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SangueAjuda ao Entendimento da Bíblia
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Todo-poderoso séculos antes de o pacto da Lei vir a existir, a saber, a lei dada a Noé (Gên. 9:4), que é universal, aplicando-se à humanidade em todas as épocas e em todos os lugares desde que foi dada. A Lei mosaica foi cancelada (Col. 2:14), mas isso não cancelou a lei que a precedeu, pois a Lei mosaica havia meramente incorporado e esboçado em pormenores a lei universal que viera muitos séculos antes.
Muitos peritos bíblicos reconhecem que a proibição sobre o sangue, delineada nas Escrituras Gregas Cristãs, não era uma medida temporária. Sobre tais pontos, a Cyclopoedia (Ciclopédia) de M’Clintock e Strong, Volume I, página 834, coluna 2, observa: “No Novo Testamento, em vez de haver o mínimo indício que sugira que estamos livres dessa obrigação, merece particular atenção que, na própria ocasião em que o Espírito Santo declara, pelos apóstolos (Atos xv), que os Gentios estão livres do fardo da circuncisão, insta-se explicitamente para que haja completa abstinência do sangue, e tal medida, assim, é colocada no mesmo nível que a idolatria e a fornicação.” E o Commentary (Comentário) de Benson, Volume I, observa: “Deve-se notar que esta proibição de comer sangue, dada a Noé e a toda a sua posteridade, e repetida aos israelitas, de maneira mui solene, sob a dispensação mosaica, nunca foi revogada, mas, ao contrário, foi confirmada sob o Novo Testamento, Atos xv; e, por isso, se tornou uma obrigação perpétua.” E o dr. Franz Delitzsch, famoso comentarista bíblico, concordando com isto, afirma que este não é um requisito da Lei judaica, a ser abolido junto com ela; é obrigatório para todas as raças dos homens e jamais foi revogado; é preciso que haja uma reverência sagrada por tal princípio da vida, que flui no sangue.
CONCEITO DOS CRISTÃOS PRIMITIVOS
Os cristãos primitivos respeitavam esta injunção bíblica, mesmo quando os juízes, em Roma, faziam esforços de obrigá-los a violá-la. Tertuliano, escritor cristão do século II, falando contra tais empenhos de obrigar os cristãos a transigir, disse: “Nós não incluímos nem mesmo sangue de animais em nossa alimentação natural. Por essa razão, nós nos abstemos das coisas estranguladas ou que morrem por si, para que não sejamos, de algum modo, poluídos pelo sangue, mesmo quando estiver inserido na carne. Finalmente, quando provais os cristãos, oferecei-lhes chouriços contendo muito sangue; estais perfeitamente cônscios, de fato, de que entre eles isto é proibido; mas quereis fazê-los transgredir.” Até mesmo no ano 692 EC, um concílio religioso em Constantinopla (O Sínodo Trulano ou Qüinissexto) proibia que se comesse qualquer alimento feito de sangue, sob pena de excomunhão, para o leigo, e de perda do hábito, para o sacerdote.
O costume de beber sangue humano, tão prevalecente nos tempos antigos, era especialmente repugnante para os cristãos. A Cyclopoedia de M’Clintock e Strong, Volume I, página 834, coluna 2, observa: “Era tão inconcebível para eles beber sangue humano que era até ilícito para eles beber o sangue de animais irracionais. Numerosos testemunhos no mesmo sentido são encontrados em eras posteriores.”
CULPA DE SANGUE
As Escrituras Gregas Cristãs delineiam três modos distintos pelos quais um cristão pode tornar-se culpado de sangue perante Deus: (1) pelo derramamento de sangue, o homicídio qualificado; isto incluiria os que apóiam ativa ou tacitamente as atividades de uma organização culpada de sangue (tal como Babilônia, a Grande [Rev. 17:6; 18:2, 4], ou outras organizações que derramaram muito sangue inocente [Rev. 16:5, 6; Isa. 26:20, 21]); (2) por comer ou beber sangue de qualquer modo (Atos 15:20) e (3) por deixar de pregar as boas novas do Reino, de transmitir a outros as informações salvíficas que elas contêm. — Atos 18:6; 20:26, 27; compare com Ezequiel 33:6-8; veja VINGADOR DO SANGUE.
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Sangue, Vingador DoAjuda ao Entendimento da Bíblia
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SANGUE, VINGADOR DO
Veja VINGADOR DO SANGUE.
