamada de Purim, nome que foi derivado do ato de lançar Pur, ou a sorte, por Hamã, para determinar o dia auspicioso para executar sua trama de extermínio, que por fim recaiu sobre a sua própria cabeça. — Ester 9:20-32.
JEOVÁ LIBERTA OS JUSTOS
22. Mordecai, num alto cargo governamental, continuou a fazer o que, a favor do povo de Deus?
22 Para Ester, Mordecai e os outros judeus, a crise havia passado. Jeová não abandonara seu povo. Com o passar do tempo, o Rei Assuero impôs trabalhos forçados ao país e às ilhas do mar. (Por exemplo, em algum tempo durante o seu reinado, ele completou grande parte da construção de Persépolis, iniciada por Dario I, seu pai.) Num alto cargo governamental — de fato, ocupando o segundo lugar após o rei — encontrava-se Mordecai. Este judeu fiel, aprovado e respeitado pelo povo dedicado de Deus, continuou a trabalhar para o bem deles e a falar paz a todos os seus descendentes. — Ester 10:1-3.
23. Que belas qualidades exibiram Mordecai e Ester?
23 Deveras, Mordecai foi homem de fé, coragem, determinação, integridade e lealdade a Jeová e ao povo de Deus. Ester foi uma mulher discreta, que se manteve calada quando necessário, mas que falou destemidamente na hora certa. Ela aceitou o conselho de Mordecai, embora isso significasse pôr sua vida em perigo. De fato, esta mulher bela e submissa demonstrou amor, altruísmo e lealdade para com o seu povo. Tanto ela como Mordecai confiaram plenamente em Jeová e procuraram com oração a orientação divina.
24. Em vista do que aconteceu nos tratos de Deus com Mordecai, Ester e os outros judeus, que confiança pode hoje ter o povo de Jeová?
24 Que belo exemplo para os do povo de Deus hoje em dia! Em face de oposição e perseguição, servem lado a lado, leais a Jeová e uns aos outros. Sim, confiam em que Jeová Deus os defenda e liberte, assim como apoiou e libertou Ester, Mordecai e o povo deles. (Fil. 1:27-30) Deveras, “muitas são as calamidades do justo, mas Jeová o livra de todas elas”. (Sal. 34:19) Portanto, proclamemos os louvores de nosso Deus e confiemos sempre nele, porque Jeová não abandona seu povo.
[Foto na página 20]
Ester não cedeu, e o iníquo Hamã foi sentenciado à morte.
-
-
Um provérbio sábioA Sentinela — 1979 | 15 de setembro
-
-
Um provérbio sábio
“Para o tolo, a verdadeira sabedoria é elevada demais; no portão ele não abrirá a sua boca”, disse Salomão em Provérbios 24:7.
Quão perceptiva é a instrução deste breve provérbio! Para o tolo, a verdadeira sabedoria é elevada demais, como que além do seu alcance. Não está disposto a fazer o esforço para obtê-la. Uma versão alternativa do original hebraico é a de que a “sabedoria é como os corais”. Entre os antigos, os corais atraentes e ornamentais eram caros. Pode-se dizer que, para o tolo, a verdadeira sabedoria é cara demais. Não está disposto a pagar o preço do esforço ou do sacrifício necessário para adquiri-la.
No antigo Israel, os anciãos sábios reuniam-se junto ao portão da cidade para fazer julgamentos de disputas e oferecer conselho. Não era lugar para um tolo se expressar. Nem seria ele encontrado ali buscando conselho sábio. Em vez de abrir a boca no portão, estaria em outro lugar, proferindo tolices.
Expressando graficamente os fatos a respeito do “tolo”, Salomão ajuda-nos a reconhecer o valor real da sabedoria.
-