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SanguessugaAjuda ao Entendimento da Bíblia
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SANGUESSUGA
Um verme que suga o sangue e que tem um corpo achatado, segmentado, que se afila em ambos os extremos mas que é mais largo perto de sua parte posterior. As sanguessugas medem de c. 1,3 cm a 8 ou 10 cm. As sanguessugas possuem uma ventosa em cada ponta do corpo; a ventosa oral, ou da ponta onde se situa a cabeça, é dotada de maxilas denticuladas. São bissexuais, isto é, uma única criatura apresenta ambos os sexos. A maioria das sanguessugas vive em água doce, mas há também variedades marinhas e terrestres.
A única menção da sanguessuga ocorre em Provérbios 30:15, onde a referência feita é à ganância insaciável, sendo declarado que “as sanguessugas têm duas filhas que clamam: ‘Dá! Dá!’” O comentarista bíblico Cook sugere que a gula da sanguessuga é aqui considerada como sua ‘filha’, sendo mencionada no plural para expressar intensidade. Outros consideram que as “duas filhas” se referem aos dois lábios da ventosa sugadora. Uma sanguessuga talvez consuma sangue numa quantidade três vezes superior ao seu peso corpóreo, um forte anticoagulante contido em sua saliva garantindo contínuo fluxo de sangue da vítima.
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SansãoAjuda ao Entendimento da Bíblia
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SANSÃO
[ensolarado, semelhante ao sol, homem-sol; ou, desolador, destruidor].
Um dos notáveis juízes de Israel; filho de Manoá, um danita de Zorá. Antes de seu nascimento, apareceu um anjo à sua mãe e anunciou que ela daria à luz um filho que deveria ser nazireu desde seu nascimento e que ‘tomaria a dianteira em salvar Israel da mão dos filisteus’. (Juí. 13:1-5, 24; 16:17) Sansão, como futuro líder da luta contra os filisteus, teria de chegar perto de cadáveres das pessoas mortas em batalha. Por conseguinte, a própria natureza da sua comissão mostrava que ele não ficou sujeito à lei que prescrevia que os nazireus não tocassem em cadáveres. (Núm. 6:2-9) Deve-se também observar que tal lei se aplicava a pessoas que voluntariamente faziam o voto de nazireado, e não se referia a pessoas que, como Sansão, eram nazireus de nascença.
Quando já tinha idade bastante para casar-se, Sansão solicitou que seus pais lhe obtivessem como esposa uma mulher filistéia de Timná. Isto estava em harmonia com a orientação do espírito de Deus, uma vez que forneceria a oportunidade para que Sansão combatesse os filisteus. (Juí. 13:25 a 14:4) Subseqüentemente, próximo a Timná, Sansão se viu confrontado por um leão novo, jubado. Dotado de poder, pelo espírito de Deus, ele despedaçou em dois o animal, usando apenas suas próprias mãos. Prosseguiu então caminho para Timná e, ali, falou com a mulher filistéia que ele desejava obter como esposa. — Juí. 14:5-7.
Algum tempo depois Sansão, acompanhado por seus pais, dirigiu-se a Timná para trazer para casa sua noiva. A caminho de lá, ele se desviou do trajeto para examinar o cadáver do leão que ele havia matado antes, e verificou que havia dentro dele um enxame de abelhas e mel. Sansão comeu um pouco do mel e, ao voltar para junto de seus pais, ofereceu-lhes mel. No banquete nupcial, ele fez com que este incidente se tornasse parte de um enigma, apresentando-o a trinta padrinhos filisteus. Outros acontecimentos centralizados neste enigma forneceram o ensejo para que Sansão matasse trinta filisteus em Ascalom. — Juí. 14:8-19.
Quando o pai de sua noiva a deu a outro homem, e não permitiu que Sansão a visse, Sansão obteve ainda outra oportunidade de agir contra os filisteus. Utilizando 300 raposas, ele incendiou os campos de cereais, os vinhedos e os olivais dos filisteus. Por conseguinte, os filisteus enraivecidos queimaram tanto a noiva de Sansão como o pai dela, a perda dos filisteus sendo resultado do tratamento que ele dera a Sansão. Com tal medida, os filisteus mais uma vez propiciaram a Sansão um motivo para vingar-se deles. Ele matou a muitos, “empilhando pernas sobre coxas”. — Juí. 14:20 a 15:8.
Procurando vingar-se de Sansão, os filisteus chegaram a Leí. Três mil homens temerosos de Judá então persuadiram Sansão, no rochedo de Étão, a se entregar, depois disso o amarrando com duas cordas novas e o conduzindo aos filisteus. Exultantes, os filisteus se prepararam para receber Sansão. Mas, “o espírito de Jeová tornou-se ativo nele e as cordas que havia sobre os seus braços vieram a ser como fios de linho quando abrasados pelo fogo, de modo que seus grilhões se derreteram de cima das suas mãos”. Apoderando-se duma queixada fresca de jumento, Sansão abateu 1.000 homens, depois do que atribuiu esta vitória a Jeová. Nessa ocasião Jeová, em resposta ao pedido de Sansão, lhe supriu miraculosamente água para saciar a sua sede. — Juí. 15:9-19.
Em outra ocasião, Sansão se dirigiu à casa duma prostituta na cidade filistéia de Gaza. Ouvindo falar nisto, os filisteus ficaram à espera dele, tencionando matá-lo pela manhã. Mas, à meia-noite, Sansão se levantou e arrancou o portão da cidade e suas ombreiras, e uma tranca, da muralha de Gaza, e os carregou “ao cume do monte que está defronte de Hébron”. (Juí. 16:1-3) Isto constituiu uma grande humilhação para os filisteus, uma vez que deixou Gaza enfraquecida e desprotegida dos intrusos. Poder Sansão realizar este feito surpreendente indica que ele ainda possuía o espírito de Deus. Isto argumentaria contra o ter ele se dirigido à casa da prostituta com objetivos imorais. Sobre este ponto, o comentarista Paulus Cassei observa: “Sansão não chegou a Gaza com o objetivo de visitar uma meretriz: pois diz-se que [‘Sansão foi a Gaza e viu uma prostituta ali e, entrando, foi ter com ela’]. Mas, quando ele desejou permanecer ali [em Gaza] naquela noite, não lhe restava nada a fazer, como o inimigo nacional, senão pousar com a [prostituta]. . . . Sua permanência não é mencionada numa linguagem diferente da empregada com referência à pousada dos espias na casa de Raabe. As palavras [‘viu uma prostituta’] apenas indicam que, quando ele viu uma mulher do tipo dela, ele soube onde é que poderia abrigar-se por aquela noite.” [A Commentary on the Holy Scriptures (Comentário Sobre as Escrituras Sagradas), de J. P. Lange e traduzido por Philip Schaff, O Livro de Juízes, p. 212] Deve-se também observar que o relato reza: “Sansão ficou deitado até à meia-noite e não “Sansão ficou deitado com ela até à meia-noite”.
TRAÍDO POR DALILA
Foi depois disto que Sansão se apaixonou por Dalila. (Veja DALILA. ) Para obter lucro material, ela procurou saber qual o segredo da força de Sansão. Por três vezes, ele lhe deu respostas desencaminhadoras. Mas, graças ao persistente assédio por parte dela, ele por fim cedeu e revelou-lhe que sua força jazia em ser um nazireu de nascença. Ela entrou então em contato com os filisteus para obter a recompensa por entregá-lo a eles. Enquanto Sansão dormia sobre seus joelhos, Dalila mandou rapar-lhe o cabelo. Ao despertar, ele não mais possuía o espírito de Jeová, pois tinha-se permitido ficar numa situação que o levara a pôr fim a seu nazireado. A fonte de sua força não era o próprio cabelo, mas o que ele representava, isto é, o relacionamento especial de Sansão para com Jeová, qual nazireu. Com o fim deste relacionamento, Sansão não era diferente de qualquer outro homem. Assim sendo, os filisteus puderam cegá-lo, acorrentando-o com grilhões de cobre e colocando-o para trabalhar como moedor na prisão. — Juí. 16:4-21.
Enquanto Sansão definhava na prisão, os filisteus organizaram um grande sacrifício para o seu deus, Dagom, a quem eles atribuíam seu êxito em terem capturado Sansão. Grandes multidões, incluindo todos os senhores do eixo, reuniram-se na casa para a adoração a Dagom. Apenas no terraço havia 3.000 homens e mulheres. Os festivos filisteus mandaram trazer da prisão a Sansão, cujos cabelos no ínterim haviam crescido profusamente, a fim de diverti-los. Ao chegar, Sansão pediu ao rapazinho que o conduzia para que deixasse que ele tocasse nas colunas que sustentavam aquela estrutura. Ele orou então a Jeová: “Lembra-te de mim e fortalece-me só esta vez, por favor, ó tu, o verdadeiro Deus, e vingue-me eu dos filisteus com vingança por um dos meus dois olhos.” (Juí. 16:22-28) Pode ser que ele tenha orado para vingar-se por um de seus olhos apenas por reconhecer que a perda deles se devia, em parte, à sua própria falha. Ou, pode ser que ele julgou impossível vingar-se por completo como representante de Jeová.
Sansão se firmou nas duas colunas de sustentação e “se encurvou com poder”, fazendo com que aquela casa desmoronasse. Isto resultou na sua própria morte, e na de mais filisteus do que aqueles que ele tinha matado durante toda a sua vida. Os parentes o sepultaram “entre Zorá e Estaol, na sepultura de Manoá, seu pai”. Assim Sansão morreu fiel a Jeová, depois de ter julgado a Israel por vinte anos. Portanto, seu nome figura legitimamente entre os homens que, pela fé, tornaram-se poderosos. — Juí. 15:20; 16:29-31; Heb. 11:32-34.
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SantidadeAjuda ao Entendimento da Bíblia
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SANTIDADE
O estado ou o caráter de ser santo. As palavras portuguesas “santo” e “santidade” equivalem às palavras hebraicas que têm a possível raiz que significa “ser brilhante”, “ser novo ou fresco, imaculado ou limpo”, em sentido físico, embora sejam usadas na Bíblia principalmente num sentido espiritual ou moral. Em conformidade com isso, santidade significa limpeza, pureza, sacralidade. O original hebraico também transmite a idéia de separação, exclusividade ou santificação a Deus, que é santo; um estado de ser reservado para o serviço de Deus. Nas Escrituras Gregas Cristãs, as palavras traduzidas “santo” e “santidade” indicam igualmente uma separação para Deus; também são empregadas para referir-se à santidade como qualidade de Deus e à pureza ou perfeição na conduta pessoal de alguém.
JEOVÁ
A Jeová pertence a qualidade de santidade. (Êxo. 39:30; Zac. 14:20) Cristo Jesus dirigiu-se a ele como “Santo Pai”. (João 17:11) Mostrar-se os no céu como declarando: “Santo, santo, santo é Jeová dos exércitos”, atribuindo a ele santidade e pureza num grau superlativo. (Isa. 6:3; Rev. 4:8; compare com Hebreus 12:14.) Ele é o Santíssimo, superior a todos os demais em santidade. (Pro. 30:3; aqui a forma plural da palavra hebraica traduzida “Santíssimo” é empregada para indicar excelência e majestade.) Os israelitas, ao observarem as palavras “A santidade pertence a Jeová”, gravadas na brilhante lâmina de ouro sobre o turbante do sumo sacerdote, eram lembrados com freqüência de que Jeová é a Fonte de toda santidade. Esta lâmina era chamada de “o sinal sagrado de dedicação”, mostrando que o sumo sacerdote era colocado à parte para um serviço de especial santidade. (Êxo. 28:36; 29:6) No cântico de vitória de Moisés, depois da libertação através do mar Vermelho, Israel entoou: “Quem entre os deuses é semelhante a ti, ó Jeová? Quem é semelhante a ti, mostrando-se poderoso em santidade?” (Êxo. 15:11; 1 Sam. 2:2) Como garantia suplementar da execução de Sua palavra, Jeová até mesmo tem jurado por sua santidade. — Amós 4:2.
O nome de Deus é sagrado, sendo colocado à parte de toda mácula. (1 Crô. 16:10; Sal. 111:9) Seu nome, Jeová, deve ser considerado santo, santificado acima de todos os outros. (Mat. 6:9) O desrespeito pelo seu nome merece ser punido com a morte. — Lev. 24:10-16, 23; Núm. 15:30.
Uma vez que Jeová Deus é o Originador de todos os princípios e de todas as leis justas (Tia. 4:12), e constitui a base de toda a santidade, qualquer pessoa ou coisa que é santa se torna tal graças ao seu relacionamento com Jeová e com Sua adoração. Não se pode obter entendimento nem sabedoria a menos que se tenha conhecimento do Santíssimo. (Pro. 9:10) Jeová só pode ser adorado em santidade. Alguém que afirme adorá-lo, mas que pratica a impureza, é repulsivo aos olhos dele. (Pro. 21:27) Quando Jeová predisse que limparia a estrada para que seu povo retornasse do exílio babilônico a Jerusalém, ele disse: “Chamar-se-á Caminho de Santidade. O impuro não passará por ela.” (Isa. 35:8) O pequeno restante que voltou em 537 AEC fez isso de todo o coração, a fim de restaurar a verdadeira adoração, com motivos corretos e santos, e não por considerações políticas ou egoístas. — Compare com a profecia em Zacarias 14:20, 21.
JESUS CRISTO
Jesus Cristo é, em sentido especial, o Santo de Deus. (Atos 3:14; Mar. 1:24; Luc. 4:34) A sua santidade proveio do seu Pai, quando Jeová o criou como Filho unigênito. Ele conservou sua santidade como a pessoa mais
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